notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sábado, 27 de agosto de 2016

O Mini Preço foi hoje roubado

Faltavam poucos minutos para o meio-dia e a fila para pagamento na única caixa na loja do “Mini Preço” da Praça do Brasil, em Setúbal, era composta por meia dúzia de pessoas mais ou menos idosas, exceção para aquele homem, provavelmente com perto de trinta anos que se encontrava a pagar uma pequena compra.

Ao passar a caixa o apito soou, sinal de que algo não estava bem. A funcionária da caixa delicada mas decididamente convidou a individuo a ver o que tinha na mala a tiracolo e que se teria “esquecido” de passar na caixa. Depois de alguma insistência o homem decidiu abrir a mala e retirar uma volumosa embalagem de bacalhau que não tinha pago, colocando-a junto à empregada e dispondo-se a sair.

O sinal voltou a soar e a empregada de novo insiste para que abrisse a mala. Entretanto aciona uma campainha para chamar uma outra colega.

As duas mulheres insistem com o homem e chamam-lhe a atenção para não levantar problemas, mas ele não se dispõe a abrir a mala. Uma das empregadas toca na mesma e solicita que ele abra a mala e deixe ali a ou as garrafas.

A situação começa a complicar-se e o homem tenta sair do estabelecimento. Uma das empregadas corre a fechar a porta. O homem ameaça dizendo que lhe espetava uma faca.

Depois da empregada se ter colocado à frente, o homem consegue empurra-la e sai do estabelecimento, deixando as empregadas bem nervosas e enfurecidas com a meia dúzia de pessoas que esperavam pacientemente na fila que a situação se resolvesse.

Em sua opinião os clientes deveriam ter telefonado para o 112 para chamar a polícia, atendendo a que as empregadas não tinham ali telemóveis.

Assisti a esta triste cena e pensei o que é que está mal aqui, num  estabelecimento pertencente a uma importante cadeia comercial, onde as empregadas são em diminuto número, onde não usam telemóvel nem ligação a uma central de alarmes e não têm um segurança ou PSP que as proteja e mesmo assim se disponham a enfrentar de forma tão corajosa um vulgar ladrão.

Será que elas auferem o suficiente para fazer o papel de caixas e de seguranças? Será que devem ser os clientes do estabelecimento a sujeitar-se a represálias ao chamar a polícia?

E qual é o papel da empresa proprietária numa situação como esta?

Não me digam que ainda vão cobrar às funcionárias o roubo impunemente cometido por aquele reles ladrão?

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-27

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domingo, 21 de agosto de 2016

Setúbal tem mais uma importante obra em curso

O baluarte de Nossa Senhora da Saúde, situado no estremo noroeste da Muralha Seiscentista cuja ordem de construção partiu de D. João IV (1641-1696) integra as Muralhas da Restauração destinadas à defesa terrestre de Setúbal.

Localizado na Avenida General Daniel de Sousa, numa das zonas de maior trafego automóvel encontrava-se com mau aspeto tal como acontecia com o muro contiguo que protege o palácio Botelho Moniz, onde estão sediadas as irmãs da caridade, seguidoras de Madre Teresa de Calcutá.

Encostado ao enorme baluarte encontra-se de momento uma enorme armação de andaimes, cobertos com rede de proteção, sinal indiciador de que aquele histórico monumento também está a sofrer obras de conservação.

Com esta importante intervenção aquela movimentada artéria irá mudar completamente de aspeto passando a oferecer uma imagem mais digna e condizente com a vetustez da fortificação.

Não sei quem está a suportar os custos da intervenção nem a quem se deve a iniciativa das obras em curso, mas não tenho dúvidas em aplaudir quem teve tal iniciativa que muito irá dignificar a nossa cidade e valorizar tão importantes monumentos.

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-21

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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nunca esteve previsto Parque de Campismo em Troia

Quando o tema é Troia, aqui pela internet, quase sempre vem à baila, o saudoso parque de campismo existente no tempo da TORRALTA e que esteve ativo desde meados dos anos setenta, onde muitos dos intervenientes nos debates  acamparam e, provavelmente,  de novo gostariam de o fazer.

O assunto nada tem a ver com o campismo que se fazia na zona da Caldeira ou aquele “selvagem” que por ali acontecia até aos anos sessenta e que depois se deslocalizou um pouco mais para montante, para a zona da Ponta do Verde.

O que acontece é que no plano geral de desenvolvimento de Troia, nunca esteve previsto nenhum parque de campismo e, no espaço onde depois da revolução de 25 de abril de 1974 foi instalado um, ele foi implantado no local que estaria destinado ao “super-edifício”, que não chegou a sair do papel, designado por hotel 1001.

Para se ter uma pequena noção do que seria este edifício, em forma de pirâmide com 1001 quartos (como se comentava na época) ele ocuparia uma área-base  cerca de quatro vezes maior que aquela ocupada pelo Troia Design Hotel, onde agora se situa o casino.

Troia não esteve, desde que começou o desenvolvimento urbanístico pela mão da TORRALTA, nem desde que o projeto recomeçou pela batuta da SONAE virada para o campismo, pelo que quem usufruiu desse prazer naquele espaço que guarde as boas recordações para partilhar com as atuais gerações.

Presentemente, e por um período de três dias no ano poderá voltar a recordar esses tempos, acampando na Caldeira durante as suas centenárias festas em honra de Nossa Senhora de Troia, ou então deslocando-se mais para sul, poderá fazê-lo no Parque de Campismo da Praia da Galé, perto de Melides.

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-18

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

SABIA?
O Estado Português garante o campismo em Troia

É já a partir do próximo sábado dia 20 e terminará no dia 22 deste mês de agosto de 2016 que terá lugar as seculares festividades em honra de Nossa Senhora do Rosário de Troia que em tempos teria tido a denominação mais precisa de Nossa Senhora dos Prazeres.

No século XVIII não se fazia uma festa mas sim duas, uma levada a cabo pelos marítimos de Setúbal e a outra pelos hortelões que habitavam em Troia e arredores, esta tradição perder-se-ia, continuando apenas a que é levada a cabo pelos homens do mar.

Manda a tradição que se monte acampamento na zona da Caldeira para que as festividades populares possam ter lugar junto à capela ali erigida.

E tão importante é esta tradição que embora o espaço seja propriedade privada e para aquele local exista um projeto turístico na sequência do que tem vindo a ser desenvolvido em Troia, que o Estado condicionou o parecer do mesmo.

Por respeito a esta fé centenária, aquando da emissão em 26 de fevereiro de 2009 da declaração de impacte ambiental, assinada pelo Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional este organismo governamental condicionou o seu parecer a alguns pontos, referindo concretamente o seguinte no 9º:

“Garantia da realização da festa centenária de Nossa Senhora do Rosário de Troia, que se realiza durante o mês de agosto e que é tradição dos pescadores acamparem nesta zona, durante três dias em que a mesma se desenrola.”

Sendo assim, está garantido pelo Estado Português a pratica campista na zona da Caldeira nos três dias de festividades em honra de Nossa Senhora de Troia.

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-15

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Parque do Bonfim em Setúbal uma pérola na cidade

A água límpida e fresca  jorrava de duas bicas, vinda do interior da terra, agora que o espaço está dotado de um furo arteziano. 

Ela enchia o grande lago que se apresentava com o fundo limpo, como acontece com frequência e onde podemos apreciar, nadando, engraçados patos e gansos.

Há pouco mais de um século quando o parque era bem maior, existia ali uma fonte a cuja água era atribuída funções medicinais.

Presentemente com mais de 42.500 metros quadrados, o Parque do Bonfim, é o mais antigo espaço verde setubalense, cuja construção remonta ao século XVI, continuando a constituir uma verdadeira pérola no coração da cidade.

Este agradável local, geralmente bem tratado, este ano já sofreu importantes obras de beneficiação com a construção de um palco fixo e a repavimentação de todas as sua vias.

Hoje reparei que se encontram a ser substituídos por novos equipamentos dezenas de bancos públicos e até o edifício existente junto ao lago deixou de se apresentar feio, devido aos inestéticos grafites, para agora o podermos apreciar com o seu exterior totalmente limpo e repintado.

Pena é que duas das bonitas esculturas da autoria e propriedade do artista luso-búlgaro, Nikolay Amzov, residente no concelho e que recentemente ali foram colocadas em exposição pelo espaço de um ano fossem brutalmente vandalizadas, certamente por pobres seres que de humanos devem ter muito pouco.

A despeito do vandalismo que grassa um pouco por todo o lado, agindo impunemente, a cidade vai-se embelezando, pouco a pouco, tornando-se muito mais agradável e o Parque do Bonfim segue a mesma linha, como pode ser facilmente constatado.

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-12

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Festas em honra de Nossa Senhora de Troia
De 20 a 22 de agosto de 2016

Nos últimos anos as festividades em honra de Nossa Senhora de Troia ganharam maior incremento agora com a participação não só dos varinos, mas de toda a comunidade piscatória e turístico-marítima de Setúbal.

No atual cortejo fluvial, podemos ver incorporadas as mais diversas embarcações: desde as da pesca artesanal às de pesca desportiva, passando pelos barcos de recreio de pequeno e médio porte. Também as embarcações das empresas marítimo-turísticas e motas de água incorporam-se no colorido cortejo que chega a juntar mais de uma centena de todo o tipo.

Tudo começa com uma cerimónia religiosa na Igreja de São Sebastião. Seguidamente organiza-se um cortejo composto de vários andores, levados em ombros quer por homens quer por mulheres.

Em procissão e ao som da banda de música, descem aquelas estreitas e íngremes ruas das Fontainhas dirigindo-se para o cais junto ao rio, a fim de, na Doca do Comércio poderem embarcar nos mais diversos barcos que aí os aguardam.

O cortejo desloca-se ao compasso da banda que sempre acompanha o círio de Nossa Senhora de Troia. Em andores ornamentados, carregados aos ombros são levadas outras imagens da devoção dos pescadores: São Pedro, Sagrado Coração de Jesus, São Vicente Paulo, São Sebastião, Menino Jesus de Praga, Anjo de Portugal, São José e Nossa Senhora da Conceição são as imagens que serão colocadas à proa de alguns barcos, pré selecionados pela organização do evento.

Em Troia, as famílias que ali ficarão acampadas fizeram a prévia inscrição junto da organização e agora chegadas à Caldeira montam as suas tendas no espaço determinado para o efeito.

O clima é de festa, de partilha, de comes e bebes, sendo o peixe grelhado o alimento mais consumido e a cerveja é a bebida que já vai substituindo o bom vinho da região.

Rui Canas Gaspar

2016-agosto-12

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Neste momento todos deveremos ser voluntários

Com os fogos a deflagrar um pouco por todo o lado ninguém se pode dar ao luxo de ignorar a situação e desresponsabilizar-se de prestar a necessária ajuda de acordo com as suas possibilidades.

E se nem todos podemos, por este ou por aquele motivo ser bombeiros voluntários, ou profissionais, todos nós temos obrigação de ajudar ativamente os soldados da paz com o nosso contributo, mais que não seja levando-lhes uma garrafa de água.

É simples, vá ao supermercado, compre a água ou fruta que as suas possibilidades financeiras permitirem e leve ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, vai ver que ao invés de ficar mais pobre ficará certamente mais rico.

Isto foi o que fez hoje um grupo de amigos setubalenses (membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) que se juntaram e formaram uma coluna de apoio com cinco viaturas, foram ao supermercado pouco antes do encerramento e adquiriram fruta (bananas e maçãs) algumas centenas de garrafas de água de litro e meio, esgotando o stock que estava disponível ao público daquela marca e foram entregar tudo no quartel dos B.V.S.

Embora estejam ativos alguns fogos à volta de Setúbal, o facto é que os setubalenses enviaram para o norte do país viaturas para socorrer aquelas pessoas que se estão a ver a braços com tantos incêndios.

Outras viaturas preparam-se para partir de forma a substituir as que as antecederam e estas levarão consigo água e fruta para os soldados da paz e para a população carenciada destes produtos.

Depois de ler esta nota se lhe for possível contacte os seus amigos e em grupo vão adquirir água e fruta e entregar aos bombeiros, se não o desejar fazer acompanhado, vá só ao supermercado, compre e vá entregar.

Achei curiosa e apreciei a reação de um grupo de jovens bombeiros voluntários setubalenses que vieram sorridentes agradecer ao grupo de apoio a dádiva que acabavam de receber.

Nós é que agradecemos a estes generosos homens e mulheres que se afadigam no combate às chamas tentando proteger pessoas e bens. Por isso não é demais chamar a atenção para o apoio que eles precisam e que qualquer um de nós pode dar.

Por tudo isto, em vez de falar, faça, eles agradecem e nós também.

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-09

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Palácio Botelho Moniz
Não há duas sem três

Em 15 de outubro de 2015 escrevi uma nota subordinada ao título “dá Deus nozes a quem não tem dentes”, passados alguns meses, em 15 de março de 2016, voltei à carga com uma outra nota desta vez com o título “E que tal inserir a pintura exterior do Palácio Botelho Moniz no Setúbal Mais Bonita?”

E como não há duas sem três hoje volto novamente a focar o assunto do Palácio Botelho Moniz, uma joia arquitetónica setubalense, propriedade da Igreja Católica, que o adquiriu a preço simbólico e por solicitação de D. Manuel Martins, então bispo de Setúbal, viria ali a ser instalada as Missionárias da Caridade, conhecidas por Irmãs de Calcutá.

A edificação apresenta-se em estado degradado com notória falta de manutenção e conservação, podendo observar-se um muro frontal com uma enorme fenda.

A olho nu verifica-se a necessidade de obras de conservação urgente e a pintura exterior do edifício fará ressaltar a sua beleza que já serviu de bilhete-postal promocional da cidade de Setúbal.

Hoje quero partilhar com os amigos que aquele espaço emblemático encontra-se já a ser intervencionado e, embora não possa dar grandes pormenores porque não fui junto das obras, ao passar de carro reparei na existência de um contentor para recolha de entulho e o resguardo do muro exterior.

De relance pareceu-me identificar a placa com o nome da empresa construtora e, se vi bem, ela será a mesma que tem vindo a recuperar os edifícios municipais.

Seja como for, com quem for e por conta de quem for, o facto é que me regozijo com mais esta construção emblemática que dentro de algum pouco tempo certamente se irá apresentar de forma digna embelezando ainda mais uma das principais artérias para quem entra na cidade.

Se os meus reparos tiveram alguma influência fico contente, se foi pura coincidência ficarei igualmente satisfeito, porque o importante aqui é mesmo que os edifícios de Setúbal continuem a ser recuperados e a nossa cidade continue a apresentar-se cada vez mais bonita.

Rui Canas Gaspar

2016-agosto-09

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O lixo do Vitória continua à porta do estádio

As máquinas da Autarquia sadina continuam a par de outras, provavelmente alugadas, a trabalhar de forma imparável na zona envolvente exterior do estádio do Vitória Futebol Clube cujo pavimento está a ser alvo de importantes obras.

Uma potente escavadora começou hoje mesmo a limpar e nivelar o topo norte do campo de treinos sendo igualmente previsível que venha também a receber qualquer tipo de revestimento.

Ontem mesmo, uma equipa de pessoal equipado de roçadoras de mato desbastaram o amplo terreno do lote 9 da Avenida Independência das Colónias que é (ou era) propriedade do Vitória e cujo mato nalguns casos já atingia os cerca de três metros de altura. Um espaço que poderia ser uma fonte de receita para o clube se o utilizasse como parqueamento automóvel em dias de jogos.

Tudo isto, aliado à renovação parcial das cadeiras no interior do Estádio, a pinturas, à recuperação do pavilhão Antoine Velge, são, de facto obras de manutenção e de conservação como há muito tempo o património do V.F.C. não conhecia sendo que mais estarão para ser realizadas nas próximas semanas.

Cá fora, metade da Avenida Independência das Colónias já tem os trabalhos praticamente concluídos, encontrando-se agora a serem desenvolvidos na zona sul, frente à entrada lateral do estádio.

E é precisamente aí, onde se encontravam uns contentores para recolha de lixo, que foram retirados para serem substituídos por um molock, que alguém depositou, já lá vão vários dias, diversos sacos de lixo, proveniente sobretudo das instalações vitorianas dando um desagradável aspeto ao local, ainda que o mesmo se encontre em obras.

O que me causa estranheza é o facto desta situação já ter sido alertada por mais de uma vez em diversos canais nas redes sociais, onde também vários membros da autarquia fazem parte, de vários cantoneiros de limpeza por ali passarem, de variados técnicos e funcionários autárquicos constatarem diariamente esta situação e o lixo ali continuar, muito quietinho, à espera da inauguração do molock que provavelmente acontecerá aquando da conclusão das obras em curso, sabe-se lá quando.

Será que o lixo é mesmo só para retirar no final das obras? Se assim for alguma coisa não estará bem nesta área da higiene e saúde.

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-05

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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Fui à Feira de Santiago e tive pena
Américo Ribeiro merecia melhor!

A foto ilustrativa desta nota não é de minha autoria mas sim da Junta de Freguesia de São Sebastião e de facto está com muito melhor qualidade do que aquelas que eu tirei ontem aquando na minha primeira visita à Feira de Santiago, em Setúbal, levada mais uma vez a cabo no Parque Santiago, na Manteigada.

Não me vou pronunciar sobre a bondade do local, não me vou igualmente pronunciar sobre a afluência ou sequer sobre o modelo do certame, vou incidir a minha opinião sobre um importante pormenor que me parece que continua a passar despercebido a muitos visitantes.

No pobre recinto encontra-se patente uma exposição que poderia, em meu entender, ser um dos pontos altos de atração depois dos concertos musicais, trata-se de uma mostra fotográfica do grande mestre Américo Ribeiro que nos legou quase duas centenas de milhar de fotos retratando a vida, hábitos e costumes desta cidade, diria mesmo que o seu legado conta a história desta terra por intermédio de imagens por si captadas.

O que acontece é que a exposição foi relegada para um espaço nas traseiras, sendo para além de pouco apelativa, composta por pouco mais de uma dúzia de imagens que começam com desporto mas deixam de ser temáticas ao mostrar outros aspetos captados pelo fotógrafo.

Não consigo entender como é que num recinto culturalmente e apelativamente tão pobre os promotores não tiveram a imaginação e o profissionalismo para se aproveitar o que temos para se fazer algo de bom ou muito bom.

A Câmara Municipal de Setúbal é detentora do vastíssimo espólio de Américo Ribeiro e o organizador desta exposição bem que poderia usar e abusar desse magnífico manancial para mostrar a cidade, tematicamente ou não, mas com muito mais imagens patentes numa exposição cuidada e interessante escolhendo um melhor local de passagem, consequentemente de maior visibilidade e não aquele nas traseiras de algumas barracas.

A foto que ilustra esta nota, da autoria insuspeita da Junta de Freguesia de São Sebastião mostra a pobre exposição tal como a vi, desinteressante e sem ninguém a apreciá-la.

Mais uma vez salvou a noite o lombinho do Séninho e como sobremesa a fartura da Luizinha.

O Américo Ribeiro, de cabelo encaracolado, andar acelerado que eu tão bem conheci merecia melhor.

Tive pena!...

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-02

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domingo, 31 de julho de 2016

Abençoados homens que estão a construir a nossa cidade

Aquelas calejadas mãos, tão duras como a própria pedra, não param por um momento e, enquanto uma maneja habilmente o pequeno martelo com que esgravata a terra e bate na pequena pedra para a ajeitar devidamente no respetivo lugar, a outra vai segurar a próxima que irá ser colocada.

De cócoras ou de joelho no chão e com o sol abrasador eles não param de manhã à noite. Normalmente trabalham de empreitada e quantos mais metros fizeram mais ganharão e porque se trata de um trabalho desenvolvido ao ar livre têm de aproveitar o tempo não chuvoso, porque quando a chuva vier não podem trabalhar na sua arte e nesse caso nada ganharão.

A equipa de calceteiros que tem estado a trabalhar nas obras de renovação da Avenida Independência das Colónias, em Setúbal despertaram a natural curiosidade no meu neto, quando o levei para ver de perto os trabalhos em curso e poder apreciar a quantidade e diversidade de maquinaria envolvida, desde a fresadora de pavimento, à máquina de espalhar o material betuminoso, ao cilindro, aos camiões de transporte, equipamentos manobrados por especializados operários.

Também uma equipa de eletricistas desenvolvia a sua atividade retirando postes de iluminação e substituindo-os por outros mais adequados ao novo traçado da via.
O menino teve assim oportunidade de apreciar, bem de perto, como se fazem as ruas e avenidas da sua terra e o trabalho que isso dá.

Não é pois de admirar que embora as máquinas lhe tenham despertado mais curiosidade a sua atenção tivesse sido centrada naqueles calceteiros que não paravam de colocar dezenas, ou centenas de milhares de pequenas pedras com área média de 5x5 centímetros.

O rapaz não deixou de ir bem para junto da equipa observar como aqueles profissionais faziam o seu trabalho e perguntou-lhes. – Não se cansam? Um destes homens de mãos duras, mas certamente de coração mole, sorriu para a criança e respondeu. – Sim cansamo-nos muito, à noite quando vamos para a cama dói-nos o corpo todo!

Passados alguns minutos saímos de junto dos calceteiros para ir observar o trabalho das máquinas que estavam a colocar o novo tapete betuminoso na avenida.

Porém, quer para o neto quer para o avô ficou o testemunho daquele habilidoso calceteiro, que mesmo ao domingo continua na sua imparável tarefa, apenas fazendo um curta pausa para almoçar aquilo que trouxe na marmita.

Foi uma pequena trégua que o trabalho lhes deu, acrescido do luxo de o ter feito à sombra de uma abençoada e frondosa árvore desta avenida.

A partir deste fim de semana o menino certamente que passará a ter uma maior admiração e respeito por estes homens que constroem a sua cidade e se vir alguma pedrinha fora do lugar deverá sentir o desejo de logo a colocar no espaço que lhe foi destinado.

Rui Canas Gaspar
2016-julho-31

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sexta-feira, 29 de julho de 2016





Igreja de Jesus reabre as portas e a Feira de Santiago tem agora mais sete dias

Filipe II governava Portugal quando no ano de 1581 decidiu reunir em Tomar as cortes com o objetivo de tratar de assuntos relacionadas com o reino do qual também era governante.

E foi para lá que se encaminharam os representantes da notável vila de Setúbal tal como outros oriundos das mais diferentes regiões de Portugal.

Nesta magna reunião os representantes do povo setubalense aproveitaram a oportunidade para solicitar ao rei a necessária autorização no sentido de poderem criar uma feira na sua florescente e dinâmica localidade.

Analisado e ponderado o assunto, o rei decidiu deferir a petição ficando assente que a nova feira teria a duração de três dias, com início no dia de Santiago, 25 de julho, e seria realizada junto à Igreja do Convento de Jesus.

Chegados ao dia de Santiago do ano de 2016, Setúbal estava sem feira e sem Igreja de Jesus esta por se encontrar a ser alvo de trabalhos de levantamento topográfico e desenvolvimento de estudos e investigações.

Passados que foram apenas quatro dias sobre a comemoração da realização da primeira Feira de Santiago, eis que é anunciada a reabertura da Igreja do Convento de Jesus, visitável de de terça a sábado e também a centenária Feira de Santiago franqueia o seu acesso ao público, desde hoje, dia 29 de julho de 2016, a partir das 19 horas e por um período de dez dias.

Neste fim-de-semana temos portanto duas boas notícias, podendo constatar-se que a nossa ancestral feira tem agora mais sete dias para que o povo se possa divertir e fazer compras do que naqueles longínquos tempos quando os feirantes assentaram arraiais cá mais para baixo, para junto do vetusto Convento de Jesus e este que tinha a sua Igreja encerrada, vê também a mesma ser reaberta ao muito público que a pretende visitar, sobretudo nesta altura do ano.

Rui Canas Gaspar
2016-julho-29

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domingo, 24 de julho de 2016

OVNIS avistados em Setúbal

Depois de um domingo de calor abrasador finalmente a noite apresenta-se agradável com uma ligeira brisa fresca, não admira por isso que milhares de  setubalenses deixassem as janelas abertas para refrescar a casa e fossem dar uma volta até à beira do nosso Sado para descontrair e eu não fugi a essa regra.

As esplanadas estão cheias, os restaurantes da zona ribeirinha também e outro fenómeno agora é bem visível. São grupos de jovens de telemóvel na mão olhando atentamente para o ecrã na espectativa de caçar algum pokemon.

Enquanto uns olhavam para baixo eu olhava para cima, para o céu estrelado, nesta noite escura onde só em locais mal iluminados se consegue observar as estrelas, como acontece no Parque Urbano de Albarquel, hoje com a vantagem de termos alguns candeeiros com as lâmpadas fundidas.

E, eram 22,05 quando reparei num imenso aglomerado de pontos luminosos, como se fosse um enorme bando de aves que se deslocava de norte para sul, ou seja, vindos de cima da Serra da Arrábida atravessando o mar e desaparecendo pelas bandas de Troia.

Embora os anos de vida já não sejam poucos, nunca vi tal coisa, nem sequer nas largas dezenas de noites escuras passadas em acampamentos com os escuteiros.

Não eram estrelas cadentes, não eram aviões, mas também não sei o que eram, mas lá que eram, eram!

E porque se tratava de alguma coisa que voa e porque não identifiquei, daí ter rotulado este meu primeiro estranho avistamento como tratando-se de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIS) eu, vi, minha mulher também, e um casalinho que passeava por ali também estava de cabeça no ar questionando sobre o que seria aquilo que estávamos a observar.

Será que mais alguém viu este fenómeno, ocorrido hoje, dia 24 de julho de 2016, pelas 22,05 horas?

Rui Canas Gaspar
2016-julho-24

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sábado, 23 de julho de 2016

A Arrábida precisa de um barco de socorro, porque mais vale prevenir que remediar

Esta semana reparei que se encontrava estacionada no Parque de Campismo do Outão uma viatura de combate aos fogos pertencente aos bombeiros setubalenses. 

Trata-se de uma louvável medida preventiva tendo ali um meio avançado para responder de forma mais rápida e eficaz em caso de sinistro ocorrido na Serra da Arrábida.

Porém, reparei também que continua o estacionamento automóvel abusivo na zona da Figueirinha e daí para poente, com largas dezenas de viaturas estacionadas à direita e à esquerda independentemente de haver traço amarelo ou não o que muito dificultará qualquer meio de socorro em caso de sinistro na zona.

Esta semana já aconteceram dois acidentes na Praia dos Coelhos, uma zona de difícil acesso por terra, pelo que a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) baseada em Setúbal, no Hospital de São Bernardo, não teve certamente a vida muito facilitada para chegar e parar na zona próxima do acidente.

Aquela praia não está dotada de vigilância e o acidentado teve de ser retirado por mar graças a uma embarcação da Polícia Marítima, chamada ao local.

A questão que eu coloco e que me parece pertinente é se não deveria haver um posto avançado dos Bombeiros, equipado com embarcação, de forma a poder prestar a necessária e rápida assistência, conhecidos que são os constrangimentos nos acessos por terra àquelas praias da Arrábida.

Sugiro a quem de direito, Proteção Civil, Bombeiros Voluntários ou Sapadores Bombeiros, que a exemplo do que acontece com a viatura parqueada no Parque de Campismo do Outão se possa fazer o mesmo com uma embarcação que ficaria fundeada junto a uma das praias da Arrábida, funcionando assim como ambulância marítima. Isto porque como todos sabemos mais vale prevenir que remediar e os nossos Bombeiros já dão exemplo nessa matéria.

Rui Canas Gaspar
2016-julho-23

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Setúbal prepara-se para receber a Volta a Portugal em Bicicleta

Acabaram de ser eliminados dois possíveis obstáculos existentes no topo poente da Avenida Luísa Todi o que certamente facilitará sobretudo os ciclistas que dentro de dias por ali irão acelerar para a meta aquando da Volta a Portugal em Bicicleta.
O triângulo separador elevado no final da avenida junto à Adega do Leo foi retirado e o pavimento nivelado, enquanto a lomba entre os correios e o Laranja também foi retirada.
Sendo assim, quem entrar em Setúbal vindo da Arrábida e, caso se trate de um pelotão de ciclistas, encontrará uma reta completamente plana e sem obstáculos.
Também a "malfadada" curva entre a Av. dos Ciprestes e a da Várzea foi retificada, dado que ali passará o pelotão vindo de Palmela a caminho de Azeitão.
Esta seria uma boa oportunidade para colocar um pouco de alcatrão no pavimento dos miradouros da Arrábida que se encontram em estado miserável.
Lembro que na Serra da Arrábida estará em discussão o último Prémio de Montanha que vai confirmar o nome do novo “Rei dos Trepadores”.
45 anos depois de Joaquim Agostinho ter chegado à cidade do rio azul envergando a camisola do Sporting, Setúbal volta a receber os ciclistas no dia 6 de Agosto, na penúltima etapa da prova rainha do ciclismo, um evento inserido no âmbito de “Setúbal – Cidade Europeia do Desporto 2016”

Rui Canas Gaspar
2016-julho-23
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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O luxo de viver em Setúbal

Depois de um dia particularmente agitado nada melhor que chegar a casa e tomar um bom duche, mudar de roupa e ir apanhar um pouco de ar puro da Arrábida, e foi esse o luxo que tive o privilégio de desfrutar.

Depois de uma paragem técnica para abastecimento na esplanada da Figueirinha, sem stress, numa hora em que o pessoal regressava da praia e a brisa suave começava a soprar vinda lá dos confins do Atlântico, retorno ao carro para dar calmamente a volta pelo alto da serra a fim de desfrutar o belo pôr-do-sol.

Conduzo com cuidado redobrado, não por causa do trânsito que é quase nulo neste dia da semana e a esta hora, mas por causa dos animais selvagens que a esta hora deixam os seus abrigos para virem procurar comida.

Lá no alto, sobre o conventinho, tenho oportunidade de me congratular com a pintura exterior da capelinha que na minha última passagem por lá se encontrava grafitada e que foi alvo de uma nota publicada aqui. De facto a melhor maneira de combater esta praga dos “borra paredes” é utilizar as mesmas armas e sem perder tempo repintar o que eles pintam, ou borram…

Os miradouros da serra continuam com o piso em estado miserável sem que alguma entidade se digne resolver este assunto que é um péssimo cartão de apresentação para quem quer eleger a marca Arrábida como um destino de excelência.

O sol já se vai pondo no horizonte, o vento agora faz-se sentir de forma mais acentuada e a temperatura baixou tornando-se mais agradável este final de tarde de Verão.

Chego ao alto da serra e mal começo a descer cruzo-me com uma família numerosa, também deve ser pessoal de bom gosto e certamente veio jantar a este local de eleição. Consigo contar 4 adultos e quatro crias, provavelmente seriam mais, dado que não quiseram conversa e rapidamente meteram-se pelo meio do mato.

Nunca tinha visto javalis tão lá para cima, já os tinha encontrado sim cá em baixo na zona do Creiro, mas por ali só tinha visto os seus rastos.

Continuo a conduzir calma e atentamente rumo a Setúbal, onde junto à Albarquel volto a parar para fotografar a placa de boas vindas à cidade que se apresenta iluminada e bela tal como a baía dos golfinhos que abraça Setúbal.

Poucos minutos após e depois da imprescindível ronda pelo PUA, onde algumas pessoas passeiam descontraidamente, outras correm para manter a forma física e outras usufruem da calma do fim do dia, chego a casa e partilho com os amigos esta pequena nota apenas possível porque resido num local de luxo: Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-julho-21

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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Feira de Santiago em Setúbal

Vem aí a Feira de Santiago e com ela os naturais desabafos, opiniões e comentários, partilhados nas redes sociais pelos que são a favor e naturalmente pelos que são contra.

Para os mais antigos setubalenses a feira antigamente é que era boa, porque naturalmente guardam na sua memória agradáveis recordações de tempos idos, quando o primeiro dia era para os “caramelos” e a partir daí lá iam os setubalenses. Era altura de estrear uma peça de roupa nova e o recinto funcionava não só como espaço de diversão, mas também de convívio e ponto de encontro entre uma população onde muitos se conheciam.

Essa Feira de Santiago que nos lembramos seria naturalmente bem diferente daquela outra que começou por se realizar junto ao convento de Jesus e que mais tarde passaria a ser levada a efeito no Jardim da Beira-Mar.

Aquando das mudanças de local certamente alguns também manifestassem o seu desagrado, ou talvez não, porque nesses tempos ao povo não eram dados esses luxos de liberdade de expressão.

Em 2004 a feira deixou de se realizar na Avenida Luísa Todi transferindo-se para a zona nascente da cidade, para espaço próprio, na Herdade de Manteigada e, as crianças que até então iam à Feira de Santiago, na avenida, pela mão de seus pais, são hoje jovens na casa dos vinte e poucos anos que certamente poucas memórias guardarão da antiga feira levada a efeito num espaço que se transformou e hoje não comporta semelhante evento.

Independentemente dos gostos e opiniões, o certo é que a vida é feita de mudanças e se devemos apontar e criticar o que achamos mal, também devemos manifestar a nossa opinião sobre o que está bem.

Antigamente eu ia à feira e comia filhoses, hoje continuo a ir e compro deliciosas farturas, andava de ondulante carrocel, hoje são os divertimentos mais sofisticados, as tradicionais louças de barro que minha mãe usava e comprava na feira, hoje não se usam cá em casa e por aí fora.

Para os mais novos, e não só, a grande atração são os espetáculos musicais, mas até aí podemos escutar opiniões díspares aqui pelas redes sociais e pelos mais diversos motivos. Uns são a favor e outros contra o cartaz apresentado.

É assim a vida, goste-se ou não. Os anos vão passando (para toda a gente!!!) e tudo se vai modificando e se ficarmos agarrados ao passado, às lembranças, paramos no tempo e isso em meu entender não é salutar.

Por tudo isto e mais alguma coisa não deixarei de ir até à Manteigada, entre 29 de julho e 7 de agosto, passear na feira e, como tradicionalmente acontece, comer, sentado, um lombinho do Séninho, dar uma volta comendo uma fartura da Luisinha e antes de vir para casa comprar alguma Bolacha da Piedade.

É claro que como filho de pescador aprendi que “quem vai para o mar avia-se em terra” e como tal tratarei de passar pelo corpo um pouco de repelente contra as melgas, é que elas também andam aí.

Rui Canas Gaspar
2016-julho-20

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