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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sentir a Arrábida na Avenida Luísa Todi

A cidade de Setúbal é comparada a uma bela pintura que foi cuidadosamente emoldurada pelo azul do seu Rio Sado e pelo verde da Serra da Arrábida.

Naturalmente a cidade sofre a influência da serra, com a qual confina e, por isso mesmo, é natural que, de quando em vez, os seus habitantes desçam à urbe para visitar quem cá reside.

Daí que das cobras rateiras, às raposas, passando pelos javalis estes nossos vizinhos já tenham sido avistados passeando pelas ruas e avenidas sadinas.

Mas, a cidade não recebe apenas a visita da fauna, também a flora da Arrábida está presente um pouco por todo o lado e foi assim que no passado mês de outubro, ao deslocar-me ao cemitério para me despedir de um velho amigo reparei que naquele local existiam bons medronhos já vermelhos, pelo que me deliciei com os saborosos frutos selvagens da nossa Arrábida.

Hoje, ao passar pela Avenida Luísa Todi, onde de entre variadas plantas podemos encontrar os bonitos folhados da Arrábida e amplas moitas de bem cheiroso alecrim reparei nuns arbustos com bagas azul-escuro e outros de bagas brancas.

Retirei uma baga e provei, comprovando aquilo que pensava, trata-se de martunhos, aquelas bagas silvestres com que os frades arrábidos fabricavam o delicioso licor, que a “Vida & Fortuna”, da Quinta do Anjo, diz ter a fórmula secreta para fabricar o “Arrábidine” o típico licor da Arrábida.

Avancei pela avenida e entrei na galeria do antigo Quartel do Onze, onde uma exposição de pintura mostra um pouco de 50 anos de trabalho daquele que é o pintor de Setúbal, Rogério Chora.

Depois de apreciar os trabalhos deste artista dei dois dedos de conversa com ele e depois aproveitamos para registar o encontro com uma foto junto a belos quadros da Arrábida.

Acabei a manhã, com cheiros, gostos e vistas da Arrábida mesmo sem sair da baixa da cidade.

Que maravilha, poder sentir a Arrábida andando apenas pela Avenida Luísa Todi!...

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-10

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O meu novo amigo é um “homem-pássaro”

Desde a mais remota antiguidade que o homem desejou poder voar, tendo durante muitos anos tentado concretizar esse seu sonho sem sucesso.

Hoje, o homem domina os céus como o faz na terra e no mar e naturalmente podemos ver os humanos quais enormes passarões a sobrevoar os nossos campos.

E foi o que aconteceu há poucos dias quando no alto da Serra da Arrábida estive a admirar um destes homens-pássaros que solitariamente sobrevoava a serra mãe. Ele deslocava-se na sua asa delta, ora na direção do sol poente, ora de costas para o astro-rei, observando lá do alto aquilo que eu nunca o poderia fazer ali em terra.

Mas, o homem, o ser mais inteligente que existe sobre a Terra, não só descobriu a maneira de voar como também descobriu uma outra maravilha: a internet!

E, embora não fizesse a menor ideia de quem estaria a sobrevoar a serra, não deixei de captar um conjunto de belas imagens daquele felizardo que apreciava a nossa Arrábida de um ponto ainda mais alto do que aquele onde me encontrava.

Imaginem que uma dessas imagens foi colocada na internet. Aconteceu que, curiosamente, o nosso “homem-pássaro” num dos seus voos pelo mundo virtual, encontrou-a e reconheceu-se.

Graças à poderosa tecnologia ao nosso dispor, que hoje já se transporta no bolso, tratou de identificar o autor da foto e contactar-me no sentido de lhe ceder a imagem captada, dando-me então a possibilidade de lhe ofertar não uma mas sim uma dúzia delas.

Hugo Pronto, o “homem-pássaro” é agora o meu mais recente amigo virtual e o mais novo membro do grupo COISAS DE SETÚBAL, o espaço onde se partilham os mais diversos assuntos, não só relacionados com as coisas da terra e do mar mas também com as do ar da nossa Arrábida.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-19

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Há javalis e outros porcos na Serra da Arrábida

O dia estava a chegar ao fim quando o telefone tocou lá no alto da Serra da Arrábida.  Encostei a viatura num miradouro e atendi.

A conversa prolongou-se por algum tempo. Tratava-se de um amigo de longa data que há muito não escutava.

À minha frente parou uma viatura BMW e de dentro saíram dois casais. Um homem abriu uma cerveja e a uma das mulheres uma garrafa de água. Os dois beberam enquanto apreciavam a soberba panorâmica que dali se desfruta.

Eu continuava ao telefone e eles apreciavam a paisagem. Pouco depois a mulher já de garrafa vazia, afasta-se um pouco e com muito jeitinho tratou de “guardar” a garrafinha, já vazia, debaixo de uma moita. Ele, rapaz mais desembaraçado, não esteve com meias medidas e atirou a garrafa para o mato da berma.

O grupo meteu-se na potente viatura e trataram de prosseguir viagem.  Eu fiquei danado por ter presenciado a cena e não a ter fotografado nem sequer ter tido a oportunidade de chamar a atenção daqueles porcalhões.

Outros que por ali passam por este belo território português ao verificarem o lixo existente não deixam de criticar os portugueses em geral e os setubalenses em particular por tanta falta de respeito pelo meio ambiente.

De facto, as bermas e até alguns espaços bem no interior da serra apresentam-se conspurcados mas, o certo, é que não são as ginetas, as raposas ou ou javalis, que até são porcos,  que  deixam por lá o lixo, mas sim os outros animais de duas patas que por ali andam de vez em quando.

Lá no alto, um homem deliciava-se sobrevoando a serra-mãe na sua asa delta e eu procurava acelerar um pouco para chegar a casa a tempo de ter um lugar para estacionar o carro, neste dia em que o Benfica joga com o Vitória e quando os estacionamentos encolhem rapidamente.

Foi um final de dia passado num local bonito que me deixou aborrecido. Enfim, temos de conviver com todo o tipo de gente até com aquelas finórias para quem a limpeza fica bem atirando o lixo para debaixo do tapete.

Áh! Já  me esquecia de um pequeno pormenor.

É que mesmo estando a atender o telefone deu para ver que a matrícula do BMW era alemã e o grupo falava a língua do país da senhora  chanceler Angela Merkel.

Afinal há porcos um pouco por todo o lado…

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-12

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Desapareceu mais um monumento em Setúbal

No dia 8 de julho de 1886 Hans Christian Andersen o escritor dinamarquês mundialmente conhecido devido às suas célebres histórias infantis, chegou a Setúbal onde acabou por passar de um mês de férias, tendo tido então oportunidade de  conhecer a cidade e seus pitorescos arredores, tendo-lhe até sido facultada a possibilidade de conhecer os areais de Troia e a verdejante Arrábida.

O escritor teve ainda o ensejo de conhecer outros locais desta pequena mas diversificada nação e, a opinião que formulou sobre a mesma, poderá resumir-se neste pequeno verso que escreveu no livrinho da família O’Neill, sua anfitriã:

“Lá no plano Norte verdejante,
Recordando todas as impressões vividas
Para Setúbal voará o pensamento distante
Para junto de todas as pessoas queridas”.

Certo dia um açoriano de nascimento, mas setubalense de coração, Manuel Medeiros, dono da Livraria CULSETE, decidiu honrar o escritor, não com uma estátua mas com um monumento vivo, um abeto da Noruega.

E assim apareceu na Avenida Luísa Todi, quase em frente ao coreto, um bonito canteiro, com um abeto. Ali poderia ler-se numa placa: “Abeto plantado em homenagem a Hans Christian Andersen, Câmara Municipal de Setúbal, Comissões Nacionais da UNESCO de Portugal e Dinamarca, Livraria CULSETE. Outubro de 1998.

Numa outra placa: “Plantei em Setúbal um pequeno abeto nórdico. Quando crescer o vento Norte ao abaná-lo com o seu sopro ai deixará uma saudação da Escandinávia distante” H. Andersen, uma visita a Portugal em 1866 – Cap. IV

Aquando das obras de renovação da Avenida Luísa Todi, no âmbito do POLIS é construído um quiosque quase em cima do canteiro, retirando ao local toda a dignidade e quase anunciando a sua morte devido à movimentação de pessoas e coisas praticamente em cima da pequena e bela árvore.

Esta decisão de localização do quiosque, desprovida de qualquer sentido estético e denotando o maior desrespeito por este monumento vivo, constituiu o princípio do fim.

E foi o que hoje dia 9 de setembro de 2014, com tristeza e com vergonha constatei que aquele  monumento vivo, ali colocado por verdadeiros setubalenses de coração ou de nascimento tinha sucumbido, no seu lugar estava apenas o pouco que resta do seu forte tronco, capaz de suportar os ventos frios do Norte, mas não a força da ganância.

Veio-me então à mente aquela frase célebre de um velho e sábio índio Cree: “Só quando a última árvore tiver morrido, o último rio tiver sido envenenado, o último peixe tiver sido pescado é que descobriremos que não podemos comer o dinheiro”.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-09

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Parque da Bela Vista uma joia preciosa da cidade de Setúbal

Localizado na zona nascente de Setúbal, logo após o Bairro da Bela Vista, vamos encontrar o amplo Parque da Bela Vista que com os seus dez hectares de área é o maior espaço verde da cidade sadina, tendo sido aberto ao público no ano de 2003.

Com acessos pelas Avenidas da Bela Vista ou pela Belo Horizonte este magnífico espaço, de amplos e bem cuidados relvados encontra-se polvilhado de grandes zonas sombreadas pelas enormes copas de pinheiros mansos e por alguns sobreiros.

A vista que daqui se desfruta é soberba, podendo-se apreciar o Sado, Troia a Arrábida e naturalmente a cidade, especialmente se subirmos ao ponto mais alto onde se encontra a recuperada capelinha.

Pistas de manutenção, dois campos de futebol, dois de barquete e dois de ténis formam um conjunto simpático para os amantes destas modalidades. Um espaço de máquinas de ginástica completa aquela zona, apoiado por um simpático bar e um espaço de balneário.

Foi com natural curiosidade que reparei num outro espaço, entre as copas dos pinheiros. Uns cabos de aço de atravessamento e uma ponte suspensa. Construções próprias para treino de bombeiros ou escuteiros experientes. Aliás é de referir que o único monumento existente no parque é precisamente a homenagear o Movimento Escotista, uma iniciativa da Associação dos Escoteiros de Portugal.

Adultos e crianças por ali passeiam descontraidamente mas, sobretudo vi muita gente a tentar manter a boa forma física. Por isso  este parque só por si já faz bem não só ao corpo mas sobretudo ao espírito.

Tomei um sumo fresco no bar e conversei um pouco com o simpático comerciante, um culto alentejano dotado de um fino sentido de humor e excelente conversador, radicado em Setúbal há cerca de 45 anos. Este homem tem o condão de nos fazer esquecer o tempo que por ali paramos.

Fiquei agradavelmente surpreendido com o que vi, pois nunca tinha penetrado no interior deste soberbo espaço verde, tendo passado por várias vezes junto à sua vedação. Desta vez entrei e ainda bem!

Se Setúbal consegue surpreender até quem por cá nasceu não é pois de admirar que o consiga fazer com facilidade quem nos visita.

De facto o Parque da Bela Vista é uma joia preciosa da nossa cidade de Setúbal e seguramente haverá muitos setubalenses que tal como eu nunca o visitaram. Por isso, vale a pena vir descobrir a cidade do rio azul, que tal como a nossa Arrábida, não se revela, vai-se revelando.

Rui Canas Gaspar

2014-setembro-04

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O perigo espreita na Arrábida

A Serra da Arrábida cada vez é mais visitada por nacionais e estrangeiros que apreciam nos diversos miradouros existentes em alguns pontos privilegiados no alto da serra uma soberba e ímpar panorâmica.

O Parque Natural da Arrábida colocou, e muito bem, alguns painéis interpretativos de modo a que os visitantes, ao observarem-nos, melhor se possam situar e localizar os diversos pontos de interesse ao alcance da sua vista.  

Nesses mesmos painéis está disponibilizada também variada informação sobre a fauna e flora local.

Pela qualidade deste material verifica-se que foi feito um esforço financeiro substancial para que os visitantes daquele espaço melhor o possam conhecer e potenciar o seu conhecimento sobre este maravilhoso local.

Os miradouros tornaram-se assim mais atraentes e, é comum vermos muitíssimos visitantes parados nesses espaços a captar imagens fotográficas, algumas delas de rara beleza.

Mas… o que de facto não tem qualquer beleza é o incompreensível estado do pavimento desses miradouros, particularmente daqueles mais visitados por estarem junto à estrada.

Nada que duas ou três barricas de material betuminoso não pudesse resolver, evitando-se assim o “disparo” de cascalho nas mais diversas direções com o consequente perigo que isso representa.

É que com os buracos abertos no pavimento o cascalho encontra-se solto e ao ser pressionado lateralmente pelos pneus dos automóveis saltam nas mais diversas direções e foi por pouco que uma senhora estrangeira não foi gravemente atingida esta semana por um desses perigosos “projeteis”.

Se é bom podermos colocar a nossa Arrábida no topo das atenções mundiais. Se é louvável a iniciativa da colocação dos painéis informativos, não deixa de ser incompreensível que os responsáveis por aquele espaço não tenham em atenção um tão desprestigiante e perigoso aspeto, de tão fácil e rápida resolução.

Gostaríamos de continuar a ver a nossa Arrábida no topo dos noticiários mas pelas melhores razões e não por um qualquer acidente que pode e deve ser evitado por quem  de direito.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-12


domingo, 10 de agosto de 2014

As histórias ajudam-nos a compreender e a apreciar a História

Sabem o que conta a lenda sobre o que fez na Serra da Arrábida, nas Terras do Risco, o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques?
Pois então cá vai a história…

“ Pequenos grupos de cavaleiros ao serviço de sua majestade faziam incursões até junto ao castelo de Sesimbra, onde provocavam os mouros. Estes vendo um tão pequeno grupo de atrevidos cristãos saiam de lá cavalgando, uns empunhando lanças, outros brandindo as suas terríveis cimitarras, galopavam em sua perseguição para os apanhar e fazer pagar a ousadia.

Quando aqui chegavam à floresta, os mouros eram surpreendidos e rodeados por grande número de guerreiros cristãos que facilmente os derrotavam.

Desta forma os cristãos foram enfraquecendo a guarnição muçulmana, tornando depois mais fácil a conquista desta importante praça-forte por D. Afonso Henriques. “

Ainda segundo a lenda, foi no Vale da Vitória, a poente da Ermida d’El Carmen, que o nosso rei resolveu arriscar a divisão das suas hostes de forma a criar uma armadilha para atrair os mouros que vindos de Badajoz para ajudar a guarnição do castelo de Sesimbra, ali teriam sido derrotados numa batalha então levada a efeito.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-10

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terça-feira, 5 de agosto de 2014

UM PÉSSIMO CARTÃO POSTAL DA ARRÁBIDA


Há apenas meia duzia de anos podia-se observar a entrada da 7ª Bataria, no Outão com esta excelente apresentação, embora por ali os militares já não existissem.

Hoje passei de novo por lá servindo de "guia turistico" a uns familiares que encontrando-se no estrangeiro estavam de visita a Setúbal e naturalmente à Arrábida.

Tive vergonha de ali parar ou comentar. A entrada outrora bonita hoje apresenta-se num estado miserável.

Bem sei que o prédio é militar e que estes nada fazem quanto à preservação do património, mas a questão que coloco é se aqueles que têm responsabilidade pelo turismo na nossa terra não têm vergonha de apresentarmos  esta peça como bilhete postal da Arrábida?

Provavelmente estará na altura de a exemplo do "Setúbal mais bonita" pensarem num "Arrábida mais decente". Digo eu...

Rui Canas  Gaspar  
2014-ago-05
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sábado, 12 de julho de 2014

O miserável estado do berço do Parque Natural da Arrábida

Isto é o que resta de um antigo forno de cal.

Foi por causa dele que o poeta Sebastião da Gama lançou o seu grito de alerta para a destruição que em tempos estava a ser alvo a famosa e antiga Mata do Solitário.

Nos anos 40 do século passado um proprietário rico aqui da zona, de nome José Júlio Costa era dono de muitas terras na Arrábida. Ele possuía também um forno de cal, cujas ruínas é suposto serem as que aqui vemos.

Para alimentar o forno o proprietário mandava cortar árvores da sua propriedade, para transformar em lenha a fim de alimentar o mesmo. Neste caso as existentes na Mata do Solitário.

Ora é sabido do alto valor daquele espaço natural, com vegetação quase única no mundo e hoje classificado como Reserva Integral.

Sebastião da Gama, o poeta, grande amante e defensor da Arrábida, a que ele chamava de “Serra Mãe” ao dar conta deste crime ecológico escreveu pelo seu próprio punho uma célebre carta, em 1947, em papel timbrado da Pousada do Portinho da Arrábida, estabelecimento hoteleiro explorado pela sua família.
Naquela missiva, pedia ajuda ao Engenheiro Miguel Neves, entomólogo da Direção-Geral dos Serviços Agrícolas:

“Senhor Engenheiro
Socorro! Socorro! Socorro! O José Júlio da Costa começou (e vai já adiantada) a destruição da metade da Mata do Solitário que lhe pertence. Peço-lhe que trate imediatamente. Se for necessário restaure-se a pena de morte. SOCORRO!”

O corte de lenha acabou, o forno de cal seria desativado, o mato tomaria conta de todo este espaço e aquele que poderemos considerar como o berço do Parque Natural da Arrábida, encontra-se neste miserável estado.

Rui Canas Gaspar
2014-julho-07


terça-feira, 17 de junho de 2014

Vem aí a Feira de Santiago

Quando a Feira de Santiago foi instituída a sua duração era de apenas três dias. Em 2013, no ano passado, tínhamos 15 dias de feira. Não me parece que venha mal ao mundo se passarmos agora a ter 10 dias de certame, seja por uma questão económica, logística ou outra julgada pertinente.

Dez dias de feira nas Manteigadas a mim parece-me bem, desde que se privilegie a qualidade em detrimento da quantidade. Tanto mais que é sabido que temos bastantes eventos lúdicos, na zona baixa da cidade, em menor escala, com lugar entre junho e setembro.

Para que fiquemos com um pequeno registo histórico sobre a emblemática feira, partilho aqui com os amigos um pouco do que escrevi sobre este assunto no livro (ainda não editado) “Gente do Rio, Homens do Mar”.

“ Em 1581 todos os caminhos do reino foram dar à vila de Tomar. Ali os representantes da nobreza, do clero e do povo reuniram-se nas cortes presididas pelo rei Filipe II de Espanha, primeiro de Portugal, tendo a reunião por objetivo acalmar as forças portuguesas derrotadas que foram as hostes de D. António, prior do Crato.

E foi então no decurso dessa importante reunião que os representantes de Setúbal aproveitaram a oportunidade para solicitar ao rei a autorização para criar uma feira na sua vila.

O monarca deferiu a petição e a feira teria início no dia de Sant’Iago, 25 de julho, com a duração de três dias, sendo então realizada no perímetro do Largo de Jesus.

Posteriormente e durante alguns séculos a feira teria habitualmente lugar frente ao Convento de Jesus e dali um dia sairia para passar a ser instalada na Praça da República, no Parque do Bonfim, no lado nascente da Rua da Praia (Av. Luísa Todi), na parte poente da mesma Avenida e finalmente em 2004, em espaço próprio, a nascente da cidade, numa zona periférica conhecida por Manteigadas.”

Rui Canas Gaspar
2014-junho-17