notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Como Setúbal perdeu um bombeiro e um jornalista 

Provavelmente estávamos no Outono ou Inverno, porque o rapaz de sete ou oito anos encontrava-se em casa, de boina na cabeça, para melhor se proteger do frio, num tempo em que no antigo bairro de Troino, em Setúbal, se desconhecia a existência de aparelhos de ar condicionado ou aquecedores elétricos.

A dona de casa tinha guardado as natas separadas do leite que o leiteiro diariamente vendia de porta em porta e conservava-as numa tijela, com umas pitadas de sal, o tipo de conservação então usado na ausência de frigorífico.

E porque naquele dia já tinha as natas suficientes, decidiu fazer um bolo, onde juntaria as ditas, a farinha, um ovo e o açúcar, tudo bem mexido e colocado no tacho de barro seria posteriormente cozido na padaria do Elias, ali bem ao fundo da Rua do Queimado onde também a Ti Laura cozia os deliciosos bolos que depois vendia à porta do Grande Salão Recreio do Povo.

O rapaz andava às volta da saia da mãe, à espera de poder passar o dedo pela massa depois de mexida com o açúcar e deliciar-se chupando, isto na ausência de um “Salazar” aquele raspador tão usado nestas alturas na cozinha.

Foi então que subitamente se começou a escutar a forte sirene dos carros dos bombeiros que subiam a ladeira, nas traseiras, a caminho do Viso e logo o rapaz começou aos saltos empolgado para ir ver onde era o fogo.

A mãe com receio de que ele fosse atropelado, disse-lhe logo, “não sais de casa”, “mas eu vou” dizia o rapaz, não vais, vais, não vais, e tanto a apoquentou que a mãe perdeu a paciência e o tacho de barro que estava a ser barrado com manteiga para o bolo não se pegar ao fundo, agarrado com as duas mão bateu na cabeça do rapaz.

O tacho de barro desfez-se em mil pedaços, mas, nada de mossas na dura cabeça protegida pela boina. O problema foi o bolo que lá se foi e com ele uma “reportagem” perdida bem como o provável “batismo” como bombeiro voluntário.

Provavelmente para suprir este “trauma de infância” é que eu ainda hoje continuo a escrever estas coisas e a pagar as minhas quotas de sócio dos Bombeiros Voluntários de Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2017-abril-19

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terça-feira, 18 de abril de 2017


Parabéns Setúbal 

As aspirações dos moradores da vila de Setúbal foram finalmente satisfeitas naquele dia 19 de abril de 1860, quando viram escrito no boletim oficial do Estado o Decreto de Sua Majestade D. Pedro V, Rei de Portugal, que declarava: “fazer mercê à Vila de Setúbal de a elevar à categoria de cidade, com a denominação de cidade de Setúbal” justificando a real decisão pelo facto desta terra ter uma excelente posição geográfica, boa qualidade dos seus edifícios e muita população. 

O regozijo foi grande em Setúbal e o seu líder Aníbal Álvares da Silva logo tratou de agradecer ao rei em nome dos sadinos dizendo: “ Setúbal, Senhor, que já era grande, pela sua população e extenso comércio, passa a sê-lo, d’ora avante, pelo título com que Vossa Majestade a enobreceu”. 

Passados 157 anos sobre esta efeméride e depois de dezenas de homens terem dirigido os destinos terra a primeira e única mulher a liderar o concelho sadino, Maria das Dores Meira, presidirá amanhã dia 19 de abril de 2017 às comemorações que se iniciarão pelas 09,00 horas com o hastear da bandeira na Praça do Bocage. 

As cerimónias  prosseguirão com a iniciativa “Paços do Concelho de Portas Abertas” dá a conhecer, através de uma visita guiada, os locais mais emblemáticos do edifício da Câmara Municipal de Setúbal, requalificado recentemente.

Entretanto, na Casa da Baía, pelas 12h00, será inaugurada a exposição "Entre Nós", a segunda mostra coletiva dos trabalhadores da Câmara Municipal de Setúbal.

Os setubalenses estão naturalmente convidados a participar e a assinalar condignamente esta efeméride.

Rui Canas Gaspar

2017-abril-18

segunda-feira, 17 de abril de 2017

“Ora já sabem que estou aqui ?” 

Tinham passado apenas quatro anos desde que as praias ribeirinhas setubalenses tinham desaparecido para dar lugar a muralhas, cais de atracação e novas docas, quando surgiu uma casa a quem os seus proprietários atribuíram a designação de La Valenciana. 

Ao longo dos anos a gelataria setubalense conquistaria o paladar das gentes da terra e certamente não haverá em Setúbal quem não conheça a casa aqui implantada desde 1938. 

Várias décadas passaram e também a zona ribeirinha acabou por levar uma reviravolta apresentando-se agora mais agradável que nunca e até o espaço dos estaleiros navais da Praia da Saúde (a única que ficou) foi devolvido ao usufruto da população. 

E é aí que fomos encontrar novo motivo de embelezamento que se encontra a ser ultimado e que nos mostra o nome da nossa cidade composto por grandes letras decoradas. 

Igualmente os setubalenses foram surpreendidos, no mesmo espaço, na zona relvada, com a colocação de dois novos enormes sombreamentos a exemplo dos que já lá se encontravam, potenciando aquele espaço para a prática de atividades ao ar livre, ou simplesmente para usufruto de uns momentos de lazer. 

Mas, o mais interessante é que outro motivo de atração e interesse ali se pode encontrar e, nada mais nada menos, do que os deliciosos gelados da Valenciana, aqui servidos num triciclo do tipo do nosso saudoso Ervilha, o homem que os anunciava com o pregão:  “Ora já sabem que estou aqui?” 

Se conhece a zona ribeirinha setubalense desfrute-a, se não a conhece não perca tempo e venha até esta bela cidade à beira do Sado plantada e desfrute de uma das mais belas baías do mundo. 

Rui Canas Gaspar
2017-abril-17

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Obrigado 

A exemplo do que vai acontecendo um pouco por toda a cidade também a sua principal entrada e saída, a Praça 25 de Abril de 1974, vulgarmente conhecida por “rotunda do Jumbo” está a embelezar-se tendo recebido agora mais um imponente conjunto escultórico representando os golfinhos do Sado (roazes-corvineiros) esculpidos em pedra mármore. 

Trata-se de mais uma obra de arte oferecida à cidade pelo Fundação Buehler-Brochaus  que tanto tem contribuído para a mudança da imagem da cidade, agora que a mesma se apresenta com as mais diferentes obras de arte um pouco para todos os gostos. 

É bom recordar que Setúbal até há bem poucos anos era uma terra praticamente despida de elementos escultóricos o que a tornava visualmente pouca atrativa, situação que se tem vindo a inverter a olhos vistos e para a qual muito tem contribuído o casal alemão Hans e Marion. 

Este simpático par, amantes da arte, decidiu radicar-se em Setúbal, terra para a qual tem contribuído com largos milhares de euros despendidos não só com o pagamento de algumas obras de arte que podemos apreciar nas nossas rotundas, mas também com o embelezamento exterior do Fórum Municipal Luísa Todi e até o melhoramento de uma rua da cidade foi por ele custeado. 

Igualmente esta fundação tem apoiado alguns espetáculos culturais levados a cabo na cidade, oferecido obras de arte ao Museu da Cidade e apoiado financeiramente uma companhia teatral setubalense. 

Foi também oportunamente anunciado que a Fundação Buehler-Brochaus custearia o passadiço entre o PUA e a Albarquel aquando da recuperação do forte cedido à cidade. 

Por tudo isto e muito mais é mais que justo que os meus conterrâneos considerem o casal alemão como dos seus mais distintos setubalenses, eles que até gostam de peixe assado, saboreado nas esplanadas do nosso típico bairro de Troino. 

Sim, porque setubalense não é apenas o que aqui nasce, mas aquele que ama, trabalha e dá o seu contributo para o desenvolvimento desta terra que um dia me viu nascer, não só a mim como também à Luísa Todi e a tantos outras e outros que tendo aqui sido dados à luz de cá sumiram bem novinhos e em nada contribuiram para o progresso de Setúbal. 

Rui Canas Gaspar
2017-abril-13

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domingo, 2 de abril de 2017

Mercado Quinhentista

Setúbal merece o melhor 

Gostaria antes de tecer qualquer outro comentário de endereçar os melhores parabéns à organização do excelente evento designado por Mercado Quinhentista.

Faço-o também à Câmara Municipal de Setúbal e muito particularmente a um setubalense, membro do nosso grupo COISAS DE SETÚBAL, o conhecido decorador João Maria.

À organização do evento pela forma agradável como delineou todo o espaço do certame e nele enquadrou as mais diferentes formas de animação histórica, lúdica e gastronómica.

À C.M.S. porque se atreveu a franquear os portões do nosso Forte de S. Filipe, tendo em especial atenção a zona que não se encontra em perigo e que em breve irá ser alvo de profunda intervenção para estabilização da encosta.

E ao nosso amigo João Maria pela fina decoração que concebeu e empresta ao espaço outra atratividade e beleza, fazendo com que os setubalenses e visitantes desta terra tenham mais gosto em ali se deslocar não só para usufruir da soberba paisagem mas também pela agradabilidade do espaço.

Posto isto, gostaria também de partilhar com os amigos a minha convicção de que cada vez mais temos de apostar na qualidade ainda que a mesma possa ter mais alguns acrescidos custos o retorno do investimento é seguramente garantido e com mais-valias.

Este evento bem como a decoração do “castelo” é um investimento que estou em crer poucos poderão não aplaudir e ninguém, que eu tenha escutado, deu por mal empregue os 2 euros pagos pela entrada naquele certame.

Penso que a aposta está ganha e, se no próximo ano ela se voltar a repetir muito mais gente ali acorrerá. Assim sendo, com vista a manter ou melhorar a qualidade talvez a organização tenha de espaçar mais (o terreno existe) os expositores de forma a acolher mais gente sem o inconveniente de andarem a acotovelar-se.

Outro aspeto a ter em atenção e tendo em conta que ali não será possível o estacionamento automóvel, deverá ser reforçado o sistema de vai-e-vem dos mini-autocarros.

Mais uma vez parabéns para todos os intervenientes e continuemos a apostar na qualidade porque Setúbal merece o melhor.

Rui Canas Gaspar
2017-abril-02

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sábado, 1 de abril de 2017

Javalis de novo na Avenida Luísa Todi 

Já não é a primeira vez que os javalis da Arrábida descem à cidade e no ano passado dois deles andaram a passear pela Doca dos Pescadores e noutro dia pela Avenida Luísa Todi onde foram fotografados e filmados por alguns setubalenses que os avistaram. 

De novo os animais desceram à cidade, provavelmente em busca de alimento, destruindo com as suas presas parte da zona ajardinada a poente da avenida. 

Atendendo a que estes porcos selvagens se deslocaram em grupo (cerca de uma dezena) alguém contatou o Serviço de Proteção da Natureza da G.N.R. que rapidamente enviou para o local uma patrulha munida de carabinas e dardos tranquilizantes, conseguindo desta forma neutralizar os animais e empurra-los para o interior do auditório José Afonso. 

O espaço foi entretanto cercado por baias metálicas de proteção, enquanto se aguarda a chegada de transporte próprio para levar os animais para uma herdade do Alentejo, segundo informação do P.N.A., ao invés de os devolver à Serra da Arrábida. 

Pelo inédito da situação não deixa de ser curioso verificar a quantidade de setubalenses que têm acorrido à Avenida Luísa Todi para fotografar e filmar o insólito espetáculo que é o auditório transformado em curral. 

Desta vez ao invés de algum programa musical levado a cabo neste monumental e pouco aproveitado espaço, vemos uma inédita cena, tendo por protagonistas uma vara de porcos selvagens a aguardar a sua triste sina, no interior da improvisada pocilga. 

Pessoalmente preferia que os animais fossem encaminhados para o respetivo habitat, ou seja a Serra da Arrábida. Mas esta é a minha opinião!... 

Gostaria de saber o que acham os meus amigos sobre esta situação? 

Rui Canas Gaspar
2017-04-01

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quinta-feira, 30 de março de 2017

Boas novas para a José Mourinho 

Em Setúbal, das instalações localizadas junto à Doca dos Pescadores da minha meninice e juventude já pouco mais resta do que alguns raros vestígios.
Setúbal tem vindo a transformar-se e esta é uma zona onde esse fenómeno é mais visível. 

É aqui que os antigos armazéns de redes, as velhas fábricas de conservas e as muitas tabernas vieram dar lugar sobretudo a bonitos e bem equipados restaurantes, famosos pelo peixe assado que disponibilizam. 

Até há bem pouco tempo ainda podíamos encontrar nesta zona algum espaço disponível para venda. Presentemente eles são uma raridade e hoje mesmo podemos observar uma mensagem publicitária, colocada nos automóveis ali parqueados, mostrando a imagem de uma vendedora de uma conhecida imobiliária que informava que tinha vendido dois armazéns. 

Muito em breve quem passar pela Avenida José Mourinho, a antiga Rua da Saúde, terá dificuldade em reconhecer o local, agora que mais um edifício está prestes a concluir o processo de recuperação para ali funcionar mais um restaurante. 

Um novo hotel em breve iniciará a construção frente ao Rockalot, naquela avenida e com mais estes dois imóveis vendidos a juntar a um terceiro transacionado há pouco a uns asiáticos é espectável que dentro de meia dúzia de anos teremos uma avenida com apresentação muito diferente, mais digna e agradável. 

Gosto de saber e de partilhar estas notícias da minha terra que não para de se embelezar de crescer e de se tornar cada vez mais agradável, graças ao espírito empreendedor de nacionais e estrangeiros que aqui encontram uma oportunidade de negócio, ajudando a cidade do rio azul a sair de uma letargia onde esteve mergulhada durante vários anos. 

Rui Canas Gaspar 

2017-março-30


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segunda-feira, 27 de março de 2017

A dança dos hotéis em Setúbal 

Foi anunciado com grandes parangonas e toda a pompa que os chineses vinham para Setúbal investir na construção da marina e erigir apartamentos e um hotel, num enorme empreendimento que iria modificar a zona ribeirinha. 

Pelos vistos os chineses roeram a corda, já cá não vêm pôr os pés e os promotores asiáticos não vão aqui construir marina nem hotel nenhum. 

É agora anunciado que os israelitas vêm erigir um hotel em Setúbal, frente ao Centro Comercial Alegro e, mais uma vez, ficamos naturalmente satisfeitos com o anúncio desta construção que depois de pronta anuncia-se como geradora de uma centena de postos de trabalho. 

Mas, já diziam os putos de Troino:  “a ver vamos como diz o cego”… 

Por outro lado, o emblemático Grande Salão Recreio do Povo, à porta do qual muitos bolinhos à ti Laura comi, certo dia foi parar às mãos de um banco, que acabou absorvido por outro, que por sua vez se desfez do imóvel para fazer o quê? Um hotel, pois claro!... 

É como se costuma dizer por cá: “Não há duas sem três” mas de hotéis nem visto! 

O que eu não sabia é que afinal sem confusão nem complicação, sem parangonas e sem estrangeiros metidos no assunto estava em curso na minha cidade a construção de, imagine-se, um hotel. 

Exatamente. Tomei hoje conhecimento de que está em curso, nas Fontainhas, obras numa antiga fábrica conserveira com vista à sua transformação para ali poder vir a funcionar uma unidade hoteleira. 

O espaço é propriedade de um conhecido setubalense, que curiosamente há bem pouco tempo inaugurou aqui na cidade um bonito hostel. 

É claro que fiquei satisfeito por saber de mais este investimento para a minha terra e bem mais satisfeito ao constatar também mais uma vez são os portugueses em geral e os setubalenses em particular que estão a apostar naquilo que é nosso. 

O investimento estrangeiro é naturalmente bem-vindo, mas nesta dança dos hotéis parece que vão sendo mais as vozes que as nozes, salvando-se, e ainda bem, estas constatações. 

Rui Canas Gaspar
2017-março-27

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Já apreciaram a montra do nosso Hôtel de Ville? 

Luísa Rosa nasceu em Setúbal e segundo tradição oral teria sido na Rua de Coina, posteriormente rebatizada como da Brasileira, em pleno Bairro de Troino, onde eu também berrei que me fartei pela primeira vez naquele primaveril dia 19 de Abril. 

A mocinha poucos anos por cá esteve e aos 14 já atuava em Lisboa onde casou quase sem ter tempo para brincar com as bonecas de trapos, optando por se entreter com um italiano ligado às coisas da musica e mais velho que ela, uns bons aninhos. 

Porque o marido tinha o apelido de Todi a jovem artista passou a ser conhecida por Luísa Todi e, foi assim que ficou famosa nas mais diversas cortes da Europa aquando das suas atuações para as mais importantes figuras reais do seu tempo. 

De Setúbal, a piquena poucas recordações deve ter levado e, pelos vistos, mesmo em adulta não voltou a colocar cá os pés, nem sequer depois de morta. 

Mas porque aqui viu pela primeira vez a luz do dia, os setubalenses decidiram honrá-la como a nenhuma outra e o seu nome e busto figuram nos lugares cimeiros desta generosa terra de gente boa e hospitaleira. 

Hoje mesmo fui encontrar o seu busto no afrancesado Hôtel de Ville, ali para as bandas da Praça do Bocage e consegui esta interessante imagem sem recurso a truques ou malabarismos fotográficos, utilizando apenas e só a câmara do meu telemóvel. 

Espero que gostem e que possam ir até à baixa para apreciar ao natural este motivo decorativo da nossa principal casa setubalense, agora também apta a receber casamentos. 

Rui Canas Gaspar
2017-março-27

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terça-feira, 21 de março de 2017

Já dizia a minha avozinha: Tenham vergonha na cara! 

Não gosto de voltar duas vezes ao mesmo assunto mas aquilo que acabei de ver hoje deixou-me de tal forma revoltado que não resisto a partilhar a minha indignação. 

Como tive de ir às instalações da Reserva Natural do Estuário do Sado aproveitei para dar uma olhadela ao quiosque da APSS que foi alvo de edital para arrendamento por 2.060 euros por mês, mais 30.000 euros de compensação, mais obras, mais equipamentos, mais taxas e mais licenças. 

O mínimo que se esperava era que o espaço fosse apresentado a quem estivesse interessado, ainda que sem qualquer equipamento, mas pelo menos com o mínimo de decência, mas não! As paredes estão carregadas de humidade e de verdete e um monte de lixo pode ver-se no meio da sala. 

Fazer um edital a promover um espaço e apresentá-lo desta maneira é no mínimo escandaloso e em nada dignifica a entidade e os gestores que o promovem. 

Eu tinha vergonha e penso que qualquer homem de negócios jamais teria a ousadia de fazer tal promoção, a não ser que tivesse em mente fazer exatamente o contrário, ou seja, proceder à não negociação do espaço que está a promover. 

Mas seja por motivos óbvios ou por outros ocultos, aquilo que está à vista, neste quiosque envidraçado é uma vergonha e em nada dignifica a cidade e muito menos um organismo e uns gestores que pelos vistos se reveem naquilo que ali apresentam. 

Setúbal merece melhor e os nossos pesados impostos deveriam ter um destino mais consentâneo que o de pagar salários a gente incompetente que faz este tipo de gestão. 

Sugiro que os setubalenses vão até ao jardim da Beira-Mar e vejam com os vossos próprios olhos o estado miserável de um espaço que é apresentado para ser negociado a peso de ouro. 

Já dizia a minha avozinha: Tenham vergonha na cara! 


Rui Canas Gaspar
2017-março-21

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segunda-feira, 20 de março de 2017

Chegaram os navios de cruzeiro a Setúbal? 

Será que alguém está a confundir azul Rio Sado com a sua pacata beira-mar com o cinzento Tejo e sua muito concorrida zona ribeirinha? Será que alguém está a confundir as potencialidades turísticas de Setúbal com a alta turística que se está a viver na capital? 

Bem sabemos que o turismo, o porto de Setúbal e sei lá que mais estão a ser governados a partir de Lisboa, mas embora eu não troque a minha cidade pela capital, tenho o discernimento suficiente para reconhecer que Setúbal está a anos-luz de diferença de Lisboa na captação de turistas. Como tal os negócios por aqui serão forçosamente em menor escala do que aqueles junto ao Tejo. 

Esta introdução destina-se a fundamentar o meu pensamento para o valor de arrendamento, ou de exploração comercial que algumas entidades, que não sendo de todo particulares, estão a pedir por determinados espaços em Setúbal.

Do edital nº 2 de 2017 da APSS (Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra) com 25 páginas, retive de entre outros elementos os seguintes, relativamente ao desocupado quiosque existente no conhecido jardim da Beira-Mar, ali junto à popular “asa do avião”.  http://www.portodesetubal.pt/files_editais/2017/Edital_02_2017.pdf

Até nem sei se li bem, por isso convido-vos a fazer o mesmo e porque acho tão absurdo, peço desde já desculpa pela minha eventual má interpretação do que ali está expresso, ou seja: 

As obras a fazer e os respetivos licenciamentos correrão por conta do “inquilino”. 

Pode o mesmo  vir a utilizar 206 metros quadrados pagando mensalmente 10 € por cada um deles, ou seja 2.060 euros mensalmente. 

E como a renda é “pequenina” quem quiser tomar conta do espaço ainda terá de pagar mais 30.000 euros, uma espécie de trespasse a que a APSS designa como “Compensação pela Adjudicação”. 

A minha questão como ignorante nestas coisas dos negócios de hotelaria é saber se o negócio de venda de cafés, águas e outras bebidas a preços que os cidadãos estejam dispostos a pagar comportam semelhantes encargos aos quais devem ser acrescidos  as mercadorias, água, energia, telecomunicações, pessoal e os inevitáveis impostos? 

Será que as pessoas que tratam destes assuntos não se enxergam? 

Será que já chegaram os cruzeiros a Setúbal sem eu ter dado por isso? 

Rui Canas Gaspar
2017-março-20

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quarta-feira, 15 de março de 2017

Parece que vamos ter boas notícias sobre o trânsito setubalense 

É hábito da nossa Câmara Municipal de Setúbal não informar atempadamente o que de mais importante se está a fazer ou se propõe realizar a não ser que seja algum festival gastronómico do carapau, do choco ou qualquer coisa do género. O facto é que os setubalenses regra geral vão dando com atos consumados, sobretudo naqueles assuntos relacionados com o trânsito que tanto afeta milhares de pessoas. 

Ao não sermos informados por quem de direito e ao haver nesta área uma política do “democraticamente quem manda aqui sou eu” acabamos por ser depois confrontados com aberrações, amplamente criticadas, de obras que ao invés de fluir o trânsito automóvel o acaba por estrangular. 

Mas, parece, a fazer fé no que para aí se diz nos “mentideiros” que vamos ter nesta área do trânsito finalmente boas notícias, o que já não é sem tempo!... 

Consta-se que da Avenida da Europa irá sair uma nova via, junto ao desvio que se encontra entre a rotunda com vasos de laranjeiras e a outra frente ao Mc’donalds a qual passará pelas traseiras do Centro Comercial do Liceu e assim desanuviará o tráfego da Avenida Independência das Colónias. 

A ser assim, as máquinas que se encontram a movimentar terras na zona da várzea, oposta ao Parque Verde da Algodeia, poderão estar a fazê-lo não só com vista ao tal anunciado campo de rugby, mas também já a trabalhar para a nova via que pelos vistos ali irá nascer. 

Acho eu que só ficaria bem à nossa Autarquia que gastasse mais meia dúzia de euros num cartaz e colocasse ali dizendo o que está a fazer, ou será que não merecemos tal consideração? 

Rui Canas Gaspar 

2017-março-15 


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terça-feira, 14 de março de 2017

Está a ser criado um espaço de eleição no centro da cidade 

Em 2001 o presidente Mata Cáceres lançava a primeira pedra daquele que viria a ser o belo Parque Verde da Algodeia, implantado quase ao lado de outro emblemático parque verde, o do Bonfim. 

Dezasseis anos depois a presidente Dores Meira inicia os trabalhos de desmatação e limpeza do espaço contiguo, destinado a um campo de rugby e demais arranjos exteriores que irão complementar o belo Parque da Algodeia, dotando a zona central de Setúbal de mais um agradável pulmão verde. 

Curiosamente, este espaço não está só a ser bastante procurado pelos humanos mas também pelas mais diversas aves, podendo-se ali observar para além de bandos de pardais, melros, dezenas de patos-reais, brancos e mudos, bastantes pombos e agora até as gaivotas já adotaram o espaço como seu, vendo-se por lá também um bando de mais de meia centena destas aves. 

No enorme lago, ainda se podem observar grandes carpas japonesas e outras espécies de água doce, bem como rãs, tartarugas e lagostins de entre outros. 

Por este andar qualquer dia não necessitaremos ir até à Mourisca para captar belas imagens proporcionadas pelas aves que demandam a nossa bela terra setubalense, porquanto elas já se ficarão pela cidade, sem necessidade de subirem o nosso rio azul. 

Rui Canas Gaspar 



2017-março-14

domingo, 12 de março de 2017

O nosso Rio Sado está a morrer? 

Quando estudávamos no ensino básico aprendemos que o Rio Sado nascia na Serra do Caldeirão, já perto do Algarve e corria de Sul para Norte. 

No nosso imaginário quase que estávamos a ver um pequeno fio de água que brotava da serra e que iria aumentando de caudal à medida que outros pequenos regatos se lhe juntavam até chegar a Setúbal onde o podíamos ver largeirão desde a nossa cidade até Troia. 

Se calhar a mesma minha imagem infantil é aquela que ainda hoje perdura na mente de muitas pessoas que já se encontram no Inverno da vida e mesmo naquelas que sendo mais jovens aceitam como bom este pensamento. 

Acontece que já em 1610 Duarte Nunes de Leão fazia a seguinte descrição: 

 “Do Sado que é maior que todos, também não fazem os geógrafos menção alguma, tirando Ptolemeu que lhe chama Callipode. 

Este rio não tem nascimento algum próprio, mas é um ajuntamento de águas das ribeiras de Exarama, de Odivellas, de Garcia menino, e de Santa e se ajuntam a tempo que já vão muito grandes, por águas que colheram de muitas ribeirinhas, regatos e fontes: E se ajuntam todos em um certo passo do qual se faz um rio grande que se chama Sado. 

Seu curso é de quatro léguas, no cabo das quais se mete no esteiro de Alcácer que vem para Setúbal. 

Neste rio até onde chamam o porto del Rei, se navega por barcas grandes e se matam infinitas tainhas muito grandes e formosas, barbos e bogas e enguias, por a grande pescaria que ali se faz e a muita caça que naquela parte há de coelhos e perdizes e muitas aves para caça de falcões e por muita e aprazível verdura deste espaço de terra muitos homens nobres na primavera vão ali folgar.” 

Naquele tempo os Invernos eram muito mais rigorosos e as chuvas copiosas faziam engrossar os caudais de riachos e ribeiras que viriam posteriormente encorpar o Sado. 

A partir do século XX a quase totalidade dessas águas deixou de correr para o Sado ficando represadas por uma dezena e meia de barragens disseminadas um pouco por toda a bacia hidrográfica do nosso rio. 

As condições meteorológicas entretanto sofreram um agravamento ano após ano e, como tal, até esses cursos de água ficaram ameaçados com a consequente falta de água nas barragens, que no final do Inverno deste ano de 2017 rondavam os 30% quando deveriam estar cheias e a transbordar para o Sado. 

Assim sendo, o que resta do rio azul? Que é que vemos frente a Setúbal senão as águas do Oceano Atlântico e uma ínfima percentagem de água doce?
Até quando teremos Rio Sado? 

Rui Canas Gaspar 



2017-março-12

terça-feira, 7 de março de 2017



Mata Cáceres e Dores Meira os presidentes mais discutidos no “Coisas de Setúbal”

Muito se tem feito em Setúbal e por Setúbal nas últimas décadas, embora provavelmente muito mais se poderia ter conseguido se tivéssemos dirigentes políticos mais empenhados e competentes olhando primeiramente para o bem comum em detrimento de interesses particulares ou partidários.
Em função da falta de alguma visão o concelho foi relegado quase para a segunda divisão nacional, deixando-se ultrapassar por algumas dezenas de outros que sempre estiveram à nossa retaguarda.
É claro que na generalidade todos os nossos autarcas fizerem coisas boas e outras menos boas, pelo que não me parece justo elogiar uns e denegrir a imagem de outros.
Vivemos num mundo de comunicação e todos nós temos acesso às poderosas e influentes redes sociais, coisa que praticamente não existia há uma dezena e meia de anos, porque se houvesse se calhar nessa altura o presidente Mata Cáceres fosse elogiado por uns e criticado por outros ao fazer o maior parque verde de Setúbal, o da Bela Vista, tal como hoje a presidente Dores Meira é criticada e apoiada por avançar com o Parque Verde da Várzea.
Mata Cáceres seria alvo de crítica e de apoio por ter procedido ao empedramento artístico da nossa baixa, tal como a presidente Dores Meira o é ao pretender encher a cidade de ciclovias por onde não circulam bicicletas.
Mata Cáceres seria criticado e elogiado pela sua insistência em construir o auditório José Afonso, como Dores Meira o foi por apresentar o celebre Terminal 7.
E poderíamos estar para aqui a desfiar um rol de coisas feitas e outras prometidas pelo autarca do PS, como o viaduto das Fontainhas ou a passagem desnivelada do Quebedo que foram executadas e a cobertura translucida da baixa de Setúbal que foi prometida e não executada, tal como Dores Meira também fez umas e prometeu outras que não avançaram como seja, por exemplo, a tal biblioteca planeada para o Largo José Afonso. Mas teve a ousadia de adquirir o Quartel do 11, por exemplo.
Ambos os autarcas fizeram umas e deixaram por fazer outras, ambos os autarcas prometeram e nem sempre cumpriram, porém cada um com as suas características deixaram obra feita. Que saibam os setubalenses ajudar a construir e criticar de forma positiva ao invés de o fazer de forma destrutiva e quando chegar o dia das eleições pois que votem em vez de ficarem em casa.
Até lá vamos emitindo as nossas opiniões, que valem o que valem, fazendo-o de uma forma civilizada, sem ofensas, porque elas poderão vir a ajudar aqueles que nos governam ou que ambicionam governar-nos, venham eles da área do PS da CDU ou de outra qualquer formação política que até agora não nos governou desde que aconteceu revolução de 25 de Abril de 1974.
2017-março-07

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Parque Urbano da Várzea, uma realidade para breve

Agora que parece estar reunidas as condições necessárias para o avanço do Parque Urbano da Várzea (PUV) com o desbloqueamento de verbas necessárias para o efeito e a disponibilização de terrenos particulares, nomeadamente os importantes espaços do topo norte esperemos que as obras em curso tenham outro incremento.

É bom lembrar que o PUV irá ocupar, nesta primeira faze uma área de 40 hectares, podendo vir a expandir-se até aos setenta, caso venha a avançar para norte.

O objetivo é o de criar o maior parque verde da cidade e simultaneamente bacias de retenção de águas, evitando cheias na cidade em caso de forte chuvada.

Igualmente o parque terá funções de ordem lúdica e pedagógica, recuperando-se antigas estruturas agrícolas como casas, aquedutos e noras.

Uma ciclovia será construída em todo o perímetro e o estacionamento será igualmente acautelado.

O que eu e os setubalenses com quem tenho falado querem ver igualmente acautelado é o bonito miradouro, que há vários meses se encontra protegido com andaimes, que deverá ser devidamente recuperado e que certamente foi incluído no orçamento da construção do PUV.

Esta é uma peça que nos foi mostrada pela autarquia nos seus primeiros cartazes que anunciavam o projeto e de certo modo poderá funcionar como emblema daquele espaço.

O vetusto miradouro é uma obra rara, uma das primeiras construções em betão armado e uma das poucas peças históricas que temos em Setúbal, não nos podendo dar ao luxo de a perder.

Estou em crer que em breve possamos ter mais este espaço outrora agrícola devidamente integrado no tecido urbano, com novas valências e a servir devidamente o nosso povo numa cidade que se quer cada vez melhor e mais bonita.

Rui Canas Gaspar
2017-fevereiro-28

www.troineiro.blogspot.com 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017


A casa onde se diz ter nascido Luísa Todi 

Nasci na Rua das Oliveiras no popular bairro de Troino, quase ao lado da Rua da Brasileira, onde segundo tradição oral terá nascido a célebre cantora lírica Luísa Todi. 

Conheci aquela rua que antes de se designar por Brasileira ostentou a designação de Coina. Naqueles tempos era uma artéria cheia de vida e até o prédio onde se diz que a diva nasceu não lhe faltava animação, atendendo à muita freguesia que a taberna do António Dias tinha naquele tempo. 

E se a taberna funcionava no rés-do-chão o meu pai chegou a residir com a minha avó no último piso do histórico edifício, com vista para uma outra celebre janela, a da escola da Coelha, a tal professora que não se ensaiava muito para colocar os alunos à janela ostentando “orelhas de burro” ou fazer bom uso da sua omnipresente régua. 

Era bem pequeno, mas pelos vistos já curioso, não deixei de ir ver os senhores que mandavam cá na terra e ouvir a banda de música, apreciando o largo fronteiro devidamente engalanado com festões naquele dia de 1953 quando se colocou no edifício o medalhão com a efígie da Luísa Todi, como forma de comemorar o segundo centenário do seu nascimento. 

Em 2004 a Câmara Municipal de Setúbal adquiriu o imóvel, tendo anunciando na altura que iria naquele singelo edifício setecentista instalar um museu, núcleo documental e auditório. 

O tempo passou, o edifício foi-se degradando e no âmbito do programa “Setúbal mais Bonita” o prédio foi pintado de forma pouco condizente quer com a sua idade, estilo e até arquitetura local.

Neste momento a casa onde o povo acredita ter nascido Luísa Todi, propriedade da Câmara Municipal de Setúbal, encontra-se em estado deplorável com a fachada a necessitar de nova intervenção, enquanto o interior espera a tal anunciada casa museu.

E porque uma nova edição do programa “Setúbal mais bonita” vem aí se calhar não seria má ideia inserir este edifício no conjunto daqueles a ser intervencionado, mas desta vez espero como troineiro, que o mesmo seja pintado de forma condizente, porque a casa merece e os setubalenses como seus proprietários também o não desmerecem.

Rui Canas Gaspar

2017-fevereiro-22


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