notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

terça-feira, 6 de agosto de 2019


Manutenção precisa-se com urgência 

Entendo que não é boa e avisada política andarmos a fazer novos e bonitos empreendimentos, sem que seja acautelado o necessário acompanhamento de conservação e manutenção destas iniciativas. 

Vem isto a propósito de várias situações anómalas que observei no troço entre Setúbal e a Praia da Figueirinha destacando apenas esta última pela quantidade de pessoas que ali se deslocam diariamente e que tal como eu podem observar o que refiro. 

Os dois grandes depósitos para colocação de plásticos, publicitando o Centro Comercial Alegro, continuam tombados e duvido que alguma utilidade venham a ter naquele estado em que se encontram. 

Dos painéis de sensibilização para a preservação do meio ambiente, um deles só lá tem a armação e outro encontra-se tombado já há vários dias. 

Das bandeiras arvoradas naquele espaço destacam-se a bandeira azul, presa por uma ponta, enquanto a do concelho de Setúbal  já sumiu parte e está rota, se não for rapidamente substituída duvido que dure muito mais. 

Não compreendo como é que situações destas se vão mantendo ao longo de dias e dias, quando são observadas diariamente não só pelo comum cidadão como por todo o tipo de autoridades, concessionários e funcionários da Câmara e Junta de Freguesia. 

Será esta imagem de desleixo e de falta de manutenção dos espaços públicos, onde são gastos milhares de euros a embelezar que se pretende transmitir? 

Podemos arranjar mil e uma desculpas para isto, mas lá que é uma situação incompreensível lá isso é. 

Rui Canas Gaspar
2019-agosto-06
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sábado, 3 de agosto de 2019


Saudades de uma menina setubalense 

A senhora caminhava lentamente pela rua, olhando tudo o que a rodeava, parando de vez em quando para assim melhor apreciar um ou outro pormenor.
Esta setubalense nascera ali na “azinhaga do Quileu” e por aqueles terrenos por asfaltar brincou, saltou, correu e subiu vezes sem conta ao moinho do D. António para dali ver chegar os barcos dos varinos. 

Se o barco do seu avô, o “Quileu”, viesse com gaivotas esvoaçando na popa, era sinal de alegria, vinha aí peixe fresco!… 

Ao longo dos anos a antiga azinhaga transformou-se em rua, tal como a menina se transformou em mulher, velhas casas foram sendo recuperadas porém, curiosamente, ainda ali está viva e de boa saúde a taberna do “Quileu”. 

A senhora fez questão de visitar a “cova do Quileu” local de residência do seu avô e onde tantas vezes brincou. Naquele espaço que ela tão bem conhecia no lugar de um estreito e íngreme caminho, existe hoje uma ampla escadaria e ao invés das velhas casas abarracadas das suas memórias de há meio século temos hoje pequenas e agradáveis moradias. 

Era emoção a mais!... A voz embargou-se os olhos encheram-se de lágrimas e as saudades da sua meninice, fizeram-na rapidamente dar meia volta e retornar para junto de seu marido que a aguardava a confortável distância. 

Mais uma setubalense que partiu da sua terra natal para longe do belo rio azul e que agora ao regressar às suas raízes se surpreende com o que vê meio século passado, um curto período de tempo mas o suficiente para termos mudado não só em Setúbal em particular mas o país em geral que passou de cores a preto e branco para multicolor, ainda que algumas dessas cores estejam ainda um pouco desbotadas. 

Rui Canas Gaspar
2019-agosto-03
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sexta-feira, 26 de julho de 2019


Já foi dar uma voltinha? 

Foi há 60 anos que nasceu em Vila da Feira, na região do Grande Porto, um grande e bonito carrossel e, o seu proprietário atribui-lhe o nome de Paraíso, comercialmente apresentado como Carrossel Paraíso, ou melhor, por Paraíso Super Gigante. 

Este popular divertimento para toda a família não tem limite de idade sendo que se forem crianças deverão ali divertir-se desde que acompanhadas por um adulto. 

Trata-se de um negócio de família sendo que a pessoa que agora se encontra aos comandos deste popular divertimento é genro do homem que teve a iniciativa de o construir. 

O carrossel ao longo dos anos tem naturalmente sofrido trabalhos de beneficiação não só na maquinaria, som e iluminação como também nos seus diversificados assentos, originalmente construídos em madeira e hoje muitos deles já em fibra de vidro, porém, a sua magia e encanto não sofreu qualquer alteração. 

Dar umas voltinhas neste divertimento é como fazer uma viagem ao passado e, para quem vai à Feira de Santiago, pelo menos uma vez deverá usufruir deste prazer. 

O carrossel Paraíso Super Gigante é o mais antigo divertimento da nossa feira e já vem a Setúbal há quarenta anos, o que só por si atesta bem a importância que os seus proprietários atribuem a este certame e o carinho que os setubalenses e seus amigos lhe dedicam. 

Não só, mas também, por isto vale a pena ir até à Feira de Santiago, o mais antigo e provavelmente o mais diversificado certame que se apresenta a Sul do Tejo. 

Rui Canas Gaspar
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2019-julho-29

terça-feira, 23 de julho de 2019


O meu primeiro dia na Feira de Santiago 

Passavam poucos minutos das 19,00 horas quando entrei no recinto da Feira de Santiago, o mais antigo e importante certame que se realiza a sul do Rio Tejo.
Dando uma rápida vista de olhos aos stands que se nos deparavam rumei quase diretamente para o Séninho, o bar que já entrou nos hábitos de muitos setubalenses que não perdem a oportunidade de ali se deliciarem com os saborosos lombinhos no pão quentinho e estaladiço. 

Embora as incomodativas melgas estivessem ausentes em seu lugar e sabedoras dos saborosos lombinhos este ano aquele espaço estava repleto de aborrecidas moscas que não nos deixavam comer descansados. 

O meu neto, que nunca conheceu a feira noutro lado que não ali, quase nem comeu entusiasmado com a espetativa de nos divertir-nos no espaço dos carroceis, carrinhos de choque, montanha russa, roda gigante, casa assombrada e tantos outros divertimentos que por ali abundam. 

Fomos os primeiros a entrar numa cabine da roda gigante e pouco depois ela punha-se em movimento levando-nos até ao ponto mais alto onde parou. Aproveitamos para observar  com algum pormenor a feira vista do alto, observamos o bairro da cooperativa das Manteigadas todo arrumadinho e até fotografamos o pôr-do-sol lá nas alturas. 

Estava eu a pensar  que a roda estava parada há demasiado tempo quando a mesma se colocou em movimento e ao chegar ao final desta sua primeira volta o funcionário abriu a porta e convidou-nos a sair e ir à bilheteira reaver o valor pago. É que segundo ele tinha acontecido um pequeno problema técnico. Ainda bem que conseguiram colocar aquela coisa a andar porque senão não havia crónica para ninguém. 

Sem qualquer susto lá fomos para o comboio fantasma e, depois o meu jovem companheiro fez questão de ir ainda para a montanha russa e para a casa assombrada, enquanto o avô se preparava para se deliciar com as farturas da Luizinha. 

Já de regresso a casa e antes de sair do agradável recinto ainda tivemos oportunidade de passar pelo stand das bolachas Piedade onde nos abastecemos.
Na saída fomos dar uma primeira olhadela aos cartazes de informação institucional e reparei que afinal o edifício da EDP sempre vai acolher os serviços da Câmara, tal como as instalações do Ima Parque serão igualmente adquiridas pela autarquia, onde pelos vistos a “massa” não falta. 

Despertou-me também a atenção e fez-me sorrir, a sugestiva foto patente no espaço da União de Freguesias, onde se podem ver dois cozinheiros a mexer num taxo cheio de massa, curiosamente esses mestres da culinária são nada mais nada menos que Rui Canas e Dores Meira, os presidentes da União de Freguesias e da Câmara Municipal. 

Se este apontamento fosse redigido pelo saudoso Fernando Pessa acredito que terminaria assim: “E esta hein?!...” 

Rui Canas Gaspar
2019-julho-22
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domingo, 30 de junho de 2019


Um banquete à disposição na Arrábida 

Nos meus giros pela Arrábida já tenho visto muitas coisas, algumas até bem insólitas, mas aquilo que vi hoje foi para além de insólito bem agradável. 

Já por lá observei altares onde estatuetas de Iemanjá, Nossa Senhora de Fátima ou Maria Padilha conviviam em boa harmonia.  Já observei outros altares onde as flores são nota dominante. Já vi outros onde as garrafas de cachaça e os charutos eram oferendas de luxo. Também por ali já vi junto a uma imagem um conjunto de moedas.  Mas, o mais comum e do que gosto menos são os altares onde as velas, pequenas e grandes, no meio do mato, podem ser um potencial foco de incêndio. 

Bem, mas o que hoje tive oportunidade de ver e fotografar foi um bem composto altar da melhor fruta fresca, onde se destacavam as bananas, os kiwi, as mangas, as peras, as uvas, a meloa e até um grande ananás, um conjunto ladeado por duas taças, uma com milho e outra com um cereal moído que não identifiquei. 

A fé das pessoas tem destas coisas que naturalmente respeito e por isso observo, fotografo e penso no assunto. 

Na descoberta de hoje, nesta Arrábida misteriosa, só fiquei triste ao observar tamanho banquete e a dois ou três metros o que restava de um ouriço-cacheiro que tinha morrido há pouco tempo. 

Na ausência de uma qualquer divindade que possa desfrutar deste banquete faço votos para que os animais selvagens e as aves da nossa serra-mãe encontrem esta dádiva e dela tirem um bom partido e, já agora, quem lá a deixou que veja os seus desejos satisfeitos, se forem bons, pois claro!... 

Rui Canas Gaspar
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2019-junho-30

sábado, 29 de junho de 2019


Quem alguma vez reparou no Padrão de Santo Agostinho?

Se há monumentos em Setúbal que passam quase despercebidos provavelmente este se não for o primeiro é capaz de estar antes do segundo, estou a falar do Padrão de Santo Agostinho, uma obra de arte colocada no Jardim do Quebedo em 10 de junho de 1960.

António Cunha Bento o amigo e grande conhecedor das coisas da nossa terra, fez o favor de me ajudar a melhor conhecer esta peça que quase passa despercebida num jardim onde pontuam frondosas árvores da espécie Lodão-Bastardo.

A obra ali erigida por iniciativa do Núcleo de Setúbal da Mocidade Portuguesa integrou-se nas grandes comemorações Henriquinas que naquele ano assinalaram o 500 aniversário da morte do Infante D. Henrique.

Será bom lembrar que as caravelas enviadas pelo  “Navegador” levavam no seu bojo marcos idênticos a este que foram sendo colocados  ao longo da costa africana, à medida que os destemidos homens do mar  descobriam novas terras e as reclamavam para o reino de Portugal.

O nosso padrão é constituído por uma coluna de pedra firmada num pedaço de rocha virgem, encimado por um paralelepípedo  onde numa das faces está gravado o escudo de D. João II e na face oposta a passagem de Os Lusíadas onde se pode ler “ Se mais mundo houvera lá chegara”.

Passados quase 60 anos desde que ali foi colocado quantos milhares de pessoas passaram por ele? Quantos de nós alguma vez reparamos nesta peça e quantos de nós sabíamos até a sua designação?

Esta como tantas outras são “coisas de Setúbal” que carece serem olhadas com olhos de ver.

Rui Canas Gaspar
2019-junho-28
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terça-feira, 25 de junho de 2019


Parabéns

Faz precisamente hoje 90 anos que oficialmente teve o seu início uma das mais importantes associações setubalenses, a Associação de Construtores e Proprietários de Setúbal

Os seus Estatutos, constando de sete capítulos e vinte e quatro artigos, seriam alvo de publicação no Diário do Governo, 2ª série, nº 144 de 25 de junho de 1929, com alvará datado de 22 de junho de 1929, assinado pelo Ministro das Finanças, quando era então Presidente da República, António Óscar de Fragoso Carmona.

1929 Foi uma data determinante para o progresso da cidade dado que foi nesse ano, em abril, que o Estado aprovou uma verba de 100.000 contos destinada às primeiras obras portuárias, onde se inseria o Porto de Setúbal.

Iniciava-se então a construção das muralhas, docas e estacadas bem como a regularização da margem ao longo de quatro quilómetros, que daria a Setúbal a imagem ribeirinha que ainda hoje conhecemos.

Acompanhando o progresso, a nova associação setubalense deixara então de reunir na sede da Liga Comercial dos Lojistas de Setúbal e passara a ter as suas reuniões de direção num edifício localizado na Avenida Luísa Todi, arrendado ao seu associado Francisco Maria Soares.

Em 31 de março de 1949 fruto do desenvolvimento e da dinâmica da associação, seria adquirido um imóvel na Praça do Quebedo, nºs 23, 24 e 25 para nele funcionar as instalações próprias onde seriam desenvolvidas todas as atividades de atendimento ao público e os demais serviços administrativos e técnicos no âmbito dos seus fins estatutários.

Rui Canas Gaspar
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2019-junho-25

segunda-feira, 10 de junho de 2019


No belo Parque de Merendas da Comenda nem tudo vai bem

Fez hoje dia 10 de junho de 2019 doze anos que ajudei a organizar e dinamizar aquela que foi provavelmente a maior ação de voluntariado levada a cabo no Parque Natural da Arrábida, tendo por alvo a zona do Parque de Merendas da Comenda e áreas circundantes. 

Nesse dia mais de 650 membros do Programa de Voluntariado de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias retiraram daquele local para cima de 10 toneladas de lixo diverso com o apoio logístico da então Junta de Freguesia de Anunciada, bem como procedemos a pinturas gerais nas instalações sanitárias, bancos e mesas. 

Desde essa data para cá participei em mais três ações de limpeza voluntária de menor dimensão. Porém, só hoje fui usufruir daquele espaço, podendo ali almoçar e conviver com vários amigos de entre eles alguns que participaram naquele memorável evento. 

Gostei de ver o PMC com novas e mais mesas e bancos, gostei de ver as instalações sanitárias a serem intervencionadas, gostei de ver a vedação ao longo da Ribeira da Ajuda. 

Não gostei de ver menos sombras, não gostei de observar mesas reservadas de véspera, não gostei de ver as instalações sanitárias há demasiado tempo provisórias, não gostei de ver acampamentos, alguns que se me configuram “permanentes”, não gostei de ver a devassa de propriedade com nacionais e estrangeiros a saltar o muro para ir visitar o palácio, e muito menos gostei de ver a gruta artificial por baixo do mesmo a servir de WC. 

Não me parece bem depois de se gastar um dinheirão para melhorar aquele espaço tão belo que o mesmo não tenha algum acompanhamento em termos de vigilância e mais que não seja a colocação de um painel com duas ou três normas de funcionamento de boa convivência e utilização do espaço. 

Porque há pessoas e pessoinhas, e para não pagar o justo pelo pecador é bom que se tomem medidas que até podem ser adjetivadas como antipopulares, mas tal como diziam os nossos antepassados romanos Dura Lex Sed Lex, ou seja a Lei é dura mas é a Lei, e seja vândalo ou não, não  pode estar acima da Lei e fazer tudo o que lhe dá na real gana. Digo eu!... 

Rui Canas Gaspar
2019-junho-10
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segunda-feira, 20 de maio de 2019


Só e abandonada à sua sorte 

Que alegria eu dei quando era nova, e quantos ajudei a ultrapassar o obstáculo que representava as águas tumultuosas que corriam sob o meu arco. 

Os anos passaram e eu continuei a servir fielmente não só os meus donos mas todos aqueles que recorreram aos meus serviços. 

O tempo passou as produtivas quintas foram sendo paulatinamente abandonadas e por arrastamento deixaram de me utilizar, abandonando-me à minha sorte. 

Passados tantos anos depois do meu nascimento aqui me encontro só e abandonada, às portas da cidade que não parou de crescer. 

A linha de água ainda por cá está, chamavam-lhe Rio da Figueira, agora um autêntico matagal a necessitar de limpeza. 

Será que embora velhinha eu não seria uma boa e agradável companhia para aqueles que passeiam no jardim que faz parte integrante da urbanização do golfinho, um espaço agora ocupado com muitos apartamentos erigidos no local onde os meus antigos patrões tinham a sua quinta? 

Rui Canas Gaspar
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2019-maio-20

terça-feira, 14 de maio de 2019

LIXO – Mais que procurar culpados urge tratar da solução

Rotular os outros de porcos sem olhar para o espelho é fácil, difícil é agir e comportar-se com palavras e ações em conformidade com o que sai da boca para fora.

É imagem recorrente (a que aqui apresento é do meu arquivo) os contentores cheios a deitar por fora e montes de lixo junto aos recipientes, sobretudo no final de Domingo.

Algumas pessoas aproveitam esse facto para fotografar e debitar nas redes sociais tudo o que lhes dá na real gana.

É um facto que o lixo está lá, até acompanhado geralmente de monos e restos de mudanças ou remodelações de habitação.

Mas o lixo só está ao lado porque já não cabe dentro dos contentores, e isso acontece ou porque o mesmo não é recolhido com mais frequência ou os recipientes não dispõem da capacidade que deveriam, por isso há que atuar ou numa ou nas duas vertentes.

Quanto aos monos muitas pessoas não sabem que podem telefonar e, sem custos, as autarquias recolhem-nos. Um papelinho afixado junto aos mesmos com o número de telefone daria jeito!

Rotular as pessoas (as outras, porque nós somos asseadinhos) de porcas quando até vemos todas as noites algumas que andam a retirar e a abrir sacos de lixo sobretudo à procura de metais, deixando tudo espalhado, é que não me parece bem.

Já agora, seria pedir muito que se colocasse no PUA e na Praia da Saúde uns contentores para recolher o lixo dos milhares de utentes daquele espaço? É que só um cego não vê que a meia dúzia de papeleiras são nitidamente insuficientes e os recipientes maiores que por lá estão nem todas as pessoas ainda descobriram o caminho para os mesmos.

Rui Canas Gaspar
2019-maio-14
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sexta-feira, 10 de maio de 2019


Até quando?

Os monumentos homenageiam pessoas, individual ou coletivamente, acontecimentos marcantes e momentos que deverão perdurar na memória dos cidadãos. 

Por isso, eles são erigidos e mantidos em bom estado de conservação, em lugares destacados para que possam ser devidamente apreciados, cumprindo assim a finalidade para que foram edificados. 

No entanto, não é isso que acontece em Setúbal, com o monumento construído em homenagem ao homem do mar, erigido na Avenida José Mourinho, uma das mais concorridas artérias da nossa cidade. 

Se o remo do pescador foi levado pouco depois do bote ali ter chegado, o facto é que o resto do conjunto apresenta um tal estado de desmazelo que até dá dó. A relva cresce em tufos qual mar picado,  pinos de proteção tombados, correntes de vedação partidas e o próprio bote na falta de melhor uso até já serve de dormitório… 

E é assim que vai o nosso património! 

Será que depois de tanto tempo neste estado miserável a Autarquia ainda não conseguiu disponibilizar nenhum das suas centenas de operários que repare o que deve ser reparado neste monumento ao homem do mar? Pelos vistos não! 

Pobres pescadores, que toda a vida foram explorados e relegados para segundo plano e até num monumento em sua homenagem não são dignificados por quem de direito. 

Rui Canas Gaspar
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2019-maio-10

sexta-feira, 3 de maio de 2019


A última olaria de Setúbal 

Longe vão os tempos em víamos toda a zona poente da Avenida Luísa Todi, aquando da realização da Feira de Santiago, ocupada por dezenas de vendedores que comercializavam todo o tipo de louça e artigos confecionados com o ecológico barro. 

Os alumínios, os inox e sobretudo os plásticos vieram ditar a quase extinção desses artigos utilizados em praticamente todas as casas. 

Com os novos materiais e relegado o barro para segundo plano, naturalmente as olarias e os oleiros também se extinguiram em Setúbal. Extinguiram ou quase se extinguiram!... É que, por incrível que pareça, ainda um deles continua a fabricar, a expor e a vendar as suas criações sejam úteis ou simplesmente decorativas. 

A última olaria de Setúbal, fica junto aos Quatro Caminhos, um pouco acima do Centro de Emprego e naquele que foi um antigo armazém de cereais ali se molda o barro desde 1960, encontrando-se os artesãos neste momento a preparar uma encomenda de copos de barro destinados a serem usados numa feira medieval. 

Setúbal, tal como a Arrábida não se descobre, vai-se descobrindo, por isso nada melhor que a ir procurar nas profundezas desta terra bafejada pela mãe Natureza com muita beleza. 

Rui Canas Gaspar
2019-maio-03
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sexta-feira, 19 de abril de 2019


Era uma vez… 

Naquele tempo em Setúbal as muitas fábricas de conservas de sardinha ainda faziam sair pelas suas altas chaminés o fumo proveniente da cozedura do peixe que as mulheres chamadas a trabalhar pelas estridentes e inconfundíveis sirenes correndo ladeira a baixo, desde o alto de Troino até à beira-rio tratavam de preparar para conserva. 

O calendário marcava 18 de abril quando a jovem senhora, grávida de quase 9 meses, com o seu esposo, pescador, saíram a pé da Rua das Oliveiras e foram até Palmela, subindo a serpenteante Estrada da Cobra com o objetivo de ver a procissão que ali então se realizava. 

Na volta para Setúbal o céu abriu-se e uma valente chuvada empapou o casal da cabeça aos pés e nem a ombreira da taberna do “Ás de Paus”, no Rio da Figueira, conseguiu abrigar aquela andarilha. 

No dia seguinte, oito dias antes do previsto, nascia o primeiro filho deste jovem casal de troineiros. 

Naturalmente que para a sua família o pequenote era o rei daquele lar e tinha até o privilégio das suas “bem cheirosas” fraldas (porque não existiam descartáveis) serem lavadas nas primeiras águas que corriam para os tanques da popular Geménia. 

A criança foi apresentada à população de todo aquele populoso bairro, onde as pessoas funcionavam como uma grande família, pela sua bisavó, que babosa, e com o bebé embrulhado num xaile, mostrava a toda a gente o seu mais recente descendente anunciando-o como o seu rei da França, rei da Inglaterra, rei da Espanha e se mais reinos  lhe viesse à cabeça, (fossem monarquias ao repúblicas) estavam safos porque o real governante já tinha nascido. 

E foi assim naquele primaveril dia 19 de abril de 1948 quando se comemorava mais um aniversário da elevação de Setúbal à categoria de cidade que nascia um troineiro que afinal não reinou em lado nenhum a não ser em sua casa e mesmo assim quando a rainha o deixou. 

Obrigado a todos pelo carinho 

Abreijos 

Rui Canas Gaspar
2019-Abril-19
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sábado, 30 de março de 2019


Até quando se manterá esta situação?

Já não é a primeira e certamente não será a última vez que aqui se falou neste edifício que faz parte da história setubalense e embora encontrando-se na principal avenida da cidade é fotografado diariamente como um dos nossos piores cartões de visita.

 funcionou como local de culto religioso no tempo da Monarquia, como cantina da Legião Portuguesa no tempo do Estado Novo, como organização sócio-cultural dos CTT em tempo de Democracia e sei lá que mais…

Também tem mudado de mãos com alguma frequência e, ultimamente, depois de pertencer a um conhecido construtor setubalense o imóvel mudou de dono encontrando-se agora na posse de um organismo bancário que pelos vistos tem intenção de ali poder um dia vir a instalar uma agência ou dependência.

A questão que se coloca é saber até quando é que o edifício continuará neste miserável estado de apresentação e conservação, sendo que a PSP tem junto ao mesmo um espaço destinado ao parqueamento de viaturas particulares.

Se um bocado daquele prédio cair e danificar uma das viaturas que vai assumir a culpa? A PSP cujos automóveis estão à sua responsabilidade? O dono do edifício porquanto é seu legítimo proprietário? A Câmara Municipal cujos serviços de fiscalização se mostraram incapazes de fazer com que o proprietário procedesse às necessárias obras de conservação?

Estas são algumas questões que poderão ser colocadas, porém, o  facto é que se trata de um perigo público e de um péssimo cartão de visita que urge resolver.

Rui Canas Gaspar
2019-março-30
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domingo, 17 de março de 2019


Comida do tempo dos nossos antepassados 

Dizem os entendidos nestas coisas da gastronomia que o ser humano deixou de consumir nos dois últimos séculos na ordem de uma centena de vegetais que até então usava na sua alimentação quotidiana. Exemplo disso mesmo, são as alabaças, ou acelgas, que conjuntamente com feijão originam deliciosas e nutritivas sopas, coisa que a generalidade das gerações mais novas desconhecem. 

O dinheiro não abundava e as pessoas de então deitavam mão a todos os recursos e, se aqui por Setúbal o peixe era a base da alimentação e as ovas de sardinha um importante complemento (hoje na ordem dos 15 euros por latinha) o mesmo acontecia aqui ao lado, no Alentejo, onde as silarcas, ou túberas, que podem ser confundidas com pequenas batatas,  são na realidade um cogumelo muito comum nesta região, onde são encontrados enterrados  junto às raízes dos sobreiros. 

Para quem não os quer ir apanhar nesta época do ano pode sempre  comprar as túberas à saída de Setúbal, à beira da estrada,  onde   vendedores ambulantes as comercializam tal como molhos de  espargos selvagens. 

Para fazer um delicioso manjar  junte a estes dois ingredientes uns ovos e pode fazer um prato que antigamente era comida de pobre e que presentemente, a exemplo das ovas de sardinha, não estará acessível a todas as bolsas, atendendo a que as silarcas custam entre 10 e 15 euros a porção que vemos na imagem. 

Pelo menos uma vez na vida experimente cozinhar e saborear um prato que os seus antepassados tinham na sua culinária e onde hoje salvo raras exceções só o poderá encontrar no Alentejo profundo. 

Rui Canas Gaspar
2019-março-17
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terça-feira, 12 de março de 2019


Arrábida desconhecida

Tempos houve em que o gado apascentava livremente pela Serra da Arrábida vindo até das bandas de Sesimbra até ao Creiro, junto à antiga fábrica de conservas de peixe, onde muitos romanos em tempos se afadigaram.  Ali os animais  dessedentavam-se  na conhecida Fonte da Paciência, a qual dispunha então de um tanque para esse efeito.

Com o passar dos anos a fonte foi-se finando até que aconteceu que dali saiu o último pingo de água doce. 

Em 2002 o Parque Natural da Arrábida  recuperou o local, colocou dois painéis de azulejos reproduzindo antigas fotos e colocou uns bancos de madeira, dando ao espaço um ar bastante agradável. 

A Natureza seguindo o seu curso milenar fez crescer ervas, mato, silvas e toda a espécie de vegetação ocupando o agradável local que se apresenta agora como um desleixado espaço atendendo à falta da mais elementar manutenção. 

Os painéis ainda lá estão, embora picados pelas pedradas lançadas por pessoas que de pessoas só podem ter essa designação e assim se apresenta um espaço que conta um pouco da história deste belo Parque Natural um pouco governado ao sabor do vento. 

Rui Canas Gaspar
2019-março-12
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sábado, 9 de março de 2019


Foto a la minute da Praça do Bocage, sala de visitas sadina

Este é um espaço, outrora à beira do Sado e que foi ocupado pelos romanos que ali instalaram uma fábrica de salga de peixe a qual esteve ativa durante dois séculos.

O espaço viria posteriormente a ser utilizado como lixeira, ocupando os detritos as antigas cetárias.

Depois de ser erigida a Igreja de S. Julião, o seu adro foi local de sepultamento de muitos setubalenses.

No século XV por junção de várias casas nasceria o Paço do Duque, nesta zona central da Vila de Setúbal.

Neste local, na área até há pouco ocupada com as demolidas instalações da pizaria funcionou o picadeiro do Paço.

Depois de algumas alterações aqui viria a nascer o Largo do Sapal tendo ao centro a fonte que D. João III mandou depois desmontar e colocar mais perto do edifício dos Paços do Concelho e que viria de novo a ser desmontada para ser recolocada na Praça Teófilo Braga, junto à Cáritas Diocesana.

Em 21 de Dezembro de 1871 naquele amplo espaço seria erigido o monumento a Bocage e a Praça assumiria a designação do maior poeta nascido em Setúbal.

Muitas foram as transformações da arquitetura desta praça, um pouco ao sabor das épocas e dos gostos e chegamos ao século XXI com a atraente decoração que conhecemos, porém só possível de apreciar em toda a sua beleza se estivermos num ponto alto.

Rui Canas Gaspar
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2019-março-09

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019


“Está ali um burro à venda por um vintém mas a minha mãe não tem!...” 

Este é um ditado popular que me habituei a escutar desde menino e ao que parece não se aplica à nossa Câmara Municipal de Setúbal que vai mesmo fazer a compra do IMA PARK por 4,4 milhões de euros. 

Sou a favor do desenvolvimento, do investimento e  contra o imobilismo e o faz de conta. O que acontece é que neste caso, a concretizar-se, não se vai investir, vai-se gastar o que é coisa bem diferente, pior um pouco, quando se sabe que o que se vai ter de despender  não se tem e vamos pedir emprestado. 

Seria de todo desejável, atendendo ao volume do negócio (porque seremos nós os setubalenses a pagar) que fosse minimamente explicado a bondade do mesmo e a sua premente necessidade. 

Sabemos que a uma compra imobiliária deste tipo se vai juntar mais uns euritos aos anunciados 4,4 milhões que rapidamente subirão para mais de meia dúzia e também sabemos que a poupança de 15 mil x 12 dá apenas 180 mil por ano, valor que se paga pelo arrendamento do espaço do mercado abastecedor. 

Pela minha parte, enquanto setubalense nada terei a obstar contra o negócio desde que seja de facto um investimento e me demonstrem que é rentável, podendo como tal assumir o risco inerente a um qualquer negócio. 

Agora se vão fazer uma despesa desta monta e não explicam a sua hipotética mais-valia começo a ficar preocupado,  pois com investimentos prioritários a fazer, com manutenção de espaços cada vez maiores, com dívidas por saldar, julgo que não haverá dinheiro que chegue por mais IMI que se cobre e por mais espaços de estacionamento tarifados que se criem. 

Expliquem-se meus amigos autarcas, demonstrem que vamos de facto fazer um bom negócio e que se trata de um investimento proveitoso e não de uma despesa  que de momento até não é assim tão necessária, embora vejamos que está ali o tal burro à venda por um vintém, só que a minha mãe não tem! 

Rui Canas Gaspar
2019-fevereiro-07
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


Dia de grande pescaria 

Neste dia em que se comemora o 5º aniversário do grupo “Coisas de Setúbal e enquanto era inaugurado o remodelado Mercado do Rio Azul, junto ao nosso Sado, que hoje se apresentou um pouco acinzentado, na muralha um experiente pescador desportivo capturava algumas grandes taínhas. 

Entretanto, outro tipo de pesca chegava a Setúbal, capturada por outros não menos entendidos “pescadores”. 

Nesta mesma manhã acostava ao cais, frente à doca dos pescadores, um navio de guerra da Marinha Portuguesa que vinha escoltando um poderoso rebocador de alto-mar, o SeaScan 1, registado no Panamá, o qual transportava no seu interior 2,5 toneladas de cocaína. 

O rebocador no valor comercial de 25 milhões de euros, segundo os experts na matéria, fora alvo de apreensão numa bem elaborada operação levada a cabo pela Força Aérea Portuguesa, Polícia Judiciária e Marinha de Guerra Portuguesa.
Foi, de facto, um dia de grande pescaria em águas setubalenses. 

Rui Canas Gaspar
Setúbal, 2019-janeiro-31
Troineiro.blogspot.com