notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sábado, 22 de julho de 2017

Coisas de Setúbal vistas na várzea logo de manhã cedo 

Nesta agradável manhã de sábado praticamente não se via ninguém aqui pelas minhas bandas quando encetei a caminhada ao longo da Avenida da Europa, passando depois para a antiga Estrada dos Ciprestes para melhor poder observar o que resta das antigas quintas da várzea de Setúbal. 

Parei algum tempo a observar os trabalhos de limpeza de terreno na Quinta da Azedinha, frente à antiga central das águas, onde uma equipa desmatava matos e canavial e uma máquina ia triturando todo aquele material, numa louvável medida de prevenção de fogos. 

À entrada da Azinhaga de São Joaquim, virei à esquerda e passei junto ao campo de futebol dos Pelezinhos. 

Por ali não vi ninguém e já no final da vedação daquele recinto desportivo reparei que estava uma carrinha que me pereceu não ter ninguém dentro, porém para meu espanto quando estava mais perto notei que tinha condutor que de imediato colocou o motor a trabalhar e saiu daquele local na direção do Lidl. 

Ali onde me encontrava quase junto ao campo dos Pelezinhos está um dos antigos tanques de rega da Quinta do Paraíso e foi aí, na base do mesmo, que reparei numa espécie de altar, que me pareceu ter pouco tempo de ser construído, onde estavam as oferendas que fotografei. 

Dois molhos de velas, umas pretas e outras vermelhas; três caixas de fósforos já abertas; três garrafas de cachaça cheias mas sem tampa; três copos e três charutos. De facto quem quer que seja que ali colocou todos estes produtos e se tivesse intenção de os consumir na totalidade não deveria ficar com a cabecinha em muito boa forma!... 

Prossegui a caminhada e deu para observar as ratazanas que corriam ao longo do leito da ribeira agora transformada em esgoto a céu aberto, dos negros melros de bico amarelo que por ali esvoaçam e até um qualquer outro animal que por ali correu veloz escondendo-se no canavial, sem que percebesse se se tratava de gato selvagem, saca-rabos, raposa ou outro qualquer. 

Já prestes a completar a volta e antes de chegar de novo à Avenida da Europa, junto à rotunda dos vasos, lá estava uma outra máquina a limpar todo aquele vasto terreno, triturando as ervas e matos secos para prevenir o fogo. 

É bom sair pela manhã cedo e apreciar estas coisas de Setúbal, ainda que algumas delas sejam, de facto, bem esquisitas. 

Rui Canas Gaspar
2017-julho-22

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Conhece as hortas urbanas de Setúbal ? 

As hortas urbanas de Setúbal são espaços de produção agrícola, desenvolvidos por um conjunto de habitantes para quem a atividade primária representou, provavelmente para muitos deles, uma aventura devido a ser este o primeiro contacto real com a terra. 

A cidade dispõe já de 148 parcelas de terreno com uma área de 30 M2 cada onde outros tantos agricultores urbanos cultivam sem o recurso a produtos químicos os mais diferentes produtos agrícolas. 

De notar que para além destes espaços foram disponibilizados outros dois talhões mais elevados, adaptados a pessoas com mobilidade reduzida. 

Todas as parcelas estão ocupadas e os agricultores pagam 7,5 euros mensais à autarquia para poderem usufruir de equipamentos coletivos, de guarda de ferramentas, vigilância do espaço, utilização de infraestruturas de apoio e consumo de água. 

As hortas ficam localizadas na Várzea de Setúbal numa zona de fronteira entre a cidade e o campo, em terrenos bastante férteis onde a autarquia investiu algumas dezenas de milhares de euros na criação de condições infraestruturais e de preparação do terreno. 

Este projeto iniciado já lá vão quatro anos pode dizer-se que é uma aposta ganha, atendendo ao entusiasmo dos seus utilizadores e à significativa produção agrícola que ali é produzida e que certamente vai contribuir para aumentar as receitas (ou diminuir as despesas) de mais de uma centena de agregados familiares. 

Rui Canas Gaspar

2017-julho-14

terça-feira, 11 de julho de 2017


As nossas “Marias” hoje levaram uma boa esfregadela 

Uns chamam-lhe “Fonte das Ninfas” outros “Fonte Luminosa”, porém o seu verdadeiro nome é “Fonte do Centenário” e foi edificada precisamente para comemorar o primeiro centenário da elevação de Setúbal à categoria de cidade. 

Em 1960 o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, deslocou-se à nossa cidade para inaugurar este monumento mandado erigir, em parte, graças aos donativos recebidos da generosa e bairrista população setubalense. 

Quando foi inaugurada a fonte tinha apenas a sua base decorada com os treze brasões dos concelhos que compõem o Distrito de Setúbal, só mais tarde ela seria completada com as três estátuas de figuras femininas representando as graças com que a cidade foi abençoada: A Terra, o Mar e a Poesia. 

As estátuas são da autoria do escultor portuense Arlindo Rocha e foram colocadas na fonte em Junho de 1971, encontrando-se agora a obra completa, embora algumas pessoas insistam em dizer que falta algo em cima da cabeça das meninas, mas não, elas estão ali tal como vieram ao mundo e nada lhes falta. 

Quem parece que não é da mesma opinião são os pombos e ultimamente as gaivotas que para ali vão e com os seus dejetos a que se juntam as areias e outros detritos levados pelos ventos fazem com que as águas da fonte tenham de ser frequentemente substituídas e a mesma devidamente lavada. 

Foi precisamente isso que hoje, dia 11 de julho de 2017 aconteceu. 

À volta de tão importante monumento e das simpáticas meninas uma equipa de operários da nossa autarquia apoiados por meia dúzia de veículos atarefaram-se a dar uma boa esfregadela como já há algum tempo não acontecia. 

Assim sendo, vamos agora ver as “piquenas” bem como a sua “banheira” mais desencardidas e brilhando em todo o seu esplendor como todos nós gostamos de admirar. 

Rui Canas Gaspar 

2017-julho-11 


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma manhã a apanhar beatas na Praia da Figueirinha

A manhã estava agradável, sem o insuportável calor que se tem feito sentir e, a despeito do muito que tinha para fazer, decidi aceitar o convite de minha mulher para dar uma volta pela magnífica Serra da Arrábida.
Ainda não eram 10,00 horas e já contávamos cerca de meia centena de autocarros e muitas carrinhas de transporte de crianças que estacionavam entre o Parque de Campismo do Outão e a Figueirinha. Deu para reparar que outras tantas, ou mais, chegariam àquela praia durante a manhã.
Calmamente, sem qualquer tipo de confusão estacionei a minha viatura no parque de estacionamento e fui esticar as pernas. Foi então que reparei numa pequena equipa de voluntários que de xalavar na mão, ou de luvas calçadas, andava pelo areal a apanhar pontas de cigarros.
Sem qualquer protocolo, juntamo-nos à equipa e lá andamos durante cerca de hora e meia percorrendo o areal a apanhar “beatas”, pensando eu que esta boa ação seria para o deve e haver nas contas que teria de prestar por nos anos em que fui fumador ter algumas vezes deitado para o chão as pontas dos cigarros.
A praia continuava a encher, os autocarros não paravam de chegar e no final da manhã eram na ordem dos milhares as crianças com os seus coloridos chapéus ou as suas diferentes camisolas já enchiam aquele espaço.
A organização das diversas escolas e ATLs que demandam aquela praia de bandeira azul é verdadeiramente notável, não só pelas cores que as distingue como pela forma como os grupos dispõem as toalhas e mochilas no areal e até como outros, com improvisadas bandeiras, sinalizam as suas “tropas”.
A Praia da Figueirinha é um espanto, nestes dias de Verão, durante a semana é a alegria e a organização com a criançada, sem confusões nem engarrafamentos, aos fins de semana a coisa pia de outra maneira com os crescidos a fazerem das suas e por vezes a roçar o caos.
Por isso, prefiro sempre que possa juntar-me às crianças e usufruir da sua genuína e contagiante alegria, tal como o seu patente voluntarismo do que a certos grupos de adultos que só geram confusão em boa parte devido ao seu tremendo e estupido egoísmo.
Rui Canas Gaspar
2017-julho-05

domingo, 2 de julho de 2017

Jovens setubalenses apoiaram as vítimas dos fogos 

A tragédia abateu-se sobre o povo português com os fogos a devastarem viçosas florestas, secos pastos, ceifando vidas e destruindo casas, como por cá nunca se tinha visto. 

Aos esforçados bombeiros, juntaram-se no combate as forças de segurança, de saúde, e populares de forma a fazer frente a esta anómala situação. 

Após a tragédia seguiu-se uma onda de solidariedade com a tradicional generosidade portuguesa a responder em força, fosse com o depósito de avultadas verbas ou pequenas dádivas, fosse na forma de organização de espetáculos, fosse até na doação de alimentos, roupas e medicamentos. 

E tal foi o volume de dádivas chegadas às zonas sinistradas que as estruturas locais não tinham meios para lidar com tantos e diferentes artigos. 

Logo os esforçados presidentes das autarquias locais trataram de pedir voluntários para os ajudar e foram muitos os Escoteiros, os Escuteiros e jovens de diversas organizações que responderam ao apelo, deslocando-se para a zona do sinistro a fim de colaborarem na triagem, seleção e construção de kits de emergência e apoio. 

No sábado, dia primeiro deste mês de julho de 2017, logo de madrugada, um grupo de meia centena de jovens cristãos, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos embarcaram com destino a Pedrogão Grande. 

A solidariedade não é palavra vã e porque os mórmons, como também vulgarmente são conhecidos,  gostam de citar a escritura bíblica “Uma fé sem obras é uma fé morta” os jovens voluntários integrados no programa “Mãos que Ajudam”  trataram de dar o melhor de si no trabalho de apoio nesta importante tarefa, sabido que as boas vontades também vem acompanhadas de alguns inconvenientes. 

Assim, roupas, calçado e outros artigos que não estavam em condições de serem doados foram selecionados como lixo o mesmo tendo acontecido com alguns medicamentos ofertados e que estavam fora do prazo de validade. 

Hoje escutei  alguns  jovens mórmons setubalenses que participaram nesta ação e que depois de darem o seu melhor ao serviço dos mais necessitados, confidenciaram a sua satisfação por o terem feito e manifestaram o desejo de lá voltar para mais uma vez ajudar quem ainda tanto necessita. 

Obrigado jovens da minha terra pela generosidade que manifestaram de uma forma tão ativa e prática. 

Rui Canas Gaspar 

2017-julho-02 



(foto ilustrativa de outra ação “Mãos que Ajudam”)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Atlântico e o Sado conspiraram para oferecer a Setúbal uma nova pérola 

O inesquecível “monte branco” local de tantas brincadeiras daqueles felizardos  que nos seus tempos de juventude demandaram o Portinho da Arrábida desapareceu definitivamente , deixando no seu lugar uns vulgares rochedos, iguais a tantos outros. 

O Atlântico  decidiu que era tempo de mudar aquele monte de areia e levá-lo para outro lugar. Vai daí, conversou com o Sado e em comum decidiram que o areal seria transferido para Setúbal de forma a fazer aqui uma ampla praia de areia branca como existia antes da construção das muralhas e docas que hoje os setubalenses tão bem conhecem. 

Calma, silenciosa e pacientemente o Atlântico começou o seu árduo trabalho de retirada daquele enorme, fino e branco monte de areia e o Sado dedicou-se com afinco ao trabalho de a repor ali junto ao canto da popularmente conhecida estacada do carvão. 

E assim, sem grande alarido o Sado já conseguiu para ali transportar algumas toneladas de areia que estão já a cerca de um metro do topo da muralha, junto à estacada. 

O Sado de forma discreta e eficiente correu dali com o vetusto  barco EVORA fazendo com que na maré vazia ficasse com as hélices em seco. 

O Sado agora está muito contente e feliz, pois já vê, sobretudo na maré baixa, uma ampla praia que vai do novo “monte branco” frente ao edifício dos cacifos dos pescadores até à Praia dos Cantoneiros, junto à Gávea. 

Se um destes dias alguém quiser dar uma ajudinha, coisa que o Sado agradece, Setúbal será então bafejada com a sorte de ter uma das mais belas e compridas praias urbanas de Portugal e tudo isto graças ao complô destes dois nossos amigos, o Atlântico e o Sado de quem tanto gostamos e que cobiçamos sobretudo as suas lindas roupagens de cor azul, agora cada vez mais debruadas a branco. 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-30 


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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quem conhece João Raposo um resistente homem da cultura ?

João Carlos Raposo Nunes, poeta e livreiro, uma figura bem conhecida do mundo da cultura, também conhecido como competente alfarrabista, é o homem que dá corpo à Livraria Uni Verso, um pequeno templo da cultura erigido por ele no passado ano de 1989 e que muitos setubalenses não dispensam de visitar com regularidade.

João Raposo, como é conhecido pela generalidade dos setubalenses, nasceu em Lisboa no ano de 1955 e por cá se radicou e criou raízes, tendo até colaborado com o jornal O SETUBALENSE onde durante alguns anos manteve a  rubrica cultural “Arca do Verbo”.

O poeta livreiro tem o seu pequeno espaço na baixa da cidade, no número 13 da Rua do Concelho, nas traseiras dos Paços do Concelho, ali bem perto da delegação de Setúbal da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, onde vende livros novos e usados a partir de 1 euro.

De facto é uma guerra pela sobrevivência aquela que João Raposo trava todos os dias para manter a porta aberta ao público, um público que teima em relegar a cultura para segundo plano, num país onde a produção de bens culturais não é feita em larga escala e cujos artigos continuam a ser taxados por quem deveria olhar de forma diferente para este importante aspeto da vida dos cidadãos.

Rui Canas Gaspar

2017-junho-29

terça-feira, 27 de junho de 2017

Precisamos em Setúbal de passadeiras mais bem identificadas 

Segundo me informou um agente da P.S.P. a maior parte dos acidentes em Setúbal acontecem precisamente nas passadeiras de atravessamento das vias, local teoricamente mais seguro. 

Os condutores setubalenses desde há muito que se habituaram a respeitar os peões aquando no atravessamento nas passadeiras, lembro-me de logo  após a revolução de 25 de abril ter organizado uma ação com os escuteiros onde fizemos e distribuimos aos condutores algumas centenas de panfletos sobre este assunto quando o trânsito era incomparavelmente menor do que é hoje. 

Seja por falta de perícia, descuido, ou por qualquer outro motivo o facto é que os acidentes acontecem. 

As tintas aplicadas na marcação das nossas vias tem um reduzido tempo de duração e rapidamente são apagadas e os automobilistas por vezes deixam também de as ver, e se não repararem na sinalização vertical pior um pouco. 

No vizinho concelho de Palmela optou-se, e bem, pela colocação de um holofote sobre as passadeiras, com a particularidade do suporte ser de secção quadrada e pintado de amarelo e negro, o que à distância dá logo para identificar a zona da passadeira. 

Em Setúbal também existem meia dúzia de passadeiras bem sinalizadas com luzes led colocadas no pavimento, o que é uma boa ajuda a quem conduz à noite. 

Para bem de peões e automobilistas convém que este assunto seja rapidamente tomado na devida conta e que se generalize a colocação de luzes led no pavimento a par de devida repintura das desaparecidas passadeiras. 

Rui Canas Gaspar
2017-junho-27

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vai ser inaugurado em Setúbal o monumento dos golfinhos 

Foram necessárias 30 toneladas de ferro e chapa de aço para se erigir o monumento evocativo do 25 de Abril e das Nacionalizações, inaugurado no dia 1 de outubro de 1985 e que podemos apreciar na rotunda da Praça de Portugal. 

Esta era provavelmente a mais pesada obra de arte que embelezava a nossa cidade e que agora vai ser destronada pela escultura dos golfinhos, erigida na Praça 25 de Abril de 1974, vulgarmente conhecida como a “Rotunda do Alegro”.

Para a construção deste novo elemento escultórico foram adquiridos no Alentejo uma dezena de blocos de pedra mármore totalizando mais de 200 toneladas, nos quais o escultor Carlos Andrade fez nascer um conjunto de brincalhões golfinhos. Uma forma de homenagear estes simpáticos habitantes do nosso Rio Sado. 

Hans-Peter Buehler e sua esposa Marion cidadãos alemães radicados em Setúbal e que deram corpo à fundação que porta o seu nome, são os responsáveis por este enorme monumento que já embeleza a principal entrada na cidade de Setúbal. 

O casal acompanhou de perto todo o projeto, tratou de arrendar o espaço para a execução da obra de arte, pagou a pedra, o transporte, o artista e mesmo depois de ter gasto uma pequena fortuna, que oferecem à cidade, ainda são eles os anfitriões no dia 29 deste mês de junho de 2017 do cocktail que assinala a inauguração da obra. 

Setúbal tem de estar forçosamente reconhecida a quem a tem ajudado a tornar-se mais bonita e a Fundação Buehler  Brockhaus tem estado, sem sombra de dúvida,  na linha da frente com a doação de verbas destinadas as obras de arte que embelezam a cidade e para as quais a benemérita fundação já despendeu  largos milhares de euros. 

O meu reconhecido muito obrigado, enquanto cidadão desta terra que me viu nascer tal como os meus antepassados e meus descendentes.

Rui Canas Gaspar
2017-junho-26

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domingo, 25 de junho de 2017

Um valioso prémio na Feira de Santiago

Naquele tempo a Feira de Santiago era seguramente o maior evento que se realizava em Setúbal, por isso não era de admirar que se juntasse dinheiro para mandar fazer ao alfaiate ou à costureira uma roupa nova que se estrearia aquando de um passeio pelo popular certame.
As barracas de comes e bebes, a par das que vendiam louças de barro ocupavam boa parte do espaço, até porque era esse o tipo de louça que a generalidade da população usava no seu dia-a-dia.
O circo era o divertimento de excelência e as barracas de sai-sempre também não faltavam por ali e, foi a uma delas que se achegou Artur, um jovem pescador setubalense pouco depois de ter saltado para terra e ter deixado a canoa fundeada na Praia do Seixal, local onde alguns anos mais tarde se viria a construir a Doca dos Pescadores.
Passados tantos anos e embora utilizando métodos ligeiramente diferentes, continuamos a ver no certame idênticos espaços onde cada um tenta a sua sorte, agora com muitos bonecos de peluche e artigos de plástico.
Naquela segunda metade dos anos 20, do século XX, esses eram materiais inexistentes e as peças confecionadas em barro pintado eram aquelas mais sorteadas.
O pescador comprou uma rifa naquela barraca e para sua surpresa a sorte ditou que lhe saísse uma bonita peça de porcelana, uma casinha bem bonita pintada com lindas flores e com um relógio, peça não muito comum naqueles tempos.
Passados tantos anos, a bonita peça ainda existe e tem na sua base o carimbo da Vista Alegre, uma das peças feitas por aquela conceituada e famosa fábrica, destinada a comemorar o seu centenário (1824 – 1924).
Ao olhar para a peça não deixo de ficar a pensar como seriam por demais importantes aqueles certames e que influencia teriam na vida da cidade, quando até numa das barracas da sorte poderiam ser sorteadas peças tão valiosas como aquela que aqui vemos na foto.
Rui Canas Gaspar
2017-junho-25
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quarta-feira, 21 de junho de 2017


O painel da Fonte de Aldeia Rica

Quem vai de Vila Nogueira de Azeitão para Sesimbra, encontra à saída, no seu lado esquerdo, uma artéria com a curiosa designação de Rua do Fisco. E é precisamente logo à entrada dessa rua azeitonense que podemos apreciar a bela “Fonte de Aldeia Rica” com o seu interessante baixo-relevo embutido no conjunto. 

A fonte de duas bicas com tanque para servir de bebedouro aos animais é uma bela obra de arte e é uma das três mandadas construir pelo juiz Agostinho Machado de Faria, o mesmo governante que mandou edificar a imponente Fonte dos Pasmados que se encontra na zona central de Vila Nogueira de Azeitão. 

No painel maneirista podemos observar oito elementos figurativos esculpidos em medalhões com pombas, anjos e cordeiros que no entender de algumas pessoas tanto podem simbolizar Jesus Cristo, como João Batista ou mesmo elementos de adoração pagã. 

A fazer fé numa publicação editada pela empresa “Águas do Sado” sobre as fontes e chafarizes de Azeitão, é ali referido que segundo José Cortez Pimentel o baixo-relevo que serve como principal elemento decorativo da Fonte de Aldeia Rica fará parte de um conjunto de três. 

Os painéis esculpidos em mármore de Estremoz  pertenciam à tribuna que os Duques de Aveiro tinham ao seu dispor na igreja dominicana, a qual comunicava diretamente com a ala sul do paço ducal, um austero edifício do Renascimento Clássico, existente no Rossio de Vila Nogueira de Azeitão. 

Quanto aos outros dois painéis teriam levado diferentes destinos, um foi para as bandas de Setúbal onde foi decorar a entrada da Quinta da Arca d’Água, em Alferrara, uma zona localizada perto do Parque de Merendas de São Paulo de onde provinha parte da água que abastecia a então Vila de Setúbal e corria sobre o conhecido aqueduto dos arcos. 

Este belo exemplar já lá não se encontra porquanto teria sido vendido a um antiquário que por sua vez o revendeu para ser integrado na coleção particular do falecido banqueiro Jorge de Brito. 

O outro painel encontra-se na Quinta da Aiana de Baixo, uma propriedade que se localiza entre Alfarim e a Lagoa de Albufeira, em Sesimbra. 

Se não conseguimos saber como seria a tribuna ducal, pelo menos passados tantos anos podemos ainda apreciar, em bom estado de conservação, este painel que se encontra numa rua do concelho de Setúbal, sob o olhar atento do poderoso e omnipresente “fisco”. 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-21 


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terça-feira, 20 de junho de 2017

Na Praia de Albarquel, estacionamento selvagem já era! 

Se eu gostar muito, mas mesmo muito de ver aquele filme que está a passar no Fórum Luísa Todi, for comprar bilhete de ingresso e na bilheteira me disserem que a lotação está esgotada, será que eu vou forçar a porta, entrar na sala e colocar-me de pé à frente de alguma pessoa ou mesmo sentar-me ao colo de algum espectador? 

Claro que não, isto é um absurdo, não passa pela cabeça de ninguém! 

Então, porque carga de água é querendo eu ir tomar uma banhoca a uma das belas praias da Arrábida e lá chegando e constatando que não tenho lugar disponível para parquear a viatura decido deixar a mesma em cima de uma curva, sobre um traço amarelo, ou mesmo em segundo fila, ocasionando que por vezes impeça a circulação dos demais automobilistas? 

Infelizmente é isto que acontece com alguma frequência, originando até, com este procedimento, o acesso a viaturas de emergência que quase voam por essas estradas para depois ficarem retidas devido a tamanha falta de bom senso de alguns automobilistas. 

E como para grandes males grandes remédios eu acho muito bem que tenham sido bloqueadas viaturas e autuados condutores infratores, não porque eu também não cometa infrações, como qualquer condutor, mas sim pela burrice que é o parquear em semelhantes circunstâncias. 

E, também por isso mesmo, acho muito bem a medida que a autarquia setubalense acaba de tomar mandando colocar pinos metálicos ao longo do acesso à Praia de Albarquel, de forma a eliminar o estacionamento abusivo ao longo do acesso àquele espaço agora com pavimento renovado. 

A semana começou com uma equipa do Serviço de Trânsito Municipal a colocar os pinos ao longo das bermas, trabalhos que poderão estar concluídos até ao final da semana. Assim sendo, se vai para a Albarquel terá de ir a pé, de bicicleta ou até levar o seu automóvel e estacionar no respetivo lugar de parqueamento, porque o estacionamento selvagem já era!... 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-20 


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domingo, 18 de junho de 2017

Adeus Setúbal 

Batizaram-me em 18 de julho de 1931 com o nome de “EVORA” e sou alemão de nascimento, porém é ao povo português que entreguei o meu coração desde que naquele dia de verão entrei nas águas do Báltico. 

 Com ele tenho convivido ao longo das dezenas de anos, iniciando-se a nossa íntima relação logo após ter sido dado à luz no distante fiord de Kiel, na Alemanha. 

Já em pleno inverno, encetei a viagem de uma semana pelo Oceano Atlântico, nem sempre calmo, diga-se de passagem, navegando desde o local do meu nascimento até Portugal. Por aqui tendo ficado e trabalhado arduamente, ou não fosse eu um forte barco construído com chapas recicladas de carros de combate utilizados na Primeira Grande Guerra. 

Tive a grata missão de transportar as mais diversas pessoas: umas de origem humilde, outras figuras importantes, de uma para a outra margem do Rio Tejo, orgulhando-me de ser o barco que mais gente passei de uma para a outra banda. 

Todos gostavam de mim e eu próprio também tinha muito orgulho na minha pessoa, não por ser narcisista, mas porque quando jovem, era de facto bonito, o mais rápido no Tejo, muito asseado, o único que aqui usava motor diesel. Ninguém, em todo o mundo, tinha hélices como as minhas, fabricadas em aço inoxidável, um material ainda pouco conhecido naquela época. 

Trabalhei duramente durante muitos anos no transporte de pessoas entre o Barreiro e Lisboa até que pouco depois da revolução de 25 de abril de 1974 prescindiram dos meus serviços, dizendo que eu estava velho demais, imaginem!... 

Encostaram-me a um velho cais e para ali estive triste e abandonado e quase condenado à morte não fora um setubalense que me viu e me salvou e me trouxe para o belo rio azul naquele ano de 1990. 

Depois de recuperado por aqui andei com os meus amigos golfinhos, de vez em quando ia até ao Tejo fazer uns serviços, mas regressava sempre às águas azuis do nosso Sado. 

Certo dia, em 2017, um alfacinha enamorou-se de mim e comprou-me, levando-me de volta ao Tejo onde agora ao som do fado transporto turistas e visitantes da bela capital portuguesa, embora reconheça que estas águas nada tem a ver com aquelas outras que me acolheram ao longo de cerca de um quarto de século. 

A vida tem destas coisas e sabe-se lá quantos mais anos ainda andarei por cá e o que será que a vida me reserva. 

Resta-me despedir-me dos meus bons amigos, sobretudo daqueles que gostavam tanto de mim que me alcunharam do “Cisne branco do Sado” e que carinhosamente usaram os meus serviços onde juntos desfrutamos do nosso belo rio azul. 

Rui Canas Gaspar

2017-junho-18

sábado, 17 de junho de 2017

Em Setúbal todos os caminhos vão dar ao PUA 

Às 22,00 horas quando os termómetros em Setúbal marcavam 30 graus, uma temperatura anormalmente elevada, milhares de pessoas dirigiam-se para o Parque Urbano de Albarquel quando este já se encontrava bem animado. 

Naquele espaço, que mais parece uma feira, podemos escutar aqui e ali músicos, grupos de bombos e até um grupo de capoeira faz as suas exibições. 

Para além dos indispensáveis espaços de comes e bebes, onde não faltam as tradicionais farturas, outros stands com diversas organizações fazem-se representar, desde a Associação dos Escoteiros de Portugal até às representações das juventudes partidárias e académicas. 

A música começa antes, ali frente à Praia da Saúde, onde também um carro de som faz propaganda à festa do Avante aproveitando para vender também ingressos para aquele popular certame organizado pelo Partido Comunista Português. 

Ao longo do passeio e ciclovia uma torrente contínua de pessoas caminham na direção do PUA e, porque a noite está quente, também alguns vendedores ambulantes aproveitaram para ao longo do percurso comercializarem garrafas de água fresca. 

Quem não parece muito fresco são alguns condutores que continuam a andar às voltas pela zona para parquear o pópó, na melhor das hipóteses a esta hora só mesmo nalgum buraquinho ainda disponível no Parque José Afonso que mais parece o cais de embarque da Autoeuropa. 

Na baía, frente ao PUA alguns barcos de recreio trataram de ocupar posição para poderem ver o concerto à fresca e com os seus utentes comodamente instalados. 

Ainda nas águas a segurança é assegurada pela polícia marítima e por uma lancha salva-vidas, enquanto em terra equipas da Polícia de Segurança Pública, fardadas e à civil zelam pela segurança, complementada por uma vasta equipa de elementos de uma empresa de segurança privada, a par de algumas equipas de bombeiros. 

Tudo a postos para os grandes concertos gratuitos deste fim de semana, numa iniciativa da Associação dos Municípios da Região de Setúbal, agora que finalmente começou a correr uma ténue aragem mais fresca. 

Rui Canas Gaspar
2017-junho-16

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quinta-feira, 15 de junho de 2017



O nosso Rio Sado em Porto Rei 

Já foi local de embarque e desembarque de gente do povo, abastados lavradores ou até de importantes figuras da realeza  que ali chegaram ou dali partiram a caminho do palácio de Vila Viçosa. 

Já foi palco de volumosas cargas de cereais oriundos do Alentejo que depois vinham destinados aos moinhos que os transformavam em farinha para produzir o pão que alimentava as populações residentes nas localidades do litoral. 

Já foi o ponto onde até o Rio Sado era navegável e ali chegou a ser local de embarque e desembarque de carreiras fluviais. 

Por isso mesmo, naquele local foi construída uma boa casa apalaçada e brasonada bem como escadarias em pedra no seu cais de embarque junto ao rio. 

Andei quilómetros e quilómetros para descobrir este local, e finalmente dei com ele, porém para meu espanto o rio tinha desaparecido, as águas que outrora permitiam a navegação de grandes barcos tinham dali sumido, e até o cais deve lá estar mas não consegui descortina-lo devido ao intenso matagal em que a outrora margem se transformou. 

Apenas por ali se pode observar, só e triste o que resta da escadaria que já não conduz a lugar nenhum. 

Entrei com muito cuidado e percorri o que resta das antigas instalações onde o silêncio impera e que agora se resume a algo abandonado à sua sorte à espera que o tempo lhe dite a sentença final. 

Assim é Porto Rei, ou Del Rey, conforme a época em que o relato seja feito, o porto mais a montante do Rio Sado, um importante curso de água que deixou de correr e morre solitário e triste quase sem se falar no assunto. 

Dediquei com muito entusiasmo alguns meses a descobrir o nosso Sado.  Percorri várias centenas de quilómetros para ver e escutar e, em breve, vou partilhar muitas das suas histórias, lendas, e entrevistas com pessoas que retiraram o seu sustento das suas águas ou que simplesmente gostam dele. 

Dei ao livro o simples nome de “SADO”, mas poderia dar-lhe a sugestiva e agradável designação de “Rio Azul” ou a tristonha: “Um rio moribundo”. 

Provavelmente vai gostar de ir ver com seus próprios olhos o que eu vi, ou caso não o possa fazer pelo menos ficar a saber aquilo que eu observei. 

Rui Canas Gaspar

2017-junho-15

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Conhece este belíssimo teto setubalense? 

Muitos são aqueles que me conhecem por “rio azul” mas o meu nome atual é Sado, um dos rios que corre, ou melhor corria quando tinha boas pernas,  calma e pacientemente de Sul para Norte. 

Mas então o que é que esta bela pintura feita num teto de “caixotão”, com motivos fitomórficos tem a ver comigo? Olhando com alguma atenção, especialmente para o centro, provavelmente será aquele galeão que eu julgo reconhecer por ter navegado pelas minhas águas? Se calhar é mesmo isso. 

Saibam pois os meus amigos que o edifício onde se encontra esta preciosidade foi sede de uma antiga confraria de navegantes, armadores e pescadores, gente que governou a sua vida em boa parte graças a mim, e que remonta ao século XV e é simplesmente conhecida por Casa do Corpo Santo. 

É aqui nesta casa que está também a funcionar o Museu do Barroco, a par de uma excelente exposição que foca a atenção nos “instrumentos de ciência náutica”. 

Quem pensa que Setúbal é apenas um destino turístico onde se pode vir degustar a excelente gastronomia, sobretudo confecionada à base de peixe, ou desfrutar de belas praias e da formosa serra está enganado. Setúbal é isto sim, mas tem muito mais atrativos, alguns ignorados até pelas gentes da nossa terra. 

São cada vez em maior número os turistas nacionais e estrangeiros, a par das nossas crianças em idade escolar que visitam os nossos belos museus e desfrutam desta banquete cultural que Setúbal oferece. 

Convido-vos pois a vir conhecer Setúbal e os seus bem cuidados espaços culturais e verão que não darão o tempo por mal empregue. 

Rui Canas Gaspar
2017-junho-14

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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Vem aí mais novidades para Setúbal 

Passei a semana passada por Montebelo e vi que a estrutura do restaurante Burguer King está a avançar a grande velocidade, o que com os arranjos exteriores preconizados para aquele espaço modificarão, seguramente para melhor, esta concorrida zona nascente da cidade. 

Trata-se de uma obra particular que teve por base a permuta daquele espaço municipal por um armazém localizado na Rua Guilherme Gomes Fernandes, perto do quartel dos Bombeiros Voluntários de Setúbal.

Acontece é que ao mesmo tempo que a obra particular avança, agora em velocidade de cruzeiro, também a outra obra municipal que transformará o velho armazém de mil metros quadrados num espaço bem diferente não se encontra parada.

E é assim que ainda antes do final deste ano de 2017, a fazer fé naquilo que me disseram, será aberto ao público o Centro Municipal para a Promoção e Desenvolvimento das Artes, estando mesmo a ser diligenciado no sentido de poder ser inaugurado no dia 15 de setembro, data em que se comemora o Dia da cidade e de Bocage.

Com este espaço, a que juntará mais um museu que ocupará as instalações da antiga Escola Conde de Ferreira, a cidade ficará bem dotada de equipamentos para quase todos os gostos, faltando ainda um bom e grande pavilhão multiusos, onde se possam levar a cabo feiras e grandes exposições temáticas.
Talvez ainda se consiga, com custos reduzidos, aproveitar o enorme edifício da APSS e transformá-lo de forma a poder cumprir essa importante missão, quem sabe?...

Já agora, segundo minha opinião, o próximo executivo municipal, seja ele qual for, deveria com caráter de urgência dedicar a sua atenção ao parqueamento automóvel, promovendo a construção de silos auto sobretudo na zona da baixa da cidade.

É que com tanta atração e com muitos dos setubalenses a ficarem mais velhos e a não terem pernas para bicicletas não deixará de ser uma prioridade quando é sabido também que a cidade cada vez é mais procurada por forasteiros que se deslocam de automóvel.

Rui Canas Gaspar
2017-junho-15

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domingo, 11 de junho de 2017

A Novela Portuguesa pelo chão de uma rua setubalense 

No chão junto ao passeio encontrava-se uma pequena folha de papel, datada de 15 de janeiro de 1921, que já tinha sido pisada por mais do que uma vez, tendo-me despertado a atenção pelo que me baixei para a apanhar. 

As duas crianças que estavam comigo ficaram admiradas com o que viam mas tive então oportunidade de lhes explicar que aquela folha fazia parte de uma pequena revista com quase cem anos e certamente fora lida pelos pais dos seus avós. 

Aqui em Setúbal, no nosso velhinho Bairro de Troino algumas senhoras alugavam as revistas, porque o dinheiro para as comprar era escasso e liam-nas à noite, à luz dos candeeiros a petróleo. Faziam-no muitas vezes não só para elas mas também para os outros que se juntavam à sua volta e não sabiam ler porque não tinham tido tempo para ir à escola. 

Era o tempo em que não havia televisão e as telefonias eram um bem raro e mesmo estas singelas revistas eram quase um luxo, porém muito procuradas. 

Anos mais tarde um setubalense de sucesso, começaria a ganhar dinheiro transportando muitas delas e alugando-as por toda a cidade, fazia-se transportar numa mota, por isso ficou conhecido pela alcunha de Zé da Mota, de seu nome José Eduardo Martins, homem educado e empreendedor com quem tive oportunidade de privar. 

Esta folha de papel que por ali fui encontrar no chão da nossa cidade quantas histórias poderia contar? Por quantas mãos teria passado? Quantos risos e lágrimas as restantes páginas que a compunham originaram? 

Não tenho respostas para estas questões, mas a velha folha de papel fez-me retroceder àqueles tempos de fome e de miséria quando em Setúbal o dinheiro não chegava para comprar uma simples revista. 

Rui Canas Gaspar
2017-junho-11

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