notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Hoje fiquei a saber que Bocage vai mudar de lugar 

Setúbal está a mudar rapidamente e não serão muitos os setubalenses que se estão a aperceber desta realidade, com dezenas de edifícios a serem intervencionados, com pedidos de empregados que não aparecem e com a necessidade de operários especializados que cada vez são mais raros. 

Hoje partilho com os amigos que até Bocage está em processo de mudança e vai deixar a sua velha praça para se ir radicar na Avenida 5 de Outubro, bem perto, é certo, mas para novas instalações. 

Até ao final deste ano ainda estará pela Praça de Bocage, embora já tenha aberto e começado a funcionar em simultâneo nas novas instalações, o que está a dar origem a uma mudança tranquila. 

A nova casa, está decorada de forma simples, mas muito agradável e são as antigas fotos de Setúbal que ali tem destaque, aguardando-se uma em formato gigante mostrando a moderna Setúbal, embora seja apresentada a preto e branco. 

O edifício com 14 frações onde estava instalado mudou de dono, a exemplo do que está a acontecer com muitos outros edifícios nesta cidade que definitivamente está na moda. 

Hoje ainda entrei nas antigas instalações, com quase um século de existência e, nas mais antigas do seu ramo em Setúbal ali cortei a minha farta cabeleira. 

Na próxima ida ao barbeiro já não será ao vetusto Salão Bocage, mas aos mesmos competentes profissionais que por força das circunstâncias tiveram de mudar de instalações, para a nova Barbearia Bocage que ao mesmo tempo vem animar ainda mais aquele espaço, bem perto da Repartição de Finanças, um espaço que eu e a generalidade dos portugueses adoram. 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-16

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Vida de lord, quem a quer? 

Eles são reis e senhores do Parque Urbano de Albarquel. Por ali passeiam, comem, bebem, fazem umas brincadeiras com as belas gatas e dormem descansadamente ao sol de Outono, mas que bela vida!... 

Caçar ratos, gafanhotos ou pássaros para comer? Tenham juízo! Eles nem sequer se dignam ir apanhar uns peixinhos ali ao lado, na doca… Para quê essa trabalheira? 

Estes senhores todos poderosos têm um serviço ao domicílio verdadeiramente exemplar. De manhã, à tarde ou à noite, ali chegam os mais diferentes servidores que lhes vêm trazer, comida fresca, ração seca ou deliciosos enlatados. 

A fartura é tanta que eles estão bem gordos e preguiçosos e a ração pode ser vista em montinhos em diferentes lugares do PUA. Não há nada como ter fartura! 

E quando estão fartos de por ali estarem sem nada para fazer, estes verdadeiros lordes não vão até às máquinas para fazer exercício físico, preferem o relvado e são as árvores que substituem as máquinas. 

Se dizem que é dura a vida de cão, coisa que eu até nem acredito. O facto é que  não deixa de ser vida de lord esta que levam os nossos felinos do PUA e isto não é para quem quer, é para quem pode! 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-11 


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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Quem tem memórias da Quinta da Inveja? 

Um amplo portão trabalhado em barras de ferro, de dupla abertura, chumbado a duas altas e sólidas ombreiras de pedra calcária serviam de terminal aos muros de proteção da propriedade que ostentava no topo do lado direito a designação de Quinta da Inveja. 

O acesso à quinta processava-se pela Estrada dos Ciprestes e em finais de 2014 as devolutas instalações ainda se apresentavam como a imagem documenta. 

Situada entre a Quinta da Azeda e a Quinta da Saudade tinha há muito deixado a atividade agrícola, porém a sua ampla casa de dois pisos denotava que os seus iniciais ocupantes teriam sido pessoas abastadas. 

De facto, em 1944, enquanto o mundo se digladiava na Segunda Grande Guerra, aqui à entrada da pacífica cidade de Setúbal, Joaquim Augusto Martins, entregou ao construtor José Guilherme dos Santos, um dossier com o projeto 34/A – 44, contendo cinco plantas e 41 folhas contando a memória descritiva, declaração de responsabilidade, licença de obras, etc. para que este procedesse à ampliação da casa ali existente. 

O novo edifício foi então erigido e serviu cabalmente as suas funções habitacionais e de apoio à atividade agrícola, até que precisamente 70 anos depois do início da sua construção ele viria a ser reduzido a um monte de entulho e, no seu lugar, nada mais ficaria do que a imagem fotografada da sua presença em terras sadinas. 

A demolição da casa processou-se no âmbito do projeto para a construção do Parque Urbano da Várzea e o entulho que dali resultou, depois de devidamente tratado, foi servir de material de enchimento à nova via em construção paralela à Avenida dos Ciprestes. 

Quem tem memórias da Quinta da Inveja incluindo até do conceituado restaurante que por ali funcionou? 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-10
As meninas nuas da cidade do Sado 

Em 2015 chegou a Setúbal pela mão do escultor João Duarte, uma menina gordinha com o sugestivo nome de “Dolce Vita” e ao que parece a piquena ficou tão bem impressionada com o espaço onde assentou arraiais que não mais quis dali sair, enquanto o seu amigo retornava à capital. 

Um ano depois, em 2016, João Duarte regressou de novo a Setúbal e mais uma vez veio acompanhado de outra menina bem nutrida. Esta no entanto veio já prevenida e tratou de trazer a cadeira não fosse a crise fazê-la ficar de pé naquele antigo Largo da Ribeira Velha. Pelo facto de trazer o assento foi batizada de “Menina da Cadeira”.

Como não há duas sem três, volvido que foi mais um ano e chegados a 2017, cansada, atendendo ao peso da mala eis que chega à Avenida Luísa Todi uma terceira mana, bonitinha mas igualmente gordinha, de seu nome “Menina da Mala”, coisa que pousou à entrada do Arco da Ribeira Velha e desde então até hoje lá está à espera de arranjar um quarto disponível para se instalar definitivamente em Setúbal. 

Estamos em Outubro, o ano está quase a findar e 2018 está a chegar. Será que João Duarte o artista natural de Lisboa, cidade onde nasceu em 1952, escultor galardoado com a "J. Sanford Saltus Award for Distinguished Achievement in the Art of the Medal", o “nobel” da medalhística, nos vai trazer outra menina bem nutrida? 

Gostos não se discutem, mas vamos lá nós saber porquê, ainda continuo a gostar daquelas três outras asseadinhas que não param de tomar banho na “Fonte do Centenário”, ou mesmo daquela distinta senhora, de linhas mais equilibradas, que se sentou à entrada da Praça do Bocage a mirar o poeta que lá do alto parece que não se cansa do seu embevecido olhar. 

Uma coisa parece que todas estas meninas têm em comum, é que elas são por demais encaloradas e, para aqui ficaram, tal como um dia vieram ao mundo. 

Com temperaturas tão altas que por cá temos sentido, qual é a piquena que aguenta roupas em cima do corpo? Tanto mais que a Praia da Saúde está dentro da cidade e já vimos muitas outras meninas setubalenses vindas dali quase desnudas. 

Ora estátua que se preze é vaidosa e faz então como o Bocage que ainda hoje está a aguardar a última moda, daí a explicação para nudez das nossas femininas figuras. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-10 


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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Um dia veremos aqui em Setúbal o Parque Verde da Várzea 

Espero um dia poder vir a desfrutar de toda a beleza proporcionada por um belo e necessário parque verde que se anuncia para a Várzea de Setúbal, a “Última Fronteira” entre a natureza e o betão. 

Enquanto a Autarquia vai negociando com os proprietários dos terrenos a cedência de amplos espaços das suas quintas, dando-lhes a troco a possibilidade de erigir alguma construção ao longo da Avenida dos Ciprestes, eu vou colhendo todo o tipo de informação sobre aquelas antigas quintas, vivências, notícias e testemunhos de antigos habitantes e utilizadores. 

Quase tudo está documentado e compilado e agora trabalho sobre o material recolhido de forma a poder apresentar aos meus conterrâneos mais um conjunto de histórias de construtores civis, ecologistas, bairros, património edificado, linhas de água e sobretudo de um belo e rico espaço em vias de extinção. 

Depois de construído, o Parque Urbano da Várzea será o maior espaço verde setubalense e, para que fiquem com uma imagem inédita do que para ali está anunciado mostro-vos uma soberba vista aérea captada de propósito para este livro pelo nosso amigo Ricardo Ramoz, da Droneworldview, que desta forma quis gentilmente ajudar-me a levar de vencida mais este projeto sobre as coisas da nossa terra. 

E para melhor poder enriquecer a “Última Fronteira” grato  ficarei a todos os amigos que possam partilhar histórias, notícias, testemunhos e tudo o que se relacione, mesmo que considerem insignificante ou sem interesse, sobre este espaço setubalense, onde outrora laboraram os nossos antepassados em produtivas e verdejantes quintas e hortas. 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-09

domingo, 8 de outubro de 2017

Os tesouros troineiros de Setúbal 

Quando eu era um rapazinho a alegria e entusiasmo contagiaram a rapaziada do bairro de Troino, naquele dia 11 de maio de 1957, ao saber-se que os trabalhadores que estavam a abrir uma vala para instalar o saneamento, na antiga Rua Direita de Troino teriam batido com uma picareta num pote, partindo-o e descobrindo um tesouro. 

Mais rápido que o vento corri para ver e ainda consegui trazer parte do tesouro, uma moeda romana, tal como todos os rapazes de Troino e alguns homens a que não faltou um conhecido setubalense, Francisco Finura, que por ser colecionador trouxe uma alcofa cheia de moedas. 

Logo a seguir à primeira ânfora, uma segunda foi encontrada e graças à intervenção do polícia que para ali correu a apitar para que todos os pequenos e grandes “assaltantes” dali saíssem ainda conseguiram ir para ao museu da cidade 11.091 moedas romanas. 

Há algum tempo, em conversa com um amigo foi-me confidenciado que no decurso de uma obra de recuperação de um imóvel levada a cabo há alguns anos num edifício histórico, relativamente perto do local onde foram encontradas as duas ânforas contendo o tesouro romano, teria sido encontrada uma bolsa de cabedal contendo várias moedas portuguesas da idade média. 

Curiosamente, a semana passada em conversa com outro amigo, este viria a informar-me que mais moedas teriam sido encontradas naquela mesma zona, nos anos 70 ou 80, aquando da abertura de uma vala, assunto que foi de imediato “abafado” pelo empreiteiro para que não lhe viessem os homens dos serviços de arqueologia parar os trabalhos  em curso. 

Setúbal é uma terra com milhares de anos de História, pelo que por cá encontrar-se-ão certamente enterrados muito mais vestígio do seu passado atestado pelas peças numismáticas que têm sido encontradas, sobretudo nesta típica zona da nossa cidade.  

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-08

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Setúbal, terra de muitas e desvairadas gentes 

Que eu tenha conhecimento os primeiros triciclos ecológicos transformado em postos de venda ambulante pertenceram ao popularmente conhecido “Ervilha” que no Inverno vendia castanhas assadas e no Verão era vê-lo de fato branco à marinheiro, com o seu popular triciclo, a vender deliciosos sorvetes de fruta ou chocolate. 

Ultimamente foi a mais antiga gelataria setubalense, a Valenciana, que adaptou um triciclo e dali saiu uma gelataria ambulante que não só publicita o estabelecimento como também vende os seus produtos pela cidade, nomeadamente nestes dias quentes, junto ao Parque Urbano de Albarquel. 

Agora começou a circular pela baixa da cidade mais um curioso e bem apetrechado triciclo a pedal, desta vez a vender empadas. Trata-se de um simpático brasileiro que parece estar a ter sucesso aqui por terras sadinas a fazer fé na popularidade que já granjeou, sobretudo na baixa comercial, onde pelo que me apercebi o seu produto está a ter muita aceitação. 

São as “Empadas da Zazá” e segundo publicita as verdadeiras empadas do Brasil apreciadas por portugueses, e despertando a curiosidade de turistas franceses, parados a apreciar, depois de ter passado pela mercearia dos paquistaneses, acabou por parar junto a uma loja de chineses, onde o fotografei nesta bela Setúbal que se vai transformando numa terra de “muitas e desvairadas gentes”. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-03 


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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Mais vale uma má democracia que uma boa ditadura 

Lembro-me de quando era criança de verificar o medo que os adultos sentiam quando diziam que escutavam uma emissora de rádio clandestina, não fosse um carro com antenas grandes (radiogoniómetro) apanha-los. E, para que isso não acontecesse, colocavam um copo de água em cima da telefonia. 

Lembro-me dos avisos de minha mãe, quando eu já era rapazinho, naquele dia 1º de maio, para que não apanhasse nenhum panfleto daqueles espalhados pelo chão da baixa de Setúbal, não fosse alguém ver e denunciar. 

Lembro-me de nas lojas da baixa se comentar “à boca pequena” os nomes daqueles conhecidos opositores ao regime que durante a noite a PIDE tinha ido prender a suas casas. 

Lembro-me de mulheres que se vestiam de negro por verem seus filhos incorporados no Exército e serem enviados para as guerras travadas em África.
Lembro-me que depois de ter sido incorporado na tropa e já a completar a especialidade ter sido obrigado a preencher a minha própria ficha para controlo da PIDE/DGS, a temida polícia politica. 

Lembro-me de após chegar da Guiné, e depois de ter uma ocasional conversa na SETUBAUTO, ter recebido a visita no dia seguinte de dois inspetores da PIDE para me interrogarem. 

Lembro-me de nas últimas eleições “democráticas” antes de 25 de abril de 1974 ter ido acompanhar a minha namorada que por ser funcionária publica tinha de votar enquanto eu não o fiz. 

Lembro-me da grande manifestação de alegria e entusiasmo genuíno naquele 1º de Maio vivido em liberdade na cidade do Sado. 

Lembro-me de em 25 de abril de 1975 estar bastante orgulhoso por ter sido convidado a integrar uma mesa de voto, sem auferir qualquer provento financeiro, naquelas que foram as primeiras eleições livres. 

Hoje, passados tantos anos sobre a devolução da liberdade ao povo e a instauração da democracia muita coisa mudou e o consumismo e individualismo sobrepõem-se agora, frequentemente, à generosidade e ao interesse coletivo. 

Porque não posso esquecer aqueles tempos de obscurantismo EU VOU VOTAR e aconselho todos os meus amigos a fazê-lo, não importando em que formação politica seja, sabendo que mais vale uma má democracia do que uma boa ditadura. 

Rui Canas Gaspar 

2017-setembro-28 


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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Hoje ficamos a ver as estrelas no PUA 

Foram poucos os que tiveram o raro privilégio de apreciar esta bela noite estrelada junto à foz do Sado. 

De facto, depois de jantar quando cheguei ao PUA estava tão escuro como nunca tinha visto.  As luzes naquele espaço eram apenas as dos holofotes das instalações. 

Um curto-circuito tinha originado o apagão, pelo que no meio da escuridão o céu apresentava-se em toda a sua beleza qual manto azul-escuro completamente coberto de incontáveis e cintilantes estrelas. 

Os dois patrulheiros de serviço atarefavam-se a tentar resolver o problema e, foi com o recurso ao telemóvel, que o líder da dupla contatou o chefe que com as instruções à distancia deu para resolver parcialmente o problema. 

Assim sendo e enquanto não chegam os eletricistas para solucionar de vez a anomalia motivada por água de rega que está a afetar um dos focos, a secção correspondente foi desligada e o restante parque voltou a ter luz. 

Gostei de apreciar o trabalho eficiente do Américo, antigo homem do mar, de 70 anos de idade e do seu companheiro. O seu desembaraço e eficiência permitiram resolver este assunto num curto espaço de tempo. 

Os Patrulheiros são mais do que uns reformados que vão olhando pelo Parque Urbano e Avenida Luísa Todi, eles são não só os guardiões como aqueles que resolvem muitos dos assuntos que passam despercebidos aos habituais utentes. 

Rui Canas Gaspar 



2017-setembro-26

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Rampa da Arrábida ou o sonho tornado realidade

Por detrás de um qualquer empreendimento, pequeno ou grande, há sempre o sonho de alguém que, por vezes, remando contra ventos e marés o consegue tornar realidade.

A Rampa da Arrábida, provavelmente o mais importante evento desportivo realizado em Setúbal neste ano de 2017 é disso exemplo, dado ter nascido do sonho de Fernando Matias, um homem com raízes setubalenses e com uma vida ligada aos automóveis.

Os seus avós eram proprietários de uma fábrica de conservas aqui na cidade e viriam a falecer num acidente de automóvel, quando regressavam de Palmela em 1949, num Citroen Arrastadeira, deixando órfão um rapaz de 12 anos que foi morar para casa de uns tios, em Lisboa.

A criança cresceu lá pela capital, casou-se, mas o seu coração ficou desde sempre ligado a Setúbal, para onde se deslocava quase todos os fins de semana frequentando naquele tempo as lindas praias da serra mãe, de Galapos e Portinho da Arrábida.

Setúbal naturalmente estava sempre no seu coração e é desta linda terra que guarda as melhores recordações de infância.

O pai de Fernando Martins, até perto dos 40 anos, competiu nalgumas provas automobilísticas e, a Rampa da Arrábida, era a sua favorita por questões óbvias, logo, naturalmente também se tornou a do filho.

Com o final da competição na serra muitos adeptos do desporto automóvel ficaram tristes e Fernando Martins nunca ficou conformado. Por isso, um dia decidiu juntar um grupo de amigos igualmente amantes do desporto automóvel apaixonados pela Serra da Arrábida e sobretudo decididos a trazer de volta a competição na Rampa.

Durante três anos este grupo trabalhou duro tendo em mente atingir o seu principal objetivo que era um dia ver de novo a Rampa da Arrábida, inicialmente organizada pela secção de motorismo do Vitória Futebol Clube, ser uma realidade.

Claro que opositores, descrentes e céticos seriam o maior obstáculo a vencer, mais que as próprias dificuldades próprias de um grande evento com estas características muito específicas.

O sonho de Fernando Matias partilhado e assumido igualmente por Luís Caramelo, Fernando Tomé, José Manuel Barreto, Orlanda Matias, Bruno Coutinho e André Lopes estava prestes a tornar-se realidade.

Durante longos meses eles fizeram de tudo um pouco de forma a tornar a Rampa mais segura para os utilizadores. Limparam bermas e vegetação, lavaram a rampa onde se encontrava suja de cimento, melhoraram o pavimento onde o mesmo tinha socalcos de raízes de árvores e até conseguiram que parte dos blocos de pedra e barras de betão das bermas fossem substituídas por centenas de metros de rails protetores, mais seguros para todos os automobilistas e motociclistas que utilizam aquele troço da Serra da Arrábida.

Para dar mais força à sua modalidade aqueles amigos decidiram formar um clube visando promover o desporto automóvel porque desta forma seria mais fácil obter licenciamentos e conseguir os imprescindíveis apoios oficiais e particulares. Nascia assim, em 2016, o Clube de Motorismo de Setúbal (CMS) e com ele regressava a Rampa da Arrábida, um sonho tornado realidade no sábado dia 23 de setembro deste ano de 2017.

Rui Canas Gaspar



2017-setembro-20





domingo, 17 de setembro de 2017

Em Setúbal “só os burros não mudam” ou a arte em toda a parte. 

Esteve anunciado para o dia 23 de maio de 2014 pela Imocham e Câmara Municipal a inauguração de uma exposição cujas enormes fotografias chegaram a ser afixadas no alçado lateral do vetusto edifício onde estão sedeadas a Cruz Vermelha e a Sociedade Musical Capricho Setubalense. 

Se a exposição em si poderia ser pacífica, não faria porém qualquer sentido que as fotos fossem colocadas naquele espaço nobre da cidade, pelo que a contestação popular se fez sentir particularmente nas redes sociais. 

E como diz a expressão popular que só os burros não mudam, a Autarquia setubalense não quis fazer esse papel e poucos minutos antes da exposição ser inaugurada, já com os cartazes lá afixados, cancelou o evento, tendo então mandado retirar as fotos que viriam a ser transferidas para outro local, junto à Praia da Saúde. 

Vem esta memória a propósito de um outro evento que terá lugar hoje, domingo, dia 17 de setembro de 2017 o qual terá por cenário o bonito e muito concorrido Parque Urbano de Albarquel com a inauguração de uma peça decorativa publicitando uma garrafa de Coca-Cola. 

Se sou a favor e aplaudo todas as manifestações artísticas e representativas das mais diferentes sensibilidades de que Setúbal tem sido alvo, não posso concordar com esta iniciativa cujo objetivo não visa o embelezamento do espaço público mas sim a publicidade a um comum produto de consumo. 

Se o objetivo da marca fosse o agradecimento pelos seus 40 anos de presença no país então colocaria à disposição dos artistas a mesma verba despendida com a “garrafa” e davam a possibilidade que se escolhesse o tema para uma obra de arte, colocando depois ao lado da mesma uma placa identificativa e com o nome do mecenas, tal como fez a Imocham com o soberbo grafite do “Rapaz dos Pássaros”, por exemplo. 

Se com o “engodo” de obra de arte se está a fazer publicidade descaradamente a um produto, independentemente do gosto de cada um, ainda que essa publicidade não seja feita por intermédio de cartaz ou outro qualquer método habitual, então que ela pague, tal como todos os outros meios publicitários colocados na via pública e não seja alvo de qualquer reconhecimento ou agradecimento público. 

Esta é a minha opinião como setubalense e vale o que vale, deixando bem claro que sou completamente alheio ao aproveitamento político ou partidário que alguns amigos eventualmente possam vir a fazer desta lamentável situação. 

Rui Canas Gaspar

2017-setembro-17

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Um património a defender em Setúbal 

Este Verão os setubalenses mais atentos a estas coisas do passado da sua terra têm tido a oportunidade de poder apreciar com mais pormenor um pouco daquilo que foi a vida dos seus antepassados. Isto graças ao fogo que afetou boa parte da zona poente da cidade e das grandes desmatações que a autarquia e os particulares têm levado a cabo sobretudo na zona da várzea. 

Estes dois fatores puseram a descoberto muito daquilo que se encontrava escondido dos olhares devido ao matagal, silvas e canaviais podendo-se agora admirar algumas peças em razoável estado de conservação.

Nas antigas e numerosas quintas que envolviam Setúbal, podemos agora ver, enquanto os canaviais e matos não voltam a crescer, os pórticos das hortas, restos de calçadas, pequenas pontes, estruturas das noras regueiras e aquedutos. Podemos ainda observar bem conservados poços e enormes tanques para retenção de águas destinadas a rega.

Já na parte mais alta da cidade, para os lados do antigo convento de Brancanes são os oratórios e os cruzeiros,as fontes e as nascentes que poderão agora ser melhor observados. 

Estes são pedaços da nossa história que observados com atenção e se integrados na paisagem circundante nos contam como era a vida campestre dos nossos antepassados.

Este é um legado a preservar e tanto quanto possível a conservar e integrar nas novas paisagens urbanas que se pretende venham a constituir uma mais-valia para nós e para os nossos vindouros.

Esperemos que eles sejam devidamente e rapidamente integrados e não destruídos como tem vindo a acontecer, por este ou aquele motivo, como aconteceram com a casa da Azeda, a casa da Quinta do Paraíso ou mesmo o pombal da Quinta de Prostes.

Valha-nos ao menos o mirante da Quinta da Azeda, apresentado como emblema do futuro Parque Urbano da Várzea, uma das primeiras obras erigidas em Portugal, utilizando o betão armado e que alguém com “responsabilidades”, em tempos veio advogar a sua demolição.

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-31

quarta-feira, 30 de agosto de 2017


Setúbal vai erigir uma estátua ao Mané Bola
Não me parece que alguma vez um setubalense tenha sido tão rapidamente distinguido e com tamanha manifestação pública, como aquela que na próxima semana acontecerá com o falecido ator Carlos Rodrigues, para os setubalenses o popular Mané Bola.
Homem da cultura celebrizou-se no teatro, com alguma intervenção em televisão e não deixou por mãos alheias a poesia. Ele foi um dos mais ilustres filhos de Setúbal da contemporaneidade.
O espaço que irá receber o monumento já está preparado na Avenida Luísa Todi, na placa central, frente ao fórum, representando-o a fazer a sua tradicional vénia com a boina à espanhola na mão.
O Mané Bola desde final do passado ano de 2016 que deixou de ser visto pela praça, como por aqui gostamos de identificar o nosso belo Mercado do Livramento, um local que era de visita quase diária deste grande artista e que já não se encontra entre os vivos.
Gosto da forma como Setúbal está a ser alindada. Gosto das peças escultóricas com que a cidade vai brindando quem aqui vive e quem nos visita. Gosto sobretudo desta bela homenagem ao meu conterrâneo e contemporâneo Carlos Rodrigues, o nosso popular Mané Bola.
Rui Canas Gaspar

2017-agosto-30

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Não há para aí uns trocados? 

Os turistas quando vão visitar um país fazem-no pelos mais diferentes motivos e são muitos aqueles que por se identificarem com determinada personalidade local, viva ou falecida, não deixam de ir visitar a terra do seu nascimento. 

Ninguém sabe quantos turistas vêm visitar Setúbal por ser a terra de mundialmente famoso treinador de futebol José Mourinho só pelo facto de  serem seus admiradores, por exemplo. 

Mas há uma coisa que eu sei e que vou de imediato partilhar e que foi contada hoje por um amigo aqui do grupo que trabalha na Rua da Saúde, melhor dizendo, na Avenida José Mourinho, designação atribuída em 2013, e que foi notícia badalada aqui e no estrangeiro a qual já vem referenciada no Google Maps. 

Num destes dias andou um inglês às voltas pela Rua da Saúde, até que acabou por perguntar a este nosso amigo o que estaria de errado, pois o seu GPS mostrava aquela artéria como Avenida José Mourinho e a placa toponímica que até então conseguira ver apresentava-a como sendo a Rua da Saúde. 

O pobre homem mais não queria do que ser fotografado de modo a poder ver-se o nome do seu ídolo. Teve azar porque embora já há muitas luas a Rua tivesse sido promovida a Avenida o facto é que como disse no outro dia se calhar estão à espera que o Mourinho pague a placa com o novo nome, que por acaso é o seu. 

Será que não há por aí no orçamento camarário uns trocados para se mudar as placas e dar alguma alegria aos adeptos do futebol, ao mesmo tempo que se promove, gratuitamente, a nossa terrinha além fronteiras ? 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-28

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Sabia que tivemos aqui a Estação de Fruticultura de Setúbal? 

Foi na outrora verdejante e pujante quinta da várzea onde se cultivavam e aperfeiçoavam as melhores espécies de laranjeiras produtoras da famosa laranja da baía (de Setúbal) que o Estado instalou a Estação de Fruticultura de Setúbal. 

O espaço ainda hoje é propriedade pública. Fica na Estrada dos Ciprestes, quase na fronteira com o vizinho concelho de Palmela e, na sua entrada, podemos ver a indicação de que está sob a tutela da Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo. 

Uma outra placa, mais rústica, mas não com menos destaque, afixada junto ao portão de entrada, dá conta de que ali se vendem produtos hortícolas. 

Na enorme propriedade hoje podemos até ver um grande e verde milheiral a par de um raquítico pomar onde antigas e mal tratadas laranjeiras ainda sobrevivem, sabe-se lá como!... 

Valha-nos ao menos os nabos e os repolhos que por lá se desenvolvem e são comercializados dado que os citrinos de fama mundial  bem como o organismo que dele se encarregava já sumiram, desaparecido que foi tal como as famosas laranjas de Setúbal, que os algarvios aproveitaram e ainda bem que o fizeram. 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-22

sábado, 12 de agosto de 2017

Pelos vistos o treinador José Mourinho vai ter de abrir os cordões à bolsa 

Quando eu estava na tropa foi-me atribuída uma condecoração, porém embora ela tenha ficado registada na caderneta militar o facto é que nunca me foi entregue. 

Quando tentei saber o porquê de tal acontecer explicaram-me que se eu desejasse ter a tal medalha teria de a comprar. Fui desmobilizado do exército após ter cumprido mais de três anos de serviço obrigatório e só quando de novo me convocarem para o Exército talvez pense em comprar a tal medalha mais que não seja para mostrar aos jovens recrutas de que sou um veterano medalhado. 

Também em Setúbal, já lá vão muitas luas, foi atribuído ao mundialmente famoso treinador de futebol José Mourinho, setubalense, a honra do seu nome figurar numa importante artéria da cidade, à beira-mar plantada, anteriormente designada como Rua da Saúde. 

O facto é que tanto tempo passado não consigo ver as placas toponímicas com o nome de Mourinho o que me leva a concluir que se o homenageado as quiser ver afixadas terá de abrir os cordões à bolsa e mandar fazê-las ele mesmo, isto porque os nossos responsáveis autárquicos pelos vistos estão a seguir o exemplo daqueles outros que também me atribuíram a condecoração militar. 

Assim sendo, o nosso conterrâneo José Mourinho que se prepare para abrir os cordões à bolsa, ou então a tal rua que foi promovida a avenida, continuará a ser da Saúde. 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-12
Vai abrir uma nova fábrica em Setúbal 

O imóvel veio parar às mãos da Autarquia sadina fruto de uma permuta com os terrenos no Monte Belo onde foi erigido o novo Burguer King e a bomba de gasolina ali existente e desativada. 

No interior do velho e enorme prédio ainda nada foi feito, embora se conste na cidade que o novo pólo cultural da cidade venha a ser inaugurado antes do final deste ano. 

Chamar-se-á “Fábrica das Artes” não sei se por homenagem às antigas e quase desaparecidas artes de pesca setubalenses se pelo facto de ser destinado aos muitos “artistas” que por cá proliferam, ou se simplesmente será um espaço concorrente ou complementar da Casa da Cultura. 

O facto é que embora nada tenha sido iniciado e já muito ter sido anunciado, o enorme cartaz, foi agora ali afixado, cobrindo todo o alçado sul, na Avenida José Mourinho, bem perto do quartel dos Bombeiros Voluntários. 

Aguardemos então serenamente que a estridente sirene se faça ouvir, não para chamar as mulheres conserveiras ao trabalho, mas para fazer afluir os artistas setubalenses à sua nova fábrica. 

Rui Canas Gaspar 

2017-agosto-12 


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Setúbal está mais bonita 

Gosto das coisas bonitas, limpas e agradáveis à vista, acho que isso dá uma melhor qualidade de vida a quem aqui vive porquanto o ambiente que nos rodeia se torna mais saudável ao mesmo tempo que me dá mais prazer apresentar a terra onde nasci a quem me visita. 

É por demais sabido que os gostos não se discutem, porque o que é bonito para uns é simplesmente horrível para outros e, como tal, cada um fica com a sua opinião, sabido que regra geral a generalidade das pessoas aceitam melhor a limpeza do que a porcaria, o arranjo do que a degradação e, por aí fora… 

Depois de muitas vezes passar por baixo do viaduto agora suportado por “chaminés” das nossas tradicionais fábricas conserveiras, só há alguns minutos tive oportunidade de parar, apreciar e até ir junto das mesmas tocar-lhes. 

De facto, gosto e congratulo-me com a decoração que foi feita no viaduto da Antero de Quental, antes de entrar na Avenida dos Ciprestes. Acho que ficou sugestivo e fino. 

Aplaudo o artístico trabalho que foi levado a cabo no túnel de Quebedo com a colocação dos painéis de azulejos. 

Aprecio os trabalhos de recuperação e pintura com o apontamento artístico de homenagem à mulher conserveira com que ficou decorada a ponte, junto ao Miradouro de São Sebastião. 

E, goste-se ou não, eu pessoalmente aprecio também a última intervenção decorativa que foi feita nos pilares do viaduto, ali bem perto da Pedra Furada, um espaço que se encontra agradavelmente ajardinado e com iluminação noturna. 

Setúbal, ao longo destes últimos anos tem vindo a sofrer significativas alterações no seu visual, coisa que só não vê quem não quiser. 

Que há muito ainda por fazer, é verdade! Que, se calhar poderiam ser dadas prioridades a outros setores, provavelmente! Mas que Setúbal está mais linda que nunca, disso eu não tenho dúvidas. Mas esta é apenas e só a minha opinião e cada um terá a sua. 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-09