A minha primeira subida à
Serra da Arrábida
O
Francisco, forte pescador na casa dos 26 ou 27 anos, também lá ia no grupo, ajudando
a carregar um andor.
E
quando o dia da festa chegou mais uma vez ele segurou um dos varais colocou-o
ao ombro e ajudou a que a imagem ficasse no alto, bem destacada, até que
embarcou num grande iate de Setúbal,
daqueles muitos que ainda estavam em uso no Sado e que se encontrava acostado
ao batelão então existente no interior da Doca dos Pescadores.
E
foi atrás desse belo barco que seguiu todo o cortejo fluvial com as demais
embarcações repletas de animadas pessoas oriundas sobretudo do típico Bairro de
Troino, aquele que fica para as bandas da Igreja da Anunciada, o principal
local de culto dessa gente do mar.
Depois
do cortejo passar frente ao então Sanatório Marítimo do Outão e ter saudado
ruidosamente os doentes que ali se encontravam internados seguiu até ao
Portinho onde o iate de Setúbal parou frente ao então posto do “salva vidas” e,
uma lancha, levou pessoas e o andor para terra.
E
foi a partir daí que o Francisco, descalço, voltou a colocar o andor ao ombro
para ao som da banda e com muitas conterrâneos a acompanhá-lo subir a serra, em
cortejo, por aqueles carreiros pedregosos, até chegar ao “conventinho” onde
teriam lugar as festividades tanto apreciados pelo povo setubalense.
Entre
essa multidão que subia a serra, uma criança que deveria ter uns quatro
aninhos, lá ia alegremente pela mão de sua mãe, que seguia o marido para todo o
lado e que não poderia deixar de subir a serra para participar na festa.
Esta
foi a minha primeira caminhada por um local de grande beleza que me habituei a
gostar e esta foi uma história contada vezes sem conta por minha falecida mãe e
que meu pai, que fará 90 anos, dentro de poucos dias, me voltou a contar,
quando lhe dei a novidade de que o círio marítimo de Arrábida, interrompido há
cerca de 40 anos se iria voltar a realizar este ano de 2015.
São
Coisas de Setúbal que gosto e não me canso de escutar. São as nossas memórias que
se não forem devidamente partilhadas, sobretudo com os mais novos, esfumar-se-ão
com o passar do tempo que nos foge por entre os dedos.
Rui Canas Gaspar
2015-junho-27
www.troineiro.blogspot.com
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