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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ora já sabem que eu estou aqui? 

Por força da minha atividade hoje passei boa parte da manhã na zona do Miradouro de São Sebastião e ali tive oportunidade de conversar com vários antigos moradores da zona e com alguns turistas nacionais e estrangeiros que demandaram aquele magnífico e ímpar lugar. 

Também mais uma vez estive a apreciar com alguma calma a obra de ampliação que foi levada a cabo no Museu do Trabalho destinada a um estabelecimento de cafetaria ou similar. 

Passados vários meses sobre a conclusão da mesma verifico que o espaço está fechado e sem qualquer utilidade, embora os trabalhos de construção civil tenham sido alvo de empreitadas com vista ao seu rápido acabamento. 

Os motivos porque aquilo onde se gastou tanto dinheiro estar inoperacional e sem utilidade parece começarem a ser do domínio público, por isso, nem vou aqui comentar. 

O que me chamou a atenção foi para a única peça que se encontra ali dentro, embrulhada em plástico já com alguma visível poeira, não só em cima dela mas no próprio espaço. 

Trata-se do emblemático triciclo onde o popular “Ervilha” transportava os seus famosos e deliciosos gelados, onde ficou célebre de entre outros o tradicional pregão: “Ora já sabem que eu estou aqui?” 

Não me vou alongar mais e vou terminar esta nota com uma simples pergunta e sugestão. 

Será que daria muito trabalho que se desse uma limpeza naquele espaço? E, já que lá está, porque não tirar os plásticos do triciclo, limpá-lo e coloca-lo ali mesmo em exposição com uma placa de dimensão adequada à leitura de quem passasse naquela artéria? 

E já agora, aproveitando a boleia. Que tal colocar as pedrinhas na calçada nos vários espaços onde se encontra em falta naquela turística e característica zona? 

É que, assim como assim, sempre se daria alguma utilidade a uma obra dispendiosa, até que nas condições em que está apareça alguma “ave rara” que vá pegar naquele espaço de cafetaria para o explorar. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-19 


www.troineiro.blogspot.com

sábado, 28 de maio de 2016

“Ora já sabem que estou aqui?”

Ervilha apelido ou alcunha?

O homem do povo já não se encontra entre nós, morreu! Ele não foi escritor, poeta, político ou jogador de futebol, mas grande parte dos seus conterrâneos que tiveram a oportunidade de o conhecer jamais o irão esquecer.

Estou a lembrar-me de um  homem simples, que governava honestamente a sua vida, no Outono/Inverno vendendo castanhas ou batatas doces assadas, normalmente na esquina da Rua dos Ourives com o Largo da Ribeira Velha.

No Verão, quando era mais novo e rijo, lá pelos anos 60 do século passado, carregava um pesado recipiente onde transportava os deliciosos gelados e percorria os extensos areais de Troia com o seu característico pregão: “Há fruta ó chocolate” ou ainda o outro simpático “Ora já sabem que estou aqui?” é que o “Ervilha nunca falha”.

Mais tarde construiu um carrinho que adaptou a bicicleta destinado à venda dos seus saborosos gelados e que se transformou num veículo icónico que ainda hoje podemos apreciar no Museu do Trabalho, em Setúbal.

Esse veículo adaptado, pintado de branco, ostentando a figura de Bocage, o escudo nacional e algumas legendas, ficava a condizer com o seu proprietário vestido com impecáveis calças e camisa branca, tipo marinheiro.

Os seus gelados faziam as delicias de pequenos e graúdos, quer fossem saboreados nas quentes areias de Troia, quer na frescura da beira-mar, ali por perto da “Asa do Avião”.

Ao que julgo saber o segredo da sua confeção só ele e poucos mais o conheciam, mas lá que eram deliciosos isso eram, quer os de chocolate quer aqueles outros com pedacinhos de fruta.

João Henrique Melo munido de gravador registou para a posteridade alguns desses pregões tão ao gosto do Ervilha e dessa gravação foi escolhido um pedaço que serviu de genérico para a emissora setubalense Rádio Azul:  “Ora já sabem que estou aqui?”

Rui Canas Gaspar
2016-maio-28

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