notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Chegaram os bárbaros

Hordas de cavaleiros bárbaros vindos dos confins das estepes da Sibéria  desciam velozmente a avenida sem sequer olharem para o Alegro à sua direita. Tudo indiciando que vinham com objetivo bem definido.

Alguns deles pararam apenas no final da avenida olhando para a quinta que se encontrava em frente. A casa estava desabitada, os seus ocupantes tinham fugido quando tiveram notícia que o espaço ia ser invadido. Os bárbaros não perderam tempo e lançaram fogo ao edifício.

As hordas que lhes seguiram arrasaram completamente o que dela restava não deixando qualquer rasto a não ser o mirante.

Pouco tempo depois chegou o chefe dos bárbaros, saltou do cavalo, olhou para a torre e apontando o dedo na sua direção pronunciou a sua sentença: - “Não vale nada, está velho, não a podemos levar para a nossa terra. Deitem aquilo ao chão!”.

Os nativos imploraram que não o fizesse, porém o poderoso chefe olhou-os com ar feroz e virou-se para os seus guerreiros como que confirmando a sentença.

E logo um grupo dos seus seguidores, sem questionar fosse o que fosse decidiram-se a derrubar a tal torre que para o chefe nada valia e que para eles, seus incultos e cegos apaniguados era coisa velha.

A facilidade como os bárbaros tinham invadido aquelas terras prendia-se com acordos secretos que anteriormente tinham estabelecido com os nobres proprietários, prometendo-lhes benesses em troca da ocupação.

Sentia-me cansado, com tantas voltas e reviravoltas na cama até que finalmente acordei.

Mas que raio de sonho tive esta noite! Será que a tal torre ainda lá está e os bárbaros vindos dos confins da Sibéria não passaram de um pesadelo? Claro que está. Os sonhos não derrubam torres, os homens sim, ou será que não vimos ainda há poucos meses, pela televisão, outros bárbaros a derrubarem o vetusto Templo de Palmira, na Síria?

Pode parecer exagero a comparação, mas cá pela nossa terra diz-se que: “tanto ladrão é o que rouba um tostão como aquele que rouba um milhão”.

Vou voltar para a cama. Vá lá que tudo isto não passou de um sonho ruim! Ou será que é um mau presságio?

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-25

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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Visconde d’Outeiro

O Café Esperança ocupava a parte de baixo do hotel com o mesmo nome e era um espaço muito agradável e bem frequentado pelos setubalenses.

Era ali que o jovem Rogério Severino, um rapaz que deveria naquele tempo ter uns 18 anos, se sentava num dos cantos e tomava o seu café, enquanto escrevia as suas habituais crónicas para o jornal O Setubalense.

Naquele tempo, ele tinha escrito um pequeno roteiro sobre o museu da cidade e imprimira-o em stencil na copiadora da Junta Autónoma do Porto de Setúbal, o seu local de trabalho, tendo distribuído depois pelos amigos esta pequena brochura.

O trabalho era assinado por um tal Visconde d’Outeiro, personagem até então desconhecida dos setubalenses.

E porque naqueles tempos ainda não existia o vulgar telemóvel, o elegante espaço dispunha de uma cabine telefónica e, uma simpática funcionária, através da instalação sonora chamava os clientes quando para eles alguém telefonava.

De vez em quando, no amplo espaço, ouvia-se chamar à cabine telefónica o Senhor Visconde d’ Outeiro e logo toda a gente, discreta ou indiscretamente tratava de levantar a cabeça para conhecer tão distinta e importante figura.

Mas, o facto é que nunca ninguém conseguiu ver o cavalheiro, porque quando o mesmo era chamado à cabine telefónica já certamente teria saído do estabelecimento.

O Rogério tinha nascido e residia em Setúbal, no bairro de Troino, mais concretamente na Rua do Outeiro da Saúde e decidiu usar, por brincadeira, o pseudónimo de Visconde d’Outeiro.

Por vezes era ele mesmo que numa cabine pública chamava pelo Visconde, outras era eu que o fazia, numa inofensiva brincadeira própria de gente nova e sempre disponível para a diversão.

Muita gente certamente se interrogou durante bastante tempo, lá pelas bandas do Café Esperança, quem seria o misterioso Visconde d’Outeiro, quando afinal o distinto nobre se encontrava a seu lado, só ou com um  amigo a tomar a bica e a divertir-se à custa da curiosidade dos seus conterrâneos.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-24

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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O fantasma do Hotel Esperança

Já lá vai meio século quando o rapaz de apenas 10 anos de idade fazia a ronda naquela noite pelo interior do Hotel Esperança.

No quarto andar o corredor estava dividido por uma porta que separava a zona de serviço das dos clientes.

Ele ia andando, pelo solitário e silencioso corredor. Olhava frequentemente para trás, porque a informação que circulava entre os empregados do recém-renovado edifício é que haveria por ali algo de esquisito, alguma coisa relacionado com fantasmas.

O rapaz lá ia andando silenciosamente pelo longo corredor, quase borrado de medo, mas tinha de passar pelos postos de controlo onde existia uma chave que acionava o relógio que transportava a tiracolo preso por uma correia e provava a hora que a ronda tinha sido feita.

Tinha deixado o 4º piso para trás, quando já na escada de acesso ao 5º quase ficou sem respiração quando escutou o estrondo de uma porta a bater. E mais forte bateu o seu pequeno coração com o medo que sentiu. Este era o mesmo misterioso som que os colegas mais velhos escutavam também quase todas as noites.

Por isso mesmo, alguns começaram a fazer a ronda armados de pistola, não se fossem deparar com o já infelizmente famoso fantasma do Esperança.

Um dia, alguém conseguiu descobrir o fantasma, quando o apanhou em flagrante.

Afinal tudo não passava de uma porta de separação no 4º piso cuja mola tinha pouca força, levando algum tempo a fechar a porta e no final acionava com força ocasionando aquela situação.

O pequeno Rui Marçal era grumete, tinha entrado ao serviço do hotel com apenas 9 anos de idade e a sua principal missão era entregar as mensagens aos clientes e fazer alguns trabalhos de apoio e nessas atribuições não estavam incluídos os contactos com fantasmas.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-23

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

António Vitorino um resistente comerciante da baixa de Setúbal

Naqueles anos sessenta do passado século XX ainda podíamos encontrar em casas de rés-do-chão  nas ruas da baixa de Setúbal, excelentes artífices exercendo a arte de sapateiro que remendavam o nosso calçado e regra geral colocavam as tradicionais meias solas ou os pregos de aço nas botas de cabedal cru, as conhecidas e temidas cardas.

Lembro-me bem de alguns desses artistas, nomeadamente do “Zé Coxo” trabalhando junto à porta,  ali para os lados de Troino, e do Sarrico na Rua  de S. Sebastião, frente à Rua de João Galo, a tal que normalmente tinha polícia por perto e onde os moços não podiam entrar.

Para abastecer os muitos sapateiros haviam os fornecedores de cabedais, fivelas, atacadores, colas, pomadas e tudo o que demais se relacionasse com esta antiga arte, estou a lembrar-me por exemplo do “Maximino das solas”.

Eram tempos diferentes, tal como a cidade os hábitos e os costumes também o eram. Os sapateiros encontram-se hoje em vias de extinção e consequentemente as casas que os abasteciam irão pelo mesmo caminho. Irão ou foram, porque dou notícia de apenas haver uma em Setúbal, ali bem perto da Praça do Bocage, a conhecida “casa das solas e cabedais” e que nunca chegou a ter nome de batismo.

António Vitorino ainda era rapaz quando para ali foi trabalhar e agora com 78 anos, boa disposição, excelente conversador e ar simpático ainda por lá se mantem depois de 65 anos atrás do balcão a atender os setubalenses que hoje em grande número ainda o procuram.

O seu patrão, o Adelino, também morreu já lá vão 13 anos e o António, que se julga ser o mais antigo comerciante da baixa, ainda em atividade, vaticina que quando for desta para melhor a casa certamente fechará e acabar-se-á este tipo de comércio em Setúbal.

Hoje, 22 de setembro de 2015 tive o grato prazer de conversar um pouco com o António e recordar algumas lojas do nosso comércio local, nomeadamente as sapatarias que exibiam os mais modernos modelos e que têm vindo a fechar, como foi o caso das emblemáticas Sapataria 53 e mais recentemente a Jopibar.

E assim se vai encerrando mais um capítulo da história das antigas casas comerciais setubalenses, restando-nos a sua memória e alguma coisa que vai ficando registada.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-22

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Novo perigo espreita num miradouro da Arrábida

O enorme fluxo de veraneantes que afluem às praias da Arrábida, a quantidade de gente que circula pelas estradas da serra e estaciona nos seus miradouros para apreciar a maravilhosa paisagem, naturalmente pela má formação de alguns, ocasiona que a lata do refrigerante que bebeu, o saco de que se serviu para levar o lanche ou o guardanapo acabem invariavelmente por ir parar ao chão.

É este tipo de pessoas mal formadas, de todas as idades e de todas as nacionalidades, que conspurcam aquilo que se deveria apresentar de imaculada limpeza de forma a melhor ressaltar a natural beleza daquele ímpar espaço.

Para cúmulo desta situação é bom notar que a notória falta de equipamentos de recolha de lixo e a ausência de um serviço permanente de manutenção potenciam aquilo que deveria ser neutralizado logo à nascença, evitando-se a acumulação de detritos.

Por outro lado, já por mais de uma vez chamei a atenção para o miserável estado em que se encontram os pisos dos miradouros no alto da serra, os quais com meia dúzia de barris de alcatrão mudariam radicalmente dando um aspeto mais decente aos espaços, eventualmente desincentivando maus hábitos de alguns indivíduos menos cuidadosos.  

Mas não, nada foi feito para melhorar a imagem da Arrábida. Mais um ano se passou e certamente outra época balnear virá sem nada se fazer a não ser propagandear a marca, só não se vendendo gato por lebre devido à beleza natural daquele espaço.

Este fim-de-semana verifiquei que as coisas vão de mal a pior e um dos miradouros, aquele mais perto do “conventinho”, encontra-se com o muro de proteção danificado, provavelmente devido ao embate de uma qualquer viatura, necessitando de intervenção urgente, ao nível do trabalho de pedreiro.

Por outro lado, mais uma vez, terá de ser o voluntariado formado por pessoas generosas, responsáveis e de boa vontade que irão ter de fazer o trabalho de apanhar toneladas de lixo que outros indivíduos abandonaram na serra, e isso irá acontecer no sábado dia 26 deste mês de setembro e todos os que puderem e desejarem serão bem vindos.

Entretanto o alerta fica feito ao Parque Natural da Arrábida para a situação dos miradouros, com particular foco no que está agora danificado e que poderá constituir um perigo para quem ali possa ir apreciar a paisagem, especialmente para as crianças.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-21

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domingo, 20 de setembro de 2015

O último barco está prestes a partir dos estaleiros da Praia da Saúde

Agora parece que é mesmo de vez!

O “Ponta do Verde” vai deixar o estaleiro da Praia da Saúde, tornando-se assim no último barco a ser intervencionado pelos carpinteiros navais, pelos calafates e pelos pintores naquele histórico local por onde passaram milhares de embarcações para serem reparadas ou construídas de raiz ao longo de dezenas de anos.

Está quase tudo a postos para o bota-abaixo. Na casinha de apoio ao estaleiro a bobine de cabo de aço já se encontra oleada e ligada às roldanas do carrinho devidamente fixado com novos e brilhantes cerra-cabos.

O carro assente sobre carris onde o barco se encontra, já viu as suas enferrujadas rodas de ferro serem oleadas para melhor deslizar no curto trajeto que o separa das transparentes águas do nosso Sado.

Após a saída do “Ponta do Verde” será a limpeza do local, com a remoção dos restantes carris, do betão enterrado na areia e a demolição da casinha de apoio, ao que se seguirá as antigas instalações da SADONAVAL.

Com todo o espaço limpo e amplo a Praia da Saúde ficará com uma ainda melhor apresentação, tal como o acesso ao PUA ficará mais desafogado.

Depois, bem depois…  é esperar que Vitor Caldeirinha, o dinâmico presidente do Conselho de Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, consiga levar de vencida a pretensão de encher com areia do fundo do rio as praias entre a da Saúde e a da Comenda para ficarmos com uma zona balnear invejável.

A construção do edifício de apoio náutico, designado por “Terminal 7” bem como um novo pontão de atracagem serão a cereja em cima do bolo que darão por terminada a devolução do Sado à nossa amada cidade de Setúbal.

O tempo das fábricas de conservas, dos barcos de pesca da sardinha, ou da construção naval em madeira, características de outros tempos da cidade de Setúbal, não passarão de gratas recordações nas cabeças de cabelos brancos daqueles antigos meninos que as vivenciaram.

Hoje vivemos outros tempos, novas realidades, que não são melhores nem piores, são tempos diferentes e, quer queiramos quer não, o tempo não volta para trás, pelo que se queremos viver melhor nesta cidade que todos os dias se modifica, teremos de ter presente esta realidade.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-20

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sábado, 19 de setembro de 2015

Setúbal está mais cosmopolita

Ontem, 18 de setembro deste ano de 2015, passei pela Praça do Bocage e surpreendi-me com a quantidade de gente que falava outra língua que não a minha.

Eram turistas de língua francesa, castelhana e inglesa aqueles que mais escutei, enquanto isso numa recreação de mercado árabe, onde se comercializavam chás, especiarias, roupas, cabedais, perfumes, frutos secos e uma infinidade de outras coisas que normalmente encontramos pelo norte de África, escutava-se o linguajar dessas quentes paragens, o árabe.

No meu trajeto parei junto à “praça” o já mundialmente famoso Mercado do Livramento e vejo parar um autocarro de turismo de onde sairiam um grupo de turistas franceses e também eles lá se dirigiram para a Praça do Bocage.

Quase a chegar a casa, deparo-me com várias pessoas de porte atlético, falando castelhano. Deslocavam-se em cadeira de rodas. Notei que levavam uma raquete às costas, tratavam-se de atletas que estão em Setúbal a disputar o campeonato mundial de ténis em cadeira de rodas, ou seja o II Open Baía de Setúbal.

De facto esta cidade está a tornar-se de dia para dia mais cosmopolita e a sua beleza não passa despercebida a quem por aqui passa, nem àqueles que continuam a apostar no seu desenvolvimento.

Reparei também no cartaz que se encontra na obra em desenvolvimento, junto ao Largo da Ribeira Velha e ali consegui ler que aquele amplo espaço está destinado a um hostel, restaurante e serviços, sendo o tempo de duração da obra de seis meses. Quer isto dizer que no próximo ano a baixa estará mais animada, com mais gente que para ali se deslocará.

E em matéria de hostel, parece que as coisas não ficarão por aqui, é que um outro grande edifício no parte sul/nascente da Avenida Luísa Todi está com profundas obras em curso e ao que tudo indica o seu destino final será o mesmo.

Bem precisamos de alojamento para os turistas que cada vez em maior número demandam estas paragens, não esquecendo que muitos mais virão no próximo ano em que Setúbal será “cidade europeia do desporto”.

É claro que estou em crer que a Autarquia está atenta a este fenómeno e como tal acompanhará naquilo que lhe disser respeito, quer ao nível do embelezamento dos espaços públicos, da segurança e da necessária higiene da cidade.

Quanto ao resto, deixemos aos cuidados dos comerciantes, proprietários e setubalenses em geral, porque estes como é sabido são pessoas que sabem e gostam de acolher muito bem quem nos visita.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-19

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Com a verdade me enganas


Nem tudo o que vemos publicado pela comunicação social é verdadeiro e devemos procurar informarmo-nos o melhor possível para não fazermos juízos errados ou formarmos opiniões erróneas sobre assuntos para os quais estamos a ser direta ou indiretamente induzidos em erro.

Por exemplo: Se eu vos disser que a foto ilustrativa deste texto, captada por mim mesmo, não foi manipulada e mostra-nos uma triste realidade que é uma das principais praias portuguesas, em Albufeira, no Algarve, no Verão, com apenas 3 pessoas e com todo o espaço disponível de espreguiçadeiras, poderemos facilmente concluir que o Algarve está “às moscas”.

Uma imagem vale mais que mil palavras e fui eu mesmo que fotografei, como tal isto é verdade. Que pena!...

E assim com a minha verdade se mais nada acrescentasse e se não tivéssemos outras fontes de informação ficaríamos com uma ideia absolutamente errada da realidade.

É que mesmo em meados de setembro poderíamos ver os hotéis daquela famosa zona balnear muito perto dos 100% ou seja, Albufeira estava a abarrotar de turistas nacionais e estrangeiros, curiosamente com uma elevada percentagem de franceses.

Então porque motivo a foto se apresenta assim quase sem ninguém embora estivesse um dia bonito? É simples, eu fotografei a praia perto das 09,00 horas e para quem está de férias no Algarve essa é uma hora bastante cedo porque geralmente  as pessoas deitam-se mais tarde, daí o resultado da imagem que vos apresento.

Tem esta crónica a finalidade de chamar a atenção dos meus leitores para o facto de não podermos aceitar de ânimo leve tudo o que nos mostram os meios de comunicação social e devemos questionar porque isso nem sempre é mau.

E assim como acontece com esta imagem o mesmo acontece com tantas outras que diariamente nos entram porta adentro, por isso temos de ter cuidado com aquilo que nos querem “impingir”, porque já dizia a minha sábia avozinha: “com a verdade me enganas”!

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-17

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Acaba de ser colocada uma placa perigosa na via pública

Acabo de observar que foi hoje colocada uma placa metálica junto à nova rotunda da Praça Vitória Futebol Clube.

Presumo que a mesma se destine a nela ser colocada qualquer tipo de informação, provavelmente o nome daquela praça, embora a poucos metros de distância se possa observar uma outra, em betão, com essa finalidade.

Independentemente da finalidade a que se destina a nova placa, não me parece que tenha havido o devido cuidado com a implantação da mesma, porquanto embora ela esteja em cima do passeio o topo da placa encontra-se a pouco mais de 10 centímetros da via e praticamente em cima da curva.

Não é preciso ser adivinho para antecipar que num destes dias, se aquilo não for mudado de lugar,  um qualquer automobilista ficará sem o espelho lateral, ou pior do que isso, um motociclista irá parar ao hospital e, já hoje, vi o primeiro a fazer uma rasante.

Não sei o que se passa, mas será que quem manda fazer estas coisas não consegue antever este tipo de situação?

Estamos a gastar dinheiro partindo do pressuposto que o estamos a fazer para melhorar não só a fluidez do tráfego mas também e sobretudo a segurança do mesmo, depois, bem depois, aparecem-nos  este tipo de situação exatamente oposta àquilo que pretendemos.

Os Serviços Camarários a partir de agora estão alertados para o perigo que acabam de colocar na via pública pelo que sugiro que um “expert” do trânsito passe por lá e se assim o entender mande recuar a plaquinha antes que aquilo dê barraca, como dizia um vitoriano quando me viu a fotografar a dita cuja.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-10

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Serão as ratazanas de Setúbal os nossos animais de estimação?

Quem teve a oportunidade de viajar  um pouco certamente encontrou  por essas cidades fora as mais diferentes realidades, algumas bem curiosas, relacionadas com o mundo animal.

Desde os simpáticos esquilos, aos enormes bandos de pombos, passando pelos barulhentos patos, ou pelas enormes colónias de coelhos em plena avenida e isto para não falar nas vacas sagradas na India ou dos bonitos “bâmbis” que invadem algumas artérias japonesas.

Tudo isto está à vista dos turistas um pouco por todo o mundo. Em Portugal, mais concretamente em Setúbal, também temos de à algum tempo a esta parte a nossa atração turística relacionada com o mundo animal.  Não estou a falar dos bandos de pombos com colónias por todo o lado, dos gatos do P.U.A. ou do Miradouro de S. Sabastião, nem sequer das raposas da Arrábida ou dos javalis que quando lhe dão na real gana vem passear-se pela Avenida Luísa Todi.

Estou a falar em enormes e bem nutridas ratazanas, algumas do tamanho de coelhos, que se passeiam pelas ruas da nossa baixa não só à noite mas em plena luz do dia e que até já são alvo das objetivas dos turistas. Se alguém disso tiver duvidas basta passar algum tempo ali pelas ruas traseiras do “prédio do leão” e terá oportunidade de constatar esta nova atração turística.

Podemos pensar que aquela é uma zona semidesértica da cidade, mas não é! E, curiosamente por ali habitam muitas crianças. Também não é uma zona de prédios abandonados, muitos deles têm vindo a ser recuperados e os próprios moradores e proprietários têm vindo a proceder a obras de melhoramento.

Alguns moradores da zona têm colocado pastilhas venenosas para combater os roedores, porém a situação carece de uma solução de maior profundidade e essa só pode e deve ser desencadeada pelas competentes autoridades sanitárias.

Dado que o assunto é do domínio público e porque de vez em quando temos a mania de copiar o que se faz “lá fora” será que também estamos agora a copiar a atração que é ter uma boa colónia de animais de estimação, neste caso as ratazanas?

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-09

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

FORTE DE SÃO FILIPE, EM SETÚBAL

Mais meia centena de visitantes que se livraram de bater com o nariz no portão

Depois de ler o “Coisas de Setúbal” aquela professora, responsável pela área de projeto da sua escola, chegou à conclusão que provavelmente não poderia trazer a meia centena de meninos até ao Forte de São Filipe, em Setúbal, para uma visita de estudo.

Telefonou-me a perguntar se era verdade ou não que o forte não estava acessível a visitas.  Depois de lhe ter confirmado e porque ela não conhecia Setúbal acedi ao convite de lhe sugerir um programa alternativo para as suas crianças.

Atrevi-me a propor-lhe que pudesse visitar o Museu do Trabalho, onde as crianças poderiam aprender sobre a indústria conserveira e vivenciar o trabalho daqueles homens e mulheres que trabalharam na fábrica. Depois desceriam até à Praça do Bocage para aprenderem mais sobre esse grande poeta setubalense e finalmente dirigir-se-iam para o Parque Urbano de Albarquel onde fariam um piquenique.

Enquanto ia falando, do outro lado da linha a professora seguia através da internet o programa que eu lhe ia delineando e mostrava-se visivelmente satisfeita. E, como já tinha autocarro cedido pela sua autarquia para transporte dos alunos e porque o programa que lhe estava a sugerir era isento de custos mais satisfeita ficou.

Eu também fiquei satisfeito por ter sido útil e, sobretudo, por ter evitado que meia centena de crianças e professores vindos de outra localidade até Setúbal, batessem com o nariz no portão do nosso Forte de São Filipe.

Curiosamente, continuamos a constatar que não existe qualquer aviso nem no início da estrada de acesso nem no próprio portão do forte a informar os turistas nacionais e estrangeiros para o facto daquele monumento estar encerrado.

Considero este facto uma falta de respeito pelos visitantes e uma situação nada abonatória para o turismo local, pelo que me atrevo a solicitar a um qualquer partido político, candidato às próximas eleições, que reserve uns trocados para imprimir um cartaz que logo no início da estrada de acesso informe que não vale a pena ir até lá acima visitar o “castelo” porque o mesmo está encerrado.

Quando se gasta tanto dinheiro em material de propaganda, penso que um cartaz não deve fazer grande mossa no orçamento e daria muito jeito a muito boa gente que diariamente perde o seu tempo ingloriamente. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-07

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sábado, 5 de setembro de 2015

Bom fim de semana a partir da cidade do rio azul

Com ar sorridente, simpático e de certo modo cúmplice o jovem jornalista a determinada altura da nossa conversa perguntou-me:  “ - Então o Sr. Rui Canas não quer confidenciar algum caso mais escandaloso que tenha conhecimento? – Não, não conheço nada de especial, retorqui com ar sorridente.

Naqueles anos 80 eu era diretor de uma empresa de construção de média dimensão em Faro. A empresa vendera ao presidente da Câmara um apartamento daqueles mais de uma centena que estávamos a construir e, mantinha uma relação de proximidade com o autarca e sua família, até porque eu também tinha apartamento no mesmo edifício.

De certo modo chocou-me a pergunta, embora o jornalista acrescentasse de seguida: - Sabe? É que esta é a melhor forma de vender jornais. Quanto mais escândalo melhor.

Infelizmente esta é uma forma de pensar de muito boa gente e que continua a fazer escola nalguns meios de comunicação social. Pessoalmente discordo! Acho que se pode ter audiência sem que se tenha de denegrir a imagem seja de quem for, tentando ser honesto, imparcial, claro e objetivo e como costumo dizer: dando o beijinho e dizendo sim, ou dando o acoite no rabo e dizendo não.

Mais uma vez temos eleições à porta e se eu optar comodamente pela abstenção, poderei estar indiretamente a escolher aquilo que não quero, porque os que votam escolherão por mim.

Por isso, vou estar atento ao que os candidatos dizem, a quem são eles, quais os seus percursos de vida e o que preconizam e depois em consciência, livre e democraticamente colocarei o meu papelinho na urna como sempre o fiz desde que a revolução de 25 de abril de 1974 tal me permitiu.

A imagem do tal jornalista nunca mais me saiu da cabeça nem a sua postura perante a informação e isto para mim serviu também de lição, não quanto mais escândalo melhor, mas sim quanto menos escândalo melhor e, por isso, procuro divulgar, opinar, partilhar e tentar fazer o melhor por Setúbal, minha terra, dos meus antepassados e dos meus descendentes.

Gostaria que todos fossemos mais participativos, mais intervenientes, mais informados, pois desta forma seríamos naturalmente mais livres, sabendo-se que um povo livre pode escolher o seu futuro e nesse caso não haverão amarras que o possa suster.

Que saibamos todos dar o nosso melhor, dentro das nossas possibilidades, dons e talentos, pela nossa amada terra, participando ativamente, agora que temos essa possibilidade para o fazer, dada de entre outros, pelas redes sociais.

Para todos os amigos naturais ou virtuais, de qualquer raça ou religião, independente do ponto do mundo onde se encontrem, desejo que tenham um excelente fim-de-semana, de preferência em liberdade.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-05

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Depois das “Noivas de Santo António” o que está agora na moda são as “Noivas do Rio Azul”

Diz-se que Setúbal está na moda e diz-se muito bem, eu porém acho que a nossa cidade em particular e a nossa região de uma forma geral nunca deixaram de o estar, a não ser por parte daqueles mais distraídos que não reparam nas suas belezas.

Mas o que talvez comece agora a estar a despertar mais atenção é o nosso rio azul e a sua famosa e linda “baía dos golfinhos” onde as empresas marítimo-turísticas levam os visitantes a apreciar as suas maravilhas e sobretudo a observar a graça dos nossos roazes.

Para além de vermos diariamente no Sado o catamarã repleto de turistas e as restantes embarcações de turismo fluvial repletas de gente que desfruta dos encantos do Sado, temos agora conhecimento de que a nossa baía está também a ser procurada por noivos que aí querem fazer a sua festa de casamento.

Não são as “Noivas de Santo António” mas sim as “Noivas do Rio Azul” aquelas jovens que agora estão a optar por este tipo de programa de beleza ímpar a bordo de um barco que transportou as mais diferentes celebridades e que agora mais do que nunca se apresente decorado de forma requintada e simultaneamente sóbria.

E é assim que todos os fins-de-semana deste mês de setembro vamos ver o histórico barco EVORA repleto de pessoas elegantemente vestidas que acompanharão os noivos em três diferentes casamentos com boda celebrada a bordo.

Igualmente este barco sairá já no domingo dia 6 com outro cruzeiro temático, com almoço a bordo.

Se a bela Setúbal está na moda o seu não menos amado Sado também não deixa de o estar e este é o casamento perfeito que também desejamos às “Noivas do Rio Azul”

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-03

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Mais uma rara jóia recuperada em Setúbal

Setúbal é uma dinâmica cidade que se encontra em constante mutação, embora por vezes quem por cá resida não se aperceba das mudanças que vão ocorrendo todos os dias nesta bela cidade.

Reparamos nas diversas casas comerciais, especialmente na baixa da cidade, que vão fechando, nem sempre notamos as que vão abrindo nos espaços outrora ocupados por conhecidas lojas de fazendas e calçado, as que mais por ali existiam.

As novas unidades comerciais que vão abrindo estão mais viradas para o turismo e para o lazer, dado ser este o novo potencial cliente daquele espaço.

Exemplo do que acabo de afirmar é a colocação que foi feita hoje de tapumes, num amplo espaço entre a Rua Serpa Pinto e o Largo da Ribeira Velha, onde irá nascer um novo estabelecimento hoteleiro que certamente muito movimento irá dar à baixa.

Lurdes Pólvora Cruz, membro do grupo do fecebook “Coisas de Setúbal”, é uma conceituada artista nascida na cidade do Sado que iniciou o caminho da arte em Caracas na Venezuela.

Trata-se de uma pintora que ao longo de vários anos foi enriquecendo o seu curriculum com imensas exposições individuais e coletivas que lhe valeram as mais variadas distinções e prémios.

E foi ela que negociou com a proprietária do edifício onde até há pouco funcionou a sede do Clube de Amadores de Pesca de Setúbal adquirindo o imóvel, recuperando-o e adaptando-o a um soberbo espaço onde irá aparecer um lindo salão de chá, um atelier de pintura e um espaço polivalente para os mais diferentes eventos culturais.

Curiosamente este edifício esteve quase a ser adquirido por outra pessoa que se propunha transformar o interior escondendo os lindos relevos com que o seu salão de entrada está decorado, colocando um teto falso a tapar a obra de arte.
Foi exatamente o contrário que aconteceu com a nova proprietária. Lurdes Pólvora, com o seu enorme talento tratou de recuperar brilhantemente aquele magnífico teto e paredes dotando a cidade de Setúbal de um espaço único que ficará à disposição da população dentro de dias, mais concretamente em meados deste mês de setembro de 2015.

Enquanto uns não têm a menor sensibilidade e respeito pelo património edificado, destruindo a memória coletiva, outros setubalenses há que o valorizam como é o caso em apreço e que só por isso merece a nossa admiração e respeito.

Mas porque este novo tipo de investidor também necessita de ter dinheiro para as contas correntes, é da mais elementar justiça que aqui se peça a todos os verdadeiros setubalenses que dentro de dias possam passar pelo novo espaço, não somente para o apreciarem, mas também para tomar alguma coisa, quente ou fresca, uma forma de dizer obrigado a quem nos proporciona tal beleza e livrou a cidade de ver desaparecer mais uma das suas raras jóias.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-03

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Prefiro o “Follow Me” ao “Ask Me”, mas isto é apenas gosto pessoal

“Ask Me Arrábida” é a designação do novo espaço da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa que funciona em Setúbal no edifício anteriormente utilizado como posto de turismo na Travessa Frei Gaspar.

Este espaço destina-se a promover e dinamizar o destino Arrábida, estando focado em várias vertentes, nomeadamente na  de informação turística e na comercialização de produtos regionais, com especial destaque para os vinhos, sem esquecer a doçaria, o artesanato e os peluches inspirados na vida marinha.

“Ask Me Arrábida” para os falantes da língua de William Shakespeare melhor nos poderem entender ou, “Pergunte-me Arrábida” na língua de Luís Camões que, se calhar, cada vez entendemos menos, deixa-me apreensivo não pela valia do projeto em si mas por focar um espaço que me é tão caro e tão pouco cuidado, a Serra da Arrábida.

Acho, e isto é apenas um “achismo” que primeiramente se deveria tratar de colocar o produto em condições de o comercializar  e só depois proceder à sua promoção e venda, sob pena de se assim o não fizermos estarmos a defraudar eventuais espectativas.

Precisando um pouco mais o meu ponto de vista e sobre o que deveria ser feito antes do “Ask Me” (pergunte-me) que para mim seria bem mais interessante o “Follow Me” (siga-me).

Sim, siga-me e descubra os encantos desta magnífica região, percorrendo a pé os trilhos da serra (inexistentes) ou fazendo-o de BTT por carreiros demarcados (inexistente). Pare para apreciar nos poucos miradouros as paisagens deslumbrantes (piso todo esburacado) e, se lhe der uma dor de barriga não se vá aliviar atrás de uma qualquer moita, utilize os sanitários  móveis que se encontram junto a esses miradouros (utopia).

Visite o conventinho,  essa joia arquitetónica (fechado, propriedade privada) e se gosta de história natural vá até ao Museu Oceanográfico (cuidado com o horário…). A história militar é fabulosa, mas no parque os fortes estão ao abandono e entregues ao vandalismo.

Vestígios de antigas construções poderão ser observadas um pouco por todo o vasto espaço, pena é que não estejam identificadas e cuidadas, como, por exemplo, aquele forno para as bandas de Alpertuche que pessoalmente considero como sendo o berço do Parque Natural da Arrábida.

É melhor ficar por aqui…

Ask Me, pode ser bonito mas acho curto, preferia o Follow Me, o siga-me e vá ao encontro de um espaço maravilhoso e único que não se descobre, mas que se vai descobrindo.

Rui Canas Gaspar
2015-agosto-28

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O Presidente da República esteve hoje a bordo do 
barco EVORA

Na tarde de quinta-feira, 27 de agosto de 2015, fomos encontrar o Presidente da República, em Setúbal, a bordo do EVORA, caminhando com ar distinto e pensativo pelo tombadilho deste vetusto barco.
Por toda a embarcação podíamos observar quase três dezenas de pessoas do seu staff e, no cais nº 1, víamos algumas carrinhas com muito equipamento de apoio.
Diversas pessoas observavam curiosas a intensa atividade que decorria a bordo, com gente atarefada que não parava de entrar e sair, embora os mirones não soubessem concretamente quem estava a bordo e qual o motivo de toda esta azáfama.
De facto, não era o Presidente Cavaco Silva que vinha com um dia de antecedência marcar lugar para a noite de fados no Sado com o fadista António Pinto Basto, que amanhã terá lugar a bordo e com lotação já esgotada.
Este presidente mais não era que Cid Filipe o artista que estava devidamente caracterizado de forma a assemelhar-se ao falecido Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, eleito na sessão do Congresso de 6 de agosto de 1923 e que resignou ao mandato em 11 de dezembro de 1925.
A longa metragem focando aspetos pouco conhecidos da nossa História recente está a ser rodada também a bordo do histórico barco, focando a vida e obra deste nosso falecido Presidente da República.
A película sobre este distinto homem, natural de Portimão e que morreu na Argélia depois de lá ter vivido os seus últimos dez anos, tem como realizador Paulo Filipe Monteiro e deverá ser apresentada nas salas de cinema no próximo ano de 2016.
Mais uma vez o charmoso barco EVORA interpreta um papel importante na vida e na História de Portugal, recreando as nossas memórias coletivas.
Rui Canas Gaspar
2015-agosto-27
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sábado, 22 de agosto de 2015

O segredo dos monges da Arrábida

Conta-se que os antigos monges arrábidos, para além das suas vidas de recolhimento e oração em pleno coração da Serra da Arrábida, se dedicaram também ao fabrico de um licor cuja fórmula desenvolveram e a teriam mantido secreta por muitos e longos anos.

E porque tudo o que envolva secretismo se tornará mais delicioso e procurado, uma empresa vinícola da Quinta do Anjo – Palmela decidiu um dia fabricar o tal licor dando-lhe o sugestivo nome de ARRABIDINE e publicitando que o mesmo seria fabricado segundo a fórmula secreta dos velhos monges da Arrábida.

A bebida foi um sucesso de vendas e muitas pessoas trataram até de colecionar as características garrafas do delicioso licor.

Quando o Outono chegava, grupos de pessoas embrenhavam-se pelas matas da Arrábida em busca da matéria-prima, que a natureza generosamente dispensava e que seria o ingrediente principal do tal licor.

Chamavam-lhes martunhos e podiam ser brancas ou negras as pequenas bagas selvagens, agridoces, que pacientemente colhiam das verdejantes moitas.

Quando eu era menino, conjuntamente com outros rapazes do nosso Bairro de Troino, subíamos até ao alto do Bairro dos Pescadores e ali para as bandas do Hotel do Sado, embrenhávamo-nos na Mata do Vidal e ali colhíamos os medronhos e os martunhos selvagens com que nos deliciávamos.

Atualmente não vejo com tanta frequência esta planta pela nossa Arrábida, porem alguém, provavelmente um arquiteto paisagista da nossa terra, teve o bom senso e a sabedoria para fazer descer a Arrábida à cidade e tratou de mandar plantar nos novos jardins, alguns arbustos selvagens da nossa serra.

E é assim que vamos encontrar em alguns espaços verdes da nossa cidade  o viçoso alecrim, o bem cheiroso rosmaninho, os bonitos folhados e até, imagine-se a matéria-prima do ARRABIDINE, os martunhos.

A Arrábida é um local ímpar, muito mais interessante do que aquilo que normalmente estamos habituados a observar, como sejam as suas praias e os seus miradouros da serra.

Para que possa desfrutar de muito mais que aquele belo espaço tem para lhe oferecer sugiro que possa ler o livro ARRÁBIDA DESCONHECIDA, à venda nas livrarias da baixa da cidade de Setúbal, na Casa da Baía e na loja Coisas de Setúbal.

Se desejar saber mais poderá consultar a página:    www.livrosdorui.blogspot.com

Rui Canas Gaspar
2015-agosto-22

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