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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

De costas voltadas para Setúbal 

Para os jovens setubalenses de finais das décadas de 70 e 80 do passado século XX, o Verão sem ir pelo menos uma vez às piscinas de Troia não era Verão.

O complexo de piscinas da Costa da Galé, saído do atelier do arquiteto Conceição e Silva, era naquele tempo o maior da Europa e teve até a honra de ser inaugurado pelo Presidente da República, Almirante Américo Tomás.

Com o declínio da TORRALTA e por falta de adequada manutenção aquele enorme e importante equipamento viria paulatinamente a degradar-se.

Ele não seria parte integrante no programa desenvolvido pela Sonae que também reduziria o número de camas previstas no projeto inicial de setenta mil para as seis mil e quinhentas agora contempladas no verdejante Troia Resort.

Embora os setubalenses tenham deixado de ir às piscinas do enorme complexo de Troia por as mesmas terem entretanto sido demolidas, na memória de muitos ficou o seu emblemático equipamento composto por espreguiçadeiras e cadeirões fabricados em fibra de vidro e de cor amarela.

Mas nem tudo desapareceu com a voragem dos tempos. Como podem ver subsistiram, sabe-se lá como, pelo menos estes dois cadeirões, que fui encontrar na marina de Troia, curiosamente de costas voltadas para Setúbal e para as suas gentes que mesmo assim continuam a afluir em grande número àquelas praias de fina areia branca.

Rui Canas Gaspar
2016-outubro-07

www.troineiro.blogspot.com 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nunca esteve previsto Parque de Campismo em Troia

Quando o tema é Troia, aqui pela internet, quase sempre vem à baila, o saudoso parque de campismo existente no tempo da TORRALTA e que esteve ativo desde meados dos anos setenta, onde muitos dos intervenientes nos debates  acamparam e, provavelmente,  de novo gostariam de o fazer.

O assunto nada tem a ver com o campismo que se fazia na zona da Caldeira ou aquele “selvagem” que por ali acontecia até aos anos sessenta e que depois se deslocalizou um pouco mais para montante, para a zona da Ponta do Verde.

O que acontece é que no plano geral de desenvolvimento de Troia, nunca esteve previsto nenhum parque de campismo e, no espaço onde depois da revolução de 25 de abril de 1974 foi instalado um, ele foi implantado no local que estaria destinado ao “super-edifício”, que não chegou a sair do papel, designado por hotel 1001.

Para se ter uma pequena noção do que seria este edifício, em forma de pirâmide com 1001 quartos (como se comentava na época) ele ocuparia uma área-base  cerca de quatro vezes maior que aquela ocupada pelo Troia Design Hotel, onde agora se situa o casino.

Troia não esteve, desde que começou o desenvolvimento urbanístico pela mão da TORRALTA, nem desde que o projeto recomeçou pela batuta da SONAE virada para o campismo, pelo que quem usufruiu desse prazer naquele espaço que guarde as boas recordações para partilhar com as atuais gerações.

Presentemente, e por um período de três dias no ano poderá voltar a recordar esses tempos, acampando na Caldeira durante as suas centenárias festas em honra de Nossa Senhora de Troia, ou então deslocando-se mais para sul, poderá fazê-lo no Parque de Campismo da Praia da Galé, perto de Melides.

Rui Canas Gaspar
2016-agosto-18

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Urbanização de Troia que não chegou a ser erigida

Em 1973 eram na ordem dos milhares os operários e técnicos de construção civil que diariamente atravessavam o Sado, quer nos barcos convencionais, quer nos modernos hovercrafts, para trabalhar na construção daquela que se pretendia vir a ser a capital do turismo europeu, Troia.

Para ali também convergiam muitas outras centenas de trabalhadores que a empresa fazia transportar numa frota de autocarros recolhendo-os nas mais diferentes localidades dos concelho de Grândola e Alcácer do Sal.

A Torralta - Clube Internacional de Férias, S.A. era a empresa mãe de um conjunto de outras, entre as quais a A.C. (Arquitetura e Construção) aquela que tinha à sua responsabilidade os trabalhos de construção civil e que coordenava várias outras empresas subempreiteiras.

Na grande península de finas areias brancas, onde poucos anos antes proliferavam as barracas de campistas ocasionais de fim-de-semana, ou dos outros que ali faziam longas temporadas de veraneio, erguiam-se agora diferentes edifícios, construídos por uma legião de mais de três mil pessoas de todas as artes.

Quando se deu o golpe militar de 25 de abril de 1974, Troia estava prestes a concluir alguns edifícios, em banda, que iriam receber os primeiros turistas. Porém muitos outros, quer hoteleiros, quer de apoio não chegaram a ser iniciados.

Entre aqueles que não começaram a ser construídos conta-se o Posto Médico, uma pequena unidade hospitalar onde então eu deveria começar a exercer a minha atividade como jovem técnico.

Igualmente não chegou a ver a luz do dia o célebre Hotel 1001, uma enorme construção, em forma de pirâmide com 1001 quartos, que aqui podemos ver implantado neste plano geral do empreendimento.

Independentemente de tudo o que se possa dizer, gostando ou não, criticando ou apoiando, o facto é que o empreendimento de Troia foi aquele que mais prazer me deu em toda a minha vida profissional desenvolvida ao longo de algumas décadas na construção civil.

Quando hoje peguei no velho desenho de 1973 com cerca de 3 metros de comprimento por um de largo, designado por “Plano de Sementeiras e Plantações de 1972” onde estavam assinaladas as espécies a plantar e onde igualmente se encontram assinaladas a implantação dos mais diversos edifícios a minha memória recuou até àqueles tempos de grande azáfama e entusiasmo próprio da juventude.

Hoje, Troia apresenta-se com um novo visual, diferente do plano original. Não sei se melhor ou pior, mas o que me ficou na memória naqueles anos setenta do passado século XX era uma cidade turística, onde os veículos se deveriam mover a eletricidade e onde os tufos de plantas próprias daquele magnífico local deveriam não ser só preservadas mas disseminadas um pouco por todos os espaços disponíveis, conforme se pode ver nesta velha planta do Atelier de Conceição Silva.

Rui Canas Gaspar
2015-dezembro-07

www.troineiro.blogspot.com