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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

“Novo tiro” na Casa das 4 Cabeças, em Setúbal 

 “Muitas cabeças, muitas sentenças” ou então “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Assim podia continuar a história da Casa das 4 Cabeças adquirida por expropriação pela Câmara Municipal de Setúbal, declarada em 1977 como imóvel de interesse municipal e que agora vai conhecer novo capítulo. 

Depois de terem começado as obras de recuperação do velho imóvel localizado na Rua Fran Paxeco, antiga Rua Direita de Troino e das mesmas já terem atingido um bom estado de desenvolvimento acabariam por parar porquanto, financiada com fundos comunitários teria ultrapassado os 360 mil euros e, como tal, teria de ter o visto do Tribunal de Contas. 

Depois de meses de trabalhos, outros tantos esteve para ali hibernada até que os andaimes foram retirados e aparentemente foi dada por concluída, estando então os cinco apartamentos, T0 e T1, aptos a receber proprietários e inquilinos que decidam recuperar as suas casas e não tenham onde ficar no decurso dos trabalhos, segundo até então anunciado pelo Município. 

Ora acontece que os tais inquilinos e proprietários, se estavam à espera desta obra estar concluída para irem fazer as suas próprias terão de pensar noutra solução é que a dita casa das 4 cabeças, vai ser ocupada por outras pensadoras cabecinhas. 

A presidente Dores Meira informou os seus munícipes presentes no Salão Nobre dos Paços do Concelho, na fria noite de 17 de janeiro deste ano de 2018 que a obra está concluída, mas o seu destino encontra-se agora em discussão com o IPS de forma poder vir a ser ocupada por alunos do Programa ERASMUS. 

Assim sendo, temos um novo “tiro” e diferente capítulo é aberto nesta já longa estória de uma casa onde os ventos da História dizem que dali, em 1484, partiram os tiros destinados a matar o Rei D. João II, quando o mesmo integrava a procissão de Corpo de Deus. 

Rui Canas Gaspar 

2018-janeiro-18 


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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em Setúbal, a Praça do Bocage vai “crescer” 

No âmbito da “revolução” que agora começou na baixa e que vai originar que os 15% de esgotos da cidade sejam encaminhados para a ETAR da Cachofarra ao invés de serem despejados no Rio Sado, será aproveitada a oportunidade para a alteração de vias e passeios o que originará um nivelamento de pavimentos entre o Largo de Jesus e a Praça do Bocage. 

O projeto contempla também o aparecimento de uma rotunda entre a Av. dos Combatentes e a General Daniel de Sousa, enquanto na Praça Almirante Reis, onde se encontra o monumento aos mortos da grande guerra nascerá uma “ovalunda”. 

Mas um pormenor interessante é que a Praça do Bocage também vai ser contemplada com mais espaço para usufruto da população e pelos vistos vai ficar bem mais bonita. É que a construção ocupada pela pizaria vai desaparecer dali ampliando assim o espaço útil da praça que naquele local ficará com um tratamento especial com algo parecido com ondas. 

Quem não fez grandes ondas foram os comerciantes e moradores da zona dos Combatentes que até há poucos minutos escutaram os técnicos da autarquia e a presidente que elucidou os presentes que quase enchiam o salão nobre dos Paços do Concelho e se colocaram à sua disposição para o eventual esclarecimento que fosse solicitado. 

Rui Canas Gaspar 

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2018-janeiro-17

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Uma das últimas tabernas setubalenses 

Há 42 anos que D. Fernanda está a explorar aquela vetusta taberna localizada na Rua Fran Pacheco, a antiga Rua Direita de Troino, mesmo em frente à renovada e desocupada “Casa das 4 Cabeças” um imóvel adquirido pela Autarquia e que foi alvo de intervenção com vista à sua recuperação. 

A taberna mantém a antiga estrutura de certo modo comum a todos os antigos estabelecimentos do seu género, com o amplo balcão em pedra mármore, uma pia para despejos e uma pequena casa de banho adaptada para o efeito num canto do estabelecimento. 

D. Fernanda, simpática, conversadora, de origem indiana, veio de Moçambique após a descolonização e aqui se radicou com o falecido marido e seus três filhos, fazendo deste negócio o seu ganha-pão. 

O longo tempo que as obras da emblemática casa situada mesmo em  frente da sua taberna, com os taipais a ocuparem toda a pequena frente da rua inviabilizaram a rentabilização do seu negócio que sofreu uma enorme quebra. 

Agora que os taipais já desapareceram pode ser que os clientes regressem, a exemplo dos futuros inquilinos daquela casa que a Câmara se propôs adquirir e que continua vazia. 

À D. Fernanda que está aos comandos desta que é uma das últimas tabernas setubalenses, resta a esperança de dias melhores, porque a esperança é a última a morrer. 

Rui Canas Gaspar 

2018-janeiro-12 


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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Uma proeza à Django 

Armando Cabrita, popularmente conhecido por Django, pese embora os seus 65 anos é um atleta fora de série e curiosamente o mais velho trabalhador da Sécil, no Outão, e um dos mais antigos operários ao serviço daquela cimenteira. 

Costuma deslocar-se a pé, para manter a sua extraordinária preparação física desde aquela unidade industrial até Setúbal onde reside. 

Em 1973, era um jovem gruista naquela empresa, quando o representante francês da Potain, o tipo de equipamento que Armando operava por lá se encontrava e, conversa puxa conversa, o nosso amigo Armando acabou por dizer ao francês que seria não só capaz de ir a pé até à ponta da lança como ali fazer o pino. 

Ora o francês riu-se do atrevimento “impossível” do português e perante alguns colegas decidiu apostar o seu mês de ordenado com o de Armando. Note-se que o francês ganhava cinco vezes mais que o português. 

À hora de almoço largas dezenas de trabalhadores da Sécil ficaram de cabeça no ar a ver tamanha proeza e, Armando não só subiu os 110 metros da grua como andou pela lança como se estivesse numa avenida. Chegado ao topo, tratou de fazer o pino não durante um minuto mas sim durante quase dois. 

Acabado o tempo, voltou até à cabine, desceu calmamente e foi ter com o camarada que tinha ficado com o dinheiro da aposta recolheu-o e foi-se embora deixando o francês de cara à banda. 

E foi precisamente com esse dinheiro que se deslocou a Lisboa onde comprou a conhecida moto de cor vermelha que tanto sucesso fez naqueles anos 70 entre os frequentadores do Café Central, em Setúbal. 

O curioso é que Armando não tinha carta de condução, nem nunca tinha andado de moto, pelo que o vendedor a veio colocar no ferry que atravessava o Tejo. É claro que já em Cacilhas, o nosso homem montou-se naquele potente e vistoso “animal” e conduziu-o até Setúbal, uma aventura que nem o original Djando provavelmente se atreveria a levar de vencida. 

Rui Canas Gaspar 

2018-janeiro-11 


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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Quem conhece o “Django” ? 

Quando um destes dias virem um ponto amarelo a mover-se no meio da baía de Setúbal, prestem atenção porque pode ser a toca usada por um nadador, ainda que o dia esteja frio e cinzento, para ele não há dias maus, todos são bons dias para nadar e exercitar. 

Se tiverem um pouco de paciência e sorte poderão observar um homem no Parque Urbano de Albarquel, cabeça no chão, apoiado nos braços e pernas esticadas para cima, uma posição que não é para qualquer um. 

Mas se eu vos disser que este homem atravessa a nado de Setúbal para Troia e de lá para cá, que vem a pé da Sécil para Setúbal e que anda dezenas e dezenas de quilómetros diariamente, estamos a falar de um verdadeiro e invulgar atleta. 

Se tivermos em consideração que ele nasceu em 1953, portanto estará com 65 anos e faz o que faz estamos a falar de um fenómeno setubalense. 

Seu nome é Armando Cabrita, mais conhecido por “Django” o tal das célebres cawboiadas dos anos 60 passadas nos cinemas setubalenses  Salão e Casino e, porque queria imitar aquele seu herói com os seus saltos acrobáticos tanto tentou que conseguiu e essa será uma das suas metas para este ano de 2018, voltar a dar o salto à “Django” 

Armando um homem que treina desde pequenino, um atleta de eleição, simpático, discreto, eficiente, um dos melhores que por cá temos, senão mesmo o melhor. 

Rui Canas Gaspar 

2018-janeiro-08 


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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Decorações natalícias setubalenses 

As decorações natalícias dão nesta quadra festiva um ar diferente às diversas localidades um pouco por todo o mundo ocidental. 

Regra geral, elas embelezam ruas, largos e até fazem ressaltar a beleza dos monumentos que nesta altura são alvo de iluminação especial. 

O que eu não compreendo é que alguns desses monumentos ou peças decorativas citadinas ao invés de verem a sua beleza ressaltada servem eles mesmos de suporte a efeitos decorativos, às vezes de gosto duvidoso. 

Setúbal apresenta algumas das suas principais artérias decoradas e iluminadas o que é de elogiar, porém acho que com decoradores e arquitetos tão talentosos como temos por cá poderíamos fazer bem melhor, salvaguardando-se algumas honrosas exceções. 

Assim sendo não compreendo que o monumento a Bocage, na principal praça da cidade esteja a servir de suporte a uma insípida fiada de micro lâmpadas, tal como não entendo como se insiste em utilizar o obelisco de homenagem aos mortos da grande guerra como suporte de uma bonita iluminação. 

Hoje reparei que também na sequência deste tipo de má utilização a replica da fonte do poço do concelho também ela estranhamente  se encontra a servir de base a uma árvore de natal. 

Será que quem é responsável por estas decorações, sobretudo naquelas que visam os nossos monumentos tem visão diferente da minha, ou será que ainda não reparou que não se está a dignificar o que temos de melhor? 

Como disse acima é minha convicção que os nossos bons técnicos são bem capazes de fazer melhor com os mesmos recursos e por isso aqui fica o alerta de um setubalense que como tantos outros gostaria de ver o nosso património mais dignificado. 

Rui Canas Gaspar 

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2017-dezembro-05

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Em Setúbal o PUV está a avançar 

O Parque Urbano da Várzea está a avançar e provavelmente já na próxima Primavera apresentar-se-à com nova fase concluída, mudando, para melhor, o visual da sua parte sul. 

No final de novembro começou a ser desmatado o terreno e montado o estaleiro na Quinta do Quadrado, junto à Avenida da Europa para que se pudesse dar início aos trabalhos de construção da bacia de retenção tendo em vista as águas da Ribeira do Livramento. 

Trata-se de um amplo espaço que ficando a uma cota inferior ao terreno circundante permitirá reter temporariamente as águas de grandes chuvadas que vindas dos lados de Palmela inundariam a baixa da cidade. 

Não pensem os menos familiarizados com estas coisas que aquilo ficará como um grande e feio buracão. Nada disso! Enquanto não chegar a tal grande chuvada (que várias vezes já provocou graves prejuízos) o local funcionará como um grande jardim com árvores, bancos e equipamento adequado ao espaço. 

Assim sendo, juntar-se-à o útil ao agradável e, de fase em fase, o PUV vai tomando forma, sabido que nesta empreitada temos o apoio comunitário de 85% do valor da obra sendo que mesmo assim os setubalenses contribuirão com quase 550 mil euros para se precaverem de situação anómala. 

Este ano já foi feita a primeira bacia de retenção ali bem perto, desta vez visando as águas que possam vir dos lados da Serra de São Luís e, os mais curiosos, poderão ir observa-la podendo usufruir deste agradável espaço recentemente inaugurado junto ao novo supermercado Continente, no Rio da Figueira. 

A par de coisas bonitas Setúbal aposta também em trabalhos de fundo e de manifesta utilidade prática. 

Rui Canas Gaspar 

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2017-dezembro-04

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Agradável manhã de feriado em Setúbal

A manhã de sábado estava um pouco fria embora o céu se apresentasse de um azul lindo e o com o sol a brilhar.

Eram 11,00 horas quando se avistou um grande “sino” de Natal debaixo das arcadas dos Paços do Concelho e pouco depois surgiam simpáticas renas que iriam puxar o trenó onde o velhinho de barbas brancas se iria sentar.

A Praça do Bocage estava repleta de gente, muita criançada e um simpático mercado de Natal com muitas lindas casinhas que comercializavam de tudo um pouco.

Ali até não falta um concorrido serviço fotográfico onde as crianças podiam ser fotografadas com um bufo real ou uma arara pousada no seu braço.

O pai natal encetou o seu trajeto desde a Praça do Bocage até ao Largo da Misericórdia, sempre seguido por um enorme cortejo de fans de todos os escalões etários e, ali chegado parqueou o trenó para entrou na cabana onde as crianças o foram visitar.

Lá do alto sobre a cabana caía neve branca e fria disparada por um canhão que se encontrava numa das janelas da Capricho, um bonito e sugestivo apontamento tão a condizer com o momento.

Ao lado, na Avenida Luísa Todi um grupo de jovens voluntários doava o seu tempo para que Setúbal ficasse mais bonita, mais limpa e mais agradável e, para que isso acontecesse, apanharam em pouco tempo alguns milhares de pontas de cigarros no âmbito do projeto Feel4Planet.

A baixa de Setúbal teve uma manhã muito agradável, com muita gente, muita animação e agora com o cheirinho bem agradável e característico das deliciosas bolachas tradicionais, fabricadas e comercializadas na popularmente conhecida Rua dos Ourives.

Rui Canas Gaspar 

2017-dezembro-01 


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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Em Setúbal precisamos pessoal para trabalhar 

Constato por observação direta e confirmo ao falar com empresários setubalenses a grande dificuldade que o concelho está a ter no recrutamento de mão-de-obra para desenvolver convenientemente os seus negócios e isto é válido para o comércio, indústria ou serviços. 

Se por um lado a procura turística por esta região de certo modo aumentou, o facto é que aqui não se radicou gente suficiente para fazer face a essa procura, notando-se até que alguns que cá residiam optaram por daqui partir em busca de uma vida melhor. 

Os imigrantes que afluíram a esta região também na sua generalidade não estão aptos a serem parte da solução do problema, seja por falta de habilitação adequada ou por aqui chegarem com vistos de turista e não ser fácil a sua legalização.

Assim sendo, cada vez observamos mais os anúncios a pedir pessoal para trabalhos na construção civil, no comércio e na indústria hoteleira, desconhecendo eu a situação na indústria pesada, embora saiba que aí operam também muitos trabalhadores estrangeiros. 

Os nossos experts governantes terão de dedicar urgente atenção a este fenómeno sob pena do nosso setor turístico, por falta de pessoal, não venha a cair com a mesma velocidade com que tem vindo a subir. 

Quanto às causas para o fenómeno, elas são várias, apontando os inadequados salários, a quebra de fertilidade e a emigração de entre outros que os entendidos melhor saberão identificar. 


Uma coisa é certa, pessoal para trabalhar está difícil de encontrar, aparecendo isso sim alguns candidatos à procura de emprego!... 

Rui Canas Gaspar 

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2017-novembro-28

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Coisas de Setúbal 

No dia 3 de dezembro de 2009 era inaugurado o novo Mercado Abastecedor de Setúbal, numas instalações arrendadas na altura por 11 000 euros mensais.

O novo mercado prestes a fazer oito anos fica localizado na periferia da cidade de Setúbal, entre as Pontes e Alto da Guerra na Estrada nacional Nº 10.

Movido pela curiosidade hoje, dia 23 de novembro de 2017, fui observar o que resta de uma velha nora existente num amplo terreno onde até à data da inauguração deste mercado funcionou aquele outro que foi substituído pelo novo.

O espaço do desativado mercado fica junto ao quartel da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal e encontra-se completamente abandonado e sem que lhe seja dada qualquer utilidade, nem que fosse para os treinos daquela Companhia.

Dali já sumiu sem deixar rasto a vedação metálica, as tampas de ferro forjado dos coletores e quase tudo o que era metal, tendo-se apenas salvo um pouco das ferragens da antiga nora.

Curiosamente, despertou-me a atenção um pequeno espaço coberto de matagal e com alguns montes de entulho à volta. Ali podia-se ver uma pequena calçada feita com bem cortados cubos de granito e sobre uma base a placa que assinalava a data da inauguração.

Fosse porque motivo fosse, o que não é muito normal nestas coisas é não aparecer o nome de quem inaugurou o espaço. No entanto, a placa de mármore que por lá está desprezada contem a seguinte inscrição: “Mercado Grossista de Setúbal - Obra da Câmara Municipal – 8.11.93”

De facto a nossa cidade tem cantos e recantos que nos continuam a surpreender, umas vezes pela positiva, outras pela negativa e outras até que nos deixam a pensar!...

São coisas de Setúbal.

Rui Canas Gaspar

2017-novembro-23


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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Os franceses continuam a invadir Setúbal 

Não é a primeira vez que os franceses invadem Setúbal e provavelmente também não será a última. 

Já lá vão alguns anos que com as invasões francesas ordenadas por Napoleão Bonaparte por cá estiveram, tendo-se instalado por uns tempos até serem expulsos devido à sua indecente e má figura.  Mais tarde, porque a sardinha lhes faltou nas costas da Normandia, vários dos seus industriais aqui vieram assentar arraiais, tendo então instalado várias fábricas de conservas de peixe. 

Nos últimos anos tem sido o sol e a água salgada que lhes tem despertado o apetite e, Setúbal voltou a ser redescoberta, desta vez para os mais velhos aqui passarem longas temporadas. 

Primeiramente foram as casas na zona do Bairro Salgado que lhes despertou o apetite e, logo trataram de as comprar e recuperar, depois avançaram um pouco por toda a baixa da cidade. Alguns preferindo outro tipo de habitação começaram a adquirir apartamentos na Quinta da Saboaria, aquela que é a última urbanização a poente da cidade, localizada na estrada que vai para a Albarquel, urbanização que já começa a ser conhecida  por “bairro dos franceses”. 

Não é pois de admirar que de há uns tempos a esta parte seja comum escutarmos um pouco por toda a cidade conversas em língua francesa. 

Hoje mesmo, tive oportunidade de observar um grupo de quase duas dezenas de seniores gauleses que se divertiam no Parque Urbano de Albarquel com os jogos tradicionais, que iam do lencinho ao jogo de tração. 

É assim, Setúbal está na moda e não é por acaso que a cidade se encontra em franca expansão com largas dezenas de edifícios a serem recuperados, com restaurantes com muito boa afluência e com muitos anúncios afixados procurando empregados para os respetivos estabelecimentos. 

Temos de continuar a tratar bem a nossa cidade, a fomentar o turismo, a divulgar por todos os meios ao nosso alcance esta nossa boa terra, de forma a podermos gerar emprego para todos, de modo a que cada um dos nossos conterrâneos possa ganhar o suficiente para ter a qualidade de vida a que tem direito de acordo com a sua aptidão e esforço despendido. 

Em Setúbal já vivem pessoas oriundas de mais de seis dezenas de países do mundo, vindas de vários continentes. Mas, os europeus que descobriram ou redescobriram esta cidade maravilhosa foram de facto os franceses que continuam a invadir Setúbal. 

Rui Canas Gaspar 



2017-novembro-13

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Em Setúbal 25 anos depois, nova obra vai acontecer 

Há 25 anos quando a Praça Miguel Bombarda, o popularmente conhecido Largo de Jesus se encontrava em miserável estado com o piso em terra batida e onde na época das chuvas mal se podia circular, os setubalenses insurgiam-se contra esta inqualificável situação. 

Aproveitando o fluxo de apoios comunitários o socialista presidente da Câmara, Manuel da Mata de Cáceres, decidiu promover uma empreitada com vista a requalificar aquele largo de que resultaram os arranjos exteriores que ainda hoje podem ser observados. 

O tempo encarregar-se-ia de mostrar que a solução arquitetónica não foi a melhor tendo o local sido rapidamente transformado num parque de skate pela rapaziada e a escondida cascata transformada num local onde muitos vão urinar e defecar. 

Para além destes pormenores temos um muro que dificulta a visibilidade do monumento não o colocando em destaque como seria de supor. 

O curioso é que estes trabalhos no valor de noventa milhões trezentos e cinco mil novecentos e três escudos, qualquer coisa menos do que quinhentos mil euros, foram aprovados por unanimidade pelo executivo municipal, ou seja, por representantes de todos os quadrantes políticos. 

Um quarto de século passado, de novo se anuncia a remodelação daquele largo, desta vez apontando-se para o destaque do imponente monumento, colocando nele o foco principal de todo o espaço envolvente. 

Faço votos para que a comunista Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal tenha mais sorte com o projeto que irá ser aprovado para o Largo de Jesus e que todos nos possamos regozijar com aquilo que ali vai ser feito e, já agora, que esses trabalhos possam ficar por mais tempo do que uns meros 25 anos, pouco tempo para tanto dinheiro despendido. 

Rui Canas Gaspar 

2017-novembro-09 


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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A gigantesca árvore de natal setubalense já está a ser erigida 

Quando se trata de piadas onde mete gente indolente, regra geral o alvo preferido dos portugueses são os nossos amigos alentejanos. É claro que isso não os afeta e, até brincam com as anedotas que contam a seu respeito. 

Hoje conheci pessoalmente um alentejano, setubalense de coração, que certamente não será o melhor representante deste bom povo, dado que de indolente ele não tem nada.

Já nos conhecíamos do facebook e hoje encontramo-nos pessoalmente e aproveitamos para trocar dois dedos de conversa, pouco tempo, porque ambos tínhamos mais que fazer! 

Capacete na cabeça, colete refletor e luvas, aí estava ele em ação conjuntamente com uma equipa de pessoal que preparava a base da gigantesca árvore de natal que está a ser montada em Setúbal, na Avenida Luísa Todi. 

Este ponto de atração irá atingir uma altura ligeiramente acima do recuperado prédio do arco da Ribeira Velha, de sua propriedade, e os custos financeiros desta monumental estrutura natalícia serão suportados por este dinâmico investidor, que já vai com meia dúzia de edifícios recuperados ou em fase de recuperação, só na nossa cidade. 

A encimar a árvore será colocada uma grande estrela luminosa e será também junto à mesma que ficarão patentes diversas fotos captadas na baixa de Setúbal por talentosos fotógrafos amadores, no âmbito de um concurso promovido por uma das suas empresas. 

Este foi um agradável encontro onde tive o prazer de conhecer pessoalmente alguém que embora fale bem, faz muito mais e melhor em prol desta dinâmica e imparável cidade de Setúbal. 

Tive muito prazer em conhecer pessoalmente o meu amigo Constantino Modesto, um homem que de indolente nada tem, tal como a generalidade daqueles outros oriundos das grandes planícies alentejanas. 

Rui Canas Gaspar 



2017-novembro-08

sábado, 4 de novembro de 2017

Quem quer fazer um pequeno exercício? 

Se olharmos para a entrada do Convento de Jesus, em Setúbal, verificamos que o mesmo se encontra a cerca de dois metros abaixo do nível da Avenida 22 de Dezembro. Certo?... 

Ora sabemos que a Ribeira do Livramento (agora encanada) passa ao lado deste monumento e quando o mesmo foi terminado em 1496, ou seja já lá vão 526 anos, o mesmo estaria seguramente a um nível ligeiramente inferior à cota de soleira. 

Em números redondos isso significa que aquela zona da baixa de Setúbal subiu em média 0,004 por ano. Pouca coisa, mas o suficiente para atingir os tais 2 metros. 

Se hoje ao olharmos para a beira-mar verificamos que a água está a uns escassos 0,50 (se tanto) para transpor a muralha, significa que se a cidade não tivesse alteado teríamos metro e meio de água, em altura, a invadir-nos, ou seja teríamos água salgada até ao Estádio do Bonfim. 

A questão que se coloca é simples. Ora se com as alterações climáticas os oceanos estão a subir com maior rapidez e se a cidade não subir na mesma proporção (pelo menos à beira-mar) o que é que vai acontecer a Setúbal dentro de alguns poucos anos? 

Pois quem souber que responda e, quem puder fazer alguma coisa que o faça! 

Rui Canas Gaspar 

2017-novembro-03 


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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Generosidade e solidariedade não é palavra vã 

Quando forem seis horas da manhã de quarta-feira dia 1 de Novembro, feriado em Portugal, quando muitos aproveitarão para descansar um pouco mais outros trabalharão de forma voluntária para generosamente servir ao próximo. 

A essa hora matutina uma pequena caravana partirá da baixa de Palmela rumo ao Norte para entregar em Vouzela mais um carregamento de dádivas conseguidas em Setúbal e arredores. 

Tive oportunidade de fazer a doação familiar e depois, esta noite, conjuntamente com uma equipa de voluntários mórmons, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ajudar a carregar um camião com tudo e mais alguma coisa, armazenado nas instalações do Grupo Desportivo e Cultural Idolos da Baixa (de Palmela…) 

Embarcamos desde camas a colchões, passando pelo material de escritório, de roupas de cama a agasalhos, de sacos de cimento a ferramentas, de sementes a caixas de batatas, de géneros alimentícios a rações para animais, de árvores frutíferas a pinheiros. Uma infindável lista a que até não faltou até um carregamento com algumas toneladas de feno. 

Curiosamente o voluntário motorista do camião, pediu a viatura emprestada ao patrão e este ao saber a finalidade a que se destinava logo lhe disse que a levasse e não se preocupasse com as despesas de combustível e portagens que seriam suportadas pela empresa. 

Os portugueses são assim, se não são os primeiros em generosidade e solidariedade estão seguramente à frente dos segundos, prova disso são os múltiplos carregamentos angariados e já enviados para o Norte pelas diferentes equipas de voluntários de Igrejas, coletividades, empresas e grupos de cidadãos. 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-31

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Será que vem aí mais alterações rodoviárias para Setúbal? 

Hoje recebi duas simpáticas cartas da Autoridade Tributária e Aduaneira dando conta de “uma pipa de massa” que tenho de pagar de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) no próximo mês de novembro. 

Este imposto veio substituir um anterior e destina-se aos cofres da autarquia sadina, que para  além de outras receitas e é com elas que a Câmara Municipal faz frente às despesas de manutenção da cidade e promove o seu desenvolvimento. 

Tal como os restantes cidadãos contribuintes darei os meus impostos por bem empregues se vir bons resultados e o contrário também é verdade. 

Julgo que não estamos em altura de mudar visuais, só porque de outra forma ficará mais bonito, mas sim de fazer coisas de raiz, de preferência necessárias e úteis. 

Daí que, por exemplo,  sendo a favor da construção do Parque Urbano da Várzea, que entendo ser uma necessidade premente por vários motivos e mais um, já não o sou no referente à deslocalização do viaduto das Fontainhas, porque poderá aguardar para quando tivermos mais dinheiro. 

Mas, de entre as coisas boas que hoje constatei foi a colocação de artísticos pinos e novas floreiras na Rua Vasco da Gama, no meu bairro de Troino, e o que não gostei foi notar que o meu dedinho que adivinha quando vem mau tempo me ter confidenciado que alguém estava a preparar-se para fazer uma “revolução” junto à doca dos pescadores no tocante à retirada do trânsito daquele local. 

Tenho mais medo do serviço de trânsito de Setúbal que o diabo tem da cruz, salvaguardando naturalmente as necessárias rotundas. 

Por isso meus amigos tenhamos cuidado com os projetos de trocas e baldeirocas, porque o dinheiro é um bem raro e está escasso, depois é bom lembrar que a ser verdade o que o meu dedinho adivinha, teremos de não esquecer que primeiro deve ser acautelado o estacionamento automóvel de entre outras importantes vertentes. 

É claro que isto digo eu que sou leigo na matéria e apenas um de entre os muitos pagadores de impostos cá do burgo. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-26 


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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Em Setúbal vamos construir o PUV ou ficamos pela metade? 

Alegrei-me ao ler ontem a notícia publicada pelo “Diário da Região” apresentando o leque de intenções para estes próximos quatro anos de novo mandato da presidente da Câmara Municipal de Setúbal, porquanto gosto de ver a minha terra progredir. 

Embora existam ali, a meu ver, obras que considero não prioritárias, o facto é que o executivo tem a legitimidade democrática atribuída pelos votos expressos nas urnas e como tal tenho de respeitar as suas opções. 

O que me deixou apreensivo foi ler que no tocante ao Parte Urbano da Várzea se propõe construir as bacias de retenção de águas pluviais e, ponto final. 

Pensava eu que era neste mandato que finalmente se iria defender a cidade do ponto de vista ambiental, construindo de vez o PUV, atendendo a que aquele espaço constitui a última fronteira entre o betão e a natureza. Mas será que nestes 4 anos apenas ficarão contempladas, a fazer fé na notícia, as bacias de retenção? 

Então e o restante da avenida já começada? E a avenida de atravessamento junto aos “pelézinhos”? E a recuperação de alguns dos antigos equipamentos agrícolas? E a ciclovia envolvente? E a recuperação do emblemático mirante da Quinta da Azeda? E o mais importante, a plantação de árvores e plantas, ofertadas pela Portucel, conforme oportunamente anunciado? 

Faço votos para que o PUV seja uma realidade neste mandato da presidente Dores Meira, pois ele poderá representar a cereja em cima do bolo e ela poderá então sair pela porta grande. 

Que este não só útil como necessário projeto, que é também uma importante arma antipoluição, não fique no papel como aconteceu outros já anunciados com pompa e circunstância e que não passaram apenas e só de boas intenções. 

A nossa terra tem condições para ser uma cidade verde e necessita disso como pão para a boca, atendendo à malha industrial de que dispomos. Os bosques urbanos são uma forma de melhorar as condições de habitabilidade e de bom ambiente nas cidades. 

A imagem da várzea, despida de árvores, captada neste mês de outubro de 2017, quando o país perdeu boa parte da sua mancha verde, foi uma gentil oferta que o amigo Ricardo Ramoz, da Droneworldview me fez. 

Gostaria que em outubro de 2021 idêntica imagem fosse captada do mesmo ângulo mostrando não uma imensa zona despida de verde mas sim repleta de verde e onde os projetados lagos fossem  igualmente uma realidade. 

Setúbal tem necessidade deste pulmão verde, temos capacidade para o fazer, temos condições para o concretizar, não nos fiquemos apenas pelas boas intenções, ou por trabalhos começados e não acabados. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-20 


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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ora já sabem que eu estou aqui? 

Por força da minha atividade hoje passei boa parte da manhã na zona do Miradouro de São Sebastião e ali tive oportunidade de conversar com vários antigos moradores da zona e com alguns turistas nacionais e estrangeiros que demandaram aquele magnífico e ímpar lugar. 

Também mais uma vez estive a apreciar com alguma calma a obra de ampliação que foi levada a cabo no Museu do Trabalho destinada a um estabelecimento de cafetaria ou similar. 

Passados vários meses sobre a conclusão da mesma verifico que o espaço está fechado e sem qualquer utilidade, embora os trabalhos de construção civil tenham sido alvo de empreitadas com vista ao seu rápido acabamento. 

Os motivos porque aquilo onde se gastou tanto dinheiro estar inoperacional e sem utilidade parece começarem a ser do domínio público, por isso, nem vou aqui comentar. 

O que me chamou a atenção foi para a única peça que se encontra ali dentro, embrulhada em plástico já com alguma visível poeira, não só em cima dela mas no próprio espaço. 

Trata-se do emblemático triciclo onde o popular “Ervilha” transportava os seus famosos e deliciosos gelados, onde ficou célebre de entre outros o tradicional pregão: “Ora já sabem que eu estou aqui?” 

Não me vou alongar mais e vou terminar esta nota com uma simples pergunta e sugestão. 

Será que daria muito trabalho que se desse uma limpeza naquele espaço? E, já que lá está, porque não tirar os plásticos do triciclo, limpá-lo e coloca-lo ali mesmo em exposição com uma placa de dimensão adequada à leitura de quem passasse naquela artéria? 

E já agora, aproveitando a boleia. Que tal colocar as pedrinhas na calçada nos vários espaços onde se encontra em falta naquela turística e característica zona? 

É que, assim como assim, sempre se daria alguma utilidade a uma obra dispendiosa, até que nas condições em que está apareça alguma “ave rara” que vá pegar naquele espaço de cafetaria para o explorar. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-19 


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