notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A sabedoria da idosa senhora setubalense

Final da tarde, o sol já vai encadeando os automobilistas que se deslocam pela Avenida Luísa Todi, no sentido nascente/poente, quando reparo numa idosa completamente trajada de preto, colhendo negros martunhos nos tufos que se encontram a decorar o canteiro.

E porque levava também alguns raminhos com os frutos agarrados dirigi-me à senhora para a questionar sobre o porquê da sua colheita e que utilidade iria dar aos raminhos.

Curiosamente reconheceu-me e tratando-me pelo meu nome explicou que iria fazer aguardente de martunho e que todos os dias ali outras pessoas iam colher as pequenas bagas.

Esta é a matéria-prima com que, segundo a tradição, os monges da Arrábida faziam um licor que se diz ter uma fórmula secreta e que nos nossos dias o vemos comercializado com a designação de Arrabidine.

Numa garrafa, a velha senhora irá juntar a mesma quantidade destes frutos silvestres com idêntica quantidade de aguardente, adicionará algum açúcar e juntará um pouco de canela, provavelmente dois ou três pauzinhos desta especiaria.

Depois deixará ficar engarrafado alguns meses e mais tarde servirá aos seus filhos, sim, porque a velha senhora confeciona esta antiga especialidade, mas não bebe.

Depois de ter visto alguém a colher as azeitonas das muitas oliveiras dispersas pela cidade, e que serão destinadas a deliciosa conserva, uns meses antes tinha visto também pessoas a apanhar as folhas e flores das muitas dezenas de agradáveis e bem cheirosas tílias que nos proporcionam uma agradável infusão, é agora o momento da colheita dos martunhos, dos negros pois claro, porque os brancos ainda estão com a maturação atrasada.

E assim se pode juntar o útil ao agradável, não deixando desperdiçar o que podemos aproveitar, sobretudo por aqueles que mais necessidade têm e cuja sabedoria lhes permite tirar o melhor partido do que a natureza e a cidade lhes oferece.

E porque Setúbal já foi terra de grandes laranjais, porque não plantar também pelos parques da cidade algumas destas árvores? Quanto aos frutos? Não faria mal a ninguém que quem os quisesse colhesse, porque sempre é preferível alguém usufruir para alívio da sua carteira do que plantar arvores que não produzem coisa nenhuma. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-08

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sábado, 3 de outubro de 2015

Feirinhas setubalenses com produtos a preços da uva mijona

Hoje, pela primeira vez fui dar uma olhadela à “Feira da Bagageira” um novo tipo de evento que se realiza no Largo José Afonso e onde podemos ver viaturas automóveis, devidamente parqueadas, com a tampa da bagageira aberta e no seu interior uma infinidade de objetos diversos para vender.

Cada um desses pontos de venda é apoiado por uma pequena banca, ou simplesmente a mercadoria é exposta no chão, frente à bagageira.

Curiosamente, ali vi muita gente a fazer compras de peças novas ou usadas a preços verdadeiramente irrisórios.

Não sei o que aquele homem teria comprado, ele não era de Setúbal, e porque falava ao telemóvel um pouco alto deu para perceber que estaria eufórico a dar a notícia de que teria adquirido uma peça baratíssima e que era de suma importância para ele. Dizia o homem que já tinha ganho o dia e que dera por bem empregue a sua vinda a Setúbal.

E porque ao final da tarde começou a refrescar, foi boa altura para algumas senhoras adquirirem, e logo ali vestirem, os casacos que poderiam ser comprados a 3 euros a unidade e, se eram usados ou não o facto é que estavam com muito bom aspeto.

Um pouco mais à frente, a poucas centenas de metros para nascente, na placa central da Avenida Luísa Todi, esteve também a funcionar durante todo o dia a tradicional “Feira de Velharias” sempre muito concorrida e onde se vende igualmente de tudo um pouco.

Fiquei a pensar se não seriam velharias a mais, se haveria clientela para tanto vendedor. Não sei, se calhar até há, caso contrário eles não iriam para ali perder tempo.

O facto é que estes simpáticos locais já se tornaram ponto de encontro de muito boa gente, uns só  para ver, outros para aproveitarem oportunidades de negócio. E de facto não deixa de ser  um gosto ver tantos setubalenses entretidos com estas feirinhas que por aqui se vão fazendo, com produtos a serem comercializados ao preço da uva mijona.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-03

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Os setubalenses tal como os restantes portugueses vão a votos

No dia 28 de outubro de 1973 acompanhei a minha jovem namorada às antigas instalações do Convento de Santa Teresa da Ordem de Santo Agostinho, onde atualmente se encontram as instalações da Polícia Judiciária, no topo nascente da Praça General Luís Domingues, em Setúbal.

Entramos numa sala onde três homens com ar solene olharam com ar inquisidor para o barbudo jovem acompanhante , enquanto ela se dirigia à mesa para depositar na urna o impresso de voto que teria recebido em casa.

Como professora do ensino oficial ela recebera o impresso de voto e eu, chegado há pouco da Guiné, onde cumprira serviço militar obrigatório, olhava para aquela votação faz-de-conta com certa vontade de rir.

De facto, as eleições legislativas de 1973 deram a vitória absoluta com 100% dos deputados “eleitos” à Ação Nacional Popular (afeta ao regime) enquanto o Movimento Democrático (PCP+PS) desistiram considerando não haver condições para a realização de eleições livres. Convém dizer que houve ZERO votos em branco e ZERO votos nulos num universo de 1 393 294 votantes na ANP…

Porque tinha estado nos últimos dois anos no centro cripto do Quartel General da Guiné em contacto direto com material classificado e porque aqui chegado comecei a receber em casa, uns panfletos que anónimos me enviavam dando conta da ação de movimentos revolucionários em Portugal, apercebia-me que a mudança estaria para breve.

Poucos meses depois deu-se a revolução de 25 de abril de 1974 e com ela, as primeiras eleições verdadeiramente livres ocorridas precisamente um ano depois deste acontecimento.

Eu era um jovem técnico de construção civil e servia voluntariamente como chefe de escuteiros. Senti-me honrado ao ter recebido a notificação para integrar uma mesa de voto nessas primeiras eleições verdadeiramente livres, sem pertencer a qualquer partido político.

As pessoas formavam longas filas para votar, filas que já eram visíveis antes da hora da abertura das urnas na maior votação de sempre que elegeria os 250 deputados da Assembleia Constituinte.

Desde essa data até hoje foram muitas e diversas as vezes que fomos chamados a votar e sempre lá compareci, depositando o meu voto no partido ou na pessoa que em consciência entendi que melhor serviria os interesses do nosso povo.

Provavelmente nem sempre fiz a melhor escolha, mas entendo que não escolher seria pior pois entregaria a minha decisão nas mãos de terceiros, tendo então tomado consciência depois de tudo o que já vi e vivi que mais vale uma má democracia do que uma boa ditadura, por isso mesmo eu irei votar no domingo.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-02

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Quem conheceu o famoso Restaurante Naval Setubalense ?

Embora Setúbal disponha, sem dúvida, de muitos e bons restaurantes, o facto é que não me parece que tenha um restaurante de referência internacional como o foi, por exemplo, o “Restaurante Naval Setubalense” que aqui laborou até à década de 70.

Neste local de culto gastronómico degustaram as melhores iguarias reis e príncipes de visita à nossa cidade.

E nesse tempo em que as carnes eram o que mais se servia nos restaurantes, para além delas, o Naval colocava à disposição dos mais exigentes clientes o delicioso linguado grelhado na chapa, bem como o salmonete à setubalense, uma inovação nascida ali, pela mão do “Chico” o mestre cozinheiro.

Provavelmente um dos motivos para que os alimentos ficassem tão saborosos fosse não só a arte e talento dos seus cozinheiros mas também o facto dos mesmos serem cozinhados num enorme fogão a lenha com 4 metros de comprimento por 2,5 de largura.

Laureano Rocha Lourenço, nascido em 1916, ali começou a trabalhar em 1925 quando tinha apenas 9 anos, viria a ser um dos donos do estabelecimento.

Este industrial da restauração, que também foi um talentoso  ator amador e músico foi agraciado com a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal (cultura) em 1989.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-30

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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Adeus “Ponta do Verde”

Ainda ontem saiu dali e já hoje senti saudades de lá o ver. Vamos lá nós perceber a mente humana?...

Passados poucos dias de termos anunciado que o “Ponta do Verde” estava prestes a deixar o antigo estaleiro da Praia da Saúde, chegou o momento de mostrar aqui a primeira imagem do local onde nos habituamos a vê-lo ao longo de muitos anos, agora já sem a sua presença.

Este foi o último barco construído em madeira a ser reparado neste espaço de tantas e gratas memórias de muitos setubalenses, particularmente daqueles que nasceram e residiram na zona poente da cidade.

O “Ponta do Verde” deixou a Praia da Saúde, ontem, 28 de setembro de 2015, uma data que ficará para a história desta cidade, porquanto com esta ação é dada por terminada a atividade de construção e reparação naval num espaço que ao longo de quase um século viu serem reparados e construídas milhares de embarcações de todo o tipo.

O espaço poente da Praia da Saúde, ocupado pela embarcação e seus apoios, será agora limpo e depois de derrubadas as antigas instalações fabris da SADONAVAL será concluída a ligação entre o Parque Urbano de Albarquel e a Praia da Saúde, ficando toda a zona ribeirinha devolvida à cidade.

E para completar todo este projeto será depois construído um novo edifício de apoio às atividades náuticas, designado por “Terminal 7”.

A cereja em cima do bolo virá quando as instalações do Forte de Albarquel forem recuperadas e ligadas por passadiço ao PUA, graças à generosidade da fundação Buehler-Brockhaus que oportunamente anunciou que suportaria a despesa.

E, se ainda andarmos por cá alguns aninhos, teremos certamente a oportunidade de apreciar uma longa praia de areias brancas que vinda desde a Comenda entrará na cada vez mais linda cidade de Setúbal, cidade cada vez mais visitada por portugueses e estrangeiros.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-09

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sábado, 26 de setembro de 2015

Será esta a próxima demolição em Setúbal?

Vamos então partir do princípio que acreditamos que nada havia sido previamente combinado no sentido de livrar a Quinta da Azeda da incómoda velha casa rural e provavelmente do seu miradouro, para que o lote de terreno ficasse disponível e sem qualquer obstáculo à sua venda futura.

Vamos então continuar a acreditar que os Serviços Municipais deram o seu parecer no sentido de se avançar para a demolição do imóvel por representar um perigo para as pessoas e bens.

Vamos ainda acreditar que os responsáveis pela autarquia são pessoas confiáveis e, como tal, os grandes cartazes que anunciavam a criação do Parque Urbano da Várzea e cujo destaque era o antigo conjunto arquitetónico colocaram lá a imagem apenas para enfeitar o placard.

E porque é que não acreditaremos na seriedade daquele responsável municipal que aqui há uns meses veio “preparar” os setubalenses para o eventual derrube do Miradouro da Azeda dizendo que só os estudos preliminares à recuperação custariam uma fortuna?...

Finalmente vamos continuar a acreditar na boa-fé das pessoas envolvidas em muito outros indicadores que nos foram chegando ao conhecimento e que será melhor não mencionar aqui para não ferir suscetibilidades.

Em linha com estes pressupostos e seguindo o mesmo critério, serei levado a supor que muito em breve iremos ver uma das máquinas e equipa de demolição das “casas velhas”  a operar na Avenida Luísa Todi, mesmo ao lado do Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública, onde se encontra o pior postal ilustrado de Setúbal e que aqui mostramos.

Se há um imóvel que possa dar a pior imagem da cidade dificilmente se encontrará outro que não este!

Se ele representa um perigo para as pessoas, não serei eu a afirmar mas basta olhar com um pouco de atenção e tirar as devidas ilações!

Se os bens estarão em risco, acho que estão e mais do que isso, estão os bens e o dinheiro dos nossos impostos, porque é junto ao prédio que a PSP coloca viaturas particulares que por qualquer motivo não estejam autorizadas a circular.

Se um bocado do prédio cair em cima de uma viatura, à responsabilidade da Polícia, logo será ao Estado que o dono da mesma irá assacar responsabilidades e não ao proprietário do prédio, como é lógico, dado que as placas sinalizadoras colocadas no local assim o obrigam.

Sendo assim, e para descanso dos defensores da demolição das “casas velhas” aqui temos certamente a notícia antecipada da próxima demolição.

Já agora… disseram-me um destes dias que o imóvel é propriedade de “um grande setubalense”.

O homem pode ser “grande” mas se não tiver dinheiro para dar um ar decente àquilo isto é um problema.

Sendo assim, se calhar, enquanto vem a equipa de demolição e não vem o melhor é prepararmo-nos para fazer uma subscrição entre os amigos do património urbanístico setubalense para comprar uns tijolos e emparedar portas e janelas.

Depois, bem depois, pode ser que apareça um talentoso pintor e ponha aquilo um pouco mais decente enquanto ainda está de pé.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-26

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Chegaram os bárbaros

Hordas de cavaleiros bárbaros vindos dos confins das estepes da Sibéria  desciam velozmente a avenida sem sequer olharem para o Alegro à sua direita. Tudo indiciando que vinham com objetivo bem definido.

Alguns deles pararam apenas no final da avenida olhando para a quinta que se encontrava em frente. A casa estava desabitada, os seus ocupantes tinham fugido quando tiveram notícia que o espaço ia ser invadido. Os bárbaros não perderam tempo e lançaram fogo ao edifício.

As hordas que lhes seguiram arrasaram completamente o que dela restava não deixando qualquer rasto a não ser o mirante.

Pouco tempo depois chegou o chefe dos bárbaros, saltou do cavalo, olhou para a torre e apontando o dedo na sua direção pronunciou a sua sentença: - “Não vale nada, está velho, não a podemos levar para a nossa terra. Deitem aquilo ao chão!”.

Os nativos imploraram que não o fizesse, porém o poderoso chefe olhou-os com ar feroz e virou-se para os seus guerreiros como que confirmando a sentença.

E logo um grupo dos seus seguidores, sem questionar fosse o que fosse decidiram-se a derrubar a tal torre que para o chefe nada valia e que para eles, seus incultos e cegos apaniguados era coisa velha.

A facilidade como os bárbaros tinham invadido aquelas terras prendia-se com acordos secretos que anteriormente tinham estabelecido com os nobres proprietários, prometendo-lhes benesses em troca da ocupação.

Sentia-me cansado, com tantas voltas e reviravoltas na cama até que finalmente acordei.

Mas que raio de sonho tive esta noite! Será que a tal torre ainda lá está e os bárbaros vindos dos confins da Sibéria não passaram de um pesadelo? Claro que está. Os sonhos não derrubam torres, os homens sim, ou será que não vimos ainda há poucos meses, pela televisão, outros bárbaros a derrubarem o vetusto Templo de Palmira, na Síria?

Pode parecer exagero a comparação, mas cá pela nossa terra diz-se que: “tanto ladrão é o que rouba um tostão como aquele que rouba um milhão”.

Vou voltar para a cama. Vá lá que tudo isto não passou de um sonho ruim! Ou será que é um mau presságio?

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-25

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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Visconde d’Outeiro

O Café Esperança ocupava a parte de baixo do hotel com o mesmo nome e era um espaço muito agradável e bem frequentado pelos setubalenses.

Era ali que o jovem Rogério Severino, um rapaz que deveria naquele tempo ter uns 18 anos, se sentava num dos cantos e tomava o seu café, enquanto escrevia as suas habituais crónicas para o jornal O Setubalense.

Naquele tempo, ele tinha escrito um pequeno roteiro sobre o museu da cidade e imprimira-o em stencil na copiadora da Junta Autónoma do Porto de Setúbal, o seu local de trabalho, tendo distribuído depois pelos amigos esta pequena brochura.

O trabalho era assinado por um tal Visconde d’Outeiro, personagem até então desconhecida dos setubalenses.

E porque naqueles tempos ainda não existia o vulgar telemóvel, o elegante espaço dispunha de uma cabine telefónica e, uma simpática funcionária, através da instalação sonora chamava os clientes quando para eles alguém telefonava.

De vez em quando, no amplo espaço, ouvia-se chamar à cabine telefónica o Senhor Visconde d’ Outeiro e logo toda a gente, discreta ou indiscretamente tratava de levantar a cabeça para conhecer tão distinta e importante figura.

Mas, o facto é que nunca ninguém conseguiu ver o cavalheiro, porque quando o mesmo era chamado à cabine telefónica já certamente teria saído do estabelecimento.

O Rogério tinha nascido e residia em Setúbal, no bairro de Troino, mais concretamente na Rua do Outeiro da Saúde e decidiu usar, por brincadeira, o pseudónimo de Visconde d’Outeiro.

Por vezes era ele mesmo que numa cabine pública chamava pelo Visconde, outras era eu que o fazia, numa inofensiva brincadeira própria de gente nova e sempre disponível para a diversão.

Muita gente certamente se interrogou durante bastante tempo, lá pelas bandas do Café Esperança, quem seria o misterioso Visconde d’Outeiro, quando afinal o distinto nobre se encontrava a seu lado, só ou com um  amigo a tomar a bica e a divertir-se à custa da curiosidade dos seus conterrâneos.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-24

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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O fantasma do Hotel Esperança

Já lá vai meio século quando o rapaz de apenas 10 anos de idade fazia a ronda naquela noite pelo interior do Hotel Esperança.

No quarto andar o corredor estava dividido por uma porta que separava a zona de serviço das dos clientes.

Ele ia andando, pelo solitário e silencioso corredor. Olhava frequentemente para trás, porque a informação que circulava entre os empregados do recém-renovado edifício é que haveria por ali algo de esquisito, alguma coisa relacionado com fantasmas.

O rapaz lá ia andando silenciosamente pelo longo corredor, quase borrado de medo, mas tinha de passar pelos postos de controlo onde existia uma chave que acionava o relógio que transportava a tiracolo preso por uma correia e provava a hora que a ronda tinha sido feita.

Tinha deixado o 4º piso para trás, quando já na escada de acesso ao 5º quase ficou sem respiração quando escutou o estrondo de uma porta a bater. E mais forte bateu o seu pequeno coração com o medo que sentiu. Este era o mesmo misterioso som que os colegas mais velhos escutavam também quase todas as noites.

Por isso mesmo, alguns começaram a fazer a ronda armados de pistola, não se fossem deparar com o já infelizmente famoso fantasma do Esperança.

Um dia, alguém conseguiu descobrir o fantasma, quando o apanhou em flagrante.

Afinal tudo não passava de uma porta de separação no 4º piso cuja mola tinha pouca força, levando algum tempo a fechar a porta e no final acionava com força ocasionando aquela situação.

O pequeno Rui Marçal era grumete, tinha entrado ao serviço do hotel com apenas 9 anos de idade e a sua principal missão era entregar as mensagens aos clientes e fazer alguns trabalhos de apoio e nessas atribuições não estavam incluídos os contactos com fantasmas.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-23

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

António Vitorino um resistente comerciante da baixa de Setúbal

Naqueles anos sessenta do passado século XX ainda podíamos encontrar em casas de rés-do-chão  nas ruas da baixa de Setúbal, excelentes artífices exercendo a arte de sapateiro que remendavam o nosso calçado e regra geral colocavam as tradicionais meias solas ou os pregos de aço nas botas de cabedal cru, as conhecidas e temidas cardas.

Lembro-me bem de alguns desses artistas, nomeadamente do “Zé Coxo” trabalhando junto à porta,  ali para os lados de Troino, e do Sarrico na Rua  de S. Sebastião, frente à Rua de João Galo, a tal que normalmente tinha polícia por perto e onde os moços não podiam entrar.

Para abastecer os muitos sapateiros haviam os fornecedores de cabedais, fivelas, atacadores, colas, pomadas e tudo o que demais se relacionasse com esta antiga arte, estou a lembrar-me por exemplo do “Maximino das solas”.

Eram tempos diferentes, tal como a cidade os hábitos e os costumes também o eram. Os sapateiros encontram-se hoje em vias de extinção e consequentemente as casas que os abasteciam irão pelo mesmo caminho. Irão ou foram, porque dou notícia de apenas haver uma em Setúbal, ali bem perto da Praça do Bocage, a conhecida “casa das solas e cabedais” e que nunca chegou a ter nome de batismo.

António Vitorino ainda era rapaz quando para ali foi trabalhar e agora com 78 anos, boa disposição, excelente conversador e ar simpático ainda por lá se mantem depois de 65 anos atrás do balcão a atender os setubalenses que hoje em grande número ainda o procuram.

O seu patrão, o Adelino, também morreu já lá vão 13 anos e o António, que se julga ser o mais antigo comerciante da baixa, ainda em atividade, vaticina que quando for desta para melhor a casa certamente fechará e acabar-se-á este tipo de comércio em Setúbal.

Hoje, 22 de setembro de 2015 tive o grato prazer de conversar um pouco com o António e recordar algumas lojas do nosso comércio local, nomeadamente as sapatarias que exibiam os mais modernos modelos e que têm vindo a fechar, como foi o caso das emblemáticas Sapataria 53 e mais recentemente a Jopibar.

E assim se vai encerrando mais um capítulo da história das antigas casas comerciais setubalenses, restando-nos a sua memória e alguma coisa que vai ficando registada.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-22

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Novo perigo espreita num miradouro da Arrábida

O enorme fluxo de veraneantes que afluem às praias da Arrábida, a quantidade de gente que circula pelas estradas da serra e estaciona nos seus miradouros para apreciar a maravilhosa paisagem, naturalmente pela má formação de alguns, ocasiona que a lata do refrigerante que bebeu, o saco de que se serviu para levar o lanche ou o guardanapo acabem invariavelmente por ir parar ao chão.

É este tipo de pessoas mal formadas, de todas as idades e de todas as nacionalidades, que conspurcam aquilo que se deveria apresentar de imaculada limpeza de forma a melhor ressaltar a natural beleza daquele ímpar espaço.

Para cúmulo desta situação é bom notar que a notória falta de equipamentos de recolha de lixo e a ausência de um serviço permanente de manutenção potenciam aquilo que deveria ser neutralizado logo à nascença, evitando-se a acumulação de detritos.

Por outro lado, já por mais de uma vez chamei a atenção para o miserável estado em que se encontram os pisos dos miradouros no alto da serra, os quais com meia dúzia de barris de alcatrão mudariam radicalmente dando um aspeto mais decente aos espaços, eventualmente desincentivando maus hábitos de alguns indivíduos menos cuidadosos.  

Mas não, nada foi feito para melhorar a imagem da Arrábida. Mais um ano se passou e certamente outra época balnear virá sem nada se fazer a não ser propagandear a marca, só não se vendendo gato por lebre devido à beleza natural daquele espaço.

Este fim-de-semana verifiquei que as coisas vão de mal a pior e um dos miradouros, aquele mais perto do “conventinho”, encontra-se com o muro de proteção danificado, provavelmente devido ao embate de uma qualquer viatura, necessitando de intervenção urgente, ao nível do trabalho de pedreiro.

Por outro lado, mais uma vez, terá de ser o voluntariado formado por pessoas generosas, responsáveis e de boa vontade que irão ter de fazer o trabalho de apanhar toneladas de lixo que outros indivíduos abandonaram na serra, e isso irá acontecer no sábado dia 26 deste mês de setembro e todos os que puderem e desejarem serão bem vindos.

Entretanto o alerta fica feito ao Parque Natural da Arrábida para a situação dos miradouros, com particular foco no que está agora danificado e que poderá constituir um perigo para quem ali possa ir apreciar a paisagem, especialmente para as crianças.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-21

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domingo, 20 de setembro de 2015

O último barco está prestes a partir dos estaleiros da Praia da Saúde

Agora parece que é mesmo de vez!

O “Ponta do Verde” vai deixar o estaleiro da Praia da Saúde, tornando-se assim no último barco a ser intervencionado pelos carpinteiros navais, pelos calafates e pelos pintores naquele histórico local por onde passaram milhares de embarcações para serem reparadas ou construídas de raiz ao longo de dezenas de anos.

Está quase tudo a postos para o bota-abaixo. Na casinha de apoio ao estaleiro a bobine de cabo de aço já se encontra oleada e ligada às roldanas do carrinho devidamente fixado com novos e brilhantes cerra-cabos.

O carro assente sobre carris onde o barco se encontra, já viu as suas enferrujadas rodas de ferro serem oleadas para melhor deslizar no curto trajeto que o separa das transparentes águas do nosso Sado.

Após a saída do “Ponta do Verde” será a limpeza do local, com a remoção dos restantes carris, do betão enterrado na areia e a demolição da casinha de apoio, ao que se seguirá as antigas instalações da SADONAVAL.

Com todo o espaço limpo e amplo a Praia da Saúde ficará com uma ainda melhor apresentação, tal como o acesso ao PUA ficará mais desafogado.

Depois, bem depois…  é esperar que Vitor Caldeirinha, o dinâmico presidente do Conselho de Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, consiga levar de vencida a pretensão de encher com areia do fundo do rio as praias entre a da Saúde e a da Comenda para ficarmos com uma zona balnear invejável.

A construção do edifício de apoio náutico, designado por “Terminal 7” bem como um novo pontão de atracagem serão a cereja em cima do bolo que darão por terminada a devolução do Sado à nossa amada cidade de Setúbal.

O tempo das fábricas de conservas, dos barcos de pesca da sardinha, ou da construção naval em madeira, características de outros tempos da cidade de Setúbal, não passarão de gratas recordações nas cabeças de cabelos brancos daqueles antigos meninos que as vivenciaram.

Hoje vivemos outros tempos, novas realidades, que não são melhores nem piores, são tempos diferentes e, quer queiramos quer não, o tempo não volta para trás, pelo que se queremos viver melhor nesta cidade que todos os dias se modifica, teremos de ter presente esta realidade.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-20

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sábado, 19 de setembro de 2015

Setúbal está mais cosmopolita

Ontem, 18 de setembro deste ano de 2015, passei pela Praça do Bocage e surpreendi-me com a quantidade de gente que falava outra língua que não a minha.

Eram turistas de língua francesa, castelhana e inglesa aqueles que mais escutei, enquanto isso numa recreação de mercado árabe, onde se comercializavam chás, especiarias, roupas, cabedais, perfumes, frutos secos e uma infinidade de outras coisas que normalmente encontramos pelo norte de África, escutava-se o linguajar dessas quentes paragens, o árabe.

No meu trajeto parei junto à “praça” o já mundialmente famoso Mercado do Livramento e vejo parar um autocarro de turismo de onde sairiam um grupo de turistas franceses e também eles lá se dirigiram para a Praça do Bocage.

Quase a chegar a casa, deparo-me com várias pessoas de porte atlético, falando castelhano. Deslocavam-se em cadeira de rodas. Notei que levavam uma raquete às costas, tratavam-se de atletas que estão em Setúbal a disputar o campeonato mundial de ténis em cadeira de rodas, ou seja o II Open Baía de Setúbal.

De facto esta cidade está a tornar-se de dia para dia mais cosmopolita e a sua beleza não passa despercebida a quem por aqui passa, nem àqueles que continuam a apostar no seu desenvolvimento.

Reparei também no cartaz que se encontra na obra em desenvolvimento, junto ao Largo da Ribeira Velha e ali consegui ler que aquele amplo espaço está destinado a um hostel, restaurante e serviços, sendo o tempo de duração da obra de seis meses. Quer isto dizer que no próximo ano a baixa estará mais animada, com mais gente que para ali se deslocará.

E em matéria de hostel, parece que as coisas não ficarão por aqui, é que um outro grande edifício no parte sul/nascente da Avenida Luísa Todi está com profundas obras em curso e ao que tudo indica o seu destino final será o mesmo.

Bem precisamos de alojamento para os turistas que cada vez em maior número demandam estas paragens, não esquecendo que muitos mais virão no próximo ano em que Setúbal será “cidade europeia do desporto”.

É claro que estou em crer que a Autarquia está atenta a este fenómeno e como tal acompanhará naquilo que lhe disser respeito, quer ao nível do embelezamento dos espaços públicos, da segurança e da necessária higiene da cidade.

Quanto ao resto, deixemos aos cuidados dos comerciantes, proprietários e setubalenses em geral, porque estes como é sabido são pessoas que sabem e gostam de acolher muito bem quem nos visita.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-19

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Com a verdade me enganas


Nem tudo o que vemos publicado pela comunicação social é verdadeiro e devemos procurar informarmo-nos o melhor possível para não fazermos juízos errados ou formarmos opiniões erróneas sobre assuntos para os quais estamos a ser direta ou indiretamente induzidos em erro.

Por exemplo: Se eu vos disser que a foto ilustrativa deste texto, captada por mim mesmo, não foi manipulada e mostra-nos uma triste realidade que é uma das principais praias portuguesas, em Albufeira, no Algarve, no Verão, com apenas 3 pessoas e com todo o espaço disponível de espreguiçadeiras, poderemos facilmente concluir que o Algarve está “às moscas”.

Uma imagem vale mais que mil palavras e fui eu mesmo que fotografei, como tal isto é verdade. Que pena!...

E assim com a minha verdade se mais nada acrescentasse e se não tivéssemos outras fontes de informação ficaríamos com uma ideia absolutamente errada da realidade.

É que mesmo em meados de setembro poderíamos ver os hotéis daquela famosa zona balnear muito perto dos 100% ou seja, Albufeira estava a abarrotar de turistas nacionais e estrangeiros, curiosamente com uma elevada percentagem de franceses.

Então porque motivo a foto se apresenta assim quase sem ninguém embora estivesse um dia bonito? É simples, eu fotografei a praia perto das 09,00 horas e para quem está de férias no Algarve essa é uma hora bastante cedo porque geralmente  as pessoas deitam-se mais tarde, daí o resultado da imagem que vos apresento.

Tem esta crónica a finalidade de chamar a atenção dos meus leitores para o facto de não podermos aceitar de ânimo leve tudo o que nos mostram os meios de comunicação social e devemos questionar porque isso nem sempre é mau.

E assim como acontece com esta imagem o mesmo acontece com tantas outras que diariamente nos entram porta adentro, por isso temos de ter cuidado com aquilo que nos querem “impingir”, porque já dizia a minha sábia avozinha: “com a verdade me enganas”!

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-17

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Acaba de ser colocada uma placa perigosa na via pública

Acabo de observar que foi hoje colocada uma placa metálica junto à nova rotunda da Praça Vitória Futebol Clube.

Presumo que a mesma se destine a nela ser colocada qualquer tipo de informação, provavelmente o nome daquela praça, embora a poucos metros de distância se possa observar uma outra, em betão, com essa finalidade.

Independentemente da finalidade a que se destina a nova placa, não me parece que tenha havido o devido cuidado com a implantação da mesma, porquanto embora ela esteja em cima do passeio o topo da placa encontra-se a pouco mais de 10 centímetros da via e praticamente em cima da curva.

Não é preciso ser adivinho para antecipar que num destes dias, se aquilo não for mudado de lugar,  um qualquer automobilista ficará sem o espelho lateral, ou pior do que isso, um motociclista irá parar ao hospital e, já hoje, vi o primeiro a fazer uma rasante.

Não sei o que se passa, mas será que quem manda fazer estas coisas não consegue antever este tipo de situação?

Estamos a gastar dinheiro partindo do pressuposto que o estamos a fazer para melhorar não só a fluidez do tráfego mas também e sobretudo a segurança do mesmo, depois, bem depois, aparecem-nos  este tipo de situação exatamente oposta àquilo que pretendemos.

Os Serviços Camarários a partir de agora estão alertados para o perigo que acabam de colocar na via pública pelo que sugiro que um “expert” do trânsito passe por lá e se assim o entender mande recuar a plaquinha antes que aquilo dê barraca, como dizia um vitoriano quando me viu a fotografar a dita cuja.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-10

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Serão as ratazanas de Setúbal os nossos animais de estimação?

Quem teve a oportunidade de viajar  um pouco certamente encontrou  por essas cidades fora as mais diferentes realidades, algumas bem curiosas, relacionadas com o mundo animal.

Desde os simpáticos esquilos, aos enormes bandos de pombos, passando pelos barulhentos patos, ou pelas enormes colónias de coelhos em plena avenida e isto para não falar nas vacas sagradas na India ou dos bonitos “bâmbis” que invadem algumas artérias japonesas.

Tudo isto está à vista dos turistas um pouco por todo o mundo. Em Portugal, mais concretamente em Setúbal, também temos de à algum tempo a esta parte a nossa atração turística relacionada com o mundo animal.  Não estou a falar dos bandos de pombos com colónias por todo o lado, dos gatos do P.U.A. ou do Miradouro de S. Sabastião, nem sequer das raposas da Arrábida ou dos javalis que quando lhe dão na real gana vem passear-se pela Avenida Luísa Todi.

Estou a falar em enormes e bem nutridas ratazanas, algumas do tamanho de coelhos, que se passeiam pelas ruas da nossa baixa não só à noite mas em plena luz do dia e que até já são alvo das objetivas dos turistas. Se alguém disso tiver duvidas basta passar algum tempo ali pelas ruas traseiras do “prédio do leão” e terá oportunidade de constatar esta nova atração turística.

Podemos pensar que aquela é uma zona semidesértica da cidade, mas não é! E, curiosamente por ali habitam muitas crianças. Também não é uma zona de prédios abandonados, muitos deles têm vindo a ser recuperados e os próprios moradores e proprietários têm vindo a proceder a obras de melhoramento.

Alguns moradores da zona têm colocado pastilhas venenosas para combater os roedores, porém a situação carece de uma solução de maior profundidade e essa só pode e deve ser desencadeada pelas competentes autoridades sanitárias.

Dado que o assunto é do domínio público e porque de vez em quando temos a mania de copiar o que se faz “lá fora” será que também estamos agora a copiar a atração que é ter uma boa colónia de animais de estimação, neste caso as ratazanas?

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-09

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

FORTE DE SÃO FILIPE, EM SETÚBAL

Mais meia centena de visitantes que se livraram de bater com o nariz no portão

Depois de ler o “Coisas de Setúbal” aquela professora, responsável pela área de projeto da sua escola, chegou à conclusão que provavelmente não poderia trazer a meia centena de meninos até ao Forte de São Filipe, em Setúbal, para uma visita de estudo.

Telefonou-me a perguntar se era verdade ou não que o forte não estava acessível a visitas.  Depois de lhe ter confirmado e porque ela não conhecia Setúbal acedi ao convite de lhe sugerir um programa alternativo para as suas crianças.

Atrevi-me a propor-lhe que pudesse visitar o Museu do Trabalho, onde as crianças poderiam aprender sobre a indústria conserveira e vivenciar o trabalho daqueles homens e mulheres que trabalharam na fábrica. Depois desceriam até à Praça do Bocage para aprenderem mais sobre esse grande poeta setubalense e finalmente dirigir-se-iam para o Parque Urbano de Albarquel onde fariam um piquenique.

Enquanto ia falando, do outro lado da linha a professora seguia através da internet o programa que eu lhe ia delineando e mostrava-se visivelmente satisfeita. E, como já tinha autocarro cedido pela sua autarquia para transporte dos alunos e porque o programa que lhe estava a sugerir era isento de custos mais satisfeita ficou.

Eu também fiquei satisfeito por ter sido útil e, sobretudo, por ter evitado que meia centena de crianças e professores vindos de outra localidade até Setúbal, batessem com o nariz no portão do nosso Forte de São Filipe.

Curiosamente, continuamos a constatar que não existe qualquer aviso nem no início da estrada de acesso nem no próprio portão do forte a informar os turistas nacionais e estrangeiros para o facto daquele monumento estar encerrado.

Considero este facto uma falta de respeito pelos visitantes e uma situação nada abonatória para o turismo local, pelo que me atrevo a solicitar a um qualquer partido político, candidato às próximas eleições, que reserve uns trocados para imprimir um cartaz que logo no início da estrada de acesso informe que não vale a pena ir até lá acima visitar o “castelo” porque o mesmo está encerrado.

Quando se gasta tanto dinheiro em material de propaganda, penso que um cartaz não deve fazer grande mossa no orçamento e daria muito jeito a muito boa gente que diariamente perde o seu tempo ingloriamente. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-07

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