notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro
Mostrar mensagens com a etiqueta carnaval. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta carnaval. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Carnaval tempo de aprendizado

Foram na ordem das largas centenas as crianças dos infantários, colégios e escolas do ensino básico, acompanhadas pelos seus monitores e professores que hoje encheram a Praça de Bocage e depois desfilaram pela Avenida Luísa Todi.

Provavelmente não seremos muitos aqueles que pensamos um pouco no trabalho preliminar que os educadores destas crianças tiveram, imaginando figurinos, escolhendo materiais de baixo custo ou mesmo custo zero e, depois, promovendo oficinas práticas onde os mais pequeninos setubalenses aprenderam a cortar, colar, pintar e trabalhar em equipa.

Finalmente, chegou o momento de festa e alegria, quando eles vieram para a rua mostrar o que fizeram, partilhando a sua boa disposição com as outras crianças e adultos e enchendo as nossas ruas, praças e avenidas de cor, graça e alegria como só as crianças nos conseguem proporcionar.

Os festejos carnavalescos podem até ser engraçados, mas dou sempre comigo a pensar nos trabalhos de bastidores, nos colégios e nas escolas que com alguma antecedência e tendo este tema motivador vão ajudando a a formar os homens e mulheres que nos irão governar um dia.

Faço votos para que estes dedicados educadores sejam sábios e saibam que muitos outros seus conterrâneos olham para eles com esperança de que possam atingir os seus objetivos pedagógicos.

Mais do que um tempo de festa e de folia, tenho para mim que este período é um tempo privilegiado para que os nossos professores e educadores melhor possam moldar aqueles pequeninos que dentro em breve, alguns deles, serão os homens e mulheres que nos irão governar.

Por isso, aqui expresso a minha admiração e gratidão para estes educadores que sempre fizeram muito mais na sua atividade profissional do que aquilo que lhes está cometido e pelo qual são pagos.

Que todos se possam divertir e por isso mesmo desejo um bom carnaval para os nossos meninos e meninas. Votos idênticos também para aqueles seus monitores e professores e, porque não, para si também que teve a paciência de ler este apontamento.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-05

www.troineiro.blogspot.com

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Recordando um desfile carnavalesco em Setúbal

O ano de 1967 mal tinha começado quando os Caminheiros do Clan 1 de Setúbal do C.N.E. respondendo a uma solicitação da Comissão de Festas da Cidade encetaram um projeto com vista à sua participação no corso carnavalesco que deveria desfilar nesse ano.
Chegamos à conclusão que poderíamos organizar uma formação romana que transportaria o imperador Nero num palanque carregado por dois possantes escravos e um prisioneiro viking devidamente acorrentado.
Quase não havia dinheiro nenhum para levar de vencida tal projeto, mas muita imaginação e boa vontade. Por isso mesmo recorremos aos materiais mais baratos e cada um comprou uma folha de cartão e fita de nastro para fazer a sua própria armadura.
Com papel de jornal e cola de sapateiro, tendo por molde uma bola de futebol, fizemos os capacetes romanos que teriam o seu acabamento com uma pintura metalizada utilizando-se a tinta que fomos pedir, como oferta, a uma empresa local.
Os escravos tal como o prisioneiro viking vestiam-se com peles. Naquele tempo alguns comerciantes de carne do Mercado do Livramento matavam e esfolavam os coelhos e colocavam as peles a secar, em longas fiadas, num espaço ao ar livre na Rua Ocidental do Mercado. Certa noite, fomos lá “pedir emprestadas” umas peles para cobrir a nudez dos pobres escravos…
Para fazer as vistosas capas vermelhas utilizamos o tecido mais barato que encontramos no comércio local, o tafetá. Enquanto as sandálias foram confecionadas com cartão prensado, o conhecido platex e, seguradas aos tornozelos com fita de nastro.
Quanto ao Nero, uma colcha servia-lhe de manto e uma coroa de louros embelezava-lhe a cabeça enquanto uma harpa alegrava-lhe o dia. O palanque ia assente numa padiola transportada por dois possantes escravos. Tão fortes que não se cansaram com aquelas dezenas de quilos, é que a saia que cobria a padiola não deixava ver as duas rodas de bicicleta em que ela se apoiava…
O nosso grande receio era a chuva. Se ela caísse, mesmo com pouca intensidade chegaríamos em cuecas à nossa sede na Ordem Terceira de S. Francisco, dado que todo o equipamento se iria desfazer.
No último dia de carnaval o corso foi desfilar no Estádio do Bonfim e entreolhámo-nos apreensivos quando aquela nuvem escura, vinda de oeste, começou a despejar água sobre o recinto, precisamente na altura em que desfilavamos junto à lateral nascente, apenas levando com uns borrifos porque os deuses romanos tinham-nos protegido e a água caíra precisamente sobre a parte do cortejo que desfilava junto às bancadas poente.
As cerca de três dezenas de jovens escuteiros setubalenses não poderiam ter ficado mais contentes. Se o primeiro prémio foi para as simpáticas meninas da Escola Industrial e Comercial de Setúbal que desfilaram como majoretes o segundo coube-nos a nós com esta vistosa e bem conseguida formação romana.
Tal foi o sucesso desta iniciativa que as imagens fotográficas captadas, durante muitos anos ainda serviram para publicitar o Carnaval de Setúbal, cuja tradição praticamente se viria a perder no tempo, restando agora uns insípidos desfiles de crianças do ensino pré-escolar.
Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-13
www.troineiro.blogspot.com