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terça-feira, 12 de agosto de 2014

O perigo espreita na Arrábida

A Serra da Arrábida cada vez é mais visitada por nacionais e estrangeiros que apreciam nos diversos miradouros existentes em alguns pontos privilegiados no alto da serra uma soberba e ímpar panorâmica.

O Parque Natural da Arrábida colocou, e muito bem, alguns painéis interpretativos de modo a que os visitantes, ao observarem-nos, melhor se possam situar e localizar os diversos pontos de interesse ao alcance da sua vista.  

Nesses mesmos painéis está disponibilizada também variada informação sobre a fauna e flora local.

Pela qualidade deste material verifica-se que foi feito um esforço financeiro substancial para que os visitantes daquele espaço melhor o possam conhecer e potenciar o seu conhecimento sobre este maravilhoso local.

Os miradouros tornaram-se assim mais atraentes e, é comum vermos muitíssimos visitantes parados nesses espaços a captar imagens fotográficas, algumas delas de rara beleza.

Mas… o que de facto não tem qualquer beleza é o incompreensível estado do pavimento desses miradouros, particularmente daqueles mais visitados por estarem junto à estrada.

Nada que duas ou três barricas de material betuminoso não pudesse resolver, evitando-se assim o “disparo” de cascalho nas mais diversas direções com o consequente perigo que isso representa.

É que com os buracos abertos no pavimento o cascalho encontra-se solto e ao ser pressionado lateralmente pelos pneus dos automóveis saltam nas mais diversas direções e foi por pouco que uma senhora estrangeira não foi gravemente atingida esta semana por um desses perigosos “projeteis”.

Se é bom podermos colocar a nossa Arrábida no topo das atenções mundiais. Se é louvável a iniciativa da colocação dos painéis informativos, não deixa de ser incompreensível que os responsáveis por aquele espaço não tenham em atenção um tão desprestigiante e perigoso aspeto, de tão fácil e rápida resolução.

Gostaríamos de continuar a ver a nossa Arrábida no topo dos noticiários mas pelas melhores razões e não por um qualquer acidente que pode e deve ser evitado por quem  de direito.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-12


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A barraca do cão

Na verdejante várzea as potentes máquinas derrubavam as velhas casas da outrora próspera Quinta de Proste, nas traseiras do supermercado Pingo Doce, junto à Avenida dos Ciprestes, em Setúbal.

Aproximo-me para apreciar os trabalhos em curso e para ver a perícia de um operário manobrador da escavadora, um emigrante que veio das terras de Leste para governar a vida neste país de sol e de paz, enquanto um outro vindo de quentes e ainda mais soalheiras terras africanas colocava baias de proteção junto à avenida.

E estava eu a apreciar a cor daquela negra e fértil terra agrícola de primeira quando um casal se aproximou e perguntou se eu pertencia à obra:

- Sim, sou o dono, posso ajudá-lo em alguma coisa? Respondi de forma divertida, porém aparentando um ar sério.

- É que nós costumávamos vir aqui todos os dias trazer comida a uma cadela. Tinha ali a casota e agora já lá não está, queríamos saber o que aconteceu…

- Não sei, respondi, mas certamente ela já foi junto com o lixo e o mato retirado daqui para se fazerem as terraplanagens, talvez o operador da máquina possa confirmar o que lhe digo. Olhe pergunte-lhe, eu sou o dono e o meu amigo também o é.

O casal olhou para mim com ar esquisito, ao que acrescentei.

- Sabe, estes trabalhos estão a ser feitos por ordem e para a Autarquia, como nós somos setubalenses, logo somos nós os patrões, sendo assim, somos os donos disto tudo…

Pelos vistos o homem ficou de acordo comigo e lá foi falar com o operador da máquina que no seu melhor português acabou por confirmar as minhas suspeitas.

O casal estava inconformado com o que tinha acontecido à casota do animal que protegiam e afastaram-se dizendo que iam apresentar reclamação ao engenheiro responsável pela obra, porque aquilo não se fazia.

Olhei então para o antigo pombal, envolto na poeira das velhas casas que iam sendo metodicamente demolidas e pensei se não estaria a assistir aos seus últimos dias. Será que da próxima vez que fosse para aquelas bandas ver o andamento dos trabalhos ele ainda por lá estaria ou se teria tido o mesmo destino da casota do cão? Pensei.

O “progresso” tem destas coisas, umas são sacrificadas para que outras nasçam. A obra começou, foi-nos prometido que pelo menos o emblemático miradouro lá ficaria, esperemos que o mesmo não tenha a mesma sorte da barraca do cão e, quem sabe, o mais que certo fim do outrora belo pombal que ainda fotografei, provavelmente para memória futura.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-08

www.troineiro.blogspot.com