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terça-feira, 7 de julho de 2026

 



A antiga e nova baixa setubalense

Durante muitos anos funcionou na baixa de Setúbal o comercio e serviços distribuído pelas diferentes ruas especializadas nos mais variados misteres de onde ressaltava a Rua dos Ourives, a dos Caldeireiros, a dos Sapateiros, a das Farinhas, a dos Correeiros etc. etc.

Mais tarde essas artérias diversificaram-se e, modernas e atrativas  lojas de tecidos e sapatarias fariam atrair à baixa muitos dos setubalenses, por vezes só para verem as montras.

Os comerciantes prosperavam e, aos poucos, foram tomando conta dos andares superiores dos prédios ocupados pela sua atividade comercial para naqueles espaços, agora sem moradores,  fazerem os seus armazéns e escritórios de apoio.

As convulsões sociais que se seguiram à revolução de 25 de Abril de 1974, o envelhecimento dos comerciantes e a sua já pouca disposição para a mudança de hábitos e novos costumes, aliado ao “pronto a vestir” que entretanto surgiu e se implantou em força, ditaram o fim de muitas das lojas da baixa.

Mas… a grande “machadada” aconteceu naquele ano de 1991, quando em Outubro abriu portas o Hipermercado Jumbo de Setúbal (atual Alegro) deslocalizando o poder de compra da baixa para as novas e modernas instalações.

Com as lojas a encerrar e os andares superiores sem ocupação rapidamente a baixa quase se tornou um deserto. Tendência potencializada com o parqueamento automóvel que começou a ser pago, em contraponto com a gratuitidade do novo e vibrante espaço comercial.

Foi necessário deixar passar cerca de uma dezena de anos desde a abertura do “Jumbo” até que a baixa começasse a ver alguma luz ao fundo do túnel, agora com a abertura de outro tipo de negócio, a restauração e bebidas, sendo o antigo Largo da Ribeira Velha a funcionar um pouco como espaço âncora.

Presentemente, outra década volvida e a baixa parece querer florescer com as muitas aquisições dos antigos prédios que tem vindo a ser recuperados e novos negócios começam a surgir um pouco à boleia da restauração e bebidas que vem atraindo cada vez mais nacionais e estrangeiros à baixa.

Não é pois de admirar que neste momento possamos observar naquela zona da cidade para além de novas lojas em funcionamento mais de uma dezena de edifícios com obras de melhoramentos concluídas ou em faze de conclusão, pelo que se augura que em breve dias melhores sejam uma realidade na antiga baixa sadina, com nova e mais vibrante vida diurna e noturna.

Rui Canas Gaspar

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