notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A doce Pastelaria Abrantes

O Governo Republicano liderado por António Maria da Silva, nascido em 7 de dezembro de 1922, poucos dias antes de em Setúbal abrir portas ao público a Pastelaria Abrantes, viria a finar-se um ano depois, em 15 de novembro de 1923.
O mesmo não aconteceria com o estabelecimento setubalense que ainda se encontra entre nós, cheio de vitalidade e em plena laboração, quando está prestes a completar um século de vida.
Ao longo de todas estas décadas esta antiga casa tem vindo a brindar os seus clientes com doces especialidades cujas receitas e métodos de fabrico vão passando de geração em geração.
Seja no campo das bebidas, de que é exemplo o célebre anis Elmano Sadino, aos afamados Bolo Rei e Bolo Rainha, passando pela doçaria, com o antigo e popular “Doce de Laranja” são produtos de alta qualidade que facilmente os setubalenses identificam.
Esta emblemática casa foi fundada no distante 22 de dezembro de 1922 e tem as suas instalações na baixa da cidade de Setúbal, na Rua Estevam de Vasconcelos nºs 34 e 38.
Se o bolo rei deixou de ter a fava e o brinde, por força de imposição da Lei, ele não deixou de ser menos saboroso por isso mesmo, tal como o doce de laranja que em tempos passados era também comercializado por vendedores ambulantes, populares figuras que os mais antigos setubalenses ainda bem se lembram.
E era normalmente junto à estação rodoviária dos Belos, na Avenida 5 de outubro, que podíamos ver esses mesmos vendedores de cesto enfiado no braço apregoando o delicioso produto a quem chegava ou partia nos autocarros de cor verde daquela antiga empresa sedeada em Azeitão.
A prestigiada pastelaria modernizou-se e hoje para além das doces iguarias de fabrico próprio serve também refeições a preços módicos.
Mas é o agradável cheirinho do pão de fabrico caseiro que mais atrai o visitante que passa à sua porta, enquanto na nossa memória ainda ecoa o pregão dos vendedores: “Doce de laranja, especialidade de Setúbal”.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-27
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domingo, 25 de outubro de 2015

A desaparecida Chapelaria Mendes

Ainda hoje é lembrada com alguma saudade a Chapelaria Mendes, particularmente por aqueles setubalenses que não dispensam o uso de chapéu ou boné.

A variedade, a qualidade do produto e a natural simpatia do comerciante fizeram desta casa uma referência no comércio local.

Com a perda de hábito dos homens cobrirem a cabeça, aliado ao facto da baixa da cidade durante bastante tempo ter deixado de ser um polo de atração e como tal perder muitos dos seus visitantes, naturalmente que isso também afetou o negócio.

A Chapelaria Mendes, com estabelecimento aberto ao público na Rua Dr. Paula Borba, a popularmente conhecida Rua dos Ourives, foi a última chapelaria na cidade de Setúbal.

Curiosamente alguns setubalenses quando souberam que a casa iria encerrar trataram de se precaver comprando mais algumas unidades devido à excelente qualidade dos produtos ali comercializados.

E foi num desses bonés em perfeito estado de conservação e ainda em uso que fui captar a imagem que ilustra esta pequena nota, sobre uma das mais emblemáticas casas comerciais da nossa cidade.

Esta antiga loja, que operou na baixa da cidade foi galardoada pela Câmara Municipal, quando era seu presidente Carlos Sousa, tendo-lhe sido atribuída a Medalha de Mérito, na classe Comércio e Indústria.

Depois de encerrado o estabelecimento, no mesmo local haveria de aparecer uma loja de venda de telemóveis.

O acervo da vetusta chapelaria, composto por cerca de uma centena de peças, donde ressaltam documentos, publicidade, fotografias, iconografia variada e instrumentos de trabalho ligados ao fabrico e arranjo de chapéus, seriam doado ao Museu do Trabalho Michel Giacometti.  

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-25

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Grafites, tags e rabiscos até quando nas paredes setubalenses?

Hoje, sexta-feira, dia 23 de outubro de 2015, véspera de mais um dia que se prevê uma maior afluência na baixa de Setúbal, devido à feira outlet que terá lugar este fim de semana, pude constatar que uma equipa de operários da Câmara Municipal de Setúbal se encontrava a desenvolver um trabalho pouco conhecido do grande público.

É verdade! Tratava-se de uma equipa de limpeza de inestéticos grafites,  tags e outros esquisitos rabiscos que gente bem abonada de dinheiro para gastar em tintas de forma indiscriminada e sem mais em que se ocupar, vai fazendo em todo o tipo de superfície, seja ela de reboco, cantaria, madeira ou metal.

Uma camioneta equipada com um depósito contendo o líquido diluente e aparelho de alta pressão apoiava os dois operários que pacientemente iam limpando pedaço a pedaço de cada uma das paredes.

Perdi uns poucos minutos a apreciar e não deixei de pensar nos custos que aquela delicada e necessária operação comporta para a Autarquia, ou seja, para todos nós comuns cidadãos pagadores de impostos.

Basta pensar no seguinte: Alguém que teve de inventariar onde estavam os grafites, outro alguém que programou a atividade de limpeza, os serviços administrativos que encomendaram materiais e processaram os meios, o custo da mão-de-obra envolvida diretamente, a amortização do equipamento utilizado, o material diluente, toda uma panóplia de recursos materiais e humanos que continhas bem feitas dará um dinheirão por cada metro quadrado de limpeza.

E não deixei de pensar…

E os porcalhões e vândalos que diariamente fazem este trabalho o que é que pagam? O que é que contribuem para a sociedade onde estão inseridos?

Será que a Lei prevê sanções para este tipo de indivíduos que lesam os demais cidadãos de forma direta e indireta?

Até quando os nossos governantes vão ficar insensíveis a esta situação e aos custos que a mesma acarreta?

Não haverá forma de apanhar este tipo de gente e porque gostam tanto de pintar coloca-los a repor o que danificaram, pagando às suas custas o material utilizado e aquilo que danificaram?

Louvo a ação da Autarquia por ter criado esta brigada de limpeza especial, mas não deixo de ficar apreensivo com a proliferação deste tipo de gente com comportamentos antissociais que atuam impunemente por aí.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-23

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A APSS não vai cobrar aos automobilistas

No dia 9 de outubro deste ano de 2015 escrevi um texto de opinião sobre os buracos que estavam a ser abertos junto à entrada do parque de estacionamento da APSS ao lado da Doca dos Pescadores.

Embora não querendo acreditar, não deixei de ficar apreensivo dado que eventualmente poderia ir ali vir a ser colocado algum sistema de cobrança.

Mas não, foi ali instalado um pórtico no sentido de evitar que viaturas com altura superior a dois metros possam ter acesso ao recinto, ou seja, as autocaravanas que aqui demandam estão para já impedidas de aceder àquele espaço.

Mais um ano se passou e nada aconteceu em relação à construção definitiva ou mesmo provisória de um espaço onde aqueles muitos turistas que demandam a nossa cidade nas suas bem equipadas viaturas possam parquear.

Não é seguramente à APSS que está cometida essa responsabilidade, pelo que está no seu direito de vedar o acesso às autocaravanas, até porque o espaço estava destinado a um jardim. Foi acedendo ao pedido da Autarquia que o mesmo foi alterado para estacionamento automóvel.

A Câmara tem espaço na zona que poderia ser aproveitado para temporariamente ali criar um parque nem que fosse provisório, o não fazer implica que os autocaravanistas estacionem em lugares sem quaisquer condições.

Sendo assim, e porque pelos vistos se espera que um dia o Parque de Campismo do Outão esteja operacional e ali seja destinado um lugar às autocaravanas estes nossos visitantes terão de continuar a parquear as suas viaturas em locais sem quaisquer condições porque infelizmente a cidade de Setúbal não dispõe das condições mínimas para os receber.

É assim que captamos turistas?

Temos pena!...

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-21

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terça-feira, 20 de outubro de 2015



O nosso “querido” óleo de fígado de bacalhau

O enfraquecimento dos ossos, motivado pela falta da luz solar e de vitamina D afetou muitas crianças no século XIX e boa parte do século XX.

O óleo de fígado de bacalhau tornou-se assim num popular suplemento alimentar para as crianças daqueles tempos, que nas escolas primárias faziam filas para que uma funcionária, colher numa mão e frasco na outra, com os miúdos a fazerem cara feia ou não, tratavam de enfiar-lhes o desagradável suplemento pela garganta abaixo.

Passados tantos anos o seu gosto ainda se encontra gravado na memória. Um desagradável sabor que em algumas escolas era neutralizado com um gomo de laranja igualmente ali fornecido.

Era mais ou menos nesta época do ano, quando o frio começava a fazer-se sentir e quando as muitas embarcações da nossa frota bacalhoeira já se encontravam em Portugal, trazendo a bordo muitos quintais do fiel amigo e várias barricas de óleo que o mesmo começava a ser ministrado às crianças portuguesas.

Curiosamente soube hoje que um desses antigos frascos, recém-descobertos, com várias dezenas de anos, contendo o célebre suplemento que foi fornecido na escola primária da Casa dos Pescadores às crianças que se podem ver na foto ilustrativa, foi oferecido e se encontra em exposição na “Mercearia do César”, o novo espaço pedagógico setubalense, recentemente inaugurado na “Fonte Nova”.

Passados tantos anos e com os ossos ainda em plena forma, não serei eu a dizer mal do tal muito pouco saboroso óleo de fígado de bacalhau.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-20

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“Histórias, Coisas e Gentes de Setúbal”

Vamos todos assistir ao nascimento?

Já imaginaram um grupo de trabalhadores a abrir uma vala e um deles bater com a picareta numa antiga ânfora romana e de lá jorrarem milhares de moedas romanas?

Sabiam que tivemos em Setúbal uma fábrica que processava de forma industrial a carne, os ossos e o óleo desses gigantes dos mares, as baleias?

Sabem como se começou a disseminar pela cidade a moda do peixe assado?

Conhecem o romance do “Romeu e Julieta” luso/francês?

E a história da Ermida do Anjo da Guarda?

O belo palácio da Várzea de Setúbal está quase a desaparecer, mas aqui vamos ficar a conhecer a sua longa história, estou a falar do Palácio dos Ciprestes.

Se não conhecem o Palácio dos Ciprestes certamente conhecerão, pelo menos por fora, o da Comenda. Aqui ficará a saber toda a sua história, do nascimento à morte lenta.

Se não chegaram a entrar no balneário Dr. Paula Borba para tomar uma banhoca, não sabem o que perderam, querem saber porquê?

E que dizer das touradas em Setúbal, realizadas na Praça do Bocage, no Bonfim, no convento de S. João ou na praça de touros que os republicanos se esqueceram de retirar a designação de D. Carlos?

Sabiam que muitos dos monumentos setubalenses já mudaram de poiso por mais do que uma vez? Uma autêntica dança que vão gostar de conhecer.

“Almeida bruxo”, “Kinito”, “Kali”, “Ervilha”, “Salmonete”, “Zé maluco”, “Finuras” são personagens que conviveram com muitos dos atuais setubalenses e que fazem parte do nosso imaginário e do nosso património.

Não gostarão de saber mais sobre o Coral Luísa Todi, o Clube de Ténis de Setúbal e o São Domingos Futebol Clube? Olhem que é bem interessante a história destas coletividades.

Mas, há mais, muito mais, são cerca de quatro dezenas de textos desenvolvidos ao longo de 200 páginas que me deu particular prazer em pesquisar e escrever, pensando no prazer que os meus amigos terão ao ler e no legado que podemos deixar aos nossos vindouros.

Por tudo isto, gostaria que todos os meus amigos e amigos dos meus amigos se juntassem a bordo do barco EVORA, no sábado dia 7 de novembro deste ano de 2015, pelas 17,30 para participarem comigo no nascimento do “Histórias, Coisas e Gentes de Setúbal” um bebé que terá como parteiros a nossa amiga Paula Borrego e o amigo António Cunha Bento dois bons e bem conhecidos setubalenses.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-20

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sábado, 17 de outubro de 2015

Até quando as obras em Setúbal não acautelarão o automobilista?

O dia está cinzento embora a temperatura em Setúbal, pouco depois da hora do almoço aponte para os agradáveis 19 graus.

De vez em quando lá cai uma bátega de água, nada que origine até agora grandes estragos a não ser as naturais infiltrações pelos mais diversos motivos.

As rajadas de vento fizeram com que algumas árvores viessem parar acima de viaturas estacionadas, cartazes publicitários foram arrancados e dezenas de tarjas propagandísticas da CDU que ainda se encontravam afixadas aos postes de iluminação foram igualmente alvo da força do vento, vindo parar ao meio da via.

No Sado, o vento transformava o nosso calmo e belo rio azul, fazendo que a forte ondulação de sueste, empurrasse o EVORA contra o cais nº 1 e, embora tenham sido tomadas todas as precauções devido ao anunciado “mau tempo” o facto é que os grossos pneus de camião que protegem o barco do embate da muralha mais pareciam pneus de bicicleta, tal a pressão a que estavam sujeitos.

Nada disto apanhou alguém responsável desprevenido. Presentemente temos avisos do serviço de meteorologia nacional e vários e confiáveis sites de internet que ajudam aqueles que têm responsabilidades a tomar decisões, depois de tomadas, seja o que Deus quiser.

E, é por isso mesmo, que continuo a não compreender como é que se continua a repetir a mesma situação, que já aqui comentei há quase um ano, dos condutores junto ao Centro Comercial Alegro terem de fazer provas de obstáculos para não embaterem contra os separadores de plástico, utilizados naquelas “obras de Santa Engrácia”.

Passado e ultrapassado tanto tempo de obras na Avenida Antero de Quental será que o empreiteiro ainda não conseguiu perceber que aqueles objetos de plástico são ocos, têm um buraco em cima para encher com água ou areia, tornando-os mais pesados e pinos macho e fêmea para se ligarem uns aos outros e desta forma não “voarem” para a faixa de rodagem?

Será que os responsáveis pela fiscalização municipal só têm olhos para os pequenos delitos, ou delitos dos mais pequenos, enquanto estas enormes burrices, que estão à vista de qualquer cego, lhes passam ao lado?

Até quando vamos ter de aturar esta situação de termos um empreiteiro tão inteligente que não é capaz de ligar duas peças e uma fiscalização que pelos vistos terá necessidade de oftalmologista.

Ainda agora o “mau tempo” começou e se não forem tomadas medidas imediatas e adequadas algum dia haverá um acidente bem grave e depois que alguém não venha chorar lágrimas de crocodilo e a culpa morrer solteira.

Agora façam o favor de arranjar desculpas ou procurar culpados, cá por mim estão mais que identificados os prevaricadores, uns porque fazem e outros porque deixam fazer!

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-17

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Palácio Botelho Moniz

“Dá Deus nozes a quem não tem dentes”

O palácio Botelho Moniz é um dos poucos edifícios do seu género, em Setúbal, que ainda está ocupado, embora por aquilo que se nos é dado observar o seu estado de conservação seja bastante precário.

Um dos mais interessantes pormenores deste palácio é a “Gruta de Santo António” assim batizada pelo seu proprietário inicial. Ela teria servido de entre outros, para ritos secretos maçons, sendo esta gruta artificial e seus belos antigos jardins considerados como um templo pelos membros daquela organização.

As seguidoras da ordem religiosa, fundada por Madre Teresa de Calcutá, utentes do palácio, que agora acolhe crianças desprotegidas, opõem-se a qualquer visita a este espaço, argumentando que o mesmo não apresenta condições de segurança.

Do exterior, quem está na Rua General Daniel de Sousa,  pode observar o estado de degradação dos muros de proteção que já apresentam profundas fissuras e até alguma parte caída.

Dali, podemos também ver as sete aberturas/miradouro da “Gruta de Santo António”, viradas para nascente, orladas com antigas pedras aproveitadas da cascata decorativa que em tempos existiu no Parque do Bonfim.

O seu proprietário inicial deu tanta importância à construção desta parte do seu palácio que, em 15 de junho de 1909, o mesmo foi alvo de uma festa de inauguração, tendo então remetido aos seus distintos convidados, convites impressos.

Ao que julgo saber o palácio foi vendido a preço simbólico à Igreja Católica, com o objetivo de ali alojar a organização das irmãs de Calcutá, tendo mesmo a sua fundadora vindo aqui a convite do bispo D. Manuel Martins.

Mas se esta ímpar construção está num estado de conservação preocupante, o facto é que considero que a mesma poderia estar em muito melhor estado se o seu atual proprietário tivesse real interesse no imóvel e até quisesse rentabilizar o espaço.

Para isso, com o recurso ao mecenato ou a fundos próprios, poderia recuperar pelo menos a parte dos jardins anexos à “Gruta de Santo António”, dar a esta o seu antigo brilho e promover visitas públicas ao local a troco de pagamento.

E seria esta verba que ajudaria não só a manter o espaço, como até a comparticipar nas despesas com as crianças que se encontram à responsabilidade da Instituição.

O nada fazer, implica que de dia para dia o imóvel mais de deteriore e consequentemente quando se tentar levar a cabo qualquer obra de manutenção naturalmente que a mesma será mais dispendiosa.

Por outro lado, não deixa de ser incompreensível, estar aquilo que pode ser uma ótima fonte de receita e um dos raros exemplares arquitetónicos setubalenses, inacessível ao público, e praticamente votado ao abandono.

E como alguém me dizia há algum tempo, quando comentávamos este tema: “Dá Deus nozes a quem não tem dentes!...”

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-15

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015



Um bonito passeio pelos arredores de Setúbal

A requalificação dos antigos lavadouros de Vila Nogueira de Azeitão foi uma importante obra, orçada em pouco mais de vinte e seis mil euros, levada a cabo há pouco mais de um ano e que devolveu em toda a sua beleza este antigo espaço à população.

Trata-se de um autêntico ícone cultural e arquitetónico, podendo-se aqui apreciar como era o local onde os nossos ancestrais tratavam da lavagem das suas roupas.

O espaço para além de ter um inegável valor cultural é igualmente uma mais-valia pedagógica. Ali já têm sido apresentados diferentes espetáculos musicais e também têm tido lugar visitas das crianças dos estabelecimentos escolares de todo o concelho de Setúbal.

Os antigos lavadouros ficam localizados em frente a outro marco de Vila Nogueira de Azeitão, a monumental Fonte dos Pasmados, e ao lado da vetusta Igreja de São Lourenço, erigida primitivamente na primeira metade do século XIV e que foi alvo de importantes obras de beneficiação em 1570 e durante o século XVII.

Um agradável passeio é aquele que saindo de Setúbal vá na direção das praias do Parque Natural da Arrábida, passando por: Albarquel, Comenda, Figueirinha, Galapos e depois ao invés de virar para o Portinho, ou à direita para retornar a Setúbal pelo alto da Serra, siga pelo lado esquerdo apreciando a Serra e as Terras do Risco.

Meia dúzia de quilómetros à frente é de fazer uma paragem no salão de chá da Quinta do Lapidário para tomar algo e apreciar as obras de arte que ali são executadas.

Este é um local onde normalmente aos sábados pela manhã se ouve falar inglês devido aos muitos estrangeiros que chegando a Portugal nos enormes navios de cruzeiro optaram por ir conhecer a nossa belíssima Serra da Arrábida e apreciar o artesanato local.

A poucos minutos de distância seria imperdoável não pararmos em Vila Nogueira de Azeitão, seja para nos deliciarmos com as famosas tortas do Cego, ou das outras, não menos saborosas, e que até não são cegas,  nos dão uma irresistível piscadela de olho.

Mas, para além da tradicional doçaria azeitonense, os seus monumentos são de visita obrigatória, particularmente aqueles que acabei de mencionar acima e que naturalmente requerem o uso da imprescindível máquina fotográfica, para mais tarde recordar este bonito passeio pelos arredores de Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-14

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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Será que a APSS vai também cobrar aos automobilistas?
Hoje enquanto andava a tratar da vidinha percorrendo um pouco alguns espaços da nossa cidade a minha atenção focou-se nos buracos. Isso mesmo, nos buracos!

Os primeiros foram aqueles que se encontravam a ser abertos para a mudança da placa comemorativa da inauguração da rotunda Vitória Futebol Clube.

O outro era aquele na Avenida Alexandre Herculano, frente ao Hotel Bonfim, relacionado com as águas, que aliado à camioneta parada a abastecer o quiosque e o autocarro das carreiras urbanas, transformaram momentaneamente aquela mal concebida artéria num espaço automóvel de prova de obstáculos.

Mas, os buracos que mais me deixaram apreensivo foram aqueles que já se encontram com uma sapata de betão construída e que podemos observar à entrada do parque de estacionamento da APSS. Trabalhos levados a cabo por operários desta estrutura portuária e localizados entre os cacifos e a Doca dos Pescadores, frente à estacada nº 1.

Não quero acreditar que os buracos se destinem a colocar uma cancela e, porque isso só por si não faz qualquer sentido, a mesma tenha por finalidade inviabilizar o acesso a quem não pague o respetivo acesso ao parque, até agora gratuito?  

É bom lembrar que aquele espaço, em boa hora intervencionado pela APSS, se destinava a um jardim e que graças ao bom entendimento entre a Administração Portuária e a Autarquia, a APSS acedeu ao pedido desta no sentido de ali fazer um parque de estacionamento, dada a carência de locais para parqueamento automóvel.

Ora se a APSS não ia receber qualquer verba dos utentes que utilizariam o jardim, não fará qualquer sentido que vá agora receber qualquer verba dos sobrecarregados automobilistas. Depois, também não me parece que seja devido a essas migalhas que o seu orçamento será mais ou menos afetado.

Bem, o certo é que de facto não sei se os buracos vão ter mesmo a finalidade que ali pela “borda d’água” já se comenta com desagrado e, se assim for, não deixa de ser profundamente lamentável e sem qualquer sentido a tomada de tal decisão. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-09

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Parabéns à Câmara Municipal de Setúbal

Não deixa de ser motivo para assinalar e, como dizem os brasileiros, “parabenizar” a Câmara Municipal de Setúbal por ter estado atenta ao alerta que aqui lançamos sobre o perigo que representava a colocação da placa metálica alusiva à inauguração da rotunda do Vitória Futebol Clube, mesmo junto à curva entre a Avenida Independência das Colónias e aquela Praça.

Hoje, dia 9 de outubro de 2015, a placa foi retirada e colocada uns metros mais para nascente, já sem estar em cima da curva, minimizando o risco de acidente.

Quando se coloca aqui um alerta, uma advertência, uma opinião ou uma sugestão diferente daquilo que os Serviços camarários fazem, não é meramente pelo simples espírito de contradição, mas sim porque alguém  conseguiu observar o que outros, ainda que conceituados técnicos, por este ou aquele motivo, não conseguiram descortinar.

Por isso mesmo, não deixa de ser louvável e digno de nota que ao ter conhecimento da anomalia os Serviços procedam à correção da mesma.

Um erro qualquer um faz, persistir no erro depois de alertado é que é grave e, tenho para mim, que só não erra quem nada faz, daí o registar com muito agrado e partilhar com os amigos a novidade de que esta é mais uma situação que é resolvida em parte graças ao espírito cívico, embora crítico, de que este grupo está imbuído.

Já agora, devo dizer que aquele marco agora ficará mais completo, porquanto foi retirado do “nicho” do estádio do Bonfim onde se encontrava a estátua, a chapa identificando o saudoso JJ que agora completa o marco que assinala a efeméride.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-09

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Será que o nome de Avenida José Mourinho veio mesmo para ficar?

Já passaram mais de dois anos desde que foi aprovada, por unanimidade, a atribuição do nome de José Mourinho a uma das mais movimentadas artérias da cidade de Setúbal, a antiga Rua da Saúde, agora muito mais agradável depois das importantes obras de requalificação ali efetuadas.

Esta avenida marginal, que se inicia na Rua dos Trabalhadores do Mar e vai até ao Parque Urbano de Albarquel tem agora o nome do treinador de futebol que já foi distinguido pela sua cidade com a Medalha de Honra, na classe desporto, e alvo de uma importante exposição realizada na galeria do antigo Quartel do 11.

José Mourinho, nasceu em Setúbal  e é aqui que se sente bem, segundo diz. É um homem de forte personalidade e capacidade de liderança nata, para além de ser uma pessoa culta que fala fluentemente cinco línguas, bem como um profissional altamente credenciado a nível mundial.

Até aqui está tudo muito bem, mas… e há sempre um mas, quando algo se começa e não se acaba, ou simplesmente se procrastina.

Passado todo este tempo ainda não consegui ver, provavelmente a culpa é minha, qualquer placa toponímica que ali identifique a artéria com o nome ultimamente atribuído.

Mas mais, ao que parece continua a haver problemas, sobretudo com os estafetas que chegam a não receber ou entregar encomendas ou correspondência por não terem a certeza se estão na Rua da Saúde ou na Avenida José Mourinho.

Porque é que se demora tanto tempo a dar continuidade a uma questão que até parece fácil de resolver? É do conhecimento público que o dinheiro não abunda nas finanças municipais, mas será que duas ou três placas toponímicas serão assim tão dispendiosas?

Ou será que já se arrependeram de terem mudado o nome, dado que a saúde futebolística do mundialmente famoso setubalense agora até nem é das melhores?

São várias as pessoas com quem falei, que se interrogam se o nome da Avenida José Mourinho veio mesmo para ficar.

Já sei! Cá pra mim estão à espera que seja o homenageado a comprar as placas e a mandar colocar. O homem ao que parece até tem umas pequenas poupanças…

Vejam lá senhores autarcas se resolvem este assunto que em nada abona a nossa cidade, tal como em nada abonou a entrega da Medalha de Honra ao grande benemérito Antoine Velge, vários anos depois de atribuída. E porque não foi entregue na altura devida caiu no esquecimento só tendo sido entregue posteriormente, ao neto, porque um atento setubalense deu pelo lapso.

Espero que este não seja caso para repetir e que a Avenida José Mourinho tenha vindo mesmo para ficar.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-09

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A sabedoria da idosa senhora setubalense

Final da tarde, o sol já vai encadeando os automobilistas que se deslocam pela Avenida Luísa Todi, no sentido nascente/poente, quando reparo numa idosa completamente trajada de preto, colhendo negros martunhos nos tufos que se encontram a decorar o canteiro.

E porque levava também alguns raminhos com os frutos agarrados dirigi-me à senhora para a questionar sobre o porquê da sua colheita e que utilidade iria dar aos raminhos.

Curiosamente reconheceu-me e tratando-me pelo meu nome explicou que iria fazer aguardente de martunho e que todos os dias ali outras pessoas iam colher as pequenas bagas.

Esta é a matéria-prima com que, segundo a tradição, os monges da Arrábida faziam um licor que se diz ter uma fórmula secreta e que nos nossos dias o vemos comercializado com a designação de Arrabidine.

Numa garrafa, a velha senhora irá juntar a mesma quantidade destes frutos silvestres com idêntica quantidade de aguardente, adicionará algum açúcar e juntará um pouco de canela, provavelmente dois ou três pauzinhos desta especiaria.

Depois deixará ficar engarrafado alguns meses e mais tarde servirá aos seus filhos, sim, porque a velha senhora confeciona esta antiga especialidade, mas não bebe.

Depois de ter visto alguém a colher as azeitonas das muitas oliveiras dispersas pela cidade, e que serão destinadas a deliciosa conserva, uns meses antes tinha visto também pessoas a apanhar as folhas e flores das muitas dezenas de agradáveis e bem cheirosas tílias que nos proporcionam uma agradável infusão, é agora o momento da colheita dos martunhos, dos negros pois claro, porque os brancos ainda estão com a maturação atrasada.

E assim se pode juntar o útil ao agradável, não deixando desperdiçar o que podemos aproveitar, sobretudo por aqueles que mais necessidade têm e cuja sabedoria lhes permite tirar o melhor partido do que a natureza e a cidade lhes oferece.

E porque Setúbal já foi terra de grandes laranjais, porque não plantar também pelos parques da cidade algumas destas árvores? Quanto aos frutos? Não faria mal a ninguém que quem os quisesse colhesse, porque sempre é preferível alguém usufruir para alívio da sua carteira do que plantar arvores que não produzem coisa nenhuma. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-08

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sábado, 3 de outubro de 2015

Feirinhas setubalenses com produtos a preços da uva mijona

Hoje, pela primeira vez fui dar uma olhadela à “Feira da Bagageira” um novo tipo de evento que se realiza no Largo José Afonso e onde podemos ver viaturas automóveis, devidamente parqueadas, com a tampa da bagageira aberta e no seu interior uma infinidade de objetos diversos para vender.

Cada um desses pontos de venda é apoiado por uma pequena banca, ou simplesmente a mercadoria é exposta no chão, frente à bagageira.

Curiosamente, ali vi muita gente a fazer compras de peças novas ou usadas a preços verdadeiramente irrisórios.

Não sei o que aquele homem teria comprado, ele não era de Setúbal, e porque falava ao telemóvel um pouco alto deu para perceber que estaria eufórico a dar a notícia de que teria adquirido uma peça baratíssima e que era de suma importância para ele. Dizia o homem que já tinha ganho o dia e que dera por bem empregue a sua vinda a Setúbal.

E porque ao final da tarde começou a refrescar, foi boa altura para algumas senhoras adquirirem, e logo ali vestirem, os casacos que poderiam ser comprados a 3 euros a unidade e, se eram usados ou não o facto é que estavam com muito bom aspeto.

Um pouco mais à frente, a poucas centenas de metros para nascente, na placa central da Avenida Luísa Todi, esteve também a funcionar durante todo o dia a tradicional “Feira de Velharias” sempre muito concorrida e onde se vende igualmente de tudo um pouco.

Fiquei a pensar se não seriam velharias a mais, se haveria clientela para tanto vendedor. Não sei, se calhar até há, caso contrário eles não iriam para ali perder tempo.

O facto é que estes simpáticos locais já se tornaram ponto de encontro de muito boa gente, uns só  para ver, outros para aproveitarem oportunidades de negócio. E de facto não deixa de ser  um gosto ver tantos setubalenses entretidos com estas feirinhas que por aqui se vão fazendo, com produtos a serem comercializados ao preço da uva mijona.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-03

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Os setubalenses tal como os restantes portugueses vão a votos

No dia 28 de outubro de 1973 acompanhei a minha jovem namorada às antigas instalações do Convento de Santa Teresa da Ordem de Santo Agostinho, onde atualmente se encontram as instalações da Polícia Judiciária, no topo nascente da Praça General Luís Domingues, em Setúbal.

Entramos numa sala onde três homens com ar solene olharam com ar inquisidor para o barbudo jovem acompanhante , enquanto ela se dirigia à mesa para depositar na urna o impresso de voto que teria recebido em casa.

Como professora do ensino oficial ela recebera o impresso de voto e eu, chegado há pouco da Guiné, onde cumprira serviço militar obrigatório, olhava para aquela votação faz-de-conta com certa vontade de rir.

De facto, as eleições legislativas de 1973 deram a vitória absoluta com 100% dos deputados “eleitos” à Ação Nacional Popular (afeta ao regime) enquanto o Movimento Democrático (PCP+PS) desistiram considerando não haver condições para a realização de eleições livres. Convém dizer que houve ZERO votos em branco e ZERO votos nulos num universo de 1 393 294 votantes na ANP…

Porque tinha estado nos últimos dois anos no centro cripto do Quartel General da Guiné em contacto direto com material classificado e porque aqui chegado comecei a receber em casa, uns panfletos que anónimos me enviavam dando conta da ação de movimentos revolucionários em Portugal, apercebia-me que a mudança estaria para breve.

Poucos meses depois deu-se a revolução de 25 de abril de 1974 e com ela, as primeiras eleições verdadeiramente livres ocorridas precisamente um ano depois deste acontecimento.

Eu era um jovem técnico de construção civil e servia voluntariamente como chefe de escuteiros. Senti-me honrado ao ter recebido a notificação para integrar uma mesa de voto nessas primeiras eleições verdadeiramente livres, sem pertencer a qualquer partido político.

As pessoas formavam longas filas para votar, filas que já eram visíveis antes da hora da abertura das urnas na maior votação de sempre que elegeria os 250 deputados da Assembleia Constituinte.

Desde essa data até hoje foram muitas e diversas as vezes que fomos chamados a votar e sempre lá compareci, depositando o meu voto no partido ou na pessoa que em consciência entendi que melhor serviria os interesses do nosso povo.

Provavelmente nem sempre fiz a melhor escolha, mas entendo que não escolher seria pior pois entregaria a minha decisão nas mãos de terceiros, tendo então tomado consciência depois de tudo o que já vi e vivi que mais vale uma má democracia do que uma boa ditadura, por isso mesmo eu irei votar no domingo.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-02

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