notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

domingo, 17 de novembro de 2019


Valha-nos a “Santa Paciência” 

A estrada molhada, uns pingos de chuva aqui e ali, nuvens baixas criando efeito de nevoeiro nalguns troços dificultavam a visibilidade no alto da Serra da Arrábida, nesta cinzentona  tarde de Outono. 

Naturalmente os cuidados eram redobrados na condução, não fosse encontrar algum pedregulho na estrada ou animais selvagens, nomeadamente os javalis cujos rastos estavam bem visíveis nas bermas ou alguma atrevida raposa.
E foi precisamente a seguir a uma curva que um bem nutrido animal pertencente à família Canidae surgiu junto à berma daquela estrada até então deserta. 

Parei o carro e fotografei o animal que de selvagem só tem o habitat, dado que logo se me dirigiu provavelmente para receber o seu pagamento pelo trabalho de modelo. Teve azar não levou nada!... 

Em sentido contrário apareceu outra viatura que logo parou e de dentro do carro saiu uma senhora que ao ver a cena chamou a raposa que logo se dispôs a atravessar a estrada sem mais demora. Chamei a sua atenção para o facto de não dever fazer isso sob pena do animal ser atropelado. Resposta: Ela sabe o que faz!... 

O melhor estava para vir quando a dita senhora chama o animal por “Toma” acrescentando “vem cá à dona” e retirando do bolso um rebuçado tirou-lhe o papel e deu a comer (ou engolir) à raposa que não se fez rogada. Mais uma vez chamo a atenção da senhora para o que estava a fazer e ignorando tratou de dar mais outro rebuçado… 

Os animais selvagens sabem como sobreviver em meios hostis e as raposas espertas como são não fogem à regra. O que acontece é que com estas ações de alguns humanos que pensam ser pessoas com melhor coração que os demais, habituamos os animais a virem comer à mão, a atravessar estradas de qualquer maneira e a serem atropeladas por alguma viatura que venha com mais velocidade. 

Vim embora, a raposa por lá ficou a fazer parar os carros e vim pensando que para este tipo de pessoas que teimam em alimentar os animais selvagens, sem medir as consequências dos seus atos, nem a “Santa Paciência” poderá fazer grande coisa. 

Rui Canas Gaspar
2019-novembro-17
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quinta-feira, 31 de outubro de 2019


A “Rosita”

Manhã bem cedo, olho para a foz do Sado e nada mais observo para além de um denso manto de nevoeiro que teima em não mostrar a outra banda. 

Do meio do nada ouve-se o ruído de um motor e o estridente piar de numerosas gaivotas que acompanham aquele invisível barco de pesca que recolhe ao porto.

Os instrumentos de bordo ajudam aqueles heróis que com este tempo vão ao mar buscar o peixe com que nos deliciamos e que fazem dos nossos restaurantes uma referência gastronómica. 

Lembro-me de quando era rapaz ver sair a “Rosita”, a popular “vedeta” da Capitania, em dias que o mau tempo se anunciava, dirigindo-se para a zona da barra, onde ali chegada passava um cabo a cada bote a remos que por ali pescava de forma a rapidamente os rebocar para terra.

Esta embarcação que pertencia  à capitania do porto de Setúbal funcionava como uma mãe que na eminencia do perigo se apressava a ir recolher os filhos para os trazer para o lar, o seu porto de abrigo.

Hoje as embarcações de médio porte e até os botes já são movidos a motor e os novos pescadores já vão munidos de GPS, radares, sondas, telemóveis e demais equipamentos. Mas, o mar, o nevoeiro e o mau tempo continuam a não dar tréguas a estes valentes guerreiros que são os pescadores da nossa terra.

Rui Canas Gaspar
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2019-outubro-31

segunda-feira, 7 de outubro de 2019


Obra de amor continua coberta por telas publicitárias 

Foi uma hora o tempo que despendi ontem para fazer  os quatro quilómetros de perímetro no futuro Parque Verde da Várzea, a fazer fé no relógio e na aplicação sobre saúde do meu telemóvel, responsável por esta informação. 

Aproveitei esta agradável caminhada  para observar com algum pormenor o que por ali já se fez e continua a fazer e não deixei de ir junto às telas publicitárias que envolvem o Mirante da Quinta da Azeda, para ver com os meus próprios olhos que aquela peça histórica ainda ali se encontra, devidamente escorada por fortes e bem travadas peças de andaime. 

Mais uma vez sorri ao ler texto da mensagem publicitária ao banco promotor que reza assim: “Juntos pela preservação da nossa História” e também mais uma vez pensei, pensei, mas não cheguei a qualquer conclusão. 

É que, qualquer coisa não bate certo. A palavra “juntos” remete-nos para uma qualquer parceria que neste caso como que a querer dizer que quer fazer tudo para “preservação da nossa História”.  Subentendendo-se que o banco e a Autarquia quererão manter e recuperar aquela que é uma das primeiras construções em betão armado erigidas em Portugal. 

Porém, até hoje não ouvi da boca de um dos responsáveis autárquicos algo que indicie que estão a fazer um esforço para que a peça (apresentada em tempos como o emblema do PUV) seja para recuperar, ao invés disso apresentam-nos um projeto de réplica, mal parida, destinada a ser construída e implantada algures no futuro parque. 

Gostaria de pensar que as contrapartidas  (e não devem ser pequenas) que se recebem do banco pela enorme publicidade, em lugar de grande destaque, estará a ir para um fundo de reserva que terá como objetivo a recuperação deste belo exemplar arquitetónico que um dia um agricultor setubalense mandou erigir por amor a uma mulher. 

Mas, será que haverá sensibilidade e sobretudo vontade para manter esta peça exposta em toda a sua beleza numa antiga cidade tão carenciada de apontamentos arquitetónicos de relevo? 

É que pode ser caro, mas o dinheiro quando se quer sempre se arranja e depois, será que não temos já por aí algum mealheiro com o dinheiro pago pelo banco que está a usufruir da publicidade inserida naquele espaço? 

São interrogações para as quais não tenho resposta, mas que gostaria de as ter. 

Rui Canas Gaspar
2019-outubro-06
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sexta-feira, 27 de setembro de 2019


Chamem a polícia…
O Sopeira 

Contava-me o meu falecido pai que quando ele era um jovem e a cidade era bem mais pequena, a mesma encontrava-se segura, de dia ou de noite. A zona de Troino  costumava então ser patrulhada por um polícia de nome (ou alcunha) Sopeira, o terror de quem se atrevia a pôr o pé em ramo verde. 

Os anos passaram, a cidade cresceu, o número de polícias aumentou, mas o patrulhamento a pé foi praticamente abandonado e substituído pelo motorizado.
O facto é que a população reclama por policiamento adequado que minimize, sobretudo aos fins de semana, as ações de vandalismo que infelizmente vão sendo comuns por aqui. 

Mas, ao que parece, os novos agentes pouco mais podem fazer devido à falta de meios, sobretudo viaturas cujo parque se mostra envelhecido e insuficiente para poderem fazer frente às necessidades de nova Setúbal, bem diferente dos tempos do “Sopeira”. 

A segurança é uma das prioridades que as pessoas mais reclamam e, embora Setúbal seja uma cidade relativamente segura, os atos de vandalismo que por aqui acontecem, cada vez com mais frequência e violência, tem de ser combatidos com eficiência e sobretudo com meios que pelos vistos tardam em chegar. 

Rui Canas Gaspar
2019-setembro-27
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019


Vamos perder o comboio do desenvolvimento? 

Rolando menos de 30 kms acabo  de sair da autoestrada e entro no Montijo, deparando-me logo com uma dezena de gruas que ajudam na edificação de vários edifícios habitacionais. 

 Não faço ideia quantas mais gruas estarão montadas naquela cidade, nossa vizinha, nem quantos edifícios estão a ser ali construídos, mas são mais, muito mais que em Setúbal. 

Aqui os dedos de uma mão chegam e provavelmente sobram para contar as gruas sendo que uma delas apoia uma obra cultural, outra, uma religiosa e outra ainda uma desportiva. Quanto aos edifícios habitacionais em construção teremos de andar de lupa na mão para os encontrar. 

Bem sei que gruas não é sinónimo de desenvolvimento, mas é um indicador seguro e, neste aspeto na cidade de Setúbal o que vemos são muitos projetos anunciados, mas poucos em vias de concretização, salvando-se aqui um conjunto de pequenas obras de recuperação e ou remodelação de pequenos edifícios. 

Não será pois de admirar que tenhamos na cidade carência acentuada na habitação, dado que as empresas locais com capacidade para o fazer parece terem desaparecido e vamos lá nós saber porquê. 

Assim, a continuarmos neste estado de letargia não estaremos condenados a perder o comboio do desenvolvimento? 

Rui Canas Gaspar
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2019-setembro-25

domingo, 15 de setembro de 2019



Setúbal na História ou histórias de Setúbal (5)
O nosso maior poeta e a sua praça 

Tempos houve que a atual Praça do Bocage ficava bem junto à foz do Sado. A atestar esta afirmação estão as cetárias romanas, que se encontram por baixo deste espaço central da cidade e que estes nossos antepassados destinavam à salga, molhos e derivados de peixe. 

Este espaço também já serviu de local de enterramento, dada a sua proximidade da Igreja de São Julião. 

D. João II ordenou a remodelação do terreiro medieval, então conhecido como Praça do Sapal, um espaço central setubalense que viria a acolher o monumento que homenagearia Manuel Maria Barbosa du Bocage, aquele que foi um dos maiores poetas portugueses. 

A iniciativa de erigir este monumento, um marco da centralidade sadina, foi do escritor romântico António Feliciano de Castilho e o dinheiro para a sua construção foi angariado entre os setubalenses e seus amigos do outro lado do Atlântico, os Brasileiros, que através de subscrição pública angariaram a necessária verba para levar de vencida este projeto. 

O monumento erigido em 1871 é da autoria do escultor Pedro Carlos dos Reis e foi confecionado em Lisboa na oficina de Germano José Salles. 

Com 12 metros de altura, em mármore branco a coluna coríntia assenta sobre quatro degraus oitavados, tendo sobre o capitel a estátua do poeta, de dois metros de altura, de casaca à girondina, tendo na mão direita uma pena e na esquerda um rolo de papel. 

O espaço que rodeia o monumento tem vindo ao longo dos tempos a sofrer alterações, ao gosto da época, porém só depois da revolução de 25 de abril de 1974, graças ao dinamismo de um pequeno grupo de jovens ecologistas setubalenses liderados por Carlos Frescata, a zona envolvente seria completamente interdita à circulação automóvel. 

Rui Canas Gaspar
2019-setembro-15

domingo, 8 de setembro de 2019


Setúbal na História ou as histórias de Setúbal
Por volta de 1665 quando se procedia à construção do Forte S. Luís Gonzaga chegou a Setúbal a notícia de que Espanha estava a invadir Portugal. Então, o Engenheiro Militar Luís Serrão Pimentel avançou para a rápida construção do Forte de São João de forma a melhor proteger Setúbal.
A localidade sadina sofreu horas de aflição porquanto já em 1580 tinha estado na rota da invasão, opondo-se fortemente aos espanhóis dando-lhes luta na Torre do Outão, até à capitulação.
O Forte de São João foi então erigido à pressa, não se utilizando a pedra talhada, recorrendo os seus construtores à areia existente no próprio local e utilizando o sistema de salsicha em faxina, ou seja, à estacaria de madeira, para melhor o suster.
Quando chegou a Setúbal a notícia de que as tropas espanholas tinham sido derrotadas em Montes Claros Setúbal regozijou-se e o Forte de São João deixou de ser uma prioridade.
Porém, Luís Serrão Pimentel deixou escrito uma recomendação para que o forte fosse erigido, lembrando que os Reis descuravam as construções militares no Orçamento do Reino em tempos de paz…
O tempo encarregar-se-ia de lhe dar razão e o Forte de São João, também referenciado por alguns como Forte da Estrela, devido à sua forma, ficou por construir com materiais mais sólidos e duradouros dele nada acabando por restar a não ser o que ficou escrito e desenhado.
Hoje podemos ver apenas e só uma artéria urbana, na zona do Hospital de S. Bernardo, local onde supostamente teria sido erigido esta estrutura defensiva e que se encontra agora referenciada com a designação de Ladeira do Forte da Estrela.
Rui Canas Gaspar
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terça-feira, 6 de agosto de 2019


Manutenção precisa-se com urgência 

Entendo que não é boa e avisada política andarmos a fazer novos e bonitos empreendimentos, sem que seja acautelado o necessário acompanhamento de conservação e manutenção destas iniciativas. 

Vem isto a propósito de várias situações anómalas que observei no troço entre Setúbal e a Praia da Figueirinha destacando apenas esta última pela quantidade de pessoas que ali se deslocam diariamente e que tal como eu podem observar o que refiro. 

Os dois grandes depósitos para colocação de plásticos, publicitando o Centro Comercial Alegro, continuam tombados e duvido que alguma utilidade venham a ter naquele estado em que se encontram. 

Dos painéis de sensibilização para a preservação do meio ambiente, um deles só lá tem a armação e outro encontra-se tombado já há vários dias. 

Das bandeiras arvoradas naquele espaço destacam-se a bandeira azul, presa por uma ponta, enquanto a do concelho de Setúbal  já sumiu parte e está rota, se não for rapidamente substituída duvido que dure muito mais. 

Não compreendo como é que situações destas se vão mantendo ao longo de dias e dias, quando são observadas diariamente não só pelo comum cidadão como por todo o tipo de autoridades, concessionários e funcionários da Câmara e Junta de Freguesia. 

Será esta imagem de desleixo e de falta de manutenção dos espaços públicos, onde são gastos milhares de euros a embelezar que se pretende transmitir? 

Podemos arranjar mil e uma desculpas para isto, mas lá que é uma situação incompreensível lá isso é. 

Rui Canas Gaspar
2019-agosto-06
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sábado, 3 de agosto de 2019


Saudades de uma menina setubalense 

A senhora caminhava lentamente pela rua, olhando tudo o que a rodeava, parando de vez em quando para assim melhor apreciar um ou outro pormenor.
Esta setubalense nascera ali na “azinhaga do Quileu” e por aqueles terrenos por asfaltar brincou, saltou, correu e subiu vezes sem conta ao moinho do D. António para dali ver chegar os barcos dos varinos. 

Se o barco do seu avô, o “Quileu”, viesse com gaivotas esvoaçando na popa, era sinal de alegria, vinha aí peixe fresco!… 

Ao longo dos anos a antiga azinhaga transformou-se em rua, tal como a menina se transformou em mulher, velhas casas foram sendo recuperadas porém, curiosamente, ainda ali está viva e de boa saúde a taberna do “Quileu”. 

A senhora fez questão de visitar a “cova do Quileu” local de residência do seu avô e onde tantas vezes brincou. Naquele espaço que ela tão bem conhecia no lugar de um estreito e íngreme caminho, existe hoje uma ampla escadaria e ao invés das velhas casas abarracadas das suas memórias de há meio século temos hoje pequenas e agradáveis moradias. 

Era emoção a mais!... A voz embargou-se os olhos encheram-se de lágrimas e as saudades da sua meninice, fizeram-na rapidamente dar meia volta e retornar para junto de seu marido que a aguardava a confortável distância. 

Mais uma setubalense que partiu da sua terra natal para longe do belo rio azul e que agora ao regressar às suas raízes se surpreende com o que vê meio século passado, um curto período de tempo mas o suficiente para termos mudado não só em Setúbal em particular mas o país em geral que passou de cores a preto e branco para multicolor, ainda que algumas dessas cores estejam ainda um pouco desbotadas. 

Rui Canas Gaspar
2019-agosto-03
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sexta-feira, 26 de julho de 2019


Já foi dar uma voltinha? 

Foi há 60 anos que nasceu em Vila da Feira, na região do Grande Porto, um grande e bonito carrossel e, o seu proprietário atribui-lhe o nome de Paraíso, comercialmente apresentado como Carrossel Paraíso, ou melhor, por Paraíso Super Gigante. 

Este popular divertimento para toda a família não tem limite de idade sendo que se forem crianças deverão ali divertir-se desde que acompanhadas por um adulto. 

Trata-se de um negócio de família sendo que a pessoa que agora se encontra aos comandos deste popular divertimento é genro do homem que teve a iniciativa de o construir. 

O carrossel ao longo dos anos tem naturalmente sofrido trabalhos de beneficiação não só na maquinaria, som e iluminação como também nos seus diversificados assentos, originalmente construídos em madeira e hoje muitos deles já em fibra de vidro, porém, a sua magia e encanto não sofreu qualquer alteração. 

Dar umas voltinhas neste divertimento é como fazer uma viagem ao passado e, para quem vai à Feira de Santiago, pelo menos uma vez deverá usufruir deste prazer. 

O carrossel Paraíso Super Gigante é o mais antigo divertimento da nossa feira e já vem a Setúbal há quarenta anos, o que só por si atesta bem a importância que os seus proprietários atribuem a este certame e o carinho que os setubalenses e seus amigos lhe dedicam. 

Não só, mas também, por isto vale a pena ir até à Feira de Santiago, o mais antigo e provavelmente o mais diversificado certame que se apresenta a Sul do Tejo. 

Rui Canas Gaspar
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2019-julho-29

terça-feira, 23 de julho de 2019


O meu primeiro dia na Feira de Santiago 

Passavam poucos minutos das 19,00 horas quando entrei no recinto da Feira de Santiago, o mais antigo e importante certame que se realiza a sul do Rio Tejo.
Dando uma rápida vista de olhos aos stands que se nos deparavam rumei quase diretamente para o Séninho, o bar que já entrou nos hábitos de muitos setubalenses que não perdem a oportunidade de ali se deliciarem com os saborosos lombinhos no pão quentinho e estaladiço. 

Embora as incomodativas melgas estivessem ausentes em seu lugar e sabedoras dos saborosos lombinhos este ano aquele espaço estava repleto de aborrecidas moscas que não nos deixavam comer descansados. 

O meu neto, que nunca conheceu a feira noutro lado que não ali, quase nem comeu entusiasmado com a espetativa de nos divertir-nos no espaço dos carroceis, carrinhos de choque, montanha russa, roda gigante, casa assombrada e tantos outros divertimentos que por ali abundam. 

Fomos os primeiros a entrar numa cabine da roda gigante e pouco depois ela punha-se em movimento levando-nos até ao ponto mais alto onde parou. Aproveitamos para observar  com algum pormenor a feira vista do alto, observamos o bairro da cooperativa das Manteigadas todo arrumadinho e até fotografamos o pôr-do-sol lá nas alturas. 

Estava eu a pensar  que a roda estava parada há demasiado tempo quando a mesma se colocou em movimento e ao chegar ao final desta sua primeira volta o funcionário abriu a porta e convidou-nos a sair e ir à bilheteira reaver o valor pago. É que segundo ele tinha acontecido um pequeno problema técnico. Ainda bem que conseguiram colocar aquela coisa a andar porque senão não havia crónica para ninguém. 

Sem qualquer susto lá fomos para o comboio fantasma e, depois o meu jovem companheiro fez questão de ir ainda para a montanha russa e para a casa assombrada, enquanto o avô se preparava para se deliciar com as farturas da Luizinha. 

Já de regresso a casa e antes de sair do agradável recinto ainda tivemos oportunidade de passar pelo stand das bolachas Piedade onde nos abastecemos.
Na saída fomos dar uma primeira olhadela aos cartazes de informação institucional e reparei que afinal o edifício da EDP sempre vai acolher os serviços da Câmara, tal como as instalações do Ima Parque serão igualmente adquiridas pela autarquia, onde pelos vistos a “massa” não falta. 

Despertou-me também a atenção e fez-me sorrir, a sugestiva foto patente no espaço da União de Freguesias, onde se podem ver dois cozinheiros a mexer num taxo cheio de massa, curiosamente esses mestres da culinária são nada mais nada menos que Rui Canas e Dores Meira, os presidentes da União de Freguesias e da Câmara Municipal. 

Se este apontamento fosse redigido pelo saudoso Fernando Pessa acredito que terminaria assim: “E esta hein?!...” 

Rui Canas Gaspar
2019-julho-22
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domingo, 30 de junho de 2019


Um banquete à disposição na Arrábida 

Nos meus giros pela Arrábida já tenho visto muitas coisas, algumas até bem insólitas, mas aquilo que vi hoje foi para além de insólito bem agradável. 

Já por lá observei altares onde estatuetas de Iemanjá, Nossa Senhora de Fátima ou Maria Padilha conviviam em boa harmonia.  Já observei outros altares onde as flores são nota dominante. Já vi outros onde as garrafas de cachaça e os charutos eram oferendas de luxo. Também por ali já vi junto a uma imagem um conjunto de moedas.  Mas, o mais comum e do que gosto menos são os altares onde as velas, pequenas e grandes, no meio do mato, podem ser um potencial foco de incêndio. 

Bem, mas o que hoje tive oportunidade de ver e fotografar foi um bem composto altar da melhor fruta fresca, onde se destacavam as bananas, os kiwi, as mangas, as peras, as uvas, a meloa e até um grande ananás, um conjunto ladeado por duas taças, uma com milho e outra com um cereal moído que não identifiquei. 

A fé das pessoas tem destas coisas que naturalmente respeito e por isso observo, fotografo e penso no assunto. 

Na descoberta de hoje, nesta Arrábida misteriosa, só fiquei triste ao observar tamanho banquete e a dois ou três metros o que restava de um ouriço-cacheiro que tinha morrido há pouco tempo. 

Na ausência de uma qualquer divindade que possa desfrutar deste banquete faço votos para que os animais selvagens e as aves da nossa serra-mãe encontrem esta dádiva e dela tirem um bom partido e, já agora, quem lá a deixou que veja os seus desejos satisfeitos, se forem bons, pois claro!... 

Rui Canas Gaspar
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2019-junho-30

sábado, 29 de junho de 2019


Quem alguma vez reparou no Padrão de Santo Agostinho?

Se há monumentos em Setúbal que passam quase despercebidos provavelmente este se não for o primeiro é capaz de estar antes do segundo, estou a falar do Padrão de Santo Agostinho, uma obra de arte colocada no Jardim do Quebedo em 10 de junho de 1960.

António Cunha Bento o amigo e grande conhecedor das coisas da nossa terra, fez o favor de me ajudar a melhor conhecer esta peça que quase passa despercebida num jardim onde pontuam frondosas árvores da espécie Lodão-Bastardo.

A obra ali erigida por iniciativa do Núcleo de Setúbal da Mocidade Portuguesa integrou-se nas grandes comemorações Henriquinas que naquele ano assinalaram o 500 aniversário da morte do Infante D. Henrique.

Será bom lembrar que as caravelas enviadas pelo  “Navegador” levavam no seu bojo marcos idênticos a este que foram sendo colocados  ao longo da costa africana, à medida que os destemidos homens do mar  descobriam novas terras e as reclamavam para o reino de Portugal.

O nosso padrão é constituído por uma coluna de pedra firmada num pedaço de rocha virgem, encimado por um paralelepípedo  onde numa das faces está gravado o escudo de D. João II e na face oposta a passagem de Os Lusíadas onde se pode ler “ Se mais mundo houvera lá chegara”.

Passados quase 60 anos desde que ali foi colocado quantos milhares de pessoas passaram por ele? Quantos de nós alguma vez reparamos nesta peça e quantos de nós sabíamos até a sua designação?

Esta como tantas outras são “coisas de Setúbal” que carece serem olhadas com olhos de ver.

Rui Canas Gaspar
2019-junho-28
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terça-feira, 25 de junho de 2019


Parabéns

Faz precisamente hoje 90 anos que oficialmente teve o seu início uma das mais importantes associações setubalenses, a Associação de Construtores e Proprietários de Setúbal

Os seus Estatutos, constando de sete capítulos e vinte e quatro artigos, seriam alvo de publicação no Diário do Governo, 2ª série, nº 144 de 25 de junho de 1929, com alvará datado de 22 de junho de 1929, assinado pelo Ministro das Finanças, quando era então Presidente da República, António Óscar de Fragoso Carmona.

1929 Foi uma data determinante para o progresso da cidade dado que foi nesse ano, em abril, que o Estado aprovou uma verba de 100.000 contos destinada às primeiras obras portuárias, onde se inseria o Porto de Setúbal.

Iniciava-se então a construção das muralhas, docas e estacadas bem como a regularização da margem ao longo de quatro quilómetros, que daria a Setúbal a imagem ribeirinha que ainda hoje conhecemos.

Acompanhando o progresso, a nova associação setubalense deixara então de reunir na sede da Liga Comercial dos Lojistas de Setúbal e passara a ter as suas reuniões de direção num edifício localizado na Avenida Luísa Todi, arrendado ao seu associado Francisco Maria Soares.

Em 31 de março de 1949 fruto do desenvolvimento e da dinâmica da associação, seria adquirido um imóvel na Praça do Quebedo, nºs 23, 24 e 25 para nele funcionar as instalações próprias onde seriam desenvolvidas todas as atividades de atendimento ao público e os demais serviços administrativos e técnicos no âmbito dos seus fins estatutários.

Rui Canas Gaspar
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2019-junho-25

segunda-feira, 10 de junho de 2019


No belo Parque de Merendas da Comenda nem tudo vai bem

Fez hoje dia 10 de junho de 2019 doze anos que ajudei a organizar e dinamizar aquela que foi provavelmente a maior ação de voluntariado levada a cabo no Parque Natural da Arrábida, tendo por alvo a zona do Parque de Merendas da Comenda e áreas circundantes. 

Nesse dia mais de 650 membros do Programa de Voluntariado de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias retiraram daquele local para cima de 10 toneladas de lixo diverso com o apoio logístico da então Junta de Freguesia de Anunciada, bem como procedemos a pinturas gerais nas instalações sanitárias, bancos e mesas. 

Desde essa data para cá participei em mais três ações de limpeza voluntária de menor dimensão. Porém, só hoje fui usufruir daquele espaço, podendo ali almoçar e conviver com vários amigos de entre eles alguns que participaram naquele memorável evento. 

Gostei de ver o PMC com novas e mais mesas e bancos, gostei de ver as instalações sanitárias a serem intervencionadas, gostei de ver a vedação ao longo da Ribeira da Ajuda. 

Não gostei de ver menos sombras, não gostei de observar mesas reservadas de véspera, não gostei de ver as instalações sanitárias há demasiado tempo provisórias, não gostei de ver acampamentos, alguns que se me configuram “permanentes”, não gostei de ver a devassa de propriedade com nacionais e estrangeiros a saltar o muro para ir visitar o palácio, e muito menos gostei de ver a gruta artificial por baixo do mesmo a servir de WC. 

Não me parece bem depois de se gastar um dinheirão para melhorar aquele espaço tão belo que o mesmo não tenha algum acompanhamento em termos de vigilância e mais que não seja a colocação de um painel com duas ou três normas de funcionamento de boa convivência e utilização do espaço. 

Porque há pessoas e pessoinhas, e para não pagar o justo pelo pecador é bom que se tomem medidas que até podem ser adjetivadas como antipopulares, mas tal como diziam os nossos antepassados romanos Dura Lex Sed Lex, ou seja a Lei é dura mas é a Lei, e seja vândalo ou não, não  pode estar acima da Lei e fazer tudo o que lhe dá na real gana. Digo eu!... 

Rui Canas Gaspar
2019-junho-10
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segunda-feira, 20 de maio de 2019


Só e abandonada à sua sorte 

Que alegria eu dei quando era nova, e quantos ajudei a ultrapassar o obstáculo que representava as águas tumultuosas que corriam sob o meu arco. 

Os anos passaram e eu continuei a servir fielmente não só os meus donos mas todos aqueles que recorreram aos meus serviços. 

O tempo passou as produtivas quintas foram sendo paulatinamente abandonadas e por arrastamento deixaram de me utilizar, abandonando-me à minha sorte. 

Passados tantos anos depois do meu nascimento aqui me encontro só e abandonada, às portas da cidade que não parou de crescer. 

A linha de água ainda por cá está, chamavam-lhe Rio da Figueira, agora um autêntico matagal a necessitar de limpeza. 

Será que embora velhinha eu não seria uma boa e agradável companhia para aqueles que passeiam no jardim que faz parte integrante da urbanização do golfinho, um espaço agora ocupado com muitos apartamentos erigidos no local onde os meus antigos patrões tinham a sua quinta? 

Rui Canas Gaspar
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2019-maio-20

terça-feira, 14 de maio de 2019

LIXO – Mais que procurar culpados urge tratar da solução

Rotular os outros de porcos sem olhar para o espelho é fácil, difícil é agir e comportar-se com palavras e ações em conformidade com o que sai da boca para fora.

É imagem recorrente (a que aqui apresento é do meu arquivo) os contentores cheios a deitar por fora e montes de lixo junto aos recipientes, sobretudo no final de Domingo.

Algumas pessoas aproveitam esse facto para fotografar e debitar nas redes sociais tudo o que lhes dá na real gana.

É um facto que o lixo está lá, até acompanhado geralmente de monos e restos de mudanças ou remodelações de habitação.

Mas o lixo só está ao lado porque já não cabe dentro dos contentores, e isso acontece ou porque o mesmo não é recolhido com mais frequência ou os recipientes não dispõem da capacidade que deveriam, por isso há que atuar ou numa ou nas duas vertentes.

Quanto aos monos muitas pessoas não sabem que podem telefonar e, sem custos, as autarquias recolhem-nos. Um papelinho afixado junto aos mesmos com o número de telefone daria jeito!

Rotular as pessoas (as outras, porque nós somos asseadinhos) de porcas quando até vemos todas as noites algumas que andam a retirar e a abrir sacos de lixo sobretudo à procura de metais, deixando tudo espalhado, é que não me parece bem.

Já agora, seria pedir muito que se colocasse no PUA e na Praia da Saúde uns contentores para recolher o lixo dos milhares de utentes daquele espaço? É que só um cego não vê que a meia dúzia de papeleiras são nitidamente insuficientes e os recipientes maiores que por lá estão nem todas as pessoas ainda descobriram o caminho para os mesmos.

Rui Canas Gaspar
2019-maio-14
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