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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Furto e vandalismo no Bairro Salgado

Foi no século XIX que se começou a desenvolver aquele que seria designado por Bairro Salgado, uma nova zona de Setúbal onde a classe burguesa decidiu erigir a sua habitação.

Naquela altura o bairro ficava relativamente perto do centro da cidade e suficientemente afastado das zonas onde habitavam as classes trabalhadoras.
Bonitas casas, onde não faltam exemplares “arte nova” davam àquela nova artéria citadina um ar distinto e sofisticado.

Os empresários locais, industriais de conservas de peixe e armadores  escolheram a zona para sua habitação e  as suas casas refletiam exteriormente o cuidado posto na sua execução e decoração, atendendo aos bonitos painéis de azulejos e aos pormenores arquitetónicos que ostentam.

Os primeiros habitantes acabaram por morrer, muitos dos seus herdeiros abandonaram a cidade ou mudaram-se para outras zonas e gradualmente o património edificado foi-se degradando.

A partir de determinada altura começa a descaracterização do bairro quando se permitiu a construção de prédios onde antes existiam bonitas moradias unifamiliares. A própria Autarquia permutou o edifício da escola existente no bairro, a necessitar de obras, por outra nova erigida noutra zona da cidade. No terreno ocupado pela antiga escola nasceria um prédio multifamiliar, em propriedade horizontal.
Nos últimos anos a degradação acentuou-se chegando ao ponto de ser difícil distinguir quais as casas ocupadas das desocupadas, embora existam também bons exemplos de recuperação urbanística.
É comum ver-se portas e janelas fechadas a tijolo.  Entradas escancaradas onde se acolhem pessoas sem-abrigo e alguns marginais, a par de um fenómeno mais recente o vandalismo e o furto.

Curiosamente, neste último fenómeno, o do furto, os larápios começam por roubar portas e janelas de alumínio nas casas desocupadas para depois entrarem nas habitações e retirarem tudo o que seja fio de cobre e material vendável.

E é assim que vamos encontrar neste início de 2014 o vandalismo materializado, nos inestéticos grafite e uma das duas emblemáticas imagens de Buda que decoravam o bar do mesmo nome, partida no chão. Quase ao lado, verifica-se a ausência das janelas de alumínio no renovado edifício daquela onde foi até há pouco a Farmácia Sália.

Recuperação urbanística e património altamente degradado bem como o roubo e vandalismo andam a par e à solta neste bairro que foi outrora o mais elegante da cidade do Sado, onde a poderosa classe dominante habitou durante vários anos e onde ainda hoje persistem alguns bons exemplares arquitetónicos convenientemente recuperados e habitados por bons, pacatos e honestos cidadãos.

Rui Canas Gaspar

2014-janeiro-02







































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