notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

domingo, 24 de abril de 2016

Até os Fenícios andaram de olho em Setúbal

“Vinda dos confins do Mar Mediterrâneo, das bandas do Líbano e da Palestina, a birreme com a figura de um grande olho pintado na proa, para melhor guiar a embarcação e amedrontar os barcos inimigos, avançava pela costa até entrar tranquilamente no Rio Sado.

O barco era impelido pela brisa que soprava na sua vela quadrangular ou pelo impulso de musculados escravos de pele cor de bronze que, ao som ritmado de um flautista ou tocador de tambor, remavam vigorosa e cadenciadamente.

Os fenícios, depois de terem atravessado as Colunas de Hercules, viraram para norte e navegaram durante algumas horas ao longo da costa rochosa e acidentada. Faziam-no agora por várias milhas da Costa da Galé, com os amplos areais visíveis no seu lado direito, até que contornaram a península e subiram o rio de águas límpidas recebendo as boas vindas dos roazes corvineiros que os acompanhavam e saltavam à frente da sua possante embarcação.

Aqueles comerciantes e navegadores transacionavam os seus produtos exóticos orientais trazendo normalmente a bordo, madeiras nobres, artesanato, tapetes, ovos de avestruz, marfim, vidro e metais de entre outros produtos. Do Sado, para além do estanho, levavam o seu precioso “ouro branco”: o sal! 

Este ponto estratégico era tão importante para o seu comércio que decidiram estabelecer aqui, no século VII ou VI a.C., uma feitoria a que deram o nome de Abul, situada numa zona abrigada da margem direita do Rio Sado, naquela que hoje é conhecida como a Herdade do Monte Novo de Palma.

A feitoria de Abul é o primeiro assentamento conhecido em Portugal.”

Este é um excerto do início do livro: “SETÚBAL – GENTE DO RIO HOMENS DO MAR”

Passados que são mais de dois mil anos sobre a chegada dos navegadores fenícios a terras sadinas, alguns homens do mar desta maravilhosa terra ainda seguem a milenar tradição, pintando um olho na proa das suas embarcações.

Estes antigos navegadores e extraordinários comerciantes vieram até cá para comercializar os seus produtos e daqui levarem o que por cá tínhamos de mais valioso.

Setúbal é uma terra promissora e passados tantos anos ainda tem muito por oferecer e para dar a descobrir àqueles que aqui chegam com o desejo de melhor conhecer as suas coisas e as suas gentes.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-24

www.troineiro.blogspot.com

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Fonte da Paciência a joia perdida da Arrábida

Os invasores romanos quando decidiram instalar nesta zona da Arrábida uma unidade industrial de salga de peixe e seus derivados, fizeram-no certamente por alguns bons motivos, seguramente bem ponderados.

Primeiro estavam junto a um bom porto de abrigo, depois encontravam-se numa zona de grandes recursos piscícolas e, finalmente, para que a sua indústria pudesse funcionar em pleno necessitavam de quantidade significativa de um outro imprescindível recurso natural: a água.

E foi precisamente este último recurso aquele que foram encontrar de forma abundante, na base do Creiro, uma zona da Arrábida frente à Pedra da Anicha, quase junto à praia. Uma verdadeira riqueza quando é sabido que não são abundantes os aquíferos existentes nesta região.

A água que então corria abundantemente e que fornecia a indústria e a população que laborava naquele complexo foi ao longo dos anos ficando mais escassa.

Mesmo assim, centenas de anos depois, no século XIX, ainda temos notícia de que um agricultor popularmente conhecido por “Zé Nabo” vinha a pé, acompanhando as suas vacas, desde a Maçã, perto de Sesimbra, para apascentar e dessedentar o gado nesta fonte, facto que ficou registado num dos painéis de azulejos colocado anos mais tarde neste local.

Na década de 60 do século XX jorrava alguma água desta fonte que abastecia as famílias de pescadores que, no Verão, acampavam nas redondezas.

No final desta década a água ainda continuava a verter para os cantis dos escuteiros que ali passavam nas suas caminhadas pela serra, porém estava prestes a esgotar-se e era já um ténue fio  que a fonte podia oferecer. Era então necessário algum tempo e muita paciência para poder recolher um pouco do precioso líquido!...

Uma década depois, nos finais dos anos setenta, já o fio de água não corria no Verão. A fonte oferecia a sua água mas apenas gota a gota, como que chorando pela sua anunciada morte.

Nesse tempo, os escuteiros nas suas caminhadas pela serra mãe chegavam a acampar naquela zona e enquanto dormiam nas suas tendas procuravam fazer o abastecimento recolhendo a água que já não corria mas que agora apenas pingava da outrora pujante fonte.

E chegou o dia em que com ou sem paciência já nem uma simples gota a fonte passou a oferecer. Tinha secado de vez, apenas ficando o local de onde vertia pura e cristalina e a sua memória na mente de alguns daqueles que um dia ali se dessedentaram.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-22

quarta-feira, 20 de abril de 2016


Na pista dos “Mistérios da Arrábida”

O Parque Natural da Arrábida, devido à natureza predominantemente calcária da sua geologia é um espaço pobre em recursos hídricos de superfície, porém, o mesmo não acontece em relação aos seus recursos subterrâneos, os quais são abundantes, devido à fácil infiltração das águas.

Devido a esta característica vamos encontrar poucas linhas de água na área do parque.

A Ribeira da Ajuda, que vai desaguar no Rio Sado, junto à Comenda de Mouguelas é aquela de maior caudal e a que consegue conservar a água por mais algum tempo, embora geralmente já não o consiga fazer durante todo o ano.

Esta ribeira é alimentada também com outros cursos de águas provenientes de ribeiras de menor caudal que a ela se vêm juntar e que fazem os seus trajetos pelos férteis vales dos Picheleiros, Ajuda e Alcube.

E é precisamente no vale de Alcube, um verdejante espaço que separa as Serras de São Luís e de São Francisco, entre luxuriante vegetação, que podemos admirar uma das mais belas pérolas do Parque Natural da Arrábida: a cascata de Alcube.

Numa das incursões pelos diversos recantos do P.N.A. para melhor o conhecer e poder partilhar o que observo nesse belo espaço estive junto a esta cascata, um local bem conhecido dos andarilhos da serra mãe, mas desconhecido da grande maioria dos setubalenses, embora o mesmo se encontre a cerca de vinte minutos do limite da cidade, para quem sai na direção de Azeitão.

Embora saiba que há por ali uma “caxe” dos praticantes de geocaching, um “tesouro” escondido discretamente, o que hoje ali me despertou a atenção foi um vazo com flores de plástico colocado precisamente a meio da bela cascata.

Um copo, contendo uma vela, encontrava-se um pouco mais acima daquela queda de água, sinais indiciadores de noturnas práticas obscuras que vou encontrando um pouco pelos mais improváveis lugares da Serra, seja em pontos altos ou mesmo no interior das suas grutas.

Embora os conhecedores da serra se deparem com alguma frequência com estes rastos, o facto é que para além deles também já tive oportunidade de ver (sem ser visto) gente envergando roupagens negras num mítico lugar onde as velas ainda se encontravam acesas.

E é por estas belezas naturais de muitos desconhecidas e por estas ações místicas do ser humano que o meu interesse por este belo parque não esmorece, antes pelo contrário. É que a serra mãe não se descobre, vai-se descobrindo e por isso eu continuo na pista dos “Mistérios da Arrábida”.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-20

www.troineiro.blogspot.com

terça-feira, 19 de abril de 2016

Insólita imagem de Setúbal

A manhã estava um pouco cinzenta, mas isso não inviabilizava que aquele grande grupo de jovens cantassem e declamassem muito bem, homenageando Setúbal que hoje comemorava mais um aniversário da sua elevação à categoria de cidade.

Pela baixa também se podiam ver grupos de turistas que de máquina fotográfica em punho tentavam captar todas as imagens possíveis para mais tarde recordar a sua passagem por terras sadinas.

E foram alguns destes turistas que surpreendi a fotografar uma imagem insólita, para eles, e para mim próprio…

Aconteceu na Rua dos Mareantes, em pleno centro da cidade.

Alguém construiu uma gaiola e lá dentro colocou um pobre pombo. Não faço ideia com que finalidade, o que sei é que naquele local está a formar-se uma colónia que conta já com algumas dezenas de aves, muitas delas à volta da dita construção tentando comer o que de lá de dentro saía.

A Rua que praticamente todos os dias é varrida apresentava-se com aspeto deplorável imediatamente a seguir à gaiola, devido à comida que se desfazia com a água e escorria rua abaixo.

Uma situação lamentável que alguém está a ocasionar num espaço com aspeto agradável, onde muitas das fachadas dos edifícios se apresentam limpas e pintadas e agora mais potenciada pelo agradável aspeto exterior da Biblioteca Municipal.

É assim que por vezes passamos uma má imagem não só para quem nos visita mas sobretudo para quem por cá vive. Basta um individuo mal formado para  colocar em causa todo um conjunto.

Para além do pobre pombo enjaulado por cima da gaiola ainda podemos observar uma tábua entre a janela do 2º andar e o topo do prédio frontal, trata-se de uma “ponte” destinada a passar um gato de um lado para o outro.

Em todo o lado acontecem coisas bizarras e Setúbal também não escapa à regra como aqui se pode constatar.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-19

www.troineiro.blogspot.com 

sábado, 16 de abril de 2016

O Parque do Bonfim está a sofrer obras de melhoramentos

Cerca de duas dezenas de trabalhadores da Autarquia estavam nesta manhã de sábado, dia 16 de abril de 2016 a operar no Parque do Bonfim, desenvolvendo as mais diversas atividades no sentido de melhorar aquele espaço de excelência da cidade de Setúbal.

Enquanto uns se afadigavam no serviço de limpeza do espaço outros operavam nos mais diversos caminhos no seu interior, preparando as zonas degradadas, de forma a poder receber nova pavimentação.

Outra equipa, munida de motosserra tratava de cortar algumas grandes árvores, que certamente não se encontrariam nas melhores condições, as quais logo dali eram retiradas graças ao apoio dos camiões municipais equipados com braço e garra.

Mas, o que mais me despertou a atenção foi aquela construção que está a ser feita com blocos de cimento, erigida junto ao monumento ao escutismo, quase em frente do parque infantil e rodeada de frondosos plátanos.

Fui observar mais de perto e constatei que se trata de um palco fixo em cujas traseiras ficarão as indispensáveis divisões de apoio.

A meu ver trata-se de uma sábia e louvável iniciativa, com boa escolha do local onde está a ser implantada e que virá substituir os palcos amovíveis que são erigidos várias vezes por ano naquele parque, evitando-se assim os custos inerentes à sua montagem e desmontagem.

Estou convencido que dentro de poucos dias, aquando das comemorações do 25 de abril, de primeiro de maio e de outros eventos que é comum serem levados a efeito naquele espaço, o nosso Parque do Bonfim se apresente muito mais agradável.

Penso que será aproveitada a oportunidade para ser dada uma repintura no edifício central, implantado junto ao lago de forma a retirar-lhe o aspeto desagradável originado pelas feias e inestéticas pinturas que paulatinamente têm vindo a vandalizar aquele espaço.

Este é pois seguramente um motivo para endereçar à Autarquia os parabéns por esta obra que está a desenvolver de forma a melhorar um espaço que é tão caro para muitos e muitos setubalenses e que também está certamente na memória de muitos dos nossos visitantes.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-16

www.troineiro.blogspot.com

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Automobilista setubalense sofre!...

Logo pela manhã e passado que foi o pico do trânsito, com uns a deslocarem-se para o trabalho, outros a levarem os filhos à escola e outros ainda a desenvolverem as suas diferentes tarefas, verificamos que quase não havia lugares de estacionamento disponível entre o Bonfim e a Avenida Luísa Todi (nascente).

Os carros que se encontravam estacionados frente à desativada estação de recolha na Av. 5 de Outubro estavam a ser calçados pela polícia com a simpática “chinelinha amarela” e quando os seus proprietários chegavam, alguns bem idosos, lá se punham a olhar e claro, toca de puxar os cordões à bolsa para resolver a situação.

Na “rotunda das sardinhas” outra equipa da P.S.P. atarefava-se a mandar parar viaturas para fiscalização.

E depois de ter saltado de parque em parque para tratar da vidinha, acabei por ir estacionar no parque da Europrol junto ao tribunal.

Para entrar no dito cujo estive na fila porque a cancela tinha problemas com a abertura e para de lá sair, depois de pagar um euro pelo estacionamento, foi preciso alinhar um mini buzinão porque a cancela de saída também nunca mais abria.

Mas, para além deste deficiente serviço, para o qual pagamos muito bem, o parque apresenta-se em estado miserável logo à entrada, com uma série de buracões no pavimento.

A questão que coloco é se estes espaços são adjudicados com ou sem manutenção dos mesmos ou se isto é tipo redil para onde a carneirada entra e ali fica independentemente do estado do mesmo.

É que assim qualquer empresa dá lucro chorudo e embora considere que as empresas não devem ser constituídas para dar prejuízo, também considero que qualquer serviço pago deve ter como contrapartida para o utente ser servido em conformidade, caso contrário estamos a comprar gato por lebre.

Setúbal tem muitas coisas boas, mas, no que se refere a esta questão parece que estamos a passar a marca vermelha e isso não é bom nem para quem manda nem para quem é mandado.

Se alguém tiver dúvidas sobre o que aqui foi dito, pois que vá até lá e constate por si mesmo.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-15

www.troineiro.blogspot.com

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Convivendo em boa harmonia no Parque Urbano de Albarquel

Certo dia uma prenhe e bela gatinha passeando pela agradável cidade de Setúbal, decidiu ir apanhar um pouco de sol até ao recém-inaugurado Parque Urbano de Albarquel como via fazer também àquelas jovens senhoras que se encontravam no mesmo estado que ela.

E porque encontrou por ali um bom espaço para se abrigar e dar à luz os seus gatinhos não teve mais o desejo de lá sair, tanto mais que conseguia também comida, caçando ratinhos e passarinhos e apanhando um ou outro peixe trazido para a praia pelas suaves ondas do azul Rio Sado.

A gatinha sentia-se feliz e acabou por constatar que um ou outro da sua espécie começaram também a aparecer por ali e rapidamente formaram a sua própria colónia.

E todos viviam felizes e contentes e multiplicavam-se ao mesmo tempo que perdiam o hábito de caçar para comer porquanto alguns dos utilizadores daquele espaço começaram a gostar da sua colónia e a alimentá-la diariamente com ração que os humanos criaram especificamente para os pequenos felinos.

Mas outros humanos, daqueles que não tinham por hábito levar-lhes comida parece que não acharam grande piada ao aumento da colónia e assim, da noite para o dia, constatou-se que a mesma tinha sido drasticamente reduzida, sabe-se lá como!...

Mas, como gatos e gatas não dormem em serviço trataram de voltar a reproduzir-se e hoje já podemos de novo ver uma colónia com alguns indivíduos que perderam o hábito de caçar porque mais e mais humanos decidiram trazer-lhes comida, tornando-os indolentes.

Ora voando por aquele espaço apareceu um negro corvo que constatou estar em presença de um autêntico maná e começou também ele por provar a comida que traziam para os gatos. Provou e gostou!

Agora o corvo que também adotou o espaço como seu já não perde tempo a procurar comida e vai sorrateiramente surripiar alguma daquela que os humanos levam para os felinos, mesmo sob o olhar atento e desconfiado destes.

Assim, ao que parece, alguns humanos, felinos e aves parecem conviver em boa harmonia, o que certamente muito agradará aos pardais e pequenos roedores que por ali também tem o seu próprio e agradável espaço, sem correrem o risco de se verem perseguidos, pelos seus ancestrais inimigos.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-14

www.troineiro.blogspot.com

segunda-feira, 11 de abril de 2016

As cores tradicionais dos edifícios setubalenses

A propósito da cor vermelha com que foi pintado o antigo edifício do Banco de Portugal e do verde forte com que agora acaba de ser pintada exteriormente a Biblioteca Publica Municipal de Setúbal, dois emblemáticos e históricos edifícios sadinos, implantados na Avenida Luísa Todi fiquei a saber o seguinte.

Segundo o presidente da Associação de Construtores Proprietários de Setúbal as quatro cores características dos edifícios setubalenses seriam o branco, cinzento, amarelo ocre e rosa velho, informação que teria colhido, em tempos,  junto de um expert da Câmara Municipal.

Independentemente dos gostos, da estética, das modas e até das zonas onde os edifícios se encontram implantados provavelmente teríamos muito a ganhar ao nível do património edificado se respeitássemos as cores com que pintamos os nossos edifícios, principalmente aqueles prédios históricos.

Pessoalmente até não desgosto das cores com que foram pintados estes dois edifícios, mas gostaria de ouvir a opinião de alguém entendido que pudesse confirmar ou infirmar a informação sobre as quatro cores atribuídas como características da nossa terra.

É claro que desnecessário será referir que me regozijo com a recuperação destes edifícios, embora não me conforme com a solução encontrada “provisoriamente” para o acesso a pessoas com mobilidade reduzida ao interior do edifício do antigo Banco de Portugal, ainda que em devido tempo me tivessem informado que se tratava de uma situação transitória enquanto a obra no Convento de Jesus não estivesse concluída.

Os andaimes foram hoje arreados, o edifício está bem mais agradável à vista e a nossa Biblioteca certamente estará agora com melhores condições técnicas para receber o muito público leitor setubalense que ali irá afluir.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-11

www.troineiro.blogspot.com

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Ainda a questão dos parquímetros em Setúbal

Ao que parece a procissão ainda vai no adro sobre a questão dos parquímetros em Setúbal, dado que não foi discutido o regulamento do concurso público, nem sequer está definido quem “vigia” as máquinas, se pessoal da C.M.S., se P.S.P. ou se empresa privada. É tudo uma questão de quem faz melhor e mais barato, só que até lá…

Uma coisa parece ser dada como certa, esta verdadeira praga vai alastrar-se como os tentáculos de um gigantesco polvo, deixando o centro da cidade para se deslocar para as zonas residenciais e, nem a Fonte Nova vai escapar aos seus insaciáveis desejos.

A Avenida Rodrigues Manito, as zonas envolventes do estádio do Vitória estão agora na mira da Autarquia que já cobra a mais alta taxa de IMI. Ou seja, para agravar a situação dos munícipes, vamos tributar-lhes com mais esta taxa, sim porque os moradores para provarem que o são terão de ter um cartão que será pago à Autarquia, ou seja, mais uma taxa camuflada.

Entretanto, despertou-me a curiosidade a pertinente questão levantada pelo nosso amigo Cruz Gaspar na página de facebook, “Coisas de Setúbal” sobre a obrigatoriedade de calibragem dos aparelhos.

Ora sendo os parquímetros propriedade da Câmara Municipal de Setúbal e encontrando-se os da baixa da cidade sob exploração da Resopre não deixa de ser estranho que seja a empresa exploradora que afixou nas ditas máquinas a informação de que foram verificadas em 2016 e que voltarão a sê-lo em 2017.

Não sou entendido nestas coisas, no entanto, e como perguntar não ofende deixem-me colocar a seguinte questão: - Será que a empresa que explora uma  máquina é a mesma que informa os seus utentes que ela está a funcionar devidamente?

Aqui no meu prédio, a máquina que me ajuda a subir até ao meu andar, a que normalmente chamamos de elevador, tem uma certificação emitida por um organismo oficial, o mesmo acontecendo, segundo creio, com as balanças e outros aparelhos de precisão.

Se calhar aos malfadados parquímetros aplica-se outra legislação, o que não me parece uma situação muito saudável.

Mas como de parquímetros só percebo a enorme quantidade de moedas que sou obrigado a colocar nas máquinas, uma verdadeira renda mensal, e as outras tantas que dou, voluntariamente, aos arrumadores, gostaria de ver este assunto tratado de forma a que não fosse onerado ainda mais o automobilista que já se encontra mais espremido que um limão.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-08

www.troineiro.blogspot.com

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Palácio dos Duques de Aveiro na mira da Câmara Municipal de Setúbal

Vai ser submetido a discussão pública o Projeto de Operação de Reabilitação Urbana de Azeitão, o qual contempla um conjunto de incentivos fiscais bem como redução nas taxas de IMI e IMT para os proprietários de imóveis localizados na zona histórica desde que os mesmos procedam a ações de reabilitação urbana.

O PORUA foi aprovado a 7 de abril de 2016, em reunião pública, e apresenta-se como um instrumento estratégico tendente a regenerar o centro histórico azeitonense.

Preservar a identidade e memória de Azeitão, passa também pela reabilitação do património classificado de que é exemplo o severo e majestoso Palácio dos Duques de Aveiro, localizado na Praça da República,  edificação emblemática de Vila Nogueira de Azeitão.

Com cerca de 30 metros de frente, o edifício dividido em três corpos domina as restantes construções, não só pela sua altura como pela própria volumetria, sendo mesmo considerado como o maior palácio existente a sul do Tejo.

O edifício, propriedade particular,  de construção quinhentista foi sede da primeira fábrica de chitas existente em Portugal a qual esteve em laboração entre os anos de 1775 e 1847.

O vetusto imóvel encontra-se em evidente estado de degradação e esta poderá ser a oportunidade esperada para lhe devolver a dignidade de outrora, ao mesmo tempo que será sem dúvida mais um motivo que potenciará o interesse turístico por esta bela localidade do concelho de Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-07

www.troineiro.blogspot.com 

terça-feira, 5 de abril de 2016

É tempo de honrar os heróis setubalenses

Foi no dia 9 de abril de 1918 que ocorreu o maior desastre militar da história de Portugal, depois de Alcácer-Quibir, quando o Exército Português sofreu uma pesada derrota frente às forças alemãs, na batalha de Lys, em terras da Flandres.

Do Corpo Expedicionário Português enviado para aquela que ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial por lá ficaram cerca de 10.000 soldados e muitos outros milhares regressaram à sua terra natal com as mais diversas mazelas.

Em Setúbal, erigiu-se um monumento memorial a esses mortos, passados que foram pouco mais de uma dúzia de anos sobre a data do Armistício.

Tal monumento que deveria ter sido erigido a expensas do país que enviou estes milhares de jovens para a guerra, só foi possível graças a subscrição pública das gentes do Sado, pese embora os fracos ganhos auferidos na época da subscrição.

No dia 22 de Dezembro de 1931, com pompa e circunstância era inaugurado o singelo memorial setubalense, segundo projeto de Bonfilho Faria e cuja iniciativa tinha cabido à delegação de Setúbal da Liga dos Combatentes.

Vários anos volvidos e de novo o Exército Português se confronta com três frentes de combate, desta vez em África, uma guerra contra os movimentos independentistas de Angola, Moçambique e Guiné.

E foi precisamente para este último território que eu, então jovem militar, incorporado obrigatoriamente no Exército fui mandado, tal como muitos milhares de setubalenses.

Muitos destes rapazes não regressariam vivos e, mesmo depois de mortos aqueles que lhe enviaram exigiam à família que custeasse o retorno do corpo, ou então por lá ficaria. Situação ignóbil!

Passadas várias décadas sobre o términus do conflito onde está a homenagem devida aos combatentes do Ultramar? 

Onde está o memorial setubalense aos seus jovens para lá enviados e que não retornaram com vida?

Nem sequer uma artéria da cidade faz alusão a esses jovens enviados para a guerra! Existe sim em Setúbal a Rua Amílcar Cabral, o chefe guerrilheiro do P.A.I.G.C. que se opunha a António de Spínola, o comandante supremo das Forças Armadas Portuguesas na Guiné.

Que terra é esta que honra os adversários e esquece os seus filhos enviados para combater nas distantes terras africanas?

Será que não é já tempo dos antigos combatentes da Guerra do Ultramar, mortos ou vivos, serem lembrados em Setúbal?

Pessoalmente considero esta lacuna como mais uma derrota não das nossas Forças Armadas mas da nossa classe política, que pela sua ação, mais parece estar ao lado do adversário do que do seu próprio povo.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-05

www.troineiro.blogspot.com

domingo, 3 de abril de 2016

Em Setúbal começa a ver-se a força de novos investidores

No Dia de Todos-os-Santos, primeiro de novembro de 2015, quando se assinalavam 261 anos sobre a data do terramoto que destruiu boa parte de Lisboa e cujos nefastos efeitos se sentiram até ao Norte de África, abateu-se um outro cataclismo sobre algumas terras algarvias, com especial destaque para a baixa da cidade de Albufeira.

As chuvas torrenciais arrastaram terras e pedras, entraram por lojas e garagens e levaram consigo esplanadas inteiras com centenas de mesas e cadeiras, ao mesmo tempo que inutilizavam equipamentos hoteleiros e toda a sorte de objetos que se encontravam para venda nas muitas lojas comerciais.

A água chegou a mais de dois metros de altura, deixando a sua marca de lama assinalada nas paredes.

Comerciantes, funcionários da autarquia, escuteiros e outros voluntários mobilizaram-se para repor a normalidade possível e, quatro meses depois, a capital do turismo português apresenta-se quase como se nada ali tivesse ocorrido, com apenas meia dúzia de estabelecimentos ainda em fase de recuperação.

Isto é a demonstração clara e inequívoca da força e pujança não só dos portugueses mas dos comerciantes e proprietários das mais diferentes nacionalidades, que naquela autêntica “Babel” governam a vida.

Ao olhar agora para a cidade de Setúbal observo que na sua baixa muita coisa está a mudar, com estabelecimentos a serem explorados por chineses, brasileiros, indianos, paquistaneses, etc.

Também se verifica que alguns edifícios de grande volumetria se encontram a ser intervencionados e dali sairão em breve Hosteis e renovados apartamentos, bem como algumas novas lojas. Aqui seguramente o investimento não se deve somente aos setubalenses!...

Pessoalmente prefiro ver a minha cidade, e particularmente a sua baixa, com este tipo de dinamismo do que com o seu comércio tradicional encerrado e os prédios a cair de podre.

Que venham pois estrangeiros e portugueses de todos os cantos do mundo dinamizar a minha terra, pois serão naturalmente bem-vindos, sejam eles comerciantes, proprietários ou turistas. Eles são naturalmente pessoas empreendedoras e que não viram a cara ao risco, tal como aqueles que se sedearam em Albufeira e que em poucos meses renovaram o que foi praticamente destruído na globalidade.

É claro que para aqueles “velhos do Restelo” se se mexerem a tempo ainda pode ser que encontrem na baixa de Setúbal algum espaço disponível onde possam abrir uma loja de antiguidades. 

Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2016-abril-03

www.troineiro.blogspot.com
Finalmente ele vai ver o seu nome numa artéria de Setúbal

Foi graças a ele que bem perto de uma centena de pessoas se livraram de encontrar a morte por afogamento. Porém, nem todos estes salvamentos foram do conhecimento público, mas apenas pouco mais de três dezenas, o que não deixa de ser muita gente.

Uma medalha do Instituto de Socorros a Náufragos atesta o valor deste homem bem conhecido em Setúbal pela sua postura perante a vida e o mundo que considerava demasiado pequeno para a sua estatura.

De porte atlético, podíamos vê-lo montado na sua bicicleta de carreto preso, para poder rolar para a frente ou para trás, com o travão sob o selim, buzina de ar. O guiador alto faziam com que ciclista pedalasse com o tronco direito e fizesse toda a sorte de malabarismos em cima daquela máquina ímpar.

Homem que não era dos sete ofícios, mas sim de uma infinidade deles, levando-o a ser conhecido como um operário especializado em trabalhos não especializados.

Foi de grande valia aos homens do mar pelos seus excelentes dotes de mergulhador e como ator de cinema ao ter de levar uns socos e cair ao Sado.

Quando algum cabo se prendia na hélice dos barcos era a ele que recorriam para resolver o problema. Embora não seja de solução simples, ele resolveu outros problemas bem mais complicados, desde a recuperação de um barco até automóveis caídos ao rio que tratou de trazer à tona.

Foi fabricante de conservas, inventor, soldador de precisão e a sua vida daria certamente um volumoso livro e, porque não, uma excelente telenovela.

A sua oficina/fábrica guarda uma boa parte do seu espólio há algumas dezenas de anos.

Seu filho pretende ali fazer um museu com características de sala de convívio, mas aquele largo, sem nome, em plena cidade de Setúbal, no Bairro Alves da Silva, encontrava-se frequentemente a precisar de uma boa barrela.

Finalmente, e para satisfação de inúmeros setubalenses, aquele espaço já foi alvo de uma limpeza em profundidade e ali irá ser instalado algum equipamento urbano, nomeadamente bancos de jardim e floreiras.

A frente e portão da fábrica oficina já foi pintada pelo filho do homenageado e para um grande muro que lá existe estão em curso diligencias para que um artista possa reproduzir a fotografia de Maurício de Abreu que nos mostra este homem e a sua invulgar bicicleta.

Finalmente, junto à porta da oficina/fábrica uma lápide assinalará o local informando que era ali que este popular setubalense trabalhava.

À entrada do largo sem nome, passará a figurar o nome de FRANCISCO FINURA, um setubalense ímpar a quem a cidade em devido tempo atribuiu a medalha de mérito e agora vai perpetuar a sua memória a partir deste mês de abril de 2016.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-03

www.troineiro.blogspot.com
O GATEM conquista em Madrid o prémio Europa

No ano em que comemora o 20º aniversário do seu nascimento o GATEM – Espelho Mágico, Grupo de Animação e Teatro,  foi distinguido em Madrid – Espanha com o Prémio Europa.

O Gatem estreou-se em 1996, já lá vão duas décadas, com a peça Cinderela. No ano seguinte apresentou ao público “O Feiticeiro de Oz” e daí para cá este agrupamento não mais deixou de brindar não só o público setubalense mas um pouco de todo o Portugal com os seus excelentes trabalhos, virados sobretudo para a família.

No final do passado mês de março o grupo apresentou no Auditório Municipal Charlot, a sua 29ª produção, “O Fabuloso Mundo de Bocage”, um trabalho com texto e encenação de Miguel Assis.

O último e grande espetáculo  do GATEM foi a peça intitulada “O Principezinho” um musical adaptado por Miguel Assis de “Le Petit Prince” de Saynt Exupéry, musicado por António C. Coimbra, poesia de Luis Filipe Estrela, figurinos e cenografia de Céu Campos e encenação de Miguel Assis.

Este musical já tinha sido premiado na mais recente edição do Concurso Nacional de Teatro da Póvoa do Lanhoso e viu ser reconhecido além-fronteiras com a nomeação para a III Edição dos Premios Nacionales de teatro amateur ESCENAMATEUR, o qual acabou por vencer.

O GATEM foi formado pelo falecido Fernando Guerreiro, um setubalense bem conhecido nos meios culturais e teatrais e é atualmente dirigido por Ricardo Cardoso a quem endereçamos as nossas melhores felicitações pelo êxito deste grupo que de novo honrou o nome de Setúbal.  

Mais uma vez aqui fica demonstrado que não é pelo facto de se disponibilizar grandes verbas que as iniciativas culturais chegam mais além. Elas irão mais longe com o amor e dedicação dos seus integrantes, e claro, com os necessários e imprescindíveis meios para que os trabalhos possam ser desenvolvidos.

Parabéns ao Teatro, parabéns a Setúbal, parabéns ao GATEM.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-03

www.troineiro.blogspot.com

sexta-feira, 1 de abril de 2016

ISTO TEM DE SER DENUNCIADO!!!
Alguém anda a gozar com o dinheiro dos setubalenses

Não posso de deixar de manifestar o meu mais profundo desagrado e discordância por uma decisão que me parece desprovida do mais elementar sentido de bom senso e oportunidade.

Ainda a estátua do setubalense José Mourinho, o mundialmente famoso treinador de futebol  não foi inaugurada e já está decidido que irá mudar de lugar, dentro de pouco mais de um ano.

Desta vez, e para não variar, tudo tem vindo a ser feito dentro do maior secretismo, argumentando os responsáveis que é para ser uma surpresa, segundo me confidenciaram, neste ano que Setúbal é a cidade europeia do desporto.

O espaço onde isto tem estado a ser feito é quase em frente ao edifício dos cacifos dos pescadores, na Avenida José Mourinho (antiga Rua da Saúde), umas antigas instalações fabris que costumam estar de portões encerrados e onde o velho muro, ainda intacto, tinha sido alvo de uma grande pintura artística.

No interior, os trabalhos têm vindo a decorrer de forma rápida e eficiente, sem que a generalidade dos cidadãos alguma vez se tivesse apercebido.

O pavimento foi relvado, tipo estádio, um quiosque foi montado, e um enorme conjunto escultórico (um dos maiores de Portugal) com onze jogadores em tamanho real e a estátua de José Mourinho com pouco mais de cinco metros de altura, sobrepondo-se à equipa, destaca-se naquele enorme e até agora desaproveitado espaço.

No interior do muro todo o perímetro foi vedado, tendo sido utilizado para o efeito o gradeamento retirado do Parque do Bonfim e, durante a noite, o muro será derrubado e o entulho retirado de forma que o novo parque se possa apresentar ao público em toda a sua beleza.

O que acho um perfeito disparate é ir-se gastar tanto dinheiro, naquele espaço camarário, sabido que o mesmo já foi vendido à Traveltur International, S.A., propriedade de Cristiano Ronaldo, e a construção de um Hotel de 5 estrelas daquela nova cadeia hoteleira deverá iniciar-se em meados de 2017.

Bem sei que o conjunto escultórico foi oferta de um mecenas (diz-se que foi o próprio Mourinho), mas também sei que os trabalhos de implantação e infraestruturas orçados em cerca de um milhão de euros foram pagos por todos nós.

Ora não seria mais avisado que colocassem o conjunto escultórico, logo em sítio definitivo, na “rotunda do Jumbo”, para onde ele está destinado em vez de andarem com o monta, desmonta?

Acho que todos temos de manifestar a nossa indignação, divulgando esta parvoíce, partilhando com os amigos, atendendo a que o dinheiro está caro e escasso e, como tal, não pode andar a ser esbanjado desta maneira.

Rui Canas Gaspar
2016-04-01

www.troineiro.blogspot.com

                                                * * * * * 

Texto composto como brincadeira de primeiro de Abril, o tradicional "Dia das Mentiras"