notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quarta-feira, 29 de junho de 2016

É este o tipo de apresentação que se quer para a Arrábida?

A criação da “marca” ARRÁBIDA parece-me uma ideia bem conseguida porquanto tentamos atrair para a nossa região turistas nacionais e estrangeiros, dando-lhes a mostrar o que de melhor temos na nossa terra.


A natureza brindou-nos com o verde da serra, separado por fina areia branca o azul do mar que se confunde com o céu de Verão num idílico e ímpar cenário que tem ao longo de muitos anos vindo a inspirar poetas e pintores.

O que já não me parece tão bem é não termos pessoas capazes de fazer o trabalho de casa e ficar dependente daquilo com que a natureza dotou a região, esquecendo-se que ao atrair gente para determinado local é necessário equipar esse mesmo local com as infra-estruturas de base, nomeadamente a necessária vigilância.

Mas, se não vemos contentores para recolha de lixo nos miradouros da serra, vemos o piso dos mesmos completamente deteriorado com muitos anos sem que alguém se dignasse reparar.

Se não vemos uma única instalação sanitária pública em todo o parque natural, observamos a degradação dos painéis informativos e até os muros de proteção dos miradouros sem qualquer tipo de manutenção.

A questão que se coloca ao simples cidadão, ao turista que vai visitar o belo Parque Natural da Arrábida é qualquer coisa do género: “Afinal quem é que toma conta disto?”

Bem sabemos que a Câmara Municipal de Setúbal, a União de Freguesias, o Porto de Setúbal, os muitos serviços do Estado tratam de por o rabinho de fora, porque este espaço tem direção própria, a do Parque Natural da Arrábida.

Mas será este o tipo de apresentação que se quer para a Arrábida? Penso que não! Penso que não!...

Rui Canas Gaspar
29-junho-2016

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domingo, 19 de junho de 2016

As bem cheirosas tílias setubalenses

Se em vésperas de chover é comum os antigos setubalenses, aqueles que não andam constipados, anunciarem que cheira a Socel o desagradável aroma vindo lá das bandas da Mitrena, o facto é que nesta altura do ano, no final de junho, em várias  zonas da cidade quando o sol está prestes a deixar-nos o ar é perfumado com um doce e agradável aroma.

Agrada-me sobretudo passear pela zona poente da Avenida Luísa Todi, ao final do dia, onde o ar quente começa a dar lugar a uma briza  mais fresca vinda do lado do mar e toda aquela zona é agradavelmente perfumada graças às flores das frondosas tílias que ali existem em abundância.

Não são muitos dias que a floração se mantém e já tenho visto em anos anteriores alguns setubalenses, logo pela manhã, em cima de escadotes a colher algumas dessas flores e as folhas pontiagudas junto às mesmas que depois serão colocadas a secar à sombra, para que dali se possa fazer uma deliciosa infusão que tanto poderá ser ingerida quente ou fresquinha.

Para fazer o chá de tília os “experts” dizem que se deve adicionar duas colheres de sopa da erva picada por cada litro de água e levar a mistura ao fogo, desligando quando a água entrar em ebulição, deixando a mistura abafada e em repouso por 10 minutos. Depois é coar e adoçar a gosto.

Esta infusão é indicada para inúmeros males entre eles os problemas de coração, pelo que se quiser ter o seu coração em forma passeie ao fim do dia por Setúbal, especialmente pela Avenida Luísa Todi.

Pela manhã, bem cedo, faça um passeio higiénico de preferência de escada às costas e vá apanhar umas florinhas para fazer uma deliciosa e aromática infusão, isto enquanto não aparece por aí alguém que se lembre de proibir a recolha ou mande colocar um fiscal ou máquina registadora.

Setúbal é assim, tem de tudo um pouco, onde até não falta bom ambiente e ervinha, não daquela que alguns pretendem legalizar mas desta onde se pode juntar o útil ao agradável.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-19

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quinta-feira, 16 de junho de 2016

A baixa de Setúbal está cada vez mais bonita

Ao passar pela Baixa de Setúbal para tratar de alguns assuntos e fazer necessárias compras reparei que estavam alguns estrangeiros a fotografar uma montra. Esse facto despertou a minha atenção e lá fui fazer o mesmo, tendo como resultado as imagens que aqui vos apresento.

Aquela zona emblemática sadina está a ser alvo de um concurso de montras e, pese embora não tenha tido tempo para as apreciar, o facto é que estas duas despertaram-me a particular curiosidade porquanto conseguem de uma forma artística e simples aliar dois importantes e mediáticos eventos, o Europeu de Futebol e os Santos Populares.

São duas montras do mesmo estabelecimento que tem como principal motivo de atração duas bicicletas, sendo uma decorada com as cores e emblema da cidade e a outra com as cores e o escudo nacional.

A baixa está muito atraente e artisticamente enfeitada pelos seus comerciantes que desta forma têm vindo a dar um novo dinamismo àquele espaço, agora que são visíveis vários prédios a ser alvo de intervenção com obras de profunda remodelação.

Isso é um forte indicador de que está em curso uma verdadeira revolução, tendente a que mais pessoas possam vir a residir definitiva ou temporariamente nesta zona histórica, caso contrário os investidores particulares não fariam tão avultados investimentos.

Vale a pena ir à baixa passear ou fazer compras e apreciar o comércio que se renova e inova e fazer o mesmo que os muitos turistas que por aqui passeiam ao longo do dia, ou seja, gastarmos um pouco de tempo a apreciar, fotografar e divulgar o que de bom e bonito por cá se vai fazendo, ainda que nalguns casos remando contra ventos e marés.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-16

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Serviço de Trânsito em Setúbal não leva mais que 5 numa escala de 20 valores

Se eu fosse chamado a classificar o trabalho que ultimamente tem sido feito em Setúbal, ao nível das alterações viárias, entre a Avenida dos Ciprestes e a Alexandre Herculano, numa escala de 0 a 20, não daria mais que cinco pontos.

Não me pronunciaria naturalmente como técnico de trânsito, porque não o sou, mas simplesmente como condutor e peão.

No meu caso concreto já lá vão algumas dezenas de anos de carta de condução e milhares de quilómetros feitos anualmente em estrada e cidade o que me permite opinar com toda a propriedade.

Os cinco pontos seriam atribuídos às novas rotundas pela fluidez de trânsito e economia de energia, destacando a rotunda do Vitória que eliminou os acidentes quase diários os quais se viriam a transferir para a fatídica curva a 90º da avenida em construção na Várzea.

O Serviço de Trânsito tem vindo a transformar amplas avenidas onde o trânsito fluía em estreitas vias, com a agravante de se privilegiar enormes e desproporcionados espaços para passeios de peões que praticamente não existem.

Mas, o que mais me incomoda são os lugares de estacionamento construídos na Avenida Alexandre Herculano, com comprimento onde quase cabe um autocarro e de onde para sair um pequeno smart tem o trânsito que parar.

Aquilo poderia e deveria ter sido corrigido, não fosse por teimosia ou falta de visão. Qualquer cego vê que está mal, exceto os Serviços de Trânsito.

Mas se qualquer um está sujeito a fazer asneira enquanto profissional, aí não reside o maior mal, ele reside sim no facto de depois de ser alertado para o erro persistir no mesmo.

Qual é a explicação cabal que podem dar para a nova asneira em construção na Avenida Independência das Colónias, ao marcarem lugares de estacionamento (sentido sul/norte) em paralelo com o passeio?

Estreitam a avenida e, quando alguém ali for parquear a viatura terá de fazer parar o trânsito porque ninguém vai conseguir estacionar o carro entre duas outras viaturas sem colocar a sua em paralelo com a viatura da frente e fazer depois a marcha atrás. Qual é o condutor que não sabe isto?

Será que os planificadores de trânsito andam a pé? Será que não têm carta de condução? Quem é que assume a responsabilidade por mais esta asneira grosseira?

Ora se há espaço para fazer o estacionamento em espinha e facilitar a vida aos condutores  porque é que se insiste em gastar rios de dinheiro para fazer obras que vão complicar ao invés de simplificar?

Não me venham com desculpas que se trata de redução de velocidade,  para isso todos sabemos que existem à venda no mercado sensores, radares e outros equipamentos que até enviam as coimas para casa e são muito menos dispendiosos que as obras que por aqui se vão fazendo.

Será assim tão difícil compreender que se continuam a fazer asneiras no trânsito em Setúbal e que depois de alertada a autarquia continua a persistir no erro?

Rui Canas Gaspar
2016-junho-15

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Em Setúbal o Parque do Bonfim recebe exposição de obras de arte

O parque do Bonfim, em Setúbal, o mais nobre espaço verde da cidade sadina está a ser beneficiado com uma excelente coleção de obras de arte da autoria do artista búlgaro Nikolay Amzov.

São doze peças escultóricas com uma altura média de dois metros, multicoloridas e que se encontram subordinadas ao tema “A Alquimia da Cerâmica”, cada uma delas com a respetiva designação. Trabalhos que nos remetem para uma relação com o cosmos.

Pelas suas formas as peças, construídas em betão e revestidas com pedaços de cerâmica, parecem adquirir vida e movimento, tornando-se muito agradáveis à vista, ficando bem em qualquer zona de piscinas ou jardins.

No principal jardim da cidade búlgara de Pernik podemos encontrar peças semelhantes a estas na sua decoração. Trata-se de um trabalho da autoria de Nikolay Amzov.

Esta cidade industrial, de onde o artista é natural, tem uma área e idêntico número de habitantes que Setúbal, tendo sido fundada no século IV a.C., como fortaleza Trácia, mais tarde ocupada pelos romanos, tal como a cidade sadina.

O artista que reside atualmente em Azeitão custeou as próprias peças que se irão encontrar expostas durante um ano no Parque do Bonfim, sendo desejável, segundo minha opinião, que a Autarquia as pudesse adquirir para ali ficarem definitivamente.

No domingo, dia 19 de junho deste ano de 2016, pelas 17,00 horas a exposição será inaugurada oficialmente pela presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira. A explicação e apresentação das obras ficará à responsabilidade do Arquiteto Luís Paixão.

Setúbal será honrada com a presença do senhor embaixador da Bulgária Dr. Todor Stoyanov que não quis perder a oportunidade  de vir apreciar estas lindas obras da autoria de um artista seu compatriota.

A cidade do rio azul continua a embelezar-se e a oferecer aos seus habitantes bem como àqueles que nos visitam cada vez mais motivos de atração expondo diferentes obras de arte nos mais diversos espaços públicos.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-15

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terça-feira, 14 de junho de 2016

O Largo de Jesus, em Setúbal, vai ser remodelado

Vamos lá ver se é desta vez que os nossos conceituados arquitetos conseguem devolver a dignidade ao Largo de Jesus, um espaço no centro da cidade onde se encontra o nosso principal monumento.
Depois de muitos anos votado ao abandono aquela zona foi alvo de profundas obras que ao invés de destacar o monumento retirou-lhe parte da visibilidade, transformando o largo num recinto que pouco o dignifica.
Uma cascata que poucos setubalenses e visitantes tiveram oportunidade de ver a funcionar, rapidamente foi transformada numa espécie de sanitário utilizado por algumas pessoas pouco dadas às questões de higiene e ao respeito pelos bens públicos.
Um banco/muro que delimita o espaço com a Avenida 22 de Dezembro dá a sensação que o largo afundou ainda mais, para além dos cerca de dois metros que a avenida subiu, ao longo de cerca de quinhentos anos desde que mestre Diogo Boitaca iniciou a construção em 1490.
Os grafites envolventes e não retirados de imediato contribuem para a poluição visual de quem visita ou transita por aquele nobre local.
Naturalmente fiquei contente ao tomar conhecimento da notícia veiculada pela Autarquia sadina que vem ao encontro dos anseios de muitos setubalenses que não estão de todo satisfeitos com o estado a que chegou este que deveria ser um dos principais, senão a principal largo da nossa cidade.
Eis a notícia:
“Setúbal oficializou, a 31 de maio, o PEDU – Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano em cerimónia realizada em Santa Maria da Feira, na qual participaram presidentes de autarquias, incluindo Maria das Dores Meira, e os ministros do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, e do Ambiente, João Fernandes.
A Requalificação da Envolvente do Convento de Jesus, orçada em 1.249.172 euros, é uma das duas ações propostas no eixo Regeneração Urbana, que centra trabalhos no Largo de Jesus, com a melhoria da imagem urbana da zona envolvente ao Convento de Jesus, referência manuelina.
A intervenção inclui ainda a definição de uma bolsa de estacionamento atrás do monumento nacional, a par de obras de reabilitação da área envolvente localizada nas zonas a nascente e norte do convento e do Balneário Dr. Paula Borba.”

Rui Canas Gaspar
2016-junho-14
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sábado, 11 de junho de 2016

Em Setúbal o “doutor” da FINA diz que assim está bem

A manhã de sábado está bonita em Setúbal e no nosso belo rio azul vários barcos à vela dão vida e colorido à “baía dos golfinhos” enquanto muitas pessoas fotografam os recém-chegados membros do “golfinho parade” desta vez mais coloridos e guiados por um exemplar de maiores dimensões, o seu patriarca.

À entrada do Parque Urbano de Albarquel em quase meia centena de mastros encontram-se arvoradas outras tantas bandeiras representando os nadadores que nesta tarde irão disputar uma importante prova internacional que apurará alguns daqueles que se farão representar nos Jogos Olímpicos.

Fico naturalmente orgulhoso por Setúbal ser neste dia um dos palcos mundiais e satisfaço a curiosidade do meu neto ao identificar os diversos países aqui representados, ensinando-lhe os rudimentos do protocolo no referente ao pavilhão nacional.

Reparo então que os mastros são todos da mesma altura, as bandeiras arvoradas são todas das mesmas dimensões e de diferentes países e a bandeira de Portugal, país anfitrião, que deveria encontrar-se à direita, ou neste caso ao meio, desde que hasteada num mastro mais alto, encontra-se entre as demais.

Uma falha qualquer um tem, embora estejamos a falar de uma importante prova internacional, com substanciais meios envolvidos e técnicos de todas as especialidades e mais algumas.

Resolvo ir alertar para a situação e, depois de muito procurar pelo responsável, alguém me indica um senhor, a quem tratam por “doutor”, pessoa que envergava uma camisola da FINA (Fédération Internationale de Natation).

Dirijo-me ao “doutor” para lhe dar conta da anomalia, agora que os milhares de pessoas ainda não chegaram para assistir às provas que terão lugar à tarde e cuja resolução é por demais fácil, basta arrear uma e subir outra.

Mas o “doutor” de forma despachada e arrogante trata de me despedir a grande velocidade dizendo que aquele é o protocolo da FINA e como tal está tudo bem.

Ora não acreditando no “doutor” e porque não há qualquer protocolo da FINA que se possa sobrepor às Leis Portuguesas, dirijo-me à Polícia Marítima e falo com o agente mais graduado, que me diz que irá tratar da situação.

Fiz a minha parte, espero que os responsáveis da FINA façam o que lhes compete e a Polícia Marítima aja em conformidade e não tenha apenas sido mais simpática, deixando ficar tudo na mesma.

A partir de agora e até ao final das provas muitas pessoas poderão constatar se a bandeira das quinas está no lugar que lhe compete ou se continua entre as demais, segundo o “protocolo da FINA” aqui representada por um “simpático doutor”.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-11

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sexta-feira, 10 de junho de 2016


ASA o golfinho voador

Teria nascido por volta de 1970 quando Troia fervilhava de atividade com a construção daquela que então estava anunciada como a futura capital turística da Europa e o Sado era atravessado diariamente por largas centenas de pessoas.

Cresceu no nosso rio, brincou com a sua comunidade, aprendeu a caçar e a conhecer o estuário como ninguém.

Naquele dia 7 de abril de 1999 na ansia de caçar umas corvinas ou apanhar alguns chocos para lhe comer apenas a cabeça, embrenhou-se por um dos braços do rio acabando na embaraçosa situação de não conseguir dali sair, devido ao seu enorme porte e à estreiteza do espaço.

Teve sorte!... Alguém o viu e deu o alarme.

Logo para o local seguiram os seus amigos humanos que o tentaram ajudar mas sem sucesso devido à delicadeza da situação.

Os salvadores perante a impotência decidiram então solicitar o apoio da Força Aérea Portuguesa que para ali enviou um helicóptero.

Um forte cabo foi lançado do aparelho e em terra os homens trataram de amarrar o melhor possível o animal que passado algum tempo era içado.

O golfinho portou-se muito bem ao sobrevoar os esteiros. Viu lá do alto as indústrias que de vez em quando lhe poluem as águas, admirou casas onde os seus amigos residem, observou as estradas por onde circulam em velozes carros e finalmente ficou com as areias finas e brancas de Troia à vista.

Aí a equipa de salvadores já o esperava. O helicóptero baixou e o ASA tocou de novo as águas do seu rio azul. E tão satisfeito ficou que não parava de bater com a cauda naquelas águas. É que golfinho não é animal voador!...

O ASA foi salvo e rapidamente correu a dar a notícia à sua comunidade que o acolheu com natural satisfação.

Em agosto de 2015 o golfinho voador, então patriarca da sua comunidade, morria no seu Rio Sado, local de tantas aventuras e histórias. Teria então uns 45 anos.

Em Setúbal gostamos de golfinhos e os golfinhos gostam de nós, por isso até as nossas crianças pintam algumas obras em sua homenagem as quais se encontram expostas junto à doca dos pescadores.

Mas, curioso também e alvo de frequentes comentários foi o voo que os dois “golfinhos” da desativada rotunda a que os setubalenses atribuíram o seu nome tenham mudado para outras paragens, mais a poente da Avenida Luisa Todi.

Curiosamente, agora constato que dos dois que existiam na Avenida Luísa Todi, apenas um lá está e, em contrapartida, aparece-nos um irmão gémeo, pintado de novo, como patriarca da comunidade dos “golfinho parade”.

Será que estamos em presença de uma nova história do ASA, o golfinho voador?

Rui Canas Gaspar
2016-junho-10

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Será que não está na altura de algum dos nossos grupo musicais pegarem na letra e música do ignorado e quase desconhecido hino do Vitória Futebol Clube e o divulgarem publicamente?

Foi em 23 de março de 1925 que Ricardo Durão escreveu a letra e Celestino Rosado Pinto tratou de musicar, ele que era naquele tempo um conhecido e conceituado maestro setubalense, nascido em 17 de dezembro de 1872.

Há notícia de que o hino vitoriano a par do hino de Nossa Senhora da Arrábida era muito conhecido e cantado com frequência pela generalidade da população setubalense no início do século XX.

O hino vitoriano nunca chegou a ser gravado e raramente foi tocado nos últimos anos, porquanto ao que parece subsistiu um desentendimento relacionado com questões autorais entre o conhecido autor da música e a Sociedade Musical Capricho Setubalense de quem esteve ao serviço.

Que se tenha conhecimento, a última vez que ele foi tocado num evento oficial sadino aconteceu em 1985, no decurso das comemorações do 75º aniversário do Vitória Futebol Clube, tendo sido então interpretado pela banda da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense.

Este é o Hino oficial do Vitória que ao longo dos anos tem vindo a aguardar que algum dos nossos cantores ou banda o venha a cantar, tocar e divulgar como tão bem o merece.

HYMNO do VICTORIA FOOT-BALL CLUB

BIS
Vitória Bradam nossos peitos
Cheios de força e de vontade,
Vitória certa em grandes feitos,
Prepara a nossa mocidade.

BIS
Lutar, lutar  até ao extremo
Por conquistar da glória as palmas
Vencer, vencer é o fim supremo
Que eleva sempre as nossas almas

E assim Vitória vai vibrando
BIS – Em ressonância triunfal
Como uma esp’rança tatejando
BIS – Nos corações de Portugal.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-08

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domingo, 5 de junho de 2016

Mulher setubalense não pagou imposto e bofeteou agente do fisco

Provavelmente estaria um dia quente naquele ano de 1607 quando dona Antónia da Costa saiu da sua casa, em Setúbal, e se dirigiu à do Corregedor para tratar de um qualquer assunto familiar.

Ao que parece a senhora deslocava-se apoquentada devido ao calor que se fazia sentir e, provavelmente por força dessa circunstância, a sua saia ia um pouco mais subida, deixando ver as luxuosas rendas que logo atraíram o olhar cobiçoso do Alcaide.

Este não perdeu tempo, nem se fez rogado e, logo tratou de ir ao encontro daquela setubalense tentando levantar-lhe as saias para melhor poder observar o que trazia por baixo e, desta forma, poder aplicar o imposto previsto pela Carta Pragmática Contra o Luxo, uma espécie de sinal exterior de riqueza que então se encontrava em vigor.

Quem não gostou do atrevimento do Alcaide foi a dona Antónia que logo ali tratou de aplicar uma valente bofetada no rosto do atrevido fiscal.

O assunto foi levado ao conhecimento do reto e rigoroso Corregedor, Francisco Gomes Loureiro, que de imediato tratou de penalizar com 4000 réis de multa a senhora não só por infringir a lei ao usar rendas luxuosas, mas também por ter aplicado a bofetada no agente fiscalizador.

Porém, aquela setubalense que não devia ser mulher para se deixar ficar logo tratou de recorrer da sentença para o Tribunal da Relação o qual proferiu acórdão a seu favor, anulando a coima que lhe tinha sido aplicada.

O tribunal considerou não ter havido boa-fé por parte do Alcaide, pelo que o caso não teria sido bem julgado pelo Corregedor, achando até que a bofetada aplicada pela D. Antónia teria sido muito bem dada, porquanto e senhora estaria a defender a sua honra como mulher casada.

Sendo assim, a Relação inverteu a sentença aplicando ao Alcaide a coima de 2000 réis e condenou o Corregedor ao pagamento de 4000 réis, com a advertência de que outro caso com atentado à honra de qualquer mulher que fosse a sua casa daria lugar a informação a sua majestade o rei, com as naturais consequências que daí adviriam.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-05

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sábado, 4 de junho de 2016

Há Festa no Parque

E não é que há mesmo! São dezenas e dezenas de pontos de atração e milhares de crianças que com os seus familiares percorrem o Parque do Bonfim divertindo-se e aprendendo.

Este é um excelente parque no centro da cidade de Setúbal que agora se apresenta com a totalidade dos seus pavimentos recuperados e com um novo palco fixo muito bem enquadrado.

Neste fim-de-semana de 4 e 5 de junho ali poderemos tomar contacto com os mais diferentes estabelecimentos de ensino, Sapadores Bombeiros e Exército Português de entre outros stands informativos.

Numa enorme tenda podemos encontrar a feira do livro e no amplo espaço vemos animação infantil, teatro, pinturas faciais, balões, e zonas de experiências de física.

As crianças podem tomar contacto de uma forma ativa com diversas modalidades desportivas que vão do ténis à escalada.

Mas bem interessante são os jogos tradicionais, nomeadamente os jogos de peão, as corridas de sacos, o arco e gancheta, o chinquilho ou mesmo experimentar caminhar em cima de andas.

Outros ainda afinam a pontaria atirando bolas de trapos a latas, tal como se de uma popular feira se tratasse.

A aprendizagem rodoviária também tem o seu espaço e são muitas as crianças que fazem filas para dar uma volta de carro e aprender os rudimentos da condução segura.

Vendedores de coloridos balões e maquinetas de bolas de sabão dão um ar alegre e colorido ao espaço que durante toda a manhã de sábado se apresentou repleto de interessados participantes.

Esta é mais uma das muitas iniciativas que em Setúbal dão mais vida e alegria a uma cidade que se gosta e onde é bom viver.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-04

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Parabéns ao jornal O SETUBALENSE 

É com muita satisfação que daqui endereço os meus melhores e sinceros parabéns ao jornal O SETUBALENSE pela excelente iniciativa do publicar e distribuir gratuitamente uma revista, conjuntamente com a sua edição de sexta-feira, 3 de junho de 2016.

A “revista o setubalense” não é um trabalho qualquer, ele tem uma ótima apresentação, foi impressa em papel de excelente qualidade de forte gramagem e apresenta-se com um conteúdo muito bem cuidado e diversificado.

Trata-se de um excelente contributo para a divulgação da nossa terra, promovendo as nossas coisas e dando assim uma mãozinha ao setor turístico local.

De salientar que alguns dos textos se apresentam redigidos  em português e inglês, pelo que a revista poderá também constituir um veículo promocional junto daqueles que não conhecendo a língua de Camões, dominam a língua quase universal que é o inglês.

A revista não pode ser vendida. Ela é distribuída gratuitamente conjuntamente com o jornal, o qual tem um custo simbólico de 50 cêntimos, pelo que recomendo que se apressem a adquirir o vosso exemplar antes que se esgote.

Nunca é demais enaltecer o trabalho de todos aqueles que se esforçam, nas mais diferentes áreas de atuação, de forma a potenciar as maravilhas desta encantadora região do rio azul.

Obrigado jornal O SETUBALENSE na pessoa do seu proprietário, editor e demais colaboradores que nos proporcionaram mais este excelente miminho.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-03

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Já saboreou a deliciosa música dos “Massacotes”?

Em 2008 nascia em Setúbal um popular agrupamento musical que bem poderia ter sido  batizado com o nome do gostoso “besugo”, um peixe abundante na nossa costa que, por terras sadinas, quando ainda é relativamente pequeno é mais conhecido por “massacote” . Daí os seus fundadores  terem optado por esta designação mais popular, igualmente mais em sintonia com o trabalho que se propunham vir a desenvolver.

“Os Massacotes” são formados por meia dúzia de membros que não só cantam bonitas e agradáveis canções populares, como também tocam bateria, cana, baixo, acordeão e viola.

Boa parte dos temas que o grupo interpreta, inspirado nas gentes e coisas de Setúbal, são da autoria de Mário Regalado e de Álvaro Andrade, embora outros compositores façam parte do seu reportório.

Para que possa haver uma maior divulgação dos seus trabalhos e para que fique um registo para a posteridade, o grupo editou e começou no passado mês de maio a divulgar  o seu primeiro disco subordinado ao tema: “Sou filho da cidade” um leque de agradáveis temas populares muito bem interpretado.

A capa do disco tem a figura de Bocage e trata-se de uma imagem cedida pela Câmara Municipal de Setúbal ao popular grupo, que tem várias atuações agendadas para as diversas festividades que já começaram a decorrer neste período mais quente e de tradicionais festas populares.

Se ainda não adquiriu este disco recomendo que se apresse antes que esgote.

Ouvi as músicas selecionadas para este primeiro trabalho cantadas e tocadas pelos nossos “massacotes” e recomendo tal como o farei a quem desejar saborear o delicioso peixe assado no carvão que emprestou o nome a estes músicos setubalenses.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-01

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terça-feira, 31 de maio de 2016

Provavelmente este foi o melhor polícia que passou por Setúbal 

Foi num dia de inverno que nasceu na Freguesia da Ribeira Seca, concelho da Ribeira Grande, em São Miguel, nos Açores, quando o calendário assinalava 2 de Fevereiro de 1926 e, logo trataram de lhe colocar o nome de Jacinto Medeiros Melo.

A criança cresceria na sua terra natal e, mais tarde, deixava as brumosas ilhas atlânticas para se vir instalar no solo continental português.

Setúbal, cidade à beira mar plantada, foi a escolhida para viver e foi precisamente aqui que não só viria a criar e educar as suas duas filhas e o filho como também viria a exercer de forma exemplar a sua atividade como sinaleiro ao serviço da Polícia de Segurança Pública, a força de segurança onde ingressou no início dos anos cinquenta do século XX.

De tal forma desempenhou a sua atividade profissional que ficou na memória de todos os que, sendo ou não automobilistas, ainda hoje se lembram dele e comentam a sua ação enquanto agente de trânsito, dado ter-se tratado de um homem com uma postura profissional e cívica absolutamente exemplar e única.

Acontecia que, quando o senhor Jacinto por vezes já tinha saído de serviço e se deparava com alguma complicação no tráfego automobilístico citadino, estivesse ele fardado ou não, logo se dirigia para o centro da via e com o seu porte impecável e a sua reconhecida competência logo tratava de resolver a questão da fluidez do trânsito automóvel.

Quando questionado por um jovem escuteiro sobre o motivo porque o fazia, logo tratou de responder que era por “dever”, porque considerava que um polícia tinha essa obrigação estando ou não de serviço.

Era um homem que desempenhava a sua atividade profissional por gosto e, com chuva ou com sol, ele dirigia o trânsito deslocando-se de forma rápida, com as suas passadas largas e decididas e, os seus inconfundíveis gestos que faziam os condutores andar ou parar.

Tratava-se de uma atividade por demais perigosa dado que ela se desenvolvia entre as viaturas que circulavam nas artérias mais movimentadas da cidade.

Jacinto Melo faleceu em Setúbal, a terra que adorava e onde criou seus filhos, poucos dias antes de completar 87 anos, quando o calendário marcava 8 de janeiro de 2013. Tinha vindo ao mundo num dia de Inverno e foi nesta mesma estação do ano propícia ao mau tempo que nos deixou.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-31

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domingo, 29 de maio de 2016

Parte do Aqueduto dos Arcos, em Setúbal, está em perigo de derrocada
A Arca d´Água de Alferrara é uma construção, situada perto do Parque de Merendas de São Paulo, uma zona muito rica em água de boa qualidade, que no século XV foi alvo de captação e envio para a então Vila de Setúbal.
O transporte dessa água era feito por intermédio de um aqueduto, construído ao longo de alguns quilómetros, desde a sua nascente até às muralhas da cidade.
Para distribuir pela população o precioso líquido foi construída uma artística fonte, em 1693, o conhecido Chafariz do Sapal, colocado no centro da cidade, frente ao edifício dos Paços do Concelho. Esta fonte seria posteriormente deslocalizada para a Praça Teófilo Braga, onde hoje ainda a podemos admirar.
Do aqueduto que transportava a água já pouco resta. O mesmo encontra-se integrado na ponta poente do Parque da Algodeia.
A importância desta peça do nosso património edificado levou os nossos responsáveis a declará-la Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto nº 516/71 de 22 de novembro de 1971.
Em 28 de novembro de 2014 as águas da Ribeira do Rio da Figueira, que a norte do aqueduto curvam para nascente, rebentaram o muro de proteção ocasionando inundações e prejuízos em toda a zona de Montalvão e Avenida 22 de Dezembro.
A Câmara Municipal de Setúbal atuou rapidamente e tratou de construir um forte muro de betão difícil das águas daquela ribeira poderem rompê-lo de novo.
Fruto, ou não da movimentação das máquinas pesadas no local essa parte do aqueduto, cuja construção já estava fragilizada, começou a apresentar profundas fissuras que se têm vindo a agravar com o tempo.
São vários os setubalenses mais atentos a este fenómeno que se mostram preocupados com a situação que carece de intervenção atempada, diria mesmo urgente, por parte do Executivo Municipal no sentido de consolidar este troço do nosso Aqueduto.
O alerta fica feito, recomendando uma visita ao local dos responsáveis da Proteção Civil, dado que se aquele troço se desmoronar, para além da perca de um dos pouco monumentos históricos que temos na cidade, o entulho ocasionado pelo mesmo irá obstruir o curso da ribeira e as suas águas não rebentarão o muro mas seguramente sairão do leito e voltarão a inundar parte do bairro de Montalvão e Avenida 22 de Dezembro tal como aconteceu em novembro de 2014.
Como mais vale prevenir que remediar, aqui fica o alerta!...
Rui Canas Gaspar
2016-maio-29

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sábado, 28 de maio de 2016

“Ora já sabem que estou aqui?”

Ervilha apelido ou alcunha?

O homem do povo já não se encontra entre nós, morreu! Ele não foi escritor, poeta, político ou jogador de futebol, mas grande parte dos seus conterrâneos que tiveram a oportunidade de o conhecer jamais o irão esquecer.

Estou a lembrar-me de um  homem simples, que governava honestamente a sua vida, no Outono/Inverno vendendo castanhas ou batatas doces assadas, normalmente na esquina da Rua dos Ourives com o Largo da Ribeira Velha.

No Verão, quando era mais novo e rijo, lá pelos anos 60 do século passado, carregava um pesado recipiente onde transportava os deliciosos gelados e percorria os extensos areais de Troia com o seu característico pregão: “Há fruta ó chocolate” ou ainda o outro simpático “Ora já sabem que estou aqui?” é que o “Ervilha nunca falha”.

Mais tarde construiu um carrinho que adaptou a bicicleta destinado à venda dos seus saborosos gelados e que se transformou num veículo icónico que ainda hoje podemos apreciar no Museu do Trabalho, em Setúbal.

Esse veículo adaptado, pintado de branco, ostentando a figura de Bocage, o escudo nacional e algumas legendas, ficava a condizer com o seu proprietário vestido com impecáveis calças e camisa branca, tipo marinheiro.

Os seus gelados faziam as delicias de pequenos e graúdos, quer fossem saboreados nas quentes areias de Troia, quer na frescura da beira-mar, ali por perto da “Asa do Avião”.

Ao que julgo saber o segredo da sua confeção só ele e poucos mais o conheciam, mas lá que eram deliciosos isso eram, quer os de chocolate quer aqueles outros com pedacinhos de fruta.

João Henrique Melo munido de gravador registou para a posteridade alguns desses pregões tão ao gosto do Ervilha e dessa gravação foi escolhido um pedaço que serviu de genérico para a emissora setubalense Rádio Azul:  “Ora já sabem que estou aqui?”

Rui Canas Gaspar
2016-maio-28

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