notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

segunda-feira, 10 de junho de 2019


No belo Parque de Merendas da Comenda nem tudo vai bem

Fez hoje dia 10 de junho de 2019 doze anos que ajudei a organizar e dinamizar aquela que foi provavelmente a maior ação de voluntariado levada a cabo no Parque Natural da Arrábida, tendo por alvo a zona do Parque de Merendas da Comenda e áreas circundantes. 

Nesse dia mais de 650 membros do Programa de Voluntariado de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias retiraram daquele local para cima de 10 toneladas de lixo diverso com o apoio logístico da então Junta de Freguesia de Anunciada, bem como procedemos a pinturas gerais nas instalações sanitárias, bancos e mesas. 

Desde essa data para cá participei em mais três ações de limpeza voluntária de menor dimensão. Porém, só hoje fui usufruir daquele espaço, podendo ali almoçar e conviver com vários amigos de entre eles alguns que participaram naquele memorável evento. 

Gostei de ver o PMC com novas e mais mesas e bancos, gostei de ver as instalações sanitárias a serem intervencionadas, gostei de ver a vedação ao longo da Ribeira da Ajuda. 

Não gostei de ver menos sombras, não gostei de observar mesas reservadas de véspera, não gostei de ver as instalações sanitárias há demasiado tempo provisórias, não gostei de ver acampamentos, alguns que se me configuram “permanentes”, não gostei de ver a devassa de propriedade com nacionais e estrangeiros a saltar o muro para ir visitar o palácio, e muito menos gostei de ver a gruta artificial por baixo do mesmo a servir de WC. 

Não me parece bem depois de se gastar um dinheirão para melhorar aquele espaço tão belo que o mesmo não tenha algum acompanhamento em termos de vigilância e mais que não seja a colocação de um painel com duas ou três normas de funcionamento de boa convivência e utilização do espaço. 

Porque há pessoas e pessoinhas, e para não pagar o justo pelo pecador é bom que se tomem medidas que até podem ser adjetivadas como antipopulares, mas tal como diziam os nossos antepassados romanos Dura Lex Sed Lex, ou seja a Lei é dura mas é a Lei, e seja vândalo ou não, não  pode estar acima da Lei e fazer tudo o que lhe dá na real gana. Digo eu!... 

Rui Canas Gaspar
2019-junho-10
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segunda-feira, 20 de maio de 2019


Só e abandonada à sua sorte 

Que alegria eu dei quando era nova, e quantos ajudei a ultrapassar o obstáculo que representava as águas tumultuosas que corriam sob o meu arco. 

Os anos passaram e eu continuei a servir fielmente não só os meus donos mas todos aqueles que recorreram aos meus serviços. 

O tempo passou as produtivas quintas foram sendo paulatinamente abandonadas e por arrastamento deixaram de me utilizar, abandonando-me à minha sorte. 

Passados tantos anos depois do meu nascimento aqui me encontro só e abandonada, às portas da cidade que não parou de crescer. 

A linha de água ainda por cá está, chamavam-lhe Rio da Figueira, agora um autêntico matagal a necessitar de limpeza. 

Será que embora velhinha eu não seria uma boa e agradável companhia para aqueles que passeiam no jardim que faz parte integrante da urbanização do golfinho, um espaço agora ocupado com muitos apartamentos erigidos no local onde os meus antigos patrões tinham a sua quinta? 

Rui Canas Gaspar
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2019-maio-20

terça-feira, 14 de maio de 2019

LIXO – Mais que procurar culpados urge tratar da solução

Rotular os outros de porcos sem olhar para o espelho é fácil, difícil é agir e comportar-se com palavras e ações em conformidade com o que sai da boca para fora.

É imagem recorrente (a que aqui apresento é do meu arquivo) os contentores cheios a deitar por fora e montes de lixo junto aos recipientes, sobretudo no final de Domingo.

Algumas pessoas aproveitam esse facto para fotografar e debitar nas redes sociais tudo o que lhes dá na real gana.

É um facto que o lixo está lá, até acompanhado geralmente de monos e restos de mudanças ou remodelações de habitação.

Mas o lixo só está ao lado porque já não cabe dentro dos contentores, e isso acontece ou porque o mesmo não é recolhido com mais frequência ou os recipientes não dispõem da capacidade que deveriam, por isso há que atuar ou numa ou nas duas vertentes.

Quanto aos monos muitas pessoas não sabem que podem telefonar e, sem custos, as autarquias recolhem-nos. Um papelinho afixado junto aos mesmos com o número de telefone daria jeito!

Rotular as pessoas (as outras, porque nós somos asseadinhos) de porcas quando até vemos todas as noites algumas que andam a retirar e a abrir sacos de lixo sobretudo à procura de metais, deixando tudo espalhado, é que não me parece bem.

Já agora, seria pedir muito que se colocasse no PUA e na Praia da Saúde uns contentores para recolher o lixo dos milhares de utentes daquele espaço? É que só um cego não vê que a meia dúzia de papeleiras são nitidamente insuficientes e os recipientes maiores que por lá estão nem todas as pessoas ainda descobriram o caminho para os mesmos.

Rui Canas Gaspar
2019-maio-14
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sexta-feira, 10 de maio de 2019


Até quando?

Os monumentos homenageiam pessoas, individual ou coletivamente, acontecimentos marcantes e momentos que deverão perdurar na memória dos cidadãos. 

Por isso, eles são erigidos e mantidos em bom estado de conservação, em lugares destacados para que possam ser devidamente apreciados, cumprindo assim a finalidade para que foram edificados. 

No entanto, não é isso que acontece em Setúbal, com o monumento construído em homenagem ao homem do mar, erigido na Avenida José Mourinho, uma das mais concorridas artérias da nossa cidade. 

Se o remo do pescador foi levado pouco depois do bote ali ter chegado, o facto é que o resto do conjunto apresenta um tal estado de desmazelo que até dá dó. A relva cresce em tufos qual mar picado,  pinos de proteção tombados, correntes de vedação partidas e o próprio bote na falta de melhor uso até já serve de dormitório… 

E é assim que vai o nosso património! 

Será que depois de tanto tempo neste estado miserável a Autarquia ainda não conseguiu disponibilizar nenhum das suas centenas de operários que repare o que deve ser reparado neste monumento ao homem do mar? Pelos vistos não! 

Pobres pescadores, que toda a vida foram explorados e relegados para segundo plano e até num monumento em sua homenagem não são dignificados por quem de direito. 

Rui Canas Gaspar
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2019-maio-10

sexta-feira, 3 de maio de 2019


A última olaria de Setúbal 

Longe vão os tempos em víamos toda a zona poente da Avenida Luísa Todi, aquando da realização da Feira de Santiago, ocupada por dezenas de vendedores que comercializavam todo o tipo de louça e artigos confecionados com o ecológico barro. 

Os alumínios, os inox e sobretudo os plásticos vieram ditar a quase extinção desses artigos utilizados em praticamente todas as casas. 

Com os novos materiais e relegado o barro para segundo plano, naturalmente as olarias e os oleiros também se extinguiram em Setúbal. Extinguiram ou quase se extinguiram!... É que, por incrível que pareça, ainda um deles continua a fabricar, a expor e a vendar as suas criações sejam úteis ou simplesmente decorativas. 

A última olaria de Setúbal, fica junto aos Quatro Caminhos, um pouco acima do Centro de Emprego e naquele que foi um antigo armazém de cereais ali se molda o barro desde 1960, encontrando-se os artesãos neste momento a preparar uma encomenda de copos de barro destinados a serem usados numa feira medieval. 

Setúbal, tal como a Arrábida não se descobre, vai-se descobrindo, por isso nada melhor que a ir procurar nas profundezas desta terra bafejada pela mãe Natureza com muita beleza. 

Rui Canas Gaspar
2019-maio-03
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sexta-feira, 19 de abril de 2019


Era uma vez… 

Naquele tempo em Setúbal as muitas fábricas de conservas de sardinha ainda faziam sair pelas suas altas chaminés o fumo proveniente da cozedura do peixe que as mulheres chamadas a trabalhar pelas estridentes e inconfundíveis sirenes correndo ladeira a baixo, desde o alto de Troino até à beira-rio tratavam de preparar para conserva. 

O calendário marcava 18 de abril quando a jovem senhora, grávida de quase 9 meses, com o seu esposo, pescador, saíram a pé da Rua das Oliveiras e foram até Palmela, subindo a serpenteante Estrada da Cobra com o objetivo de ver a procissão que ali então se realizava. 

Na volta para Setúbal o céu abriu-se e uma valente chuvada empapou o casal da cabeça aos pés e nem a ombreira da taberna do “Ás de Paus”, no Rio da Figueira, conseguiu abrigar aquela andarilha. 

No dia seguinte, oito dias antes do previsto, nascia o primeiro filho deste jovem casal de troineiros. 

Naturalmente que para a sua família o pequenote era o rei daquele lar e tinha até o privilégio das suas “bem cheirosas” fraldas (porque não existiam descartáveis) serem lavadas nas primeiras águas que corriam para os tanques da popular Geménia. 

A criança foi apresentada à população de todo aquele populoso bairro, onde as pessoas funcionavam como uma grande família, pela sua bisavó, que babosa, e com o bebé embrulhado num xaile, mostrava a toda a gente o seu mais recente descendente anunciando-o como o seu rei da França, rei da Inglaterra, rei da Espanha e se mais reinos  lhe viesse à cabeça, (fossem monarquias ao repúblicas) estavam safos porque o real governante já tinha nascido. 

E foi assim naquele primaveril dia 19 de abril de 1948 quando se comemorava mais um aniversário da elevação de Setúbal à categoria de cidade que nascia um troineiro que afinal não reinou em lado nenhum a não ser em sua casa e mesmo assim quando a rainha o deixou. 

Obrigado a todos pelo carinho 

Abreijos 

Rui Canas Gaspar
2019-Abril-19
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sábado, 30 de março de 2019


Até quando se manterá esta situação?

Já não é a primeira e certamente não será a última vez que aqui se falou neste edifício que faz parte da história setubalense e embora encontrando-se na principal avenida da cidade é fotografado diariamente como um dos nossos piores cartões de visita.

 funcionou como local de culto religioso no tempo da Monarquia, como cantina da Legião Portuguesa no tempo do Estado Novo, como organização sócio-cultural dos CTT em tempo de Democracia e sei lá que mais…

Também tem mudado de mãos com alguma frequência e, ultimamente, depois de pertencer a um conhecido construtor setubalense o imóvel mudou de dono encontrando-se agora na posse de um organismo bancário que pelos vistos tem intenção de ali poder um dia vir a instalar uma agência ou dependência.

A questão que se coloca é saber até quando é que o edifício continuará neste miserável estado de apresentação e conservação, sendo que a PSP tem junto ao mesmo um espaço destinado ao parqueamento de viaturas particulares.

Se um bocado daquele prédio cair e danificar uma das viaturas que vai assumir a culpa? A PSP cujos automóveis estão à sua responsabilidade? O dono do edifício porquanto é seu legítimo proprietário? A Câmara Municipal cujos serviços de fiscalização se mostraram incapazes de fazer com que o proprietário procedesse às necessárias obras de conservação?

Estas são algumas questões que poderão ser colocadas, porém, o  facto é que se trata de um perigo público e de um péssimo cartão de visita que urge resolver.

Rui Canas Gaspar
2019-março-30
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domingo, 17 de março de 2019


Comida do tempo dos nossos antepassados 

Dizem os entendidos nestas coisas da gastronomia que o ser humano deixou de consumir nos dois últimos séculos na ordem de uma centena de vegetais que até então usava na sua alimentação quotidiana. Exemplo disso mesmo, são as alabaças, ou acelgas, que conjuntamente com feijão originam deliciosas e nutritivas sopas, coisa que a generalidade das gerações mais novas desconhecem. 

O dinheiro não abundava e as pessoas de então deitavam mão a todos os recursos e, se aqui por Setúbal o peixe era a base da alimentação e as ovas de sardinha um importante complemento (hoje na ordem dos 15 euros por latinha) o mesmo acontecia aqui ao lado, no Alentejo, onde as silarcas, ou túberas, que podem ser confundidas com pequenas batatas,  são na realidade um cogumelo muito comum nesta região, onde são encontrados enterrados  junto às raízes dos sobreiros. 

Para quem não os quer ir apanhar nesta época do ano pode sempre  comprar as túberas à saída de Setúbal, à beira da estrada,  onde   vendedores ambulantes as comercializam tal como molhos de  espargos selvagens. 

Para fazer um delicioso manjar  junte a estes dois ingredientes uns ovos e pode fazer um prato que antigamente era comida de pobre e que presentemente, a exemplo das ovas de sardinha, não estará acessível a todas as bolsas, atendendo a que as silarcas custam entre 10 e 15 euros a porção que vemos na imagem. 

Pelo menos uma vez na vida experimente cozinhar e saborear um prato que os seus antepassados tinham na sua culinária e onde hoje salvo raras exceções só o poderá encontrar no Alentejo profundo. 

Rui Canas Gaspar
2019-março-17
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terça-feira, 12 de março de 2019


Arrábida desconhecida

Tempos houve em que o gado apascentava livremente pela Serra da Arrábida vindo até das bandas de Sesimbra até ao Creiro, junto à antiga fábrica de conservas de peixe, onde muitos romanos em tempos se afadigaram.  Ali os animais  dessedentavam-se  na conhecida Fonte da Paciência, a qual dispunha então de um tanque para esse efeito.

Com o passar dos anos a fonte foi-se finando até que aconteceu que dali saiu o último pingo de água doce. 

Em 2002 o Parque Natural da Arrábida  recuperou o local, colocou dois painéis de azulejos reproduzindo antigas fotos e colocou uns bancos de madeira, dando ao espaço um ar bastante agradável. 

A Natureza seguindo o seu curso milenar fez crescer ervas, mato, silvas e toda a espécie de vegetação ocupando o agradável local que se apresenta agora como um desleixado espaço atendendo à falta da mais elementar manutenção. 

Os painéis ainda lá estão, embora picados pelas pedradas lançadas por pessoas que de pessoas só podem ter essa designação e assim se apresenta um espaço que conta um pouco da história deste belo Parque Natural um pouco governado ao sabor do vento. 

Rui Canas Gaspar
2019-março-12
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sábado, 9 de março de 2019


Foto a la minute da Praça do Bocage, sala de visitas sadina

Este é um espaço, outrora à beira do Sado e que foi ocupado pelos romanos que ali instalaram uma fábrica de salga de peixe a qual esteve ativa durante dois séculos.

O espaço viria posteriormente a ser utilizado como lixeira, ocupando os detritos as antigas cetárias.

Depois de ser erigida a Igreja de S. Julião, o seu adro foi local de sepultamento de muitos setubalenses.

No século XV por junção de várias casas nasceria o Paço do Duque, nesta zona central da Vila de Setúbal.

Neste local, na área até há pouco ocupada com as demolidas instalações da pizaria funcionou o picadeiro do Paço.

Depois de algumas alterações aqui viria a nascer o Largo do Sapal tendo ao centro a fonte que D. João III mandou depois desmontar e colocar mais perto do edifício dos Paços do Concelho e que viria de novo a ser desmontada para ser recolocada na Praça Teófilo Braga, junto à Cáritas Diocesana.

Em 21 de Dezembro de 1871 naquele amplo espaço seria erigido o monumento a Bocage e a Praça assumiria a designação do maior poeta nascido em Setúbal.

Muitas foram as transformações da arquitetura desta praça, um pouco ao sabor das épocas e dos gostos e chegamos ao século XXI com a atraente decoração que conhecemos, porém só possível de apreciar em toda a sua beleza se estivermos num ponto alto.

Rui Canas Gaspar
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2019-março-09

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019


“Está ali um burro à venda por um vintém mas a minha mãe não tem!...” 

Este é um ditado popular que me habituei a escutar desde menino e ao que parece não se aplica à nossa Câmara Municipal de Setúbal que vai mesmo fazer a compra do IMA PARK por 4,4 milhões de euros. 

Sou a favor do desenvolvimento, do investimento e  contra o imobilismo e o faz de conta. O que acontece é que neste caso, a concretizar-se, não se vai investir, vai-se gastar o que é coisa bem diferente, pior um pouco, quando se sabe que o que se vai ter de despender  não se tem e vamos pedir emprestado. 

Seria de todo desejável, atendendo ao volume do negócio (porque seremos nós os setubalenses a pagar) que fosse minimamente explicado a bondade do mesmo e a sua premente necessidade. 

Sabemos que a uma compra imobiliária deste tipo se vai juntar mais uns euritos aos anunciados 4,4 milhões que rapidamente subirão para mais de meia dúzia e também sabemos que a poupança de 15 mil x 12 dá apenas 180 mil por ano, valor que se paga pelo arrendamento do espaço do mercado abastecedor. 

Pela minha parte, enquanto setubalense nada terei a obstar contra o negócio desde que seja de facto um investimento e me demonstrem que é rentável, podendo como tal assumir o risco inerente a um qualquer negócio. 

Agora se vão fazer uma despesa desta monta e não explicam a sua hipotética mais-valia começo a ficar preocupado,  pois com investimentos prioritários a fazer, com manutenção de espaços cada vez maiores, com dívidas por saldar, julgo que não haverá dinheiro que chegue por mais IMI que se cobre e por mais espaços de estacionamento tarifados que se criem. 

Expliquem-se meus amigos autarcas, demonstrem que vamos de facto fazer um bom negócio e que se trata de um investimento proveitoso e não de uma despesa  que de momento até não é assim tão necessária, embora vejamos que está ali o tal burro à venda por um vintém, só que a minha mãe não tem! 

Rui Canas Gaspar
2019-fevereiro-07
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


Dia de grande pescaria 

Neste dia em que se comemora o 5º aniversário do grupo “Coisas de Setúbal e enquanto era inaugurado o remodelado Mercado do Rio Azul, junto ao nosso Sado, que hoje se apresentou um pouco acinzentado, na muralha um experiente pescador desportivo capturava algumas grandes taínhas. 

Entretanto, outro tipo de pesca chegava a Setúbal, capturada por outros não menos entendidos “pescadores”. 

Nesta mesma manhã acostava ao cais, frente à doca dos pescadores, um navio de guerra da Marinha Portuguesa que vinha escoltando um poderoso rebocador de alto-mar, o SeaScan 1, registado no Panamá, o qual transportava no seu interior 2,5 toneladas de cocaína. 

O rebocador no valor comercial de 25 milhões de euros, segundo os experts na matéria, fora alvo de apreensão numa bem elaborada operação levada a cabo pela Força Aérea Portuguesa, Polícia Judiciária e Marinha de Guerra Portuguesa.
Foi, de facto, um dia de grande pescaria em águas setubalenses. 

Rui Canas Gaspar
Setúbal, 2019-janeiro-31
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019


E assim também se proporciona qualidade de vida aos moradores

Logo pela manhã uma brigada de trabalhadores da Câmara Municipal de Setúbal entrou pela Rua de Vale de Grou com o objetivo de promover uma limpeza em profundidade daquela antiga artéria da Freguesia de São Sebastião.

Com o desbasto do aloendro e a retirada de muito lixo que se encontrava naquele espaço de imitação de jardim o Moinho do António ficou bem mais destacado.

Cerca de uma dezena de trabalhadores afadigaram-se a desbastar ervas, varrer, limpar e carregar para uma camioneta todo o tipo de lixo após o que no final uma varredora mecânica completou o trabalho.

Assim  numa manhã toda uma rua no limite do Bairro Santos Nicolau ficou a brilhar e melhor ficaria se as casas de construção precária junto ao moinho tal como este mesmo fossem pintadas e a espécie de jardim que ali existe fosse devidamente tratado.

Assim se proporciona qualidade de vida a quem por ali reside.

Rui Canas Gaspar
2019-janeiro-28
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019


As doutoras da Bela Vista 

As atenções dos órgãos de comunicação social incidiram hoje particularmente sobre a cidade de Setúbal, onde pela madrugada um autocarro dos TST foi alvo de vandalismo originando a sua destruição pelo fogo. 

Vozes se levantaram e dedos acusatórios foram de imediato apontados sobre etnias, nacionalidades , cores da pele e zona de residência  dos malfeitores, ainda não identificados pelas autoridades. 

O autocarro poderia estar noutro local que não no estremo nascente do Bairro da Tetra, poderia até estar no tão badalado Bairro da Bela Vista, onde para alguns desses dedos acusatórios apontam como local de residência de malfeitores, gente que não trabalha e nada produz vivendo à conta dos impostos de quem os paga. 

Curiosamente,  poucos minutos depois de ter captado esta imagem que aqui vos apresento encontrei um amigo residente no Bairro da Bela Vista, que tendo trabalhado boa parte da noite, se dispunha a ir fazer mais um “biscate” para acrescentar algum dinheiro ao seu salário. 

Perguntando pela família foi-me então informado que as duas jovens filhas se encontravam em Inglaterra a estudar. Elas tinham acabado o  secundário na escola da Bela Vista e,  devido às suas notas, conseguiram uma bolsa de estudo para Medicina numa conceituada Universidade Britânica . 

Para os bota-abaixo, para os dedos acusadores, para aqueles amigos que tudo generalizam este é um dos muitos exemplos de que para aquelas bandas onde vive gente que pouco vale, convivem paredes meias gente boa, honesta, trabalhadora e com uma inteligência acima da média. 

Por isso, antes de acusarmos  seja quem for, de apontarmos o dedo seja a quem for, lembremo-nos que amanhã quando tivermos uma dor de barriga poderemos ter de ir ao médico e ser atendidos por uma destas futuras doutoras da Bela Vista. 

Rui Canas Gaspar
2019-janeiro-24
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019


Que se passa no PUA?

Não gosto de ver o belo Parque Urbano de Albarquel com o espaço de cafetaria encerrado e com o mau aspeto que denota início de rápida deterioração, com madeiras podres a saltarem do alçado principal.

Se aquele equipamento fosse de um qualquer empresário particular certamente que não estaria encerrado porque sabendo que a concessão terminava no Verão de 2018 logo tinha acautelado de forma a estar a render dinheiro pouco depois.

Agora o que vemos é um espaço encerrado à porta do qual um aviso com uma mensagem digna do senhor de La Palice com o seguinte teor: “ O estabelecimento encontra-se encerrado. Aguardamos novo concessionário. O Chefe da Divisão do Desporto. José Manuel Pereira. Obrigado!”

Curiosamente, quase ao lado, junto às instalações da Divisão do Desporto,  no novo e inoperacional equipamento de apoio ao ciclismo outro aviso dá conta de que: “O compressor de  ar encontra-se avariado. Câmara Municipal de Setúbal”

Afinal o que é que se está a passar na joia da coroa dos equipamentos urbanos da cidade de Setúbal?

Rui Canas Gaspar
2019-janeiro-17

domingo, 6 de janeiro de 2019

Setúbal está prestes a explodir

Tenho uma pessoa amiga que vem frequentemente a Setúbal e que no outro dia desabafou admirada pelo facto de cada vez que cá vem ver sempre a cidade com novas obras em curso, quando na zona onde reside, nos arredores de Lisboa, pelos vistos pouco ou nada acontece.
O que muito pouca gente sabe é que dentro de meia dúzia de anos, se nada houver em contrário a nossa bela cidade terá sofrido uma enorme transformação urbanística, atendendo aos grandes projetos particulares que deixarão a faze do papel para verem a luz do dia.
Assim sendo, desde a Albarquel, a poente, passando pelo Viso, pelas Avenidas José Mourinho e Luiza Todi e acabando no Bairro Santos Nicolau, a nascente, teremos oportunidade de ver novos hotéis, bonitos condomínios, modernos apartamentos e novas zonas de lazer e serviços.
Não se trata de utopia, fake news ou da tradicional mentira de 1 de abril, porque ainda lá não chegamos, trata-se de uma realidade que está prestes a desabrochar e para a qual se encontram já posicionadas grandes empresas internacionais e alguns investidores nacionais.
Para os mais céticos isto pode não encaixar, para os “politiqueiros” esta nota poderá servir para esgrimir argumentos, o facto é que Setúbal, a bela adormecida, está prestes a acordar do seu longo sono e vai fazê-lo num dia particularmente luminoso, e todos, ou quase todos, cá estaremos para ver.
Rui Canas Gaspar
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2019-janeiro-06

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018


Na passagem do ano em Setúbal tínhamos de ter cuidado com os OVNIS 

Há cerca de meio século, em Setúbal, depois do dia de Natal era altura de consumir as últimas filhoses e de arrumar nas respetivas prateleiras a louça então usada nos festejos. 

Era no decurso dessa tarefa que se selecionava um ou outro prato com os bordos falhados, um tacho de barro já gasto, ou outra qualquer peça de louça que pudesse ser dispensável. 

É que o fim do ano estava à porta e logo que o relógio marcasse a meia-noite os vizinhos do nosso Bairro de Troino vinham para a janela,  ou para a porta de casa e, com as tampas dos tachos e panelas faziam um ruidoso arraial. 

Tudo isto era acompanhado das tais peças de louça previamente selecionadas  que voavam pelas janelas de forma a partirem-se em mil pedaços ao baterem na calçada, porque ano novo seria também sinonimo de maior prosperidade e,  como tal,  de alguma peça de louça nova. 

Devido a este curioso hábito era  então altura de tomar todos os cuidados àquela hora da noite e, quem se aventurasse a andar na rua durante estas ruidosas manifestações,  sujeitava-se a chegar a casa de cabeça partida devido a ser atingido com algum ovni (objeto voador não identificado). 

Outros hábitos, de uma época não muito distante quando o povo não ficava de cabeça para o ar a ver o colorido e dispendioso  fogo de artificio mas participava ativamente nos festejos do qual se sentia parte integrante. 

Rui Canas Gaspar
2018-dezembro-26
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sábado, 8 de dezembro de 2018


Até quando senhores presidentes? 

Já lá vão uns largos meses que foi inaugurada com pompa e circunstância pelos presidentes da Câmara e da Junta, a iluminação decorativa no fontanário  da velhinha Fonte Nova e colocada a água a correr em circuito fechado agora que a nascente que a abastecia já se finou. 

Foi por essa altura que questionei alguém da União de Freguesias de Setúbal sobre o porquê de não se aproveitar a oportunidade para colocar a esfera e espigão em ferro que se encontra em falta neste emblemático monumento. 

Rapidamente, de resposta pronta, como costumam falar os políticos, aquele amigo tratou de me despachar dizendo que o assunto já estava a ser tratado e que um dos membros da sua equipa já contatara um ferreiro nesse sentido. 

Entretanto os meses passaram, a  água na fonte ora corre ou deixa de correr, tal como a iluminação decorativa e do que falta como decoração original do fontanário nunca mais ninguém deu conta. 

Faz-me confusão mental e não consigo atinar o que é que move estes nossos políticos, de tanta parra e pouca uva, a descurarem desta forma o nosso património edificado, quando temos tão pouco que possa contar os milénios de História da ocupação pelo Homem neste solo setubalense. 

Não deve ser por falta de dinheiro pois que qualquer “meia dúzia” de euros dará para fabricar e colocar a peça em falta. 

Por quanto mais tempo ficaremos à espera que se reponha o que um dia foi retirado da Fonte Nova? 

Rui Canas Gaspar
2018-dezembro-08
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domingo, 2 de dezembro de 2018


Álvaro Cunhal, desenhos DA prisão ou NA prisão? 

Antes de mais uma nota prévia. Não pretendo discutir sobre a mais ou menos valia do embelezamento da avenida, nem do aspeto político da mesma, nem sequer dos seus custos, mas somente sobre um pormenor  que me parece ser um erro de português. 

Nos painéis expostos  na Avenida Álvaro Cunhal, em Setúbal, podemos ler não só o nome do autor dos desenhos, Álvaro Cunhal, como também a indicação de “Desenhos da Prisão”. 

De facto os desenhos aqui expostos constam de um álbum editado em Dezembro de 1975 pelas Edições Avante com este  mesmo título e onde se compilaram alguns desenhos do autor feitos na prisão. 

Ora os desenhos foram executados NA prisão tendo o autor escolhido o povo camponês  como personagem central e não focam um qualquer canto ou recanto DA prisão onde estava confinado. 

Assim sendo, e salvo melhor opinião dos nossos experts parece-me que estamos em presença de um erro que remonta a 1975 e que agora está patente numa das nossas principais  artérias citadinas. 

Claro que não tenho a pretensão de corrigir o que quer que seja, mas apenas o de assinalar uma curiosidade linguística do nosso rico português. 

Rui Canas Gaspar
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2018-dezembro-02

sábado, 24 de novembro de 2018


Vejam Setúbal, tirem a prova… 

A tarde apresentava-se cinzenta  e do céu as nuvens ameaçavam fazer cair uma boa bátega. A Serra da Arrábida estava parcialmente encoberta e no mar a agitação das ondas davam a ideia de que estávamos num qualquer dia de vendaval, com o mar a avançar ameaçadoramente sobre as construções da Praia da Galápos. 

Às 18,00 horas horário anunciado para a inauguração da iluminação natalícia que este ano se apresenta mais bonita em Setúbal, a chuva fez-se sentir com mais intensidade e desta vez batida a vento. 

Cinco minutos depois da hora agendada a bonita e enorme árvore de natal, colocada na Avenida Luisa Todi,  iluminava-se fazendo parar o trânsito automóvel na zona poente daquela concorrida artéria. 

Mesmo com chuva foram muitos aqueles que saíram para usufruir destes momentos diferentes e agradáveis como só esta quadra festiva proporciona, apetecendo cantar a nossa emblemática melodia: Vejam Setúbal, tirem a prova, das Fontainhas , do Castelo à Fonte Nova. 

Rui Canas Gaspar
2018-novembro-24
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