notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Poço das Fontainhas

Das muitas nascentes, poços e fontanários que existiam em Setúbal, pouco ou nada resta que nos possa contar como é que os nossos antepassados tinham acesso ao precioso e indispensável líquido, fonte de vida.

Dos grandes fontanários existentes apenas chegaram aos nossos dias as fontes do Sapal, do Quebedo e a Fonte Nova. Quanto aos poços comunitários apenas resta a réplica do Poço do Concelho e o Poço das Fontainhas, o único original existente em terras sadinas.

E era aqui à sombra do seu amplo arco que há meio século ainda se podiam observar os varinos a tratar dos seus apetrechos de pesca e, quem sabe, alguns deles a deitarem o olho às bonitas jovens que ali vinham encher as suas bilhas de água pura e fresca.

O tempo passou, a fonte secou e há pouco tempo esta rara peça do nosso património histórico, localizado nas Fontainhas, encontrava-se  praticamente ao abandono e, pela sua localização e estrutura construtiva, era comum vermos ser utilizada como instalação sanitária.

Foi graças ao esforço de um empresário local, com estabelecimento de restauração junto ao poço que aquela peça histórica começou a apresentar um aspeto mais decente, apresentando-se ultimamente pintado e limpo.

Tempos mais tarde, o restaurante ao ter de construir a cobertura para a sua esplanada teve a aprovação camarária para integrar no seu interior o histórico poço, sendo que a cobertura deixa de fora a parte superior da construção, mantendo no seu interior o fontanário propriamente dito.

Alguns setubalenses têm-se insurgido com esta aberração que é ter dentro de um estabelecimento privado uma peça histórica do património público.

A questão que se põe, quanto a mim, é o de saber o que é que foi feito pelo poder público para salvaguardar a fonte prestes a ficar destruída?

O interesse autárquico por esta peça única deveria ser pouco ou nenhum a ponto de autorizar a inserção dentro do espaço concessionado.

Como se isso não bastasse e, para além de nada ter feito para preservar o fontanário, a Autarquia ainda recebe agora algum dinheiro à sua conta, porquanto o industrial de restauração ao pagar pelo espaço da esplanada coberta está a pagar a área abrangida pela fonte.

Sendo assim, será lícito, enquanto cidadão eu me poder vir a insurgir contra uma pessoa que para além de recuperar uma peça patrimonial coletiva ainda tem de pagar à Autarquia pelo espaço ocupado pela mesma?

Dá que pensar nesta aberração, não dá?

Rui Canas Gaspar
2014-julho-07


sábado, 5 de julho de 2014

A Águas do Sado não é “fomica” não senhor…


Era o primeiro sábado de julho de 2014 e o calor do meio dia secava as gargantas de muitos dos utentes que àquela hora já enchiam o Parque Urbano de Albarquel, embora naquele espaço possamos encontrar dois ou três pontos de água para nos podermos dessedentar.

No espaço polivalente, um grande grupo de atletas demonstrava as suas habilidades, transpirando profusamente.

Fiquei surpreendido quando junto ao golfinho fabricado com o material reciclado me deparo com um amplo painel a promover a empresa Águas do Sado ligado a um hidrante. Do painel saíam cinco torneiras.

Nada mal pensei eu, aqui está uma forma de promoção de uma empresa feita  com a “prata da casa”  e servindo a população deste frequentadíssimo espaço.

Uma criança dirigiu-se à torneira para poder beber uns golos de água, mas como não conseguiu abrir, voluntariei-me para o fazer. Em vão, nenhuma delas deitava pinga, embora o sistema estivesse ligado à “boca-de- incêndio”.

Ainda esta semana tinha comentado a propósito desta empresa fornecedora exclusiva das águas em Setúbal não disponibilizar aos seus clientes no interior das suas instalações um copo de água. Poucos dias depois deparo-me com a oferta do precioso líquido por intermédio de um equipamento publicitário dotado de cinco torneiras, todavia sem debitar pinga do precioso líquido…

Acho que andamos mesmo com azar e que afinal não deve haver motivo para se pensar que esta é uma empresa “fomica”.


2014-julho-05


quinta-feira, 3 de julho de 2014

A Águas do Sado é “fomica” ?

Nestes dias de Verão, as pessoas que entram naquele local de atendimento público ao invés de sentirem a agradável  frescura, notam exatamente o contrário, ali está mais quente do que no pátio exterior.

Olha-se em volta procurando um ponto de água, fresca ou não, e tal não existe.

Os empregados desta empresa ou têm uma garrafa de água, de uma qualquer marca, ou vão beber ao interior, provavelmente à casa de banho. Para estes trabalhadores não é fácil trabalhar no difícil atendimento público nestes dias, com o calor natural potenciado com o que debitam os computadores agravado com o proveniente da iluminação.

Pergunto a um dos trabalhadores sobre o porquê de não disponibilizarem um ponto de água para dessedentar os clientes desta empresa sem concorrência no mercado setubalense e que gasta milhares de euros na promoção da marca.

Responde-me que em tempos tiveram uma máquina de distribuição de água, sim senhor, mas que o gestor mandou retirar com o argumento de que não se justificava estar a distribuir água de outra empresa, quando esse produto é o seu próprio negócio.

Se assim foi, é mesmo de ficar sem palavras. Então com tantos canalizadores que esta empresa tem não haverá quem possa passar um tubinho cá para fora e fornecer aos seus utentes a mesma água que sai nas nossas torneiras?

Porque carga de água é que teriam de ir comprar água à concorrência?

Será assim tão caro um ponto de água e serão assim tantos metros cúbicos aqueles que os clientes beberão enquanto cheios de calor esperam para ser atendidos?

Faz-me confusão este tipo de gestão miserabilista e de gente à frente de empresas e serviços com tanta falta de visão que só conseguem ter lucros à conta de subida dos preços daquilo que vendem, sem qualquer concorrência.

Quando saía deste local, uma setubalense de gema que tinha escutado parte da conversa, vira-se para mim e desabafa: “Estes gajos das Águas do Sado  são uns fomicas”.

“Fomica” é um regionalismo setubalense que significa de entre outras coisas, avarento e egoísta.

Mas como eu não quero ser “fomica”, ofereço de bandeja a sugestão a esta empresa: Coloquem uma máquina de fornecimento de água para uso dos vossos empregados e utentes e aproveitem-na para publicitar o vosso produto, com algo do tipo, afixado no próprio local: “Beba água canalizada, garantidamente mais barata”.

Passem uma imagem positiva da empresa Aguas do Sado e deixem de uma vez por todas que os setubalenses considerem os seus gestores como “fomicas”, sabendo nós que o vosso produto não é para dar, mas sim para vender.

Cá por mim, que até nem sou “fomica”, quando lá voltar aos serviços, garanto que estou na disposição de pagar por um copo de água. Assim sempre ajudo a empresa a não ir à falência e mais uns trabalhadores, incluindo competentes gestores a irem engrossar as fileiras dos desempregados ou emigrantes.

Rui Canas Gaspar
2014-julho-03

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terça-feira, 1 de julho de 2014

Não sei se deva rir ou chorar
Quando era menino contaram-me algumas histórias da História de Portugal que guardei na memória até aos dias de hoje e que dão conta do engenho e arte de ludibriar do nosso povo.
Lembro-me daquela que estando uma das nossas fortificações sitiada pelos castelhanos, que assim condenavam os portugueses a morrer pela fome ou se renderiam, uma águia-pesqueira ao sobrevoar o castelo deixou cair o peixe que trazia presos nas garras.
Logo o comandante mandou recolher o peixe e embora todos estivessem esfomeados, mandou servi-lo ao comandante castelhano. Este surpreendido julgou que os portugueses tinham alguma fonte de abastecimento secreta mandando levantar o cerco e partiu.
Outra história é aquela que conta que um dos nossos monarcas, em altura de crise, serviu um grande banquete no Tejo, a bordo de uma nau, aos seus aliados ingleses.
Os copos em prata e em ouro, depois de servidos eram atirados pela borda fora, numa ostensiva manifestação de poder e riqueza, para espanto dos ingleses.
Quando o banquete acabou e os ingleses foram embora as redes que debaixo de água cercavam a nau foram recolhidas e toda a louça recuperada, como não podia deixar de ser.
Mais recentemente, nos anos 70 do século passado quando os “patos bravos” como eram alcunhados alguns construtores civis, se encontravam em dificuldades económicas, compravam um Mercedes e um fato novo e só depois assim vestidos e bem montados iam ao banco onde regra geral conseguiam os empréstimos que pretendiam…
Parece que sempre fomos um povo de “chicos espertos” e por isso não sei se devia chorar ou rir quando hoje, terça-feira dia 1 de julho de 2014 verifiquei que no areal do Parque Urbano de Albarquel estavam centenas de crianças, das escolas pré-primárias usufruindo das águas límpidas e do clima agradável.
O que me levou a este sentimento misto foi o verificar que os avisos de “Zona Perigosa” se encontravam cobertos com papel e presos com fita-cola conforme tinham sido colocados para o fim de semana aquando da realização do campeonato do mundo de águas abertas.
É claro que aquele local não deixa de ser perigoso pelo facto de se ter uma flotilha de caiaques a apoiar nadadores que têm também a vigiá-los barcos salva-vidas e equipas da C.V.P. em terra.
Ou é perigoso, ou não é perigoso. O que pode é haver mais ou menos vigilância ou vigilância nenhuma.
Não deixa de ser engraçado o engenho e a arte de dissimulação dos nossos governantes locais, que com um pedaço de papel e alguma fita-cola rapidamente “viram o bico ao prego”. E o que era perigoso, deixa de o ser em questão de minutos.
Não gostaria de ter de voltar a focar este assunto, mas de facto não resisti à tentação depois de ver mais esta ação demonstrativa da capacidade de “resolução” de problemas por parte de alguns dos nossos governantes.
Para finalizar, gostaria de dizer que acho muito bem que se continuem a fazer provas de caráter mundial no nosso belo Sado. Também acho muito bem que se coloquem todos os meios de emergência e socorro ao serviço dos nadadores de craveira mundial.
Mas quero que saibam que para mim, esses nadadores não serão nunca mais importantes do que os milhares de crianças da minha terra que vão usufruir diariamente deste NOSSO belo espaço. Um local que não dispõe de um único nadador salvador. Por isso, não sei se deva rir ou chorar com tanta esperteza saloia e ao mesmo tempo tanta falta de visão.


2014-julho-01
Setúbal tem muito para descobrir e para nos contar

No início dos anos 60 do passado século XX era comum os escuteiros do Grupo 110, atualmente designado por  Agrupamento 59 do Corpo Nacional de Escutas, sedeado nas instalações anexas à Igreja de São Sebastião em Setúbal, acamparem em diversas zonas circundantes da cidade.

Entre esses diferentes locais o Grupo acampou por varias vezes nos campos da Bela Vista, onde hoje se localiza o bairro com o mesmo nome.

Aí costumavam abastecer-se da água proveniente de uma “mina”, que distava algumas centenas de metros das então famosas águas da Bela Vista, sendo comum ouvir-se dizer que as águas dessa nascente eram tão boas como as outras.

A água da Bela Vista, a única que se explorou comercialmente em Setúbal de forma engarrafada, era captada a nascente da cidade, na quinta que tem o seu nome e onde hoje se localiza o supermercado Lidl.

A sua exploração oficial começou em 1944 sendo esse o ano em que foi concedido o alvará que permitia aos seus proprietários a exploração do poço aberto duas décadas antes, em 1920.

A água, classificada como “água de mesa” era leve e ligeiramente mineralizada e a sua exploração terminou, por motivos que desconheço, em finais dos anos sessenta ou princípios de setenta, antes da revolução de 25 de abril.

Setúbal é uma terra cheia de tradições de histórias de curiosidades e onde muita coisa está ainda por descobrir e por contar.

Rui Canas Gaspar
2014-julho-01
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domingo, 29 de junho de 2014


MUITO ESTRANHO...

Prova mundial de natação realizada em Setúbal numa zona perigosa

Foram 104 dos melhores nadadores, representando 23 países dos cinco continentes aqueles que se apresentaram em Setúbal, no bonito Parque Urbano de Albarquel, para disputarem a FINA 10 Km Marathon Swimming World Cup 2014 a mais importante prova desportiva mundial de águas abertas.

A temperatura da água andava pelos 18/19º enquanto em terra os termómetros chegariam perto dos trinta graus, o que fazia com que muitos setubalenses acorressem, especialmente os mais jovens, às praias, logo a partir do espaço recentemente recuperado da Praia da Saúde, onde até há pouco funcionaram os estaleiros de construção e reparação naval.

O facto curioso é que ao longo de todo o PUA podemos ler em diversos avisos a seguinte informação /advertência: Zona não vigiada, Zona perigosa. Zona de movimentação de embarcações de recreio e lazer. Zona de grande profundidade e de correntes fortes. A Câmara Municipal de Setúbal adverte que esta zona é considerada perigosa para a prática balnear.

E é precisamente aqui, nesta zona considerada perigosa para a prática balnear, que alguns dos melhores nadadores do mundo vêm disputar uma importante competição.

É também aqui que nestes dias de calor que podemos ver muitos setubalenses e forasteiros, de todos os escalões etários, a entrar nas águas geralmente cristalinas desta zona perto da junção do Sado com o Atlântico.
E não seria de esperar outra coisa, caso contrário estaríamos em presença do suplício de Tântalo, o tal muito querido entre os deuses, filho de Zeus e de Pluto que por ter-se portado mal teve como castigo ficar imerso com a água até ao pescoço e cheio de sede. Quando mergulhava para beber a água desaparecia.

A questão que se coloca é saber se afinal este local será mesmo assim tão perigoso? Se o é então porque é que uma prova deste gabarito ali se vai realizar?

Por outro lado, se ele de facto não é o mais indicado para a prática balnear, mas atendendo às suas excelentes condições de localização e aos apoios de que dispõe, porque é que não se potencia o espaço de forma a que com mais segurança as pessoas possam usufruir plenamente do areal e da água à sua disposição?

Como não gosto de levantar questões sem que não apresente qualquer sugestão que tenha ponta por onde se possa puxar e porque já temos a experiencia positiva com os “patrulheiros”, homens reformados que zelam pelo bom funcionamento do PUA e da Av. Todi, porque não criar um pequeno corpo de “patrulheiros” para o areal?

Esses tais “patrulheiros” teriam funções idênticas às de nadador/salvador, podendo os mesmos ser recrutados entre os efetivos dos Bombeiros, da CVP, do Clube Naval, do Clube de Canoagem, dos Escuteiros Marítimos, ou simplesmente contratando-se entre os jovens nadadores setubalenses?

Quanto à delimitação do espaço, nada mais simples, prático e barato de que um cordão de boias a exemplo do existente no local de embarcadouro para as barcos de recreio fundeados ao largo.

É que não me parece muito coerente apresentar provas desportivas náuticas, incentivando os mais novos à prática da natação e no dia seguinte estarmos a desincentivar as pessoas de tomarem banho no mesmo local.

Bem sei que temos o livre arbítrio e os avisos estão lá por toda a parte, mais que não seja para tentar limpar algum peso de consciência autárquico, mas também sei que com um pouco mais de esforço financeiro se prestaria um grande serviço sobretudo à comunidade setubalense mais jovem. Digo eu… 

Rui Canas Gaspar
2014-junho-29

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sábado, 28 de junho de 2014

Feira Quinhentista em Setúbal um espetáculo completo onde até nem o bêbado faltou

O final da tarde estava agradável. Na baixa de Setúbal começava a verificar-se um desusado movimento de pessoas que calma e descontraidamente caminhavam conversando e de vez em quando paravam para ver algumas montras das casas comerciais que se encontravam abertas na Rua Dr. Paula Borba, aquela que entre os antigos setubalenses é conhecida por Rua dos Ourives.

Mas, o principal motivo deste desusado movimento, naquela que em tempos já foi a mais movimentada artéria da cidade, era a Feira Quinhentista que aqui tinha lugar, com os seus pavilhões instalados no Largo da Misericórdia e na Ribeira Velha e com os seus vendedores trajados como se estivessem na época de quinhentos.

Uma dupla de músicos tocando gaita-de-foles e tambor deslocava-se animando o espaço entre os dois largos, alegrando quem passava, enquanto outra dupla de homens de armas, empunhando as suas espadas de vez em quando faziam uma demonstração da sua arte de bem combater.

Se no largo da Misericórdia uma das tendas servia o Keback, aquela deliciosa comida típica de alguns países árabes e uma outra chamava a particular atenção dos visitantes pelo agradável cheiro de dali provinha devido à variedade de frutos secos e pastas de figo, de nozes ou de tâmaras. Porém, por aquelas bandas nada se encontrava para comer que fosse dos nossos latinos gostos.

Já no Largo da Misericórdia o agradável e típico stand montado pela dinâmica APPACDM , associação que apoia as crianças com problemas de saúde mental, servia alguns doces e petiscos, embora o pequeno espaço já se encontrasse repleto de clientes.

Mas, ali naquele largo estava a funcionar um único lugar onde se poderia petiscar, um tipo de tapas como é típico em Espanha e que por cá começa a ser também procurado e foi lá que me sentei e esperei não sei quanto tempo até que fosse atendido pela atarefada senhora que não tinha mãos a medir.

E foi nesse espaço de tempo, mais de 15 minutos, que se encostou à proteção da esplanada um homem, “perdido de bêbado” que não parava de incomodar quem calmamente queria estar sossegado a apreciar outro tipo espetáculo que não aquele degradante que ele teimava em oferecer.

O empregado chegou perto dos casais que ali se encontravam a ser incomodados pelo linguajar do indivíduo e informou que ele já teria estado dentro do estabelecimento e que por isso mesmo já teria chamado a polícia.

Não sei ao certo quanto tempo mediou entre a chamada dos agentes até à chegada de uma dupla da PSP, mas seguramente mais de meia hora, o tempo do homem alcoolizado ter levado “dois berros” e saído dali, para ir incomodar outros pacatos cidadãos.

Não faço ideia se os polícias acabaram por encontrar o homem ou não, o que me deixa apreensivo é que com uma esquadra quase ao lado do evento a polícia leve tanto tempo a chegar. Mais apreensivo fico, quando num evento como este não existe pelo menos um agente da autoridade a patrulhar a zona a fim de desincentivar algum tipo de desordeiro.

Certamente que no tempo em que foi entregue o foral manuelino a Setúbal, cujos 500 anos agora se estavam a comemorar, seriam mais eficientes e os homens do varapau poriam alguma ordem na cidade.
 
O país evoluiu, tornamo-nos um povo de brandos costumes e quinhentos anos depois os bêbados, os ladrões, os traficantes e os vândalos podem andar a incomodar o pacato cidadão, porque polícia para manter a ordem nem vê-la e vamos lá nós saber porquê…

Rui Canas Gaspar
2014-junho-28


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tudo vai mudando e até os mortos setubalenses já não são o que eram…

É uma das mais antigas oficinas de Setúbal, senão mesmo a mais antiga e seguramente a que há mais anos trabalha na sua arte de esculpir a pedra, em terras sadinas.

Fica situada na Avenida Jaime Cortesão, no lado oposto ao cemitério municipal, porém, há cerca de meia centena de anos a oficina ficava localizada no outro lado, mesmo junto ao cemitério.

Desde há aproximadamente um século que os trabalhos de cantaria saídos da oficina de Américo de Oliveira, Lda. fazem companhia aos setubalenses, estejam eles vivos ou mortos.

Sejam as bancadas das nossas cozinhas ou os patins, cobertores e espelhos dos degraus dos nossos prédios, das simples, ou mais elaboradas, moradas dos nossos ente-queridos falecidos, de tudo um pouco tem passado pelas mãos de hábeis canteiros, uma atividade provavelmente em vias de extinção, aqui pelas nossas bandas.

As obras de arte que outrora ali eram esculpidas, deixaram de ser produzidas localmente e hoje chegam-nos vindas do Alentejo, na sua maioria já feitas, com o recurso a máquinas. Longe vão os tempos em que eram esculpidas à mão…

As demais oficinas de canteiros foram encerrando portas e a oficina setubalense ainda se vai mantendo ativa, embora os principais clientes sejam os mortos porque os vivos de momento pouco vão consumindo.

Infelizmente, até os mortos já não são o que eram. São poucos os privilegiados que têm como ultima morada uma elaborada e tradicional sepultura construída em mármore ou granito, daí que as estátuas estejam por vezes mais de um ano expostas na oficina sem serem vendidas.

Para agravar ainda mais a situação, presentemente já não são poucos os que escolhem não repousar os seus restos mortais na terra setubalense, optando pela nova moda de se desfazerem do seu corpo através da incineração e, sendo assim, nem uma singela sepultura construída com simples pedra mármore acaba por ser construída.

E é assim que vamos assistindo, provavelmente, aos últimos dias de uma atividade que durante muitos e muitos anos nos habituamos a conviver e que tal como a incineração está condenada a ser reduzida ao pó.

Rui Canas Gaspar
2014-junho-26

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Setúbal também tem ricos filhos e miseráveis enteados

Já lá vão alguns anos que tive oportunidade de visitar Israel e de passar também por algumas parcelas do território palestiniano.

Hoje fui fazer uma exploração urbana em determinada zona da nossa cidade de Setúbal e deparei-me com um cenário que me transportou de imediato para aquilo que tinha visto, em tempos, na distante Palestina.

Fosse pelo tipo de construção que tinha à minha frente, fosse pelas ruínas arquitetónicas, visíveis da foto, fosse pela miséria que se me deparava, ou fosse lá pelo que fosse, à minha mente vieram imagens daquele distante lugar onde o povo ainda hoje vive com as conhecidas dificuldades que a comunicação social nos vai mostrando de quando em vez.

Já tenho visto e fotografado algumas situações de miséria em pleno centro da cidade, mas parece-me que nunca vi nada assim tão degradante.

De facto, (embora não seja novidade para mim) há por cá conterrâneos que passam mal, outras vivem miseravelmente, outros ainda é difícil perceber como conseguem sobreviver em tão degradante situação.

Serão os resultados finais de más escolhas? Será consequência do álcool ou da droga? Será que foram jogados para a marginalidade por questões familiares? Será que tudo isto foi consequência de desemprego?

Não sei responder e se calhar também não tenho de saber! Porquanto os pesados impostos que eu e a generalidade dos contribuintes portugueses entregamos ao Estado, deveriam ser suficiente para que os Serviços Sociais governamentais e autárquicos não deixassem chegar a este ponto situações como aquela que hoje pude observar.

Infelizmente a nossa bela Setúbal tem locais lindos e filhos bem cuidados, mas é bem verdade que paredes meias com esses locais coexistem zonas bem feias onde a mais deplorável miséria atinge alguns que se calhar não são filhos desta terra abençoada, mas sim seus enteados mal amados.

Rui Canas Gaspar

2014-junho-25

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A Fonte do Centenário

Era dia de festa aquele 25 de julho de 1960, dia em que se dava início a mais uma edição da antiga Feira de Santiago e se inaugurava também a Fonte do Centenário, que haveria de passar a ficar popularmente conhecida como “Fonte Luminosa”.

O Major Magalhães Mexia presidia a Câmara Municipal e nesse dia tinha na sua terra um ilustre visitante. Nem mais nem menos que o Almirante Américo Thomáz, Presidente da República.

A fonte foi erigida como o mais importante marco comemorativo do primeiro centenário da elevação de Setúbal a cidade.

O monumento composto por dois lagos concêntricos encontrava-se com o seu exterior decorado com os 13 brasões dos concelhos do Distrito de Setúbal, habilmente esculpidos em mármore.

Como parece que o mal já vem de longe, a autarquia não dispunha de verbas para suportar as despesas do monumento e os sadinos decidiram serem eles próprios a suportar os encargos com a construção. Durante um ano fizeram as suas doações até que se conseguisse a verba suficiente, graças à iniciativa do jornal O SETUBALENSE que apadrinhou a ideia.

A fonte foi então inaugurada e os seus repuxos de água davam um belo aspeto a que ninguém ficava indiferente. Posteriormente ali seria colocado um grupo escultórico composto por três estátuas que representam a Terra, o Mar e a Poesia, uma obra da autoria do escultor portuense Arlindo Rocha.

As estátuas foram colocadas  no dia 12 de junho de 1971, dando-se assim por concluída a Fonte do Centenário, erigida no centro de uma movimentada rotunda, frente ao Mercado Municipal de Setúbal e bem junto à entrada do local onde outrora se fazia a Feira de Santiago. 

Presentemente, com os novos arranjos levados a cabo na Avenida Luísa Todi, a rotunda desapareceu para dar lugar a uma placa, embora a bonita e emblemática fonte ali se mantenha jorrando a água em belos repuxos que dão mais vida a esta linda artéria da nossa cidade.

Rui Canas Gaspar
2014-junho-23


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Mentira MIL VEZES repetida pode tornar-se verdade em Setúbal

O poderoso e tenebroso Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Reich na Alemanha Nazi, seguidor de Adolf Hitler, apoiante do extermínio dos judeus e da Solução Final, ficou também mundialmente conhecido pelos seus discursos repletos de frases carismáticas  que chegaram até aos nossos dias.

De entre essas frases uma ficou particularmente célebre e infelizmente ainda hoje seguida por governos e organizações menos escrupulosas “Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade”.

Mentira é mentira e nunca será verdade! Mas, de facto, o autor da frase não deixa de ter alguma razão. É que se tantas vezes ouvirmos a mentira e se raramente nos confrontarmos com o contraditório naturalmente a interiorizaremos como se de uma verdade se tratasse.

E foi assim que muitos seres humanos morreram nas câmaras de gás nazis, acreditando nas muitas mentiras de Hitler e seus fieis apaniguados.

Já aqui disse, que o texto “REVOLUÇÃO EM SETÚBAL”  (http://troineiro.blogspot.pt/2014/04/revolucao-em-setubal-e-umaautentica.html) se tratou de uma inofensiva brincadeira de primeiro de abril, o dia em que nos é permitido divertirmo-nos com as inverdades. Um texto que no dia seguinte mereceria o mesmo destaque, nos mesmos locais, com um outro devidamente esclarecedor: “COM A VERDADE ME ENGANAS” (http://troineiro.blogspot.pt/2014/04/com-verdade-me-enganas-revolucao-em.html ) .

Mas, a mentira e o sensacionalismo  são, sem dúvida, mais fortes junto da opinião pública que a verdade dos factos e, por isso mesmo, a verdade ficou parada no espaço e no tempo enquanto a mentira continuou voando, saltitando de página em página, mantendo-se imparável.

E é assim que passados menos de três meses sobre a publicação do texto a mentira é MIL VEZES REPETIDA, ou melhor, partilhada, por outras tantas pessoas que a levaram já ao conhecimento de largas dezenas de milhares de outras. Umas acreditando, outras mais céticas e outras rejeitando-a.

O curioso é que existem pessoas que embora duvidando do que escrevi incentivam à partilha do texto com o objetivo dele se tornar viral, chegando ao conhecimento de investidores e decisores, de modo a que no todo ou em parte se possa vir a tornar realidade.

Não deixa de ser interessante esta postura dos setubalenses, ainda que de uma forma muito própria, vibram com as coisas da sua terra e sentem orgulho em divulgar o que por aqui se vai fazendo de bom e bonito, daí talvez a justificação para tantas partilhas do sensacionalista texto.

Talvez quem não esteja a gostar muito da brincadeira sejam alguns dos nossos governantes locais que têm sido frequentemente abordados no sentido de esclarecer, confirmar ou infirmar sobre esta tal “Revolução em Setúbal”.

Mas olhem meus amigos, eu se estivesse no lugar desses decisores só para não ouvir mais tantas perguntas e ter de responder que infelizmente algumas daquelas coisas não serão feitas, outras estão em “estudo” e outras anunciadas até procurava conseguir os necessários meios financeiros e técnicos para levar de vencida a brincadeira. É que, pelos vistos, o nosso povo gosta mesmo da ideia e se o povo gosta pois então que se faça a obra! Digo eu, que até nem sou político nem estou para aí virado…


Rui Canas Gaspar
2014-junho-19

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Os seniores setubalenses mostraram a sua boa forma física

Uma amiga telefonou-me convidando-me a dar um pulo ao Pavilhão Antoine Velge, aqui junto ao Estádio do Bonfim, onde, pela manhã, seria apresentada a festa que assinalaria o encerramento anual das classes de ginástica da população sénior de Setúbal.
E fui até ao pavilhão do Vitória onde ao som de alegre musica centenas de homens e mulheres com idades acima dos sessenta e cinco anos desembaraçadamente desfilaram e dançaram, de acordo com a sua condição física, a qual estaria certamente bem pior se não fossem os dois dias semanais de ginástica que durante o ano praticam.
São vários os polos da classe de ginástica existentes no concelho de Setúbal, com variadas turmas no Bonfim, Bela Vista, Vanicelos, Faralhão, Azeitão e noutros locais, onde estão inscritos muitas centenas de setubalenses.
Os interessados em manter a boa forma física fazem atempadamente a sua inscrição quer para a ginástica, quer para a natação no Serviço de Inclusão Social da Câmara Municipal de Setúbal, localizado na Rua Amílcar Cabral.
Mediante o pagamento de uma pequena joia anual têm direito às diversas aulas, bem como a algumas outras atividades de exterior sem que para isso tenham de despender mais alguma verba.
Este é um relevante serviço social prestado pela Autarquia setubalense, que pouco ouvimos publicitar, mas que se reveste de uma importância enorme para uma grande camada da população, com um aumento gradual de aderentes, atendendo sobretudo à qualidade do serviço prestado.
Setúbal não são só as obras feitas ou as por fazer, não é só o Parque Urbano de Albarquel, nem só a baixa enfeitada ou os seus degradados imóveis, Setúbal é um mundo para descobrir e, certamente serão bastantes os setubalenses que ainda não descobriram esta bonita realidade que está a ser vivida por parte de uma vasta camada da população que tanto já deu a esta cidade e onde por direito próprio está inserida.
Rui Canas Gaspar

2014-junho-18

terça-feira, 17 de junho de 2014

Vem aí a Feira de Santiago

Quando a Feira de Santiago foi instituída a sua duração era de apenas três dias. Em 2013, no ano passado, tínhamos 15 dias de feira. Não me parece que venha mal ao mundo se passarmos agora a ter 10 dias de certame, seja por uma questão económica, logística ou outra julgada pertinente.

Dez dias de feira nas Manteigadas a mim parece-me bem, desde que se privilegie a qualidade em detrimento da quantidade. Tanto mais que é sabido que temos bastantes eventos lúdicos, na zona baixa da cidade, em menor escala, com lugar entre junho e setembro.

Para que fiquemos com um pequeno registo histórico sobre a emblemática feira, partilho aqui com os amigos um pouco do que escrevi sobre este assunto no livro (ainda não editado) “Gente do Rio, Homens do Mar”.

“ Em 1581 todos os caminhos do reino foram dar à vila de Tomar. Ali os representantes da nobreza, do clero e do povo reuniram-se nas cortes presididas pelo rei Filipe II de Espanha, primeiro de Portugal, tendo a reunião por objetivo acalmar as forças portuguesas derrotadas que foram as hostes de D. António, prior do Crato.

E foi então no decurso dessa importante reunião que os representantes de Setúbal aproveitaram a oportunidade para solicitar ao rei a autorização para criar uma feira na sua vila.

O monarca deferiu a petição e a feira teria início no dia de Sant’Iago, 25 de julho, com a duração de três dias, sendo então realizada no perímetro do Largo de Jesus.

Posteriormente e durante alguns séculos a feira teria habitualmente lugar frente ao Convento de Jesus e dali um dia sairia para passar a ser instalada na Praça da República, no Parque do Bonfim, no lado nascente da Rua da Praia (Av. Luísa Todi), na parte poente da mesma Avenida e finalmente em 2004, em espaço próprio, a nascente da cidade, numa zona periférica conhecida por Manteigadas.”

Rui Canas Gaspar
2014-junho-17


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Concordo com o que o Presidente da República, Cavaco Silva, confidenciou com a Comendadora Dores Meira.

A noite estava agradável, parecia que estávamos no Verão com uma temperatura de 27º à beira do Rio Sado, embora fosse ainda 12 de junho deste ano de 2014.

Ali, no cais nº 3, frente ao enorme edifício da APSS tinha sido inaugurada a FEST’ASSO uma iniciativa da União de Freguesias de Setúbal, entidade que veio substituir as antigas Freguesias de Anunciada, S. Julião e Santa Maria.

Andando de um lado para o outro, dando diretivas e indicações aos colaboradores, notava-se o nervoso miudinho do recém-eleito Presidente Rui Canas, o homem que está ao leme deste evento, uma iniciativa que a sua equipa apostou forte, e em é normal que  no primeiro dia nem tudo possa correr a cem por cento.

Dei-lhe os parabéns pela iniciativa, embora me tivesse pedido para lhe dar no dia seguinte, porque as coisas não estavam a correr como deviam. Com problemas de falhas de eletricidade e com a transmissão do Brasil x Croácia a ter interrupções de vez em quando no écran gigante de 6,00x4,50.

Muita gente encontrava-se por ali, no agradável e amplo espaço à beira do Sado. Trata-se do primeiro evento deste género, levado a cabo pela UFS dedicado à gastronomia, tasquinhas e artesanato. Aproveita-se também o facto de ser ano de Copa do Mundo de futebol para potenciar esta ação, onde a música e animação tanbém não irão faltar.

Antes de comer uma fartura, ainda dei dois dedos de conversa com Vitor Caldeirinha, que também por ali se encontrava a petiscar com os amigos. Um nome que não vi mencionado nos jornais que noticiaram este evento mas que é de toda a justiça referir. Foi ele que devolveu aquele espaço para usufruto dos setubalenses, numa das primeiras medidas que tomou após ter assumido a presidência da APSS.

E foi também Vitor Caldeirinha que autorizou que o evento ali se realizasse, pelo que quanto a mim é da mais elementar justiça que se dê os parabéns a estes dois líderes setubalenses, filhos desta terra, embora de famílias políticas bem diferentes, um do Partido Social Democrata e outro do Partido Comunista Português.

O povo gosta de festa, sempre assim foi e, isso nada tem de mal, antes pelo contrário. Nós estamos por cá para sermos felizes e vivermos de forma alegre. Compete aos que nos governam facultar os meios para que esse objetivo seja atingido e, tanto quanto julgo saber estes dois homens, são pessoas preocupadas com o bem estar da nossa população.

Para ambos e suas equipas de trabalho os nossos parabéns e que continuem a desenvolver a nossa terra em todos os setores o melhor que souberem e puderem. Vocês são setubalenses, lutem pela vossa terra, muitos olhos estarão postos em vós, mas os mais importantes são os das nossas crianças, para elas e por elas, o melhor de tudo!

“Roma e Pavia não se fizeram num dia” Setúbal está a mudar e é bom não esquecer que até o Presidente da República, confidenciou à Comendadora Maria das Dores Meira, presidente da nossa Câmara Municipal o seguinte: “Era impensável, há vinte anos, que Setúbal viesse a ter o desenvolvimento e a qualidade de vida que tem hoje” e, embora nem sempre possa concordar com afirmações do nosso Presidente da República, estando eu  ciente das dificuldades por que todos passamos, não deixo de estar de acordo com ele, pelo menos neste aspeto.


2014-junho-13

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A setubalense Praça do Bocage pode vir a tornar-se na veneziana Praça de S. Marcos

Hoje, da parte da tarde, tive oportunidade de observar o barco EVORA a ser abastecido de água doce por um autotanque dos Bombeiros Voluntários de Setúbal.

Pela manhã um outro camião cisterna tinha estado no cais a abastecer de combustível aquele barco, que agora depois de feitas as necessárias limpezas e pinturas de fundo, está apto para mais um vasto programa de cruzeiros no nosso rio azul.

Enquanto observava os trabalhos de abastecimento, um velho homem do mar chamou-me a atenção para o facto do barco já se encontrar com a cercadura de proteção fora da muralha, sendo que a maré ainda não tinha atingido o seu máximo.

E vaticinava aquele homem: - Não lhe dou mais que três anos para que o Sado não entre pela terra dentro. Deixe vir as marés vivas e com o mar a subir como está, vai ver!...

De facto, o EVORA é um bom indicativo, é que o barco tem um lastro de algumas toneladas. Hoje com os depósitos de água e de combustível atestados acrescentaram-se mais outras tantas, e mesmo assim víamos a sua proteção acima da muralha. Com peso a menos e maré mais cheia, por este andar ainda o vamos ver em cima do cais nº 1...

De facto, já este Inverno tive oportunidade de fotografar o Parque Urbano de Albarquel, por ocasião das marés vivas, com um lençol de água onde não se distinguia o rio da terra.

Com as marés em crescendo de ano para ano, penso que é tempo dos responsáveis pela cidade, seja a APSS e a C.M.S. começarem a tomar medidas urgentes no sentido de se poder construir uma barreira de proteção à cidade de Setúbal, sob pena de a curto prazo os prejuízos poderem vir a ser incalculáveis.

Verifica-se que em alguns locais ao longo da zona ribeirinha essa proteção começa a estar contemplada, mas o facto é que o assunto tem de ser encarado de frente e com caráter de urgência, porque o degelo continua, os oceanos sobem, Setúbal está abaixo do nível do mar e mesmo para nós comuns mortais, que nada temos de cientistas, vemos os resultados da ação da natureza.

Não gostaria de ver a nossa Praça do Bocage transformada na Praça de S. Marcos, em Veneza, onde a água por vezes já toma conta de todo o espaço.

Todas as obras são bem-vindas, muito se tem feito, embora muito haja para fazer. Porém, há projetos e projetos e este sobre o qual ainda nada ouvimos falar, provavelmente se não for o mais importante será seguramente o mais urgente, sob pena dos barcos a curto prazo virem fazer concorrência aos javalis que já se passeiam pela Avenida Luísa Todi.

Rui Canas Gaspar
2014-junho-12

www.troineiro.blogspot.com

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Depois disto o que mais nos surpreenderá?

A exemplo do que já se faz em alguns países europeus Portugal também vai contabilizar nas suas contas públicas, para efeito de apuramento do Produto Interno Bruto (PIB) o resultado estimado das atividades ilícitas, como sejam: a prostituição, o tráfico de droga ou o contrabando de tabaco.

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística estamos a falar de atividades contabilizadas (?) em cerca de 650 milhões de euros, ou seja 0,4% do PIB.
A inclusão destes números farão baixar o déficit, pelo que o país apresentará nas suas contas públicas, no próximo ano, um crescimento da sua riqueza nacional.

O que me anda a dar voltas à cabeça é como é que atividades ilícitas podem, ou melhor devem, porque não são lícitas ser contabilizadas nas contas oficiais de um país que considera tais atividades como ilícitas.

Por outro lado se se consegue estimar os valores é porque existem meios de os apurar, logo se existem tais meios também existirão os mecanismos para os tributar. Mais uma vez fico às voltas com os meus botões para tentar descobrir como é que os experts sabem quantas prostitutas há por aí e quantos clientes atendem diariamente. Quantos quilos de droga são comercializados e quantos litros de bebidas são consumidas em alegres bebedeiras, livres de impostos…

O curioso é que isto são coisas dos experts europeus, daqueles que votamos, ou não, há poucos dias e, que desta forma, rotulada em português de “chicos espertos” conseguem demonstrar um crescimento faz-de-conta da zona euro.

Sendo assim, naturalmente somos forçados a concluir que se há gente útil na europa em geral e no nosso país em particular são as prostitutas, proxenetas, traficantes e contrabandistas, pois eles só por si fazem crescer, e de que maneira, a riqueza de um país.

Já estou como diz o outro: “desde que vi um porco a andar de bicicleta já acredito em tudo”. Porém não deixo de me surpreender por todos os dias nos ser apresentada uma “inovação”, por mais estranha que nos possa pareça.

É claro que isto não passa de um desabafo, porque os experts são eles, aqueles que nos governam, aqui e para lá das nossas fronteiras.

Para terminar, quero agradecer aos novos agentes geradores da riqueza nacional que farão aumentar o PIB pelo seu excelente trabalho, que desta forma certamente fará diminuir os pesados impostos que recaem sobre o sacrificado povo português.

Rui Canas Gaspar
2014-junho-11