notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quinta-feira, 10 de março de 2016

Setúbal transforma-se numa terra de arte, beleza e alegria

As tunas académicas são agrupamentos musicais que interpretam os mais diversos estilos de música popular, erudita e até composições originais. Tiveram origem na segunda metade do século XIX e daí até aos nossos dias não mais pararam de se formar essencialmente entre os estudantes do ensino superior.

A simpática e alegre Tuna Sadina é um grupo composto por alunas da Escola Superior de Educação de Setúbal, formado já lá vão alguns anos, concretamente em 24 de maio de 2000.

Este grupo tem um vasto reportório onde se destacam alguns temas populares setubalenses e outros do folclore nacional.

O grupo cresce e renova-se constantemente. Enquanto umas tunantes acabam os seus cursos e deixam o grupo, novas caloiras entram para o mesmo emprestando toda a sua graça, energia e talentos.

Deve-se à já emblemática Tuna Sadina a organização do tradicional Festival Acordes que nesta sexta-feira e sábado (dias 11 e 12 de Março de 2016) aquando da efetivação da 15ª edição deste certame irá juntar as mais diversas tunas, oriundas de várias partes do país.

Os setubalenses estão convidados para assistir, gratuitamente, à abertura do festival, no Largo da Ribeira Velha, pelas 21,00 horas onde lhes será oferecida uma Noite de Serenatas, pelas tunas a concurso, e os convidados amigos T.A.S.C.A e EStuna.

No sábado o festival que integrará para além das sadinas, tunas oriundas de Barcelos, Viana do Castelo, Lisboa e Covilhã terá lugar no Fórum Municipal Luísa Todi pelas 21,30 e os bilhetes estão à venda nas bilheteiras do fórum e on-line em www.bol.pt

Alegria e muita animação é o que se espera numa cidade que se renova constantemente com novas obras de arte, mais beleza e muita alegria.

Rui Canas Gaspar
2016-março-10

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domingo, 6 de março de 2016

Os belos e sólidos galeões do sal setubalenses

Das dezenas de antigos Galeões do Sal que sulcaram as águas do Sado, até à década de setenta do século passado, quinze destes belos e sólidos barcos ainda se encontram operacionais e, ao que tudo indica, em boas mãos, agora não transportando o “ouro branco” oriundo de calmas e azuis águas sadinas, mas dedicando-se geralmente às viagens de lazer.

Estas antigas embarcações à vela navegam em distintos pontos da Europa, nomeadamente em França e Inglaterra. Porém também os podemos observar na Madeira e no Algarve e naturalmente no seu antigo local de trabalho, ou seja, em Alcácer do Sal e em Setúbal.

No rio que banha a cidade sadina vamos encontrar o “Pego do Altar” e o “Riquitum”, propriedade de João Barbas de Oliveira, da Troia Cruise, uma das poucas empresas locais que opera como marítimo turística e que foi constituída em 1989.

O “Zé Mário” é propriedade da Reserva Natural do Estuário do Sado.

Este antigo barco de carga, construído com trinta toneladas de madeira, têm um comprimento de 16,90 m; boca 4,75 m; pontal 1,14m e foi concebido para o transporte de 35,00 moios, ou seja 29.750 kgs do outrora famoso e muito procurado sal setubalense.

O “Zé Mário”, setubalense de gema, foi mandado construir em 1944 por Possidónio Tavares no estaleiro de Chaves & Chaves, Lda. tendo-lhe sido inicialmente colocado o nome de “Angelina de Jesus” e foi registado no ano seguinte.

Quando em 1963 foi vendido a José Manuel da Cruz é que passou a ostentar a designação com que ainda hoje o conhecemos, embora desde então tenha tido mais um proprietário, antes de em 1982 ser adquirido pela Reserva Natural do Estuário do Sado, entidade que mandou proceder a um profundo trabalho de recuperação nos estaleiros da firma Jaime Ferreira da Costa & Irmão, Lda. sedeada em Sarilhos Pequenos. Já as velas e restante aparelho ficou entregue à dupla Brás e José Silva, dos últimos especialistas em velas para embarcações tradicionais.

Mas, são os barcos da Troia Cruise, construídos em 1943, aqueles que mais frequentemente vemos a navegar na nossa “Baía dos Golfinhos” onde nas diferentes rotas que opera geralmente têm a companhia destes simpáticos animais que não raras vezes vêm desafiar o “Riquitum” e o “Pego do Altar” para uma prova de velocidade pelas águas do rio azul.

É bom saber que embora a colónia de roazes residentes no Rio Sado não seja tão abundante como o foi outrora, ela represente um importante tesouro faunístico, porquanto é uma das poucas existentes em todo o mundo, daí a natural curiosidade mas também a necessidade de se proceder com o devido cuidado para a preservar como o fazem normalmente as empresas que operam no setor.

Agora que nos estamos a despedir do Inverno e que dias mais agradáveis aí virão não perca a oportunidade para fazer um passeio numa das mais belas baías do mundo e aproveitar para observar os simpáticos animais marinhos que Setúbal já adotou como seu símbolo.

Rui Canas Gaspar
2016-março-junho

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sábado, 5 de março de 2016

Bem-vindos a bordo do Barco EVORA




Batizaram-me em 18 de julho de 1931 com o nome de “EVORA” e sou alemão de nascimento, porém é ao povo português que entreguei o meu coração desde que naquele dia de verão entrei nas águas do Báltico. Com ele tenho convivido ao longo das dezenas de anos, iniciando-se a nossa íntima relação logo após ter sido dado à luz no distante fiord de Kiel, na Alemanha. 
Já em pleno Inverno, encetei a viagem de uma semana pelo Oceano Atlântico, nem sempre calmo, diga-se de passagem, navegando desde o local do meu nascimento até Portugal. Por aqui tendo ficado e trabalhado arduamente, ou não fosse eu um forte barco construído com chapas recicladas de carros de combate utilizados na Primeira Grande Guerra. 
Tive a grata missão de transportar as mais diversas pessoas: umas de origem humilde, outras figuras importantes, de uma para a outra margem do Rio Tejo, orgulhando-me de ser o barco que mais gente passei de uma para a outra banda.
Todos gostavam de mim e eu próprio também tinha muito orgulho na minha pessoa, não por ser narcisista, mas porque quando jovem, era de facto bonito, o mais rápido no Tejo, muito asseado, o único que aqui usava motor diesel. 

Em 2016 farei 85 anos e tenho dividido estes anos de vida navegando no Tejo entre luminosa Lisboa e o proletário Barreiro e a bela azul “baía dos golfinhos” em Setúbal.

Os meus donos têm-se esforçado para que eu me mantenha com o vigor dos meus verdes anos, mas mais do que isso que me mantenha bonito e, garanto-vos, que nunca estive tão bem como estou agora.

Hoje sábado, dia 5 de março de 201, iniciei as comemorações do meu vetusto aniversário e saí para o largo levando a bordo meia centena de trabalhadores da PALMETAL que decidiram esconder-se a bordo e surpreender um antigo administrador desta empresa que se aposentou, oferecendo-lhe o passeio e um belo almoço a bordo e numa das mais belas baías do mundo, a de Setúbal.

Dá para imaginar como se sentiu aquele antigo gestor, com esta tão inusitada surpresa? Claro que não dá, só vendo!...

Como disse agora estou mais belo e charmoso do que nunca e para além do agradável convés, disponho não de um mas de dois belos e amplos salões onde recebo muito bem os meus convidados.

Para aqueles que me chamam de “Velho Senhor do Tejo” ou de “Cisne Branco do Sado” apenas desejo que sejam bem-vindos a bordo do Barco EVORA.

Rui Canas Gaspar
2016-março-05

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sexta-feira, 4 de março de 2016

Venha conhecer o Ateneu Setubalense e praticar xadrez

O Ateneu, símbolo da antiga cultura grega e ocidental era um templo construído em Atenas, um espaço dedicado não só ao culto da deusa que dava o nome à cidade, mas sobretudo um local de reunião de oradores e filósofos daquela época.

Na mitologia grega Atena era a deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia, das artes, da justiça e das habilidades.

Em Setúbal, o Ateneu Setubalense foi fundado em 19 de maio de 1914, dois meses antes de ter início a deflagração do primeiro conflito mundial, uma guerra em que Portugal participou ao lado das forças aliadas e onde perderiam a vida quase dez mil militares lusos.

Inicialmente o clube era designado como Antigo Grémio Literário e Artístico Setubalense tendo os seus Estatutos oficiais sido aprovados em 24 de outubro de 1924, propondo-se proporcionar aos seus associados e famílias os divertimentos e meios instrutivos capazes de dignificar a instituição e os seus sócios bem como promover o seu “aperfeiçoamento moral difundindo a instrução e o ensino de conhecimentos úteis, abstraindo os assuntos de caráter político ou religioso”.

Até há cerca de cinquenta anos o Ateneu era um seleto clube fechado e restrito. No caminho de um século de História chegamos a 2014, ano em que comemorou o seu centésimo aniversário e se tornou no mais recente membro do grupo das agremiações centenárias sadinas, agora como um clube aberto a todos, porém com muito poucos aderentes.

As instalações estão sedeadas na Rua Major Afonso Pala, nº 54, uma rua estreita no coração da zona histórica da cidade onde é necessário subir umas íngremes escadas para chegar ao primeiro andar onde se localiza a sede do clube.

A coletividade encontra-se aparentemente esquecida pelos setubalenses que até há algumas décadas enchiam as suas instalações para se deliciarem com recitais de piano, participar em bailes, assistir a peças de teatro, divertir-se em torno de uma mesa de jogos ou simplesmente conviver com os amigos.

Nos primeiros anos do segundo milénio, o clube destacou-se também no xadrez, quando um dinâmico grupo de jovens desenvolveu a modalidade com algum sucesso.

É pois para aqui, para o centenário Ateneu Setubalense que este grupo de jovens e até menos jovens adeptos deste jogo de mesa convidam os setubalenses para virem praticar esta milenar modalidade desportiva, uma das mais populares em todo o mundo.

Rui Canas Gaspar
2016-março-04

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Obrigado Vitor Caldeirinha

Não me lembro de ter assistido alguma vez em Setúbal a um relacionamento tão bom entre a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) e a Câmara Municipal de Setúbal (CMS) com os benéficos resultados práticos de todos nós conhecidos.

Honra seja feita a Maria das Dores Meira, eleita pela CDU, e a Vitor Caldeirinha, afeto ao PSD, que souberam construir pontes de entendimento ao invés de erigirem muros de separação.

O facto destes dois governantes serem afetos a duas formações partidárias distintas não inviabilizou que se tivessem empenhado numa profunda relação de cooperação até então desconhecidas dos setubalenses e que só veio a beneficiar a cidade do rio azul.

Mas, quando tudo parecia estar a ir de vento em popa no dinâmico Porto de Setúbal e, quando a cidade estava a sentir os efeitos benéficos de tão boa salutar parceria, eis que surge a notícia de que iria passar a vigorar uma administração conjunta para os portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra.

Sendo assim, o setubalense Vitor Caldeirinha, aqui nascido e criado para as bandas da Praça do Brasil, embora não vá partir para aquele país irmão, vai ter pelo menos deixar de exercer as suas importantes funções à frente da APSS.

Se se trata de uma medida tendente a diminuir custos operacionais é o que ainda vamos ver. Uma coisa é quase certa, se não houver aqui, em Setúbal, gente verdadeiramente empenhada em desenvolver esta terra, retrocederemos uns bons anos até ao tempo de que o porto estava de costas voltadas para a cidade.

Pessoalmente, enquanto setubalense lamento ver sair Vitor Caldeirinha da liderança do porto setubalense cujo meritório trabalho, estou convencido, é por demais reconhecido pela generalidade dos seus conterrâneos e a quem eu agradeço enquanto natural desta terra que também aqui viu nascer os meus pais.

Por outro lado, e independentemente de qualquer bairrismo ou conhecimento de ordem técnica, não me parece que Setúbal vá beneficiar com esta fusão. Vamos sim mais uma vez ser ofuscados pela sombra centralizadora da capital que assim vai anulando paulatinamente todo e qualquer protagonismo local.

Embora a obrigação de qualquer profissional seja desenvolver diligentemente as tarefas para o qual está contratado, não ficaria bem comigo mesmo se não agradecesse o empenho de Vitor Caldeirinha na presidência do Conselho de Administração da APSS. E, o mínimo que posso desejar é que bons ventos soprem para as suas próximas funções, que espero  venham a passar por Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-março-04

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quarta-feira, 2 de março de 2016

Prefiro estar de olhos vendados!

Prefiro assim! Não quero ver a placa toponímica que está na minha frente. Ela ostenta o nome de Paulino de Oliveira, o tal escritor e poeta, senhor muito conceituado e dito defensor do povo, que não se coibiu de pegar num chicote contra as mulheres operárias conserveiras como eu.

Sua esposa, Ana de Castro Osório, também era uma defensora dos direitos das mulheres, mas, de umas mais do que outras e se essas mulheres fossem operárias como eu os direitos não seriam os mesmos daquelas senhoras letradas e da classe alta.

É bom não esquecer que esse tal Paulino de Oliveira e sua mulher “defensores” dos trabalhadores trataram de organizar um grupo de fura-greves para nos fazer frente quando aquilo que pedíamos aos patrões era um aumento de salário insignificante.

A força bruta estava ao lado do patronato e logo trataram de enviar a recém-formada Guarda Nacional Republicana e mais um navio de guerra que fundeou no Sado para nos reprimir de forma anormal e por demais violenta.

Tentei lutar com a força da minha razão, tal como as minhas companheiras conserveiras, mas a brutalidade sobrepôs-se à nossa razão e aprisionaram muitas das nossas companheiras e companheiros, feriram outros e a um jovem operário e a mim mesma mataram-nos.

A greve terminou e em vez de aumento diminuíram-nos o pouco que recebíamos e fizeram-nos trabalhar mais tempo ainda. Tempos de miséria!

Tudo aconteceu nesta laboriosa cidade de Setúbal em 1911, apenas um ano depois da queda da Monarquia e da implantação do regime republicano.

Passados todos estes anos, a bela cidade do rio azul, decide honrar as conserveiras e a sua luta por melhores condições de vida. Para perpetuar a memória fizeram esta estátua e colocaram-na numa das mais características zonas de Setúbal, a popularmente conhecida Fonte Nova.

Mariana Torres é o meu nome e aqui represento todas essas valentes e esforçadas mulheres conserveiras. Mas, por favor, embora já lhe tivesse perdoado bem como  a sua esposa, não me tirem a venda dos olhos porque sinceramente desgosta-me ter de ver o nome de Paulino de Oliveira colocado na placa toponímica mesmo na minha frente.

Rui Canas Gaspar
2016-março-fevereiro

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O nosso típico Bairro das Fontainhas 

Se existem zonas típicas em Setúbal, podemos sem dúvida dize-lo que elas se encontram em Tróino a poente  e nas Fontainhas a nascente, é aqui que vamos encontrar os mais genuínos habitantes desta terra, virada para o Sado, a quem muito deve a urbe.

O Bairro das Fontainhas remonta ao século XVI, conhecendo o seu desenvolvimento nos dois séculos seguintes. Foi neste espaço de encosta que se edificaram as antigas habitações, nas quais podemos em alguns casos reconhecer pequenos pormenores que remontam aos primeiros séculos da sua ocupação.

As ruas do bairro são geralmente estreitas e sinuosas, podendo-se aqui também observar escadarias de acesso aos pontos mais altos. O chão é pavimentado, embora grande parte dessas calçadas estejam presentemente cobertas por asfalto.

Curiosamente, alguma da pedra utilizada, quer no pavimento quer até em algumas construções veio de muito longe, servindo de lastro aos barcos que demandavam o porto de Setúbal aqui chegados para carregar o seu “ouro branco”, o sal que foi fonte de riqueza e progresso durante séculos.

O bairro ainda mantém algum colorido e tipicismo com muitas entradas de residências decoradas com múltiplos vasos de vistosas e bem cuidadas plantas, podendo-se também observar as roupas bem lavadas dos seus moradores penduradas junto à porta de casa a secar ao sol.

O comércio era diversificado como não podia deixar de ser numa zona com tantos barcos e com apeadeiro de comboio. As tabernas, local de encontro e convívio entre os homens do mar, também por ali proliferavam. Alguns desses espaços ainda hoje funcionam, porém com outro tipo de atividade.

Um dos pontos de maior atração até meados do século passado foi o “poço das fontainhas”, erigido em 1861,local onde parte dos habitantes se abasteciam de água, quer para as suas casas quer para os barcos de pesca que acostavam frente ao mesmo, inicialmente na praia e posteriormente na doca.

Era neste local que podíamos encontrar sempre algum pescador a remendar redes e onde muitos beijos foram rapidamente trocados entre jovens enquanto se enchia uma bilha de barro com a preciosa água que hoje já ali não corre. Tal como também não correm as mulheres para as muitas fábricas de conserva de peixe, a nascente do bairro, que com as suas potentes sirenes as chamavam ao trabalho, quando a nossa costa era farta de boa e deliciosa sardinha.

Rui Canas Gaspar
2016-março-03

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O antigo Bairro Carmona 

Aquela década de 40 do século XX foi um período de grande crescimento populacional em Setúbal, causando naturalmente graves problemas de alojamento.

Esse desenvolvimento originou que boa parte da população construísse a sua própria habitação, em condições de grande precariedade, recorrendo sobretudo a tábuas de madeira provenientes de caixotes usados, chapas metálicas reaproveitadas de antigos bidons e, até as grelhas usadas utilizadas nas fábricas conserveiras serviam para fazer as vedações dos pequenos quintais anexo às habitações.

Enquanto nas colinas a poente da cidade cresciam os bairros de lata de Olhos de Água, Castelo Velho e outros, a nascente eram nas tristemente famosas azinhagas do Mal Talhado que residia boa parte da população trabalhadora nas muitas unidades conserveiras que laboravam em Setúbal.

A Freguesia de São Sebastião teve o seu maior aumento populacional nesta década e, se os registos apontavam para uma população de 18.424 fregueses em 1940, dez anos depois, as estatísticas registavam 23.832 pessoas a residir na freguesia.

Para ajudar a ultrapassar a crise habitacional nesta populosa zona da cidade, o Estado Novo mandou construir os Bairros de Nossa Senhora da Conceição e Marechal Carmona.

Os 320 fogos, disseminados por uma extensa área, que constituíam o Bairro Carmona apresentavam-se em dois diferentes tipos de edifícios; uns em prédios térreos e outros em edifícios de rés-do-chão e primeiro andar.

O custo global deste empreendimento foi de quase dez mil contos, mais concretamente 9.704.109$50, uma verba substancial para aquela época.

O nome do bairro homenageava o então Presidente da República Portuguesa, António Óscar de Fragoso Carmona, nascido em 24 de novembro de 1869 e falecido em 18 de abril de 1951, tendo sido eleito para a presidência em 1928 e sucessivamente reeleito em 1935, 1942 e 1949.

Após ocorrer a revolução de 25 de abril de 1974, várias artérias citadinas viram mudadas as suas designações e o Bairro Carmona não escapou, passando a designar-se por Afonso Costa, um dos obreiros da implantação da República.

Pouco tempo depois de ter visto o seu nome alterado, muitas das pequenas e engraçadas casas rodeadas de espaços destinados a quintais e jardins seriam demolidas para dar lugar a novos edifícios erigidos em regime de propriedade horizontal e onde mais e mais população se viria a acolher, numa Setúbal que não parava de crescer.

Ainda hoje podemos observar neste antigo bairro o convívio de algumas das antigas moradias unifamiliares com os modernos prédios de apartamentos, que ocupando o mesmo espaço albergam muito mais setubalenses.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-29

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domingo, 28 de fevereiro de 2016

O galo da Bela Vista

Não sou gaivota nem pato
Nem canário comedor de “alpista”
Não sou ratazana nem rato
Apenas e só, galo da Bela Vista

No Bairro Azul, bem no alto
Mirando a serra e a bela baía
Não canto como um contralto
Delicio-me com o nascer o dia

Vejo a Arrábida, Setúbal e o Sado
Maravilhas que a todos encantam
Deixando um troineiro pasmado
E a quem as belezas espantam

Só com este pôr-do-sol
Delicio-me com a vista
Não canto como um rouxinol
Sou o galo da Bela Vista

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-28

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Portugal continua sob a potencial ameaça da central de Almaraz

Portugal continua a olhar com desconfiança para a sua segurança enquanto a velha central nuclear de Almaraz continuar ativa, a despeito das “garantias” dadas pelas autoridades espanholas.

O facto é que mais uma vez, neste mês de fevereiro de 2016, a central nuclear teve nova avaria tendo a administração da mesma emitido uma nota de imprensa dando conta de que a mesma “teria sofrido uma paragem durante a operação de aumento de carga, depois de ter sido efetuada a ligação da unidade à rede”.  

A central pertencente às empresas Iberdrola, Endesa e Unión Fenosa é arrefecida pelas águas do Rio Tejo e situa-se a apenas 200 quilómetros da fronteira do Caia/Badajoz, na província espanhola de Cáceres, num local bem conhecido dos portugueses que viajam para Madrid.

É ali que muitos condutores portugueses e espanhóis param, no conhecido Restaurante Portugal, quando viajam pela E90, a estrada europeia que começa em Lisboa e termina na Turquia, junto à fronteira com o Iraque.

Esta é a quarta central nuclear de Espanha e começou a ser construída em 1972, nove anos depois, em 1981, entrava em funcionamento o seu primeiro reator e dois anos depois o segundo. O seu encerramento estava previsto para 2010 o que não aconteceu, tendo o governo espanhol decidido protelar este encerramento por mais 10 anos.

Neste período de mais quatro anos, ou seja até 2020, esperemos que nada de mais grave aconteça, sabido que quando se está a encerrar uma unidade industrial não é na ponta final que se investe na mesma a não ser naquilo que é inadiável para a sua produção.

Sendo assim, entendo que a atenção a Almaraz deve ser reforçada, não só pelas autoridades espanholas como também pelas portuguesas, é que um acidente naquela central atómica não conhecerá fronteiras, sobrando para nós, com as inevitáveis e imprevisíveis consequências.  

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-28

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O Terminal 7 não deve ser construído tão cedo

As desativadas instalações da SADONAVAL, localizadas nos antigos estaleiros da Praia da Saúde constituem a última edificação das várias unidades que ali foram utilizadas na indústria naval durante largas dezenas de anos.

Com a desocupação por parte de trabalhadores e equipamentos daquelas instalações e posteriormente com o bota-abaixo do último barco reparado naqueles estaleiros, o “Ponta do Verde”, era suposto que se procedesse à demolição das instalações e limpeza do espaço por si ocupado, bem como à remoção dos últimos restos de betão onde assentavam os carris de acesso ao rio.

De facto, os carris foram retirados, tal como algumas ferragens que por ali estavam mas não foi aproveitada a oportunidade para que o restante material fosse removido de modo a que ali fossem posteriormente despejados alguns camiões de areia e a Praia da Saúde ficasse então mais ampla e limpa.

Também não foram demolidas as instalações da SADONAVAL, de forma a ampliar-se o espaço disponível, instalações que se encontram provisoriamente ocupadas pelo Centro Náutico, de acordo com protocolo de cedência assinado entre a C.M.S. e aquele clube.

Ainda que não fosse construído para já o anunciado Terminal 7 era suposto que o espaço ficasse livre e desocupado.

Ao invés de se verificar a demolição, podemos ver agora as antigas instalações a sofrerem obras de beneficiação, ao nível do fecho das várias janelas, com alvenaria rebocada, deixando-se livre a ultima fiada com colocação de blocos de vidro para permitir a iluminação natural.

Em função desta constatação somos levados a concluir que a obra para ali projetada, o tal Terminal 7, não deve estar para iniciar tão cedo tal como as antigas instalações da SADONAVAL também não deverão ter data anunciada para a sua demolição.

Cá por Setúbal costumamos dizer que “quem não tem dinheiro não tem vícios” e, como tal, construir uma obra de raiz como o Terminal 7 para aumentar dívida às finanças municipais também não me parece boa política, como boa política não me parece que seja a de não se investir mais alguns poucos euros para dotar a Praia da Saúde com mais uns bons metros de areal.

Aguardemos, o que, quando e como ali irá surgir, de forma a que se dê novo e quase definitivo visual à bonita zona ribeirinha e, entretanto, enquanto não se procede à demolição que se dê às velhas instalações a melhor utilidade e um aspeto decente e atraente.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-25

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domingo, 21 de fevereiro de 2016

O eficaz método pedagógico da Professora Coelha

Tenho um bom e querido amigo que está quase com noventa aninhos e hoje fui visitá-lo.

São momentos sempre muito agradáveis aqueles em que recordamos os tempos da nossa meninice, especialmente as nossas vivências escolares.

E foi desta agradável visita a um velho setubalense que resultou a história que aqui partilho com muito gosto, a qual é um testemunho de tempos distantes em que os métodos pedagógicos eram bem diferentes dos de hoje.

O Mário tinha os seus nove aninhos quando um dia, seu pai, feitor numa propriedade na Comporta decidiu que a professora deveria puxar pelo filho de modo a que o rapaz aprendesse mais e melhor.

Para conseguir as boas graças da conhecida professora Coelha, que lecionava ali perto da passagem de nível das Fontainhas, o progenitor tratou de lhe ofertar uma saca com 50 quilos de boas batatas colhidas naqueles férteis terrenos de Troia.

A partir desse dia o Mário tornou-se o alvo principal da atenção da professora, que não se fazia rogada em aplicar o respetivo corretivo com a “menina dos cinco olhos”, a temida régua com que dava as fortes palmatoadas, quando o rapaz não dava resposta correta a uma qualquer pergunta.

Embora o Mário nunca tenha sido brindado com a exposição à janela, ostentando as tradicionais “orelhas de burro”, o facto é que foram tantas as reguadas que apanhou que ainda hoje, passados oitenta anos as tem bem vivas na memória.

Os métodos pedagógicos da professora Coelha, seguidos anos mais tarde por sua filha, também ela professora no Bairro de Troino, poderiam não ser os mais aconselháveis, porém no caso do Mário parece que foram de facto muito eficazes, atendendo a que o rapaz num só ano fez a terceira e quarta classe, ficando apto a entrar no liceu.

Ainda hoje, quando algum antigo companheiro de escola, o encontra, não deixa de lhe lembrar as batatas que o pai ofertou à professora e que nunca mais acabavam…

E se os rapazes levavam valentes dozes de reguadas, a sua vingança era depois de feito o exame da 4 classe, já livres da temível professora, lá iam eles atirar umas pedras à porta da senhora, que tristemente comentava: “Ingratos! Depois de tudo o que fiz por eles, é assim a sua paga!...”

Outros tempos, outras histórias!

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-21

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ARRÁBIDA
Vamos matar a galinha dos ovos de ouro?

Mercedes, Volkswagen e Ferrari são marcas de automóveis que vão fazer por estes dias filmes publicitários na Arrábida, trazendo até cá não só centenas de técnicos como também mais de uma centena de jornalistas, os quais naturalmente aqui deixarão largos milhares de euros, gastos em estadia, alojamento e meios técnicos.

Os mais diversos eventos desportivos trarão também este ano a Setúbal milhares de turistas, desportistas e jornalistas estrangeiros que não deixarão de querer visitar o Parque Natural da Arrábida, um espaço ímpar não só regional, como nacional.

E se a beleza deste espaço cativará certamente os visitantes não acredito que o mesmo possa acontecer com as infraestruturas que ali irão encontrar, dado que são quase inexistentes e até o básico, como sejam os miradouros estão em estado deplorável.

E é isso também que lhes irá despertar a atenção e isso será certamente o que também irão transmitir para os seus países nas crónicas que irão produzir e que em nada irá abonar o setor turístico nacional.

Bem que se poderia evitar esta imagem deprimente, minimizando-se  este impacto negativo, com uns poucos camiões de gravilha, meia dúzia de bidons de alcatrão e umas poucas horas de trabalho de pedreiro, o suficiente para mudar radicalmente o mau aspeto destes espaços.

Isto pode parecer assunto de somenos importância, mas não é. Estou a falar sobre aquilo que é mais visível e com que as pessoas se depararão, na sua curta estadia, quer queiramos ou não.

Para quê gastar-se milhares de euros a promover a nossa terra para atrair turistas se eles ao aqui chegarem vão encontrar, desnecessariamente, estas situações de propaganda negativa?

Diria mesmo que isto é o que se pode rotular de “matar a galinha dos ovos de ouro”.

Bem sei que as Estradas de Portugal vão dizer que os miradouros são da responsabilidade do Parque Natural da Arrábida, bem sei que alguém irá sacudir a água do capote argumentando que a promoção turística é responsabilidade da Câmara Municipal e assim neste jogo de empurra o que é simples de resolver vai-se tornando cada vez mais complicado.

Curiosamente o que mais me espanta é que com tantos técnicos, gestores, diretores e presidentes em todos estes organismos, não haja gente capaz de tomar decisões no sentido de, eficientemente, resolver estas pequenas (grandes) anomalias que nos irão sair mais caras do que se avançasse de imediato com a resolução do problema.

Chamo mais uma vez a atenção do Parque Natural da Arrábida, das Estradas de Portugal e da Câmara Municipal de Setúbal para esta questão do mau estado dos miradouros da Arrábida porque eles são um dos melhores cartões-de-visita de que dispomos e o seu estado em nada vai ajudar a promover o turismo nacional, com a consequente quebra nas necessárias receitas que essa indústria naturalmente pode gerar e que tanto jeito darão nas depauperadas finanças nacionais.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-17

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Hoje encontrei um “tesouro” na Arrábida

A Serra da Arrábida é uma caixinha de surpresas e não deixa de nos surpreender pelos mais diferentes motivos. Hoje quando por lá dei uma volta e decidi ir “meter a cabeça” num determinado local deparei-me não com um tesouro, mas com pouco mais de três dezenas de moedas.

Não mexi nelas, nem as desviei um milímetro do local onde se encontram, apenas as fotografei e, de tempos em tempos, irei por lá passar para ver se estão mais, se estão menos ou se simplesmente sumiram.

Não sei quem as colocou nem com que intenção, tal como não sei com que intenção é que aquele rico romano foi enterrar uma ânfora repleta de moedas, algures para as bandas do Creiro. Provavelmente um tesouro fruto da venda do peixe em conserva que dali saía para todo o império a bordo das possantes corbitas de transporte.

Em 1968 uma moderna máquina ao romper o terreno para fazer a estrada que faz a ligação entre a estrada  N10-4 e a praia do Creiro partiu a ânfora que ali estava enterrada e espalhou as moedas que certamente tanto trabalho deram a amealhar ao seu proprietário.

O caçador José Correia, residente em Setúbal, que por ali passou viu-as espalhadas pela terra e ao verificar que eram de cobre e não de prata ou ouro, não ligou grande coisa, limitando-se a apanhar um punhado e a trazer como recordação para ofertar aos amigos.

Ao que parece os operários que procediam aos trabalhos de terraplanagem ao terem conhecimento do achado também trataram de recolher a maior parte das peças encontradas, ainda antes da chegada do padre Manuel Marques, então capelão do Hospital do Outão, entretanto alertado com a notícia.

Este sacerdote, pessoa interessada pela história da nossa terra, deslocou-se rapidamente ao local das terraplanagens, no Creiro e, depois de procurar entre a terra revolvida ainda conseguiu juntar mais de três dezenas de moedas tendo certamente muitas outras ficado por ali, enterradas no local dos trabalhos.

O padre Manuel Marques viria a ofertar uma dessas peças ao seu colega, conhecido estudioso desta região da Arrábida e Azeitão, padre Manuel Frango de Sousa, moeda identificada como pertencente ao reinado do Imperador romano Honório.

Este foi um outro tesouro arqueológico do qual nunca se conseguiu quantificar as peças encontradas dada a dispersão das mesmas e às características que envolveram o seu achado, nomeadamente quanto ao local, em plena Serra da Arrábida e à quantidade de pessoas que a ele tiveram acesso.

É claro que hoje não tive a sorte de encontrar um tesouro romano, nem muçulmano, mas sim um punhado de moedas correntes colocadas num local pouco acessível sabe-se lá com que intenção.

São coisas de Setúbal ou da nossa Arrábida desconhecida!...

Rui Canas Gaspar

17-fevereiro-2016

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Vivó Vitórrria!!!

Era umas nove horas da manhã neste bonito e solarengo dia de Inverno, quando os termómetros marcavam 8 graus e pouca gente ainda se via na “praça” como gostam de chamar os setubalenses ao seu bonito Mercado do Livramento e já por lá andava a equipa principal do Vitória Futebol  Clube.

Acompanhavam a equipa vitoriana vários colaboradores e diversos fotógrafos bem como pessoal da comunicação social, enquanto um ou outro atleta era mais solicitado para uma foto com alguém do público ou para dar um autógrafo.

Os jogadores não tinham ido à praça para comprar  algum do bom peixe que por ali se vende ou as frescas hortaliças que as “mulheres do campo” costumam trazer para comercializar. Os rapazes foram-se mostrar numa operação de charme, ou de marketing, se quiserem, de forma a poder cativar os setubalenses para os poderem apoiar no sábado, pelas 18,00 horas no Estádio do Bonfim.
E, é ali, naquele espaço erigido com o esforço dos setubalenses que o ENORME vai defrontar o Nacional, a equipa que vem da bonita ilha da Madeira até esta terra não menos agradável que é Setúbal.
E como sempre acontece em terras do rio azul, sobretudo na sua praça, onde tudo acontece, onde tudo se comenta e onde tudo se sabe, que me dirigi a duas senhoras que acompanhavam a equipa, envergando elas também camisolas do Vitória, para saber o que se estava a passar e o porquê da equipa estar naquele local.
Ao lado estavam outras senhoras que assim se dirigiam: - À vizinha dê-me aí dois bilhetinhos para o jogo. E logo as senhoras que envergavam as camisolas vitorianas trataram de lhes distribuir os ingressos gratuitamente. 

Eu também me acheguei ao grupo e logo as simpáticas colaboradoras me perguntaram: “- também querr dois, vizinho?”. Agradeci a oferta e sorri satisfeito não pelos ingressos para o jogo que tão gentilmente me estavam a oferecer mas sobretudo por ter tido a oportunidade de vivenciar estes minutos tão agradáveis na minha praça, com o meu Vitória e com as gentes e pronuncia da minha terra.

Vivó Vitórria!!!

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-16

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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Zéfiro entra em Setúbal para fecundar as éguas lusitanas

Na Grécia antiga, berço da democracia, das artes plásticas, do desporto, do teatro e de outras diferentes manifestações de conhecimento, para transmitirem ao mundo os seus ensinamentos, os gregos, criaram mitos e estórias, que foram transmitidas oralmente de geração em geração e onde monstros, heróis e deuses eram normalmente os principais protagonistas.

E, foi assim, que nasceu o poderoso e forte Zéfiro, o vento do oeste, aquele  que casou com Íris e foram viver felizes para uma caverna na Trácia, deixando a sua família de nascimento, a mãe Aurora, o pai Astreu e os irmãos Bóreas, Noto e Eurus na sua região natal.

Diziam que Zéfiro fecundava as éguas de certa região da Lusitânia tornando elegantes os cavalos desse zona e invulgarmente velozes como são ainda hoje conhecidos os puro-sangue lusitanos, os mais antigos cavalos de sela de todo o mundo que constituem uma das mais preciosas heranças genéticas de Portugal.

A cidade de Setúbal decidiu homenagear, em abril de 2014, a cultura grega e a influência que a mesma indiretamente teve na portuguesa, construindo um monumento de grandes dimensões dedicado a Zéfiro, o vento do oeste.

Esta obra escultórica foi financiada pela fundação Buehler-Brockhaus e teve como autor o escultor plástico Sérgio Vicente tendo sido colocada a nascente da cidade, na Avenida Álvaro Cunhal, numa movimentada rotunda de Monte Belo, bem perto de uma fonte decorativa de onde se destaca o nome de Setúbal.

O monumento é composto por meia dúzia de enormes barras de ferro retorcidas, tal como se fossem elegantes e delicadas espigas vergadas para Leste, pela poderosa força de Zéfiro que soprando forte do Oceano Atlântico a todos faz sentir a sua força.

É aqui, em Setúbal, que Zéfiro entra pela terra dentro e corre sem parar ansioso por encontrar as belas éguas lusitanas, envolvendo-se com elas e deixando-as prenhas para poderem vir dar à luz os “filhos do vento” os mais elegantes e velozes cavalos que são montados pelos humanos desde tempos imemoriais.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-13

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