notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro
Mostrar mensagens com a etiqueta 19 de Abril. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 19 de Abril. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de agosto de 2020


A elevação de Setúbal à categoria de cidade

O jovem rei D. Pedro V ainda não tinha completado 23 anos quando na quinta-feira, dia 19 de abril de 1860 assinou o decreto real, no Paço das Necessidades, que elevava a “notável villa” de Setúbal à categoria de cidade.

Foram necessários deixar passar quase dois anos desde aquele dia 14 de julho de 1858 para que fosse deferido o requerimento redigido pela vereação da Câmara Municipal solicitando a Sua Majestade a graça de “aumentar o esplendor e a grandeza da povoação”.

Para além da sua História, do seu importante porto e do seu comércio com o exterior um outro motivo também invocado pelo presidente da autarquia, Aníbal Álvares da Silva e sua vereação era o facto de Setúbal rivalizar em importância e população com todas as cidades do reino, com exceção de Lisboa e Porto.

Para assinalar esta importante data junto dos seus cidadãos, Setúbal tem apenas uma pequena rua com o dia e mês, sem que a mesma faça alusão a este acontecimento histórico, comemorado com grande euforia pelos nossos antepassados.

Foram precisos deixar passar CEM ANOS para que um grupo de cidadãos tomasse a iniciativa de mandar implantar um digno monumento que nem mesmo ele publicita a data, sendo vulgarmente conhecido por “fonte luminosa” mas cuja designação oficial é “Fonte do Centenário”.

Rui Canas Gaspar

Troineiro.blogspot.com

2020-agosto-06


sexta-feira, 19 de abril de 2019


Era uma vez… 

Naquele tempo em Setúbal as muitas fábricas de conservas de sardinha ainda faziam sair pelas suas altas chaminés o fumo proveniente da cozedura do peixe que as mulheres chamadas a trabalhar pelas estridentes e inconfundíveis sirenes correndo ladeira a baixo, desde o alto de Troino até à beira-rio tratavam de preparar para conserva. 

O calendário marcava 18 de abril quando a jovem senhora, grávida de quase 9 meses, com o seu esposo, pescador, saíram a pé da Rua das Oliveiras e foram até Palmela, subindo a serpenteante Estrada da Cobra com o objetivo de ver a procissão que ali então se realizava. 

Na volta para Setúbal o céu abriu-se e uma valente chuvada empapou o casal da cabeça aos pés e nem a ombreira da taberna do “Ás de Paus”, no Rio da Figueira, conseguiu abrigar aquela andarilha. 

No dia seguinte, oito dias antes do previsto, nascia o primeiro filho deste jovem casal de troineiros. 

Naturalmente que para a sua família o pequenote era o rei daquele lar e tinha até o privilégio das suas “bem cheirosas” fraldas (porque não existiam descartáveis) serem lavadas nas primeiras águas que corriam para os tanques da popular Geménia. 

A criança foi apresentada à população de todo aquele populoso bairro, onde as pessoas funcionavam como uma grande família, pela sua bisavó, que babosa, e com o bebé embrulhado num xaile, mostrava a toda a gente o seu mais recente descendente anunciando-o como o seu rei da França, rei da Inglaterra, rei da Espanha e se mais reinos  lhe viesse à cabeça, (fossem monarquias ao repúblicas) estavam safos porque o real governante já tinha nascido. 

E foi assim naquele primaveril dia 19 de abril de 1948 quando se comemorava mais um aniversário da elevação de Setúbal à categoria de cidade que nascia um troineiro que afinal não reinou em lado nenhum a não ser em sua casa e mesmo assim quando a rainha o deixou. 

Obrigado a todos pelo carinho 

Abreijos 

Rui Canas Gaspar
2019-Abril-19
Troineiro.blogspot.com