notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro
Mostrar mensagens com a etiqueta música. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta música. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Será que não está na altura de algum dos nossos grupo musicais pegarem na letra e música do ignorado e quase desconhecido hino do Vitória Futebol Clube e o divulgarem publicamente?

Foi em 23 de março de 1925 que Ricardo Durão escreveu a letra e Celestino Rosado Pinto tratou de musicar, ele que era naquele tempo um conhecido e conceituado maestro setubalense, nascido em 17 de dezembro de 1872.

Há notícia de que o hino vitoriano a par do hino de Nossa Senhora da Arrábida era muito conhecido e cantado com frequência pela generalidade da população setubalense no início do século XX.

O hino vitoriano nunca chegou a ser gravado e raramente foi tocado nos últimos anos, porquanto ao que parece subsistiu um desentendimento relacionado com questões autorais entre o conhecido autor da música e a Sociedade Musical Capricho Setubalense de quem esteve ao serviço.

Que se tenha conhecimento, a última vez que ele foi tocado num evento oficial sadino aconteceu em 1985, no decurso das comemorações do 75º aniversário do Vitória Futebol Clube, tendo sido então interpretado pela banda da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense.

Este é o Hino oficial do Vitória que ao longo dos anos tem vindo a aguardar que algum dos nossos cantores ou banda o venha a cantar, tocar e divulgar como tão bem o merece.

HYMNO do VICTORIA FOOT-BALL CLUB

BIS
Vitória Bradam nossos peitos
Cheios de força e de vontade,
Vitória certa em grandes feitos,
Prepara a nossa mocidade.

BIS
Lutar, lutar  até ao extremo
Por conquistar da glória as palmas
Vencer, vencer é o fim supremo
Que eleva sempre as nossas almas

E assim Vitória vai vibrando
BIS – Em ressonância triunfal
Como uma esp’rança tatejando
BIS – Nos corações de Portugal.

Rui Canas Gaspar
2016-junho-08

www.troineiro.blogspot.com

terça-feira, 28 de abril de 2015

Uma vida gloriosa e um final infeliz

Luísa tinha a invulgar capacidade de cantar com a maior perfeição e expressão, não só na sua própria língua materna, o português, como também em francês, alemão, italiano e inglês, sendo considerada a meio-soprano mais célebre de todos os tempos.

Nasceu em Setúbal, no popular bairro de Troino, em 9 de janeiro de 1753, dois anos antes do grande terramoto que destruiria boa parte desta localidade. Porém, ela sobreviveria ao cataclismo vindo a falecer muito depois, com a vetusta idade de 80 anos, no primeiro dia de outubro de 1833.

Embora nascida à beira do Sado, pouco tempo da sua longa vida aqui passou. Aos 14 anos já cantava em Lisboa e, em 28 de julho de 1769, quando tinha apenas 16 anos, casaria na capital do reino com um violinista napolitano, que lhe daria o apelido de Todi.

Luísa Todi cantou e encantou os poderosos de praticamente todas as mais importantes cortes europeias da sua época e a admiração por ela era tão grande que Catarina II da Rússia convidou-a conjuntamente com o marido e filhos para a sua corte, tendo-a presenteado com joias fabulosas.

Um dia, em 1793, vem a Lisboa por ocasião do batizado de mais uma filha do herdeiro do trono, o futuro D. João VI. Aqui teve de ser ultrapassado um difícil obstáculo. É que sendo proibido as mulheres cantarem em público, Luísa Todi necessitou de uma autorização especial para o fazer.

A sua carreira internacional terminaria em Nápoles no ano de 1799 e depois de regressar a Portugal, ainda cantou no Porto em 1801, dois anos antes de enviuvar.

Esta rica cantora e cantora rica, viria a ficar pobre naquela cidade nortenha. É que as tropas de Napoleão Bonaparte, invadiram a cidade invicta e na atribulada fuga, quando atravessava a célebre ponte das barcas, em 1809, as suas joias perder-se-iam para sempre no fundo do Douro.

A nossa conterrânea que com a sua invulgar voz e enorme talento encantou meio mundo, mudar-se-ia para Lisboa em 1811 cidade onde residiu até final da sua vida.

Consta que tenha sobrevivido com grandes dificuldades económicas e afetada por cegueira.

Foi sepultada perto do Chiado, no cemitério da Igreja da Encarnação, mas com a construção de um edifício essa área ficaria por baixo das fundações do imóvel construído nas traseiras da Igreja, mais concretamente no nº 78 da Rua do Alecrim.

O maior vulto nascido em Setúbal, o expoente máximo do canto que Portugal já teve, jaz sem qualquer glória sob o pavimento de uma cave lisboeta.

Setúbal não esqueceu esta sua filha, dando o seu nome à mais importante avenida, construindo-lhe uma glorieta e atribuindo o seu nome à principal sala de espetáculos sadina.

Rui Canas Gaspar
2015-abril-28

www.troineiro.blogspot.com