notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

domingo, 19 de julho de 2015

“Estou em Setúbal, cidade maravilhosa!”

Às 10 da manhã deste domingo 19 de julho os fortes raios de sol já incomodavam quem se aventurasse pelas ruas de Setúbal sem a adequada proteção.

Estacionei o carro na Avenida General Daniel de Sousa e quando me preparava para abandonar o parque de estacionamento reparei que dois carros à frente, entre viaturas, se encontrava um homem aparentando ter na casa dos trinta anos, deitado no chão de barriga para o ar, braços abertos e com uma perna dentro da viatura e outra de fora, encontrando-se o telemóvel ao lado e a chave do carro na ignição.

Eram muitas as viaturas que passavam por aquela movimentada artéria, sem que, pelos vistos, ninguém se apercebesse daquela inusitada situação.

O homem parecia estar vivo mas não se mexia, também não reagiu ao meu chamamento, pelo que de imediato liguei para a linha de emergência 112 descrevendo a ocorrência o mais pormenorizadamente possível.

Entretanto, chegaram ali alguns membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que iam frequentar as reuniões na sua capela, no outro lado da avenida, e logo rodearam o homem de forma a fazer uma barreira natural para o proteger do sol que incidia sobre a sua cabeça.

Alguns minutos depois ouviam-se as sirenes de duas rápidas viaturas de emergência, uma VMER (viatura Médica de Emergência Rápida) e uma ambulância de socorro, que ao meu sinal pararam, inteiraram-se da situação e de imediato trataram de proceder às necessárias manobras de socorro.

O assunto estava entregue a quem teria competência para o resolver, nada mais tendo que fazer ali. A minha parte estava feita.

Antes de me retirar ainda vi o homem reagir às manobras médicas e responder a uma pergunta da clínica questionando-o se sabia onde estava.

Com voz arrastada, como se estivesse alcoolizado, dizia que não precisava de nada e que sabia que estava em “Setúbal, cidade maravilhosa”.

Veio-me logo à mente a enorme festa que decorreu ontem à noite na cidade, o “Samba na Avenida” com o desfile de várias escolas de samba caricaturando o Rio de Janeiro, a tal cidade maravilhosa e os festejos que para muitos acabam da pior maneira devido aos excessos.

Os socorristas acabaram por levar o homem para o Hospital de São Bernardo para melhor observação e eu fui à minha vida pensando que se não tivesse aparecido por ali e não tivesse tido a ajuda dos outros amigos que com o próprio corpo o protegeram dos fortes raios solares, talvez este homem não tivesse agora tanta certeza de que estaria em Setúbal a tal cidade maravilhosa.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-19

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“Ora já sabem que eu estou aqui?”

Este era o pregão bem conhecido com que o “Ervilha” chamava a atenção não tanto  para a sua pessoa mas sim para o produto que comercializava. Podemos ainda hoje ouvi-lo quase diariamente na setubalense Rádio Azul como que uma imagem de marca.

Quando chegava o tempo quente do Verão eram os deliciosos gelados que ele comercializava utilizando para o efeito um curioso veículo movido a pedal.

Quando o frio do Outono se aproximava eram as castanhas ou as batatas doces assadas no assador de barro que faziam as delicias dos setubalenses, quer pelo agradável cheiro que perfumava a zona onde se encontrava, quer pelo delicioso paladar destes produtos.

Os carrinhos onde transportava os equipamentos eram também diferentes e diferente era também a forma como se apresentava em público. No Verão para vender os gelados podíamos encontrá-lo vestido de branco, já no Inverno o nosso “Ervilha” envergava uma roupagem mais escura e mais forte.

Curiosamente no seu carro de mão onde funcionava o assador das castanhas, que seriam servidas aos clientes num cartucho de papel de uma antiga lista telefónica, podia ler-se outro dos seus bem conhecidos slogans publicitários: “ O Ervilha nunca falha”.

E de facto não falhava! Com chuva, frio, ou calor habituamo-nos a ver e ouvir este homem, figura carismática, que com o seu negócio de rua governava a sua casa e acabou a fazer parte da vida de muitos setubalenses que jamais irão esquecer este personagem tão característico da nossa cidade.

Morra o homem fique a memória, daí os setubalenses não esquecerem o simpático Ervilha e muito menos o seu encantador pregão:  “Ora já sabem que eu estou aqui?”

Rui Canas Gaspar
2015-julho-07

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sábado, 18 de julho de 2015

O “Salmonete” do Portinho da Arrábida

Setúbal de há alguns anos era um manancial de figuras popularmente conhecidas por este ou aquele pormenor ou estilo de vida.

Muitas destas pessoas já desapareceram mas a sua imagem e alguns momentos vivenciados ainda estão bem presentes na memória daqueles que com eles conviveram.

É o caso do “Salmonete” uma das figuras típicas da nossa terra, um homem que para muitos setubalenses e demais frequentadores do Portinho da Arrábida costumava andar acompanhado por um fiel amigo, não um cão, como é vulgar ver-se por aí, mas sim um ganso.

Este animal defensor da propriedade faz frente a qualquer intruso e pode viver em cativeiro até aos 50 anos. Provavelmente por estas características intrínsecas o animal seguia o próprio dono para todo o lado, convencido de que seria ele mesmo a sua propriedade particular.

E quando o táxi ia buscar o “Salmonete” ao Portinho da Arrábida para o trazer a Setúbal, pois então naturalmente teria de transportar também o seu inseparável amigo.

Não só no Portinho da Arrábida, mas até em Setúbal, cheguei a ver o “Salmonete” passando pela Rua dos Ourives com o ganso ao lado, despertando a natural atenção dos demais transeuntes. Tanto mais que o fiel animal levava preso ao pescoço um pequeno guizo que ia tilintando, com o seu engraçado som, chamando também por isso mesmo a atenção das pessoas que por ali passavam.

Foram muitos os automobilistas que tomaram contacto com o “Salmonete” quando ele era mais novo e desde os anos sessenta arrumava carros no Portinho da Arrábida. Homem fisicamente bem constituído,  usava então um boné de pala, tipo motorista da época, vestido de calção, t’shirt branca e sem nada a proteger os pés.

Esta imagem foi também captada pelo popular fotógrafo setubalense Baptista que a utilizou na coleção de postais temáticos, atribuindo-lhe o nº 50 e identificando como Setúbal – Arrábida O “Salmonete”.

Provavelmente alguém o teria fotografado um dia passeando com o seu fiel amigo a quem chamava de “Benfica”. Eu não consegui encontrar uma imagem de um desses momentos pelo que apresento aqui esta outra, do nosso amigo “Salmonete” para que a sua memória continue a perdurar entre nós, particularmente aqueles mais velhos que se deliciaram com as maravilhas do Portinho da Arrábida de outros tempos.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-18

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Continuamos a ter “Pão e circo”

Para que os antigos políticos romanos pudessem governar de forma mais ou menos tranquila, neutralizando a insatisfação popular, tratavam de distribuir comida gratuitamente e promover espetáculos onde nada se pagava para assistir, assim o povo ficava entretido e não se amotinava. Daí ter chegado até aos nossos dias a célebre frase: “pão e circo”.

Alguns séculos depois o conhecido cantor José Afonso alertava para esta situação que se vinha e vem protelando ao longo dos tempos, de forma mais ou menos idêntica, tendo então popularizado a canção “O que faz falta”.

A canção de intervenção foi interpretada pela primeira vez antes da revolução de 25 de abril de 1974 para um grupo de trabalhadores em protesto contra o lock-out promovido pelo patrão de uma fábrica.

Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta

Nos nossos dias, suportando uma tremenda crise como nunca antes experimentara, o povo português vai-se mantendo calmo e sereno, a despeito da tremenda pressão económico/psicológica a que tem vindo a ser submetido.

Isto deve-se em parte também a esta velha política de “pão e circo” e embora o pão cada vez seja menos o circo não diminuiu a quantidade de números que nos vai apresentando.

E para que não venha depois dizer que não sabia, que ficou em casa a ouvir as tristes notícias televisivas e depois foi gastar mais algum dinheiro na farmácia em antidepressivos, saiba que este fim de semana, em Setúbal, a festa contínua para todos os gostos e todas as bolsas, pelo que recomendo consultem o guia da cidade e os anúncios já divulgados pela internet.

Quero porém destacar que o ponto alto deste final de semana terá lugar no sábado dia 18 quando mais de 600 foliões desfilarem pela Avenida Luísa Todi, transformada num sambódromo. Não será o “Carnaval de Verão” porque carnaval em Portugal é no Inverno mas, será sim, o “Samba na Avenida” que ocorrerá a partir das 22,00 horas e com acesso gratuito.

Aqui não se segue a política romana, pelo menos no referente ao pão, que também lá o há quentinho e com chouriço a par de outras iguarias disponibilizadas nos stands da “feirinha” instalada no Largo José Afonso. Mas, quanto ao “circo” garantimos que terá elenco de luxo e naturalmente gratuito.

Bem, para não me alongar mais desejo-vos com samba ou com fado, que tenham um bom fim-de-semana e não se esqueçam do que dizia o saudoso Raúl Solnado: “Façam o favor de ser felizes”.

Abreijos
Rui Canas Gaspar
2015-julho-17

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quinta-feira, 16 de julho de 2015

As cruzes do Monte Abraão

Em 1954 o Duque de Palmela mandou erigir as três cruzes, em pedra, lá bem no alto, naquele lugar quase inacessível da Serra da Arrábida.

Elas encontram-se junto ao céu e onde um trilho de difícil acesso se apresenta agora muito obstruído pela vegetação e até bastante perigoso devido às pedras soltas e aos muitos buracos existentes, alguns deles muito pouco visíveis.

Certo dia, alguém olhou lá para cima e reparou que das três cruzes de pedra até então existentes, uma delas tinha desaparecido misteriosamente, julgando-se que tenha caído por qualquer motivo que se ignora, havendo também quem tenha aventado a hipótese da mesma ter sido destruída por vandalismo. Porém, existe uma outra versão que diz que ela foi destruída com um tiro certeiro de um navio da armada, numas quaisquer manobras militares.

O proprietário destas terras nunca se conformou com este atentado ao património histórico e cultural. Para ele, a falta de uma das cruzes lá em cima era como se o local estivesse mutilado. Por isso foi colocada no lugar da cruz feita de pedra, uma outra construída em madeira.

Passado algum tempo a cruz de madeira também acabou por cair ficando o conjunto mais uma vez mutilado.

Este trio lembrava as três cruzes um dia erigidas no Monte do Calvário, tal como aquelas que foram colocadas para a crucificação de Cristo, ladeado por outros dois condenados.

Um dia, uma brilhante ideia surgiu! E o proprietário destes terrenos conseguiu fazer uma inédita parceria com o Parque Natural da Arrábida e com o Estado-Maior da Armada e, numa delicada operação técnica, utilizando um helicóptero da Marinha, instalou lá em cima, no Monte Abraão, uma nova cruz, em pedra calcária, com a altura de três metros e com um peso na ordem  de uma tonelada.

Foi no dia 27 de junho de 2001 que ela foi para ali levada, pedra por pedra, após o que uma equipa de especialistas a montou devidamente naquele íngreme local, onde duas décadas antes teria havido uma idêntica.

Com a colocação desta terceira cruz foi assim devolvido e este espaço a sua dignidade e o seu significado histórico e cultural, cumprindo-se ao mesmo tempo uma velha aspiração da família do Conde da Póvoa, filho dos Duques de Palmela.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-16

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quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Praia da Figueirinha é uma autêntica arca do tesouro

São nove horas da manhã, a temperatura está agradável devendo subir durante o dia acima dos trinta graus. No mar ainda é visível alguma neblina matinal o que ajuda o ambiente a não estar desagradavelmente quente.

Olhando para o amplo areal podemos constatar que por ali operou uma potente máquina de modo a deixá-lo completamente limpo. Uma brigada de trabalhadores completam a tarefa de limpeza levando os  sacões dispersos pela praia com o lixo e colocando novos para fazer a recolha diária.

Logo à entrada do areal ainda podemos constatar a existência de um suporte com dezenas de cinzeiros. Os fumadores conscientes poderão levar um deles para junto de si e ali recolher a cinza e a ponta do cigarro de forma a que não sirva de elemento poluidor ao areal.

Uma longa fila de autocarros e carrinhas das mais diversas escolas e colégios da região de Setúbal alinham-se e vão desembarcando ordeiramente milhares de crianças enquadradas por diligentes professoras, monitoras e auxiliares.

Quase todas estas crianças transportam a sua própria mochila com o lanche e trazem na cabecinha um colorido chapéu que ajuda a diferenciar e a ser mais fácil de identificar o grupo a que pertencem.

A Guarda Nacional Republicana, esta nesta quarta-feira a operar em duas frentes, por um lado na organização do trânsito, por outro encontra-se também a fiscalizar as condições de segurança dos autocarros que estão a fazer o transporte das crianças.

Na Praia da Figueirinha, em pleno Parque Natural da Arrábida, podemos ver arvorada a bandeira azul, símbolo da excelência deste espaço que diariamente recebe nesta época do ano o que qualquer país tem de melhor, as suas crianças.

Este é o nosso maior tesouro e dá gosto podermos observar aqui, discretamente, como as crianças são bem tratadas por aquelas profissionais e voluntárias que as acompanham proporcionando-lhes uma manhã de sol e mar, outra das grandes riquezas de Portugal.

Sem dúvida que este é o investimento prioritário que se deveria fazer no nosso país, o investimento nas famílias, de forma a que pudéssemos proporcionar-lhes os meios para se desenvolverem harmoniosamente e com a necessária qualidade de vida.

Não deixa de ser emocionante verificar ali, na Praia da Figueirinha, a alegria daquelas milhares de crianças, como não deixa de ser preocupante sabermos que Portugal que há alguns anos foi considerada a reserva demográfica da Europa está a ficar um país envelhecido porque os seus governantes tem descurado o efetivo apoio às famílias, a célula base de qualquer sociedade.

Por esse facto o consequente deficit de nascimentos, empobreceu esta que é a mais antiga nação europeia, cuja riqueza não está nos euros que tem, nas autoestradas que dispõe ou em outro qualquer indicador económico mas sim nas suas crianças e naturalmente nas suas famílias.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-15

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domingo, 12 de julho de 2015

Olhar sem ver e ouvir sem escutar

Desde o dia 3 deste mês de julho de 2015 que o conhecido escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen é alvo de uma exposição na Casa da Cultura, em Setúbal, onde se poderá observar um conjunto de quadros que nos mostram trabalhos de artistas plásticos e recortes que acompanhavam os contos do escritor.

Esta interessante mostra encontra-se patente ao público até final do mês de agosto e recupera algumas das peças que estiveram patentes ao público, há uma década, no Museu do Trabalho Michel Giacometti.

Não sei se são muitos ou poucos os setubalenses e turistas que já a foram apreciar à Casa da Cultura, aquelas excelentes instalações, bem no coração da cidade ao lado da Praça do Bocage, mas o que sei é que uma outra exposição sobre o mesmo tema encontra-se também patente num local onde diariamente passam centenas ou milhares de pessoas.

De facto, há coisas que por estarem mesmo diante dos nossos olhos acabamos por nem reparar nelas e os painéis que se encontram colocados na faixa ajardinada da Avenida Luísa Todi, junto ao parque de estacionamento fronteiro ao Fórum Municipal é certamente disso um bom exemplo.

Quantos de nós já passamos por esta exposição? Quantos de nós já parqueamos a nossa viatura frente à mesma, quantos de nós já apreciamos estas reproduções? Provavelmente muito poucos!...

Antes de fotografar estive algum tempo a observar o comportamento das pessoas que passavam e nenhuma mostrou curiosidade pelos painéis. Pouco depois comecei a captar as imagens e logo alguns transeuntes começaram a parar, a apreciar e a comentar.

Curiosa esta característica humana que nos leva a olhar sem ver e a ouvir sem escutar !...

Para aqueles que não têm oportunidade de ir observar esta exposição no local, aqui vão as fotos que captei. Devo esclarecer que por baixo de cada pintura existe um texto descritivo pelo que sugiro que se puderem vão dar um passeio pela nossa agradável Avenida Luísa Todi e aproveitem para apreciar estes painéis que como disse se encontram junto ao parque de estacionamento automóvel, frente ao Fórum.










Rui Canas Gaspar
2015-julho-12

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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Saia de casa, agora enquanto pode!...

O fim de semana está à porta e com ele mais uma vasta coleção de iniciativas têm lugar em Setúbal, estando as mesmas acessíveis a todas as bolsas e certamente abrangendo todos os gostos.

Vou apenas focar algumas delas sendo sabido que mais, muitas mais, se destacam um pouco por toda a cidade, desde as desportivas às culturais. É uma questão de cada um procurar o que lhe interessa.

No sábado, dia 11, entre as 15 e as 21,30 vá até à zona nascente da cidade, delicie-se com o espaço do Parque verde da Bela Vista e aí assista também à quarta edição do festival “Olhar o Mundo” . São 9 grupos de dança de diversos estilos e vários músicos e grupos que ali irão atuar.

Acabado o festival desça até à baixa da cidade onde a “Noite Azul” tem um vasto programa que inclui grupos cénicos, dança e muita música. Pode ainda, se assim o desejar, fazer algumas compras dado que grande parte do comércio estará de portas abertas.

Pode também optar por “ir para fora cá dentro” deslocando-se para ver e ouvir os grandes musicais no BROADWAY – FRAGMENTO INTEMPORAIS. É às 21,30 no Fórum Municipal Luísa Todi e trata-se do concerto comemorativo do 52º aniversário do Coral Luísa Todi.

As “Noites de S. Sebastião” oferecem-lhe a partir das 21,00 um espetáculo de fados e guitarradas que terá lugar no Jardim de Palhais.

À mesma hora, mas desta vez na Casa da Cultura (Pátio do Dimas) o espetáculo gratuito “Raiz” apresenta-nos um excelente concerto com guitarra portuguesa, contrabaixo e acordeão.

Ainda no sábado pode também assistir ao 39º Festival Internacional de Folclore. Será pelas 21,30. São cinco ranchos folclóricos que se exibirão no Auditório José Afonso e não precisa gastar dinheiro para assistir. Esta é uma organização do rancho Folclórico das Praias do Sado.

Os nossos amigos palmelenses vêm até cá baixo para se exibirem no Moinho de Maré da Mourisca. Será pelas 21,30 de sábado que a Escola de Sevilhanas da SFHP irá proporcionar-nos naquele belo espaço uns momentos únicos de música e dança espanhola.

No domingo tem o “Café à tarde com… Danças da Baía”. O evento será dedicado à brasileira Baía das Rosas e por isso mesmo a Casa da Baía oferece-nos um espetáculo onde poderemos escutar de entre outros o forró e o samba a partir das 15,30.

Já aqui tem algumas dicas, mas para além disto tem o cinema, as caminhadas pela Serra da Arrábida, e os espetáculos desportivos.

Não se esqueça que foi anulada a prova de natação entre o Parque de Campismo do Outão e o Parque Urbano de Albarquel, embora isso não o impeça de ir nadar numa das nossas belas praias.

Como alternativa, pode sempre dar um bom passeio pela zona histórica da cidade e depois se tiver gosto parecido com o meu compre uma boa sandes de choco frito e um fresquinho sumol e vá degustar para o alto da Serra da Arrábida.

Bom fim de semana.

Abreijos

Rui Canas Gaspar
2015-julho-o7

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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Será que existe real coordenação entre os bombeiros setubalenses em relação a Azeitão?

Na página do facebook da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, no dia 6 de julho, colocado às 13,59 podemos ler o seguinte:

“Incêndio junto ao Destacamento dos bombeiros voluntários de Setúbal em Azeitão perto das 15 horas fez mobilizar 3 viaturas com 11 operacionais.

Para combater as chamas estiveram apenas os elementos dos Sapadores com apoio de corporações de fora do município, uma vez que o destacamento não tinha elementos para assegurar o socorro na vila.”

Indo depois olhar outra página, desta vez a dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, constatamos que o professor Eduardo Fernandes, um antigo bombeiro voluntário desta corporação, escreveu em 6/7 às 22,41 a propósito do fogo que deflagrou junto ao quartel dos B.V.S. o seguinte:

“O dito incêndio deflagrou realmente junto ao quartel dos voluntários em azeitão... Mas aqui existiu um erro de planeamento (aliás os sapadores deveriam estar sossegados porque quando lá chegaram já Sesimbra lá estava...). Ditam as regras que em dia de feira e com a presença de dois focos de alto perigo (as bombas de gasolina a menos de 100 metros e uma pilha de matéria florestal seca junto às bombas, que o primeiro carro a chegar ao local não invente e que comunique a necessidade de reforços.

Ora esses reforços devem ser solicitados na proporção do perigo, da topografia, dos acesso e neste caso das condicionantes (era dia de feira).

Ou seja, o primeiro carro ataca o incêndio mas deveria ter solicitado pelo menos mais 3 viaturas, sendo uma para proteger a zona das bombas, que poderia trabalhar em conjunto com uma dos flancos já que o vento se encontrava para a serra e protegiam toda a faixa do estacionamento da feira. Outra viatura deveria estar junto à dos Voluntários de Setúbal... isto se se soubesse o que significa planear...

Sesimbra esteve bem e cumpriu a sua função, os Sapadores de Setúbal que gostam muito de mandar bitaites... não sei muito bem porquê, quando lá chegaram foram fazer... nada... criticar e mostrar qualquer coisa que não se sabe bem o quê.

Quis saber qual seria a opinião da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra mas a sua página no facebook nada menciona a respeito deste assunto.

Dado que Azeitão dispõe de vários aglomerados populacionais com milhares de pessoas, indústrias importantes e equipamentos sensíveis, como hospital e lar de terceira idade, encontrando-se grande parte do território em pleno Parque Natural da Arrábida, este tipo de atuação que transpira para a opinião pública não é nada benéfico e dá pouca tranquilidade ao comum cidadão.

Sendo assim, pela minha parte, enquanto setubalense só espero que os nossos bombeiros sapadores e voluntários se entendam e que tudo possa decorrer com a melhor coordenação em ações futuras, para bem de todos os que confiam nos nossos esforçados soldados da paz.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-09

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segunda-feira, 6 de julho de 2015

A “aldeia” setubalense do Rio da Figueira

Já lá vão umas seis décadas quando o Francisco, num qualquer domingo de bom tempo, vestiu a sua melhor roupa, a que não faltou um casaco atado na cintura, colocou um chapéu na cabeça e decidiu quebrar um pouco da rotina, deixando de ir conviver com os outros pescadores numa das inúmeras tabernas do seu bairro de Troino para se dirigir quase para fora de portas, para a zona do Rio da Figueira.

Naqueles tempos do Estado Novo, a polícia, sobretudo a política e a fiscalização eram omnipresentes e tudo era controlado. Até o simples acender de um isqueiro, sem ter a devida licença, era alvo de coima.

O Francisco, com os seus trinta anos de idade tinha uma boa aparência e a roupa que sua preocupada e diligente esposa lhe preparara dava-lhe um ar nada condizente com os homens do mar, mais se parecendo com um daqueles burocratas ou fiscais que a população tanto temia.

Quando o nosso homem estava prestes a chegar à taberna onde iria lubrificar a garganta, já na Estrada das Machadas de Cima, foi dado o alarme por um dos clientes que se encontrava à porta e logo o estabelecimento rapidamente se esvaziou. Vamos lá nós saber porquê…

O nosso “fiscal” bebeu um copinho de tinto deu meia volta e voltou para o seu bairro, contando a peripécia à esposa e aos amigos.

Seis décadas passadas paro a viatura no estacionamento das desativadas instalações da Universidade Moderna, uns metros abaixo onde então existiu a tal taberna, saio segurando a pequena máquina fotográfica tendo por objetivo observar pormenorizadamente e fotografar o exterior do enorme edifício.

Um pouco acima uns três homens observam-me atentamente, comentam uns com os outros e vão-me seguindo com o olhar, mas agora perderam o receio e já não fogem do “fiscal”.

Por aqueles lados e a meio da manhã pouca gente passa e muito menos nas traseiras do grafitado e emparedado edifício. Porém, curiosamente seria precisamente nas traseiras do mesmo que me cruzaria com duas pessoas que pareciam estar também a fazer um reconhecimento ao imóvel.

Quando acabei de contornar, verifiquei que entravam num automóvel identificado como sendo de uma das conhecidas empresas setubalenses de pintura de imóveis.

E cá fiquei eu a pensar com os meus botões naquilo que diz o meu amigo Ricardo Soromenho, nascido para aquelas bandas, que o Rio da Figueira era uma pequena aldeia dentro da cidade, também me veio à mente o episódio ocorrido há tantos anos com o meu pai e fiquei igualmente a imaginar como ficaria agradável o edifício repintado e ocupado dando mais vida à antiga “aldeia” do Rio da Figueira.

Será que isto irá acontecer?

Rui Canas Gaspar
2015-julho-06

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domingo, 5 de julho de 2015

Ficou o rabinho por esfolar…

A esquerda apresenta-se limpa, apresentável e condizente com o espaço onde está inserida, já a direita, coitada, ainda lá está tal como veio ao mundo.

Não, não me estou a referir a qualquer formação política, estou a referir-me ao pavimento das alas do portão de escola básica, acesso  que dá para a Avenida da Independência das Colónias e que fica na parte traseira da paragem do autocarro dos transportes urbanos.

Por qualquer motivo que certamente todos ignoramos um espaço com cerca de 150 M2 ali ficou por calcetar nesta que é uma das mais modernas e movimentadas avenidas da cidade de Setúbal.

A coitada da ala direita não teve direito a nada e a terra que ali está sem qualquer revestimento quando vem um pouco de vento é levantada e a poeira entra livremente na escola, nos estabelecimentos e naturalmente  nas habitações.

Claro que este não será caso virgem nem nesta nem em qualquer outra localidade.

A razão de ser desta chamada de atenção prende-se com o facto de com “meia dúzia” de euros poderá ser dado por concluído o calcetamento desta avenida, dotando-se uma bolsa de estacionamento para uma dúzia de viaturas das necessárias condições.

Agora que tantas alterações têm vindo a ser introduzidas nas principais artérias setubalenses, com particular incidência nesta zona da cidade, seria bom ter em atenção este pormenor que ainda se encontra na sua forma primitiva.

Bem sei que o rabo é o mais difícil de esfolar, como diz o nosso povo, mas também sei que não faz qualquer sentido deixar este “rabinho” para trás quando se está em vias de concluir uma obra de tão grande envergadura.

Agora que os Serviços da Autarquia estão alertados para um pormenor que pelos vistos tem passado despercebido aos diversos Executivos ficamos a aguardar que este pequeno espaço seja devidamente empedrado, a exemplo de todo o restante que o circunda.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-05

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sábado, 4 de julho de 2015

APSS desenvolveu um trabalho quase exemplar

É de facto notável e louvável o trabalho que a APSS (Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra) levou a cabo num amplo terreno desaproveitado junto à estacada nº 1. A “estacada do carvão” assim conhecida pelos velhos setubalenses.

Ali construiu um belo parque de estacionamento, bem iluminado, com capacidade para uma centena de viaturas (gratuito para os utentes) e dotou-o de algumas árvores de sombra. Igualmente arranjou a calçada à beira-rio e equipou-a com uma ciclovia (a mais resistente alguma vez feita em Setúbal). 

Para completar este trabalho de arranjos exteriores ajardinou a faixa separadora entre o estacionamento e a Avenida José Mourinho.

Antes porém, tinha mandando pintar artisticamente todo o edifício de apetrechos de pesca dos homens do mar e efetuar obras de reparação na cobertura daquele equipamento.

Tudo está lindo e devemos divulgar e elogiar!

No entanto, tenho pena que aproveitando esta iniciativa, não se tenha procedido à substituição ou reparação e pintura das portas dos cacifos que apresentam um estado deplorável, nada condizente com o resto do excelente trabalho levado a cabo.
Igualmente é triste ter de constatar a profunda preocupação dos arrendatários daquele espaço, por demais inseguro, dado que a ladroagem contínua a não dar tréguas a quem ali guarda o material necessário à sua atividade piscatória.

Para além de se tentar vedar o acesso a pessoas estranhas, de ativar o sistema de vigilância eletrónica, parece-me que a Polícia Marítima ou a PSP terão de estar mais atentas ao que por ali se anda a passar.

Bem sabemos que não se pode colocar um polícia atrás de cada larápio, mas também sabemos que a ocasião faz o ladrão e, como tal, a prevenção e o desincentivo talvez venham a contribuir para um melhor e mais sadio ambiente entre os utentes daquele espaço.

Rui Canas Gaspar

2015-julho-04

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Devia abrir-se uma janela de oportunidade na Praia da Figueirinha

Longe vão os tempos das longas filas de pessoas que nesta altura do ano embarcavam junto à “Asa do Avião” no “Rio Azul” ou nos outros barcos convencionais que faziam o trajeto entre Setúbal e Troia e vice versa.

Eram tempos em que o parque automóvel setubalense era diminuto e a Praia da Figueirinha não se apresentava com o grande areal como hoje a conhecemos e muito menos com o amplo espaço de estacionamento que atualmente é disponibilizado.

Mais para poente também não existiam os parques de estacionamento do Creiro e como tal esta e outras praias suas vizinhas não eram também tão frequentadas como hoje o são, sendo esse privilégio acessível a alguns poucos mais endinheirados.

Presentemente chegada a época balnear, milhares de portugueses deslocam-se para estas praias da Arrábida, sendo atualmente os locais de eleição dos setubalenses.

A afluência de viaturas à Figueirinha é tal e a falta de estacionamento de tal forma notória que as viaturas esgotam o parque de estacionamento e parqueiam nas bermas, ao longo da estrada.

Para evitar congestionamento as autoridades optaram por fazer alteração ao trânsito automóvel obrigando as viaturas a circular em sentido único, de nascente para poente e, quem desejar retornar a Setúbal, poderá fazê-lo apenas depois das 21,00 ou então, como alternativa se o desejar fazer antes dessa hora terá de dar a volta pela Serra.

Se a medida é compreensível o mesmo não se poderá dizer em relação ao horário para retorno, as 21,00 horas, o que é demasiado tarde segundo opinião de muitos utentes especialmente aqueles que têm crianças pequenas.

Há muitas famílias que pretendem sair da praia à hora do almoço e outras que só depois deste período decidem ir usufruir daquele espaço e para isso são obrigadas a fazer um longo trajeto que seria evitável se se abrisse uma janela de oportunidade.

Por exemplo, poderia manter-se a atual interdição de retorno dentro do horário aprovado para o período da época balnear. Porém, com trânsito nos dois sentidos entre as 12,30 e as 15,30 horas, dando-se assim a oportunidade das pessoas regressarem a Setúbal sem terem de fazer vários quilómetros desnecessariamente, com a consequente poupança de tempo e dinheiro.

Aqui fica a sugestão que se o Executivo Municipal achar por bem, basta alguma informação aos utentes, uns cartazes afixados no local, a GNR a controlar o tráfego e muita, mas mesmo muita gente feliz e contente. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-julho-03

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

É só sacar ao automobilista setubalense

Há coisas com as quais não concordo e considero até abusivas, sendo que primeiro estranha-se e depois entranha-se, mas esta dos parquímetros implantados em Setúbal não consigo entranhar nem um pouquinho.

Como tenho necessidade de andar de carro constantemente de um lado para o outro, ora dentro, ora fora da cidade, utilizo naturalmente com muita frequência os estacionamentos pagos que proliferam pela cidade, sobretudo na zona baixa onde incide a maior parte da minha atividade.

É uma verdadeira renda a quantidade de moedas que deposito naqueles malfadadas máquinas, depois de ter pago tanto dinheiro em impostos incluindo o de circulação.

Mas, o que me irrita solenemente é não sabendo eu quanto tempo me vou demorar nos meus afazeres coloco normalmente um valor acima, para evitar  ser autuado, o que já aconteceu por o tempo de estacionamento ter excedido aquele para o qual tinha tirado o bilhete.

A empresa particular que explora os espaços de parqueamento está no seu direito de exigir que eu pague o diferencial pelo tempo que estacionei a mais, mas cobrar uma coima por esse facto é que eu não concordo.

E não concordo porque o contrário também é verdade e muitas vezes o dinheiro que coloquei na máquina é bem superior ao tempo que estive parqueado e nesse caso não me é devolvida a diferença.

Sendo assim, acho que seria da mais elementar justiça que não fosse cobrado pelo concessionário nem um cêntimo a mais para além do tempo utilizado dado que também não devolvem coisa alguma pelo tempo a menos que lá ficamos.

Se os atuais parquímetros não contemplam esta situação pois então que os substituam por outros adequados e que controlem o tempo real do estacionamento, nem a mais, nem a menos.

A Câmara Municipal de Setúbal adjudicatária do espaço já deveria ter atuado exigindo que fossem colocadas máquinas adequadas de modo a que os cidadãos não fossem prejudicados e pagassem aquilo que é justo pela utilização do espaço ocupado.

A empresa concessionária em vez de pagar a fiscais e a agentes da PSP para os acompanhar pois então que aplique essa verba na aquisição de máquinas adequadas. Ou será que é mais vantajoso o sistema vigente de sacar dinheiro à descarada aos parolos automobilistas como eu e os outros que utilizam o espaço para parquear a sua viatura?

Rui Canas Gaspar
2015-julho-02

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Jovem agredida no mato junto ao Parque de Merendas de São Paulo

Eram perto das onze da manhã deste dia primeiro de julho de 2015 e o carro rolava pela estreita estrada já perto do Parque de Merendas de São Paulo, quando reparo que no mato do lado direito, quase junto à berma, uma jovem mulher aflita de mão estendida pedia socorro, enquanto um homem igualmente jovem me parecia que a tentava ajudar a levantar-se do chão.

Pensei tratar-se de uns caminhantes e que a mulher tivesse caído dado o seu estado de aflição. Travo o carro uns metros à frente, ligo os 4 piscas, preparo de imediato o telemóvel para ligar o 112 e dirijo-me ao casal no sentido de prestar a necessária ajuda.

Verifico que ela tem vestido um colete com a identificação de uma empresa de limpeza e informa-me que é ali que trabalha e que tinha acabado de sair de serviço há pouco.

A moça chorava compulsivamente e pedia socorro, tinha os braços arranhados, já só tinha um sapato e disse que ele lhe estava a bater, lhe dera pontapés e lhe agredira com um ramo grosso.

Apercebendo-me da gravidade da situação de imediato primo o botão do telemóvel e estabeleço a ligação com o 112 descrevendo o local e o acontecimento.

Nem viaturas, nem ninguém a pé por ali passava naquela altura crítica e ao verificar a minha atitude o agressor, praguejando, afasta-se rapidamente na direção do Parque de Merendas de São Paulo, onde teria deixado o seu automóvel.

Os jovens em questão são brasileiros, têm um filho em comum embora não vivam juntos e a jovem tinha sido para ali levada na viatura do presumível agressor, embora não soubesse identificar o local onde se encontrava.

Pouco depois chegou um carro patrulha da PSP e entreguei o assunto à equipa policial que eficientemente tomou conta da ocorrência. Porém, os agentes ao verificarem o estado da moça decidiram levá-la primeiro ao Hospital de São Bernardo.

Um minuto depois cruzava-se comigo uma ambulância do INEM com marcha de socorro assinalada, muito provavelmente chamada a socorrer a vítima.

De facto, a violência e a agressão cada vez mais são como que uma praga e na região de Setúbal as coisas também nem sempre correm bem, embora neste caso, que tive oportunidade de ajudar, o acontecimento tivesse ocorrido entre estrangeiros.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-01

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