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segunda-feira, 27 de março de 2017

Já apreciaram a montra do nosso Hôtel de Ville? 

Luísa Rosa nasceu em Setúbal e segundo tradição oral teria sido na Rua de Coina, posteriormente rebatizada como da Brasileira, em pleno Bairro de Troino, onde eu também berrei que me fartei pela primeira vez naquele primaveril dia 19 de Abril. 

A mocinha poucos anos por cá esteve e aos 14 já atuava em Lisboa onde casou quase sem ter tempo para brincar com as bonecas de trapos, optando por se entreter com um italiano ligado às coisas da musica e mais velho que ela, uns bons aninhos. 

Porque o marido tinha o apelido de Todi a jovem artista passou a ser conhecida por Luísa Todi e, foi assim que ficou famosa nas mais diversas cortes da Europa aquando das suas atuações para as mais importantes figuras reais do seu tempo. 

De Setúbal, a piquena poucas recordações deve ter levado e, pelos vistos, mesmo em adulta não voltou a colocar cá os pés, nem sequer depois de morta. 

Mas porque aqui viu pela primeira vez a luz do dia, os setubalenses decidiram honrá-la como a nenhuma outra e o seu nome e busto figuram nos lugares cimeiros desta generosa terra de gente boa e hospitaleira. 

Hoje mesmo fui encontrar o seu busto no afrancesado Hôtel de Ville, ali para as bandas da Praça do Bocage e consegui esta interessante imagem sem recurso a truques ou malabarismos fotográficos, utilizando apenas e só a câmara do meu telemóvel. 

Espero que gostem e que possam ir até à baixa para apreciar ao natural este motivo decorativo da nossa principal casa setubalense, agora também apta a receber casamentos. 

Rui Canas Gaspar
2017-março-27

www.troineiro.blogspot.com

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017


A casa onde se diz ter nascido Luísa Todi 

Nasci na Rua das Oliveiras no popular bairro de Troino, quase ao lado da Rua da Brasileira, onde segundo tradição oral terá nascido a célebre cantora lírica Luísa Todi. 

Conheci aquela rua que antes de se designar por Brasileira ostentou a designação de Coina. Naqueles tempos era uma artéria cheia de vida e até o prédio onde se diz que a diva nasceu não lhe faltava animação, atendendo à muita freguesia que a taberna do António Dias tinha naquele tempo. 

E se a taberna funcionava no rés-do-chão o meu pai chegou a residir com a minha avó no último piso do histórico edifício, com vista para uma outra celebre janela, a da escola da Coelha, a tal professora que não se ensaiava muito para colocar os alunos à janela ostentando “orelhas de burro” ou fazer bom uso da sua omnipresente régua. 

Era bem pequeno, mas pelos vistos já curioso, não deixei de ir ver os senhores que mandavam cá na terra e ouvir a banda de música, apreciando o largo fronteiro devidamente engalanado com festões naquele dia de 1953 quando se colocou no edifício o medalhão com a efígie da Luísa Todi, como forma de comemorar o segundo centenário do seu nascimento. 

Em 2004 a Câmara Municipal de Setúbal adquiriu o imóvel, tendo anunciando na altura que iria naquele singelo edifício setecentista instalar um museu, núcleo documental e auditório. 

O tempo passou, o edifício foi-se degradando e no âmbito do programa “Setúbal mais Bonita” o prédio foi pintado de forma pouco condizente quer com a sua idade, estilo e até arquitetura local.

Neste momento a casa onde o povo acredita ter nascido Luísa Todi, propriedade da Câmara Municipal de Setúbal, encontra-se em estado deplorável com a fachada a necessitar de nova intervenção, enquanto o interior espera a tal anunciada casa museu.

E porque uma nova edição do programa “Setúbal mais bonita” vem aí se calhar não seria má ideia inserir este edifício no conjunto daqueles a ser intervencionado, mas desta vez espero como troineiro, que o mesmo seja pintado de forma condizente, porque a casa merece e os setubalenses como seus proprietários também o não desmerecem.

Rui Canas Gaspar

2017-fevereiro-22


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terça-feira, 28 de abril de 2015

Uma vida gloriosa e um final infeliz

Luísa tinha a invulgar capacidade de cantar com a maior perfeição e expressão, não só na sua própria língua materna, o português, como também em francês, alemão, italiano e inglês, sendo considerada a meio-soprano mais célebre de todos os tempos.

Nasceu em Setúbal, no popular bairro de Troino, em 9 de janeiro de 1753, dois anos antes do grande terramoto que destruiria boa parte desta localidade. Porém, ela sobreviveria ao cataclismo vindo a falecer muito depois, com a vetusta idade de 80 anos, no primeiro dia de outubro de 1833.

Embora nascida à beira do Sado, pouco tempo da sua longa vida aqui passou. Aos 14 anos já cantava em Lisboa e, em 28 de julho de 1769, quando tinha apenas 16 anos, casaria na capital do reino com um violinista napolitano, que lhe daria o apelido de Todi.

Luísa Todi cantou e encantou os poderosos de praticamente todas as mais importantes cortes europeias da sua época e a admiração por ela era tão grande que Catarina II da Rússia convidou-a conjuntamente com o marido e filhos para a sua corte, tendo-a presenteado com joias fabulosas.

Um dia, em 1793, vem a Lisboa por ocasião do batizado de mais uma filha do herdeiro do trono, o futuro D. João VI. Aqui teve de ser ultrapassado um difícil obstáculo. É que sendo proibido as mulheres cantarem em público, Luísa Todi necessitou de uma autorização especial para o fazer.

A sua carreira internacional terminaria em Nápoles no ano de 1799 e depois de regressar a Portugal, ainda cantou no Porto em 1801, dois anos antes de enviuvar.

Esta rica cantora e cantora rica, viria a ficar pobre naquela cidade nortenha. É que as tropas de Napoleão Bonaparte, invadiram a cidade invicta e na atribulada fuga, quando atravessava a célebre ponte das barcas, em 1809, as suas joias perder-se-iam para sempre no fundo do Douro.

A nossa conterrânea que com a sua invulgar voz e enorme talento encantou meio mundo, mudar-se-ia para Lisboa em 1811 cidade onde residiu até final da sua vida.

Consta que tenha sobrevivido com grandes dificuldades económicas e afetada por cegueira.

Foi sepultada perto do Chiado, no cemitério da Igreja da Encarnação, mas com a construção de um edifício essa área ficaria por baixo das fundações do imóvel construído nas traseiras da Igreja, mais concretamente no nº 78 da Rua do Alecrim.

O maior vulto nascido em Setúbal, o expoente máximo do canto que Portugal já teve, jaz sem qualquer glória sob o pavimento de uma cave lisboeta.

Setúbal não esqueceu esta sua filha, dando o seu nome à mais importante avenida, construindo-lhe uma glorieta e atribuindo o seu nome à principal sala de espetáculos sadina.

Rui Canas Gaspar
2015-abril-28

www.troineiro.blogspot.com