notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sábado, 18 de janeiro de 2014

Uma Rua de Setúbal que ficou esquecida

O espaço é amplo, em terra batida, vou por ali fora para fotografar as ruínas de um velho moinho de vento que em tempos idos transformou em farinha os grãos com que os nossos ancestrais fizeram o seu pão.

Reparo numa placa toponímica e aproximo-me para poder ler a inscrição e qual não é o meu espanto quando constato que afinal não estou num descampado mas sim na Rua C do Bairro Rendeiro.

De facto já temos em Setúbal a Rua do Mal Cozinhado, mas esta tal Rua C do Bairro Rendeiro é que me parece que nunca viu a cor da panela, sem sequer  alguma vez sentiu o calor do lume.

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-18

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Hoje fotografei uma fisga

Quando muitos de nós eramos crianças e as televisão por estas bandas eram uma raridade, sem computadores, e com poucos brinquedos, inventávamos não só os nossos como as próprias brincadeiras.

Geralmente a poucas centenas ou dezenas de metros das nossas casas tínhamos espaços campestres e muitos de nós fazíamos as fisgas para com elas ir apanhar pássaros.

Muitas dessas pequenas aves acabavam na frigideira, fritas, como necessidade alimentar, ou como petisco.

Mas hoje não vou falar da conhecida e popular Adega dos Passarinhos, que me parece que dos ditos ali apenas resta o nome e o enorme passarão pintado na parede, mas sim da fisga, que hoje vi exposta numa drogaria de Setúbal.

Curiosamente esta “terrível arma” não se encontrava à venda, mas o seu proprietário faz questão de ali a ter para mostrar aos meninos de hoje como era a sua própria vivência aquando criança.

Esta é uma interessante maneira de passar o testemunho, tal como nós o fazemos ao publicar aqui na net as nossas recordações e vivências. Por isso fotografei a fisga para que possamos ter aqui mais uma memória partilhada.

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-17

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O Porto de Setúbal está em franco desenvolvimento

É com muito agrado que começamos a ver a nossa bela “baía dos golfinhos” com um inusitado movimento de grandes barcos que todos os dias entram e saem das nossas tranquilas águas sadinas.

Mais de uma centena de grandes gigantes dos oceanos demandam anualmente um dos melhores estaleiros navais do mundo, a Lisnave, aqui sedeada na Península da Mitrena.

Quanto ao nosso Porto vale a tema tomarmos conhecimento do que foi a sua atividade em 2013 de acordo com a nota de imprensa divulgada por aquela entidade:

“O Porto de Setúbal fechou o ano de 2013 com mais de 7 milhões de toneladas movimentadas, patamar ultrapassado pela segunda vez na história do porto e que constitui o novo máximo absoluto de sempre. Foi um ano de recuperação de cargas, atingindo-se valores mensais na linha dos melhores anos anteriores, com movimentações superiores a 600 mil toneladas.

O ano de 2013 passa a constituir um marco que demonstra a motivação e a preparação da Comunidade Portuária de Setúbal e de todos os trabalhadores do porto de Setúbal para superar os desafios da conjuntura difícil que atravessamos, colocando o Porto de Setúbal na rota da competitividade e do desenvolvimento, com forte suporte às exportações e às empresas industriais da região criadoras de emprego (representam 33 mil postos de trabalho direto e indireto) e ainda grande capacidade para crescer.”

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-16
Parabéns e obrigado ao “Folha Sadina”

O “Folha Sadina” é um jovem jornal que comemora amanhã, dia 17 de janeiro de 2014, o seu primeiro aniversário. Trata-se de um bissemanário (sai às segundas e quintas-feiras)   que nos relata as notícias da cidade de Setúbal e da nossa região.

Aproveitamos para daqui endereçar os nossos parabéns e agradecimentos ao jovem periódico por dois excelentes motivos.

1º Porque um aninho não se faz todos os dias e por isso mesmo é motivo para ser devidamente comemorado.

2º Um agradecimento porque foi com surpresa que vi o meu livro ARRÁBIDA DESCONHECIDA (que já se encontra em todos os continentes do mundo) ser mencionado nas suas páginas como “Livro da Semana” o que naturalmente deixa qualquer autor satisfeito pelo reconhecimento do seu trabalho.


Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-14

Pois é verdade que um aninho não se faz todos os dias e eu acabei por dar os parabéns antecipados ao "Folha Sadina" Quem  de facto faz um ano de vida é a empresa publicitada por cima do título do jornal. Daí o lapso, pelo que peço desculpa pelo "barrete" que enfiei àqueles que leram estas linhas.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A “minha” janela do euromilhões

A vida é feita de coisas boas e de outras menos boas, de alegrias e de tristezas, de noites e de dias, de verões e de invernos, de juventude e de velhice…

Gosto de valorizar os pequenos prazeres da vida, seja em que altura for e em que época possam acontecer, de preferência prolongando os bons momentos.
Hoje foi um desses dias. Depois de uma manhã de atividade profissional aproveitei para ir almoçar ao meu “restaurante” preferido o meu pitéu de eleição.

Curiosamente, talvez devido à anunciada tempestade não estava lá ninguém e pude comer o meu farnel, composto da deliciosa sandes de choco frito, comprada em Setúbal, acompanhado de um refrescante Sumol de laranja, sentado frente à deserta Praia da Figueirinha, em plena Serra da Arrábida.

No regresso à minha cidade do Rio Azul, ainda tive oportunidade de ir fazer mais uma exploração a uma peça do nosso património edificado e votado ao abandono na serra, onde de uma janela altaneira, qual excêntrico do euromilhões, contemplei o deslumbrante “vendaval” que se abatia sobre a baía dos golfinhos e o Atlântico que com as suas águas azuis com ela se iria casar.

Estes são os pequenos/grandes prazeres da vida que esta Região de Setúbal nos proporciona a baixo custo e que por vezes os próprios setubalenses não aproveitam.

Podem-nos levar os euros em impostos, podem-nos massacrar com as más notícias diárias, mas esta maravilha jamais conseguirão tirar-nos.

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-13
Um histórico edifício funciona como sede do Rotary Clube de Setúbal

Ao que julgo saber o Rotary Club é uma organização prestigiada e composta por pessoas de bem que quando cumpridoras se regem por elevados padrões, assentes em quatro princípios, tendo por base elevados ideais.

1.  O desenvolvimento do companheirismo como elemento capaz de proporcionar oportunidades de servir;
2.  O reconhecimento do mérito de toda ocupação útil e a difusão das normas de ética profissional;
3.  A melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e privada, e
4.  A aproximação dos profissionais de todo o Mundo, visando a consolidação das boas relações, da cooperação e da paz entre as nações.

Na cidade de Setúbal este clube dispõe desde final do passado ano de 2013 de uma sede, propriedade do povo setubalense que em boa hora a Autarquia deliberou ceder-lhe, com a condição de que o Clube tratasse da manutenção deste antigo e histórico imóvel.

E foi assim que os rotários, segundo se consta, ali investiram cerca de 15 mil euros na manutenção e conservação do edifício que agora se apresenta com excelente aspeto, numa das zonas mais movimentadas da cidade, logo à entrada da Avenida General Daniel de Sousa.

O que eu não gosto nada, e penso que os setubalenses e visitantes da nossa terra também não, é desta bela sede do clube se destacar de um outro edifício não menos importante e belo, porém que se apresenta de forma miserável, estou a referir-me ao palácio Botelho Moniz.

Porque as instalações do palácio estão na posse de uma organização religiosa que, ao que parece, não vive com desafogo financeiro, as Irmãs de Calcutá, será que não seria interessante o Rotary Clube de Setúbal, promover os trabalhos de pintura dos muros e portões daquela Instituição, pelo menos na parte que fica nas traseiras das suas instalações?

Se esse trabalho fosse feito aquela artéria da cidade teria muito a ganhar e o próprio clube ficaria mais bem integrado, como se poderá constatar pelas fotos.

É claro que tudo isto tem custos e não faço sequer ideia se o clube está ou não em condições financeiras para suportar tal encargo, mas não me custa muito acreditar que num tão seleto grupo de pessoas de bem não hajam algumas dispostas a fazer a sua boa ação, abrindo os cordões à bolsa ou movendo as necessárias influências para que o trabalho se possa realizar.

Que acham da ideia? Vamos aguardar pelos resultados…

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-13























domingo, 12 de janeiro de 2014

Moradia da família Castro "Cabrela"

Outrora uma referência na cidade, pela sua linda, invulgar e harmoniosa arquitetura, está a ficar irreconhecível, a moradia pertencente à abastada família  Castro que por ter propriedades no Alentejo, em Cabrela, também era conhecida pelo nome dessa localidade. 

Localizada num amplo lote de terreno, em plena Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, na zona central da cidade de Setúbal, passou do estado de degradação em que se encontrava à de praticamente ruína.

A casa começou por ser ocupada pós 25 de abril de 1974 pelo M.R.P.P. um partido político pró China e desde então começou um longo processo de destruição.

Com a saída deste partido das instalações a mesma acabaria por ser ocupada por pessoas sem-abrigo e foi durante a sua estadia no local que se deu o incêndio no primeiro andar que viria a destruir ainda mais o outrora belo edifício.

Quando finalmente os legítimos proprietários retomaram a posse do imóvel e submeteram um projeto de recuperação e valorização do espaço à Câmara Municipal, viram a sua pretensão recusada pelos Serviços Técnicos no que se referia à volumetria pretendida, pelo que em função dessa decisão, deixaria de ser rentável a recuperação do imóvel.

Mais tarde, haveria de ser aprovado um projeto de recuperação para aquele emblemático local, porém as obras nunca chegariam a avançar, a despeito do aviso camarário afixado no local, junto à porta da entrada principal do edifício.

Alguns dos lindos painéis de azulejos que decoravam os seus alçados exteriores estão a desaparecer gradualmente. Sobrevivem  à degradação as bonitas cantarias e miraculosamente (por enquanto…) os seus elaborados portões e gradeamentos em ferro.

Uma das dependências anexas que deveria ter servido em tempos como garagem encontra-se agora a ser utilizada como armazém de velharias. Essa é, provavelmente a justificação para que o edifício não se apresente em piores condições, devido a estar parcialmente a ser utilizado, desincentivando, por esse motivo, os amigos do alheio a pilharem o que resta da vetusta moradia.













Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-12

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Será que temos em Setúbal publicidade sexual romanizada?

Há alguns anos tive oportunidade de visitar as ruínas romanas da grande cidade de Éfeso, localizada na Asia Menor, na costa ocidental da atual Turquia tendo retido na minha memória alguns aspetos curiosos dessa visita.

Se para algumas pessoas Éfeso é desconhecida, para os cristãos ela é, pelo menos de nome, bem familiar graças ao apóstolo Paulo que teria escrito, quando estava preso em Roma, uma carta dirigida aos habitantes daquela cidade e também por ali ter sido, noutra ocasião, alvo de perseguição por pregar o cristianismo.

Durante o período romano, esta era a segunda maior cidade do seu vasto império, com uma população de 250.000 pessoas, ou seja mais do dobro da que temos na cidade de Setúbal.

No centro daquela grande cidade existia um teatro com capacidade para 25.000 pessoas sentadas e em seu redor ainda hoje podemos encontrar as ruínas de várias construções, destacando-se a Biblioteca Publica; os sanitários públicos, onde curiosamente os romanos se podiam sentar e conversar enquanto se aliviavam sem se preocuparem com a “privacidade”  e também ali bem perto também existia o bordel.

Como naqueles tempos os habitantes de Éfeso não tinham o “cartão de cidadão” e para que ao prostíbulo não tivessem acesso os menores, trataram de publicitar convenientemente o local, marcando-o com uma pequena pegada. Quem tivesse o pé maior que a pegada podia entrar, sinal de que era crescido. Um critério mais ou menos subjetivo, ou seja: se fosse adulto de pé pequeno ficava à porta ou rapaz pezudo, entrava. Digo eu…

Todas estas memórias de viagem vieram-me à mente a propósito de ter sido confrontado, em Setúbal, com uma curiosa decoração que não consegui apurar se foi efetuada no âmbito do programa de voluntariado “Setúbal mais Bonita”, atendendo às pinturas nos prédios degradados ali também existentes, se uma forma de chamar a atenção para a placa de sinalização de uma sex shop que existe ou teria existido na zona.

Também pode acontecer que aqueles sete pares de sapatos e botas de tenis pintalgados tenham sido colocados ali no alto, à entrada da Travessa das Amoreiras, nem no âmbito do tal programa, nem tão pouco para chamar a atenção para a tal placa identificativa, mas sim por outro qualquer insondável motivo artístico.

A nossa cidade tem os mais diversos tipos de interesses e penso que, por isso mesmo, começa a ser oportuno pensar em novos e mais variados circuitos promocionais antes da chegada dos turistas.

No nosso Bairro de Troino a par de um sem número destes pontos dignos de nota, agora temos mais este raro exemplar de decoração urbana! Ou será que estamos em presença de uma imitação modernizada da publicidade sexual dos romanos de Éfeso?

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-10
José de Sousa, um bombeiro desgostoso

Embora estivéssemos em janeiro a manhã apresentava-se com uma agradável temperatura, pelo que se tornava agradável andar um pouco pelo meu velho Bairro de Troino, depois de ter tratado dos assuntos de ordem profissional que me propus desenvolver nesta manhã.

Gosto de observar as gentes da minha terra, as casas onde muitos dos meus amigos e pessoas conhecidas viveram. Enquanto ia olhando um pouco para todo o lado dei comigo a sorrir com o pensamento que tinha tido há muitos anos quando me dei ao trabalho de contar as pessoas que tinha cumprimentado desde que saíra de casa até chegar à Praça do Bocage. Foram mais de trinta…

Naquele tempo parece que toda a gente se conhecia. Hoje, depois de mais de uma hora a andar parei junto de um dos cinco passos existentes em Setúbal, a capelinha dedicada a São Marçal, patrono dos bombeiros e até esse momento  não tinha aparecido ninguém conhecido.

Estive a apreciar aquela capelinha, outrora sempre limpa e bem tratada e onde na época natalícia podíamos ver um grande e bem elaborado e tradicional presépio, que carinhosas e calejadas mãos tomavam à sua responsabilidade.

Vi, apreciei, fotografei e fiquei desgostoso com o ar triste a que a mesma se encontra, com vidro partido, reboco a cair, fios elétricos pendurados e um aspeto de abandono, condizente com  muitas das habitações da zona da minha meninice.

Pensativo, deixo aquele local e entro na Rua Direita de Troino, e eis que me cruzo com um homem que vem andando devagar apoiado numa canadiana. Reconheço-o, cumprimento-o, é a primeira saudação do dia. Ele não me conhece, são quase quinze anos de diferença que nos separam, ele era já um homem enquanto eu não passava de um puto.

Paro e entabulo conversa com aquele homem que não me conhecia, embora a sua imagem me tivesse ficada retida na memória ao longo de décadas.

José de Sousa, 79 anos, nascido em Troino, na Rua do Castelo, bombeiro, era ele que tratava daquela capelinha até 2011, a sua saúde já não lhe permite desenvolver essa tarefa como outrora o fez com tanto carinho e empenhamento. O mesmo empenhamento que colocou ao serviço dos seus conterrâneos no combate a centenas de fogos na nossa terra.

Hoje o nosso amigo José de Sousa teve oportunidade de encontrar alguém com quem conversar uns minutos sobre um assunto que tanto lhe diz e ao referir-se àquela e à outra capelinha existente no Larga da Veronica, que também cuidava não deixa de se manifestar de forma verbal violenta contra um antigo presidente da Câmara que mandou arrancar os azulejos que ele próprio colocara naqueles espaços, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal.

Não há dúvida que o ótimo é inimigo do bom e se de facto é como o amigo José de Sousa diz provavelmente os azulejos teriam sido mandados retirar por não serem condizentes com a época e estilo da construção. Porém, o lamentável estado que estas capelinhas agora se encontram é bem pior do que os azulejos que lá teriam sido colocados em tempos.

Há coisas que me custam a entender nesta nossa terra. Se estivéssemos a falar de obras de grande vulto e que envolvessem verbas substanciais, ainda vá que não vá, agora picar, rebocar, pintar e dar um ar limpo e decente a um espaço com aproximadamente uma dezena de metros quadrados é mesmo denotar uma falta de competência e sensibilidade a toda a prova.

Não sei de quem é a responsabilidade pelo miserável estado destes emblemáticos edifícios. Se da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, alegadamente o seu proprietário; da Igreja Católica, atendendo a que são locais de devoção católica; se da Câmara Municipal pelo facto de se tratar de peças únicas do nosso património edificado.

O que não restam dúvidas é que nem eu gostei, nem o Bombeiro José de Sousa gostou do que vimos. Também duvido que algum dos nossos amigos, troineiros ou não, gostem daquilo que se nos apresenta.

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-10


texto editado pelo jornal Folha Sadina na edição de 20 de janeiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Parabéns Luísa Todi

Comemora-se hoje dia 9 de janeiro de 2014 o 261 aniversário de Luísa Todi.

Nos idos anos cinquenta do século XX com pompa e circunstancia foi descerrada a lápide que assinala que nesta casa segundo tradição oral teria nascido a grande cantora Luísa Todi.
Até agora a maior cantora alguma vez nascida em Portugal, deslumbrou com a sua melodiosa voz as principais cortes da Europa do seu tempo. A cantora mereceu a honra de ver o seu nome figurar na mais importante artéria da cidade de Setúbal e na principal sala de espetáculos da terra que a viu nascer.

A casa onde supostamente viu a luz do dia desde à muito que está destinada a ser uma casa-museu já com algum espólio oferecido à Autarquia com esse objetivo.

E porque a mesma se encontra degradada e porque de entre tanto dinheiro que se tem gasto nas mais ou menos bem conseguidas obras na cidade, a par de um bom leque de mecenas que têm apoiados os projetos municipais, o melhor que se conseguiu fazer pela casa da grande cantora foi tentar disfarçar a miséria com uma ostensiva pintura que chama a atenção do mais distraído passeante, não para a casa em si mas para a pintura que lhe fizeram no âmbito do programa “Setúbal mais Bonita”.

Os gostos não se discutem! E se a temática pode agradar o mesmo não se poderá dizer em relação ao local onde a mesma foi aplicada, quando haveria tantas casas e tantos locais para o fazer.


Troino e a casa onde supostamente nasceu o seu maior vulto merecia melhor., Merecia a casa de Luisa Todi  e também toda a Rua da Brasileira, com as fachadas rebocadas e pintadas, com cores sóbrias e bonitas, porém sem esta espalhafatosa pintura. Digo eu que por ali nasci, cresci e continuo a apreciar o meu velho e tão maltratado bairro…

Rui Canas Gaspar

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Vamos à espera dos Reis

Fui à espera dos reis
À Pedra Furada
Enganei-me no caminho
Fui à casa da cagada

E com esta cantilena lá ia um enorme grupo de crianças, jovens e adultos desde o bairro de Troino até à Pedra Furada, na Estrada da Graça, carregando um pequeno banco de madeira à cabeça.

Era assim em Setúbal nos anos 50 do século passado e provavelmente também nos tempos que antecederam essa época.

Em 15 de janeiro de 1969 era eu um jovem correspondente em Setúbal do jornal “A Voz de Palmela” quando ali publiquei a seguinte notícia:

“ Numa louvável iniciativa dos professores e alunos da Escola Técnica de Setúbal, teve lugar nesta cidade, na noite de Reis, um desfile alusivo a esta quadra.

Centenas de jovens desfilaram desde a EICS até ao sítio da Pedra Furada onde se encontravam os “Reis Magos e pastores” e daí voltavam até à Praça do Bocage onde se encontrava montado um presépio.

Este desfile não conseguiu atingir o brilhantismo do ano passado, quer pelo número reduzido de “árabes” quer pela iluminação deficiente, originada pelo reduzido número de archotes.

Cremos que manifestações deste género, revivendo as festas tradicionais de Setúbal são uma iniciativa a todos os títulos louvável. Mas o que nos parece aconselhável é que iniciativas destas, especialmente as noturnas, deveriam ser precedidas de algum policiamento, a fim de evitar os abusos de alguns indivíduos mal-intencionados, que aproveitando-se desta oportunidade dão largas ao seu mau instinto.

Porém, não queremos deixar de felicitar todos os organizadores e pessoas que trabalharam para que fosse possível a realização desta velha tradição de Setúbal.”

E porque estamos quase de novo em Dia de Reis quem é que tem memórias deste tipo de eventos realizado na nossa cidade de Setúbal?

Rui Canas Gaspar

03-jan-2014