notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Setúbal acompanha os tempos e o vento de feição 

Foi na Escola Industrial e Comercial de Setúbal, quando era menino, que aprendi caligrafia e a arte de bem escrever as letras inglesa, francesa e gótica, habilmente ensinadas a milhares de setubalenses pelo professor Camalhão. 

Mas, provavelmente este homem de ar severo não teria sido professor se não tivesse um pai com possibilidades financeiras acima da média, atendendo aos tempos difíceis que então se vivia na nossa terra. 

Seu pai era horticultor e mandou erigir algumas casas na Horta da Rã, ao lado da Quinta das Rosas, onde hoje está a funcionar o Mac’Donalds, no Rio da Figueira. Por isso não é de admirar que a horta também fosse conhecida pela Quinta do Camalhão. 

E foi precisamente neste espaço, que se encontrava desativado das suas funções agrícolas há bastantes anos que hoje pude assistir a três máquinas em operações, uma que derrubava as construções, outra que tritorava o entulho transformando-o de novo em terra e a terceira que recolhia a madeira velha. 

Muito mais rápido que o amigo Camalhão haveria de supor as suas construções foram transformadas de novo em terra, embora por ali ainda não seja visível qualquer anúncio obrigatório sobre a demolição em curso ou a obra que irá ser erigida. 

Sabe-se, no entanto, que naquele espaço irá nascer um supermercado Continente, com um piso subterrâneo destinado ao necessário parqueamento, coisa que o Mac’Donalds não previu e por isso utilizou parte do terreno do vizinho temporariamente, sofrendo agora as consequências com a quebra de clientela. 

Aquela zona da cidade dentro em breve estará irreconhecível, não só com esta construção mas porque também o velho edifício frente ao restaurante e onde se localiza a conhecida taberna “Vendaval” já foi vendido e em breve será também alvo de obras de recuperação. 

Setúbal acompanha os tempos e ventos que sopram de feição alindando-se e modernizando-se. Quer os particulares quer a autarquia estão a fazer as coisas acontecer, o que naturalmente será bom para todos os setubalenses e para quem nos visita. 

Rui Canas Gaspar
2017-maio-19

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terça-feira, 2 de maio de 2017

O meu obrigado ao Hospital de São Bernardo 

Nos anos seguintes à revolução de 25 de abril de 1974 muitos casais setubalenses optavam por ir ter os seus bebés a clínicas particulares de Lisboa, duvidando dos recursos disponibilizados pelo nosso Hospital de São Bernardo. 

Em nossa casa discutimos o assunto e optamos por este hospital para local de nascimento dos nossos filhos, sem nunca nos termos arrependido da decisão tomada devido ao impecável tratamento de que fomos alvo. 

Das raras vezes que tomei contacto com os seus serviços nunca tive razão de queixa, embora por vezes o tempo de espera para quem está doente seja sempre preocupante. 

Este ano devido à doença que afetou o meu pai tive de ir lá por três vezes e de todas elas fomos atendidos com a máxima eficiência e profissionalismo, surpreendendo-nos o facto de a última consulta estar marcada para as 16,00 e faltavam dois minutos para a hora agendada quando o altifalante nos chamava para o consultório médico… 

Independentemente da pontualidade, os dois médicos que nos atenderam, foram de um profissionalismo e sensibilidade indescritível, mostrando-se muito bons conhecedores do processo clínico do paciente. 

Já tenho acompanhado doentes a hospitais particulares onde os médicos quase nem levantam a cabeça para olhar o doente recebendo-nos como se de um frete se tratasse. 

Igualmente tenho ido a consultórios particulares onde os horários não são para cumprir e onde se paga a peso de ouro. 

Se eu tivesse de classificar, numa escala de 0 a 20, certamente não daria menos de 19 ao Hospital de São Bernardo, um estabelecimento de que muito me orgulho enquanto setubalense. 

Cada um tem a sua experiência, eu tenho a minha, e deixo este testemunho e agradecimento pela forma como sempre tenho sido bem atendido neste hospital público, sem “conhecimentos” e sem “cunhas” mas como simples cidadão setubalense. 

Rui Canas Gaspar

2017-maio-02