notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro
Mostrar mensagens com a etiqueta Brancanes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brancanes. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Um património a defender em Setúbal 

Este Verão os setubalenses mais atentos a estas coisas do passado da sua terra têm tido a oportunidade de poder apreciar com mais pormenor um pouco daquilo que foi a vida dos seus antepassados. Isto graças ao fogo que afetou boa parte da zona poente da cidade e das grandes desmatações que a autarquia e os particulares têm levado a cabo sobretudo na zona da várzea. 

Estes dois fatores puseram a descoberto muito daquilo que se encontrava escondido dos olhares devido ao matagal, silvas e canaviais podendo-se agora admirar algumas peças em razoável estado de conservação.

Nas antigas e numerosas quintas que envolviam Setúbal, podemos agora ver, enquanto os canaviais e matos não voltam a crescer, os pórticos das hortas, restos de calçadas, pequenas pontes, estruturas das noras regueiras e aquedutos. Podemos ainda observar bem conservados poços e enormes tanques para retenção de águas destinadas a rega.

Já na parte mais alta da cidade, para os lados do antigo convento de Brancanes são os oratórios e os cruzeiros,as fontes e as nascentes que poderão agora ser melhor observados. 

Estes são pedaços da nossa história que observados com atenção e se integrados na paisagem circundante nos contam como era a vida campestre dos nossos antepassados.

Este é um legado a preservar e tanto quanto possível a conservar e integrar nas novas paisagens urbanas que se pretende venham a constituir uma mais-valia para nós e para os nossos vindouros.

Esperemos que eles sejam devidamente e rapidamente integrados e não destruídos como tem vindo a acontecer, por este ou aquele motivo, como aconteceram com a casa da Azeda, a casa da Quinta do Paraíso ou mesmo o pombal da Quinta de Prostes.

Valha-nos ao menos o mirante da Quinta da Azeda, apresentado como emblema do futuro Parque Urbano da Várzea, uma das primeiras obras erigidas em Portugal, utilizando o betão armado e que alguém com “responsabilidades”, em tempos veio advogar a sua demolição.

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-31

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O fogo revelou-me mais uma “coisa de Setúbal”

Nunca fui grande futebolista e fiquei sem vontade de o ser desde aquele dia em que fui jogar e acabei estatelado no chão, braço partido e imobilizado durante mais de um mês. 

Pelos vistos a apetência para os desportos continua a ser pouca porque desta vez um mergulho mal parido originou horríveis dores de ouvido durante três dias o que me levou a consultar uma competente médica otorrinolaringologista que resolveu a situação.

E foi quando vinha do hospital, de retorno a casa, que ao passar na estrada junto à base dos terrenos do Convento de Brancanes, atingido pelo fogo neste mês de setembro de 2016, que me despertou a atenção para uma construção que se encontrava escondida pelo mato e canavial e que o incêndio teve o condão de a colocar a descoberto.

Era ali que há sessenta anos corria uma água que no dizer dos médicos locais era leve e pura e aconselhada para doentes com problemas estomacais.

E foi precisamente com um desses problemas que o meu pai acabou por ser internado no “hospital velho” junto ao Convento de Jesus e foi ali que um dos médicos aconselhou minha mãe a levar-lhe a tão necessária água, mas essa deveria vir da tal fonte que agora vim a descobrir e que mostro na imagem que captei.

Como a nossa terra mudou nestas últimas décadas!... Mesmo atravessando um período de crise, nada se compara àqueles tempos difíceis em que a esposa de um paciente tinha de ir à fonte buscar água e transportá-la para o hospital, como se de um qualquer milagroso medicamento se tratasse.

E quem a mim me diria que devido a um lamentável incêndio florestal, que poderia ter tido um desfecho bem mais triste, haveria de colocar a descoberto uma peça do nosso património naturalmente ignorado da grande maioria da população e que a mim tanto diz, porque até pode ser que devido a ele o tal paciente setubalense, hoje com 91 aninhos, ainda se encontre entre nós.

Rui Canas Gaspar
2016-setembro-13

www.troineiro.blogspot.com