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sábado, 21 de maio de 2016

Parabéns para todos aqueles que fizeram e continuam a fazer dos  estaleiros navais de Setúbal uma referência para o mundo

Foi há 45 anos, no dia 27 de maio de 1971 que nasceu uma das maiores empresas portuguesas.  Porque  estava vocacionada para a construção naval e teria os seus estaleiros em Setúbal, foi batizada de SETENAVE.

A nascente da cidade, na península da Mitrena, os trabalhos de implantação dos grandes estaleiros prosseguiam e, atendendo à sua importância nacional, o mais alto representante da Nação, Almirante Américo Tomás, no dia 8 de maio de 1973, decidiu ali ir ver como avançavam os trabalhos.

Dois anos depois da visita do Presidente da República aos estaleiros acontecia a revolução de 25 de abril de 1974 e toda a estrutura política, económica e social do país sofreria rápidas modificações.

Em 1975 as docas secas entravam em funcionamento e nesse mesmo ano a SETENAVE deixaria o setor privado para ser nacionalizada, a exemplo de outras grandes unidades industriais portuguesas.

Um ano depois, em 6 de maio de 1979, o sonho tornava-se realidade e o “Nogueira” era alvo da cerimónia do bota-abaixo, tratava-se de um enorme navio tanque, construído integralmente nos estaleiros de Setúbal para a SOPONATA.

O “Nogueira” foi o maior barco até então alguma vez construído nos diversos estaleiros que operaram em Setúbal ao longo de séculos de História.

A SETENAVE estava apta para a construção de grandes navios, enquanto a sua irmã mais velha, a LISNAVE constituída oficialmente em 11 de setembro de 1961, especializava-se na reparação dos gigantes dos mares.

No fim da década de noventa, a LISNAVE, que chegou a ser considerada como um dos maiores e melhores estaleiros navais do mundo encerrava portas e deslocalizava para Setúbal algum do seu equipamento e pessoal fabril.

A sadina SETENAVE passaria então a adotar a designação alfacinha de LISNAVE – Estaleiros Navais, S.A. continuando a evoluir na reparação naval e a aumentar o seu volume de negócios ao longo dos anos.

Presentemente a setubalense LISNAVE é uma referência mundial da reparação naval, sendo uma das empresas que mais contribui para o PIB português.

Nesta data em que a empresa comemora o seu 45º aniversário é justo dar os parabéns a todos aqueles que ao longo de quase meio século tem contribuído para que o nome de Portugal, no exigente setor naval, seja de facto uma referência, agora que ela ostenta a designação oficial de LISNAVE mas que certamente no coração de muitos setubalenses será eternamente a nossa SETENAVE.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-21

www.troineiro.blogspot.com

quinta-feira, 26 de março de 2015

Trinta anos passam sobre a inauguração deste monumento

No primeiro dia de outubro de 1985 inaugurava-se em Setúbal a maior escultura que a cidade alguma vez tinha visto.

Trinta toneladas de ferro e chapa de aço davam corpo ao monumento que homenageava o 25 de abril e as nacionalizações, uma obra concebida pelos escultores Virgílio Domingues e António Trindade conjuntamente com o arquiteto Rodrigo Ollero.

Inicialmente pensada para ser colocada numa rotunda que então existia na zona nascente da Avenida Luísa Todi, acabaria por ser exposta na Praça de Portugal, noutra rotunda, num local mais alto da cidade, porquanto se verificara que a estrutura arenosa do solo da antiga Rua da Praia não era a mais adequada para aquele volumoso e pesado monumento.

O trabalho foi executado nos estaleiros navais da Setenave e foram os seus trabalhadores que voluntariamente ofereceram a mão-de-obra necessária à sua execução, ocupando um total de três mil horas.

Não foi fácil transportar as enormes peças metálicas daquele estaleiro até à Praça de Portugal. A meia dúzia de milhas que separam os estaleiros do cais de atracação do Porto de Setúbal foram vencidas graças a um batelão que transportou a pesada estrutura.

Depois, foram as complicações inerentes ao transporte por terra em camiões, sabido que é que algumas das lâminas chegam a atingir os 13 metros e o cubo tem seis metros de largura.

Coube à Autarquia, liderada na altura por Francisco Lobo, proceder à instalação de uma sólida base de betão onde o monumento seria apoiado, um trabalho orçado em cerca de dois mil contos (10.000 euros).

O monumento artístico abstrato é constituído por um cubo pintado de cor azul que significa a solidez e estabilidade das estruturas do Estado, e por um conjunto de lâminas vermelhas que evocam a força e criatividade laboral.

Inicialmente aplaudido por uns e criticado por outros, como é normal em democracia, fosse por razões políticas ou estéticas, o facto é que ao fim de trinta anos, provavelmente seriam poucos os setubalenses que hoje aplaudiriam se aquela peça escultórica fosse dali retirada.

A cidade tem vindo a construir várias rotundas e a dota-las com os mais diversos motivos decorativos, mas, em minha opinião, o que até agora continua no top é sem dúvida este “Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações”, devido ao seu elevado sentido estético, goste-se ou não do seu significado político.

Rui Canas Gaspar
2015-março-26

www.troineiro.blogspot.com