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segunda-feira, 27 de março de 2017

A dança dos hotéis em Setúbal 

Foi anunciado com grandes parangonas e toda a pompa que os chineses vinham para Setúbal investir na construção da marina e erigir apartamentos e um hotel, num enorme empreendimento que iria modificar a zona ribeirinha. 

Pelos vistos os chineses roeram a corda, já cá não vêm pôr os pés e os promotores asiáticos não vão aqui construir marina nem hotel nenhum. 

É agora anunciado que os israelitas vêm erigir um hotel em Setúbal, frente ao Centro Comercial Alegro e, mais uma vez, ficamos naturalmente satisfeitos com o anúncio desta construção que depois de pronta anuncia-se como geradora de uma centena de postos de trabalho. 

Mas, já diziam os putos de Troino:  “a ver vamos como diz o cego”… 

Por outro lado, o emblemático Grande Salão Recreio do Povo, à porta do qual muitos bolinhos à ti Laura comi, certo dia foi parar às mãos de um banco, que acabou absorvido por outro, que por sua vez se desfez do imóvel para fazer o quê? Um hotel, pois claro!... 

É como se costuma dizer por cá: “Não há duas sem três” mas de hotéis nem visto! 

O que eu não sabia é que afinal sem confusão nem complicação, sem parangonas e sem estrangeiros metidos no assunto estava em curso na minha cidade a construção de, imagine-se, um hotel. 

Exatamente. Tomei hoje conhecimento de que está em curso, nas Fontainhas, obras numa antiga fábrica conserveira com vista à sua transformação para ali poder vir a funcionar uma unidade hoteleira. 

O espaço é propriedade de um conhecido setubalense, que curiosamente há bem pouco tempo inaugurou aqui na cidade um bonito hostel. 

É claro que fiquei satisfeito por saber de mais este investimento para a minha terra e bem mais satisfeito ao constatar também mais uma vez são os portugueses em geral e os setubalenses em particular que estão a apostar naquilo que é nosso. 

O investimento estrangeiro é naturalmente bem-vindo, mas nesta dança dos hotéis parece que vão sendo mais as vozes que as nozes, salvando-se, e ainda bem, estas constatações. 

Rui Canas Gaspar
2017-março-27

www.troineiro.blogspot.com 

quarta-feira, 2 de março de 2016

O nosso típico Bairro das Fontainhas 

Se existem zonas típicas em Setúbal, podemos sem dúvida dize-lo que elas se encontram em Tróino a poente  e nas Fontainhas a nascente, é aqui que vamos encontrar os mais genuínos habitantes desta terra, virada para o Sado, a quem muito deve a urbe.

O Bairro das Fontainhas remonta ao século XVI, conhecendo o seu desenvolvimento nos dois séculos seguintes. Foi neste espaço de encosta que se edificaram as antigas habitações, nas quais podemos em alguns casos reconhecer pequenos pormenores que remontam aos primeiros séculos da sua ocupação.

As ruas do bairro são geralmente estreitas e sinuosas, podendo-se aqui também observar escadarias de acesso aos pontos mais altos. O chão é pavimentado, embora grande parte dessas calçadas estejam presentemente cobertas por asfalto.

Curiosamente, alguma da pedra utilizada, quer no pavimento quer até em algumas construções veio de muito longe, servindo de lastro aos barcos que demandavam o porto de Setúbal aqui chegados para carregar o seu “ouro branco”, o sal que foi fonte de riqueza e progresso durante séculos.

O bairro ainda mantém algum colorido e tipicismo com muitas entradas de residências decoradas com múltiplos vasos de vistosas e bem cuidadas plantas, podendo-se também observar as roupas bem lavadas dos seus moradores penduradas junto à porta de casa a secar ao sol.

O comércio era diversificado como não podia deixar de ser numa zona com tantos barcos e com apeadeiro de comboio. As tabernas, local de encontro e convívio entre os homens do mar, também por ali proliferavam. Alguns desses espaços ainda hoje funcionam, porém com outro tipo de atividade.

Um dos pontos de maior atração até meados do século passado foi o “poço das fontainhas”, erigido em 1861,local onde parte dos habitantes se abasteciam de água, quer para as suas casas quer para os barcos de pesca que acostavam frente ao mesmo, inicialmente na praia e posteriormente na doca.

Era neste local que podíamos encontrar sempre algum pescador a remendar redes e onde muitos beijos foram rapidamente trocados entre jovens enquanto se enchia uma bilha de barro com a preciosa água que hoje já ali não corre. Tal como também não correm as mulheres para as muitas fábricas de conserva de peixe, a nascente do bairro, que com as suas potentes sirenes as chamavam ao trabalho, quando a nossa costa era farta de boa e deliciosa sardinha.

Rui Canas Gaspar
2016-março-03

www.troineiro.blogspot.com