ELES VIERAM COMEMORAR O 50º ANIVERSARIO DO P.N.A.
sábado, 18 de julho de 2026
terça-feira, 7 de julho de 2026
A antiga e nova baixa setubalense
Durante muitos anos funcionou na baixa de
Setúbal o comercio e serviços distribuído pelas diferentes ruas especializadas
nos mais variados misteres de onde ressaltava a Rua dos Ourives, a dos
Caldeireiros, a dos Sapateiros, a das Farinhas, a dos Correeiros etc. etc.
Mais tarde essas artérias diversificaram-se e,
modernas e atrativas lojas de tecidos e
sapatarias fariam atrair à baixa muitos dos setubalenses, por vezes só para
verem as montras.
Os comerciantes prosperavam e, aos poucos,
foram tomando conta dos andares superiores dos prédios ocupados pela sua
atividade comercial para naqueles espaços, agora sem moradores, fazerem os seus armazéns e escritórios de
apoio.
As convulsões sociais que se seguiram à
revolução de 25 de Abril de 1974, o envelhecimento dos comerciantes e a sua já
pouca disposição para a mudança de hábitos e novos costumes, aliado ao “pronto
a vestir” que entretanto surgiu e se implantou em força, ditaram o fim de
muitas das lojas da baixa.
Mas… a grande “machadada” aconteceu naquele ano
de 1991, quando em Outubro abriu portas o Hipermercado Jumbo de Setúbal (atual
Alegro) deslocalizando o poder de compra da baixa para as novas e modernas
instalações.
Com as lojas a encerrar e os andares superiores
sem ocupação rapidamente a baixa quase se tornou um deserto. Tendência
potencializada com o parqueamento automóvel que começou a ser pago, em
contraponto com a gratuitidade do novo e vibrante espaço comercial.
Foi necessário deixar passar cerca de uma
dezena de anos desde a abertura do “Jumbo” até que a baixa começasse a ver
alguma luz ao fundo do túnel, agora com a abertura de outro tipo de negócio, a
restauração e bebidas, sendo o antigo Largo da Ribeira Velha a funcionar um
pouco como espaço âncora.
Presentemente, outra década volvida e a baixa
parece querer florescer com as muitas aquisições dos antigos prédios que tem
vindo a ser recuperados e novos negócios começam a surgir um pouco à boleia da
restauração e bebidas que vem atraindo cada vez mais nacionais e estrangeiros à
baixa.
Não é pois de admirar que neste momento
possamos observar naquela zona da cidade para além de novas lojas em
funcionamento mais de uma dezena de edifícios com obras de melhoramentos concluídas
ou em faze de conclusão, pelo que se augura que em breve dias melhores sejam
uma realidade na antiga baixa sadina, com nova e mais vibrante vida diurna e
noturna.
Rui Canas Gaspar
www.troineiro.blogspot.com
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Setúbal na História ou histórias de Setúbal
( 345)
Praia da Saúde, um diamante por lapidar
Quando os Fenícios aqui chegaram vindos de
longínquas terras lá dos lados do Líbano encontraram um amplo estuário cujas
águas entravam pela parte baixa desta bela terra que viria séculos mais tarde e
ser conhecida por Setúbal. As águas do mar espraiavam-se então até às bandas do que é hoje o Parque do
Bonfim, por isso mesmo, eles foram instalar-se na parte mais alta do território
perto do Miradouro de S. Sebastião.
Anos mais tarde chegaram os Romanos e construiram
as suas unidades de conservas de peixe e de molhos (garum) na parte baixa deste
cobiçado território, entre aquele que hoje é o Largo de Misericórdia e a Praça
de Bocage, embora a sua implantação se estendesse mais para poente e para
nascente.
O terramoto de 1755 veio dar cabo de salinas
existentes na que é hoje a Av. Luisa Todi, mais concretamente bem perto do
edifício da Cáritas Diocesana, uma área por onde os romanos também se tinham
instalado junto à praia.
As grandes obras do Porto de Setúbal, levadas a
cabo entre 1930 e 1934 vieram fazer desaparecer um conjunto de praias então
existentes que nessa época eram conhecidas por Fontainhas, Alfandega, Seixal,
etc, ficando apenas a da Saúde que passou a ser utilizada como estaleiro de
reparação e construção naval.
Há cerca de duas décadas decidiu-se avançar
para a devolução das águas ribeirinhas à cidade e assim nasceu o Parque Urbano
de Albarquel e deu-se início ao desmantelamento dos antigos estaleiros navais
para devolver o areal ao usufruto dos cidadãos.
A Praia da Saúde regressou assim à
configuração original e, embora ainda não aprovada oficialmente para a fruição
da prática balnear não deixa por isso de ser praia, até porque praia é uma
formação geológica costeira composta por areia e localizada na zona de
transição entre a terra e um corpo de água.
O meu avô Artur Canas, há mais de um século,
antes mesmo de haver ali estaleiro usava aquela praia para encalhar a sua
embarcação. O meu pai Francisco Gaspar para ali ia tratar dos barcos onde era
camarada e minha mãe Benilde quando eu era bem menino levava-me para aquela
Praia da Saúde, onde então funcionava o estaleiro naval, porque se dizia que os
ares dali eram melhores dos que os de Troia, muito mais fortes e não tão bons
para a saúde.
Passados mais de três quartos de século desde
os meus primeiros banhos na Praia da Saúde são muitos os antigos e novos setubalenses,
bem como forasteiros que procuram este
agradável espaço, dentro da cidade, e que com um pouco de jeito e algum
trabalho será uma invejável praia reconhecida para a prática balnear.
Tenho o privilégio de já ter estado em algumas
dezenas de países do mundo, em quase todos os continentes, conheço alguns
espaços com praias famosas mas que ficam muito aquém desta. Porém, vamos lá nós
saber porquê é sempre com muito agrado e particular orgulho que olho para a
nossa Praia da Saúde, quase todos os dias, e vejo ali um potencial ímpar. Um
verdadeiro diamante por lapidar.
Rui Canas Gaspar
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Tempos de defeso, tempos difíceis
Uma antiga camisa e um lenço que se encontrava
naquela velha arca, revestida a pele de porco, que servia como banco de fardas
do grupo da Ordem Terceira, uns calções de ganga feitos pela mãe, daquela usada
pelos marítimos, um cinto do pai, que nunca foi escuteiro, umas meias cinzentas
de senhora compradas na casa formiga, ali para as bandas da Praça de Bocage e
uma fita de nastro verde pregada na camisa identificavam aquele jovem escuteiro
como subguia de patrulha leão, na sua primeira atividade, fora de Setúbal.
Os escuteiros, aqui fotografados pelo mestre
Baptista, Junto ao Apeadeiro de Quebedo, excluindo os dirigentes eram membros
do grupo sediado no Orfanato Municipal
de Setúbal, percursor do atual Agrupamento da Anunciada – Setúbal.
Estávamos na primeira metade dos idos anos 60
do passado século XX e neste mês de Janeiro a vida se já era difícil nesta
terra de homens do mar ainda pior ficava devido ao defeso da pesca da sardinha
com a consequente paragem das fábricas de conserva de peixe.
O subguia aqui fotografado sou eu, um filho de
pescador sadino que teve a sorte de ter nascido numa humilde mas boa família e ter tido bons chefes escuteiros que
ajudaram a formar o carácter do homem que hoje sou, com todos os naturais
defeitos inerentes à condição humana.
Rui Canas Gaspar
Troineiro.blogspot.com





