notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

domingo, 23 de agosto de 2020

“Pau da Consolação”  ou democraticamente quem manda aqui sou eu ?

Nascido e criado nesta terra setubalense, já lá vão alguns anitos, nunca por aqui escutei o termo de “Miradouro de Albarquel” como agora alguém decidiu batizar aquele espaço, mas sim “Pau da Consolação”.

Que o espaço agora intervencionado está mais agradável, lá isso está. Que embora à volta do banco  algumas peças da brecha da Arrábida se encontrassem danificadas lá isso é verdade, embora outras pudessem ficar integradas no arranjo envolvente do pinheiro manso, ícone daquele espaço.

Porém o foco do meu comentário é mesmo a nova designação do espaço, com o qual discordo, entendendo que deveria ser mantida a terminologia por que é efetivamente conhecida entre as gentes da nossa terra.

A interpretação do termo “Pau da Consolação” cada um dará a que lhe aprouver,  sendo seguro que uns se consolaram ali namorando, outros traindo, outros bebericando, outros apreciando a paisagem, outros inspirando-se, etc. etc.

Pela minha parte dezenas de vezes ali parei para descansar de longas caminhadas quando andava por aquelas bandas da Arrábida de mochila às costas. Uma consolação!...

Era  ali à sombra do grande pinheiro manso, que o falecido chefe escuteiro Joaquim Oliveira, caixeiro viajante, muitas vezes ia redigir  a nota de encomenda dos tecidos pedidos  pelos comerciantes da baixa aproveitando esse momento para depois fazer uma reconfortante sesta.

Porque carga de água agora algum iluminado resolve mudar o nome ao espaço?  Faz-me isto lembrar a mudança do nome de outra rua da nossa baixa, a de João Galo para Mareantes. Sim porque com a mudança toponímica acabaram-se as casas de prostituição na cidade…

Em  Setúbal, terra milenar, a despeito  de poder modernizar, devemos  ter em conta o património edificado e as tradições do nosso povo, não  descaracterizando ao ponto de qualquer dia desconhecermos a terra dos nossos pais e avós, isto porque  alguns dos que aqui chegaram optaram por um conjunto de alterações baseados no  “democraticamente quem manda aqui sou eu”.

Rui Canas Gaspar

2020-agosto-23

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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

 

O saboroso peixe assado setubalense

A ilha de fogareiros e expositores de peixe que serve os três restaurantes localizados na Praça Machado dos Santos, popularmente conhecida por “Fonte Nova” não deixa de fumegar enquanto muitos setubalenses e forasteiros se deliciam com o saboroso peixe assado, debaixo das frondosas árvores daquele típico largo de Troino.

As antigas tabernas, agora transformadas em restaurantes, em meados do século passado não serviam os clientes tal como hoje, mas sim, estes, normalmente pescadores e descarregadores, traziam o seu peixe para assar e a taberna fornecia o fogareiro e o carvão e eram os próprios clientes que assavam o peixe, pagando depois ao taberneiro o “aluguer” do fogareiro, o carvão e mais aquilo que consumisse,  nomeadamente o pão e o vinho.

Horácio Cipriano, 78 anos, dono da Casa Morena, uma antiga taberna que assumiu esta designação porque o seu proprietário é natural de Grândola, localidade imortalizada por Zeca Afonso como a “Vila Morena” foi um dos pioneiros a servir o peixe assado tal como hoje conhecemos servindo-o assim há quase quatro décadas.

Mas assar peixe não é para qualquer um, nem sequer é só colocar em cima da grelha, que o diga Horácio Cipriano que estando aos comandos deste popular espaço não entra na ilha onde o peixe é assado. Ali quem domina  é  dona Fernanda, sua esposa, e segundo confidencia este nosso amigo o peixe é o mesmo, o lume é o mesmo, mas se for ele a tratar o assado nunca sai tão bom com o de sua esposa.

A antiga taberna, inaugurada em 1929, outrora local de convívio de tantos pescadores de Setúbal é hoje um espaço muito bem  frequentado sobretudo por setubalenses que sabem apreciar o bom peixe  que cada vez mais escasseia naquela que já foi a nossa  produtiva costa atlântica.

Rui Canas Gaspar

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2020-agosto-13

quinta-feira, 6 de agosto de 2020


A elevação de Setúbal à categoria de cidade

O jovem rei D. Pedro V ainda não tinha completado 23 anos quando na quinta-feira, dia 19 de abril de 1860 assinou o decreto real, no Paço das Necessidades, que elevava a “notável villa” de Setúbal à categoria de cidade.

Foram necessários deixar passar quase dois anos desde aquele dia 14 de julho de 1858 para que fosse deferido o requerimento redigido pela vereação da Câmara Municipal solicitando a Sua Majestade a graça de “aumentar o esplendor e a grandeza da povoação”.

Para além da sua História, do seu importante porto e do seu comércio com o exterior um outro motivo também invocado pelo presidente da autarquia, Aníbal Álvares da Silva e sua vereação era o facto de Setúbal rivalizar em importância e população com todas as cidades do reino, com exceção de Lisboa e Porto.

Para assinalar esta importante data junto dos seus cidadãos, Setúbal tem apenas uma pequena rua com o dia e mês, sem que a mesma faça alusão a este acontecimento histórico, comemorado com grande euforia pelos nossos antepassados.

Foram precisos deixar passar CEM ANOS para que um grupo de cidadãos tomasse a iniciativa de mandar implantar um digno monumento que nem mesmo ele publicita a data, sendo vulgarmente conhecido por “fonte luminosa” mas cuja designação oficial é “Fonte do Centenário”.

Rui Canas Gaspar

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2020-agosto-06


domingo, 2 de agosto de 2020

Sardinhada na Fonte Nova ao som de boa música

Se a sardinha está boa os carapaus não se ficam atrás e, por isso, não é de admirar que os muitos e bons restaurantes sadinos vocacionados para o peixe assado estejam nesta altura muito bem frequentados.

Que o digam aqueles que operam com as suas esplanadas sob as frondosas árvores na velhinha Fonte Nova, no coração do típico Bairro de Troino.

Não é pois de admirar que os lugares estejam todos ocupados, sobretudo ao fim de semana e com muitos clientes a  aguardar vez para se poderem sentar.

No sábado para alegrar os comensais apareceu um trio, dois violas e um baterista, que durante alguns minutos animaram aquele espaço, tendo sido aplaudidos pelo público presente que acabou por contribuir monetariamente para ajudar estes profissionais tão afetados profissionalmente pela pandemia.

Se as pessoas não vão à música a música vem às pessoas!

Parabéns para os dois setubalenses e para o simpático alentejano que integra o agradável trio musical que alegrou o saboroso almoço degustado sob uma fresquinha brisa troineira.

Rui Canas Gaspar

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2020-Agosto-01