Tempos de defeso, tempos difíceis
Uma antiga camisa e um lenço que se encontrava
naquela velha arca, revestida a pele de porco, que servia como banco de fardas
do grupo da Ordem Terceira, uns calções de ganga feitos pela mãe, daquela usada
pelos marítimos, um cinto do pai, que nunca foi escuteiro, umas meias cinzentas
de senhora compradas na casa formiga, ali para as bandas da Praça de Bocage e
uma fita de nastro verde pregada na camisa identificavam aquele jovem escuteiro
como subguia de patrulha leão, na sua primeira atividade, fora de Setúbal.
Os escuteiros, aqui fotografados pelo mestre
Baptista, Junto ao Apeadeiro de Quebedo, excluindo os dirigentes eram membros
do grupo sediado no Orfanato Municipal
de Setúbal, percursor do atual Agrupamento da Anunciada – Setúbal.
Estávamos na primeira metade dos idos anos 60
do passado século XX e neste mês de Janeiro a vida se já era difícil nesta
terra de homens do mar ainda pior ficava devido ao defeso da pesca da sardinha
com a consequente paragem das fábricas de conserva de peixe.
O subguia aqui fotografado sou eu, um filho de
pescador sadino que teve a sorte de ter nascido numa humilde mas boa família e ter tido bons chefes escuteiros que
ajudaram a formar o carácter do homem que hoje sou, com todos os naturais
defeitos inerentes à condição humana.
Rui Canas Gaspar
Troineiro.blogspot.com

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