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sábado, 26 de dezembro de 2020

 



O Segredo dos Monges da Arrábida

Os frades arrábidos não só viveram da contemplação das soberbas belezas que se podem desfrutar a partir das suas instalações no coração da Serra da Arrábida, como também procederam à construção de diversas estruturas e igualmente se interessaram pelo conhecimento da flora local.

E foi a partir desse conhecimento que criaram um saboroso licor com fins digestivos, cuja fórmula foi mantida em segredo, sabendo-se que a matéria prima de base é o martunho, uma planta da família Myrtaceae que por esta altura do ano pode ser colhida na serra.

Em 1834 com a extinção das Ordens Religiosas os monges que estavam no Convento de Santa Maria da Arrábida foram forçados a partir sendo que alguns se acolheram numa quinta aqui na região, encontrando-se entre eles o frade licorista, ou seja o guardião da formula secreta.

Quando esse frade partiu para Espanha a família anfitriã herdou o conhecimento e a fórmula daquele a que viria a ser conhecido por Arrabidine, o delicioso néctar agora com muitas décadas de vida.

Este é um licor conventual de genuínas tradições. Ele é fabricado na Quinta do Anjo, pela empresa Lima Fortuna, mantendo-se a produção segundo formula original, embora possamos encontrar outros licores, sobretudo no sul de Portugal, feitos igualmente à base das pequenas bagas brancas, de cor azul-escuro ou pretas, de característico sabor agridoce, conhecidas por martunhos.

Neste frio e solarengo dia de Inverno, dediquei algum tempo a um passeio pela Serra-Mãe onde me   diverti a colher e a comer alguns martunhos, vindo-me à mente a história deste saboroso licor tão característico da nossa terra.

Rui Canas Gaspar

2020-dezembro-26

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sábado, 5 de dezembro de 2020

 



Os romanos na Arrábida

Há muito, muito tempo, um povo guerreiro e empreendedor começou a expandir a sua influência territorial vindo a ocupar boa parte do mundo até então conhecido.

E, foi á cerca de 2 000 anos que os Romanos acabariam também por chegar a esta terra localizada na parte mais ocidental do continente europeu.

Aqui, pelas nossas bandas,  acabariam por se instalar em ambas as margens do Sado e, neste espaço, construíram várias fábricas de salga de peixe e derivados originando que estas unidades industriais se transformassem nas maiores do seu género em todo o Império Romano.

Na Arrábida, junto ao Portinho também construíram uma dessas primitivas fábricas, bem perto de uma forte de água doce, um bem imprescindível para o seu bom funcionamento.

Muitos anos mais tarde, já sem os romanos por cá, a fonte foi debitando cada vez menos água até que chegou ao ponto de pouco mais que pingar, pelo que os seus raros utentes lhe atribuíram a designação de “Fonte da Paciência” devido ao tempo que teriam de despender para encher um pequeno recipiente do precioso líquido.

Hoje na belíssima zona do Creiro, em pleno coração do Parque Natural da Arrábida, pouco mais resta do que um memorial àquela que foi a “Fonte da Paciência” bem como as ruinas postas a descoberto da que foi uma produtiva fábrica de conservas romanas de onde o peixe e seus derivados saíam para abastecer o famoso e enorme Império  que também se haveria de finar.

E para que a nossa memória coletiva não desapareça como aconteceu com o Império Romano, penso que seria bom que fosse agendado pelo Parque Natural da Arrábida e pelo Museu de Arqueologia  as necessárias ações tendentes não só à conservação mas que também fossem prosseguidas as escavações com o objetivo de valorizar e colocar a descoberto este nosso importantíssimo património histórico.

Rui Canas Gaspar

05-dezembro-2020

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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

 


Para oferecer a si mesmo ou a um amigo

Nestes tempos esquisitos que atravessamos por vezes a melhor companhia para o confinamento será mesmo um livro.

Para quem gosta das coisas de Setúbal saiba que temos agora à disposição um excelente e muito bem documentado trabalho da autoria de Diogo Ferreira e João Pedro Santos focando nada mais nada menos que o meu querido Bairro de Troino.

Este é um livro que recomendo e que pode ser adquirido, de entre outros locais, nas livrarias da baixa de Setúbal.

Rui Canas Gaspar

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