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quinta-feira, 15 de junho de 2017



O nosso Rio Sado em Porto Rei 

Já foi local de embarque e desembarque de gente do povo, abastados lavradores ou até de importantes figuras da realeza  que ali chegaram ou dali partiram a caminho do palácio de Vila Viçosa. 

Já foi palco de volumosas cargas de cereais oriundos do Alentejo que depois vinham destinados aos moinhos que os transformavam em farinha para produzir o pão que alimentava as populações residentes nas localidades do litoral. 

Já foi o ponto onde até o Rio Sado era navegável e ali chegou a ser local de embarque e desembarque de carreiras fluviais. 

Por isso mesmo, naquele local foi construída uma boa casa apalaçada e brasonada bem como escadarias em pedra no seu cais de embarque junto ao rio. 

Andei quilómetros e quilómetros para descobrir este local, e finalmente dei com ele, porém para meu espanto o rio tinha desaparecido, as águas que outrora permitiam a navegação de grandes barcos tinham dali sumido, e até o cais deve lá estar mas não consegui descortina-lo devido ao intenso matagal em que a outrora margem se transformou. 

Apenas por ali se pode observar, só e triste o que resta da escadaria que já não conduz a lugar nenhum. 

Entrei com muito cuidado e percorri o que resta das antigas instalações onde o silêncio impera e que agora se resume a algo abandonado à sua sorte à espera que o tempo lhe dite a sentença final. 

Assim é Porto Rei, ou Del Rey, conforme a época em que o relato seja feito, o porto mais a montante do Rio Sado, um importante curso de água que deixou de correr e morre solitário e triste quase sem se falar no assunto. 

Dediquei com muito entusiasmo alguns meses a descobrir o nosso Sado.  Percorri várias centenas de quilómetros para ver e escutar e, em breve, vou partilhar muitas das suas histórias, lendas, e entrevistas com pessoas que retiraram o seu sustento das suas águas ou que simplesmente gostam dele. 

Dei ao livro o simples nome de “SADO”, mas poderia dar-lhe a sugestiva e agradável designação de “Rio Azul” ou a tristonha: “Um rio moribundo”. 

Provavelmente vai gostar de ir ver com seus próprios olhos o que eu vi, ou caso não o possa fazer pelo menos ficar a saber aquilo que eu observei. 

Rui Canas Gaspar

2017-junho-15

domingo, 12 de março de 2017

O nosso Rio Sado está a morrer? 

Quando estudávamos no ensino básico aprendemos que o Rio Sado nascia na Serra do Caldeirão, já perto do Algarve e corria de Sul para Norte. 

No nosso imaginário quase que estávamos a ver um pequeno fio de água que brotava da serra e que iria aumentando de caudal à medida que outros pequenos regatos se lhe juntavam até chegar a Setúbal onde o podíamos ver largeirão desde a nossa cidade até Troia. 

Se calhar a mesma minha imagem infantil é aquela que ainda hoje perdura na mente de muitas pessoas que já se encontram no Inverno da vida e mesmo naquelas que sendo mais jovens aceitam como bom este pensamento. 

Acontece que já em 1610 Duarte Nunes de Leão fazia a seguinte descrição: 

 “Do Sado que é maior que todos, também não fazem os geógrafos menção alguma, tirando Ptolemeu que lhe chama Callipode. 

Este rio não tem nascimento algum próprio, mas é um ajuntamento de águas das ribeiras de Exarama, de Odivellas, de Garcia menino, e de Santa e se ajuntam a tempo que já vão muito grandes, por águas que colheram de muitas ribeirinhas, regatos e fontes: E se ajuntam todos em um certo passo do qual se faz um rio grande que se chama Sado. 

Seu curso é de quatro léguas, no cabo das quais se mete no esteiro de Alcácer que vem para Setúbal. 

Neste rio até onde chamam o porto del Rei, se navega por barcas grandes e se matam infinitas tainhas muito grandes e formosas, barbos e bogas e enguias, por a grande pescaria que ali se faz e a muita caça que naquela parte há de coelhos e perdizes e muitas aves para caça de falcões e por muita e aprazível verdura deste espaço de terra muitos homens nobres na primavera vão ali folgar.” 

Naquele tempo os Invernos eram muito mais rigorosos e as chuvas copiosas faziam engrossar os caudais de riachos e ribeiras que viriam posteriormente encorpar o Sado. 

A partir do século XX a quase totalidade dessas águas deixou de correr para o Sado ficando represadas por uma dezena e meia de barragens disseminadas um pouco por toda a bacia hidrográfica do nosso rio. 

As condições meteorológicas entretanto sofreram um agravamento ano após ano e, como tal, até esses cursos de água ficaram ameaçados com a consequente falta de água nas barragens, que no final do Inverno deste ano de 2017 rondavam os 30% quando deveriam estar cheias e a transbordar para o Sado. 

Assim sendo, o que resta do rio azul? Que é que vemos frente a Setúbal senão as águas do Oceano Atlântico e uma ínfima percentagem de água doce?
Até quando teremos Rio Sado? 

Rui Canas Gaspar 



2017-março-12

sábado, 21 de janeiro de 2017

O abandonado Porto de Rei 

Presentemente chamam-me Sado e pelas minhas águas já proporcionei agradáveis viagens, até 70 quilómetros para montante de barcos que transportavam mercadorias ou pessoas umas mais importantes e outras nem por isso. Porém, olhava para todas elas de igual maneira.

Para as receber no meu cais designado por Porto de Rei, cinco léguas acima de Alcácer do Sal, os homens construíram umas escadarias adossadas ao mesmo bem como uma casa apalaçada de dois pisos onde não faltava sequer um amplo pátio com portal brasonado e cantaria habilmente aparelhada.

Outras casas foram igualmente construídas de forma que aquele lugar, a julgar pelo que podemos ainda observar, deveria ter tido muito movimento de pessoas e mercadorias.

Certo dia apareceu por estas bandas o fumegante e mal cheiroso caminho-de-ferro e as pessoas deixaram de utilizar as minhas águas que funcionavam como uma estrada fluvial, trocando os meus serviços por aquela malfadada novidade.

Foi o princípio do fim! As casas deixaram de ter manutenção, as pessoas foram embora, as silvas e canaviais atacaram-me em força e neste bonito dia de sábado quando recebi a visita de um amigo senti-me envergonhado, por já estar tão afastado daquele cais onde outrora desembarcaram até nobres damas e cavalheiros que dali seguiam para o Palácio de Vila Viçosa.

Já há muito tempo que não recebia a visita de um amigo e o que resta de mim, agora quase sem forças, ainda deu para fazer adeus lá de longe, enquanto ele observava curioso as decrépitas construções que um dia também foram jovens e belas como eu.

É assim a vida, quando somos jovens todos se servem de nós, quando atingimos o Inverno da vida, abandonam-nos à nossa sorte. Valham-nos os verdadeiros amigos que de vez em quando nos visitam e se lembram de nós, partilhando com outros os nossos momentos de pujança.

Rui Canas Gaspar

2017-janeiro-21


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sábado, 22 de outubro de 2016

O rio azul hoje vestiu a fatiota cinzenta

O Sado está agitado, não tanto quanto seria de esperar a fazer fé nas previsões meteorológicas. O céu que se apresentava bem escuro para as bandas da Arrábida, de quando em vez, aparecia sorridente para os lados de Troia.

Meia dúzia de veleiros de pequeno porte navegavam lá longe, perto da barra, bastante inclinados para estibordo e deslocando-se provavelmente para Sesimbra.

A poderosa lancha dos pilotos da barra “Baía de Setúbal” fabricada nos estaleiros irlandeses e  para a qual despendemos pouco mais de meio milhão de euros, lá vai veloz, saltitando sobre as ondas a caminho da barra para que um dos nossos competentes profissionais faça entrar em segurança mais um navio que aqui vem carregar ou descarregar mercadorias.

Em cima da muralha já se podem observar alguns pequenos troncos e tábuas, ali colocadas ordeiramente pelo agitado mar, outras tantas estão no areal e outras ainda podem ser observadas sobre as ondas junto à costa.

A ondulação nestes dias em que o rio se apresenta pouco calmo trás de tudo um pouco para terra e ainda fiquei na esperança de que a caixa que acabei por fotografar pudesse conter um carregamento de deliciosos e frescos chocos.

Mas não, a caixa vinha vazia e se os quiser comer terei de ir comprar à “praça” o nosso magnífico Mercado do Livramento ou então ir saborear uns pedaços de “chôque frrite” a um sítio que eu cá sei, já que até os malandros dos roazes que costumavam comer as cabeças e deixar o resto do corpo dos moluscos devem estar em greve de fome.

Assim como assim, mesmo com este tempo outonal não fique em casa e saia para apreciar o nosso rio que mesmo não se apresentando hoje vestido de azul não deixa, por isso, de ter menos beleza.

Rui Canas Gaspar
2016-outubro-22

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Antigo galeão do sal ostenta o nome de Mourinho 

Cada um aplica o seu dinheiro como quer e sabe e, por isso mesmo, ninguém tem nada a ver com o assunto. Sendo assim, não temos que nos admirar que o melhor treinador português de futebol, o conhecido setubalense Mourinho, tenha propriedades em Setúbal, Azeitão e onde ele muito bem desejar; que se desloque em carros de luxo e até veja a navegar no Sado um antigo galeão do sal para fins turísticos.

E é precisamente este aspeto final que é pouco conhecido entre os seus conterrâneos, a ligação ao “rio azul” que já vem dos tempos do Sr. Félix Mourinho, pai do treinador.

De facto, um dos três antigos galeões do sal que foram recuperados e que vemos navegar no Rio Sado, ostenta o nome do mundialmente famoso treinador, trata-se do “Zé Mário”, uma embarcação  que antes de ser propriedade da Reserva Natural do Estuário do Sado teria sido adquirida em 1963 por uma sociedade da qual fazia parte Mourinho, pai.

Ora foi nesse ano, mais precisamente no dia 26 de janeiro que nasceu o seu filho a quem colocou o nome de José Mário dos Santos Mourinho Félix, para os amigos setubalenses o “Zé Mário” e para o mundo o famoso Mourinho.

E foi precisamente em honra do bebé que tinha acabado de ver a luz do dia que o antigo galeão que tinha nascido e sido batizado com o nome de “Angelina de Jesus” passaria doravante a ser designado por “Zé Mário”.

Pois então para os amigos que pensavam que o nosso Mourinho estava agora a braços com alguma empresa marítimo-turística a operar no Sado podem ficar descansados, porque o homem continua nas lides futebolísticas, embora o seu nome continue a navegar nas belas e calmas águas do “rio azul” desde o ano em que nasceu.

São curiosidades da nossa terra, são coisas de Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-outubro-21

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Centenas de advogados portugueses invadem Setúbal 

Centenas de advogados portugueses decidiram invadir a cidade que está na moda e aqui passar três agradáveis dias.

Esta é a simpática e original forma como a Ordem dos Advogados decidiu comemorar o 90ª aniversário da sua criação.

A Ordem dos Advogados, criada pelo Decreto n.º 11 715, de 12 de Junho de 1926, remonta à primeira metade do séc. XIX, tendo origem na Associação dos Advogados de Lisboa, cujos Estatutos foram aprovados em 1838.
Após vários projetos não concretizados, deve-se ao Ministro da Justiça, Prof. Doutor Manuel Rodrigues, o impulso decisivo que conduziu à criação da Ordem dos Advogados Portugueses.
Hoje, quinta-feira, dia 19 de maio deste ano de 2016, a meio da manhã viam-se dezenas de advogados pela baixa da cidade de Setúbal, alguns deles perguntando onde ficava a Sé. Estes profissionais de Direito dirigiam-se para a vetusta Igreja de Santa Maria da Graça para assistir à missa celebrada em sua honra.
Depois da missa e já com o espírito alimentado dirigiram-se para a Escola de Hotelaria de Setúbal onde lhes foi servido o almoço, para que o seu corpo permaneça forte e saudável.
Mas a parte mais agradável das comemorações será certamente aquela em que irão embarcar a bordo da “armada sadina” e apreciar o maravilhoso rio azul, que desemboca numa das mais belas baías do mundo, a de Setúbal.
No sábado pela manhã cerca de 400 advogados portugueses, acompanhados da sua bastonária, embarcarão a bordo do barco EVORA, que se fará acompanhar de dois antigos galeões do sal e do Hiate de Setúbal, embarcações marítimo-turísticas, que qual poderosa armada zarpará do cais nº 1, o antigo cais do carvão,  para se fazer ao largo, de forma a dar-lhes a apreciar a nossa maravilhosa região.
Acabado o passeio, o convívio continuará, desta vez em terra, numa pequena festa privada nas agradáveis e enormes instalações do Bowling de Setúbal, que naturalmente abrirão ao público no seu horário habitual.
A exemplo do passado sábado em que centenas de trabalhadores da Autoridade Tributária estiveram no Sado, verifica-se que são cada vez mais os grandes grupos profissionais que escolhem Setúbal para os mais diferentes eventos, e eles, tal como nós lá sabem porquê!
Rui Canas Gaspar
2016-maio-19

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sábado, 14 de maio de 2016

Depois de vários dias de vendaval a “Armada Sadina” deixou o porto com centenas de turistas a bordo 

Depois de vários dias em que o tempo não deu tréguas e o Sado fez algumas avarias a várias embarcações fundeadas no porto de Setúbal as embarcações marítimo-turísticas começaram a operar e hoje, sábado 14 de maio de 2016, com a manhã agradável, navegaram calma e tranquilamente na “Baía dos Golfinhos”.

Capitaneada pelo “navio-almirante”, o vetusto EVORA, uma “armada” composta por este barco e acompanhada pelos galeões do sal Riquitum e Pêgo do Altar, levaram a passear centenas de trabalhadores da Autoridade Tributária, os quais chegaram a Setúbal para uma jornada de convívio.

A empresa armadora do Barco EVORA tem desenvolvido as mais diversas diligências no sentido de trazer a Setúbal grupos de pessoas para poderem desfrutar das maravilhas desta região.

O sucesso desta iniciativa privada está a ser de tal ordem que o maior barco que opera nas águas de Setúbal rapidamente esgotou a sua capacidade, pelo que, contatou outras empresas marítimo-turísticas setubalenses para se associarem à sua dinâmica ação.

Uma semana depois desta saída com os trabalhadores do fisco, será a vez de embarcarem a bordo do EVORA, dos galeões Zé Mário, Pêgo do Altar, Riquitum e outras embarcações, centenas de advogados acompanhados da sua bastonária que virão conviver na bela “Baía dos Golfinhos” a bordo de emblemáticas embarcações.

Outros grandes grupos profissionais e de amigos estão a agendar idênticos passeios para desfrutar do nosso maravilhoso Sado, ao mesmo tempo que a empresa armadora do EVORA prepara programas para o público em geral desfrutar destas belezas com que a natureza dotou esta ímpar região.

Para quem tiver o privilégio de participar nestes eventos jamais os esquecerá, mas, para aqueles que estarão em terra o facto de poderem observar, e certamente filmar e fotografar, uma flotilha composta por estes belos barcos não deixará de ser igualmente um prazer para os sentidos.

Setúbal não para e, graças ao dinamismo dos seus empresários, ao seu empenho em dotar esta terra com as necessárias e atrativas estruturas, aliado às belezas com que a natureza dotou esta região, estaremos de posse de quase todos os ingredientes para que sejamos uma potência turística.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-14

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domingo, 6 de março de 2016

Os belos e sólidos galeões do sal setubalenses

Das dezenas de antigos Galeões do Sal que sulcaram as águas do Sado, até à década de setenta do século passado, quinze destes belos e sólidos barcos ainda se encontram operacionais e, ao que tudo indica, em boas mãos, agora não transportando o “ouro branco” oriundo de calmas e azuis águas sadinas, mas dedicando-se geralmente às viagens de lazer.

Estas antigas embarcações à vela navegam em distintos pontos da Europa, nomeadamente em França e Inglaterra. Porém também os podemos observar na Madeira e no Algarve e naturalmente no seu antigo local de trabalho, ou seja, em Alcácer do Sal e em Setúbal.

No rio que banha a cidade sadina vamos encontrar o “Pego do Altar” e o “Riquitum”, propriedade de João Barbas de Oliveira, da Troia Cruise, uma das poucas empresas locais que opera como marítimo turística e que foi constituída em 1989.

O “Zé Mário” é propriedade da Reserva Natural do Estuário do Sado.

Este antigo barco de carga, construído com trinta toneladas de madeira, têm um comprimento de 16,90 m; boca 4,75 m; pontal 1,14m e foi concebido para o transporte de 35,00 moios, ou seja 29.750 kgs do outrora famoso e muito procurado sal setubalense.

O “Zé Mário”, setubalense de gema, foi mandado construir em 1944 por Possidónio Tavares no estaleiro de Chaves & Chaves, Lda. tendo-lhe sido inicialmente colocado o nome de “Angelina de Jesus” e foi registado no ano seguinte.

Quando em 1963 foi vendido a José Manuel da Cruz é que passou a ostentar a designação com que ainda hoje o conhecemos, embora desde então tenha tido mais um proprietário, antes de em 1982 ser adquirido pela Reserva Natural do Estuário do Sado, entidade que mandou proceder a um profundo trabalho de recuperação nos estaleiros da firma Jaime Ferreira da Costa & Irmão, Lda. sedeada em Sarilhos Pequenos. Já as velas e restante aparelho ficou entregue à dupla Brás e José Silva, dos últimos especialistas em velas para embarcações tradicionais.

Mas, são os barcos da Troia Cruise, construídos em 1943, aqueles que mais frequentemente vemos a navegar na nossa “Baía dos Golfinhos” onde nas diferentes rotas que opera geralmente têm a companhia destes simpáticos animais que não raras vezes vêm desafiar o “Riquitum” e o “Pego do Altar” para uma prova de velocidade pelas águas do rio azul.

É bom saber que embora a colónia de roazes residentes no Rio Sado não seja tão abundante como o foi outrora, ela represente um importante tesouro faunístico, porquanto é uma das poucas existentes em todo o mundo, daí a natural curiosidade mas também a necessidade de se proceder com o devido cuidado para a preservar como o fazem normalmente as empresas que operam no setor.

Agora que nos estamos a despedir do Inverno e que dias mais agradáveis aí virão não perca a oportunidade para fazer um passeio numa das mais belas baías do mundo e aproveitar para observar os simpáticos animais marinhos que Setúbal já adotou como seu símbolo.

Rui Canas Gaspar
2016-março-junho

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sábado, 5 de março de 2016

Bem-vindos a bordo do Barco EVORA




Batizaram-me em 18 de julho de 1931 com o nome de “EVORA” e sou alemão de nascimento, porém é ao povo português que entreguei o meu coração desde que naquele dia de verão entrei nas águas do Báltico. Com ele tenho convivido ao longo das dezenas de anos, iniciando-se a nossa íntima relação logo após ter sido dado à luz no distante fiord de Kiel, na Alemanha. 
Já em pleno Inverno, encetei a viagem de uma semana pelo Oceano Atlântico, nem sempre calmo, diga-se de passagem, navegando desde o local do meu nascimento até Portugal. Por aqui tendo ficado e trabalhado arduamente, ou não fosse eu um forte barco construído com chapas recicladas de carros de combate utilizados na Primeira Grande Guerra. 
Tive a grata missão de transportar as mais diversas pessoas: umas de origem humilde, outras figuras importantes, de uma para a outra margem do Rio Tejo, orgulhando-me de ser o barco que mais gente passei de uma para a outra banda.
Todos gostavam de mim e eu próprio também tinha muito orgulho na minha pessoa, não por ser narcisista, mas porque quando jovem, era de facto bonito, o mais rápido no Tejo, muito asseado, o único que aqui usava motor diesel. 

Em 2016 farei 85 anos e tenho dividido estes anos de vida navegando no Tejo entre luminosa Lisboa e o proletário Barreiro e a bela azul “baía dos golfinhos” em Setúbal.

Os meus donos têm-se esforçado para que eu me mantenha com o vigor dos meus verdes anos, mas mais do que isso que me mantenha bonito e, garanto-vos, que nunca estive tão bem como estou agora.

Hoje sábado, dia 5 de março de 201, iniciei as comemorações do meu vetusto aniversário e saí para o largo levando a bordo meia centena de trabalhadores da PALMETAL que decidiram esconder-se a bordo e surpreender um antigo administrador desta empresa que se aposentou, oferecendo-lhe o passeio e um belo almoço a bordo e numa das mais belas baías do mundo, a de Setúbal.

Dá para imaginar como se sentiu aquele antigo gestor, com esta tão inusitada surpresa? Claro que não dá, só vendo!...

Como disse agora estou mais belo e charmoso do que nunca e para além do agradável convés, disponho não de um mas de dois belos e amplos salões onde recebo muito bem os meus convidados.

Para aqueles que me chamam de “Velho Senhor do Tejo” ou de “Cisne Branco do Sado” apenas desejo que sejam bem-vindos a bordo do Barco EVORA.

Rui Canas Gaspar
2016-março-05

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domingo, 31 de janeiro de 2016

Quem te viu e quem te vê

Para além da frota de quatro hovermarines destinados ao serviço comercial, para a travessia do Sado nos anos setenta do século passado, também havia um hovercraft para serviço particular dos dois irmãos Silva, os patrões da Torralta. Esse sim, um verdadeiro hovercraft que dispunha de três lugares e entrava pela terra dentro.

No edifício onde hoje funciona o Casino de Troia, nos anos 70, quando se encontrava em construção o mesmo era identificado por “Clube Hotel”. Foi precisamente para entrar nesse edifício que se construiu uma rampa em betão desde o rio, ao lado da ponte de madeira por onde transitavam os passageiros dos hovermarine, para que o pequeno hovercraft, cor de laranja, subisse depois de ter atravessado velozmente as águas do rio azul.

Curiosamente, no inovador projeto inicial o Clube Hotel teria um canal de acesso à porta da receção para que o cliente saísse diretamente do barco para o hall daquela unidade hoteleira projetada para ser uma peça emblemática da nossa florescente indústria turística.

O Clube Hotel apenas seria suplantado em grandeza pelo Hotel 1001 cuja construção não chegou a ser iniciada e que caso fosse edificado seria de facto um “hotel das Arábias” implantado nas areias de Troia, um pouco mais para sul do grosso das edificações que se viriam a desenvolver.

Enquanto se levava a cabo a construção dos edifícios de Troia era o patrão Domingos Silva que mais vezes se deslocava neste hovercraft que tinha a capacidade de se mover em terra, contrariamente aos hovermarine que apenas usavam a almofada de ar para se elevarem na água oferecendo menos resistência hidrodinâmica e assim se deslocarem velozmente.

As duas imagens mostram-nos o antes e o depois. A preto e branco podemos ver a veloz embarcação no Sado, a cores, podemos observar o que resta dela, em cima de um telhado a olhar para o rio azul.

A veloz e soberba embarcação faz-nos lembrar os mortais humanos, quando jovens cheios de vida, de projetos e esperança, mas que volvidos alguns anos são confrontados com a velhice e, pouco depois, acabam como esta ímpar embarcação num qualquer impensável local.

Se calhar vale a pena pensar nisto e darmos mais valor à vida, à amizade e a solidariedade.

Tenhamos uma boa semana.

Rui Canas Gaspar
2016-janeiro-31

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domingo, 27 de dezembro de 2015

Setúbal prepara-se para receber pequenos navios de cruzeiros

O ano de 2016 encontrará Setúbal mais bem apetrechada com os necessários meios para receber embarcações de passageiros de maior calado, nomeadamente pequenos navios de cruzeiro.

Sob a responsabilidade da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) no final do ano de 2015 podiam ver-se máquinas e materiais a serem movimentadas no molhe de apoio e proteção frente à doca dos pescadores, indiciando assim o começo dos trabalhos que irão dotar aquele espaço de novas valências.

O objetivo destes trabalhos de engenharia hidráulica prendem-se certamente com o aproveitamento desse molhe exterior, de forma a conseguir-se as necessárias condições técnicas de atracação de grandes embarcações emblemáticas, como tem vindo a acontecer, mas também para acostagem de pequenos navios de cruzeiros de pequena dimensão e temáticos.

A APSS por intermédio do Anúncio de procedimento 5629/2015, lançou o concurso para uma empreitada de obras públicas tendo como objetivo a colocação de defensas no molhe de proteção à Doca dos Pescadores, trabalhos com um valor base de procedimento na ordem dos trezentos mil euros.

Este amplo espaço quando estiver devidamente recuperado e dotado com os necessários apoios, nomeadamente as defensas marítimas e os resistentes cabeços de amarração, funcionará em complementaridade com o cais nº 2, já utilizado por embarcações marítimo-turísticas de médio porte.

Setúbal prepara-se assim para poder vir a receber mais turistas por esta emblemática porta que é o nosso rio azul, saibamos também em terra complementar o esforço que está a ser feito nas águas do nosso Sado.

Rui Canas Gaspar
2015-dezembro-27

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Depois das “Noivas de Santo António” o que está agora na moda são as “Noivas do Rio Azul”

Diz-se que Setúbal está na moda e diz-se muito bem, eu porém acho que a nossa cidade em particular e a nossa região de uma forma geral nunca deixaram de o estar, a não ser por parte daqueles mais distraídos que não reparam nas suas belezas.

Mas o que talvez comece agora a estar a despertar mais atenção é o nosso rio azul e a sua famosa e linda “baía dos golfinhos” onde as empresas marítimo-turísticas levam os visitantes a apreciar as suas maravilhas e sobretudo a observar a graça dos nossos roazes.

Para além de vermos diariamente no Sado o catamarã repleto de turistas e as restantes embarcações de turismo fluvial repletas de gente que desfruta dos encantos do Sado, temos agora conhecimento de que a nossa baía está também a ser procurada por noivos que aí querem fazer a sua festa de casamento.

Não são as “Noivas de Santo António” mas sim as “Noivas do Rio Azul” aquelas jovens que agora estão a optar por este tipo de programa de beleza ímpar a bordo de um barco que transportou as mais diferentes celebridades e que agora mais do que nunca se apresente decorado de forma requintada e simultaneamente sóbria.

E é assim que todos os fins-de-semana deste mês de setembro vamos ver o histórico barco EVORA repleto de pessoas elegantemente vestidas que acompanharão os noivos em três diferentes casamentos com boda celebrada a bordo.

Igualmente este barco sairá já no domingo dia 6 com outro cruzeiro temático, com almoço a bordo.

Se a bela Setúbal está na moda o seu não menos amado Sado também não deixa de o estar e este é o casamento perfeito que também desejamos às “Noivas do Rio Azul”

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-03

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terça-feira, 26 de maio de 2015

Barco EVORA “embaixador” das Mais Belas Baías do Mundo

Durante vários meses o barco EVORA tem vindo a sofrer obras não só de manutenção mas sobretudo importantes melhoramentos ao nível da sua funcionalidade, bem como tem vindo a ser alvo de uma completa renovação dos seus espaços interiores, de forma a adaptá-lo às novas tarefas para que o seu armador o tem destinado.

Quanto à decoração, tenta-se aproximar mais do original, bem como torná-lo num espaço de exposições itinerante, destinado não só ao lazer mas também à cultura.

Agora quando o visitante entrar no EVORA já pode conhecer toda a sua história, dado que painéis com esse objetivo já ali se encontram colocados. Também pode apreciar algumas peças históricas, tais como o símbolo da CP que ostentava na sua chaminé.

As vigias do barco, que tinham servido os submarinos alemães, estão agora mais em destaque e as mesas foram transformadas de forma a poderem servir também como expositores.

No amplo salão, grandes espelhos com molduras douradas ricamente trabalhadas dão-lhe ainda mais charme e fazem ressaltar a soberba garrafa de louça fabricada pela conceituada Vista Alegre e que receberá o EMBARCADO, o néctar que há alguns anos serve de lastro ao barco. O generoso moscatel roxo setubalense.

E é assim com estas novas roupagens que o EVORA se vai apresentar no Rio Tejo, onde servirá como principal barco de apoio ao mais importante evento náutico mundial, pela segunda vez.

A VOR (Volvo Ocean Race) trará a Lisboa largos milhares de pessoas  de todo o mundo, para assistirem à “fórmula 1 dos mares”, um evento considerado pelo Governo Português como sendo de  Interesse Público.

Mas o EVORA reserva ainda outra surpresa, ele vai ser o maior embaixador das mais belas baías do mundo e por isso mesmo vai ter patente uma excelente e completa exposição sobre esta temática, com naturalmente a setubalense “baía dos golfinhos” em destaque.

Milhares de pessoas terão oportunidade de visitar na capital portuguesa este barco histórico e as suas exposições. Depois da VOR o barco retornará  ao porto de Setúbal onde teremos oportunidade de o visitar ou mesmo fazer nele um dos muitos cruzeiros no Sado agendados para este ano.

Talvez a mais interessante saída do EVORA seja aquela em que ele se irá  integrar nos cortejos da Festa de Troia e esta será uma oportunidade soberba para desfrutar do charme do “velho Senhor do Tejo” que para os setubalenses mais não é do que o seu “Cisne Branco do Sado”.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-26

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

O “Cisne branco do Sado” deslizou hoje pelas águas do nosso belo rio azul

A primaveril tarde de hoje dia 6 de maio deste ano de 2015 estava bem agradável. O nosso belo rio azul apresentava-se de águas calmas com a baía dos golfinhos mais parecendo um verdadeiro espelho.

Eu deslizava serenamente rio abaixo depois de vários meses atracado ao cais nº 1 onde dedicados companheiros têm vindo a tratar de mim embelezando-me de modo a que me possa apresentar com novo visual, mais próximo daquele original com que saí dos longínquos estaleiros de Kiel, na Alemanha.

Neste primeiro dia de temporada tive o privilégio de transportar os mais velhos setubalenses, residentes na Freguesia de São Sebastião, provavelmente a maior parte deles antigos homens do mar, varinos, e elas, antigas “mulheres da fábrica”, as laboriosas conserveiras  sadinas.

Em terra, eram muitos aqueles que me apreciavam, deslizando sobre as águas qual cisne branco do Sado e, curiosamente enquanto eu passava junto ao P.U.A. cerca de uma dezena de jovens estudantes preparavam-se para se fazer às águas do nosso Sado, nos pequenos caiaques.

Setúbal é terra de gente do rio e de homens do mar!

Foi um dia muito interessante e espero que muitos outros se repitam. De facto são poucos ou nenhum os setubalenses ligados direta ou indiretamente ao nosso belo Sado que não gostam de me ver e fotografar, comentando com os amigos: - Este é o EVORA, o mais antigo barco fluvial português movido a diesel. Ele foi também o primeiro a utilizar hélices de aço inoxidável e é rijo que se farta. Pudera, foi construído com chapas de aço de antigos tanques alemães que combateram na Primeira Guerra Mundial!

Não sou vaidoso, mas lá que tenho um certo charme, lá isso tenho, depois… se não for eu a gostar de mim quem gostará?

Rui Canas Gaspar
2015-maio-06

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Alguém anda impunemente a poluir o nosso belo rio azul

Ao final da manhã de hoje quem observasse o nosso belo rio azul, ali para as bandas da estacada nº 1, onde está acostado o EVORA, podia observar uma mancha de poluição com uma área estimada na ordem dos 500 M2.

Parte da mancha que andava ao sabor da maré rodeava o barco e alguma dela já se deslocava para a entrada da Doca dos Pescadores.

Já não é a primeira vez que isto acontece, sendo que há cerca de um mês caso idêntico aconteceu naquela zona o que levou um pescador desportivo a alertar as autoridades marítimas dando conta da ocorrência.

De facto, trata-se de um caso estranho, dado que parece ter sido observado que o produto poluente saiu de uma antiga boca de esgoto, que se encontra naquela estacada, junto à popa do EVORA.

O mistério reside no facto daquela boca de esgoto estar considerada como estando desativada.

Atendendo à gravidade da situação o armador do EVORA contatou telefonicamente a APSS dando conta da ocorrência e chamou a Polícia Marítima que se deslocou ao local tendo fotografado a mancha poluidora e recolhido amostras da água destinada ao envio para análise.

Se a tal boca de esgoto se encontra desativada, certamente que a Câmara Municipal deverá ter de fazer uma vistoria à rede para efetivamente poder saber o que se passa. Digo eu!...

Este é mais um mistério que deverá ser desvendado pelas competentes autoridades, porquanto se trata de um caso de saúde pública, para além de ser uma péssima imagem para o nosso belo rio azul, que assim vê as suas límpidas águas conspurcadas sabe-se lá por quem.

Rui Canas Gaspar
2015-abril-09

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