A mal-educada Ofélia lá se vai safando
Quando se aproximam as 13,00
horas os restaurantes daquela zona começam a estar bem movimentados e os
experientes assadores não dão mãos a medir para servir a clientela.
Há os clientes esporádicos, há os
turistas e há também os que por este ou aquele motivo são habituais.
Costumo frequentar um desses estabelecimentos
e tal como eu todos já nos habituamos a ver chegar uma senhora loura, entrar,
sentar-se pedir o seu peixinho grelhado, comer, pagar e sair, provavelmente
alguma empresária setubalense, alguma executiva, ou alguém que por força das
circunstancias tem de comer fora diariamente.
Mas se todos os frequentadores do
restaurante pedem delicadamente o seu peixe assado, à mesma hora chega outra
cliente, que não está na disposição de esperar e é tal a confusão que ali
arranja que o assador corre logo a atendê-la.
O mais curioso é que a Ofélia, nome porque é já conhecida não pede o
peixe assado e, como se estivesse num qualquer restaurante japonês, come-o cru,
tal como de sushi se tratasse.
Mas mais. A Ofélia não quer estar
em espaços fechados, mal o assador lhe entrega o peixe e lá vai ela comer para
a esplanada e até para cima dos carros, de preferência topo de gama…
Mas, esta morenaça é de tal
calibre que depois de comer, vai-se embora sem se despedir ou agradecer e,
curiosamente, nunca a vi pagar pelo almoço que lhe é servido.
De facto, parece que ser arruaceira
e mal-educada às vezes dá resultado é que já vi situações idênticas lá para os
lados da Segurança Social e até no Hospital de São Bernardo, pelo que a gaivota
Ofélia não será nenhuma exceção à regra.
Rui Canas Gaspar
2014-dezembro-04
www.troineiro.blogspot.com