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domingo, 18 de junho de 2017

Adeus Setúbal 

Batizaram-me em 18 de julho de 1931 com o nome de “EVORA” e sou alemão de nascimento, porém é ao povo português que entreguei o meu coração desde que naquele dia de verão entrei nas águas do Báltico. 

 Com ele tenho convivido ao longo das dezenas de anos, iniciando-se a nossa íntima relação logo após ter sido dado à luz no distante fiord de Kiel, na Alemanha. 

Já em pleno inverno, encetei a viagem de uma semana pelo Oceano Atlântico, nem sempre calmo, diga-se de passagem, navegando desde o local do meu nascimento até Portugal. Por aqui tendo ficado e trabalhado arduamente, ou não fosse eu um forte barco construído com chapas recicladas de carros de combate utilizados na Primeira Grande Guerra. 

Tive a grata missão de transportar as mais diversas pessoas: umas de origem humilde, outras figuras importantes, de uma para a outra margem do Rio Tejo, orgulhando-me de ser o barco que mais gente passei de uma para a outra banda. 

Todos gostavam de mim e eu próprio também tinha muito orgulho na minha pessoa, não por ser narcisista, mas porque quando jovem, era de facto bonito, o mais rápido no Tejo, muito asseado, o único que aqui usava motor diesel. Ninguém, em todo o mundo, tinha hélices como as minhas, fabricadas em aço inoxidável, um material ainda pouco conhecido naquela época. 

Trabalhei duramente durante muitos anos no transporte de pessoas entre o Barreiro e Lisboa até que pouco depois da revolução de 25 de abril de 1974 prescindiram dos meus serviços, dizendo que eu estava velho demais, imaginem!... 

Encostaram-me a um velho cais e para ali estive triste e abandonado e quase condenado à morte não fora um setubalense que me viu e me salvou e me trouxe para o belo rio azul naquele ano de 1990. 

Depois de recuperado por aqui andei com os meus amigos golfinhos, de vez em quando ia até ao Tejo fazer uns serviços, mas regressava sempre às águas azuis do nosso Sado. 

Certo dia, em 2017, um alfacinha enamorou-se de mim e comprou-me, levando-me de volta ao Tejo onde agora ao som do fado transporto turistas e visitantes da bela capital portuguesa, embora reconheça que estas águas nada tem a ver com aquelas outras que me acolheram ao longo de cerca de um quarto de século. 

A vida tem destas coisas e sabe-se lá quantos mais anos ainda andarei por cá e o que será que a vida me reserva. 

Resta-me despedir-me dos meus bons amigos, sobretudo daqueles que gostavam tanto de mim que me alcunharam do “Cisne branco do Sado” e que carinhosamente usaram os meus serviços onde juntos desfrutamos do nosso belo rio azul. 

Rui Canas Gaspar

2017-junho-18

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Centenas de advogados portugueses invadem Setúbal 

Centenas de advogados portugueses decidiram invadir a cidade que está na moda e aqui passar três agradáveis dias.

Esta é a simpática e original forma como a Ordem dos Advogados decidiu comemorar o 90ª aniversário da sua criação.

A Ordem dos Advogados, criada pelo Decreto n.º 11 715, de 12 de Junho de 1926, remonta à primeira metade do séc. XIX, tendo origem na Associação dos Advogados de Lisboa, cujos Estatutos foram aprovados em 1838.
Após vários projetos não concretizados, deve-se ao Ministro da Justiça, Prof. Doutor Manuel Rodrigues, o impulso decisivo que conduziu à criação da Ordem dos Advogados Portugueses.
Hoje, quinta-feira, dia 19 de maio deste ano de 2016, a meio da manhã viam-se dezenas de advogados pela baixa da cidade de Setúbal, alguns deles perguntando onde ficava a Sé. Estes profissionais de Direito dirigiam-se para a vetusta Igreja de Santa Maria da Graça para assistir à missa celebrada em sua honra.
Depois da missa e já com o espírito alimentado dirigiram-se para a Escola de Hotelaria de Setúbal onde lhes foi servido o almoço, para que o seu corpo permaneça forte e saudável.
Mas a parte mais agradável das comemorações será certamente aquela em que irão embarcar a bordo da “armada sadina” e apreciar o maravilhoso rio azul, que desemboca numa das mais belas baías do mundo, a de Setúbal.
No sábado pela manhã cerca de 400 advogados portugueses, acompanhados da sua bastonária, embarcarão a bordo do barco EVORA, que se fará acompanhar de dois antigos galeões do sal e do Hiate de Setúbal, embarcações marítimo-turísticas, que qual poderosa armada zarpará do cais nº 1, o antigo cais do carvão,  para se fazer ao largo, de forma a dar-lhes a apreciar a nossa maravilhosa região.
Acabado o passeio, o convívio continuará, desta vez em terra, numa pequena festa privada nas agradáveis e enormes instalações do Bowling de Setúbal, que naturalmente abrirão ao público no seu horário habitual.
A exemplo do passado sábado em que centenas de trabalhadores da Autoridade Tributária estiveram no Sado, verifica-se que são cada vez mais os grandes grupos profissionais que escolhem Setúbal para os mais diferentes eventos, e eles, tal como nós lá sabem porquê!
Rui Canas Gaspar
2016-maio-19

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sábado, 14 de maio de 2016

Depois de vários dias de vendaval a “Armada Sadina” deixou o porto com centenas de turistas a bordo 

Depois de vários dias em que o tempo não deu tréguas e o Sado fez algumas avarias a várias embarcações fundeadas no porto de Setúbal as embarcações marítimo-turísticas começaram a operar e hoje, sábado 14 de maio de 2016, com a manhã agradável, navegaram calma e tranquilamente na “Baía dos Golfinhos”.

Capitaneada pelo “navio-almirante”, o vetusto EVORA, uma “armada” composta por este barco e acompanhada pelos galeões do sal Riquitum e Pêgo do Altar, levaram a passear centenas de trabalhadores da Autoridade Tributária, os quais chegaram a Setúbal para uma jornada de convívio.

A empresa armadora do Barco EVORA tem desenvolvido as mais diversas diligências no sentido de trazer a Setúbal grupos de pessoas para poderem desfrutar das maravilhas desta região.

O sucesso desta iniciativa privada está a ser de tal ordem que o maior barco que opera nas águas de Setúbal rapidamente esgotou a sua capacidade, pelo que, contatou outras empresas marítimo-turísticas setubalenses para se associarem à sua dinâmica ação.

Uma semana depois desta saída com os trabalhadores do fisco, será a vez de embarcarem a bordo do EVORA, dos galeões Zé Mário, Pêgo do Altar, Riquitum e outras embarcações, centenas de advogados acompanhados da sua bastonária que virão conviver na bela “Baía dos Golfinhos” a bordo de emblemáticas embarcações.

Outros grandes grupos profissionais e de amigos estão a agendar idênticos passeios para desfrutar do nosso maravilhoso Sado, ao mesmo tempo que a empresa armadora do EVORA prepara programas para o público em geral desfrutar destas belezas com que a natureza dotou esta ímpar região.

Para quem tiver o privilégio de participar nestes eventos jamais os esquecerá, mas, para aqueles que estarão em terra o facto de poderem observar, e certamente filmar e fotografar, uma flotilha composta por estes belos barcos não deixará de ser igualmente um prazer para os sentidos.

Setúbal não para e, graças ao dinamismo dos seus empresários, ao seu empenho em dotar esta terra com as necessárias e atrativas estruturas, aliado às belezas com que a natureza dotou esta região, estaremos de posse de quase todos os ingredientes para que sejamos uma potência turística.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-14

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domingo, 8 de maio de 2016

Barco EVORA um valente guerreiro em luta contra os elementos da Natureza

No interior das docas que os protegiam os barcos balançavam como se estivessem dançando num enorme salão de baile, mais parecendo que pretendiam dali sair para vir buscar o seu par a um dos estacionamentos reservados aos automobilistas.

Na parte de fora, acostado à muralha, junto à lota de Setúbal, o vetusto barco EVORA que ora vinha acima, ora ia abaixo, abanava fortemente, mais parecendo um enorme touro enraivecido.

Na primaveril tarde de vendaval de sábado dia 7 de maio de 2016, o vento forte e a anormal ondulação, conjugada com maré cheia eram fatores, para quase atirar a embarcação para cima da muralha.

Os pneus de proteção do barco de pouco serviram e a ausência das necessárias  defensas naquele local também não ajudam a proteger esta ou qualquer outra  embarcação que ali fique acostada.

Mais uma vez, valeu ao “cisne branco do Sado” a sua poderosa construção e sobretudo a cinta de aço que envolve o robusto barco, construído com chapas de aço de antigos carros de combate utilizados na Primeira Grande Guerra.

Mas, como poderoso guerreiro que é, neste dia de tempestade no Sado ele saiu vencedor na luta contra os elementos da natureza, apenas com alguns arranhões e poucas feridas no seu interior.  

Na foto que captei parece que o barco EVORA está a ser rebocado pela carrinha para o parque de estacionamento, e, de facto, pouco faltou para ele ir ali parquear.

Rui Canas Gaspar
2016-maio-08

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sábado, 5 de março de 2016

Bem-vindos a bordo do Barco EVORA




Batizaram-me em 18 de julho de 1931 com o nome de “EVORA” e sou alemão de nascimento, porém é ao povo português que entreguei o meu coração desde que naquele dia de verão entrei nas águas do Báltico. Com ele tenho convivido ao longo das dezenas de anos, iniciando-se a nossa íntima relação logo após ter sido dado à luz no distante fiord de Kiel, na Alemanha. 
Já em pleno Inverno, encetei a viagem de uma semana pelo Oceano Atlântico, nem sempre calmo, diga-se de passagem, navegando desde o local do meu nascimento até Portugal. Por aqui tendo ficado e trabalhado arduamente, ou não fosse eu um forte barco construído com chapas recicladas de carros de combate utilizados na Primeira Grande Guerra. 
Tive a grata missão de transportar as mais diversas pessoas: umas de origem humilde, outras figuras importantes, de uma para a outra margem do Rio Tejo, orgulhando-me de ser o barco que mais gente passei de uma para a outra banda.
Todos gostavam de mim e eu próprio também tinha muito orgulho na minha pessoa, não por ser narcisista, mas porque quando jovem, era de facto bonito, o mais rápido no Tejo, muito asseado, o único que aqui usava motor diesel. 

Em 2016 farei 85 anos e tenho dividido estes anos de vida navegando no Tejo entre luminosa Lisboa e o proletário Barreiro e a bela azul “baía dos golfinhos” em Setúbal.

Os meus donos têm-se esforçado para que eu me mantenha com o vigor dos meus verdes anos, mas mais do que isso que me mantenha bonito e, garanto-vos, que nunca estive tão bem como estou agora.

Hoje sábado, dia 5 de março de 201, iniciei as comemorações do meu vetusto aniversário e saí para o largo levando a bordo meia centena de trabalhadores da PALMETAL que decidiram esconder-se a bordo e surpreender um antigo administrador desta empresa que se aposentou, oferecendo-lhe o passeio e um belo almoço a bordo e numa das mais belas baías do mundo, a de Setúbal.

Dá para imaginar como se sentiu aquele antigo gestor, com esta tão inusitada surpresa? Claro que não dá, só vendo!...

Como disse agora estou mais belo e charmoso do que nunca e para além do agradável convés, disponho não de um mas de dois belos e amplos salões onde recebo muito bem os meus convidados.

Para aqueles que me chamam de “Velho Senhor do Tejo” ou de “Cisne Branco do Sado” apenas desejo que sejam bem-vindos a bordo do Barco EVORA.

Rui Canas Gaspar
2016-março-05

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Depois das “Noivas de Santo António” o que está agora na moda são as “Noivas do Rio Azul”

Diz-se que Setúbal está na moda e diz-se muito bem, eu porém acho que a nossa cidade em particular e a nossa região de uma forma geral nunca deixaram de o estar, a não ser por parte daqueles mais distraídos que não reparam nas suas belezas.

Mas o que talvez comece agora a estar a despertar mais atenção é o nosso rio azul e a sua famosa e linda “baía dos golfinhos” onde as empresas marítimo-turísticas levam os visitantes a apreciar as suas maravilhas e sobretudo a observar a graça dos nossos roazes.

Para além de vermos diariamente no Sado o catamarã repleto de turistas e as restantes embarcações de turismo fluvial repletas de gente que desfruta dos encantos do Sado, temos agora conhecimento de que a nossa baía está também a ser procurada por noivos que aí querem fazer a sua festa de casamento.

Não são as “Noivas de Santo António” mas sim as “Noivas do Rio Azul” aquelas jovens que agora estão a optar por este tipo de programa de beleza ímpar a bordo de um barco que transportou as mais diferentes celebridades e que agora mais do que nunca se apresente decorado de forma requintada e simultaneamente sóbria.

E é assim que todos os fins-de-semana deste mês de setembro vamos ver o histórico barco EVORA repleto de pessoas elegantemente vestidas que acompanharão os noivos em três diferentes casamentos com boda celebrada a bordo.

Igualmente este barco sairá já no domingo dia 6 com outro cruzeiro temático, com almoço a bordo.

Se a bela Setúbal está na moda o seu não menos amado Sado também não deixa de o estar e este é o casamento perfeito que também desejamos às “Noivas do Rio Azul”

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-03

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O Presidente da República esteve hoje a bordo do 
barco EVORA

Na tarde de quinta-feira, 27 de agosto de 2015, fomos encontrar o Presidente da República, em Setúbal, a bordo do EVORA, caminhando com ar distinto e pensativo pelo tombadilho deste vetusto barco.
Por toda a embarcação podíamos observar quase três dezenas de pessoas do seu staff e, no cais nº 1, víamos algumas carrinhas com muito equipamento de apoio.
Diversas pessoas observavam curiosas a intensa atividade que decorria a bordo, com gente atarefada que não parava de entrar e sair, embora os mirones não soubessem concretamente quem estava a bordo e qual o motivo de toda esta azáfama.
De facto, não era o Presidente Cavaco Silva que vinha com um dia de antecedência marcar lugar para a noite de fados no Sado com o fadista António Pinto Basto, que amanhã terá lugar a bordo e com lotação já esgotada.
Este presidente mais não era que Cid Filipe o artista que estava devidamente caracterizado de forma a assemelhar-se ao falecido Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, eleito na sessão do Congresso de 6 de agosto de 1923 e que resignou ao mandato em 11 de dezembro de 1925.
A longa metragem focando aspetos pouco conhecidos da nossa História recente está a ser rodada também a bordo do histórico barco, focando a vida e obra deste nosso falecido Presidente da República.
A película sobre este distinto homem, natural de Portimão e que morreu na Argélia depois de lá ter vivido os seus últimos dez anos, tem como realizador Paulo Filipe Monteiro e deverá ser apresentada nas salas de cinema no próximo ano de 2016.
Mais uma vez o charmoso barco EVORA interpreta um papel importante na vida e na História de Portugal, recreando as nossas memórias coletivas.
Rui Canas Gaspar
2015-agosto-27
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sábado, 13 de junho de 2015

EXPOSIÇÃO EM SETÚBAL
Falta de visão resulta numa oportunidade perdida

Há muitos anos quando ainda eram praticamente desconhecidas as técnicas de impressão dos painéis publicitários de grandes dimensões, decidimos que o habilidoso desenhador da empresa de construção onde  então trabalhava pintasse um painel destinado a ser colocado no estádio de futebol do farense.

O artista fez uma maquete onde pintou uns edifícios, colocou bem destacado o nome da empresa e os seus contactos. O suficiente para que chamasse a atenção e fosse legível a qualquer distância no interior daquele recinto desportivo algarvio.

O dono da empresa ao ver a maquete ficou muito satisfeito, mas porque o trabalho custava muito dinheiro achou que poderia tirar melhor partido dele e contra a opinião do diretor da empresa e do artista achou por bem mandar incluir no painel a informação de que a empresa também vendia  e comprava terrenos, construía moradias e tomava trabalhos de empreitada.

Para incluir toda esta informação no mesmo espaço, as letras tiveram de ser reduzidas e o resultado final é que aquilo que estava inicialmente previsto para ser lido a partir de qualquer lugar passou apenas a sê-lo a uma distância muito mais curta, resultando não só num painel menos agradável à vista como também numa informação menos eficiente.

Os anos passaram e hoje temos uma nova geração de profissionais da informação, da publicidade, do marketing, etc. etc. tudo gente ligada direta ou indiretamente a estas coisas, suportando-se em novas tecnologias e mais avançados conhecimentos.

E é por isso mesmo que eu não consigo compreender como é que se continua a gastar rios de dinheiro em material publicitário ou de propaganda que pouco ou nada comunica, seja pela quantidade de informação desnecessária ali colocada, seja pelas cores utilizadas, ou seja pelo tamanho da letra.

E é em função da minha própria experiencia no assunto, da minha observação no local e claro, da minha opinião pessoal que achei que foi um desperdício de dinheiro aquele que foi gasto na exposição sobre as mais belas baías do mundo.

O barco EVORA acolheu a exposição sem cobrar qualquer verba à organização do evento, gente que preparou o material e teve a oportunidade de o mostrar em Lisboa a centenas de nacionais e muito mais estrangeiros que estiveram a bordo aquando da Volvo Ocean Race 2015, incluindo a tripulação da SCA e a própria princesa Victória, herdeira do trono sueco.

O que acontece é que os texto que acompanham as fotos estão apenas escritos em português, faltando naturalmente, pelo menos o indispensável inglês, e os painéis, atendendo ao seu espaço, ao invés de terem UMA foto, bem sugestiva têm várias, tornando-os muito pouco atrativos, pelo que a exposição pouco ou nenhum interesse desperta nos visitantes.

Em Setúbal, onde a mesma se encontra patente, o mesmo tem acontecido. Os painéis sobre os mais lindos locais do mundo continuam a não despertar interesse nos visitantes e não acredito que seja por falta de boas imagens desses lugares…

Na visita que se possa fazer a bordo salva-se a exposição permanente do próprio barco EVORA, com painéis informativos, em português e em inglês que contam a história deste vetusto barco agora redecorado e preparado para novos eventos onde a cultura não deixa de estar presente.  

Rui Canas Gaspar
2015-junho-13

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terça-feira, 26 de maio de 2015

Barco EVORA “embaixador” das Mais Belas Baías do Mundo

Durante vários meses o barco EVORA tem vindo a sofrer obras não só de manutenção mas sobretudo importantes melhoramentos ao nível da sua funcionalidade, bem como tem vindo a ser alvo de uma completa renovação dos seus espaços interiores, de forma a adaptá-lo às novas tarefas para que o seu armador o tem destinado.

Quanto à decoração, tenta-se aproximar mais do original, bem como torná-lo num espaço de exposições itinerante, destinado não só ao lazer mas também à cultura.

Agora quando o visitante entrar no EVORA já pode conhecer toda a sua história, dado que painéis com esse objetivo já ali se encontram colocados. Também pode apreciar algumas peças históricas, tais como o símbolo da CP que ostentava na sua chaminé.

As vigias do barco, que tinham servido os submarinos alemães, estão agora mais em destaque e as mesas foram transformadas de forma a poderem servir também como expositores.

No amplo salão, grandes espelhos com molduras douradas ricamente trabalhadas dão-lhe ainda mais charme e fazem ressaltar a soberba garrafa de louça fabricada pela conceituada Vista Alegre e que receberá o EMBARCADO, o néctar que há alguns anos serve de lastro ao barco. O generoso moscatel roxo setubalense.

E é assim com estas novas roupagens que o EVORA se vai apresentar no Rio Tejo, onde servirá como principal barco de apoio ao mais importante evento náutico mundial, pela segunda vez.

A VOR (Volvo Ocean Race) trará a Lisboa largos milhares de pessoas  de todo o mundo, para assistirem à “fórmula 1 dos mares”, um evento considerado pelo Governo Português como sendo de  Interesse Público.

Mas o EVORA reserva ainda outra surpresa, ele vai ser o maior embaixador das mais belas baías do mundo e por isso mesmo vai ter patente uma excelente e completa exposição sobre esta temática, com naturalmente a setubalense “baía dos golfinhos” em destaque.

Milhares de pessoas terão oportunidade de visitar na capital portuguesa este barco histórico e as suas exposições. Depois da VOR o barco retornará  ao porto de Setúbal onde teremos oportunidade de o visitar ou mesmo fazer nele um dos muitos cruzeiros no Sado agendados para este ano.

Talvez a mais interessante saída do EVORA seja aquela em que ele se irá  integrar nos cortejos da Festa de Troia e esta será uma oportunidade soberba para desfrutar do charme do “velho Senhor do Tejo” que para os setubalenses mais não é do que o seu “Cisne Branco do Sado”.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-26

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

O “Cisne branco do Sado” deslizou hoje pelas águas do nosso belo rio azul

A primaveril tarde de hoje dia 6 de maio deste ano de 2015 estava bem agradável. O nosso belo rio azul apresentava-se de águas calmas com a baía dos golfinhos mais parecendo um verdadeiro espelho.

Eu deslizava serenamente rio abaixo depois de vários meses atracado ao cais nº 1 onde dedicados companheiros têm vindo a tratar de mim embelezando-me de modo a que me possa apresentar com novo visual, mais próximo daquele original com que saí dos longínquos estaleiros de Kiel, na Alemanha.

Neste primeiro dia de temporada tive o privilégio de transportar os mais velhos setubalenses, residentes na Freguesia de São Sebastião, provavelmente a maior parte deles antigos homens do mar, varinos, e elas, antigas “mulheres da fábrica”, as laboriosas conserveiras  sadinas.

Em terra, eram muitos aqueles que me apreciavam, deslizando sobre as águas qual cisne branco do Sado e, curiosamente enquanto eu passava junto ao P.U.A. cerca de uma dezena de jovens estudantes preparavam-se para se fazer às águas do nosso Sado, nos pequenos caiaques.

Setúbal é terra de gente do rio e de homens do mar!

Foi um dia muito interessante e espero que muitos outros se repitam. De facto são poucos ou nenhum os setubalenses ligados direta ou indiretamente ao nosso belo Sado que não gostam de me ver e fotografar, comentando com os amigos: - Este é o EVORA, o mais antigo barco fluvial português movido a diesel. Ele foi também o primeiro a utilizar hélices de aço inoxidável e é rijo que se farta. Pudera, foi construído com chapas de aço de antigos tanques alemães que combateram na Primeira Guerra Mundial!

Não sou vaidoso, mas lá que tenho um certo charme, lá isso tenho, depois… se não for eu a gostar de mim quem gostará?

Rui Canas Gaspar
2015-maio-06

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sábado, 4 de outubro de 2014

Olhando para as gaivotas sabe de que lado sopra a brisa?

Depois de nos termos deliciado com o saboroso peixe fresco da nossa costa, comido ali bem perto da Doca dos Pescadores, meu pai, meu irmão e eu fomos dar uma pequena volta por aquele local de tantas lembranças para o nosso pai, um velho pescador nascido e criado no velho bairro de Troino.

A zona do antigo cais do carvão, onde o EVORA se encontra atracado, está agora mais atraente e funcional depois das obras de melhoramento levadas a cabo pela APSS e foi até ali ao cais nº 1 que nos deslocamos para ver a entrada dos barcos na sua doca.

Meu pai olhando para o “cisne branco do Sado” comentou: “- O EVORA não está de nível, tem a proa mais levantada…” o olho clínico do velho homem do mar reparou naquele pormenor que passava despercebido à generalidade daqueles que por ali andam diariamente.

Meu irmão olhou para mim, num olhar cúmplice e afagou a cabeça do nosso pai, dando-lhe razão. De facto o EVORA tem os depósitos de água na proa e estes de momento ainda não foram abastecidos com os cerca de 22 mil litros o equivalente a cerca de 22 toneladas, o peso suficiente para o nosso pai notar a diferença de nível.

Uma ligeira brisa sobrava de noroeste e o velho pescador virando-se para os filhos comentou: “-sabem que as gaivotas indicam-nos de que lado sopra o vento?” Olhamos um para o outro e embora saibamos alguma coisa sobre esta matéria, aprendida ao longo de muitos anos de técnica escutista o facto é que saber a direção do vento pelas gaivotas nunca tínhamos sequer ouvido falar.

“- Olhem para elas! Vejam para onde apontam a proa!”

Em cima de cada um de todos os novos candeeiros lá estava uma ou duas gaivotas empoleiradas e, curiosamente, nunca tínhamos reparado que todas as aves estavam viradas na mesma direção, precisamente apontando o bico para noroeste.

“- Assim podem fazer cócó à vontade cá para baixo porque nunca sujam as penas, se estivessem ao contrário sujavam-se!”

Se é por causa dos hábitos de higiene das gaivotas ou não, nem sequer comento, o facto é que reparei que todas aquelas aves estavam de bico apontado para o lado de onde soprava a brisa.

São histórias e ensinamentos simples como este que semanalmente são partilhadas pelo nosso velho pai, depois do nosso almoço semanal de bom peixe fresco capturado na nossa costa, deixando-nos bem felizes por podermos partilhar da companhia e dos ensinamentos do nosso querido progenitor.

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-04

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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O cais do barco EVORA estava repleto de carros topo de gama

Ao que parece ontem, dia 6 deste mês de agosto de 2014 foi um dia de “barriguinha cheia” para os industriais de restauração com estabelecimentos localizados junto à Doca dos Pescadores.

Foi dia do barco EVORA, deixar o seu cais de atracação na Estacada nº1 para levar mais de duas centenas de pessoas a passear numa das mais belas baías do mundo, a de Setúbal.

A saída prevista para as 15 horas acabou por se efetuar quase três horas depois. É que os passageiros ficam encantados com o bom peixe e marisco servido nos esplêndidos restaurantes setubalenses e acabam sempre por atrasar a saída do barco que fretaram, mais uma vez, para o seu sempre animado passeio/convívio.

O acesso ao cais onde se encontra o EVORA foi aberto para servir de estacionamento às viaturas de alguns dos seus passageiros tornando-se numa autêntica montra para os amantes dos carros topo de gama, dos porche aos masserati, passando pelos populares mercedes e BMW.

Um barco “táxi” tratou de levar alguns passageiros mais atrasados de Setúbal para o outro lado do rio onde já se encontrava o EVORA, fosse porque ficaram mais tempo no restaurante, a tratar de negócios, ou simplesmente porque nestes casos chegar atrasado não será tanto falta de educação mas sim mais um motivo para se tornar notado…

Mas afinal quem eram estes passageiros do EVORA que intrigavam os pescadores que comentavam e apreciavam o espetáculo da sua privilegiada varanda no edifício dos cacifos de pesca?

Eles eram africanos, maioritariamente angolanos, pessoas alegres e parecendo ser bem endinheirados que já têm feito várias saídas para a “Baía dos Golfinhos” a bordo deste emblemático barco a que gostamos de chamar de “Cisne branco do Sado”.

O turismo em Setúbal abarca as mais variadas vertentes e este tipo de passeios a bordo do EVORA representa sempre um motivo de muita alegria para os industriais de restauração que num dia como o de ontem esfregam as mãos de contentamento pelo bom negócio que este tipo de turistas lhes proporciona.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-07

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domingo, 13 de julho de 2014

Uma história para a História ocorrida com o barco EVORA

O Barreiro e região envolvente era uma zona da margem sul do Tejo onde laboravam corticeiros, salineiros, pescadores, metalúrgicos, operários químicos e têxteis de entre outros, que labutavam afincadamente por uma vida melhor. Politicamente era uma comunidade também conhecida em Portugal pela luta de resistência que mantinha contra o regime ditatorial vigente no país.

Por esse facto, a PVDE (Policia de Vigilância e de Defesa do Estado) formada em 1933, seguia de perto os movimentos operários particularmente ativos nesta região. As forças policiais faziam sentir a sua presença por intermédio de um forte e omnipresente contingente da Guarda Nacional Republicana, uma força militarizada que naqueles tempos funcionava como uma espécie de guarda pretoriana do Estado Novo.

Em 1945, a PVDE muda de nome e passa a apresentar-se como PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) a temível polícia política portuguesa, organizada segundo os moldes da GESTAPO, a polícia secreta, de má memória em toda a Europa ocupada pela Alemanha nazi.

Naqueles tempos de ditadura, a 23 de maio de 1936, pelas 11 horas da manhã a polícia política invadiu as Oficinas Gerais dos Caminhos-de-Ferro do Sul e Sueste, com o propósito de prender o serralheiro José Francisco.

Devida a desta ação da polícia o pessoal operário decidiu solidarizar-se com o seu colega e logo após o toque das 13 horas partiu em perseguição da polícia que se dirigia para o cais de embarque onde eu me encontrava atracado.

Os operários arremessavam pedras aos agentes que se refugiavam a bordo e estes respondiam a tiro, o que ocasionou 4 feridos. Este evento ficou conhecido para a história como o “caso do vapor EVORA”.

Se o Barco EVORA falasse poderia resumir assim este episódio:

- Eu tremia, não sei se por causa da ligeira ondulação, ou das pedradas que me acertavam cada vez com mais força. Claro que como podem constatar nada tinha a ver com o assunto, apenas cumpria a minha missão de transportador entre as pacíficas margens do Tejo. Mas, tal como reza o velho ditado português: “quando o mar bate na rocha, quem sofre é o mexilhão…”

Rui Canas Gaspar
2014-julho-13