A antiga e nova baixa setubalense
Durante muitos anos funcionou na baixa de
Setúbal o comercio e serviços distribuído pelas diferentes ruas especializadas
nos mais variados misteres de onde ressaltava a Rua dos Ourives, a dos
Caldeireiros, a dos Sapateiros, a das Farinhas, a dos Correeiros etc. etc.
Mais tarde essas artérias diversificaram-se e,
modernas e atrativas lojas de tecidos e
sapatarias fariam atrair à baixa muitos dos setubalenses, por vezes só para
verem as montras.
Os comerciantes prosperavam e, aos poucos,
foram tomando conta dos andares superiores dos prédios ocupados pela sua
atividade comercial para naqueles espaços, agora sem moradores, fazerem os seus armazéns e escritórios de
apoio.
As convulsões sociais que se seguiram à
revolução de 25 de Abril de 1974, o envelhecimento dos comerciantes e a sua já
pouca disposição para a mudança de hábitos e novos costumes, aliado ao “pronto
a vestir” que entretanto surgiu e se implantou em força, ditaram o fim de
muitas das lojas da baixa.
Mas… a grande “machadada” aconteceu naquele ano
de 1991, quando em Outubro abriu portas o Hipermercado Jumbo de Setúbal (atual
Alegro) deslocalizando o poder de compra da baixa para as novas e modernas
instalações.
Com as lojas a encerrar e os andares superiores
sem ocupação rapidamente a baixa quase se tornou um deserto. Tendência
potencializada com o parqueamento automóvel que começou a ser pago, em
contraponto com a gratuitidade do novo e vibrante espaço comercial.
Foi necessário deixar passar cerca de uma
dezena de anos desde a abertura do “Jumbo” até que a baixa começasse a ver
alguma luz ao fundo do túnel, agora com a abertura de outro tipo de negócio, a
restauração e bebidas, sendo o antigo Largo da Ribeira Velha a funcionar um
pouco como espaço âncora.
Presentemente, outra década volvida e a baixa
parece querer florescer com as muitas aquisições dos antigos prédios que tem
vindo a ser recuperados e novos negócios começam a surgir um pouco à boleia da
restauração e bebidas que vem atraindo cada vez mais nacionais e estrangeiros à
baixa.
Não é pois de admirar que neste momento
possamos observar naquela zona da cidade para além de novas lojas em
funcionamento mais de uma dezena de edifícios com obras de melhoramentos concluídas
ou em faze de conclusão, pelo que se augura que em breve dias melhores sejam
uma realidade na antiga baixa sadina, com nova e mais vibrante vida diurna e
noturna.
Rui Canas Gaspar
www.troineiro.blogspot.com
