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terça-feira, 1 de julho de 2014

Não sei se deva rir ou chorar
Quando era menino contaram-me algumas histórias da História de Portugal que guardei na memória até aos dias de hoje e que dão conta do engenho e arte de ludibriar do nosso povo.
Lembro-me daquela que estando uma das nossas fortificações sitiada pelos castelhanos, que assim condenavam os portugueses a morrer pela fome ou se renderiam, uma águia-pesqueira ao sobrevoar o castelo deixou cair o peixe que trazia presos nas garras.
Logo o comandante mandou recolher o peixe e embora todos estivessem esfomeados, mandou servi-lo ao comandante castelhano. Este surpreendido julgou que os portugueses tinham alguma fonte de abastecimento secreta mandando levantar o cerco e partiu.
Outra história é aquela que conta que um dos nossos monarcas, em altura de crise, serviu um grande banquete no Tejo, a bordo de uma nau, aos seus aliados ingleses.
Os copos em prata e em ouro, depois de servidos eram atirados pela borda fora, numa ostensiva manifestação de poder e riqueza, para espanto dos ingleses.
Quando o banquete acabou e os ingleses foram embora as redes que debaixo de água cercavam a nau foram recolhidas e toda a louça recuperada, como não podia deixar de ser.
Mais recentemente, nos anos 70 do século passado quando os “patos bravos” como eram alcunhados alguns construtores civis, se encontravam em dificuldades económicas, compravam um Mercedes e um fato novo e só depois assim vestidos e bem montados iam ao banco onde regra geral conseguiam os empréstimos que pretendiam…
Parece que sempre fomos um povo de “chicos espertos” e por isso não sei se devia chorar ou rir quando hoje, terça-feira dia 1 de julho de 2014 verifiquei que no areal do Parque Urbano de Albarquel estavam centenas de crianças, das escolas pré-primárias usufruindo das águas límpidas e do clima agradável.
O que me levou a este sentimento misto foi o verificar que os avisos de “Zona Perigosa” se encontravam cobertos com papel e presos com fita-cola conforme tinham sido colocados para o fim de semana aquando da realização do campeonato do mundo de águas abertas.
É claro que aquele local não deixa de ser perigoso pelo facto de se ter uma flotilha de caiaques a apoiar nadadores que têm também a vigiá-los barcos salva-vidas e equipas da C.V.P. em terra.
Ou é perigoso, ou não é perigoso. O que pode é haver mais ou menos vigilância ou vigilância nenhuma.
Não deixa de ser engraçado o engenho e a arte de dissimulação dos nossos governantes locais, que com um pedaço de papel e alguma fita-cola rapidamente “viram o bico ao prego”. E o que era perigoso, deixa de o ser em questão de minutos.
Não gostaria de ter de voltar a focar este assunto, mas de facto não resisti à tentação depois de ver mais esta ação demonstrativa da capacidade de “resolução” de problemas por parte de alguns dos nossos governantes.
Para finalizar, gostaria de dizer que acho muito bem que se continuem a fazer provas de caráter mundial no nosso belo Sado. Também acho muito bem que se coloquem todos os meios de emergência e socorro ao serviço dos nadadores de craveira mundial.
Mas quero que saibam que para mim, esses nadadores não serão nunca mais importantes do que os milhares de crianças da minha terra que vão usufruir diariamente deste NOSSO belo espaço. Um local que não dispõe de um único nadador salvador. Por isso, não sei se deva rir ou chorar com tanta esperteza saloia e ao mesmo tempo tanta falta de visão.


2014-julho-01

domingo, 29 de junho de 2014


MUITO ESTRANHO...

Prova mundial de natação realizada em Setúbal numa zona perigosa

Foram 104 dos melhores nadadores, representando 23 países dos cinco continentes aqueles que se apresentaram em Setúbal, no bonito Parque Urbano de Albarquel, para disputarem a FINA 10 Km Marathon Swimming World Cup 2014 a mais importante prova desportiva mundial de águas abertas.

A temperatura da água andava pelos 18/19º enquanto em terra os termómetros chegariam perto dos trinta graus, o que fazia com que muitos setubalenses acorressem, especialmente os mais jovens, às praias, logo a partir do espaço recentemente recuperado da Praia da Saúde, onde até há pouco funcionaram os estaleiros de construção e reparação naval.

O facto curioso é que ao longo de todo o PUA podemos ler em diversos avisos a seguinte informação /advertência: Zona não vigiada, Zona perigosa. Zona de movimentação de embarcações de recreio e lazer. Zona de grande profundidade e de correntes fortes. A Câmara Municipal de Setúbal adverte que esta zona é considerada perigosa para a prática balnear.

E é precisamente aqui, nesta zona considerada perigosa para a prática balnear, que alguns dos melhores nadadores do mundo vêm disputar uma importante competição.

É também aqui que nestes dias de calor que podemos ver muitos setubalenses e forasteiros, de todos os escalões etários, a entrar nas águas geralmente cristalinas desta zona perto da junção do Sado com o Atlântico.
E não seria de esperar outra coisa, caso contrário estaríamos em presença do suplício de Tântalo, o tal muito querido entre os deuses, filho de Zeus e de Pluto que por ter-se portado mal teve como castigo ficar imerso com a água até ao pescoço e cheio de sede. Quando mergulhava para beber a água desaparecia.

A questão que se coloca é saber se afinal este local será mesmo assim tão perigoso? Se o é então porque é que uma prova deste gabarito ali se vai realizar?

Por outro lado, se ele de facto não é o mais indicado para a prática balnear, mas atendendo às suas excelentes condições de localização e aos apoios de que dispõe, porque é que não se potencia o espaço de forma a que com mais segurança as pessoas possam usufruir plenamente do areal e da água à sua disposição?

Como não gosto de levantar questões sem que não apresente qualquer sugestão que tenha ponta por onde se possa puxar e porque já temos a experiencia positiva com os “patrulheiros”, homens reformados que zelam pelo bom funcionamento do PUA e da Av. Todi, porque não criar um pequeno corpo de “patrulheiros” para o areal?

Esses tais “patrulheiros” teriam funções idênticas às de nadador/salvador, podendo os mesmos ser recrutados entre os efetivos dos Bombeiros, da CVP, do Clube Naval, do Clube de Canoagem, dos Escuteiros Marítimos, ou simplesmente contratando-se entre os jovens nadadores setubalenses?

Quanto à delimitação do espaço, nada mais simples, prático e barato de que um cordão de boias a exemplo do existente no local de embarcadouro para as barcos de recreio fundeados ao largo.

É que não me parece muito coerente apresentar provas desportivas náuticas, incentivando os mais novos à prática da natação e no dia seguinte estarmos a desincentivar as pessoas de tomarem banho no mesmo local.

Bem sei que temos o livre arbítrio e os avisos estão lá por toda a parte, mais que não seja para tentar limpar algum peso de consciência autárquico, mas também sei que com um pouco mais de esforço financeiro se prestaria um grande serviço sobretudo à comunidade setubalense mais jovem. Digo eu… 

Rui Canas Gaspar
2014-junho-29

www.troineiro.blogspot.com