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sábado, 14 de março de 2015

O comboio alemão ao largo da costa setubalense

Estávamos no ano de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial.

O vapor tinha saído do porto de Setúbal abastecido da lenha necessária para que a sua caldeira produzisse a energia suficiente para o fazer movimentar durante o período da faina.

Naquele dia não foi necessário recorrer ao apoio do buque que, carregado, costumava segui-lo para o poder reabastecer, quando se tratava de maiores distâncias ou mais tempo passado no mar.

Era já noite e o Francisco, jovem pescador, estava no seu turno de vigia a bordo do “Alentejano” vapor setubalense da pesca do cerco que se encontrava fundeado junto à Praia da Baleeira, ali para os lados do Cabo Espichel, em Sesimbra, um local bem abrigado graças às altas encostas escarpadas.

Subitamente, o jovem reparou que a poucos metros do vapor setubalense uma ténue luz vermelha se deslocava sobre a água, de norte para sul, podendo observar também uma espécie de braço que dela saía.

Imediatamente deu o alarme aos seus camaradas que tiveram oportunidade de constatar tratar-se de um submarino, que navegava submerso,
Naqueles tempos conturbados esta era a arma mais temida pelos homens do mar, os seus torpedos foram responsáveis pelo afundamento de milhares de navios e por muitos mais milhares de mortos.

Poucos minutos depois de ter passado o submarino, surgem as silhuetas de vários navios de guerra que, ladeando, protegiam um enorme paquete da marinha mercante.

O comboio alemão passou bem perto do vapor pesqueiro setubalense sem incomodar e lá seguiu a sua rota, para sul.

Nessa altura os exércitos nazis alemães, aliados aos fascistas italianos ocupavam vastos territórios do Norte de África, combatendo os exércitos aliados e, certamente, aquele importante comboio levaria reforços para o teatro de operações, a conhecida “Guerra do Deserto” que ocorreu entre junho de 1940 e maio de 1943.

Salazar, o governante português, conseguiu manter a neutralidade do país que mesmo sem se envolver no conflito via o seu espaço aéreo e marítimo ser utilizados pelas diferentes forças.

Era o tempo do volfrâmio, um minério extraído de uma centena de minas portugueses, minério destinado ao fabrico de armas e munições, cujo preço subiu em flecha e, pago pelos alemães em ouro, canalizado para o nosso país via Suíça.

Também os pescadores setubalenses chamaram a esse período o do volfrâmio, porquanto o preço da sardinha subiu bastante, peixe destinado às fábricas de conservas que o exportavam igualmente para os países em guerra.

O comboio marítimo passou, o conflito bélico terminou, as minas encerraram e as fábricas conserveiras com o tempo também desapareceram, ficou a recordação de um velho pescador de Troino que hoje partilhou mais uma das suas ricas memórias de um passado recente e seguramente já pouco conhecido.

Rui Canas Gaspar
2015-março-14

www.troineiro.blogspot.com

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Há javalis e outros porcos na Serra da Arrábida

O dia estava a chegar ao fim quando o telefone tocou lá no alto da Serra da Arrábida.  Encostei a viatura num miradouro e atendi.

A conversa prolongou-se por algum tempo. Tratava-se de um amigo de longa data que há muito não escutava.

À minha frente parou uma viatura BMW e de dentro saíram dois casais. Um homem abriu uma cerveja e a uma das mulheres uma garrafa de água. Os dois beberam enquanto apreciavam a soberba panorâmica que dali se desfruta.

Eu continuava ao telefone e eles apreciavam a paisagem. Pouco depois a mulher já de garrafa vazia, afasta-se um pouco e com muito jeitinho tratou de “guardar” a garrafinha, já vazia, debaixo de uma moita. Ele, rapaz mais desembaraçado, não esteve com meias medidas e atirou a garrafa para o mato da berma.

O grupo meteu-se na potente viatura e trataram de prosseguir viagem.  Eu fiquei danado por ter presenciado a cena e não a ter fotografado nem sequer ter tido a oportunidade de chamar a atenção daqueles porcalhões.

Outros que por ali passam por este belo território português ao verificarem o lixo existente não deixam de criticar os portugueses em geral e os setubalenses em particular por tanta falta de respeito pelo meio ambiente.

De facto, as bermas e até alguns espaços bem no interior da serra apresentam-se conspurcados mas, o certo, é que não são as ginetas, as raposas ou ou javalis, que até são porcos,  que  deixam por lá o lixo, mas sim os outros animais de duas patas que por ali andam de vez em quando.

Lá no alto, um homem deliciava-se sobrevoando a serra-mãe na sua asa delta e eu procurava acelerar um pouco para chegar a casa a tempo de ter um lugar para estacionar o carro, neste dia em que o Benfica joga com o Vitória e quando os estacionamentos encolhem rapidamente.

Foi um final de dia passado num local bonito que me deixou aborrecido. Enfim, temos de conviver com todo o tipo de gente até com aquelas finórias para quem a limpeza fica bem atirando o lixo para debaixo do tapete.

Áh! Já  me esquecia de um pequeno pormenor.

É que mesmo estando a atender o telefone deu para ver que a matrícula do BMW era alemã e o grupo falava a língua do país da senhora  chanceler Angela Merkel.

Afinal há porcos um pouco por todo o lado…

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-12

www.troineiro.blogspot.com