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terça-feira, 11 de julho de 2017


As nossas “Marias” hoje levaram uma boa esfregadela 

Uns chamam-lhe “Fonte das Ninfas” outros “Fonte Luminosa”, porém o seu verdadeiro nome é “Fonte do Centenário” e foi edificada precisamente para comemorar o primeiro centenário da elevação de Setúbal à categoria de cidade. 

Em 1960 o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, deslocou-se à nossa cidade para inaugurar este monumento mandado erigir, em parte, graças aos donativos recebidos da generosa e bairrista população setubalense. 

Quando foi inaugurada a fonte tinha apenas a sua base decorada com os treze brasões dos concelhos que compõem o Distrito de Setúbal, só mais tarde ela seria completada com as três estátuas de figuras femininas representando as graças com que a cidade foi abençoada: A Terra, o Mar e a Poesia. 

As estátuas são da autoria do escultor portuense Arlindo Rocha e foram colocadas na fonte em Junho de 1971, encontrando-se agora a obra completa, embora algumas pessoas insistam em dizer que falta algo em cima da cabeça das meninas, mas não, elas estão ali tal como vieram ao mundo e nada lhes falta. 

Quem parece que não é da mesma opinião são os pombos e ultimamente as gaivotas que para ali vão e com os seus dejetos a que se juntam as areias e outros detritos levados pelos ventos fazem com que as águas da fonte tenham de ser frequentemente substituídas e a mesma devidamente lavada. 

Foi precisamente isso que hoje, dia 11 de julho de 2017 aconteceu. 

À volta de tão importante monumento e das simpáticas meninas uma equipa de operários da nossa autarquia apoiados por meia dúzia de veículos atarefaram-se a dar uma boa esfregadela como já há algum tempo não acontecia. 

Assim sendo, vamos agora ver as “piquenas” bem como a sua “banheira” mais desencardidas e brilhando em todo o seu esplendor como todos nós gostamos de admirar. 

Rui Canas Gaspar 

2017-julho-11 


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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Desapareceu mais um monumento em Setúbal

No dia 8 de julho de 1886 Hans Christian Andersen o escritor dinamarquês mundialmente conhecido devido às suas célebres histórias infantis, chegou a Setúbal onde acabou por passar de um mês de férias, tendo tido então oportunidade de  conhecer a cidade e seus pitorescos arredores, tendo-lhe até sido facultada a possibilidade de conhecer os areais de Troia e a verdejante Arrábida.

O escritor teve ainda o ensejo de conhecer outros locais desta pequena mas diversificada nação e, a opinião que formulou sobre a mesma, poderá resumir-se neste pequeno verso que escreveu no livrinho da família O’Neill, sua anfitriã:

“Lá no plano Norte verdejante,
Recordando todas as impressões vividas
Para Setúbal voará o pensamento distante
Para junto de todas as pessoas queridas”.

Certo dia um açoriano de nascimento, mas setubalense de coração, Manuel Medeiros, dono da Livraria CULSETE, decidiu honrar o escritor, não com uma estátua mas com um monumento vivo, um abeto da Noruega.

E assim apareceu na Avenida Luísa Todi, quase em frente ao coreto, um bonito canteiro, com um abeto. Ali poderia ler-se numa placa: “Abeto plantado em homenagem a Hans Christian Andersen, Câmara Municipal de Setúbal, Comissões Nacionais da UNESCO de Portugal e Dinamarca, Livraria CULSETE. Outubro de 1998.

Numa outra placa: “Plantei em Setúbal um pequeno abeto nórdico. Quando crescer o vento Norte ao abaná-lo com o seu sopro ai deixará uma saudação da Escandinávia distante” H. Andersen, uma visita a Portugal em 1866 – Cap. IV

Aquando das obras de renovação da Avenida Luísa Todi, no âmbito do POLIS é construído um quiosque quase em cima do canteiro, retirando ao local toda a dignidade e quase anunciando a sua morte devido à movimentação de pessoas e coisas praticamente em cima da pequena e bela árvore.

Esta decisão de localização do quiosque, desprovida de qualquer sentido estético e denotando o maior desrespeito por este monumento vivo, constituiu o princípio do fim.

E foi o que hoje dia 9 de setembro de 2014, com tristeza e com vergonha constatei que aquele  monumento vivo, ali colocado por verdadeiros setubalenses de coração ou de nascimento tinha sucumbido, no seu lugar estava apenas o pouco que resta do seu forte tronco, capaz de suportar os ventos frios do Norte, mas não a força da ganância.

Veio-me então à mente aquela frase célebre de um velho e sábio índio Cree: “Só quando a última árvore tiver morrido, o último rio tiver sido envenenado, o último peixe tiver sido pescado é que descobriremos que não podemos comer o dinheiro”.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-09

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Mercearia Américo

Já lá vai meio século que o senhor Américo está à frente deste peculiar estabelecimento de mercearia, um dos raros exemplares de um tipo de comércio que continua a servir uma vasta clientela e, contra o que seria espectável, com algum sucesso.

Este antigo comerciante quando para aqui veio ainda era solteiro e, diz ele, que neste  mesmo local da Avenida Luísa Todi, já existia o estabelecimento de mercearia.

Trata-se pois de um dos raros exemplares do antigo comércio de proximidade que paulatinamente veio a desaparecer com a proliferação dos super e hipermercados que se vieram a implantar não só em Setúbal mas um pouco por todo o país.

A Mercearia Américo está de portas abertas todos os dias da semana e é uma referência para muitos setubalenses, particularmente para aqueles que residem nos antigos bairros de Troino e da Fonte Nova que ali continuam a afluir.

Para além dos velhos moradores da zona, que se chegaram a abastecer noutras mercearias entretanto desaparecidas, como sejam a do César, José de Norato ou do Pedro, agora outro tipo de clientela tem ali também o seu ponto de abastecimento. Muitos restaurantes da zona por vezes têm necessidade de se socorrer da Mercearia Américo para adquirirem alguns itens de última hora que lhes faltou, do pão à fruta, dos condimentos ao detergente.

Os jovens, também não deixam de passar pela mercearia do senhor Américo para se abastecerem quando vão a caminho da praia e, os bolos, os sumos o queijo ou o fiambre sabem que vão ali encontrar.

Neste antigo espaço podemos verificar que tudo está devidamente ordenado pelas diferentes secções, como nas antigas mercearias, tudo está à vista do cliente, notando-se que os produtos frescos, nomeadamente a fruta, denotam uma excelente qualidade e frescura.

Na Mercearia Américo há um pouco de tudo e por vezes algumas raridades, como por exemplo as ovas de sardinha em conserva, o delicioso “caviar português” tão difícil de encontrar até nas grandes superfícies comerciais e que aqui vamos encontrar a par de outras iguarias.

A persistência, aliada à qualidade, levou a Câmara Municipal de Setúbal a galardoar este comerciante com a Medalha de Mérito, uma distinção que muito honra este antigo estabelecimento, um dos raros sobreviventes sadinos do comércio local.

Rui Canas Gaspar

2014-07-23