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domingo, 12 de março de 2017

O nosso Rio Sado está a morrer? 

Quando estudávamos no ensino básico aprendemos que o Rio Sado nascia na Serra do Caldeirão, já perto do Algarve e corria de Sul para Norte. 

No nosso imaginário quase que estávamos a ver um pequeno fio de água que brotava da serra e que iria aumentando de caudal à medida que outros pequenos regatos se lhe juntavam até chegar a Setúbal onde o podíamos ver largeirão desde a nossa cidade até Troia. 

Se calhar a mesma minha imagem infantil é aquela que ainda hoje perdura na mente de muitas pessoas que já se encontram no Inverno da vida e mesmo naquelas que sendo mais jovens aceitam como bom este pensamento. 

Acontece que já em 1610 Duarte Nunes de Leão fazia a seguinte descrição: 

 “Do Sado que é maior que todos, também não fazem os geógrafos menção alguma, tirando Ptolemeu que lhe chama Callipode. 

Este rio não tem nascimento algum próprio, mas é um ajuntamento de águas das ribeiras de Exarama, de Odivellas, de Garcia menino, e de Santa e se ajuntam a tempo que já vão muito grandes, por águas que colheram de muitas ribeirinhas, regatos e fontes: E se ajuntam todos em um certo passo do qual se faz um rio grande que se chama Sado. 

Seu curso é de quatro léguas, no cabo das quais se mete no esteiro de Alcácer que vem para Setúbal. 

Neste rio até onde chamam o porto del Rei, se navega por barcas grandes e se matam infinitas tainhas muito grandes e formosas, barbos e bogas e enguias, por a grande pescaria que ali se faz e a muita caça que naquela parte há de coelhos e perdizes e muitas aves para caça de falcões e por muita e aprazível verdura deste espaço de terra muitos homens nobres na primavera vão ali folgar.” 

Naquele tempo os Invernos eram muito mais rigorosos e as chuvas copiosas faziam engrossar os caudais de riachos e ribeiras que viriam posteriormente encorpar o Sado. 

A partir do século XX a quase totalidade dessas águas deixou de correr para o Sado ficando represadas por uma dezena e meia de barragens disseminadas um pouco por toda a bacia hidrográfica do nosso rio. 

As condições meteorológicas entretanto sofreram um agravamento ano após ano e, como tal, até esses cursos de água ficaram ameaçados com a consequente falta de água nas barragens, que no final do Inverno deste ano de 2017 rondavam os 30% quando deveriam estar cheias e a transbordar para o Sado. 

Assim sendo, o que resta do rio azul? Que é que vemos frente a Setúbal senão as águas do Oceano Atlântico e uma ínfima percentagem de água doce?
Até quando teremos Rio Sado? 

Rui Canas Gaspar 



2017-março-12

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A água da bacia hidrográfica do Sado está a níveis preocupantes

No início de fevereiro de 2017 as barragens da bacia hidrográfica do Sado apresentavam-se em média apenas com 28,2 % da sua capacidade, a menor reserva de água de todas as bacias hidrográficas dos rios portugueses e menos de metade do que seria espectável para esta época do ano, sendo este o nível mais baixo desde 1995.
Atendendo a que esta é uma reserva de água preocupante, embora estejamos no Inverno, está já a ser dada prioridade ao consumo humano em detrimento da agricultura e da produção de energia, uma medida geralmente colocada em prática no Verão.
As autoridades responsáveis pelos recursos hídricos esperam que as chuvas da Primavera venham minimizar esta preocupante situação que tem maior visibilidade na Barragem de Monte da Rocha, a que tem menor quantidade de água armazenada e onde se pode dizer que o nosso Rio Sado tem o início do seu curso, dado que até ali, desde a Serra da Vigia apenas uns fios de água vão correndo.
Sendo assim, poupar água já não é um conselho é uma necessidade imperativa, sob pena de se o não fizermos de um destes dias podermos vir a acordar com pouco ou nada a sair nas nossas torneiras.
Rui Canas Gaspar
2017-fevereiro-16

www.troineiro.blogspot.com