notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sábado, 19 de setembro de 2026

 


Um cortejo comemorativo  que de histórico teve muito pouco

Começo por dar os parabéns a quem se empenhou e sobretudo àqueles que participaram nesta tarde de calor no desfile comemorativo do centenário da elevação de Setúbal a capital de Distrito.

Anunciado como um cortejo histórico despertou em mim todo o interesse levando-me mesmo a deixar para trás outros compromissos para poder aplaudir tão relevante evento.

Mas ou porque as expectativas eram altas ou porque aquilo que se nos apresentou fosse demasiado pobre, comparativamente com o que já por cá se fez e nos é dado observar até em terras de muito menor dimensão o facto é que fiquei profundamente desiludido.

Não vi ali história, não vi vida, não vi alegria, não vi organização, vi sim um grupo de pessoas de todos os escalões etários participando numa marcha tristonha.

E , para cúmulo,  a entrada do grupo na solarenga praça de Bocage foi feita ao som da banda, imagine-se tocando o quê? Uma musiquinha do Quim Barreiros. Nada mais apropriado!...

Gostava de dar os melhores parabéns aos organizadores e promotores da iniciativa como o fiz com o concerto recentemente levado a cabo no Largo de Jesus, infelizmente com muita mágoa minha não o posso fazer.

Admito, no entanto, que a culpa é minha por ter colocado a fasquia tão elevada.

Rui Canas Gaspar

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

 


Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Naquele que é um dos museus mais famosos do mundo, o do Louvre, que podemos apreciar em Paris, cuja estrutura inicial remonta a 1190 e que muitas obras de remodelação e beneficiação tem sofrido ao longo dos séculos, foi em 1989 alvo de grande polémica que ultrapassou as fronteiras francesas.

De facto, aparentemente não passaria pela cabeça de ninguém construir uma moderna estrutura de ferro e vidro no pátio principal daquele vetusto monumento.

Porém, goste-se ou não, ela lá continua e hoje provavelmente serão poucos os que se incomodam com o novo apêndice, ou seja: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

Com a devida distância, mas seguindo o mesmo raciocínio, em Setúbal – Portugal, o emblemático Mercado do Livramento, desenhado por Marcelino Alemão Mendonça Cisneiro de Faria e inaugurado em 31 de julho de 1876, quando era presidente da câ
mara municipal António Rodrigues Manito, foi no final do Verão de 2026 alvo de grande polémica, não tanto pela repintura, com com a mudança de cor do exterior do edifício, mas sim pela colocação de diferentes peças decorativas alusivas aos produtos comercializados no mercado.

As peças, tal como as fachadas estão complementadas com iluminação adequada a que ninguém fica indiferente. As mesmas foram custeadas por nove mecenas, sem que as finanças autárquicas tivessem qualquer encargo

Dado o grande alarido em torno da questão o grupo de Facebook “Coisas de Setúbal” perguntou aos seus 106 mil membros se gostavam/apoiavam, ou não, tal decoração e o resultado foi o seguinte:

Respostas validadas……….. 1830

NÃO ……………………………….  992 (53,80%)

SIM ………………………………..  775  ( 46,20%)

Goste-se ou não, a nova decoração é alvo de redobrada atenção por parte de turistas nacionais e estrangeiros que nos visitam, embora pessoalmente não acredite que em termos de negócios traga grande mais-valia aos comerciantes daquele espaço. O mesmo, segundo minha convicção,  não acontece em termos de divulgação do concelho dado haver uma maior projeção propagandística da cidade por via da nova decoração exterior do seu icónico mercado, agora alvo de mais captação de imagens que irão correm mundo sobretudo graças à força da internet.

Rui Canas Gaspar

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sábado, 12 de setembro de 2026

 


Vamos mesmo ter navios de cruzeiro em Setúbal

Se os grandes navios de cruzeiro demandam o Porto de Lisboa, o facto é que Setúbal prepara-se já para receber navios de médio porte, aqueles geralmente mais utilizados em cruzeiros temáticos.

De facto, esta notícia não será uma grande novidade porquanto mais do que uma vez o assunto foi falado e comentado sobretudo nas redes sociais de âmbito local.

Agora, quando estamos no final do Verão de 2026, a novidade prende-se com a construção de uma estrutura de apoio que foi edificada em tempo recorde, no molhe frente à Doca dos Pescadores e onde já se pode observar a inscrição ”Porto de Setúbal”.

Esta edificação faz parte do terminal que aguarda certificação para começar a operar e assim poder receber os forasteiros, cada vez em maior número, que desejam vir conhecer a nossa bela cidade e ímpar região, também elas carecidas de alguma atenção, não só para estes visitantes mas sobretudo para quem aqui habita.

Rui Canas Gaspar

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sábado, 18 de julho de 2026

 ELES VIERAM COMEMORAR O 50º ANIVERSARIO DO P.N.A.

Quando em 18 de julho de 1976 foi criado o Parque Natural da Arrábida, de entre outras espécies, os javalis eram ali considerados como extintos.
Em 2012 publiquei o livro Arrábida Desconhecida e nas minhas incursões pelo parque das muitas coisas que então desconhecia, surpreendi-me com a notícia de que os javalis já por ali de novo andavam.
Foi em Casais da Serra que um caçador me confirmou que de facto era verdade e que ele mesmo teria abatido um destes animais que se reproduziam rapidamente e já andavam um pouco por toda a cordilheira.
Segundo ele, teria sido alguém que ali introduzira um ou uns casais provenientes do Alentejo e desta forma evitava ter de se deslocar alguns quilómetros para praticar o seu desporto favorito.
E, porque pelos vistos ninguém se lembrou de comemorar o 50º aniversário do PNA seis amigos nascidos e residentes no Parque Natural da Arrábida decidiram vir comemorar a Setúbal esta data memorável.
Os animais desceram a serra, na Albarquel passaram por um buraco na vedação do PUA e vieram até cá a baixo onde brincaram e se divertiram nos relvados deste belo espaço já ao cair da noite.
Não me contaram qual o seu programa para comemorar a efeméride. Mas... palpita-me que esta meia dúzia de amigos virão fazer a festa para o centro de Setúbal elegendo a Avenida Luisa Todi, um espaço que já tão bem conhecem, cheio de belos relvados e plantas.
Esperemos que estes jovens descendentes daqueles pacíficos alentejanos que foram viver para a Arrábida se portem bem e não cometam excessos na noite de 18 de julho quando estão a comemorar o meio século de existência do seu belo parque, uma verdadeira perola do nosso lindo Portugal.
Rui Canas Gaspar


terça-feira, 7 de julho de 2026

 



A antiga e nova baixa setubalense

Durante muitos anos funcionou na baixa de Setúbal o comercio e serviços distribuído pelas diferentes ruas especializadas nos mais variados misteres de onde ressaltava a Rua dos Ourives, a dos Caldeireiros, a dos Sapateiros, a das Farinhas, a dos Correeiros etc. etc.

Mais tarde essas artérias diversificaram-se e, modernas e atrativas  lojas de tecidos e sapatarias fariam atrair à baixa muitos dos setubalenses, por vezes só para verem as montras.

Os comerciantes prosperavam e, aos poucos, foram tomando conta dos andares superiores dos prédios ocupados pela sua atividade comercial para naqueles espaços, agora sem moradores,  fazerem os seus armazéns e escritórios de apoio.

As convulsões sociais que se seguiram à revolução de 25 de Abril de 1974, o envelhecimento dos comerciantes e a sua já pouca disposição para a mudança de hábitos e novos costumes, aliado ao “pronto a vestir” que entretanto surgiu e se implantou em força, ditaram o fim de muitas das lojas da baixa.

Mas… a grande “machadada” aconteceu naquele ano de 1991, quando em Outubro abriu portas o Hipermercado Jumbo de Setúbal (atual Alegro) deslocalizando o poder de compra da baixa para as novas e modernas instalações.

Com as lojas a encerrar e os andares superiores sem ocupação rapidamente a baixa quase se tornou um deserto. Tendência potencializada com o parqueamento automóvel que começou a ser pago, em contraponto com a gratuitidade do novo e vibrante espaço comercial.

Foi necessário deixar passar cerca de uma dezena de anos desde a abertura do “Jumbo” até que a baixa começasse a ver alguma luz ao fundo do túnel, agora com a abertura de outro tipo de negócio, a restauração e bebidas, sendo o antigo Largo da Ribeira Velha a funcionar um pouco como espaço âncora.

Presentemente, outra década volvida e a baixa parece querer florescer com as muitas aquisições dos antigos prédios que tem vindo a ser recuperados e novos negócios começam a surgir um pouco à boleia da restauração e bebidas que vem atraindo cada vez mais nacionais e estrangeiros à baixa.

Não é pois de admirar que neste momento possamos observar naquela zona da cidade para além de novas lojas em funcionamento mais de uma dezena de edifícios com obras de melhoramentos concluídas ou em faze de conclusão, pelo que se augura que em breve dias melhores sejam uma realidade na antiga baixa sadina, com nova e mais vibrante vida diurna e noturna.

Rui Canas Gaspar

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

 






Setúbal na História ou histórias de Setúbal ( 345)

Praia da Saúde,  um diamante por lapidar

Quando os Fenícios aqui chegaram vindos de longínquas terras lá dos lados do Líbano encontraram um amplo estuário cujas águas entravam pela parte baixa desta bela terra que viria séculos mais tarde e ser conhecida por Setúbal. As águas do mar espraiavam-se então  até às bandas do que é hoje o Parque do Bonfim, por isso mesmo, eles foram instalar-se na parte mais alta do território perto do Miradouro de S. Sebastião.

Anos mais tarde chegaram os Romanos e construiram as suas unidades de conservas de peixe e de molhos (garum) na parte baixa deste cobiçado território, entre aquele que hoje é o Largo de Misericórdia e a Praça de Bocage, embora a sua implantação se estendesse mais para poente e para nascente.

O terramoto de 1755 veio dar cabo de salinas existentes na que é hoje a Av. Luisa Todi, mais concretamente bem perto do edifício da Cáritas Diocesana, uma área por onde os romanos também se tinham instalado junto à praia.

As  grandes obras do Porto de Setúbal, levadas a cabo entre 1930 e 1934 vieram fazer desaparecer um conjunto de praias então existentes que nessa época eram conhecidas por Fontainhas, Alfandega, Seixal, etc, ficando apenas a da Saúde que passou a ser utilizada como estaleiro de reparação e construção naval.

Há cerca de duas décadas decidiu-se avançar para a devolução das águas ribeirinhas à cidade e assim nasceu o Parque Urbano de Albarquel e deu-se início ao desmantelamento dos antigos estaleiros navais para devolver o areal ao usufruto dos cidadãos.

A Praia da Saúde regressou assim à configuração original e, embora ainda não aprovada oficialmente para a fruição da prática balnear não deixa por isso de ser praia, até porque praia é uma formação geológica costeira composta por areia e localizada na zona de transição entre a terra e um corpo de água.

O meu avô Artur Canas, há mais de um século, antes mesmo de haver ali estaleiro usava aquela praia para encalhar a sua embarcação. O meu pai Francisco Gaspar para ali ia tratar dos barcos onde era camarada e minha mãe Benilde quando eu era bem menino levava-me para aquela Praia da Saúde, onde então funcionava o estaleiro naval, porque se dizia que os ares dali eram melhores dos que os de Troia, muito mais fortes e não tão bons para a saúde.

Passados mais de três quartos de século desde os meus primeiros banhos na Praia da Saúde  são muitos os antigos e novos setubalenses, bem como  forasteiros que procuram este agradável espaço, dentro da cidade, e que com um pouco de jeito e algum trabalho será uma invejável praia reconhecida para a prática balnear.

Tenho o privilégio de já ter estado em algumas dezenas de países do mundo, em quase todos os continentes, conheço alguns espaços com praias famosas mas que ficam muito aquém desta. Porém, vamos lá nós saber porquê é sempre com muito agrado e particular orgulho que olho para a nossa Praia da Saúde, quase todos os dias, e vejo ali um potencial ímpar. Um verdadeiro diamante por lapidar.

Rui Canas Gaspar

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 


Tempos de defeso, tempos difíceis

Uma antiga camisa e um lenço que se encontrava naquela velha arca, revestida a pele de porco, que servia como banco de fardas do grupo da Ordem Terceira, uns calções de ganga feitos pela mãe, daquela usada pelos marítimos, um cinto do pai, que nunca foi escuteiro, umas meias cinzentas de senhora compradas na casa formiga, ali para as bandas da Praça de Bocage e uma fita de nastro verde pregada na camisa identificavam aquele jovem escuteiro como subguia de patrulha leão, na sua primeira atividade, fora de Setúbal.

Os escuteiros, aqui fotografados pelo mestre Baptista, Junto ao Apeadeiro de Quebedo, excluindo os dirigentes eram membros do grupo sediado no Orfanato  Municipal de Setúbal, percursor do atual Agrupamento da Anunciada – Setúbal.

Estávamos na primeira metade dos idos anos 60 do passado século XX e neste mês de Janeiro a vida se já era difícil nesta terra de homens do mar ainda pior ficava devido ao defeso da pesca da sardinha com a consequente paragem das fábricas de conserva de peixe.

O subguia aqui fotografado sou eu, um filho de pescador sadino que teve a sorte de ter nascido numa humilde mas  boa família e ter tido bons chefes escuteiros que ajudaram a formar o carácter do homem que hoje sou, com todos os naturais defeitos inerentes à condição humana.

Rui Canas Gaspar

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