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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Antigo galeão do sal ostenta o nome de Mourinho 

Cada um aplica o seu dinheiro como quer e sabe e, por isso mesmo, ninguém tem nada a ver com o assunto. Sendo assim, não temos que nos admirar que o melhor treinador português de futebol, o conhecido setubalense Mourinho, tenha propriedades em Setúbal, Azeitão e onde ele muito bem desejar; que se desloque em carros de luxo e até veja a navegar no Sado um antigo galeão do sal para fins turísticos.

E é precisamente este aspeto final que é pouco conhecido entre os seus conterrâneos, a ligação ao “rio azul” que já vem dos tempos do Sr. Félix Mourinho, pai do treinador.

De facto, um dos três antigos galeões do sal que foram recuperados e que vemos navegar no Rio Sado, ostenta o nome do mundialmente famoso treinador, trata-se do “Zé Mário”, uma embarcação  que antes de ser propriedade da Reserva Natural do Estuário do Sado teria sido adquirida em 1963 por uma sociedade da qual fazia parte Mourinho, pai.

Ora foi nesse ano, mais precisamente no dia 26 de janeiro que nasceu o seu filho a quem colocou o nome de José Mário dos Santos Mourinho Félix, para os amigos setubalenses o “Zé Mário” e para o mundo o famoso Mourinho.

E foi precisamente em honra do bebé que tinha acabado de ver a luz do dia que o antigo galeão que tinha nascido e sido batizado com o nome de “Angelina de Jesus” passaria doravante a ser designado por “Zé Mário”.

Pois então para os amigos que pensavam que o nosso Mourinho estava agora a braços com alguma empresa marítimo-turística a operar no Sado podem ficar descansados, porque o homem continua nas lides futebolísticas, embora o seu nome continue a navegar nas belas e calmas águas do “rio azul” desde o ano em que nasceu.

São curiosidades da nossa terra, são coisas de Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-outubro-21

www.troineiro.blogspot.com 

domingo, 6 de março de 2016

Os belos e sólidos galeões do sal setubalenses

Das dezenas de antigos Galeões do Sal que sulcaram as águas do Sado, até à década de setenta do século passado, quinze destes belos e sólidos barcos ainda se encontram operacionais e, ao que tudo indica, em boas mãos, agora não transportando o “ouro branco” oriundo de calmas e azuis águas sadinas, mas dedicando-se geralmente às viagens de lazer.

Estas antigas embarcações à vela navegam em distintos pontos da Europa, nomeadamente em França e Inglaterra. Porém também os podemos observar na Madeira e no Algarve e naturalmente no seu antigo local de trabalho, ou seja, em Alcácer do Sal e em Setúbal.

No rio que banha a cidade sadina vamos encontrar o “Pego do Altar” e o “Riquitum”, propriedade de João Barbas de Oliveira, da Troia Cruise, uma das poucas empresas locais que opera como marítimo turística e que foi constituída em 1989.

O “Zé Mário” é propriedade da Reserva Natural do Estuário do Sado.

Este antigo barco de carga, construído com trinta toneladas de madeira, têm um comprimento de 16,90 m; boca 4,75 m; pontal 1,14m e foi concebido para o transporte de 35,00 moios, ou seja 29.750 kgs do outrora famoso e muito procurado sal setubalense.

O “Zé Mário”, setubalense de gema, foi mandado construir em 1944 por Possidónio Tavares no estaleiro de Chaves & Chaves, Lda. tendo-lhe sido inicialmente colocado o nome de “Angelina de Jesus” e foi registado no ano seguinte.

Quando em 1963 foi vendido a José Manuel da Cruz é que passou a ostentar a designação com que ainda hoje o conhecemos, embora desde então tenha tido mais um proprietário, antes de em 1982 ser adquirido pela Reserva Natural do Estuário do Sado, entidade que mandou proceder a um profundo trabalho de recuperação nos estaleiros da firma Jaime Ferreira da Costa & Irmão, Lda. sedeada em Sarilhos Pequenos. Já as velas e restante aparelho ficou entregue à dupla Brás e José Silva, dos últimos especialistas em velas para embarcações tradicionais.

Mas, são os barcos da Troia Cruise, construídos em 1943, aqueles que mais frequentemente vemos a navegar na nossa “Baía dos Golfinhos” onde nas diferentes rotas que opera geralmente têm a companhia destes simpáticos animais que não raras vezes vêm desafiar o “Riquitum” e o “Pego do Altar” para uma prova de velocidade pelas águas do rio azul.

É bom saber que embora a colónia de roazes residentes no Rio Sado não seja tão abundante como o foi outrora, ela represente um importante tesouro faunístico, porquanto é uma das poucas existentes em todo o mundo, daí a natural curiosidade mas também a necessidade de se proceder com o devido cuidado para a preservar como o fazem normalmente as empresas que operam no setor.

Agora que nos estamos a despedir do Inverno e que dias mais agradáveis aí virão não perca a oportunidade para fazer um passeio numa das mais belas baías do mundo e aproveitar para observar os simpáticos animais marinhos que Setúbal já adotou como seu símbolo.

Rui Canas Gaspar
2016-março-junho

www.troineiro.blogspot.com