notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quinta-feira, 30 de março de 2017

Boas novas para a José Mourinho 

Em Setúbal, das instalações localizadas junto à Doca dos Pescadores da minha meninice e juventude já pouco mais resta do que alguns raros vestígios.
Setúbal tem vindo a transformar-se e esta é uma zona onde esse fenómeno é mais visível. 

É aqui que os antigos armazéns de redes, as velhas fábricas de conservas e as muitas tabernas vieram dar lugar sobretudo a bonitos e bem equipados restaurantes, famosos pelo peixe assado que disponibilizam. 

Até há bem pouco tempo ainda podíamos encontrar nesta zona algum espaço disponível para venda. Presentemente eles são uma raridade e hoje mesmo podemos observar uma mensagem publicitária, colocada nos automóveis ali parqueados, mostrando a imagem de uma vendedora de uma conhecida imobiliária que informava que tinha vendido dois armazéns. 

Muito em breve quem passar pela Avenida José Mourinho, a antiga Rua da Saúde, terá dificuldade em reconhecer o local, agora que mais um edifício está prestes a concluir o processo de recuperação para ali funcionar mais um restaurante. 

Um novo hotel em breve iniciará a construção frente ao Rockalot, naquela avenida e com mais estes dois imóveis vendidos a juntar a um terceiro transacionado há pouco a uns asiáticos é espectável que dentro de meia dúzia de anos teremos uma avenida com apresentação muito diferente, mais digna e agradável. 

Gosto de saber e de partilhar estas notícias da minha terra que não para de se embelezar de crescer e de se tornar cada vez mais agradável, graças ao espírito empreendedor de nacionais e estrangeiros que aqui encontram uma oportunidade de negócio, ajudando a cidade do rio azul a sair de uma letargia onde esteve mergulhada durante vários anos. 

Rui Canas Gaspar 

2017-março-30


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segunda-feira, 27 de março de 2017

A dança dos hotéis em Setúbal 

Foi anunciado com grandes parangonas e toda a pompa que os chineses vinham para Setúbal investir na construção da marina e erigir apartamentos e um hotel, num enorme empreendimento que iria modificar a zona ribeirinha. 

Pelos vistos os chineses roeram a corda, já cá não vêm pôr os pés e os promotores asiáticos não vão aqui construir marina nem hotel nenhum. 

É agora anunciado que os israelitas vêm erigir um hotel em Setúbal, frente ao Centro Comercial Alegro e, mais uma vez, ficamos naturalmente satisfeitos com o anúncio desta construção que depois de pronta anuncia-se como geradora de uma centena de postos de trabalho. 

Mas, já diziam os putos de Troino:  “a ver vamos como diz o cego”… 

Por outro lado, o emblemático Grande Salão Recreio do Povo, à porta do qual muitos bolinhos à ti Laura comi, certo dia foi parar às mãos de um banco, que acabou absorvido por outro, que por sua vez se desfez do imóvel para fazer o quê? Um hotel, pois claro!... 

É como se costuma dizer por cá: “Não há duas sem três” mas de hotéis nem visto! 

O que eu não sabia é que afinal sem confusão nem complicação, sem parangonas e sem estrangeiros metidos no assunto estava em curso na minha cidade a construção de, imagine-se, um hotel. 

Exatamente. Tomei hoje conhecimento de que está em curso, nas Fontainhas, obras numa antiga fábrica conserveira com vista à sua transformação para ali poder vir a funcionar uma unidade hoteleira. 

O espaço é propriedade de um conhecido setubalense, que curiosamente há bem pouco tempo inaugurou aqui na cidade um bonito hostel. 

É claro que fiquei satisfeito por saber de mais este investimento para a minha terra e bem mais satisfeito ao constatar também mais uma vez são os portugueses em geral e os setubalenses em particular que estão a apostar naquilo que é nosso. 

O investimento estrangeiro é naturalmente bem-vindo, mas nesta dança dos hotéis parece que vão sendo mais as vozes que as nozes, salvando-se, e ainda bem, estas constatações. 

Rui Canas Gaspar
2017-março-27

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Já apreciaram a montra do nosso Hôtel de Ville? 

Luísa Rosa nasceu em Setúbal e segundo tradição oral teria sido na Rua de Coina, posteriormente rebatizada como da Brasileira, em pleno Bairro de Troino, onde eu também berrei que me fartei pela primeira vez naquele primaveril dia 19 de Abril. 

A mocinha poucos anos por cá esteve e aos 14 já atuava em Lisboa onde casou quase sem ter tempo para brincar com as bonecas de trapos, optando por se entreter com um italiano ligado às coisas da musica e mais velho que ela, uns bons aninhos. 

Porque o marido tinha o apelido de Todi a jovem artista passou a ser conhecida por Luísa Todi e, foi assim que ficou famosa nas mais diversas cortes da Europa aquando das suas atuações para as mais importantes figuras reais do seu tempo. 

De Setúbal, a piquena poucas recordações deve ter levado e, pelos vistos, mesmo em adulta não voltou a colocar cá os pés, nem sequer depois de morta. 

Mas porque aqui viu pela primeira vez a luz do dia, os setubalenses decidiram honrá-la como a nenhuma outra e o seu nome e busto figuram nos lugares cimeiros desta generosa terra de gente boa e hospitaleira. 

Hoje mesmo fui encontrar o seu busto no afrancesado Hôtel de Ville, ali para as bandas da Praça do Bocage e consegui esta interessante imagem sem recurso a truques ou malabarismos fotográficos, utilizando apenas e só a câmara do meu telemóvel. 

Espero que gostem e que possam ir até à baixa para apreciar ao natural este motivo decorativo da nossa principal casa setubalense, agora também apta a receber casamentos. 

Rui Canas Gaspar
2017-março-27

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terça-feira, 21 de março de 2017

Já dizia a minha avozinha: Tenham vergonha na cara! 

Não gosto de voltar duas vezes ao mesmo assunto mas aquilo que acabei de ver hoje deixou-me de tal forma revoltado que não resisto a partilhar a minha indignação. 

Como tive de ir às instalações da Reserva Natural do Estuário do Sado aproveitei para dar uma olhadela ao quiosque da APSS que foi alvo de edital para arrendamento por 2.060 euros por mês, mais 30.000 euros de compensação, mais obras, mais equipamentos, mais taxas e mais licenças. 

O mínimo que se esperava era que o espaço fosse apresentado a quem estivesse interessado, ainda que sem qualquer equipamento, mas pelo menos com o mínimo de decência, mas não! As paredes estão carregadas de humidade e de verdete e um monte de lixo pode ver-se no meio da sala. 

Fazer um edital a promover um espaço e apresentá-lo desta maneira é no mínimo escandaloso e em nada dignifica a entidade e os gestores que o promovem. 

Eu tinha vergonha e penso que qualquer homem de negócios jamais teria a ousadia de fazer tal promoção, a não ser que tivesse em mente fazer exatamente o contrário, ou seja, proceder à não negociação do espaço que está a promover. 

Mas seja por motivos óbvios ou por outros ocultos, aquilo que está à vista, neste quiosque envidraçado é uma vergonha e em nada dignifica a cidade e muito menos um organismo e uns gestores que pelos vistos se reveem naquilo que ali apresentam. 

Setúbal merece melhor e os nossos pesados impostos deveriam ter um destino mais consentâneo que o de pagar salários a gente incompetente que faz este tipo de gestão. 

Sugiro que os setubalenses vão até ao jardim da Beira-Mar e vejam com os vossos próprios olhos o estado miserável de um espaço que é apresentado para ser negociado a peso de ouro. 

Já dizia a minha avozinha: Tenham vergonha na cara! 


Rui Canas Gaspar
2017-março-21

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segunda-feira, 20 de março de 2017

Chegaram os navios de cruzeiro a Setúbal? 

Será que alguém está a confundir azul Rio Sado com a sua pacata beira-mar com o cinzento Tejo e sua muito concorrida zona ribeirinha? Será que alguém está a confundir as potencialidades turísticas de Setúbal com a alta turística que se está a viver na capital? 

Bem sabemos que o turismo, o porto de Setúbal e sei lá que mais estão a ser governados a partir de Lisboa, mas embora eu não troque a minha cidade pela capital, tenho o discernimento suficiente para reconhecer que Setúbal está a anos-luz de diferença de Lisboa na captação de turistas. Como tal os negócios por aqui serão forçosamente em menor escala do que aqueles junto ao Tejo. 

Esta introdução destina-se a fundamentar o meu pensamento para o valor de arrendamento, ou de exploração comercial que algumas entidades, que não sendo de todo particulares, estão a pedir por determinados espaços em Setúbal.

Do edital nº 2 de 2017 da APSS (Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra) com 25 páginas, retive de entre outros elementos os seguintes, relativamente ao desocupado quiosque existente no conhecido jardim da Beira-Mar, ali junto à popular “asa do avião”.  http://www.portodesetubal.pt/files_editais/2017/Edital_02_2017.pdf

Até nem sei se li bem, por isso convido-vos a fazer o mesmo e porque acho tão absurdo, peço desde já desculpa pela minha eventual má interpretação do que ali está expresso, ou seja: 

As obras a fazer e os respetivos licenciamentos correrão por conta do “inquilino”. 

Pode o mesmo  vir a utilizar 206 metros quadrados pagando mensalmente 10 € por cada um deles, ou seja 2.060 euros mensalmente. 

E como a renda é “pequenina” quem quiser tomar conta do espaço ainda terá de pagar mais 30.000 euros, uma espécie de trespasse a que a APSS designa como “Compensação pela Adjudicação”. 

A minha questão como ignorante nestas coisas dos negócios de hotelaria é saber se o negócio de venda de cafés, águas e outras bebidas a preços que os cidadãos estejam dispostos a pagar comportam semelhantes encargos aos quais devem ser acrescidos  as mercadorias, água, energia, telecomunicações, pessoal e os inevitáveis impostos? 

Será que as pessoas que tratam destes assuntos não se enxergam? 

Será que já chegaram os cruzeiros a Setúbal sem eu ter dado por isso? 

Rui Canas Gaspar
2017-março-20

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quarta-feira, 15 de março de 2017

Parece que vamos ter boas notícias sobre o trânsito setubalense 

É hábito da nossa Câmara Municipal de Setúbal não informar atempadamente o que de mais importante se está a fazer ou se propõe realizar a não ser que seja algum festival gastronómico do carapau, do choco ou qualquer coisa do género. O facto é que os setubalenses regra geral vão dando com atos consumados, sobretudo naqueles assuntos relacionados com o trânsito que tanto afeta milhares de pessoas. 

Ao não sermos informados por quem de direito e ao haver nesta área uma política do “democraticamente quem manda aqui sou eu” acabamos por ser depois confrontados com aberrações, amplamente criticadas, de obras que ao invés de fluir o trânsito automóvel o acaba por estrangular. 

Mas, parece, a fazer fé no que para aí se diz nos “mentideiros” que vamos ter nesta área do trânsito finalmente boas notícias, o que já não é sem tempo!... 

Consta-se que da Avenida da Europa irá sair uma nova via, junto ao desvio que se encontra entre a rotunda com vasos de laranjeiras e a outra frente ao Mc’donalds a qual passará pelas traseiras do Centro Comercial do Liceu e assim desanuviará o tráfego da Avenida Independência das Colónias. 

A ser assim, as máquinas que se encontram a movimentar terras na zona da várzea, oposta ao Parque Verde da Algodeia, poderão estar a fazê-lo não só com vista ao tal anunciado campo de rugby, mas também já a trabalhar para a nova via que pelos vistos ali irá nascer. 

Acho eu que só ficaria bem à nossa Autarquia que gastasse mais meia dúzia de euros num cartaz e colocasse ali dizendo o que está a fazer, ou será que não merecemos tal consideração? 

Rui Canas Gaspar 

2017-março-15 


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terça-feira, 14 de março de 2017

Está a ser criado um espaço de eleição no centro da cidade 

Em 2001 o presidente Mata Cáceres lançava a primeira pedra daquele que viria a ser o belo Parque Verde da Algodeia, implantado quase ao lado de outro emblemático parque verde, o do Bonfim. 

Dezasseis anos depois a presidente Dores Meira inicia os trabalhos de desmatação e limpeza do espaço contiguo, destinado a um campo de rugby e demais arranjos exteriores que irão complementar o belo Parque da Algodeia, dotando a zona central de Setúbal de mais um agradável pulmão verde. 

Curiosamente, este espaço não está só a ser bastante procurado pelos humanos mas também pelas mais diversas aves, podendo-se ali observar para além de bandos de pardais, melros, dezenas de patos-reais, brancos e mudos, bastantes pombos e agora até as gaivotas já adotaram o espaço como seu, vendo-se por lá também um bando de mais de meia centena destas aves. 

No enorme lago, ainda se podem observar grandes carpas japonesas e outras espécies de água doce, bem como rãs, tartarugas e lagostins de entre outros. 

Por este andar qualquer dia não necessitaremos ir até à Mourisca para captar belas imagens proporcionadas pelas aves que demandam a nossa bela terra setubalense, porquanto elas já se ficarão pela cidade, sem necessidade de subirem o nosso rio azul. 

Rui Canas Gaspar 



2017-março-14

domingo, 12 de março de 2017

O nosso Rio Sado está a morrer? 

Quando estudávamos no ensino básico aprendemos que o Rio Sado nascia na Serra do Caldeirão, já perto do Algarve e corria de Sul para Norte. 

No nosso imaginário quase que estávamos a ver um pequeno fio de água que brotava da serra e que iria aumentando de caudal à medida que outros pequenos regatos se lhe juntavam até chegar a Setúbal onde o podíamos ver largeirão desde a nossa cidade até Troia. 

Se calhar a mesma minha imagem infantil é aquela que ainda hoje perdura na mente de muitas pessoas que já se encontram no Inverno da vida e mesmo naquelas que sendo mais jovens aceitam como bom este pensamento. 

Acontece que já em 1610 Duarte Nunes de Leão fazia a seguinte descrição: 

 “Do Sado que é maior que todos, também não fazem os geógrafos menção alguma, tirando Ptolemeu que lhe chama Callipode. 

Este rio não tem nascimento algum próprio, mas é um ajuntamento de águas das ribeiras de Exarama, de Odivellas, de Garcia menino, e de Santa e se ajuntam a tempo que já vão muito grandes, por águas que colheram de muitas ribeirinhas, regatos e fontes: E se ajuntam todos em um certo passo do qual se faz um rio grande que se chama Sado. 

Seu curso é de quatro léguas, no cabo das quais se mete no esteiro de Alcácer que vem para Setúbal. 

Neste rio até onde chamam o porto del Rei, se navega por barcas grandes e se matam infinitas tainhas muito grandes e formosas, barbos e bogas e enguias, por a grande pescaria que ali se faz e a muita caça que naquela parte há de coelhos e perdizes e muitas aves para caça de falcões e por muita e aprazível verdura deste espaço de terra muitos homens nobres na primavera vão ali folgar.” 

Naquele tempo os Invernos eram muito mais rigorosos e as chuvas copiosas faziam engrossar os caudais de riachos e ribeiras que viriam posteriormente encorpar o Sado. 

A partir do século XX a quase totalidade dessas águas deixou de correr para o Sado ficando represadas por uma dezena e meia de barragens disseminadas um pouco por toda a bacia hidrográfica do nosso rio. 

As condições meteorológicas entretanto sofreram um agravamento ano após ano e, como tal, até esses cursos de água ficaram ameaçados com a consequente falta de água nas barragens, que no final do Inverno deste ano de 2017 rondavam os 30% quando deveriam estar cheias e a transbordar para o Sado. 

Assim sendo, o que resta do rio azul? Que é que vemos frente a Setúbal senão as águas do Oceano Atlântico e uma ínfima percentagem de água doce?
Até quando teremos Rio Sado? 

Rui Canas Gaspar 



2017-março-12

terça-feira, 7 de março de 2017



Mata Cáceres e Dores Meira os presidentes mais discutidos no “Coisas de Setúbal”

Muito se tem feito em Setúbal e por Setúbal nas últimas décadas, embora provavelmente muito mais se poderia ter conseguido se tivéssemos dirigentes políticos mais empenhados e competentes olhando primeiramente para o bem comum em detrimento de interesses particulares ou partidários.
Em função da falta de alguma visão o concelho foi relegado quase para a segunda divisão nacional, deixando-se ultrapassar por algumas dezenas de outros que sempre estiveram à nossa retaguarda.
É claro que na generalidade todos os nossos autarcas fizerem coisas boas e outras menos boas, pelo que não me parece justo elogiar uns e denegrir a imagem de outros.
Vivemos num mundo de comunicação e todos nós temos acesso às poderosas e influentes redes sociais, coisa que praticamente não existia há uma dezena e meia de anos, porque se houvesse se calhar nessa altura o presidente Mata Cáceres fosse elogiado por uns e criticado por outros ao fazer o maior parque verde de Setúbal, o da Bela Vista, tal como hoje a presidente Dores Meira é criticada e apoiada por avançar com o Parque Verde da Várzea.
Mata Cáceres seria alvo de crítica e de apoio por ter procedido ao empedramento artístico da nossa baixa, tal como a presidente Dores Meira o é ao pretender encher a cidade de ciclovias por onde não circulam bicicletas.
Mata Cáceres seria criticado e elogiado pela sua insistência em construir o auditório José Afonso, como Dores Meira o foi por apresentar o celebre Terminal 7.
E poderíamos estar para aqui a desfiar um rol de coisas feitas e outras prometidas pelo autarca do PS, como o viaduto das Fontainhas ou a passagem desnivelada do Quebedo que foram executadas e a cobertura translucida da baixa de Setúbal que foi prometida e não executada, tal como Dores Meira também fez umas e prometeu outras que não avançaram como seja, por exemplo, a tal biblioteca planeada para o Largo José Afonso. Mas teve a ousadia de adquirir o Quartel do 11, por exemplo.
Ambos os autarcas fizeram umas e deixaram por fazer outras, ambos os autarcas prometeram e nem sempre cumpriram, porém cada um com as suas características deixaram obra feita. Que saibam os setubalenses ajudar a construir e criticar de forma positiva ao invés de o fazer de forma destrutiva e quando chegar o dia das eleições pois que votem em vez de ficarem em casa.
Até lá vamos emitindo as nossas opiniões, que valem o que valem, fazendo-o de uma forma civilizada, sem ofensas, porque elas poderão vir a ajudar aqueles que nos governam ou que ambicionam governar-nos, venham eles da área do PS da CDU ou de outra qualquer formação política que até agora não nos governou desde que aconteceu revolução de 25 de Abril de 1974.
2017-março-07

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Parque Urbano da Várzea, uma realidade para breve

Agora que parece estar reunidas as condições necessárias para o avanço do Parque Urbano da Várzea (PUV) com o desbloqueamento de verbas necessárias para o efeito e a disponibilização de terrenos particulares, nomeadamente os importantes espaços do topo norte esperemos que as obras em curso tenham outro incremento.

É bom lembrar que o PUV irá ocupar, nesta primeira faze uma área de 40 hectares, podendo vir a expandir-se até aos setenta, caso venha a avançar para norte.

O objetivo é o de criar o maior parque verde da cidade e simultaneamente bacias de retenção de águas, evitando cheias na cidade em caso de forte chuvada.

Igualmente o parque terá funções de ordem lúdica e pedagógica, recuperando-se antigas estruturas agrícolas como casas, aquedutos e noras.

Uma ciclovia será construída em todo o perímetro e o estacionamento será igualmente acautelado.

O que eu e os setubalenses com quem tenho falado querem ver igualmente acautelado é o bonito miradouro, que há vários meses se encontra protegido com andaimes, que deverá ser devidamente recuperado e que certamente foi incluído no orçamento da construção do PUV.

Esta é uma peça que nos foi mostrada pela autarquia nos seus primeiros cartazes que anunciavam o projeto e de certo modo poderá funcionar como emblema daquele espaço.

O vetusto miradouro é uma obra rara, uma das primeiras construções em betão armado e uma das poucas peças históricas que temos em Setúbal, não nos podendo dar ao luxo de a perder.

Estou em crer que em breve possamos ter mais este espaço outrora agrícola devidamente integrado no tecido urbano, com novas valências e a servir devidamente o nosso povo numa cidade que se quer cada vez melhor e mais bonita.

Rui Canas Gaspar
2017-fevereiro-28

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017


A casa onde se diz ter nascido Luísa Todi 

Nasci na Rua das Oliveiras no popular bairro de Troino, quase ao lado da Rua da Brasileira, onde segundo tradição oral terá nascido a célebre cantora lírica Luísa Todi. 

Conheci aquela rua que antes de se designar por Brasileira ostentou a designação de Coina. Naqueles tempos era uma artéria cheia de vida e até o prédio onde se diz que a diva nasceu não lhe faltava animação, atendendo à muita freguesia que a taberna do António Dias tinha naquele tempo. 

E se a taberna funcionava no rés-do-chão o meu pai chegou a residir com a minha avó no último piso do histórico edifício, com vista para uma outra celebre janela, a da escola da Coelha, a tal professora que não se ensaiava muito para colocar os alunos à janela ostentando “orelhas de burro” ou fazer bom uso da sua omnipresente régua. 

Era bem pequeno, mas pelos vistos já curioso, não deixei de ir ver os senhores que mandavam cá na terra e ouvir a banda de música, apreciando o largo fronteiro devidamente engalanado com festões naquele dia de 1953 quando se colocou no edifício o medalhão com a efígie da Luísa Todi, como forma de comemorar o segundo centenário do seu nascimento. 

Em 2004 a Câmara Municipal de Setúbal adquiriu o imóvel, tendo anunciando na altura que iria naquele singelo edifício setecentista instalar um museu, núcleo documental e auditório. 

O tempo passou, o edifício foi-se degradando e no âmbito do programa “Setúbal mais Bonita” o prédio foi pintado de forma pouco condizente quer com a sua idade, estilo e até arquitetura local.

Neste momento a casa onde o povo acredita ter nascido Luísa Todi, propriedade da Câmara Municipal de Setúbal, encontra-se em estado deplorável com a fachada a necessitar de nova intervenção, enquanto o interior espera a tal anunciada casa museu.

E porque uma nova edição do programa “Setúbal mais bonita” vem aí se calhar não seria má ideia inserir este edifício no conjunto daqueles a ser intervencionado, mas desta vez espero como troineiro, que o mesmo seja pintado de forma condizente, porque a casa merece e os setubalenses como seus proprietários também o não desmerecem.

Rui Canas Gaspar

2017-fevereiro-22


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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Um domingo festivo também em Setúbal

Naquele domingo dia 29 de maio de 1949, pelas 10 horas da manhã, uma caravana de cinco automóveis concentrava-se em Lisboa, junto ao Cais do Sodré, para fazer a travessia do Tejo.
A bordo vinham os mais altos governantes portugueses, o Presidente da República, Marechal Óscar Carmona e o Presidente do Conselho de Ministros, Dr. Oliveira Salazar, acompanhado do seu Ministro das Obras Públicas e do Subsecretário da mesma pasta, para além de outras altas individualidades.
A comitiva deslocava-se para o Sul, tendo por objetivo a zona da pequena localidade alentejana de Santa Susana, no concelho de Alcácer do Sal, onde iria inaugurar a maior barragem até então construída em toda a Europa, com tecnologia, capital e mão-de-obra nacional.
A nova barragem que seria então designada por Barragem Salazar e anos mais tarde viria a mudar o nome para Pego do Altar destinava-se ao regadio e à produção de eletricidade.
As populações das diferentes localidades por onde passaria a caravana tinham sido avisadas e, por isso mesmo, podiam observar-se algumas janelas engalanadas com bonitas e vistosas colchas, como também se podiam ver ao longo do trajeto alguns magotes de populares que acenavam à passagem dos automóveis.
Em Setúbal, na Avenida e no Largo dos Combatentes da Grande Guerra cerca das 11,00 horas registou-se a primeira grande manifestação de regozijo devido à passagem pela sua terra de tão distintas individualidades e, por isso mesmo, acorreram àquele espaço a vereação municipal, acompanhada dos representantes de todas as coletividades sadinas e das crianças das escolas primárias locais, tal como muito povo, a fazer fé na noticia publicada pelo jornal “O SÉCULO” no dia seguinte.
Das janelas dos edifícios que ladeavam aquele espaço as senhoras atiravam flores e a banda de música do Orfanato Municipal, muito afinadinha, tocava “A Portuguesa”.
A caravana passou por aqui sem se deter a caminho do seu destino e o domingo teve novo tema de conversa em Setúbal, enquanto lá para sul, para as bandas de Alcácer do Sal a festa continuava com a inauguração de uma importante obra pública que viria a enriquecer a bacia hidrográfica do Sado.
2017-fevereiro-18

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A água da bacia hidrográfica do Sado está a níveis preocupantes

No início de fevereiro de 2017 as barragens da bacia hidrográfica do Sado apresentavam-se em média apenas com 28,2 % da sua capacidade, a menor reserva de água de todas as bacias hidrográficas dos rios portugueses e menos de metade do que seria espectável para esta época do ano, sendo este o nível mais baixo desde 1995.
Atendendo a que esta é uma reserva de água preocupante, embora estejamos no Inverno, está já a ser dada prioridade ao consumo humano em detrimento da agricultura e da produção de energia, uma medida geralmente colocada em prática no Verão.
As autoridades responsáveis pelos recursos hídricos esperam que as chuvas da Primavera venham minimizar esta preocupante situação que tem maior visibilidade na Barragem de Monte da Rocha, a que tem menor quantidade de água armazenada e onde se pode dizer que o nosso Rio Sado tem o início do seu curso, dado que até ali, desde a Serra da Vigia apenas uns fios de água vão correndo.
Sendo assim, poupar água já não é um conselho é uma necessidade imperativa, sob pena de se o não fizermos de um destes dias podermos vir a acordar com pouco ou nada a sair nas nossas torneiras.
Rui Canas Gaspar
2017-fevereiro-16

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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Os mórmons disponibilizaram terrenos para a construção de avenidas em Setúbal 

A Câmara Municipal de Setúbal e A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deram por concluído o processo negocial de cedência dos terrenos propriedade desta Igreja, necessários à construção da ponta final da avenida em construção na várzea de Setúbal.

A Igreja tinha adquirido em 2005 a Quinta da Azedinha, que em tempos idos teria pertencido à família do poeta Bocage, com o objetivo de ali construir uma capela atendendo a que as instalações que dispunha na cidade de Setúbal se mostravam insuficientes.

Mais tarde, apareceu a ideia de se construir o Parque Urbano da Várzea e com ele a nova avenida no sentido longitudinal e outra de atravessamento entre a Avenida dos Ciprestes e a zona das Amoreiras, perto do Lidl.

Os terrenos da ponta final das novas projetadas avenidas, entre a última vivenda e os armazéns existentes, são propriedade da Igreja SUD, cujos membros também são conhecidos por mórmons e que agendaram para este ano o início da construção da sua nova capela.

O edifício a construir, de características internacionais, é polivalente sendo destinado ao culto dominical, a aulas de religião cristã, a atividades de carater social e também desportivas.

Espaços verdes e zona de estacionamento automóvel também estão projetados para apoiar o novo equipamento religioso, cuja construção tal como a aquisição dos terrenos são integralmente suportados por aquela Igreja presente em Setúbal desde 1975, dispondo de duas congregações locais.

As capelas mórmons são igualmente projetadas e construídas para em caso de necessidade serem postas ao serviço da população na área da Proteção Civil, aquando de cataclismos, nomeadamente tremores de terra, tempestades destruidoras ou outros sinistros.

O lançamento da primeira pedra do novo edifício que conjuntamente com a zona envolvente irá dar maior beleza a esta porta da cidade para quem vem ou vai para Palmela tem data agendada para o sábado dia 25 de março de ste ano de 2017.

Rui Canas Gaspar

2017-fevereiro-12


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Há sacos cheios de lixo na Figueirinha 

Depois de comer umas sandes de choco frito acompanhadas com um sumol de laranja fresquinho como almoço tipo piquenique, olhando o nosso lindo mar e céu azul, num dia de Inverno como só em Setúbal acontece lá para as bandas da Praia da Figueirinha, em pleno Parque Natural da Arrábida dirigi-me aos contentores do lixo, na berma da estrada para ali depositar a lata e os sacos de papel que utilizei.

Reparei que os mesmos estavam praticamente vazios, sinal que tinha havido uma recolha recente por parte da Câmara Municipal de Setúbal.

Seguidamente e para ajudar a fazer a digestão fui dar uma volta ao longo da praia e deparei-me com a imagem que a foto documenta, ou seja dois enormes sacos de recolha de lixo completamente atestados a deitar por fora.

Não sei se alguém se voluntariou para apanhar lixo na praia e colocar nos sacos ou se os mesmos ficaram cheios em função dos utilizadores daquele espaço muito frequentado mal o Sol aparece e a chuva dá tréguas.

O facto é que o resultado está à vista e não deixo de me interrogar a quem cabe a responsabilidade. Se é ao concessionário da praia, penso que a sua responsabilidade cessou com o fim da época balnear. Se é aos serviços do Porto de Setúbal ou do P.N.A. bem poderemos esperar sentados porque estas entidades tanto quanto as conheço não estão para aí viradas.

Se a Câmara Municipal só faz a recolha do lixo dos contentores então os sacos que esperem pela nova época balnear e, até lá, que os cães vadios, as matreiras raposas ou os errantes javalis vão até ali tentar conseguir algum alimento, espalhando o que puderem.

O vento forte e alguns cidadãos nacionais e estrangeiros menos cuidadosos encarregar-se-ão de espalhar o resto e assim teremos a bela Figueirinha conspurcada até que chegue o mês de Julho.

Muito do que aqui se pode observar seria relativamente fácil de evitar se os Serviços das Autarquias tivessem outra visão e disponibilizassem com mais frequência alguns dos seus meios para fazer a recolha deste tipo de lixo, evitando-se o degradante aspeto com que se nos apresenta.

Rui Canas Gaspar
2017-fevereiro-07

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Setúbal tenta apanhar o comboio do desenvolvimento 

Aos poucos e poucos a imagem da baixa de Setúbal vai-se transformando conforme os antigos imóveis vão sendo recuperados.

Com a renovação destes prédios outros moradores ali irão habitar originando uma nova dinâmica, perdida ao longo das últimas décadas.

Será bom recordar que muitos dos fogos desabitados resultaram da ocupação dos mesmos com armazéns das lojas comerciais que operavam no rés-do-chão e também pelo falecimento dos ocupantes desses espaços.

As obras de conservação e manutenção ficaram por fazer e chegou-se ao estado de abandono e desertificação de todos conhecido, não só em Setúbal mas um pouco por todo o lado.

A “crise” teve a particularidade de mostrar de forma mais clara esta realidade e alguns investidores decidiram apostar nesta área da recuperação do imobiliário.
O bom momento que se vive em Portugal no setor turístico também está a ajudar e alguns dos imóveis recuperados vão servir esse importante setor de atividade.

E é assim que hoje já podemos ver vários edifícios renovados. Os seus ocupantes começam a surgir, outros prédios estão com obras em curso e agora tive conhecimento de que mais dois deles, na conhecida Rua Dr. Paula Borba, antiga Rua dos Ourives, estão prestes a iniciar obras de recuperação.

O apoio estatal à recuperação dos imóveis degradados é uma medida de louvar, que peca por tardia, embora pessoalmente desde há vários anos que defenda que a melhor forma de apoio seria a disponibilização de um gabinete técnico de apoio aos proprietários e a eliminação de pesada carga burocrática, ao invés de financiamentos.

De qualquer forma é bom verificar que também nesta área Setúbal não está a ficar para trás e tenta apanhar o comboio do desenvolvimento, pelo que dentro em breve voltaremos a ver a nossa baixa e zona histórica com nova vida, certamente bem diferente daquela que eu conheci nos meus tempos de juventude. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2017-fevereiro-07

www.troineiro.blogspot.com

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Será que Setúbal não tem vida noturna? 

Cada um conhece o que conhece e é a partir daí que faz o seu juízo e emite a sua opinião. Opinião que em função do local ou meios porque é difundida pode influenciar outras pessoas que naturalmente formulam também a sua própria a partir daquela outra.

Este pensamento veio-me à mente devido a alguns comentários que frequentemente lemos na net com lamentos de que Setúbal não tem vida noturna.

Certamente para quem não tem outro conhecimento da realidade sadina, ou outros interesses provavelmente terá razão, mas essa razão não corresponde à realidade dos factos, senão vejamos.

Quantas pessoas não preferem praticar desporto em vez de estarem sentados a beber uns copos num qualquer estabelecimento noturno. Eu não sei quantificar, mas basta vir até aos campos de treino do Vitória para poder constatar que são muitos, mas mesmo muitos os praticantes.

Há meia dúzia de anos não tínhamos cinemas, depois de terem encerrado várias salas, hoje essa lacuna está suprida e temos boas salas onde são apresentadas estreias nacionais.

Por cá é apresentado teatro, música e dança do melhor que se faz, quem tiver dúvidas consulte o cartaz do belo Forum Luísa Todi com uma programação capaz de fazer inveja às melhores salas do país.

Mesmo na zona ribeirinha não são só os bares os pontos de diversão noturna, ali temos em funcionamento o melhor e maior polo de entretenimento a sul do Tejo para todas a família, o Bowling de Setúbal.

Depois, temos as diversas coletividades onde se juntam muitos dos setubalenses com os mais diferentes interesses.

Claro que nem sequer vou falar das corridas noturnas, nem nos passeios à noite pelo PUA e pelos outros parques da cidade, uns mais frequentados que outros.

Se Setúbal não tem vida noturna, pois se calhar poderia ter mais, mas para aqueles que ficam agarrados ao teclado ou para aqueles outros que lhes custa levantar o rabinho da cadeira do café se calhar não tem. Mas, cada cidade tem as suas próprias características e a cidade do rio azul tem a que tem e provavelmente para a generalidade dos setubalenses seguramente terá o suficiente, embora estejamos sempre a tempo de fazer melhor.

Rui Canas Gaspar
2017-fevereiro-05

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