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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

As águas do Sado substituíram as do Jordão

No PUA, tal como todos os dias acontece, pessoas dos mais variados escalões etários corriam ou passeavam por aquele muito concorrido espaço, enquanto no rio podíamos observar as diversas embarcações que chegavam da faina, depois de uma noite de pesca.

O céu estava cinzento, a temperatura agradável, quando perto da hora de almoço chegaram ao Parque Urbano de Albarquel, algumas dezenas de pessoas de etnia cigana.

Quase uma dezena dessas pessoas vinham trajadas de branco, enquanto as restantes vestiam-se de forma informal.

Depois de formarem um círculo, à beira do rio, um deles começou a falar. Rapidamente percebi que se tratava de um pastor, provavelmente o líder da congregação e aquelas pessoas eram membros da sua Igreja.

Informaram-me que se tratavam de cristãos da Igreja Evangélica, pertencentes à congregação setubalense “Cristo para todos”.

Tinham ido até ao PUA para procederem ao batismo de sete novos conversos que iriam  passar a pertencer àquela congregação sedeada em Setúbal e frequentada na sua esmagadora maioria por elementos de etnia cigana.

Depois de um discurso sobre o arrependimento, um a um foram entrando nas águas do Sado. Cruzavam os braços e eram imersos pelo pastor com o auxilio de outro membro.  

Os elementos da congregação que se encontravam na areia ou em cima cantavam alegremente: “Nas águas do Rio Jordão, Jesus foi batizado por João” repetindo e voltando a entoar este verso, provavelmente o refrão de algum hino religioso.

A cerimónia foi concluída e, tão ordeiramente como chegaram, entraram nas suas viaturas e partiram.

Nesta quinta-feira, dia 26 de fevereiro de 2015 as águas do Rio Sado, tinham-se transformado, para aqueles crentes de etnia cigana, nas águas bíblicas do Rio Jordão.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-26

www.troineiro.blogspot.com

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Quem te avisa teu amigo é!

Em pleno coração da cidade de Setúbal, o antigo Bairro de São Domingos, outrora cheio de vida, apresenta-se hoje silencioso com grande parte das casas desabitadas e muitas delas em tal estado de degradação que ameaçam ruir.

No meio de tanta tristeza, não deixa de ser curioso ser ali que se localiza a Rua da Alegria e ainda mais curioso é podermos observar que também ali uma flor pode fazer a diferença.

Alguém de possibilidades económicas limitadas, habitando numa daquelas velhas habitações térreas, decidiu fazer jus ao nome da rua e como tal acabou por dar um pouco mais de alegria, se não a toda a rua, pelo menos à entrada da sua casa.

Pintou andorinhas na parede, colocou vasos com plantas no chão e outros na parede e transformou o seu espaço num agradável jardim.

Mas como não há bela sem senão, eis que os amigos do alheio, certamente por também gostarem muito de plantinhas e de flores, trataram de ir levando de vez em quando algumas delas. Foi então que o dedicado jardineiro decidiu lançar sobre os larápios uma das infalíveis  pragas do cigano Lelo.

E para que não houvesse dúvidas quanto ao perigo de dali levar alguma plantinha colocou um quadro, no meio das flores, com o seguinte aviso: “Quem neste jardim voltar a roubar sangue há-de chorar”.

E pronto agora já sabe, se quer ter uma vida calma, tranquila e usufruir da beleza do jardim da Rua da Alegria, não pense em levar nem que seja uma pequena plantinha, é que estas pragas são infalíveis.

Rui Canas Gaspar
2014-julho-25