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domingo, 8 de outubro de 2017

Os tesouros troineiros de Setúbal 

Quando eu era um rapazinho a alegria e entusiasmo contagiaram a rapaziada do bairro de Troino, naquele dia 11 de maio de 1957, ao saber-se que os trabalhadores que estavam a abrir uma vala para instalar o saneamento, na antiga Rua Direita de Troino teriam batido com uma picareta num pote, partindo-o e descobrindo um tesouro. 

Mais rápido que o vento corri para ver e ainda consegui trazer parte do tesouro, uma moeda romana, tal como todos os rapazes de Troino e alguns homens a que não faltou um conhecido setubalense, Francisco Finura, que por ser colecionador trouxe uma alcofa cheia de moedas. 

Logo a seguir à primeira ânfora, uma segunda foi encontrada e graças à intervenção do polícia que para ali correu a apitar para que todos os pequenos e grandes “assaltantes” dali saíssem ainda conseguiram ir para ao museu da cidade 11.091 moedas romanas. 

Há algum tempo, em conversa com um amigo foi-me confidenciado que no decurso de uma obra de recuperação de um imóvel levada a cabo há alguns anos num edifício histórico, relativamente perto do local onde foram encontradas as duas ânforas contendo o tesouro romano, teria sido encontrada uma bolsa de cabedal contendo várias moedas portuguesas da idade média. 

Curiosamente, a semana passada em conversa com outro amigo, este viria a informar-me que mais moedas teriam sido encontradas naquela mesma zona, nos anos 70 ou 80, aquando da abertura de uma vala, assunto que foi de imediato “abafado” pelo empreiteiro para que não lhe viessem os homens dos serviços de arqueologia parar os trabalhos  em curso. 

Setúbal é uma terra com milhares de anos de História, pelo que por cá encontrar-se-ão certamente enterrados muito mais vestígio do seu passado atestado pelas peças numismáticas que têm sido encontradas, sobretudo nesta típica zona da nossa cidade.  

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-08

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Eu tive parte do tesouro de Troino

Em Setúbal, no dia 20 de maio de 1957, os trabalhadores esforçavam-se manipulando enxadas, pás e picaretas abrindo a vala ao longo da Rua Fran Pacheco, antiga Rua Direita de Troino, para ali colocarem as manilhas que iria permitir àquela antiga artéria da cidade dotar-se do necessário saneamento básico.

Conjuntamente com a terra que retiravam da vala vinha um pouco de tudo, sobretudo pedaços de cerâmica e até ossadas humanas, atendendo a que as escavações decorriam relativamente perto da antiga Igreja da Anunciada, na Praça Teófilo Braga.

Não é de admirar que se encontrassem muitos vestígios de épocas passadas, até porque a cidade teria sofrido três fortes terramotos em 1531, 1755 e 1858 que a teriam afetado profundamente, destruindo muitas das suas edificações.

A determinado momento dos trabalhos a picareta de um operário bateu num objeto de barro, destruindo-o e, do seu interior verteu uma torrente de pequenas moedas de bronze. Tratava-se de uma ânfora romana contendo milhares de moedas.

O insólito achado causou natural burburinho com toda a gente a querer apossar-se de moedas. Eram miúdos e graúdos a tentar deitar a mão a tantas quantas pudessem levar. Houve até quem emprestasse uma alcofa a um conhecido colecionador que residia ali perto para transportar uma enorme quantidade.

A notícia chegou às autoridades e da primeira esquadra saiu correndo um polícia que soprando o seu apito mandava sair daquele local todos que não fossem trabalhadores.

Uma segunda ânfora seria então descoberta contendo 7.090 moedas, enquanto da primeira foram oficialmente contabilizadas 11.091. As moedas seriam então recolhidas e encontram-se em exposição no Museu da Cidade de Setúbal.

O tesouro é composto por moedas de bronze, cunhadas entre 253 e 363 d.C. à exceção de uma moeda republicana cunhada entre 187 e 155 a.C.

Alguns outros milhares de moedas foram levadas pelos populares antes da chegada das autoridades, pelo que o tesouro romano encontrado na Rua Direita de Troino continha muito mais peças do que aquelas que são oficialmente mencionadas.

Eu tinha nove aninhos, também lá estive com outras crianças de Troino e também trouxe uma parte do tesouro romano. A mim calhou-me, imagine-se, uma moeda.

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-13

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