notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Memórias da Feira de Santiago
AS RIFAS

A mais antiga recordação que guardo da Feira de Santiago é aquela que se prende com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, feita em barro e pintada de branco que trouxe para casa sem ter despendido qualquer verba.

Deveria ter uns oito ou nove aninhos quando ao final da tarde desci da Rua das Oliveiras, onde morava, e vim até à feira.

Fascinava-me sempre, até porque não tinha dinheiro para aquele luxo, as barracas onde se tentava a sorte, e, ao puxar um cordel saía, ou não, um daqueles vistosos prémios que se encontrava exposto.

Naquele dia um homem estava a tentar a sua sorte num desses espaços, sem que fosse bafejado pela sorte. 

Aproximei-me e disse-lhe: - Agora vai sair-lhe um prémio!

O homem olhou para mim, deve ter achado piada e respondeu que se tal acontecesse me daria o que lhe saísse.

A feirante entregou-lhe o molhe de cordéis e o homem puxou um deles, aquele precisamente correspondente à imagem que me viria a entregar e que orgulhosamente levei da Feira de Santiago para o meu Bairro de Troino.

Os anos passaram, já casado, não deixei de ir todos os anos até à Avenida Luísa Todi, passear na Feira de Santiago e, vamos lá nós saber porquê, a minha atração pelos tais stands da sorte pelos vistos manteve-se.

Agora, mais modernizadas as tais barraquinhas já tinham uma roda de bicicleta com uma patilha que depois de várias voltas parava num determinado número, precisamente aquele que eu tinha adquirido.

E, foi desta forma, que trouxe o primeiro triciclo para o meu filho, a arca frigorífica de piquenique, a tábua de passar a ferro, o grelhador elétrico e uma quantidade de artigos variados, até que perdi o interesse pela barraquinha quando verifiquei que o que lá tinha para sortear já não me interessava.

Todos os anos esta minha atração pela barraca da sorte e a atração dos prémios pela minha pessoa era motivo de risota, com a minha família e um casal amigo. 

Mas, não se pense que ficava ali a noite a jogar, apenas comprava uma rifa uma vez por ano e para meu grande prazer raramente não me saía o principal prémio.

Saídos dali íamos comprar uma fartura e depois comíamos saboreando-a com um copo de moscatel da Sivipa, que quase sempre tinha o seu stand na tradicional Feira de Santiago.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-02

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domingo, 1 de maio de 2016

Memórias de Troino

Dizem alguns dos mais antigos setubalenses que as carroças carregadas de pedras de cal que chegavam ao Bairro de Troino, até ao início dos anos sessenta do século passado, vinham dos lados do Pinhal Novo.

Chegadas à Fonte Nova (Praça Machado dos Santos) subiam um pouco pela Rua José Adelino dos Santos e, frente à Travessa da Bela Vista, paravam  naquela antiga construção conventual, conhecida entre os habitantes locais pela “eira da cal”.

Lembro-me daquele lugar “esquisito” como se fossem as instalações de uma igreja (provavelmente teria sido) ou uma enorme e alta gruta onde a brancura imperava fruto de toneladas de pedras de cal que ali eram descarregadas e que posteriormente saíam para branquear e desinfetar as casas do nosso bairro.

A memória remete-me para a figura da única pessoa que dominava aquele alvo local, o popularmente conhecido Ti David. Um homem já de certa idade, mediano de altura, barriga avantajada, que vestia colete preto sobre a branca camisa e protegia a cabeça com chapéu. Era ele que pesava as pedras de cal numa velha balança colocada ao fundo daquela casa e que os clientes traziam dentro de uma alcofa.

Lembro-me de que a generalidade das moças e das jovens mulheres troineiras,  a quem geralmente era cometida a tarefa de ir comprar a cal e prepará-la para branquear as casas, tinham alguma relutância em ir àquele local, porque o Ti David, segundo se dizia se “metia com elas”.

Era o tempo em que ali mesmo ao lado, onde hoje se localiza o “prédio da Fiat” entre a Travessa da Bela Vista e a General Daniel de Sousa as águas corriam límpidas para o tanque da Horta da Geménia, um local onde as mesmas mulheres iam desencardir a roupa e onde muitas das minhas fraldas foram lavadas logo nas primeiras águas.

Também aqui, a tal Geménia era figura bem popular por todo o bairro, por, ao que se dizia, gostar de pessoas do mesmo sexo, um “atrevimento” então muito pouco divulgado na cidade sadina até meados do século passado.

Setúbal cresceu, a Geménia faleceu tal como o Ti David, com eles desapareceram também o tanque para onde a água corria lavando as roupas dos homens do mar e suas famílias, tal como a eira da cal seria demolida para dar lugar a um edifício de apartamentos.

Na minha e noutras memórias de antigos setubalenses nascidos e criados naquela típica zona de Troino perduram estas coisas de tempos passados, onde as figuras como a Geménia, o Ti David e tantos outros faziam parte da nossa realidade e do nosso imaginário infantil.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-01

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Os ratos da Fonte Nova são os responsáveis pelo apagão!

De dia ou de noite, passo pelo velhinho Largo da Fonte Nova, agora mais decorado com o busto da “Mariana” iluminado à noite e amplamente fotografado durante o dia.

Provavelmente muitos como eu ao olhar para a “Mariana” relegam para segundo plano o velhinho fontanário, até há algum tempo alvo da atenção, especialmente quando a água corria e a iluminação LED lhe dava outra gracinha.

Foi com muita satisfação que eu e muitos daqueles setubalenses que por ali nasceram e cresceram  vimos ser dada vida àquele velho monumento que tantas e tantas vezes saciou a sede a muitos moradores do nosso bairro.

O facto é que aquela iluminação e a água corrente (em circuito fechado) nunca funcionou em pleno, tal como a recuperação do fontanário também não chegou a ser concluída.

Mais do que uma vez alertei para o facto de faltar no alto da fonte a esfera armilar com o espigão em ferro, que lhe davam outra graça, tipo: cereja em cima do bolo.

Um destes dias numa conversa informal com o responsável pela União de Freguesias e tendo-lhe manifestado esta preocupação sobre este recuperado monumento o mesmo teve oportunidade de me esclarecer.

Quanto à esfera com o espigão, uma arquiteta daquela Autarquia anda pelos ferro-velho à procura da dita cuja, para ali ser recolocada!...

Já no que se refere ao apagão da fonte a culpa é dos ratos que roem os fios elétricos!...

Nem o tempo disponível, nem o local era oportuno ao desenvolvimento da conversa pelo que não tive oportunidade de esclarecer que dificilmente a arquiteta encontrará a esfera num qualquer ferro velho, dado que a mesma desapareceu há décadas e o melhor é mandar fazer uma, o que não deve ser muito dispendioso!...

Quanto aos ratos que roem os fios, tenho a certeza que os eletricistas que trabalharam naquele local têm conhecimento da existência de um tubo de revestimento flexível, em malha de aço, próprio para estas situações!...

Quero acreditar que o meu interlocutor estava de boa-fé ao dar-me este “importante esclarecimento” que me tem dado vontade de sorrir sempre que me lembro da conversa, não tanto pela situação, mas mais por reconhecer que os nossos políticos são pródigos a dar respostas aparentemente convincentes e convencendo-se de que quem os houve até os leva a sério!...

É pena que a velhinha fonte nova esteja assim, mas já sabem que desta vez a culpa não morre solteira, desta  vez estão encontrados os responsáveis, ou seja:  os ratos da Fonte Nova.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-28

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

“Vejam Setúbal, tirem a prova, das Fontainhas, do Castelo, à Fonte Nova”

Sem dúvida que muito há por fazer nesta maravilhosa cidade de Setúbal mas temos de ser honestos e reconhecer que muito se tem feito nestes últimos anos.
Certamente que nem tudo o que tem sido levado a efeito agradará a todos, também estou em crer que nem tudo o que se tem executado seria prioritário, porém o certo é que só não erra quem nada faz.

Ao contrário do que alguns setubalenses comentam esta não é uma cidade morta, muito menos moribunda, é uma cidade com vida própria, com identidade, com alma e onde apetece e se gosta de viver.

Se nos fecharmos na nossa concha, se não sairmos para observar in loco, se não tomarmos conhecimento dos acontecimentos, certamente não veremos a dinâmica de que a cidade está imbuída. Estamos condenados a ver apenas a árvore em vez da floresta.

Ainda bem que as nossas praças e demais espaços públicos começam a estar mais atrativos e decorados com as mais diversas obras de arte, obras que igualmente dificilmente terão consenso, devido às mais diferentes sensibilidades artísticas e culturais.

Gosto da minha cidade! Ainda ontem tive oportunidade de a mostrar a um casal estrangeiro que ficou encantado pelos mais diferentes motivos. A urbe renova-se, embeleza-se, dinamiza-se, alegra-se.

Talvez muitos dos leitores não saibam que temos por aqui casas, algumas em ruelas da nossa zona histórica, onde para ir petiscar, tem de se marcar com semanas de antecedência. Porque será?

Basta haver um bocadinho de sol e a cidade fervilha de movimento e alegria.
Bem sabemos que mais se pode e deve fazer para o bem da comunidade, nomeadamente não sobrecarregando os cidadãos com elevadas taxas de IMI, sendo comedido na ampliação do parqueamento automóvel tarifado e outras medidas que sufocam os já sobrecarregados contribuintes.

Para que Setúbal seja verdadeiramente um Município participado ele terá de ter um serviço de informação mais eficaz e não informar depois do facto consumado, isso é uma espécie de “democraticamente quem manda aqui sou eu” e esse seguramente não é o espírito do 25 de abril.

Setúbal está na senda do desenvolvimento e do progresso e chegará seguramente a bom porto com o elogio sincero e com as críticas construtivas, ainda que por vezes discordantes.

Por tudo isto eu canto: “Vejam Setúbal, tirem a prova, das Fontainhas, do Castelo, à Fonte Nova”.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-25

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domingo, 24 de abril de 2016

Até os Fenícios andaram de olho em Setúbal

“Vinda dos confins do Mar Mediterrâneo, das bandas do Líbano e da Palestina, a birreme com a figura de um grande olho pintado na proa, para melhor guiar a embarcação e amedrontar os barcos inimigos, avançava pela costa até entrar tranquilamente no Rio Sado.

O barco era impelido pela brisa que soprava na sua vela quadrangular ou pelo impulso de musculados escravos de pele cor de bronze que, ao som ritmado de um flautista ou tocador de tambor, remavam vigorosa e cadenciadamente.

Os fenícios, depois de terem atravessado as Colunas de Hercules, viraram para norte e navegaram durante algumas horas ao longo da costa rochosa e acidentada. Faziam-no agora por várias milhas da Costa da Galé, com os amplos areais visíveis no seu lado direito, até que contornaram a península e subiram o rio de águas límpidas recebendo as boas vindas dos roazes corvineiros que os acompanhavam e saltavam à frente da sua possante embarcação.

Aqueles comerciantes e navegadores transacionavam os seus produtos exóticos orientais trazendo normalmente a bordo, madeiras nobres, artesanato, tapetes, ovos de avestruz, marfim, vidro e metais de entre outros produtos. Do Sado, para além do estanho, levavam o seu precioso “ouro branco”: o sal! 

Este ponto estratégico era tão importante para o seu comércio que decidiram estabelecer aqui, no século VII ou VI a.C., uma feitoria a que deram o nome de Abul, situada numa zona abrigada da margem direita do Rio Sado, naquela que hoje é conhecida como a Herdade do Monte Novo de Palma.

A feitoria de Abul é o primeiro assentamento conhecido em Portugal.”

Este é um excerto do início do livro: “SETÚBAL – GENTE DO RIO HOMENS DO MAR”

Passados que são mais de dois mil anos sobre a chegada dos navegadores fenícios a terras sadinas, alguns homens do mar desta maravilhosa terra ainda seguem a milenar tradição, pintando um olho na proa das suas embarcações.

Estes antigos navegadores e extraordinários comerciantes vieram até cá para comercializar os seus produtos e daqui levarem o que por cá tínhamos de mais valioso.

Setúbal é uma terra promissora e passados tantos anos ainda tem muito por oferecer e para dar a descobrir àqueles que aqui chegam com o desejo de melhor conhecer as suas coisas e as suas gentes.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-24

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Fonte da Paciência a joia perdida da Arrábida

Os invasores romanos quando decidiram instalar nesta zona da Arrábida uma unidade industrial de salga de peixe e seus derivados, fizeram-no certamente por alguns bons motivos, seguramente bem ponderados.

Primeiro estavam junto a um bom porto de abrigo, depois encontravam-se numa zona de grandes recursos piscícolas e, finalmente, para que a sua indústria pudesse funcionar em pleno necessitavam de quantidade significativa de um outro imprescindível recurso natural: a água.

E foi precisamente este último recurso aquele que foram encontrar de forma abundante, na base do Creiro, uma zona da Arrábida frente à Pedra da Anicha, quase junto à praia. Uma verdadeira riqueza quando é sabido que não são abundantes os aquíferos existentes nesta região.

A água que então corria abundantemente e que fornecia a indústria e a população que laborava naquele complexo foi ao longo dos anos ficando mais escassa.

Mesmo assim, centenas de anos depois, no século XIX, ainda temos notícia de que um agricultor popularmente conhecido por “Zé Nabo” vinha a pé, acompanhando as suas vacas, desde a Maçã, perto de Sesimbra, para apascentar e dessedentar o gado nesta fonte, facto que ficou registado num dos painéis de azulejos colocado anos mais tarde neste local.

Na década de 60 do século XX jorrava alguma água desta fonte que abastecia as famílias de pescadores que, no Verão, acampavam nas redondezas.

No final desta década a água ainda continuava a verter para os cantis dos escuteiros que ali passavam nas suas caminhadas pela serra, porém estava prestes a esgotar-se e era já um ténue fio  que a fonte podia oferecer. Era então necessário algum tempo e muita paciência para poder recolher um pouco do precioso líquido!...

Uma década depois, nos finais dos anos setenta, já o fio de água não corria no Verão. A fonte oferecia a sua água mas apenas gota a gota, como que chorando pela sua anunciada morte.

Nesse tempo, os escuteiros nas suas caminhadas pela serra mãe chegavam a acampar naquela zona e enquanto dormiam nas suas tendas procuravam fazer o abastecimento recolhendo a água que já não corria mas que agora apenas pingava da outrora pujante fonte.

E chegou o dia em que com ou sem paciência já nem uma simples gota a fonte passou a oferecer. Tinha secado de vez, apenas ficando o local de onde vertia pura e cristalina e a sua memória na mente de alguns daqueles que um dia ali se dessedentaram.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-22

quarta-feira, 20 de abril de 2016


Na pista dos “Mistérios da Arrábida”

O Parque Natural da Arrábida, devido à natureza predominantemente calcária da sua geologia é um espaço pobre em recursos hídricos de superfície, porém, o mesmo não acontece em relação aos seus recursos subterrâneos, os quais são abundantes, devido à fácil infiltração das águas.

Devido a esta característica vamos encontrar poucas linhas de água na área do parque.

A Ribeira da Ajuda, que vai desaguar no Rio Sado, junto à Comenda de Mouguelas é aquela de maior caudal e a que consegue conservar a água por mais algum tempo, embora geralmente já não o consiga fazer durante todo o ano.

Esta ribeira é alimentada também com outros cursos de águas provenientes de ribeiras de menor caudal que a ela se vêm juntar e que fazem os seus trajetos pelos férteis vales dos Picheleiros, Ajuda e Alcube.

E é precisamente no vale de Alcube, um verdejante espaço que separa as Serras de São Luís e de São Francisco, entre luxuriante vegetação, que podemos admirar uma das mais belas pérolas do Parque Natural da Arrábida: a cascata de Alcube.

Numa das incursões pelos diversos recantos do P.N.A. para melhor o conhecer e poder partilhar o que observo nesse belo espaço estive junto a esta cascata, um local bem conhecido dos andarilhos da serra mãe, mas desconhecido da grande maioria dos setubalenses, embora o mesmo se encontre a cerca de vinte minutos do limite da cidade, para quem sai na direção de Azeitão.

Embora saiba que há por ali uma “caxe” dos praticantes de geocaching, um “tesouro” escondido discretamente, o que hoje ali me despertou a atenção foi um vazo com flores de plástico colocado precisamente a meio da bela cascata.

Um copo, contendo uma vela, encontrava-se um pouco mais acima daquela queda de água, sinais indiciadores de noturnas práticas obscuras que vou encontrando um pouco pelos mais improváveis lugares da Serra, seja em pontos altos ou mesmo no interior das suas grutas.

Embora os conhecedores da serra se deparem com alguma frequência com estes rastos, o facto é que para além deles também já tive oportunidade de ver (sem ser visto) gente envergando roupagens negras num mítico lugar onde as velas ainda se encontravam acesas.

E é por estas belezas naturais de muitos desconhecidas e por estas ações místicas do ser humano que o meu interesse por este belo parque não esmorece, antes pelo contrário. É que a serra mãe não se descobre, vai-se descobrindo e por isso eu continuo na pista dos “Mistérios da Arrábida”.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-20

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terça-feira, 19 de abril de 2016

Insólita imagem de Setúbal

A manhã estava um pouco cinzenta, mas isso não inviabilizava que aquele grande grupo de jovens cantassem e declamassem muito bem, homenageando Setúbal que hoje comemorava mais um aniversário da sua elevação à categoria de cidade.

Pela baixa também se podiam ver grupos de turistas que de máquina fotográfica em punho tentavam captar todas as imagens possíveis para mais tarde recordar a sua passagem por terras sadinas.

E foram alguns destes turistas que surpreendi a fotografar uma imagem insólita, para eles, e para mim próprio…

Aconteceu na Rua dos Mareantes, em pleno centro da cidade.

Alguém construiu uma gaiola e lá dentro colocou um pobre pombo. Não faço ideia com que finalidade, o que sei é que naquele local está a formar-se uma colónia que conta já com algumas dezenas de aves, muitas delas à volta da dita construção tentando comer o que de lá de dentro saía.

A Rua que praticamente todos os dias é varrida apresentava-se com aspeto deplorável imediatamente a seguir à gaiola, devido à comida que se desfazia com a água e escorria rua abaixo.

Uma situação lamentável que alguém está a ocasionar num espaço com aspeto agradável, onde muitas das fachadas dos edifícios se apresentam limpas e pintadas e agora mais potenciada pelo agradável aspeto exterior da Biblioteca Municipal.

É assim que por vezes passamos uma má imagem não só para quem nos visita mas sobretudo para quem por cá vive. Basta um individuo mal formado para  colocar em causa todo um conjunto.

Para além do pobre pombo enjaulado por cima da gaiola ainda podemos observar uma tábua entre a janela do 2º andar e o topo do prédio frontal, trata-se de uma “ponte” destinada a passar um gato de um lado para o outro.

Em todo o lado acontecem coisas bizarras e Setúbal também não escapa à regra como aqui se pode constatar.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-19

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sábado, 16 de abril de 2016

O Parque do Bonfim está a sofrer obras de melhoramentos

Cerca de duas dezenas de trabalhadores da Autarquia estavam nesta manhã de sábado, dia 16 de abril de 2016 a operar no Parque do Bonfim, desenvolvendo as mais diversas atividades no sentido de melhorar aquele espaço de excelência da cidade de Setúbal.

Enquanto uns se afadigavam no serviço de limpeza do espaço outros operavam nos mais diversos caminhos no seu interior, preparando as zonas degradadas, de forma a poder receber nova pavimentação.

Outra equipa, munida de motosserra tratava de cortar algumas grandes árvores, que certamente não se encontrariam nas melhores condições, as quais logo dali eram retiradas graças ao apoio dos camiões municipais equipados com braço e garra.

Mas, o que mais me despertou a atenção foi aquela construção que está a ser feita com blocos de cimento, erigida junto ao monumento ao escutismo, quase em frente do parque infantil e rodeada de frondosos plátanos.

Fui observar mais de perto e constatei que se trata de um palco fixo em cujas traseiras ficarão as indispensáveis divisões de apoio.

A meu ver trata-se de uma sábia e louvável iniciativa, com boa escolha do local onde está a ser implantada e que virá substituir os palcos amovíveis que são erigidos várias vezes por ano naquele parque, evitando-se assim os custos inerentes à sua montagem e desmontagem.

Estou convencido que dentro de poucos dias, aquando das comemorações do 25 de abril, de primeiro de maio e de outros eventos que é comum serem levados a efeito naquele espaço, o nosso Parque do Bonfim se apresente muito mais agradável.

Penso que será aproveitada a oportunidade para ser dada uma repintura no edifício central, implantado junto ao lago de forma a retirar-lhe o aspeto desagradável originado pelas feias e inestéticas pinturas que paulatinamente têm vindo a vandalizar aquele espaço.

Este é pois seguramente um motivo para endereçar à Autarquia os parabéns por esta obra que está a desenvolver de forma a melhorar um espaço que é tão caro para muitos e muitos setubalenses e que também está certamente na memória de muitos dos nossos visitantes.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-16

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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Automobilista setubalense sofre!...

Logo pela manhã e passado que foi o pico do trânsito, com uns a deslocarem-se para o trabalho, outros a levarem os filhos à escola e outros ainda a desenvolverem as suas diferentes tarefas, verificamos que quase não havia lugares de estacionamento disponível entre o Bonfim e a Avenida Luísa Todi (nascente).

Os carros que se encontravam estacionados frente à desativada estação de recolha na Av. 5 de Outubro estavam a ser calçados pela polícia com a simpática “chinelinha amarela” e quando os seus proprietários chegavam, alguns bem idosos, lá se punham a olhar e claro, toca de puxar os cordões à bolsa para resolver a situação.

Na “rotunda das sardinhas” outra equipa da P.S.P. atarefava-se a mandar parar viaturas para fiscalização.

E depois de ter saltado de parque em parque para tratar da vidinha, acabei por ir estacionar no parque da Europrol junto ao tribunal.

Para entrar no dito cujo estive na fila porque a cancela tinha problemas com a abertura e para de lá sair, depois de pagar um euro pelo estacionamento, foi preciso alinhar um mini buzinão porque a cancela de saída também nunca mais abria.

Mas, para além deste deficiente serviço, para o qual pagamos muito bem, o parque apresenta-se em estado miserável logo à entrada, com uma série de buracões no pavimento.

A questão que coloco é se estes espaços são adjudicados com ou sem manutenção dos mesmos ou se isto é tipo redil para onde a carneirada entra e ali fica independentemente do estado do mesmo.

É que assim qualquer empresa dá lucro chorudo e embora considere que as empresas não devem ser constituídas para dar prejuízo, também considero que qualquer serviço pago deve ter como contrapartida para o utente ser servido em conformidade, caso contrário estamos a comprar gato por lebre.

Setúbal tem muitas coisas boas, mas, no que se refere a esta questão parece que estamos a passar a marca vermelha e isso não é bom nem para quem manda nem para quem é mandado.

Se alguém tiver dúvidas sobre o que aqui foi dito, pois que vá até lá e constate por si mesmo.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-15

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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Convivendo em boa harmonia no Parque Urbano de Albarquel

Certo dia uma prenhe e bela gatinha passeando pela agradável cidade de Setúbal, decidiu ir apanhar um pouco de sol até ao recém-inaugurado Parque Urbano de Albarquel como via fazer também àquelas jovens senhoras que se encontravam no mesmo estado que ela.

E porque encontrou por ali um bom espaço para se abrigar e dar à luz os seus gatinhos não teve mais o desejo de lá sair, tanto mais que conseguia também comida, caçando ratinhos e passarinhos e apanhando um ou outro peixe trazido para a praia pelas suaves ondas do azul Rio Sado.

A gatinha sentia-se feliz e acabou por constatar que um ou outro da sua espécie começaram também a aparecer por ali e rapidamente formaram a sua própria colónia.

E todos viviam felizes e contentes e multiplicavam-se ao mesmo tempo que perdiam o hábito de caçar para comer porquanto alguns dos utilizadores daquele espaço começaram a gostar da sua colónia e a alimentá-la diariamente com ração que os humanos criaram especificamente para os pequenos felinos.

Mas outros humanos, daqueles que não tinham por hábito levar-lhes comida parece que não acharam grande piada ao aumento da colónia e assim, da noite para o dia, constatou-se que a mesma tinha sido drasticamente reduzida, sabe-se lá como!...

Mas, como gatos e gatas não dormem em serviço trataram de voltar a reproduzir-se e hoje já podemos de novo ver uma colónia com alguns indivíduos que perderam o hábito de caçar porque mais e mais humanos decidiram trazer-lhes comida, tornando-os indolentes.

Ora voando por aquele espaço apareceu um negro corvo que constatou estar em presença de um autêntico maná e começou também ele por provar a comida que traziam para os gatos. Provou e gostou!

Agora o corvo que também adotou o espaço como seu já não perde tempo a procurar comida e vai sorrateiramente surripiar alguma daquela que os humanos levam para os felinos, mesmo sob o olhar atento e desconfiado destes.

Assim, ao que parece, alguns humanos, felinos e aves parecem conviver em boa harmonia, o que certamente muito agradará aos pardais e pequenos roedores que por ali também tem o seu próprio e agradável espaço, sem correrem o risco de se verem perseguidos, pelos seus ancestrais inimigos.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-14

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

As cores tradicionais dos edifícios setubalenses

A propósito da cor vermelha com que foi pintado o antigo edifício do Banco de Portugal e do verde forte com que agora acaba de ser pintada exteriormente a Biblioteca Publica Municipal de Setúbal, dois emblemáticos e históricos edifícios sadinos, implantados na Avenida Luísa Todi fiquei a saber o seguinte.

Segundo o presidente da Associação de Construtores Proprietários de Setúbal as quatro cores características dos edifícios setubalenses seriam o branco, cinzento, amarelo ocre e rosa velho, informação que teria colhido, em tempos,  junto de um expert da Câmara Municipal.

Independentemente dos gostos, da estética, das modas e até das zonas onde os edifícios se encontram implantados provavelmente teríamos muito a ganhar ao nível do património edificado se respeitássemos as cores com que pintamos os nossos edifícios, principalmente aqueles prédios históricos.

Pessoalmente até não desgosto das cores com que foram pintados estes dois edifícios, mas gostaria de ouvir a opinião de alguém entendido que pudesse confirmar ou infirmar a informação sobre as quatro cores atribuídas como características da nossa terra.

É claro que desnecessário será referir que me regozijo com a recuperação destes edifícios, embora não me conforme com a solução encontrada “provisoriamente” para o acesso a pessoas com mobilidade reduzida ao interior do edifício do antigo Banco de Portugal, ainda que em devido tempo me tivessem informado que se tratava de uma situação transitória enquanto a obra no Convento de Jesus não estivesse concluída.

Os andaimes foram hoje arreados, o edifício está bem mais agradável à vista e a nossa Biblioteca certamente estará agora com melhores condições técnicas para receber o muito público leitor setubalense que ali irá afluir.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-11

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Ainda a questão dos parquímetros em Setúbal

Ao que parece a procissão ainda vai no adro sobre a questão dos parquímetros em Setúbal, dado que não foi discutido o regulamento do concurso público, nem sequer está definido quem “vigia” as máquinas, se pessoal da C.M.S., se P.S.P. ou se empresa privada. É tudo uma questão de quem faz melhor e mais barato, só que até lá…

Uma coisa parece ser dada como certa, esta verdadeira praga vai alastrar-se como os tentáculos de um gigantesco polvo, deixando o centro da cidade para se deslocar para as zonas residenciais e, nem a Fonte Nova vai escapar aos seus insaciáveis desejos.

A Avenida Rodrigues Manito, as zonas envolventes do estádio do Vitória estão agora na mira da Autarquia que já cobra a mais alta taxa de IMI. Ou seja, para agravar a situação dos munícipes, vamos tributar-lhes com mais esta taxa, sim porque os moradores para provarem que o são terão de ter um cartão que será pago à Autarquia, ou seja, mais uma taxa camuflada.

Entretanto, despertou-me a curiosidade a pertinente questão levantada pelo nosso amigo Cruz Gaspar na página de facebook, “Coisas de Setúbal” sobre a obrigatoriedade de calibragem dos aparelhos.

Ora sendo os parquímetros propriedade da Câmara Municipal de Setúbal e encontrando-se os da baixa da cidade sob exploração da Resopre não deixa de ser estranho que seja a empresa exploradora que afixou nas ditas máquinas a informação de que foram verificadas em 2016 e que voltarão a sê-lo em 2017.

Não sou entendido nestas coisas, no entanto, e como perguntar não ofende deixem-me colocar a seguinte questão: - Será que a empresa que explora uma  máquina é a mesma que informa os seus utentes que ela está a funcionar devidamente?

Aqui no meu prédio, a máquina que me ajuda a subir até ao meu andar, a que normalmente chamamos de elevador, tem uma certificação emitida por um organismo oficial, o mesmo acontecendo, segundo creio, com as balanças e outros aparelhos de precisão.

Se calhar aos malfadados parquímetros aplica-se outra legislação, o que não me parece uma situação muito saudável.

Mas como de parquímetros só percebo a enorme quantidade de moedas que sou obrigado a colocar nas máquinas, uma verdadeira renda mensal, e as outras tantas que dou, voluntariamente, aos arrumadores, gostaria de ver este assunto tratado de forma a que não fosse onerado ainda mais o automobilista que já se encontra mais espremido que um limão.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-08

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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Palácio dos Duques de Aveiro na mira da Câmara Municipal de Setúbal

Vai ser submetido a discussão pública o Projeto de Operação de Reabilitação Urbana de Azeitão, o qual contempla um conjunto de incentivos fiscais bem como redução nas taxas de IMI e IMT para os proprietários de imóveis localizados na zona histórica desde que os mesmos procedam a ações de reabilitação urbana.

O PORUA foi aprovado a 7 de abril de 2016, em reunião pública, e apresenta-se como um instrumento estratégico tendente a regenerar o centro histórico azeitonense.

Preservar a identidade e memória de Azeitão, passa também pela reabilitação do património classificado de que é exemplo o severo e majestoso Palácio dos Duques de Aveiro, localizado na Praça da República,  edificação emblemática de Vila Nogueira de Azeitão.

Com cerca de 30 metros de frente, o edifício dividido em três corpos domina as restantes construções, não só pela sua altura como pela própria volumetria, sendo mesmo considerado como o maior palácio existente a sul do Tejo.

O edifício, propriedade particular,  de construção quinhentista foi sede da primeira fábrica de chitas existente em Portugal a qual esteve em laboração entre os anos de 1775 e 1847.

O vetusto imóvel encontra-se em evidente estado de degradação e esta poderá ser a oportunidade esperada para lhe devolver a dignidade de outrora, ao mesmo tempo que será sem dúvida mais um motivo que potenciará o interesse turístico por esta bela localidade do concelho de Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-07

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terça-feira, 5 de abril de 2016

É tempo de honrar os heróis setubalenses

Foi no dia 9 de abril de 1918 que ocorreu o maior desastre militar da história de Portugal, depois de Alcácer-Quibir, quando o Exército Português sofreu uma pesada derrota frente às forças alemãs, na batalha de Lys, em terras da Flandres.

Do Corpo Expedicionário Português enviado para aquela que ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial por lá ficaram cerca de 10.000 soldados e muitos outros milhares regressaram à sua terra natal com as mais diversas mazelas.

Em Setúbal, erigiu-se um monumento memorial a esses mortos, passados que foram pouco mais de uma dúzia de anos sobre a data do Armistício.

Tal monumento que deveria ter sido erigido a expensas do país que enviou estes milhares de jovens para a guerra, só foi possível graças a subscrição pública das gentes do Sado, pese embora os fracos ganhos auferidos na época da subscrição.

No dia 22 de Dezembro de 1931, com pompa e circunstância era inaugurado o singelo memorial setubalense, segundo projeto de Bonfilho Faria e cuja iniciativa tinha cabido à delegação de Setúbal da Liga dos Combatentes.

Vários anos volvidos e de novo o Exército Português se confronta com três frentes de combate, desta vez em África, uma guerra contra os movimentos independentistas de Angola, Moçambique e Guiné.

E foi precisamente para este último território que eu, então jovem militar, incorporado obrigatoriamente no Exército fui mandado, tal como muitos milhares de setubalenses.

Muitos destes rapazes não regressariam vivos e, mesmo depois de mortos aqueles que lhe enviaram exigiam à família que custeasse o retorno do corpo, ou então por lá ficaria. Situação ignóbil!

Passadas várias décadas sobre o términus do conflito onde está a homenagem devida aos combatentes do Ultramar? 

Onde está o memorial setubalense aos seus jovens para lá enviados e que não retornaram com vida?

Nem sequer uma artéria da cidade faz alusão a esses jovens enviados para a guerra! Existe sim em Setúbal a Rua Amílcar Cabral, o chefe guerrilheiro do P.A.I.G.C. que se opunha a António de Spínola, o comandante supremo das Forças Armadas Portuguesas na Guiné.

Que terra é esta que honra os adversários e esquece os seus filhos enviados para combater nas distantes terras africanas?

Será que não é já tempo dos antigos combatentes da Guerra do Ultramar, mortos ou vivos, serem lembrados em Setúbal?

Pessoalmente considero esta lacuna como mais uma derrota não das nossas Forças Armadas mas da nossa classe política, que pela sua ação, mais parece estar ao lado do adversário do que do seu próprio povo.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-05

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