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segunda-feira, 30 de março de 2020



O polícia Sinaleiro que ficou na memória

O açoreano que se veio radicar em Setúbal e aqui criou a sua família, ficou na memória de muitos setubalenses como um homem elegante, simpático, íntegro, cujo profissionalismo impressionava os pequenos e graúdos.

Porte atlético, tronco muito direito, na sua atividade de polícia sinaleiro os movimentos eram bem vincados e precisos, por isso não é de admirar que fossem muitos os setubalenses, crianças, jovens ou adultos, que ficavam alguns minutos no passeio para admirar a forma impecável como este polícia sinaleiro dirigia o trânsito, normalmente na Avenida 22 de Dezembro.

O Sr. Jacinto era pessoa de uma delicadeza extrema e quantas vezes não mandou ele parar o trânsito para dar o braço a uma senhora idosa ajudando-a a atravessar a rua. Mas o seu profissionalismo era de tal ordem que muitas vezes mesmo sem estar de serviço e notando que havia qualquer problema na fluidez automóvel ia para o meio da via e desbloqueava a situação.

A revolução de 25 de abril de 1974 estava no auge quando as maiores manifestações de jubilo que alguma vez ocorreram em Portugal foram vividas em Setúbal.

Naquele 1º dia de Maio de 1974 uma mulher setubalense foi junto do Sr. Jacinto, que como sempre cumpria a sua atividade ao serviço do trânsito na cidade e colocou-lhe um cravo vermelho na lapela, símbolo da revolução de abril.

No dia seguinte o Sr. Jacinto apresentou-se ao serviço, dirigindo o trânsito, impecavelmente fardado e de sapato a brilhar, mas com dito cravo na lapela.

Rui Canas Gaspar
2020-março-30

terça-feira, 31 de maio de 2016

Provavelmente este foi o melhor polícia que passou por Setúbal 

Foi num dia de inverno que nasceu na Freguesia da Ribeira Seca, concelho da Ribeira Grande, em São Miguel, nos Açores, quando o calendário assinalava 2 de Fevereiro de 1926 e, logo trataram de lhe colocar o nome de Jacinto Medeiros Melo.

A criança cresceria na sua terra natal e, mais tarde, deixava as brumosas ilhas atlânticas para se vir instalar no solo continental português.

Setúbal, cidade à beira mar plantada, foi a escolhida para viver e foi precisamente aqui que não só viria a criar e educar as suas duas filhas e o filho como também viria a exercer de forma exemplar a sua atividade como sinaleiro ao serviço da Polícia de Segurança Pública, a força de segurança onde ingressou no início dos anos cinquenta do século XX.

De tal forma desempenhou a sua atividade profissional que ficou na memória de todos os que, sendo ou não automobilistas, ainda hoje se lembram dele e comentam a sua ação enquanto agente de trânsito, dado ter-se tratado de um homem com uma postura profissional e cívica absolutamente exemplar e única.

Acontecia que, quando o senhor Jacinto por vezes já tinha saído de serviço e se deparava com alguma complicação no tráfego automobilístico citadino, estivesse ele fardado ou não, logo se dirigia para o centro da via e com o seu porte impecável e a sua reconhecida competência logo tratava de resolver a questão da fluidez do trânsito automóvel.

Quando questionado por um jovem escuteiro sobre o motivo porque o fazia, logo tratou de responder que era por “dever”, porque considerava que um polícia tinha essa obrigação estando ou não de serviço.

Era um homem que desempenhava a sua atividade profissional por gosto e, com chuva ou com sol, ele dirigia o trânsito deslocando-se de forma rápida, com as suas passadas largas e decididas e, os seus inconfundíveis gestos que faziam os condutores andar ou parar.

Tratava-se de uma atividade por demais perigosa dado que ela se desenvolvia entre as viaturas que circulavam nas artérias mais movimentadas da cidade.

Jacinto Melo faleceu em Setúbal, a terra que adorava e onde criou seus filhos, poucos dias antes de completar 87 anos, quando o calendário marcava 8 de janeiro de 2013. Tinha vindo ao mundo num dia de Inverno e foi nesta mesma estação do ano propícia ao mau tempo que nos deixou.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-31

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