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domingo, 18 de novembro de 2018


Responda quem souber 

Um dos mais feios postais de Setúbal fica  situado precisamente na principal artéria da cidade, a Avenida Luisa Todi, local agora ocupado por pombos e ratos, bem ao lado de edifícios que se encontram ao serviço da Polícia de Segurança Pública, embora a sua segurança deixe muito a desejar.

Tratando-se de propriedade particular este é um dos edifícios históricos setubalenses que albergou a antiga capela da confraria dos marinheiros e de pescadores de Setúbal, edificada no século XVI e muito abalada pelo terramoto de 1755. 

Anos mais tarde, em 1833, naquele espaço haveria de surgir um teatro, local de diversão de muitos dos nossos antigos conterrâneos. Chegado à época da industrialização aquela antiga casa de oração e de posterior diversão daria lugar a um espaço de produção.  

Nasceria então ali naquelas históricas instalações uma das muitas fábricas de conservas de peixe que laboraram em Setúbal. 

Na fase final da sua ocupação o Estado Novo veio ocupar a antiga  casa de oração, de diversão e de produção agora como quartel de um dos seus braços de apoio, a Legião Portuguesa, e foi com essa utilização que a revolução de 25 de abril de 1974 a veio encontrar. 

O edifício ainda serviu de sede de campanha a um partido político até que a falta de manutenção e conservação o empurraram para uma quase total destruição, com o perigo que isso representa, sobretudo para as viaturas à “guarda” da PSP bem junto ao seu alçado principal.
Independentemente de se tratar de um edifício particular, carregado de história, até quando é que se pode permitir que o mesmo constitua um atentado não só visual, como também real aos setubalenses e a quem nos visita? 

Rui Canas Gaspar
2018-novembro-18
Troineiro.blogspot.com

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Em Setúbal temos uns proprietários que são filhos e outros que são enteados?

Afonso Palheira era um setubalense que embora nunca lhe tivesse sido permitido fazer a promessa de escuteiro, por motivos que aqui não interessa explicar, costumava acompanhar, de vez em quando, com o nosso grupo.

Era um homem simples e como gostava de fardas e não ingressou nos escuteiros, lá conseguiu filiar-se na Legião Portuguesa e, no dia 25 de abril de 1974, porque havia uma revolução e quando miraculosamente de um momento para o outro deixaram de haver pides, bufos e legionários em Portugal  quem é que apareceu à porta da Legião? O nosso amigo Afonso Palheira, para defender Portugal, segundo dizia.

Quem o salvou nesse dia de poder levar alguma sova foi o falecido Chefe Joaquim, um escuteiro por demais conhecido na cidade, que ao passar pelo local tratou de fazer sair dali de imediato o nosso amigo Afonso.

Lembrei-me desta passagem ao olhar para esta antiga foto onde vemos altas figuras do regime ditatorial, alguns deles fazendo a saudação nazi, precisamente à porta do quartel setubalense da Legião Portuguesa.

Podemos reparar como estava bem arranjado este edifício que poucas saudades deixou a não ser provavelmente àqueles que ali foram mitigar a fome comendo uma das famosas “sopas da legião” ou aos outros que se aproveitavam para exercer alguma forma de desdém sobre os seus conterrâneos.

Passadas várias dezenas de anos vamos encontrar o edifício, agora propriedade de um conhecido setubalense, segundo dizem, num estado deplorável e que nada dignifica o seu proprietário nem o nobre local onde está implantado, em plena Avenida Luísa Todi.

Curiosamente, e para mal dos nossos pecados, ainda estamos sujeitos a qualquer dia entrar em despesas, com o dinheiro dos nossos impostos, porquanto a Polícia de Segurança Pública, que tem instalações mesmo ao lado utiliza a parte da frente como parque de estacionamento de viaturas à sua responsabilidade.

Ora se um destes dias cair em cima de um daqueles carros um pedaço do degradado prédio a quem serão assacadas culpas? Ao proprietário, porque é dono do imóvel, à Câmara porque já deveria ter tomado medidas no sentido de pelo menos mandar reforçar as zonas em perigo, ou à P.S.P. que embora sendo polícias e não construtores devia saber que aquele local não é apropriado para estacionamento?

É claro que não defendo, nem de perto nem de longe ideologias e formas comportamentais como os senhores aqui fotografados, mas o facto é que também não partilho de alguma permissividade que se vê por aí e que esta foto bem ilustra.

Não se podem considerar os proprietários setubalenses uns como filhos e outros como enteados e, pelos vistos, o dono deste prédio, atendendo ao estado de conservação e ao tempo que assim se encontra, não deve ser enteado. Digo eu!...


Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-02

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sábado, 18 de abril de 2015

Somos todos fantasma?

Neste sábado 18 de abril de 2015, por volta das 17,30, um agente da divisão de Trânsito da PSP com o pirilampo da mota ligado começa a desviar o trânsito da Rotunda do Vitória. Mais à frente outro impede o acesso à Praça do Brasil e finalmente um carro patrulha da PSP atravessa-se na via, junto à Praça de táxis na Avenida dos Ciprestes impedindo ali o trânsito automóvel.

Poucos minutos passaram e começam a ouvir-se as buzinas dos automóveis parados em sinal de protesto porque a fila não andava depois de aberto o sinal verde. Os automobilistas retidos desconheciam que se tratava de uma manifestação tendo por tema o “fantasma”.

Isso mesmo, um grupo de algumas dezenas de manifestantes começava a sua marcha de protesto, seguindo atrás de uma tarja que anunciava “Somos todos fantasma” seguida de outra com a mensagem: “Não esqueceremos… Não perdoamos”.

Gritando e assobiando os manifestantes seguiram na direção da Avenida da Guiné Bissau, agora com duas faixas de rodagem, em vez das quatro de que dispunha e o trânsito automóvel deixou de circular em ambos os sentidos.

Chegada a manifestação à rotunda do Vitória e em vez de seguir para a 22 de Dezembro que por enquanto ainda tem duas faixas para cima e duas para baixo, entrou na Alexandre Herculano e mais uma vez todos os automóveis que deveriam circular nos dois sentidos ficaram parados ou tiveram de alterar o trajeto.

Não me vou debruçar sobre a bondade ou não da manifestação, vou apenas emitir a minha opinião sobre estas estranhas alterações de trânsito e de uma forma muito simples: Aquilo que está feito é uma autêntica cretinice que nem para manifestações serve e, como se isso não bastasse ainda temos “responsáveis” que autorizam manifestações seguindo por estes trajetos, quando havia outros alternativos.

De facto, parece-me que algo vai de mal a pior e não sendo todos fantasma, julgo que há por aí alguns que ao autorizarem estas aberrações são mesmo tapados de todo e, se calhar, nem sabem que o são!...

Rui Canas Gaspar
2015-abril-18

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Se calhar estou a ser um velho de Troino…

Foi anunciado que a Câmara Municipal de Setúbal quer criar um campus da justiça em Setúbal, o qual tem já local escolhido, perto dos  Quatro Caminhos, na Avenida do Alentejo, nas antigas instalações das Estradas de Portugal.

Nesse campus, cuja proposta a Câmara já apresentou ao Governo, pretende-se juntar  os Comandos Distritais da P.S.P., da G.N.R., a Polícia Judiciária e até o Palácio da Justiça.

Se é um facto que ao juntar todos estes serviços num único local poderão ser feitas economias, não deixo de estranhar, no caso concreto do Palácio da Justiça, um edifício de construção recente feito propositadamente para a função já estar a sofrer profundas obras de reconversão, no valor de largos milhares de euros.

Mas mais apreensivo fico quando o Juiz Presidente do Tribunal da Comarca de Setúbal, afirma que mesmo depois das obras concluídas aquele espaço não irá servir melhor os interesses da Justiça.

Se a G.N.R. tem instalações velhinhas, se o Comando Distrital passou a funcionar nas antigas instalações do que foi o Governo Civil (que ainda ostenta a placa indicativa deste extinto organismo) se a P.J. ocupa as instalações de um antigo convento, julgava eu que o Tribunal estaria bem servido de instalações, mas pelos vistos não está, nem ficará depois das obras.

Se calhar não é então má ideia fazer-se o tal campus para acolher todos aqueles serviços, mas as questões que se nos podem colocar são simples:

Que fazer então com as instalações que ficarão devolutas, principalmente com o enorme edifício do Palácio da Justiça?

De onde virão os muitos milhões para o tal campus?

E já agora, teremos nós gente habilitada a planear o que quer que seja, quando um edifício recente, com obras de adaptação em curso, mesmo depois de concluídas não servem os fins em vista?

Esta ideia faz-me lembrar os malfadados edifícios construídos para a Casa Pia de Lisboa e que ainda não foram inaugurados e ali estão reluzentes à luz do sol nascente quais elefantes brancos, comilões de muitos dos nossos parcos euros.

Mas, se calhar sou eu que não estou a ver bem esta questão ou então estou a ser um velho de Troino, porque do Restelo não sou de certeza.

Rui Canas Gaspar
2014 – outubro – 01

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sábado, 28 de junho de 2014

Feira Quinhentista em Setúbal um espetáculo completo onde até nem o bêbado faltou

O final da tarde estava agradável. Na baixa de Setúbal começava a verificar-se um desusado movimento de pessoas que calma e descontraidamente caminhavam conversando e de vez em quando paravam para ver algumas montras das casas comerciais que se encontravam abertas na Rua Dr. Paula Borba, aquela que entre os antigos setubalenses é conhecida por Rua dos Ourives.

Mas, o principal motivo deste desusado movimento, naquela que em tempos já foi a mais movimentada artéria da cidade, era a Feira Quinhentista que aqui tinha lugar, com os seus pavilhões instalados no Largo da Misericórdia e na Ribeira Velha e com os seus vendedores trajados como se estivessem na época de quinhentos.

Uma dupla de músicos tocando gaita-de-foles e tambor deslocava-se animando o espaço entre os dois largos, alegrando quem passava, enquanto outra dupla de homens de armas, empunhando as suas espadas de vez em quando faziam uma demonstração da sua arte de bem combater.

Se no largo da Misericórdia uma das tendas servia o Keback, aquela deliciosa comida típica de alguns países árabes e uma outra chamava a particular atenção dos visitantes pelo agradável cheiro de dali provinha devido à variedade de frutos secos e pastas de figo, de nozes ou de tâmaras. Porém, por aquelas bandas nada se encontrava para comer que fosse dos nossos latinos gostos.

Já no Largo da Misericórdia o agradável e típico stand montado pela dinâmica APPACDM , associação que apoia as crianças com problemas de saúde mental, servia alguns doces e petiscos, embora o pequeno espaço já se encontrasse repleto de clientes.

Mas, ali naquele largo estava a funcionar um único lugar onde se poderia petiscar, um tipo de tapas como é típico em Espanha e que por cá começa a ser também procurado e foi lá que me sentei e esperei não sei quanto tempo até que fosse atendido pela atarefada senhora que não tinha mãos a medir.

E foi nesse espaço de tempo, mais de 15 minutos, que se encostou à proteção da esplanada um homem, “perdido de bêbado” que não parava de incomodar quem calmamente queria estar sossegado a apreciar outro tipo espetáculo que não aquele degradante que ele teimava em oferecer.

O empregado chegou perto dos casais que ali se encontravam a ser incomodados pelo linguajar do indivíduo e informou que ele já teria estado dentro do estabelecimento e que por isso mesmo já teria chamado a polícia.

Não sei ao certo quanto tempo mediou entre a chamada dos agentes até à chegada de uma dupla da PSP, mas seguramente mais de meia hora, o tempo do homem alcoolizado ter levado “dois berros” e saído dali, para ir incomodar outros pacatos cidadãos.

Não faço ideia se os polícias acabaram por encontrar o homem ou não, o que me deixa apreensivo é que com uma esquadra quase ao lado do evento a polícia leve tanto tempo a chegar. Mais apreensivo fico, quando num evento como este não existe pelo menos um agente da autoridade a patrulhar a zona a fim de desincentivar algum tipo de desordeiro.

Certamente que no tempo em que foi entregue o foral manuelino a Setúbal, cujos 500 anos agora se estavam a comemorar, seriam mais eficientes e os homens do varapau poriam alguma ordem na cidade.
 
O país evoluiu, tornamo-nos um povo de brandos costumes e quinhentos anos depois os bêbados, os ladrões, os traficantes e os vândalos podem andar a incomodar o pacato cidadão, porque polícia para manter a ordem nem vê-la e vamos lá nós saber porquê…

Rui Canas Gaspar
2014-junho-28