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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 


Tempos de defeso, tempos difíceis

Uma antiga camisa e um lenço que se encontrava naquela velha arca, revestida a pele de porco, que servia como banco de fardas do grupo da Ordem Terceira, uns calções de ganga feitos pela mãe, daquela usada pelos marítimos, um cinto do pai, que nunca foi escuteiro, umas meias cinzentas de senhora compradas na casa formiga, ali para as bandas da Praça de Bocage e uma fita de nastro verde pregada na camisa identificavam aquele jovem escuteiro como subguia de patrulha leão, na sua primeira atividade, fora de Setúbal.

Os escuteiros, aqui fotografados pelo mestre Baptista, Junto ao Apeadeiro de Quebedo, excluindo os dirigentes eram membros do grupo sediado no Orfanato  Municipal de Setúbal, percursor do atual Agrupamento da Anunciada – Setúbal.

Estávamos na primeira metade dos idos anos 60 do passado século XX e neste mês de Janeiro a vida se já era difícil nesta terra de homens do mar ainda pior ficava devido ao defeso da pesca da sardinha com a consequente paragem das fábricas de conserva de peixe.

O subguia aqui fotografado sou eu, um filho de pescador sadino que teve a sorte de ter nascido numa humilde mas  boa família e ter tido bons chefes escuteiros que ajudaram a formar o carácter do homem que hoje sou, com todos os naturais defeitos inerentes à condição humana.

Rui Canas Gaspar

Troineiro.blogspot.com

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