notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quarta-feira, 12 de setembro de 2018


Dentro em breve Setúbal estará irreconhecível

Tive um espaço onde plantei umas “canas da Índia”, um tufo bem bonito. 

Passado algum tempo reparei que em determinado dia os rebentos apareceram  à luz do dia numa vasta extensão e passado pouco tempo tinha ali um canavial.

Disseram-me então que aquela planta durante cinco anos cria uma rede de raízes subterrâneas para depois as canas emergirem em toda a sua pujança.

Hoje dei comigo a pensar neste assunto ao falar com um antigo colega de trabalho que não residindo em Setúbal, adquiriu e recuperou em Lisboa mais de meia centena de edifícios.

Aqui, o trabalho também está a ser feito tal como as raízes do canavial.

Esse meu antigo colega chegou agora a Setúbal e de uma assentada comprou  meia dúzia de prédios antigos, uns melhores, outros piores,  para recuperar.

Boa parte dos edifícios antigos e em mau estado principalmente na zona baixa da cidade já mudaram de mãos e vão ser recuperados por investidores particulares, no caso deste meu ex-colega destinando-os ao mercado de arrendamento.

Tal como o canavial, estou convencido que dentro em breve não só a baixa de Setúbal mas as zonas envolventes estarão irreconhecíveis, acabando-se o mau aspeto  motivado por dezenas de anos de abandono.

Rui Canas Gaspar 

2018-setembro-12 

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domingo, 9 de setembro de 2018


Em Setúbal o Bairro Rendeiro e envolventes parece zona de “guerra” 

Quando nos arriscamos a entrar por aquelas ruas construídas, em construção, ou em renovação parece que entramos numa zona que foi alvo de algum bombardeamento. 

Ali ainda podemos ver o que resta das barracas que circundavam a cidade aquando do tempo da Revolução de 25 de Abril, casas onde os telhados caíram, outras escoradas não vão as paredes desabar, outras meio demolidas e outras ainda com aspeto de não terem qualquer intervenção há largas dezenas de anos. 

São várias as ruas que se encontram a ser intervencionadas para colocação de novos ramais de água, esgotos, eletricidade e finalmente nova ou primeira pavimentação. 

O Bairro Rendeiro, paredes meias com o Santos Nicolau, em breve verá desaparecer a sua Rua C, onde está o moinho, para a ver integrada num amplo novo e bonito espaço ali junto às escarpas de São Nicolau, uma zona que cada vez se apresenta mais agradável. 

Enquanto as necessárias obras prosseguem é de pedir a São Pedro que não mande muita chuva, pois se ele não atender a este pedido os setubalenses que vivem para aquelas bandas, nos outros novos edifícios habitáveis, terão grande dificuldade em sair de casa devido ao lamaçal que forçosamente se irá formar. 

O progresso tem destas coisas e em Setúbal elas não são muito diferentes quando se trata de obras na via pública. 

Rui Canas Gaspar
2018-setembro-09
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domingo, 5 de agosto de 2018

Cá em casa acabou-se a água
Nunca tal tinha acontecido desde que em 1949 se começaram a registar as temperaturas do ar na cidade de Setúbal.
Os termómetros marcaram hoje (2018-agosto-04) na cidade do rio azul os 45, 5 º de máxima, um record e, a fazer fé na antiga sabedoria popular o próximo ano de 2019 não se vai apresentar muito promissor, antes pelo contrário. É que as canículas, a forma como os nossos antepassados previam o tempo, apontam para um início de ano bastante seco.
Os primeiros 12 dias de agosto correspondem aos doze meses do ano seguinte e, assim sendo, o janeiro, fevereiro e março serão quentes e sem chuva, podendo esta vir a ocorrer apenas em abril e somente nalgumas regiões.
Torna-se por isso cada vez mais imperioso pouparmos água, um bem finito, que na nossa região também vai escasseando.
Cá em casa já nos habituamos a poupar e a reciclar reduzindo a fatura a pagar às Águas do Sado quase para metade.
Curiosamente, hoje acabamos de gastar o resto da água da chuva que captamos na varanda e que depois de colocada em garrafões tem vindo a servir para regar as plantas que alegram a nossa casa.
Por isso, amigos setubalenses (e não só) vamos habituar-nos a poupar hoje para que possamos ter amanhã e deixemo-nos de teorias porque a coisa começa a ficar preta.
Rui Canas Gaspar
2018-agosto-04

sexta-feira, 3 de agosto de 2018


Coisas de Setúbal para inglês ver 

Com o calor que se fez sentir decidi que só ao final da tarde sairia de casa e assim foi, por volta das 20,15h. estava a chegar à Praia da Figueirinha, com cancelas escancaradas para quem desejasse seguir em frente e de cancelas encerradas para o parque de estacionamento, pago até às 19,00h. 

Embora incrédulo pelo facto de passar das 20,00 e as cancelas do estacionamento estarem encerradas, premi o botão, saiu o ticket , a cancela levantou automaticamente e eu entrei. 

Já no bar perguntei ao empregado sobre o porquê de se ter de tirar o ticket se estava anunciado que àquela hora já não se pagaria. O simpático funcionário esclareceu que não se pagava mas que teria de se tirar o talão. 

Cerca das 21,00 e como o calor decidisse assentar praça nos 33º resolvi vir embora. Aponto a viatura à saída, introduzo o talão mas a cancela não abre, volto e revolto o bilhete e nada. Premi o botão de auxilio e ouço o som de um telefone a tocar, mas do outro lado ninguém atende… 

Atrás de mim a fila de carros vai-se formando e eu não saio, mas os outros também não! Eis então quando surge uma alma caridosa a informar que eu teria, mesmo sem pagar nada, que me dirigir à máquina automática para validar o ticket.  Vamos lá nós saber porquê?... 

A fila teve de recuar para eu tirar o carro e desimpedir o trânsito e ainda a caminho da máquina automática tive oportunidade de fazer a minha boa ação ao informar mais dois condutores que iam ter o mesmo procedimento que eu. 

Pergunto, na minha qualidade de ignorante destas coisas; Não seria mais fácil o sistema ser programado para que os tickets retirados fora do horário de pagamento não tivessem de passar por este sistema de validação? 

Não seria melhor ser desativado o sistema de chamada telefonica para alguém que não atende? 

Já agora, confirmo que vi pelas 20,00 horas o parque de estacionamento da Sécil a ser encerrado por um elemento da segurança, quando o placard informativo dizia que ali haviam 195 lugares disponíveis, mesmo que lá tenham ficado dentro meia dúzia de viaturas certamente o total não chegará aos anunciados 300. 

Dei comigo a pensar na semelhança de todo este sistema com aquele outro onde se gastaram largos milhares de euros em armários da Proteção Civil Municipal, espalhados por diversas artérias do centro histórico setubalense, com vista a uma primeira intervenção de emergência, mas que se encontram ali para inglês ver, porquanto se encontram vazios, como provavelmente vazias se devem encontrar algumas cabecinhas pensadoras cá do nosso burgo. 

Rui Canas Gaspar 

2018-agosto-03 

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sábado, 19 de maio de 2018


 Não há fumo sem fogo 

Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado das Finanças, já veio a público dizer que o Estado não iria intervir no colapso financeiro do Sporting. 

Pois é bom que não vá, os sportinguistas que se entendam e se o clube for à falência paciência. 

Os nossos pesados impostos não devem servir para alimentar os chorudos vencimentos e os desmandos que se praticam nos clubes de futebol. 

Mas, o que me deixa apreensivo e a muitos outros amigos é o facto de não haver “fumo sem fogo” e às tantas lá está o Estado a ir-nos mais uma vez ao bolso para cobrir as asneiras grosseiras destes “artistas”. 

O setubalense  Ricardo Mourinho Félix, como escuteiro, sabe bem que esta história do fumo e do fogo é verdade e como escuteiro lembro que o melhor a fazer é começarmos já todos a fazer xixi para cima da fogueira não vá o fogo avivar enquanto estivermos a dormir. 

Rui Canas Gaspar
2028-maio-19
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sexta-feira, 4 de maio de 2018


Quantos setubalenses já ouviram falar no Forte da Estrela ? 

A importância económica e estratégica para o reino de Portugal levou os nossos antigos monarcas a protegerem a localidade fazendo-a cercar com possantes muralhas e baluartes de defesa. 

Destas antigas estruturas ainda hoje podemos observar alguns troços, uns mais bem conservados do que outros, porém todos eles a carecerem da devida identificação para que as atuais gerações possam vir a saber um pouco mais sobre a nossa rica história. 

No exterior das muralhas, no alto de três colinas sobranceiras à cidade do Sado foram construídos três possantes fortes que defenderiam Setúbal dos ataques por terra. 

Dessas três estruturas o Forte de S. Filipe encontra-se em boas condições e pode ser visitado, o Forte S. Luís Gonzaga, construído numa colina no Viso, apto a defender a localidade de atacantes vindos dos lados de Lisboa, está bastante degradado  e mostra-nos um monumento militar rico de história que pode e deve ser contada. 

Finalmente, o Forte da Estrela construído no alto de outra colina, a nascente dos outros, bem perto do local onde hoje temos o Hospital de S. Bernardo era a primeira defesa setubalense para quem viesse dos lados do Alentejo. 

Deste Forte da Estrela nada mais resta do que as antigas plantas da sua localização e, aos nossos dias nada chegou a não ser o seu nome inscrito numa ladeira, perto do local onde o mesmo estaria localizado. 

Setúbal, localidade milenar, tem sido sujeita a décadas de destruição do nosso património histórico apresentando-se hoje depauperada numa altura em que este património é o que deveríamos ter de melhor para atrair os turistas e consequentemente gerar mais riqueza e postos de trabalho. 

Temos de estar atentos e vigilantes e não deixar destruir mais nada do nosso património, antes pelo contrário, vale a pena investir na recuperação do mesmo não só como uma mais-valia mas sobretudo para deixarmos um legado histórico e cultural às gerações vindouras. 

Rui Canas Gaspar 

2018-maio-04 

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quinta-feira, 19 de abril de 2018


Mil euros por cada lugar de parqueamento na Figueirinha 

No dia em que Setúbal comemora mais um aniversário da sua elevação à categoria de cidade, deu-se início na Praia da Figueirinha aos trabalhos de marcação de estacionamento, o qual será tarifado entre os meses de junho e setembro. 

O espaço será controlado por um sistema de cancela e comportará 200 lugares, com valores que atingirão o pico no mês de agosto, situando-se em 1 euro/hora. 

Feitas as contas por alto estimo que estes 4 meses de Verão renderão um valor bruto na ordem dos 200 mil euros , ou seja, cada lugar de parqueamento valerá durante a época balnear qualquer coisa como os MIL euros. 

A taxa não é inédita, poderá ser alta ou baixa dependendo da carteira de cada um, lembrando que quem for para Sesimbra também terá de abrir os cordões à bolsa, o mesmo acontecendo na Comporta, no Meco, na Caparica e por aí fora.
Isentos (por enquanto) estão os utentes dos PUA, da Albarquel e da Praia da Saúde e antevejo uma maior afluência de setubalenses às praias de Troia. Ou seja, é como nos funerais, enquanto uns choram outros vendem os lenços. 

Gostaria que esta boa fatia financeira que irá entrar nos cofres da Autarquia, pudessem reverter a favor dos automobilistas e da própria C:M.S. e que fosse reservada determinada verba para aquisição de parqueamentos metálicos em altura de modo a que fosse utilizada nas nossas zonas balneares tão carenciadas de espaço. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-abril-19

terça-feira, 17 de abril de 2018


EM SETÚBAL
E se voltássemos a admirar a Fonte de S. Caetano? 

Setúbal, localidade milenar deveria ser farta em obras que atestassem essa sua antiguidade, porém fruto de políticas de desenvolvimento promovidas por gente ignorante e a quem a cultura pouco ou nada diz o pouco que temos tem vindo paulatinamente a ser destruído. 

E esta situação não é nova, já vem desde a Monarquia e tem sido transversal a várias gerações, chegando-se aos dias de hoje, quando o turismo, a indústria da paz, é vista como a galinha dos ovos de ouro, bem poderíamos ter mais para mostrar a quem nos visita. 

Uma das obras de arte desmantelada e parcialmente levada em pedaços para os espaços exteriores do Convento de Jesus era a Fonte de S. Caetano, localizada na Rua de S. Caetano, hoje, Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, a qual era abastecida pela nascente existente no Outeiro da Saúde que também alimentava o fontanário da Fonte Nova. 

Seria interessante a autarquia inventariar as peças existentes desta antiga fonte e mesmo com a falta de algumas pedras tentar reconstruir e colocar numa das nossas praças, rotundas ou jardins como memorial aos nossos ancestrais e como mais um motivo de atração para os setubalenses e para quem nos visita. 

Fica a sugestão. 

Rui Canas Gaspar
2018-abril-17
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terça-feira, 6 de março de 2018




A “Setúbal Revista” morreu ou hibernou ? 

Foi em abril de 2015 que pela mão do jornalista setubalense Joaquim Gouveia nascia uma nova e atraente publicação com o sugestivo título de “Setúbal Revista”. 

Com mais ou menos dificuldades  lá foi aparecendo mensalmente nas bancas, mesmo depois daquele jornalista ter alienado o título. 

A última revista apareceu ao público em janeiro deste ano de 2018 e pouco depois na página de internet que a revista mantinha apareceria uma nota de Maria João Ferro, diretora editorial da publicação, dando conta de que a mesma entraria em pausa por alguns meses tempo para uma tentativa de reestruturar, redimensionar e salvar este projeto. 

A nota da diretora que agradecia a todos os colaboradores da Setúbal Revista, não deixa porém de parecer mais uma despedida do que um até breve.
Se for para hibernar e acordar mais revigorada, muito bem porque sempre é melhor que morrer ainda que possa haver a esperança de renascer tal como uma fénix. 

De qualquer das formas foi um bom projeto enquanto durou e pessoalmente tive muito gosto em com ele desinteressadamente colaborar desde o primeiro ao último número. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-março-06

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Quando o P.U.A. ainda não era nascido 

Foi um dia de festa em Setúbal, aquele 20 de maio de 1934, quando o Presidente da República, Marechal António Óscar de Fragoso Carmona, acompanhado de muitos ilustres setubalenses e visitantes, com pompa e circunstância, colocou a última pedra nas Grandes Obras do Porto de Setúbal. 

Embora tratando-se de um empreendimento de enorme importância para a cidade o mesmo viria a acabar com um conjunto de praias fluviais junto ao Rio Sado. 

As muralhas que ao longo de quatro quilómetros de margem então se construíram tinham o seu arranque na base do forte da Albarquel, num local designado por Toca do Pai Lopes. 

As areias retiradas do fundo do Sado, recorrendo-se a dragagem, foram expelidas para lá das muralhas. Devido a essa ação formaram-se amplos terraplenos, como aquele que aconteceu entre a Toca do Pai Lopes e a Praia da Saúde, um local onde viriam a funcionar os estaleiros de construção e reparação naval. 

Duas décadas depois outras necessidades viriam a ser sentidas pela cidade e, nos anos cinquenta, a Câmara Municipal de Setúbal, solicitou à empresa Eugénio & Severino que lhe cedesse parte dos terrenos que entretanto ocupava, para ali construir um Parque de Campismo. 

Mais tarde, foi acrescentada nova parcela de terreno, contígua, precisamente aquela onde o pessoal dos estaleiros jogava futebol, o que naturalmente não foi muito do agrado dos trabalhadores, ficando o parque com a dimensão definitiva até ao seu encerramento no início do século XXI. 

Algumas árvores foram então plantadas e construídas as necessárias infraestruturas de apoio ao espaço de lazer que dispunha de condições de enquadramento paisagístico invejáveis. 

Nos anos sessenta do passado século XX, naquele belo espaço, podiam ver-se montadas as pequenas tendas canadianas, muito utilizadas pelos campistas e escuteiros, a par das grandes tendas familiares ao lado das quais, curiosamente, também parqueava a viatura automóvel do utilizador do parque. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-fevereiro-18

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Conhecem a brasileira setubalense? 

As nossas ruas são locais repletos de história ou de histórias, sobretudo as mais antigas artérias, sejam pela figura que homenageiam, pelas pessoas que por lá habitaram ou por factos e eventos acontecidos por essas bandas. 

Estou a lembrar-me por exemplo daquela ao lado da Rua das Oliveiras, onde a Fonte da Charroca aguarda por melhores dias e que dá pelo nome de Rua da Brasileira, no popular Bairro de Troino, onde residi e, onde segundo a tradição ali teria nascido, no mesmo edifício onde o meu pai também morou, a mundialmente famosa cantora lírica Luísa de Aguiar, que depois de casada passou a ser conhecida por Luísa Todi. 

Mas, independentemente das pessoas que ali residiram outros acontecimentos importantes por lá aconteceram como, por exemplo a descida rua abaixo dos soldados da Rainha D. Maria II, em 3 de maio de 1847, no dia seguinte ao combate do Viso, no decurso da terrível guerra civil. 

Nessa altura a Rua da Brasileira era designada por Rua de Coina, porquanto era ali que praticamente se iniciava o trajeto que seguindo pela estrada, um pouco mais a norte, chegaria a essa localidade, onde depois atravessando o Tejo entraríamos na capital do reino. 

Porque mudou o topónimo de Coina para Brasileira, não sei e, porque estamos em época de carnaval poderemos brincar um pouco e até pensar que alguma beldade para ali foi sambar despertando tal interesse que mandou a tal Coina às hortinhas para se radicar até hoje no meu velhinho Bairro de Troino. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-fevereiro-13

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Boas novas. A Ribeira do Livramento está viva! 

Basta avançar meia dúzia de metros desde Avenida da Europa para os terrenos da várzea de Setúbal para sermos confrontados com o pestilento cheiro vindo do leito da Ribeira do Livramento. Trata-se de águas de um esgoto que para ali descarrega a partir da zona do Complexo Desportivo  Municipal da Várzea, quase em frente ao campo desportivo utilizado pelos “Pelezinhos”. 

Para montante desse cano de descarga de águas negras, vindas das bandas do Bairro de São Gabriel, o leito da ribeira encontra-se seco. 

Pensava eu, e provavelmente a grande maioria dos setubalenses, que efetivamente a Ribeira do Livramento tinha morrido, devido a tão persistente seca. 

Hoje tive o privilégio de poder caminhar algumas horas pela Serra da Corva, para as bandas do Vale dos Barris, no concelho de Palmela, onde a Ribeira do Livramento tem a sua nascente. 

Ali a água, ainda que em pequena quantidade, sai da terra e forma um pequeno regato que vai aumentando de caudal até se transformar naquela ribeira com abundantes águas que desaguavam no Sado junto ao Clube Naval Setubalense.
O meu amigo, velho escuteiro, Carlos Frescata, conhecido e reconhecido ecologista conduziu-me até àquele local, onde os javalis se sentem em casa e onde em cujas águas ainda podemos observar os simpáticos cágados, enquanto no ar um casal de águias de asa redonda esvoaçam, como que patrulhando aquele santuário de vida selvagem, no estremo nascente do Parque Natural da Arrábida. 

Porque se trata de água em pequena quantidade ela não chega até à Varzea de Setúbal porquanto provavelmente vai ficando retida ou utilizada pelas explorações agrícolas por onde passa. 

Fiquei feliz por ter estado junto à nascente e por poder partilhar esta  boa nova. 

Enquanto há vida há esperança e como tal talvez um dia possamos ver a nossa várzea com água límpida correr no leito da nossa Ribeira do Livramento tal como os nossos avós tiveram o privilégio de observar, aquela mesma água onde ainda podemos saciar a sede debruçando-nos sobre a terra-mãe. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-fevereiro-10

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Como a Câmara Municipal de Setúbal resolveu um delicado problema de parqueamento 

No início de 2017 uma intervenção liderada pela Câmara Municipal orçada em 154.759,99 euros centrou a atenção nos trabalhos entre a Avenida da Europa e a zona até então asfaltada, beneficiando uma área de  1 070 metros quadrados. 

Desta empreitada, donde ressalta a construção de passeios e estacionamentos onde foi colocado pavet, resultou também a execução de três dezenas de caleiras para colocação de árvores, bem como a criação de uma bolsa de estacionamento automóvel que comporta 84 viaturas. Ainda no âmbito destes trabalhos foi também instalada uma rede de drenagem de águas pluviais e reforçada a iluminação pública. 

Nos últimos tempos verificou-se que era recorrente o estacionamento de viaturas pesadas nesses espaços destinados ao estacionamento automóvel, ocupando cada um desses veículos vários lugares. 

Alguém do serviço de trânsito municipal teve a brilhante ideia de ao invés de colocar sinais de trânsito ou avisos a proibir os camionistas de ali parquearem as suas viaturas, tratou de mandar colocar no meio de cada uma das bolsas de estacionamento uma floreira donde ressalta uma viçosa palmeira. 

Tiro e queda! Acabou-se ali o parqueamento abusivo por parte dos condutores dos pesados de mercadorias. 

Rui Canas Gaspar 

2018-fevereiro-03 


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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Temos uma fronteira em Setúbal? 

Embora quem vem das bandas do Lidl para o Complexo Desportivo Municipal da Várzea possa encontrar um sinal de trânsito que informa que o largo caminho de terra batida não tem saída, o facto é que todos sabemos que isso não é verdade e que o mesmo faz a ligação com a Estrada dos Ciprestes, junto à Azinhaga de São Joaquim. 

Porém, para os automobilistas que possam vir de nascente para poente, ou vice-versa, a via só vai mesmo até ao campo de futebol dos Pelezinhos, porquanto aí é barrada com uma cancela à laia de uma qualquer fronteira. 

Sabendo nós que em 1990 os ambientalistas do Núcleo de Setúbal da QUERCUS ali fizeram uma ação barrando o caminho para que não houvesse atravessamento pela Várzea e que agora no local está uma estrada que só falta ser asfaltada. Sabendo-se também que o projeto do Parque Urbano da Várzea contempla uma avenida de atravessamento com praticamente o mesmo traçado, não dá para compreender o porquê da tal luzidia cancela. 

Hoje ao fazer por ali uma volta de reconhecimento antes de dar por concluído o livro “A ULTIMA FRONTEIRA” que tenho estado a escrever e que aborda precisamente toda aquela rica zona da nossa cidade, não deixei de sorrir ao fotografar esta nova cancela fechada com um brilhante cadeado de latão e pensei que a imagem se encaixa na perfeição ao título deste meu novo livro. 

Porém, continuo a não saber o porquê da existência desta barreira, quando está anunciada a nova avenida de atravessamento e os carros por ali continuam a circular, sem no entanto poderem transpor esta última fronteira. 

Rui Canas Gaspar 

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2018.01.2018

sábado, 27 de janeiro de 2018

Em Setúbal a Fonte do Sapal parece chorar pelo desleixo a que está submetida 

A Fonte do Sapal é um dos monumentos mais bonitos que temos na cidade de Setúbal e que não se ficará atrás de muitos outros que podemos apreciar pelas mais diferentes grandes cidades europeias. 

Curiosamente, hoje fui apreciar esta peça com um pouco mais de pormenor e surpreendi-me com o estado de desleixo a que está votada, exigindo-se rápida intervenção. 

No alçado posterior, por entre algumas pedras corre a água que vai parar ao pavimento, transformando-o em lamaçal. Este facto indicia fuga no tanque principal que deve ser calafetado. 

Entre algumas peças do alçado principal o musgo cresce a olhos vistos e as ervas proliferam igualmente entre os trabalhados e artísticos blocos de mármore. 

Mas o que mais me surpreendeu, foi a força da mãe natureza, quando verifiquei que entre as pedras da fonte já está a crescer uma casuarina, que neste momento já terá cerca de 0,25 cm. de altura. 

De notar que se trata de uma árvore, aparentada com o pinheiro e que poderá atingir algumas dezenas de metros. Uma semente trazida pelo vento e as condições adequadas fizeram este milagre da Natureza. 

A Fonte do Sapal, um dos mais belos monumentos setubalenses, continua a verter as águas que mais  parecem lágrimas de desgosto pelo desleixo a que está votada. 

É urgente uma intervenção, porque quanto mais tarde pior. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-janeiro-27

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Tragédia na Várzea de Setúbal 

Pouco depois de se ter deitado o lavrador, proprietário da Quinta  do Paraíso acordou sobressaltado com uma discussão que a sua cozinheira estava a ter com alguns cavaleiros que tinham chegado à porta de sua casa. 

Apercebendo-se do que se estava a passar e temendo pela vida, antes que entrassem na casa, o lavrador saltou por uma das janelas e correu pelo campo, em trajes menores, tentando fugir-lhes. 

A lua traiu-lhe e foi avistado por um dos elementos do grupo que deu o alerta e, galopando, os cavaleiros acabaram por o apanhar. 

Naquele ano de 1833, quando o país combatia numa sangrenta guerra civil, Setúbal já estava adormecida quando o grupo de cavaleiros apoiante do partido Miguelista entrou aqui transportando uma alcofa com o cadáver esquartejado do lavrador, um conhecido membro Liberalista. 

O ódio político e o fanatismo conseguem fazer destas coisas, como aqui se relata de forma sucinta e que poderá ler com mais pormenor dentro em breve, quando em Abril for apresentado “A ÚLTIMA FRONTEIRA” um livro  com factos, histórias, curiosidades e assuntos do mais variado interesse abarcando a rica e outrora produtiva zona da Várzea de Setúbal. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-janeiro-25

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

“Novo tiro” na Casa das 4 Cabeças, em Setúbal 

 “Muitas cabeças, muitas sentenças” ou então “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Assim podia continuar a história da Casa das 4 Cabeças adquirida por expropriação pela Câmara Municipal de Setúbal, declarada em 1977 como imóvel de interesse municipal e que agora vai conhecer novo capítulo. 

Depois de terem começado as obras de recuperação do velho imóvel localizado na Rua Fran Paxeco, antiga Rua Direita de Troino e das mesmas já terem atingido um bom estado de desenvolvimento acabariam por parar porquanto, financiada com fundos comunitários teria ultrapassado os 360 mil euros e, como tal, teria de ter o visto do Tribunal de Contas. 

Depois de meses de trabalhos, outros tantos esteve para ali hibernada até que os andaimes foram retirados e aparentemente foi dada por concluída, estando então os cinco apartamentos, T0 e T1, aptos a receber proprietários e inquilinos que decidam recuperar as suas casas e não tenham onde ficar no decurso dos trabalhos, segundo até então anunciado pelo Município. 

Ora acontece que os tais inquilinos e proprietários, se estavam à espera desta obra estar concluída para irem fazer as suas próprias terão de pensar noutra solução é que a dita casa das 4 cabeças, vai ser ocupada por outras pensadoras cabecinhas. 

A presidente Dores Meira informou os seus munícipes presentes no Salão Nobre dos Paços do Concelho, na fria noite de 17 de janeiro deste ano de 2018 que a obra está concluída, mas o seu destino encontra-se agora em discussão com o IPS de forma poder vir a ser ocupada por alunos do Programa ERASMUS. 

Assim sendo, temos um novo “tiro” e diferente capítulo é aberto nesta já longa estória de uma casa onde os ventos da História dizem que dali, em 1484, partiram os tiros destinados a matar o Rei D. João II, quando o mesmo integrava a procissão de Corpo de Deus. 

Rui Canas Gaspar 

2018-janeiro-18 


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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em Setúbal, a Praça do Bocage vai “crescer” 

No âmbito da “revolução” que agora começou na baixa e que vai originar que os 15% de esgotos da cidade sejam encaminhados para a ETAR da Cachofarra ao invés de serem despejados no Rio Sado, será aproveitada a oportunidade para a alteração de vias e passeios o que originará um nivelamento de pavimentos entre o Largo de Jesus e a Praça do Bocage. 

O projeto contempla também o aparecimento de uma rotunda entre a Av. dos Combatentes e a General Daniel de Sousa, enquanto na Praça Almirante Reis, onde se encontra o monumento aos mortos da grande guerra nascerá uma “ovalunda”. 

Mas um pormenor interessante é que a Praça do Bocage também vai ser contemplada com mais espaço para usufruto da população e pelos vistos vai ficar bem mais bonita. É que a construção ocupada pela pizaria vai desaparecer dali ampliando assim o espaço útil da praça que naquele local ficará com um tratamento especial com algo parecido com ondas. 

Quem não fez grandes ondas foram os comerciantes e moradores da zona dos Combatentes que até há poucos minutos escutaram os técnicos da autarquia e a presidente que elucidou os presentes que quase enchiam o salão nobre dos Paços do Concelho e se colocaram à sua disposição para o eventual esclarecimento que fosse solicitado. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-janeiro-17

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Uma das últimas tabernas setubalenses 

Há 42 anos que D. Fernanda está a explorar aquela vetusta taberna localizada na Rua Fran Pacheco, a antiga Rua Direita de Troino, mesmo em frente à renovada e desocupada “Casa das 4 Cabeças” um imóvel adquirido pela Autarquia e que foi alvo de intervenção com vista à sua recuperação. 

A taberna mantém a antiga estrutura de certo modo comum a todos os antigos estabelecimentos do seu género, com o amplo balcão em pedra mármore, uma pia para despejos e uma pequena casa de banho adaptada para o efeito num canto do estabelecimento. 

D. Fernanda, simpática, conversadora, de origem indiana, veio de Moçambique após a descolonização e aqui se radicou com o falecido marido e seus três filhos, fazendo deste negócio o seu ganha-pão. 

O longo tempo que as obras da emblemática casa situada mesmo em  frente da sua taberna, com os taipais a ocuparem toda a pequena frente da rua inviabilizaram a rentabilização do seu negócio que sofreu uma enorme quebra. 

Agora que os taipais já desapareceram pode ser que os clientes regressem, a exemplo dos futuros inquilinos daquela casa que a Câmara se propôs adquirir e que continua vazia. 

À D. Fernanda que está aos comandos desta que é uma das últimas tabernas setubalenses, resta a esperança de dias melhores, porque a esperança é a última a morrer. 

Rui Canas Gaspar 

2018-janeiro-12 


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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Uma proeza à Django 

Armando Cabrita, popularmente conhecido por Django, pese embora os seus 65 anos é um atleta fora de série e curiosamente o mais velho trabalhador da Sécil, no Outão, e um dos mais antigos operários ao serviço daquela cimenteira. 

Costuma deslocar-se a pé, para manter a sua extraordinária preparação física desde aquela unidade industrial até Setúbal onde reside. 

Em 1973, era um jovem gruista naquela empresa, quando o representante francês da Potain, o tipo de equipamento que Armando operava por lá se encontrava e, conversa puxa conversa, o nosso amigo Armando acabou por dizer ao francês que seria não só capaz de ir a pé até à ponta da lança como ali fazer o pino. 

Ora o francês riu-se do atrevimento “impossível” do português e perante alguns colegas decidiu apostar o seu mês de ordenado com o de Armando. Note-se que o francês ganhava cinco vezes mais que o português. 

À hora de almoço largas dezenas de trabalhadores da Sécil ficaram de cabeça no ar a ver tamanha proeza e, Armando não só subiu os 110 metros da grua como andou pela lança como se estivesse numa avenida. Chegado ao topo, tratou de fazer o pino não durante um minuto mas sim durante quase dois. 

Acabado o tempo, voltou até à cabine, desceu calmamente e foi ter com o camarada que tinha ficado com o dinheiro da aposta recolheu-o e foi-se embora deixando o francês de cara à banda. 

E foi precisamente com esse dinheiro que se deslocou a Lisboa onde comprou a conhecida moto de cor vermelha que tanto sucesso fez naqueles anos 70 entre os frequentadores do Café Central, em Setúbal. 

O curioso é que Armando não tinha carta de condução, nem nunca tinha andado de moto, pelo que o vendedor a veio colocar no ferry que atravessava o Tejo. É claro que já em Cacilhas, o nosso homem montou-se naquele potente e vistoso “animal” e conduziu-o até Setúbal, uma aventura que nem o original Djando provavelmente se atreveria a levar de vencida. 

Rui Canas Gaspar 

2018-janeiro-11 


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