notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Francisco Finura um setubalense inesquecível

Era eu um pequeno rapaz quando me habituei a ver pelo largo da Fonte Nova um homem vestido com fato-macaco azul, de impecável lenço branco sobressaindo do bolso de cima, cachimbo no canto da boca e fazendo-se transportar numa bicicleta de carreto preso, o que lhe permitia parar, andar para a frente e para trás ou seja tudo aquilo que as outras o não conseguiam fazer.

A sua figura despertava a natural curiosidade entre os pequenos troineiros que nutriam natural simpatia por aquele seu conterrâneo que sabiam ser senhor de múltiplas habilidades. Em casa ouviam os seus pais por vezes comentar que um cabo ou um pedaço de rede tinha ficado preso na hélice do barco e tiveram de chamar o “Finuras” para mergulhar e resolver o assunto.

Quando foram descobertas na Rua Direita de Troino, duas ânforas romanas repletas com centenas de moedas, Francisco Finura foi dos primeiros a ir até lá e conseguiu algumas peças. Eu e outros rapazes também as viríamos a conseguir, até que as autoridades chegaram e recolheram o achado que hoje se encontra no museu da cidade.
Este homem engenhoso, com os mais diversificados interesses, era senhor de múltiplos ofícios e por isso mesmo  conhecido como um “especialista em trabalhos não especializados”.

Quando eu contava os meus 17 aninhos e me encontrava empregado na Casa dos Pescadores era ao senhor Francisco Finura que a D. Maria Virginia, responsável por aquela casa, recorria quando algo por ali deixava de funcionar.
Nessa época o nosso homem estava convencido que seria um talentoso hipnotizador e, como sempre gostei de rir e brincar, quando ele era chamado, uma colega abria a janela para dar conta da sua chegada e mal o via entrar no edifício, ao aproximar-se da secretaria olhava para ele e caía no chão “hipnotizado”.

O primeiro trabalho que Francisco Finura tinha que ali fazer era acordar-me do profundo sono. As colegas tratavam de dar ênfase ao assunto mostrando-se altamente preocupadas, ao que o grande hipnotizador respondia calmamente “o rapaz é faco, o rapaz é fraco” porém depois de passados alguns minutos lá eu acordava, todo alegre e bem disposto.

Em 1968 participamos num dos famosos carnavais de Setúbal. Francisco Finura, como rei do carnaval, enquanto eu, qual centurião romano, comandava uma “centúria” de algumas dezenas de legionários romanos.

Na década seguinte, em 1973, voltamos a representar a nossa cidade, desta vez foi na televisão. Francisco Finura contou muitas das suas façanhas, não só como homem de muito mais que “ dos sete ofícios” mas também como nadador salvador, a quem quase três dezenas de pessoas devem a vida. Eu encontrava-me integrado no Coral Luisa Todi que ali se apresentou naquele programa intitulado: “25 milhões de portugueses”.

Francisco Augusto da Silva Finura, o “finuras” nasceu em 1929 galardoado com a medalha de Honra da cidade de Setúbal já não se encontra entre nós, tendo falecido em 4 de setembro de 2012, mas a sua memória é guardada no coração de muitos setubalenses que com ele tiveram o privilégio de conviver ou de simplesmente o conhecer, como foi o meu caso.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-24

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domingo, 21 de setembro de 2014

Conhece o CORAL LUISA TODI ?
Há mais de meio século que o Coral Luísa Todi, canta e encanta não só os setubalenses, mas outros portugueses espalhados um pouco por todo o território nacional e até no estrangeiro.

O grupo que é sem dúvida a voz melodiosa de Setúbal.

Foi formado em 25 de outubro de 1961 por Maria Adelaide Rosado Pinto e Aurélio Lino da Conceição Fernandes, dois ilustres setubalenses ligados à música. Ela, uma talentosa pianista e filha do compositor setubalense Celestino Rosado Pinto. Ele, aos 12 anos já integrava o Orfeão Cetóbriga, onde seu pai era responsável.
O Coral Luísa Todi teve a sua primeira aparição pública no dia 30 de julho de 1963, quando uma vasta plateia o ovacionou no Cine Teatro Luísa Todi.

Nesse dia marcante o novo agrupamento da cidade do rio azul, teve a apresenta-lo o setubalense de coração Dr. Cabral Adão.

O memorável  espetáculo teve duas partes distintas aquela em que cantou a solo e a outra na qual foi acompanhado pela Orquestra Ligeira Sinfónica da FNAT.

O coral Luísa Todi, que dispõe de excelentes instalações próprias é de facto uma verdadeira Instituição que muito honra a cidade e os setubalenses, sendo reconhecida como Instituição de Utilidade Publica e galardoada com a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal, Classe Cultura.

Para além do Coral Luísa Todi (adultos) a Instituição conta ainda com o Coral Infantil, o Coral Juvenil e o Conservatório de Artes para além de outras meritórias atividades que desenvolve.

Setúbal, terra de gente ilustre, de nomes sonantes no campo das artes, tem no Coral Luísa Todi o seu embaixador cultural por excelência. Para ele, longa vida.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-21

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O emblemático miradouro da Várzea de Setúbal vai entrar em obras?

Será que finalmente alguém percebeu que se queremos ter uma cidade que de entre outras vertentes sócio/económicas terá de apostar fortemente no turismo e que para isso não basta apresentarmos a quem nos visita o que a natureza generosamente nos colocou à disposição, mas que teremos de fazer também a nossa parte?

Será que se deram conta de que para a cidade se tornar atrativa não basta ter uma boa zona ribeirinha e um atraente e moderno centro comercial, mas que terá de ter uma zona histórica limpa, com vida e com os seus edifícios públicos e privados devidamente preservados para que o turismo cultural, que cada vez em maior escala demanda os países europeus, seja atraído para a nossa terra?

Igualmente deveremos preservar os poucos edifícios e obras de arte, tais como pórticos, fachadas, tanques, noras e demais construções que se encontravam nas antigas quintas, integrando-as e dando-lhes destaque e visibilidade nas novas zonas urbanas, tornando estas menos impessoais e com mais motivos de atratividade.

Dizer que Setúbal é uma localidade milenar e apresentar a quem nos visita e até mesmo aos nossos netos uma cidade onde quase não restam vestígios daquilo que por cá existiu no tempo dos nossos avós será saudável, credível e até vendável turisticamente?

Bem sei que o dinheiro não estica, que ele é escasso e não chega para tudo, mas penso que se continuar a apostar apenas e só em coisas novas, algumas delas de interesse e gosto por demais duvidoso e não se preservar o que nos foi legado pelos nossos antepassados, a curto prazo teremos uma cidade sem referências, sem memória e, como tal, sem interesse para quem nos visita e nos quer conhecer.

Por isso, oponho-me fortemente a que se não recupere o miradouro da várzea e o integre no novo parque urbano a construir naquele local e quero acreditar de que a esmagadora maioria dos setubalenses partilham da minha opinião.

Hoje, dia 19 de setembro de 2014 tive um sopro de esperança que isso possa vir a acontecer, porquanto tive oportunidade de verificar que uma equipa de trabalhadores estavam a preparar uma estrutura metálica na base desta obra de arte, parecendo-me que se estava a preparar um andaime para a envolver.

Sendo  assim e porque enquanto há vida há esperança, vamos acreditar que o “barro à parede” atirado por um vereador municipal apontando para gastos astronómicos com a recuperação (valores desprovidos de base consistente) não tenha pegado junto da opinião pública.

Esperemos para ver os próximos capítulos…



Rui Canas Gaspar
2014-setembro-19

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O meu novo amigo é um “homem-pássaro”

Desde a mais remota antiguidade que o homem desejou poder voar, tendo durante muitos anos tentado concretizar esse seu sonho sem sucesso.

Hoje, o homem domina os céus como o faz na terra e no mar e naturalmente podemos ver os humanos quais enormes passarões a sobrevoar os nossos campos.

E foi o que aconteceu há poucos dias quando no alto da Serra da Arrábida estive a admirar um destes homens-pássaros que solitariamente sobrevoava a serra mãe. Ele deslocava-se na sua asa delta, ora na direção do sol poente, ora de costas para o astro-rei, observando lá do alto aquilo que eu nunca o poderia fazer ali em terra.

Mas, o homem, o ser mais inteligente que existe sobre a Terra, não só descobriu a maneira de voar como também descobriu uma outra maravilha: a internet!

E, embora não fizesse a menor ideia de quem estaria a sobrevoar a serra, não deixei de captar um conjunto de belas imagens daquele felizardo que apreciava a nossa Arrábida de um ponto ainda mais alto do que aquele onde me encontrava.

Imaginem que uma dessas imagens foi colocada na internet. Aconteceu que, curiosamente, o nosso “homem-pássaro” num dos seus voos pelo mundo virtual, encontrou-a e reconheceu-se.

Graças à poderosa tecnologia ao nosso dispor, que hoje já se transporta no bolso, tratou de identificar o autor da foto e contactar-me no sentido de lhe ceder a imagem captada, dando-me então a possibilidade de lhe ofertar não uma mas sim uma dúzia delas.

Hugo Pronto, o “homem-pássaro” é agora o meu mais recente amigo virtual e o mais novo membro do grupo COISAS DE SETÚBAL, o espaço onde se partilham os mais diversos assuntos, não só relacionados com as coisas da terra e do mar mas também com as do ar da nossa Arrábida.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-19

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sábado, 13 de setembro de 2014

Em Setúbal, foi declarada “guerra” à Quinta de Prostes ?

Em 1942 a Grande Guerra generalizava-se entre vários países do mundo ceifando milhões de vidas, enquanto o pequeno Portugal, a mais antiga nação do continente europeu mantinha-se neutro e em paz.

As fábricas de conservas de peixe setubalenses não davam mãos a medir produzindo os alimentos enlatados que ajudavam a mitigar a fome a muitos dos combatentes de ambos os lados do conflito.

Muito dinheiro se ganhou em Setúbal nessa época, também conhecida em terras sadinas pelo “tempo do volfrâmio”.

Com as fortunas conseguidas foram então feitas algumas belas casas, quer no campo quer na cidade, por aqueles que dominavam o mundo dos negócios.

Agosto de 1942 foi um mês negro para o Brasil que viu serem afundados pelos submarinos alemães seis dos seus barcos da marinha mercante em apenas dois dias, morrendo 600 pessoas, o que levou aquela nação lusófona a declarar guerra às potências do Eixo, no último dia desse mês. 

Nesse mesmo dia, no outro lado do Atlântico, nos arredores de Setúbal certamente seria um dia de festa. Na Quinta de Prostes o seu proprietário assinalava a data em que inaugurava novas instalações, embelezando a sua produtiva quinta.

Junto à sua enorme casa tinha construído um generoso tanque que não só servia para as lavagens como de reservatório de água, embora o precioso líquido não faltasse nas suas boas terras agrícolas, da melhor qualidade.

As instalações dos animais domésticos estavam bem cuidadas, tal como o restante espaço que não estava estritamente adstrito à atividade agrícola e onde plantou algumas espécies de plantas exóticas que embelezavam o local, dotado de um pequeno caminho devidamente calcetado.

A quinta passou então a ter uma construção emblemática, edificada mesmo em frente ao seu portão de entrada, o seu pombal, onde as aves rapidamente se acostumaram e até hoje, já depois da propriedade ter ficado abandonada e em ruinas, ainda por lá nidificam.

E é esta quinta, uma das outrora produtivas unidades agrícolas da fértil Várzea de Setúbal, que está a conhecer os seus últimos dias, devido à construção da avenida que vai passar pelos seus terrenos destruindo o que resta da outrora agradável propriedade.

Naquele distante dia 31 de agosto de 1942 a Quinta de Prostes conheceu um dia festivo onde não faltaram os pombos a entrar e sair do seu novo pombal, um espaço que hoje, passados mais de setenta anos, ao que parece, tem os seus dias contados, não devido aos torpedos dos submarinos alemães mas sim às potentes máquinas utilizadas na construção de novas vias urbanas.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-13

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Há javalis e outros porcos na Serra da Arrábida

O dia estava a chegar ao fim quando o telefone tocou lá no alto da Serra da Arrábida.  Encostei a viatura num miradouro e atendi.

A conversa prolongou-se por algum tempo. Tratava-se de um amigo de longa data que há muito não escutava.

À minha frente parou uma viatura BMW e de dentro saíram dois casais. Um homem abriu uma cerveja e a uma das mulheres uma garrafa de água. Os dois beberam enquanto apreciavam a soberba panorâmica que dali se desfruta.

Eu continuava ao telefone e eles apreciavam a paisagem. Pouco depois a mulher já de garrafa vazia, afasta-se um pouco e com muito jeitinho tratou de “guardar” a garrafinha, já vazia, debaixo de uma moita. Ele, rapaz mais desembaraçado, não esteve com meias medidas e atirou a garrafa para o mato da berma.

O grupo meteu-se na potente viatura e trataram de prosseguir viagem.  Eu fiquei danado por ter presenciado a cena e não a ter fotografado nem sequer ter tido a oportunidade de chamar a atenção daqueles porcalhões.

Outros que por ali passam por este belo território português ao verificarem o lixo existente não deixam de criticar os portugueses em geral e os setubalenses em particular por tanta falta de respeito pelo meio ambiente.

De facto, as bermas e até alguns espaços bem no interior da serra apresentam-se conspurcados mas, o certo, é que não são as ginetas, as raposas ou ou javalis, que até são porcos,  que  deixam por lá o lixo, mas sim os outros animais de duas patas que por ali andam de vez em quando.

Lá no alto, um homem deliciava-se sobrevoando a serra-mãe na sua asa delta e eu procurava acelerar um pouco para chegar a casa a tempo de ter um lugar para estacionar o carro, neste dia em que o Benfica joga com o Vitória e quando os estacionamentos encolhem rapidamente.

Foi um final de dia passado num local bonito que me deixou aborrecido. Enfim, temos de conviver com todo o tipo de gente até com aquelas finórias para quem a limpeza fica bem atirando o lixo para debaixo do tapete.

Áh! Já  me esquecia de um pequeno pormenor.

É que mesmo estando a atender o telefone deu para ver que a matrícula do BMW era alemã e o grupo falava a língua do país da senhora  chanceler Angela Merkel.

Afinal há porcos um pouco por todo o lado…

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-12

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O Porto de Setúbal vai receber três veleiros

Três veleiros nacionais estarão em simultâneo no Porto de Setúbal, nos dias 26 e 27 de setembro deste ano de 2014, uma situação pouco vulgar, ainda mais quando eles são nem mais nem menos que a caravela Vera Cruz; o antigo lugre bacalhoeiro Creoula e o emblemático navio-escola Sagres.

Durante a sua permanência nesta que é uma das mais belas baías do mundo, as embarcações estarão disponíveis para receber a visita do público e dos alunos das escolas locais. Esta será também uma excelente oportunidade para os amantes da fotografia captarem bonitas imagens e para os interessados pelas coisas do mar aprenderem um pouco mais.

Este evento está integrado nas comemorações do Dia Mundial do Mar, uma celebração que irá ocorrer em terras sadinas numa organização conjunta da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra e Câmara Municipal de Setúbal, entidades que contam ainda com a colaboração da Aporvela.

No âmbito desta comemoração consta ainda o “I Seminário Internacional sobre cidades Portuárias e a Relação Porto-Cidade” que tem por tema principal a “Náutica de Recreio e o Turismo Náutico” a realizar no Fórum Municipal Luísa Todi.

Também na bonita Casa da Baía no dia 24 será aberta ao público uma exposição de banda desenhada tendo por objetivo estimular o interesse pelo mundo marítimo.

Mais uma vez Setúbal é colocado no centro das atenções mediáticas, durante a última semana de setembro, pelos melhores motivos.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-12

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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Mais um atentado ao património setubalense

Convém desde já esclarecer que nada tenho contra ou a favor da fé de cada um, reconhecendo a cada indivíduo o direito de adorar quem, onde e como o desejar, pelo que este, para mim, é um assunto fora de questão.

Também acho que os espaços públicos citadinos devem ser locais de sã convivência entre todos os cidadãos, sendo que essa convivência passa pela harmonia arquitetónica, pelo cuidado dos espaços verdes, pela higiene que se deve desfrutar e pela preservação dos seus monumentos.

Hoje, 11 de setembro de 2014, fui surpreendido por mais um atentado perpetrado a um dos nossos monumentos setubalenses, aquele que homenageia o poeta Olavo Bilac e que se encontra exposto na Praça do Brasil desde 16 de setembro de 1965.

Alguém, certamente bastante devoto do Padre Cruz, um sacerdote católico nascido em Alcochete no ano de 1859 que dedicou a sua vida a orar, pregar e a abençoar, sobretudo os seus irmãos mais pobres e humildes, decidiu pintar uma imagem do dito padre na parte traseira do busto de Olavo Bilac.

Incompreensivelmente o novo local de culto foi decorado com florinhas artificiais a envolver a pintura e até as pedras da calçada não escaparam aos dotes do “artista”.

Que eu dê conta, já o segundo “altar” existente na zona, sendo que pelo tipo de pintura ambos da autoria da mesma pessoa. O outro fica nas traseiras do Centro Comercial do Bonfim, na parede do depósito de gás.

Vim a apurar que a nova pintura já ali se encontra há cerca de um mês e hoje mesmo deslocaram-se ao local dois funcionários da Autarquia para verificar o monumento e proceder à sua reparação. Nada fizeram porque quem lhes passou a informação não deu pormenores e como tal os operários pertenciam ao departamento de serralharia e quem lá deve ir é alguém do setor de pintura ou anti-grafitagem.

A Autarquia Sadina gasta milhares de euros no combate à praga de grafites, tendo uma carrinha e equipa própria que utiliza dispendiosos produtos apropriados para limpeza dos espaços públicos. Enquanto isso verifica-se a total impunidade com que se movem os indivíduos que não respeitando nada nem ninguém vão deteriorando os espaços coletivos em total desrespeito pela sã convivência entre cidadãos.

E esta nova pintura, num monumento público, feita aqui sem qualquer sentido de oportunidade em nada dignifica quem a fez, ainda que tenha sido executada pelos mais piedosos motivos. Digo eu…

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-11

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Desapareceu mais um monumento em Setúbal

No dia 8 de julho de 1886 Hans Christian Andersen o escritor dinamarquês mundialmente conhecido devido às suas célebres histórias infantis, chegou a Setúbal onde acabou por passar de um mês de férias, tendo tido então oportunidade de  conhecer a cidade e seus pitorescos arredores, tendo-lhe até sido facultada a possibilidade de conhecer os areais de Troia e a verdejante Arrábida.

O escritor teve ainda o ensejo de conhecer outros locais desta pequena mas diversificada nação e, a opinião que formulou sobre a mesma, poderá resumir-se neste pequeno verso que escreveu no livrinho da família O’Neill, sua anfitriã:

“Lá no plano Norte verdejante,
Recordando todas as impressões vividas
Para Setúbal voará o pensamento distante
Para junto de todas as pessoas queridas”.

Certo dia um açoriano de nascimento, mas setubalense de coração, Manuel Medeiros, dono da Livraria CULSETE, decidiu honrar o escritor, não com uma estátua mas com um monumento vivo, um abeto da Noruega.

E assim apareceu na Avenida Luísa Todi, quase em frente ao coreto, um bonito canteiro, com um abeto. Ali poderia ler-se numa placa: “Abeto plantado em homenagem a Hans Christian Andersen, Câmara Municipal de Setúbal, Comissões Nacionais da UNESCO de Portugal e Dinamarca, Livraria CULSETE. Outubro de 1998.

Numa outra placa: “Plantei em Setúbal um pequeno abeto nórdico. Quando crescer o vento Norte ao abaná-lo com o seu sopro ai deixará uma saudação da Escandinávia distante” H. Andersen, uma visita a Portugal em 1866 – Cap. IV

Aquando das obras de renovação da Avenida Luísa Todi, no âmbito do POLIS é construído um quiosque quase em cima do canteiro, retirando ao local toda a dignidade e quase anunciando a sua morte devido à movimentação de pessoas e coisas praticamente em cima da pequena e bela árvore.

Esta decisão de localização do quiosque, desprovida de qualquer sentido estético e denotando o maior desrespeito por este monumento vivo, constituiu o princípio do fim.

E foi o que hoje dia 9 de setembro de 2014, com tristeza e com vergonha constatei que aquele  monumento vivo, ali colocado por verdadeiros setubalenses de coração ou de nascimento tinha sucumbido, no seu lugar estava apenas o pouco que resta do seu forte tronco, capaz de suportar os ventos frios do Norte, mas não a força da ganância.

Veio-me então à mente aquela frase célebre de um velho e sábio índio Cree: “Só quando a última árvore tiver morrido, o último rio tiver sido envenenado, o último peixe tiver sido pescado é que descobriremos que não podemos comer o dinheiro”.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-09

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As três jovens setubalenses, Terra, Mar e Poesia, vão apresentar-se em toda a sua beleza

Naquele dia 25 de julho de 1960 a Avenida Luísa Todi apresentava-se amplamente engalanada destacando-se um grande pórtico que assinalava condignamente a entrada na Feira de Santiago.

Um pouco antes de chegarmos ao recinto da feira, que se situava entre as duas principais e emblemáticas salas  de cinema da cidade, o Salão e o Casino, algo mais chamava a atenção popular. Tratava-se de uma “fonte luminosa” oficialmente batizada como “Fonte do Centenário” erigida graças à dinamização do jornal “O Setubalense” e à generosidade da população local.

O momento revestia-se de tal importância que o mais alto magistrado da Nação deslocou-se propositadamente a Setúbal. Foi portanto o Presidente da República, Almirante Américo Thomás que cortou a fita assinalando a inauguração deste monumento. Uma “banheira” redonda decorada com os treze brasões dos concelhos do Distrito de Setúbal, esculpidos em mármore.

O tempo passou e, no dia 12 de junho de 1971, chegavam a Setúbal três simpáticas jovens que sem qualquer preconceito se despiram publicamente, saltaram para o centro da “banheira” e, vamos lá nós saber porquê, nunca mais de lá quiseram sair.
A população de Setúbal familiarizou-se de tal modo com as descontraidas moças que até as passaram a conhecer pelos seus simpáticos nomes de: Terra, Mar e Poesia.

Mas, com tanto banho tomado, a água tem de ser frequentemente mudada e, curiosamente, as outrora meninas, hoje já respeitáveis senhoras, de vez em quando têm de ir à depilação, devido à visível pilosidade que vai aparecendo nos locais mais impróprios, tornando as suas elegantes figuras pouco agradáveis à vista.

E, foi assim que hoje dia 9 de setembro deste ano de 2014 verificamos que uma equipa de cerca de uma dezena de especialistas em matéria de beleza, apoiados por três viaturas, estavam de volta da “banheira” e das meninas, pelo que não é de admirar que ao final do dia tenhamos de novo a Terra, Mar e Poesia bem limpas e lustrosas quase como naquele dia em que o Almirante e seus acompanhantes as puderam  ver como foram dadas à luz.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-09

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014


SETÚBAL - Gente do Rio Homens do Mar

Está para breve a entrada no prelo do meu mais recente trabalho literário. Trata-se do livro “SETÚBAL – Gente do Rio, Homens do Mar”.


Um livro que nos conta de forma simples, clara, porém   rigorosa, algumas  histórias de uma das mais belas regiões de Portugal, focando  a vida das gentes setubalenses, das suas centenárias coletividades desportivas e recreativas, das suas tradições e dos seus usos e costumes.

São histórias do passado setubalense longínquo e recente, temas do presente e uma perspetiva do futuro para esta terra de laboriosa gente, desde sempre ligada ao rio e ao mar.

Mais de duas centenas de páginas compilam meia centena de textos temáticos ilustrados por dezenas de fotos do próprio autor. 

Um livro indispensável para quem gosta de Setúbal e quer saber mais sobre esta maravilhosa terra.

Em breve será feita a apresentação pública deste trabalho para todos os meus leitores e amigos.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-08
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domingo, 7 de setembro de 2014

Há profissionais e outros que falam com eles…

Há obras bem feitas e naturalmente são de aplaudir, outras são de tal forma aberrantes que não lembra a ninguém que elas tivessem sido alguma vez construídas.

As coisas no papel por vezes são bem diferentes daquilo que vão surgir no terreno e se os decisores não tiverem o mínimo de conhecimento técnico de forma a poder interpretar o que os arquitetos lhes apresentam aprovarão qualquer boneco que lhes ponham à frente.

Os gostos não se discutem e como tal o que é bonito para mim pode ser horrível para outros, mas há uma coisa que se discute é a utilidade das coisas e, naturalmente, o seu custo.

Há anos que ando a matutar neste assunto e gostaria que alguém me conseguisse convencer da mais-valia arquitetónica de terem construído um muro entre o Largo de Jesus e a Avenida 22 de Dezembro, cerceando a vista daquele espaço e sobretudo gostaria de perguntar ao autor desse projeto qual foi a ideia de colocar uma fonte decorativa num local do largo onde não seria vista por praticamente ninguém.

E foi precisamente nesta fonte decorativa com mais de dois metros de altura e, que aposto que a maioria dos setubalenses nunca a viram, mesmo aqueles que passam frequentemente pelo Largo de Jesus, que eu fui mais uma vez esta semana “meter a cabeça”.

Um trabalho onde se utilizaram materiais nobres, nomeadamente o granito polido, é um espaço onde a água já não corre e onde a beleza do granito foi substituído pelas borradelas de alguns a quem o dinheiro é fácil de conseguir para a compra de tintas.

Mas, os anos já vividos  em múltiplas experiencias já não me permitem deixar de admirar com muito pouco. Por isso, não estranhei ter de habituar o meu olfato ao nauseabundo pivete a urina que emanava daquele local, onde em tempos de inauguração esteve uma fonte decorativa.

Valeu nesta incursão pelo vetusto e emblemático largo, verificar com agrado a beleza do alçado principal de um dos seus edifícios recuperados, com uma excelente apresentação exterior, que não acredito tenha saído do mesmo atelier de arquitetura.

Como em todas as profissões existem os profissionais e os outros que falam com eles e convencem-se por isso que também o são. O pior é que também esses nos vão aos bolsos…


Rui Canas Gaspar
2014-setembro-07

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sábado, 6 de setembro de 2014

Telenovela “Mar Salgado” já tem data de apresentação

Ontem, 5 de setembro deste ano de 2014 houve festa num dos locais mais agradáveis da cidade. O ponto mais alto do Parque Urbano de Albarquel, onde se localiza o restaurante Acqua Bay.

Quem a seguir à hora de almoço passasse pela estrada do Outão aperceber-se-ia que algo de anormal estava a acontecer para aquelas bandas, dado que dois agentes da PSP conversavam no novo parque de estacionamento da Quinta da Saboaria com outras duas pessoas que pela indumentária pareciam ser motoristas profissionais.

Um pouco mais à frente, junto ao portão de entrada automóvel para o Acqua Bay, mais outros dois polícias indiciavam que ali estaria a acontecer algo de diferente.

Tratava-se da apresentação da telenovela Mar Salgado que tem estado a ser filmada sobretudo na cidade de Setúbal e que irá, em horário nobre, ser transmitida pela SIC para Portugal, Angola e Moçambique.

A primeira transmissão da nova telenovela já tem data marcada e começa no início da terceira semana de setembro, ou seja, na segunda-feira, dia 15.

Pelo tempo de duração nos pequenos écrans e pela enorme quantidade estimada de telespectadores esta será sem dúvida a maior ação promocional alguma vez realizada em Setúbal e que porá em destaque no país e estrangeiro esta linda região e agradável cidade.

A novela “Mar Salgado” conta no seu elenco com os artistas José Fidalgo, Ricardo Pereira, Margarida Vila-Nova, Joana Santos, Ângelo Rodrigues, Sisley Dias de entre outros.

Não, ela não entra nesta novela, Maria das Dores Meira, presidente da Câmara de Setúbal, que vemos na foto do seu perfil do facebook à conversa com o ator Ricardo Pereira, faz as honras da casa como anfitriã e primeira responsável pelo concelho setubalense.

E pronto, cá fico à espera da nova novela, e mesmo que não sejamos fãs deste tipo de entretenimento, como é o meu caso, não deixo de estar curioso com esta transmissão televisiva que, com boa ou menos boa história, uma coisa tem já garantido, vai apresentar um dos mais lindos exteriores do mundo.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-06

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Junto ao Porto de Setúbal as Conservatórias já estão em contentores

Quem se deslocar às Conservatórias do Registo Predial de Setúbal ou à Conservatória do Registo Automóvel, que até há pouco tempo funcionavam na Palácio da Justiça, é agora surpreendido com uma vedação em chapa metálica a todo o perímetro do edifício, deixando aberto apenas um túnel de entrada para os utentes do Tribunal.

Quanto às Conservatórias encontrará vários avisos afixados nas chapas de vedação encaminhando para uns contentores localizados nas traseiras do edifício, um equipamento móvel agora muito em voga em Portugal.

As obras no Palácio da Justiça irão decorrer durante ano e meio a dois anos, e aquele relativamente novo edifício, construído para aquela finalidade irá ver o seu interior parcialmente destruído para o adaptar a novas funcionalidades, as quais já não incluirão as Conservatórias.

Sendo assim, ou os contentores provisórios, passarão a definitivo, ou então aqueles Serviços terão de, mais uma vez, mudar de poiso.

É claro que quem beneficia com todo este processo não naturalmente as senhoras funcionárias, pois assim não gastarão dinheiro em ginásio, dado que elas próprias terão de arcar com as mudanças e se quiserem apresentar-se bem limpinhas e arranjadinhas terão de varrer e passar a esfregona o seu espaço de trabalho, como aconteceu agora com os contentores para onde se mudaram.

Nesta questão da Reforma Judicial de que tanto se tem falado, com tribunais a fechar e outros a sofrerem obras, com toneladas de papéis a mudar de um lado para o outro, já nem os funcionários chegam para tanta mudança e foi necessário recorrer às Forças Armadas.

Mais uma vez fiquei surpreendido com o facto, porque é do domínio público que em Portugal as empresas de segurança privada dispõem de mais de 50 mil elementos, enquanto as F.A.P. ficam-se pelos 30 mil, sem pessoal militar suficiente para garantir a segurança dos próprios equipamentos, como é o caso das instalações do Pol NATO em Almada, tendo-se recorrido  à segurança privada.

Porém, espantou-me ver na TV militares de camuflado andarem a levar montes de papelada de um lado para o outro, em Lisboa, devido a estas esquisitas mudanças, em vez destes homens estarem afetos àquilo para que estão de facto vocacionados, ou seja para as questões de ordem militar.

Tanta mudança, tanta troca de funções, tanta confusão, que qualquer comum mortal não pode deixar de ficar confuso com o que se passa na sua terra e eu não consigo escapar à regra.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-05

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Parque da Bela Vista uma joia preciosa da cidade de Setúbal

Localizado na zona nascente de Setúbal, logo após o Bairro da Bela Vista, vamos encontrar o amplo Parque da Bela Vista que com os seus dez hectares de área é o maior espaço verde da cidade sadina, tendo sido aberto ao público no ano de 2003.

Com acessos pelas Avenidas da Bela Vista ou pela Belo Horizonte este magnífico espaço, de amplos e bem cuidados relvados encontra-se polvilhado de grandes zonas sombreadas pelas enormes copas de pinheiros mansos e por alguns sobreiros.

A vista que daqui se desfruta é soberba, podendo-se apreciar o Sado, Troia a Arrábida e naturalmente a cidade, especialmente se subirmos ao ponto mais alto onde se encontra a recuperada capelinha.

Pistas de manutenção, dois campos de futebol, dois de barquete e dois de ténis formam um conjunto simpático para os amantes destas modalidades. Um espaço de máquinas de ginástica completa aquela zona, apoiado por um simpático bar e um espaço de balneário.

Foi com natural curiosidade que reparei num outro espaço, entre as copas dos pinheiros. Uns cabos de aço de atravessamento e uma ponte suspensa. Construções próprias para treino de bombeiros ou escuteiros experientes. Aliás é de referir que o único monumento existente no parque é precisamente a homenagear o Movimento Escotista, uma iniciativa da Associação dos Escoteiros de Portugal.

Adultos e crianças por ali passeiam descontraidamente mas, sobretudo vi muita gente a tentar manter a boa forma física. Por isso  este parque só por si já faz bem não só ao corpo mas sobretudo ao espírito.

Tomei um sumo fresco no bar e conversei um pouco com o simpático comerciante, um culto alentejano dotado de um fino sentido de humor e excelente conversador, radicado em Setúbal há cerca de 45 anos. Este homem tem o condão de nos fazer esquecer o tempo que por ali paramos.

Fiquei agradavelmente surpreendido com o que vi, pois nunca tinha penetrado no interior deste soberbo espaço verde, tendo passado por várias vezes junto à sua vedação. Desta vez entrei e ainda bem!

Se Setúbal consegue surpreender até quem por cá nasceu não é pois de admirar que o consiga fazer com facilidade quem nos visita.

De facto o Parque da Bela Vista é uma joia preciosa da nossa cidade de Setúbal e seguramente haverá muitos setubalenses que tal como eu nunca o visitaram. Por isso, vale a pena vir descobrir a cidade do rio azul, que tal como a nossa Arrábida, não se revela, vai-se revelando.

Rui Canas Gaspar

2014-setembro-04
Setúbal e os setubalenses merecem melhor tratamento!

O Forte de S. Filipe, conhecido popularmente entre os setubalenses pelo “castelo” é seguramente um dos locais mais visitados da nossa cidade por todos aqueles que querem ter uma bela panorâmica da cidade do rio azul.

Não sei até quando isso poderá ser possível se aquele espaço não for alvo de rápida intervenção no sentido de preservação e conservação das suas estruturas que se apresentam em alguns lugares fragilizadas e noutros denotando um completo abandono, ou desleixo por parte das autoridades responsáveis.

Para manter a segurança do edifício onde funciona a pousada, a zona subterrânea das instalações, foi há algumas dezenas de anos alvo de intervenção de construção civil que constou da montagem de uma estrutura de vigamento em madeira  que ainda por lá se encontra. Se isso não tivesse sido feito, provavelmente a pousada já não existia.

À superfície, no topo poente do forte, o estado de degradação levou a que a zona fosse interditada, tendo sido ali colocada uma precária vedação.

Mas a falta de manutenção adequada, leva a que entre as pedras do edifício estejam a nascer vários pinheiros, que com as suas fortes raízes contribuirão para uma mais acelerada deterioração das estruturas.

Esta é uma situação que ninguém que lá trabalha ou visita pode negar ou ignorar, porquanto em local bem visível de toda a gente, tal como um “pau de fileira” se tratasse, um pinheiro com mais de um metro de altura já é visível num dos principais pontos do nosso Forte de S. Filipe, como poderemos ver na imagem aqui apresentada.

Infelizmente esta imagem de desleixo pelo nosso património histórico, muito fotografada por nacionais e estrangeiros, bem poderia ser alterada se os responsáveis não fossem irresponsáveis ao ponto de deixar chegar as coisas a este estado.

Se o Ministério não sei de quê, a Secretaria de Estado não sei do que mais, a Divisão de qualquer coisa, não fazem a manutenção, que a Câmara Municipal de Setúbal a quem penso não caber essa responsabilidade, ou a União de Freguesias de Setúbal a quem igualmente não está atribuída semelhante coisa, que como defensoras e representantes dos setubalenses avancem e, enviem por um dia, uma equipa de meia dúzia de trabalhadores que darão caça aos pinheiros e ervas daninhas colocando um pouco de argamassa entre as fissuras das lajes resultando daí um aspeto melhor e um combate efetivo à degradação das estruturas.

Setúbal e os setubalenses merecem melhor tratamento!

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-04

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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Cuidado com os animais que andam pelo Parque Natural da Arrábida

Até ao passado ano, era comum vermos pelas estradas do Parque Natural da Arrábida algumas matilhas de cães em estado semisselvagem, um fenómeno que misteriosamente deixou de ser observado este ano.

Nos últimos tempos são as raposas matreiras que ao final do dia se poem na estrada a pedir esmola e, a tal ponto estes animais são atrevidos que chegam a ser atropelados mortalmente.

Também os javalis pela noite e madrugada deslocam-se pares ou em grupo a caminho do Portinho, provavelmente para ir tomar uma banhoca, enquanto outros, mais citadinos, resolvem vir  estrada fora até Setúbal visitar a Avenida Luísa Todi, acabando por constituir outro perigo, dado que ainda não conhecem as regras de trânsito.

Como se isto já não bastasse, pela tarde, eu próprio quase ia atropelando uma das meia dúzia de cabras pertencentes (segundo creio) à moradia existente no lado direito da estrada a seguir ao “pau da consolação” no sentido Setúbal/Comenda, que resolveu vir pastar para o meio da estrada, mesmo a seguir a uma curva.

De facto, a condução nas estradas do Parque Natural da Arrábida cada vez carecem de mais atenção por parte dos automobilistas, pelo que os “aceleras” que por ali se aventuram estão agora, mais do que nunca, na contingência de terem alguma desagradável surpresa.

O facto é que os animais estão no seu habitat, porém, infelizmente já são conhecidos acidentes quer com raposas quer com  javalis e nem sempre os danos são só para os animais…

Por isso, e na ausência de qualquer aviso nas estradas do P.N.A. impõe-se uma chamada de atenção a todos aqueles que se aventuram pelas estradas da serra para que tenham o devido cuidado, evitando conduzir de forma imprudente a fim de não virem a ser surpreendidos com algum inesperado encontro.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-02

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