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domingo, 17 de novembro de 2019


Valha-nos a “Santa Paciência” 

A estrada molhada, uns pingos de chuva aqui e ali, nuvens baixas criando efeito de nevoeiro nalguns troços dificultavam a visibilidade no alto da Serra da Arrábida, nesta cinzentona  tarde de Outono. 

Naturalmente os cuidados eram redobrados na condução, não fosse encontrar algum pedregulho na estrada ou animais selvagens, nomeadamente os javalis cujos rastos estavam bem visíveis nas bermas ou alguma atrevida raposa.
E foi precisamente a seguir a uma curva que um bem nutrido animal pertencente à família Canidae surgiu junto à berma daquela estrada até então deserta. 

Parei o carro e fotografei o animal que de selvagem só tem o habitat, dado que logo se me dirigiu provavelmente para receber o seu pagamento pelo trabalho de modelo. Teve azar não levou nada!... 

Em sentido contrário apareceu outra viatura que logo parou e de dentro do carro saiu uma senhora que ao ver a cena chamou a raposa que logo se dispôs a atravessar a estrada sem mais demora. Chamei a sua atenção para o facto de não dever fazer isso sob pena do animal ser atropelado. Resposta: Ela sabe o que faz!... 

O melhor estava para vir quando a dita senhora chama o animal por “Toma” acrescentando “vem cá à dona” e retirando do bolso um rebuçado tirou-lhe o papel e deu a comer (ou engolir) à raposa que não se fez rogada. Mais uma vez chamo a atenção da senhora para o que estava a fazer e ignorando tratou de dar mais outro rebuçado… 

Os animais selvagens sabem como sobreviver em meios hostis e as raposas espertas como são não fogem à regra. O que acontece é que com estas ações de alguns humanos que pensam ser pessoas com melhor coração que os demais, habituamos os animais a virem comer à mão, a atravessar estradas de qualquer maneira e a serem atropeladas por alguma viatura que venha com mais velocidade. 

Vim embora, a raposa por lá ficou a fazer parar os carros e vim pensando que para este tipo de pessoas que teimam em alimentar os animais selvagens, sem medir as consequências dos seus atos, nem a “Santa Paciência” poderá fazer grande coisa. 

Rui Canas Gaspar
2019-novembro-17
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domingo, 30 de junho de 2019


Um banquete à disposição na Arrábida 

Nos meus giros pela Arrábida já tenho visto muitas coisas, algumas até bem insólitas, mas aquilo que vi hoje foi para além de insólito bem agradável. 

Já por lá observei altares onde estatuetas de Iemanjá, Nossa Senhora de Fátima ou Maria Padilha conviviam em boa harmonia.  Já observei outros altares onde as flores são nota dominante. Já vi outros onde as garrafas de cachaça e os charutos eram oferendas de luxo. Também por ali já vi junto a uma imagem um conjunto de moedas.  Mas, o mais comum e do que gosto menos são os altares onde as velas, pequenas e grandes, no meio do mato, podem ser um potencial foco de incêndio. 

Bem, mas o que hoje tive oportunidade de ver e fotografar foi um bem composto altar da melhor fruta fresca, onde se destacavam as bananas, os kiwi, as mangas, as peras, as uvas, a meloa e até um grande ananás, um conjunto ladeado por duas taças, uma com milho e outra com um cereal moído que não identifiquei. 

A fé das pessoas tem destas coisas que naturalmente respeito e por isso observo, fotografo e penso no assunto. 

Na descoberta de hoje, nesta Arrábida misteriosa, só fiquei triste ao observar tamanho banquete e a dois ou três metros o que restava de um ouriço-cacheiro que tinha morrido há pouco tempo. 

Na ausência de uma qualquer divindade que possa desfrutar deste banquete faço votos para que os animais selvagens e as aves da nossa serra-mãe encontrem esta dádiva e dela tirem um bom partido e, já agora, quem lá a deixou que veja os seus desejos satisfeitos, se forem bons, pois claro!... 

Rui Canas Gaspar
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2019-junho-30

terça-feira, 12 de março de 2019


Arrábida desconhecida

Tempos houve em que o gado apascentava livremente pela Serra da Arrábida vindo até das bandas de Sesimbra até ao Creiro, junto à antiga fábrica de conservas de peixe, onde muitos romanos em tempos se afadigaram.  Ali os animais  dessedentavam-se  na conhecida Fonte da Paciência, a qual dispunha então de um tanque para esse efeito.

Com o passar dos anos a fonte foi-se finando até que aconteceu que dali saiu o último pingo de água doce. 

Em 2002 o Parque Natural da Arrábida  recuperou o local, colocou dois painéis de azulejos reproduzindo antigas fotos e colocou uns bancos de madeira, dando ao espaço um ar bastante agradável. 

A Natureza seguindo o seu curso milenar fez crescer ervas, mato, silvas e toda a espécie de vegetação ocupando o agradável local que se apresenta agora como um desleixado espaço atendendo à falta da mais elementar manutenção. 

Os painéis ainda lá estão, embora picados pelas pedradas lançadas por pessoas que de pessoas só podem ter essa designação e assim se apresenta um espaço que conta um pouco da história deste belo Parque Natural um pouco governado ao sabor do vento. 

Rui Canas Gaspar
2019-março-12
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018


Coisas de Setúbal para inglês ver 

Com o calor que se fez sentir decidi que só ao final da tarde sairia de casa e assim foi, por volta das 20,15h. estava a chegar à Praia da Figueirinha, com cancelas escancaradas para quem desejasse seguir em frente e de cancelas encerradas para o parque de estacionamento, pago até às 19,00h. 

Embora incrédulo pelo facto de passar das 20,00 e as cancelas do estacionamento estarem encerradas, premi o botão, saiu o ticket , a cancela levantou automaticamente e eu entrei. 

Já no bar perguntei ao empregado sobre o porquê de se ter de tirar o ticket se estava anunciado que àquela hora já não se pagaria. O simpático funcionário esclareceu que não se pagava mas que teria de se tirar o talão. 

Cerca das 21,00 e como o calor decidisse assentar praça nos 33º resolvi vir embora. Aponto a viatura à saída, introduzo o talão mas a cancela não abre, volto e revolto o bilhete e nada. Premi o botão de auxilio e ouço o som de um telefone a tocar, mas do outro lado ninguém atende… 

Atrás de mim a fila de carros vai-se formando e eu não saio, mas os outros também não! Eis então quando surge uma alma caridosa a informar que eu teria, mesmo sem pagar nada, que me dirigir à máquina automática para validar o ticket.  Vamos lá nós saber porquê?... 

A fila teve de recuar para eu tirar o carro e desimpedir o trânsito e ainda a caminho da máquina automática tive oportunidade de fazer a minha boa ação ao informar mais dois condutores que iam ter o mesmo procedimento que eu. 

Pergunto, na minha qualidade de ignorante destas coisas; Não seria mais fácil o sistema ser programado para que os tickets retirados fora do horário de pagamento não tivessem de passar por este sistema de validação? 

Não seria melhor ser desativado o sistema de chamada telefonica para alguém que não atende? 

Já agora, confirmo que vi pelas 20,00 horas o parque de estacionamento da Sécil a ser encerrado por um elemento da segurança, quando o placard informativo dizia que ali haviam 195 lugares disponíveis, mesmo que lá tenham ficado dentro meia dúzia de viaturas certamente o total não chegará aos anunciados 300. 

Dei comigo a pensar na semelhança de todo este sistema com aquele outro onde se gastaram largos milhares de euros em armários da Proteção Civil Municipal, espalhados por diversas artérias do centro histórico setubalense, com vista a uma primeira intervenção de emergência, mas que se encontram ali para inglês ver, porquanto se encontram vazios, como provavelmente vazias se devem encontrar algumas cabecinhas pensadoras cá do nosso burgo. 

Rui Canas Gaspar 

2018-agosto-03 

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quinta-feira, 19 de abril de 2018


Mil euros por cada lugar de parqueamento na Figueirinha 

No dia em que Setúbal comemora mais um aniversário da sua elevação à categoria de cidade, deu-se início na Praia da Figueirinha aos trabalhos de marcação de estacionamento, o qual será tarifado entre os meses de junho e setembro. 

O espaço será controlado por um sistema de cancela e comportará 200 lugares, com valores que atingirão o pico no mês de agosto, situando-se em 1 euro/hora. 

Feitas as contas por alto estimo que estes 4 meses de Verão renderão um valor bruto na ordem dos 200 mil euros , ou seja, cada lugar de parqueamento valerá durante a época balnear qualquer coisa como os MIL euros. 

A taxa não é inédita, poderá ser alta ou baixa dependendo da carteira de cada um, lembrando que quem for para Sesimbra também terá de abrir os cordões à bolsa, o mesmo acontecendo na Comporta, no Meco, na Caparica e por aí fora.
Isentos (por enquanto) estão os utentes dos PUA, da Albarquel e da Praia da Saúde e antevejo uma maior afluência de setubalenses às praias de Troia. Ou seja, é como nos funerais, enquanto uns choram outros vendem os lenços. 

Gostaria que esta boa fatia financeira que irá entrar nos cofres da Autarquia, pudessem reverter a favor dos automobilistas e da própria C:M.S. e que fosse reservada determinada verba para aquisição de parqueamentos metálicos em altura de modo a que fosse utilizada nas nossas zonas balneares tão carenciadas de espaço. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-abril-19

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Atlântico e o Sado conspiraram para oferecer a Setúbal uma nova pérola 

O inesquecível “monte branco” local de tantas brincadeiras daqueles felizardos  que nos seus tempos de juventude demandaram o Portinho da Arrábida desapareceu definitivamente , deixando no seu lugar uns vulgares rochedos, iguais a tantos outros. 

O Atlântico  decidiu que era tempo de mudar aquele monte de areia e levá-lo para outro lugar. Vai daí, conversou com o Sado e em comum decidiram que o areal seria transferido para Setúbal de forma a fazer aqui uma ampla praia de areia branca como existia antes da construção das muralhas e docas que hoje os setubalenses tão bem conhecem. 

Calma, silenciosa e pacientemente o Atlântico começou o seu árduo trabalho de retirada daquele enorme, fino e branco monte de areia e o Sado dedicou-se com afinco ao trabalho de a repor ali junto ao canto da popularmente conhecida estacada do carvão. 

E assim, sem grande alarido o Sado já conseguiu para ali transportar algumas toneladas de areia que estão já a cerca de um metro do topo da muralha, junto à estacada. 

O Sado de forma discreta e eficiente correu dali com o vetusto  barco EVORA fazendo com que na maré vazia ficasse com as hélices em seco. 

O Sado agora está muito contente e feliz, pois já vê, sobretudo na maré baixa, uma ampla praia que vai do novo “monte branco” frente ao edifício dos cacifos dos pescadores até à Praia dos Cantoneiros, junto à Gávea. 

Se um destes dias alguém quiser dar uma ajudinha, coisa que o Sado agradece, Setúbal será então bafejada com a sorte de ter uma das mais belas e compridas praias urbanas de Portugal e tudo isto graças ao complô destes dois nossos amigos, o Atlântico e o Sado de quem tanto gostamos e que cobiçamos sobretudo as suas lindas roupagens de cor azul, agora cada vez mais debruadas a branco. 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-30 


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terça-feira, 20 de junho de 2017

Na Praia de Albarquel, estacionamento selvagem já era! 

Se eu gostar muito, mas mesmo muito de ver aquele filme que está a passar no Fórum Luísa Todi, for comprar bilhete de ingresso e na bilheteira me disserem que a lotação está esgotada, será que eu vou forçar a porta, entrar na sala e colocar-me de pé à frente de alguma pessoa ou mesmo sentar-me ao colo de algum espectador? 

Claro que não, isto é um absurdo, não passa pela cabeça de ninguém! 

Então, porque carga de água é querendo eu ir tomar uma banhoca a uma das belas praias da Arrábida e lá chegando e constatando que não tenho lugar disponível para parquear a viatura decido deixar a mesma em cima de uma curva, sobre um traço amarelo, ou mesmo em segundo fila, ocasionando que por vezes impeça a circulação dos demais automobilistas? 

Infelizmente é isto que acontece com alguma frequência, originando até, com este procedimento, o acesso a viaturas de emergência que quase voam por essas estradas para depois ficarem retidas devido a tamanha falta de bom senso de alguns automobilistas. 

E como para grandes males grandes remédios eu acho muito bem que tenham sido bloqueadas viaturas e autuados condutores infratores, não porque eu também não cometa infrações, como qualquer condutor, mas sim pela burrice que é o parquear em semelhantes circunstâncias. 

E, também por isso mesmo, acho muito bem a medida que a autarquia setubalense acaba de tomar mandando colocar pinos metálicos ao longo do acesso à Praia de Albarquel, de forma a eliminar o estacionamento abusivo ao longo do acesso àquele espaço agora com pavimento renovado. 

A semana começou com uma equipa do Serviço de Trânsito Municipal a colocar os pinos ao longo das bermas, trabalhos que poderão estar concluídos até ao final da semana. Assim sendo, se vai para a Albarquel terá de ir a pé, de bicicleta ou até levar o seu automóvel e estacionar no respetivo lugar de parqueamento, porque o estacionamento selvagem já era!... 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-20 


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sábado, 15 de outubro de 2016

A Arrábida cheia de dinamismo e beleza numa tarde de Outono

Esta tarde a Serra da Arrábida mostrava-se particularmente animada, fosse em terra, no mar ou no ar havia atividade para todos os gostos.

Na estrada que desce para o Portinho não consegui perceber o que por lá se passava ou iria passar. Fardos de palha protegiam as bermas e porque o sol estava baixo a condução com o mesmo a dar de frente tornava-se incómoda, não deixando perceber o que se passava, ainda por cima levando à frente uma ambulância do INEM com sinalização de emergência.

Pareceu-me ser uma prova desportiva de duas ou três rodas, mas o que não tive duvidas e, isso sim, a oportunidade de apreciar foi a destreza de dezenas de parapentistas, entre eles alguns amigos setubalenses que sobrevoavam a serra de onde levantavam voo para vir aterrar posteriormente nas finas areias das praias do Creiro ou nas outras suas vizinhas.

É de salientar que a estrada da serra foi recentemente alvo de uma profunda intervenção que resultou na colocação de largas centenas de novos sinais de trânsito e de placas refletoras nas curvas e nas zonas mais sensíveis. Vamos ver quanto tempo duram sem que os porcalhões não deixem nas mesmas as suas nefastas marcas.

Mas ainda a propósito de porcalhões. Estes energúmenos tinham grafitado uma das guaritas onde se encontra o principal miradouro com vista para o conventinho. Passado algum tempo essa mesma construção foi toda pintada de novo. Volvidas algumas poucas semanas e lá estava já a primeira rabiscadela. Hoje reparei que já lá não está, porque de novo a guarita foi pintada.

É assim que tem de ser, embora seja mais dispendioso, mas não podemos tolerar que os pinta-paredes vençam, eles querem publicidade à sua “arte” por isso nada melhor que passar com tinta por cima e tantas vezes as que forem necessárias.

A Arrábida é um espaço que deve ter qualidade, a todos sabemos que muito há para fazer, mas também sabemos que muito mais se pode ir fazendo e isso cabe seguramente a cada um de nós.

Rui Canas Gaspar
2016-outubro-15

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Frei Martinho desceu à cidade de Setúbal

Quando Frei Martinho chegou em 1539 à Serra da Arrábida ficou deslumbrado com a beleza da paisagem e desabafou dizendo: “Se não estou no céu estou nos arrabaldes”.

Não sei se ele teria passado pelo arrabalde que naquele tempo era conhecido pela Herdade Barbuda, um amplo terreno adquirido uns anos antes pelo rei D. Manuel I para ali plantar um bonito jardim.

E assim aconteceu. As árvores e flores foram plantadas e ao longo dos séculos o espaço foi-se modificando, alindando ao gosto da época e chegou até aos nossos dias tal como o conhecemos pela atual designação de Parque do Bonfim.

Nestes últimos meses o parque tem vindo a sofrer obras de melhoramento e hoje mesmo vimos chegar meia dúzia de personagens que vieram assentar arraiais guiados pelo frade arrábido que desceu lá do conventinho até aos arrabaldes conhecido por Setúbal, sem mesmo trazer qualquer garrafa de Arrabidine, cujo segredo de fabrico tão bem conhece.

E para que o caminho não lhe custasse tanto convidou os amigos, Bocage, Luísa Todi, Dona Vinha, Descarregador de Peixe e Maria Baía que lhes fizeram companhia, tagarelando todo o caminho sobre os assuntos relacionados com a cidade que vinham visitar.

Falaram do alindamento e das novas cores com que têm sido pintados os edifícios municipais, das ervas que proliferam pela cidade, do lixo que não cabe nos contentores, do cócó dos cãezinhos cujos asseados donos não se dobram para apanhar, das muitas recuperações de imóveis que estão a acontecer sobretudo na baixa da cidade e da anunciada marina e zona envolvente, sem que deixassem de debater o tema obrigatório do IMI alto que se farta e das melgas da Feira de Santiago.

Claro está que cada um tem e emite a sua douta opinião pelo que não chegaram a acordo, sentenciando Bocage: “cada cabeça, cada sentença!”

Melhor para uns, nem por isso para outros, numa coisa todos estiveram de acordo é que Setúbal está muito diferente e, para melhor!

E assim, conseguiram levar de vencida aqueles cerca de 16 quilómetros que distam do convento de Santa Maria de onde vieram até à antiga Herdade Barbuda onde agora todos se encontram à espera que os visitem.

Porém, como a tradição já não é o que era, frei Martinho quis ser fotografado para que a sua imagem ficasse para a posteridade neste dia em que chegou ao parque do Bonfim que cada vez está mais bonito, como acontece com os arrabaldes a nascente da sua casa.

Rui Canas Gaspar
2016-setembro-27

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sábado, 23 de julho de 2016

A Arrábida precisa de um barco de socorro, porque mais vale prevenir que remediar

Esta semana reparei que se encontrava estacionada no Parque de Campismo do Outão uma viatura de combate aos fogos pertencente aos bombeiros setubalenses. 

Trata-se de uma louvável medida preventiva tendo ali um meio avançado para responder de forma mais rápida e eficaz em caso de sinistro ocorrido na Serra da Arrábida.

Porém, reparei também que continua o estacionamento automóvel abusivo na zona da Figueirinha e daí para poente, com largas dezenas de viaturas estacionadas à direita e à esquerda independentemente de haver traço amarelo ou não o que muito dificultará qualquer meio de socorro em caso de sinistro na zona.

Esta semana já aconteceram dois acidentes na Praia dos Coelhos, uma zona de difícil acesso por terra, pelo que a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) baseada em Setúbal, no Hospital de São Bernardo, não teve certamente a vida muito facilitada para chegar e parar na zona próxima do acidente.

Aquela praia não está dotada de vigilância e o acidentado teve de ser retirado por mar graças a uma embarcação da Polícia Marítima, chamada ao local.

A questão que eu coloco e que me parece pertinente é se não deveria haver um posto avançado dos Bombeiros, equipado com embarcação, de forma a poder prestar a necessária e rápida assistência, conhecidos que são os constrangimentos nos acessos por terra àquelas praias da Arrábida.

Sugiro a quem de direito, Proteção Civil, Bombeiros Voluntários ou Sapadores Bombeiros, que a exemplo do que acontece com a viatura parqueada no Parque de Campismo do Outão se possa fazer o mesmo com uma embarcação que ficaria fundeada junto a uma das praias da Arrábida, funcionando assim como ambulância marítima. Isto porque como todos sabemos mais vale prevenir que remediar e os nossos Bombeiros já dão exemplo nessa matéria.

Rui Canas Gaspar
2016-julho-23

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Setúbal prepara-se para receber a Volta a Portugal em Bicicleta

Acabaram de ser eliminados dois possíveis obstáculos existentes no topo poente da Avenida Luísa Todi o que certamente facilitará sobretudo os ciclistas que dentro de dias por ali irão acelerar para a meta aquando da Volta a Portugal em Bicicleta.
O triângulo separador elevado no final da avenida junto à Adega do Leo foi retirado e o pavimento nivelado, enquanto a lomba entre os correios e o Laranja também foi retirada.
Sendo assim, quem entrar em Setúbal vindo da Arrábida e, caso se trate de um pelotão de ciclistas, encontrará uma reta completamente plana e sem obstáculos.
Também a "malfadada" curva entre a Av. dos Ciprestes e a da Várzea foi retificada, dado que ali passará o pelotão vindo de Palmela a caminho de Azeitão.
Esta seria uma boa oportunidade para colocar um pouco de alcatrão no pavimento dos miradouros da Arrábida que se encontram em estado miserável.
Lembro que na Serra da Arrábida estará em discussão o último Prémio de Montanha que vai confirmar o nome do novo “Rei dos Trepadores”.
45 anos depois de Joaquim Agostinho ter chegado à cidade do rio azul envergando a camisola do Sporting, Setúbal volta a receber os ciclistas no dia 6 de Agosto, na penúltima etapa da prova rainha do ciclismo, um evento inserido no âmbito de “Setúbal – Cidade Europeia do Desporto 2016”

Rui Canas Gaspar
2016-julho-23
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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O luxo de viver em Setúbal

Depois de um dia particularmente agitado nada melhor que chegar a casa e tomar um bom duche, mudar de roupa e ir apanhar um pouco de ar puro da Arrábida, e foi esse o luxo que tive o privilégio de desfrutar.

Depois de uma paragem técnica para abastecimento na esplanada da Figueirinha, sem stress, numa hora em que o pessoal regressava da praia e a brisa suave começava a soprar vinda lá dos confins do Atlântico, retorno ao carro para dar calmamente a volta pelo alto da serra a fim de desfrutar o belo pôr-do-sol.

Conduzo com cuidado redobrado, não por causa do trânsito que é quase nulo neste dia da semana e a esta hora, mas por causa dos animais selvagens que a esta hora deixam os seus abrigos para virem procurar comida.

Lá no alto, sobre o conventinho, tenho oportunidade de me congratular com a pintura exterior da capelinha que na minha última passagem por lá se encontrava grafitada e que foi alvo de uma nota publicada aqui. De facto a melhor maneira de combater esta praga dos “borra paredes” é utilizar as mesmas armas e sem perder tempo repintar o que eles pintam, ou borram…

Os miradouros da serra continuam com o piso em estado miserável sem que alguma entidade se digne resolver este assunto que é um péssimo cartão de apresentação para quem quer eleger a marca Arrábida como um destino de excelência.

O sol já se vai pondo no horizonte, o vento agora faz-se sentir de forma mais acentuada e a temperatura baixou tornando-se mais agradável este final de tarde de Verão.

Chego ao alto da serra e mal começo a descer cruzo-me com uma família numerosa, também deve ser pessoal de bom gosto e certamente veio jantar a este local de eleição. Consigo contar 4 adultos e quatro crias, provavelmente seriam mais, dado que não quiseram conversa e rapidamente meteram-se pelo meio do mato.

Nunca tinha visto javalis tão lá para cima, já os tinha encontrado sim cá em baixo na zona do Creiro, mas por ali só tinha visto os seus rastos.

Continuo a conduzir calma e atentamente rumo a Setúbal, onde junto à Albarquel volto a parar para fotografar a placa de boas vindas à cidade que se apresenta iluminada e bela tal como a baía dos golfinhos que abraça Setúbal.

Poucos minutos após e depois da imprescindível ronda pelo PUA, onde algumas pessoas passeiam descontraidamente, outras correm para manter a forma física e outras usufruem da calma do fim do dia, chego a casa e partilho com os amigos esta pequena nota apenas possível porque resido num local de luxo: Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-julho-21

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quarta-feira, 29 de junho de 2016

É este o tipo de apresentação que se quer para a Arrábida?

A criação da “marca” ARRÁBIDA parece-me uma ideia bem conseguida porquanto tentamos atrair para a nossa região turistas nacionais e estrangeiros, dando-lhes a mostrar o que de melhor temos na nossa terra.


A natureza brindou-nos com o verde da serra, separado por fina areia branca o azul do mar que se confunde com o céu de Verão num idílico e ímpar cenário que tem ao longo de muitos anos vindo a inspirar poetas e pintores.

O que já não me parece tão bem é não termos pessoas capazes de fazer o trabalho de casa e ficar dependente daquilo com que a natureza dotou a região, esquecendo-se que ao atrair gente para determinado local é necessário equipar esse mesmo local com as infra-estruturas de base, nomeadamente a necessária vigilância.

Mas, se não vemos contentores para recolha de lixo nos miradouros da serra, vemos o piso dos mesmos completamente deteriorado com muitos anos sem que alguém se dignasse reparar.

Se não vemos uma única instalação sanitária pública em todo o parque natural, observamos a degradação dos painéis informativos e até os muros de proteção dos miradouros sem qualquer tipo de manutenção.

A questão que se coloca ao simples cidadão, ao turista que vai visitar o belo Parque Natural da Arrábida é qualquer coisa do género: “Afinal quem é que toma conta disto?”

Bem sabemos que a Câmara Municipal de Setúbal, a União de Freguesias, o Porto de Setúbal, os muitos serviços do Estado tratam de por o rabinho de fora, porque este espaço tem direção própria, a do Parque Natural da Arrábida.

Mas será este o tipo de apresentação que se quer para a Arrábida? Penso que não! Penso que não!...

Rui Canas Gaspar
29-junho-2016

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Fonte da Paciência a joia perdida da Arrábida

Os invasores romanos quando decidiram instalar nesta zona da Arrábida uma unidade industrial de salga de peixe e seus derivados, fizeram-no certamente por alguns bons motivos, seguramente bem ponderados.

Primeiro estavam junto a um bom porto de abrigo, depois encontravam-se numa zona de grandes recursos piscícolas e, finalmente, para que a sua indústria pudesse funcionar em pleno necessitavam de quantidade significativa de um outro imprescindível recurso natural: a água.

E foi precisamente este último recurso aquele que foram encontrar de forma abundante, na base do Creiro, uma zona da Arrábida frente à Pedra da Anicha, quase junto à praia. Uma verdadeira riqueza quando é sabido que não são abundantes os aquíferos existentes nesta região.

A água que então corria abundantemente e que fornecia a indústria e a população que laborava naquele complexo foi ao longo dos anos ficando mais escassa.

Mesmo assim, centenas de anos depois, no século XIX, ainda temos notícia de que um agricultor popularmente conhecido por “Zé Nabo” vinha a pé, acompanhando as suas vacas, desde a Maçã, perto de Sesimbra, para apascentar e dessedentar o gado nesta fonte, facto que ficou registado num dos painéis de azulejos colocado anos mais tarde neste local.

Na década de 60 do século XX jorrava alguma água desta fonte que abastecia as famílias de pescadores que, no Verão, acampavam nas redondezas.

No final desta década a água ainda continuava a verter para os cantis dos escuteiros que ali passavam nas suas caminhadas pela serra, porém estava prestes a esgotar-se e era já um ténue fio  que a fonte podia oferecer. Era então necessário algum tempo e muita paciência para poder recolher um pouco do precioso líquido!...

Uma década depois, nos finais dos anos setenta, já o fio de água não corria no Verão. A fonte oferecia a sua água mas apenas gota a gota, como que chorando pela sua anunciada morte.

Nesse tempo, os escuteiros nas suas caminhadas pela serra mãe chegavam a acampar naquela zona e enquanto dormiam nas suas tendas procuravam fazer o abastecimento recolhendo a água que já não corria mas que agora apenas pingava da outrora pujante fonte.

E chegou o dia em que com ou sem paciência já nem uma simples gota a fonte passou a oferecer. Tinha secado de vez, apenas ficando o local de onde vertia pura e cristalina e a sua memória na mente de alguns daqueles que um dia ali se dessedentaram.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-22

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ARRÁBIDA
Vamos matar a galinha dos ovos de ouro?

Mercedes, Volkswagen e Ferrari são marcas de automóveis que vão fazer por estes dias filmes publicitários na Arrábida, trazendo até cá não só centenas de técnicos como também mais de uma centena de jornalistas, os quais naturalmente aqui deixarão largos milhares de euros, gastos em estadia, alojamento e meios técnicos.

Os mais diversos eventos desportivos trarão também este ano a Setúbal milhares de turistas, desportistas e jornalistas estrangeiros que não deixarão de querer visitar o Parque Natural da Arrábida, um espaço ímpar não só regional, como nacional.

E se a beleza deste espaço cativará certamente os visitantes não acredito que o mesmo possa acontecer com as infraestruturas que ali irão encontrar, dado que são quase inexistentes e até o básico, como sejam os miradouros estão em estado deplorável.

E é isso também que lhes irá despertar a atenção e isso será certamente o que também irão transmitir para os seus países nas crónicas que irão produzir e que em nada irá abonar o setor turístico nacional.

Bem que se poderia evitar esta imagem deprimente, minimizando-se  este impacto negativo, com uns poucos camiões de gravilha, meia dúzia de bidons de alcatrão e umas poucas horas de trabalho de pedreiro, o suficiente para mudar radicalmente o mau aspeto destes espaços.

Isto pode parecer assunto de somenos importância, mas não é. Estou a falar sobre aquilo que é mais visível e com que as pessoas se depararão, na sua curta estadia, quer queiramos ou não.

Para quê gastar-se milhares de euros a promover a nossa terra para atrair turistas se eles ao aqui chegarem vão encontrar, desnecessariamente, estas situações de propaganda negativa?

Diria mesmo que isto é o que se pode rotular de “matar a galinha dos ovos de ouro”.

Bem sei que as Estradas de Portugal vão dizer que os miradouros são da responsabilidade do Parque Natural da Arrábida, bem sei que alguém irá sacudir a água do capote argumentando que a promoção turística é responsabilidade da Câmara Municipal e assim neste jogo de empurra o que é simples de resolver vai-se tornando cada vez mais complicado.

Curiosamente o que mais me espanta é que com tantos técnicos, gestores, diretores e presidentes em todos estes organismos, não haja gente capaz de tomar decisões no sentido de, eficientemente, resolver estas pequenas (grandes) anomalias que nos irão sair mais caras do que se avançasse de imediato com a resolução do problema.

Chamo mais uma vez a atenção do Parque Natural da Arrábida, das Estradas de Portugal e da Câmara Municipal de Setúbal para esta questão do mau estado dos miradouros da Arrábida porque eles são um dos melhores cartões-de-visita de que dispomos e o seu estado em nada vai ajudar a promover o turismo nacional, com a consequente quebra nas necessárias receitas que essa indústria naturalmente pode gerar e que tanto jeito darão nas depauperadas finanças nacionais.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-17

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Hoje encontrei um “tesouro” na Arrábida

A Serra da Arrábida é uma caixinha de surpresas e não deixa de nos surpreender pelos mais diferentes motivos. Hoje quando por lá dei uma volta e decidi ir “meter a cabeça” num determinado local deparei-me não com um tesouro, mas com pouco mais de três dezenas de moedas.

Não mexi nelas, nem as desviei um milímetro do local onde se encontram, apenas as fotografei e, de tempos em tempos, irei por lá passar para ver se estão mais, se estão menos ou se simplesmente sumiram.

Não sei quem as colocou nem com que intenção, tal como não sei com que intenção é que aquele rico romano foi enterrar uma ânfora repleta de moedas, algures para as bandas do Creiro. Provavelmente um tesouro fruto da venda do peixe em conserva que dali saía para todo o império a bordo das possantes corbitas de transporte.

Em 1968 uma moderna máquina ao romper o terreno para fazer a estrada que faz a ligação entre a estrada  N10-4 e a praia do Creiro partiu a ânfora que ali estava enterrada e espalhou as moedas que certamente tanto trabalho deram a amealhar ao seu proprietário.

O caçador José Correia, residente em Setúbal, que por ali passou viu-as espalhadas pela terra e ao verificar que eram de cobre e não de prata ou ouro, não ligou grande coisa, limitando-se a apanhar um punhado e a trazer como recordação para ofertar aos amigos.

Ao que parece os operários que procediam aos trabalhos de terraplanagem ao terem conhecimento do achado também trataram de recolher a maior parte das peças encontradas, ainda antes da chegada do padre Manuel Marques, então capelão do Hospital do Outão, entretanto alertado com a notícia.

Este sacerdote, pessoa interessada pela história da nossa terra, deslocou-se rapidamente ao local das terraplanagens, no Creiro e, depois de procurar entre a terra revolvida ainda conseguiu juntar mais de três dezenas de moedas tendo certamente muitas outras ficado por ali, enterradas no local dos trabalhos.

O padre Manuel Marques viria a ofertar uma dessas peças ao seu colega, conhecido estudioso desta região da Arrábida e Azeitão, padre Manuel Frango de Sousa, moeda identificada como pertencente ao reinado do Imperador romano Honório.

Este foi um outro tesouro arqueológico do qual nunca se conseguiu quantificar as peças encontradas dada a dispersão das mesmas e às características que envolveram o seu achado, nomeadamente quanto ao local, em plena Serra da Arrábida e à quantidade de pessoas que a ele tiveram acesso.

É claro que hoje não tive a sorte de encontrar um tesouro romano, nem muçulmano, mas sim um punhado de moedas correntes colocadas num local pouco acessível sabe-se lá com que intenção.

São coisas de Setúbal ou da nossa Arrábida desconhecida!...

Rui Canas Gaspar

17-fevereiro-2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O novo Citroen Mehari é filmado na Arrábida

Depois da tempestade a bonança e hoje, dia 26 de janeiro de 2016 o dia de Inverno apresentou-se com uma temperatura muito agradável, na ordem dos 18 graus com o sol a brilhar o suficiente para alegrar muitos  setubalenses e quem nos visitou.

E porque a nossa terra é dotada de belos e agradáveis espaços não é de admirar que continue a ser cada vez mais procurada por nacionais e estrangeiros pelos mais diversos motivos.

Hoje foi mais um desses dias. Uma equipa de algumas dezenas de elementos, nacionais e estrangeiros, carregados de equipamento, transportado em diversas viaturas estiveram na Praia da Figueirinha onde realizaram filmagens destinadas a um filme publicitário.

Um realizador francês apoiado por uma equipa de produção portuguesa esteve naquele belo local do Parque Natural da Arrábida com o último modelo da Citroen, o novo, bonito e desportivo Meahri.

A vedeta principal do filme contou com a colaboração de alguns artistas que no decurso das filmagens não deixaram de tomar um refrescante banho naquelas transparentes águas.

Questionados sobre o porquê de virem produzir o filme para Portugal e particularmente para a Arrábida, a resposta veio com outras:

- Onde é que temos aí pela Europa paisagem tão bonita? Onde é que se consegue estar a trabalhar em pleno Inverno em mangas de camisa? E onde é que se consegue produzir um filme destes com custos tão baixos?

A resposta estava dada!...

O restaurante e bar de apoio esteve todo o dia ao dispor da equipa, os equipamentos utilizados foram maioritariamente alugados em Portugal, a maior parte da equipa luso/francesa era nacional e certamente que muitos euros aqui foram deixados em função desta produção.

Quando se fala em promover o turismo, temos de observar a questão nas mais diversas vertentes e esta é seguramente uma área que Setúbal não pode descurar, seja na captação do turista que aqui possa chegar em barcos de cruzeiro, de autocarro, de autocaravana ou venha ele como vier, o importante é que venha.

Por outro lado, os congressos, a rodagem de telenovelas ou filmes e outros grandes e pequenos eventos devem ser acarinhados e bem recebidos por esta terra que a natureza dotou com uma beleza ímpar e com um povo participativo, bom e hospitaleiro.

Rui Canas Gaspar
2016-janeiro-26

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