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sexta-feira, 19 de abril de 2019


Era uma vez… 

Naquele tempo em Setúbal as muitas fábricas de conservas de sardinha ainda faziam sair pelas suas altas chaminés o fumo proveniente da cozedura do peixe que as mulheres chamadas a trabalhar pelas estridentes e inconfundíveis sirenes correndo ladeira a baixo, desde o alto de Troino até à beira-rio tratavam de preparar para conserva. 

O calendário marcava 18 de abril quando a jovem senhora, grávida de quase 9 meses, com o seu esposo, pescador, saíram a pé da Rua das Oliveiras e foram até Palmela, subindo a serpenteante Estrada da Cobra com o objetivo de ver a procissão que ali então se realizava. 

Na volta para Setúbal o céu abriu-se e uma valente chuvada empapou o casal da cabeça aos pés e nem a ombreira da taberna do “Ás de Paus”, no Rio da Figueira, conseguiu abrigar aquela andarilha. 

No dia seguinte, oito dias antes do previsto, nascia o primeiro filho deste jovem casal de troineiros. 

Naturalmente que para a sua família o pequenote era o rei daquele lar e tinha até o privilégio das suas “bem cheirosas” fraldas (porque não existiam descartáveis) serem lavadas nas primeiras águas que corriam para os tanques da popular Geménia. 

A criança foi apresentada à população de todo aquele populoso bairro, onde as pessoas funcionavam como uma grande família, pela sua bisavó, que babosa, e com o bebé embrulhado num xaile, mostrava a toda a gente o seu mais recente descendente anunciando-o como o seu rei da França, rei da Inglaterra, rei da Espanha e se mais reinos  lhe viesse à cabeça, (fossem monarquias ao repúblicas) estavam safos porque o real governante já tinha nascido. 

E foi assim naquele primaveril dia 19 de abril de 1948 quando se comemorava mais um aniversário da elevação de Setúbal à categoria de cidade que nascia um troineiro que afinal não reinou em lado nenhum a não ser em sua casa e mesmo assim quando a rainha o deixou. 

Obrigado a todos pelo carinho 

Abreijos 

Rui Canas Gaspar
2019-Abril-19
Troineiro.blogspot.com

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Desta vez a notícia sou eu

A publicação mensal “Setúbal Revista” na sua edição de Dezembro de 2015 dedica a foto de capa ao fadista setubalense António Severino, chamando também, em rodapé, a atenção dos seus leitores para o meu novo livro “Histórias, Coisas e Gentes de Setúbal”.

Na página 7 desta publicação podemos ler o texto da autoria do seu editor, Joaquim Gouveia, que escolheu como título para este seu trabalho jornalístico “O Contador de Setúbal” e cujo conteúdo reproduzo aqui de forma a dar conhecimento a todos aqueles que não tem acesso à revista:

“ O puro prazer pela escrita inspirada em histórias, coisas e gentes da sua terra, Setúbal, proporcionam a Rui Canas Gaspar, momentos de delicioso conforto escrevendo e editando, livro após livro, para oferecer à comunidade a história da sua contemporaneidade.

Não se sente um historiador, apenas um investigador e narrador de factos e acontecimentos que ao longo de muitos anos vão envolvendo a cidade e as suas gentes num desfilar de coisas e lugares a todos comuns, de que todos temos conhecimentos mas que Rui Canas Gaspar sabe descrever ao mais ínfimo pormenor com a minúcia e o entusiasmo próprio de quem gosta de comunicar e o faz com sabedoria, bom gosto e, acima de tudo, com verdade.

“A escrita para mim – diz o escritor – é um projeto ao qual dou seguimento através dos livros que escrevo, edito e que tenho em curso sobre a minha cidade. Todos estão planeados por forma a que cada um seja o complemento do anterior. Não tenho preocupações de ordem cronológica. Cada livro é um conjunto de gentes, tempos e lugares que se completam num ciclo de escrita”.

Rui Canas Gaspar é um investigador, gosta de saber e por isso persegue cada acontecimento marcado no tempo com entusiasmo e pertinácia.

“Este livro é, portanto, uma sequência de histórias sobre Setúbal, as suas gentes e as suas coisas que vem no seguimento do livro anterior “Setúbal – Gentes do Rio, Homens do Mar”, onde narrei meia centena de histórias. Agora volto a narrar histórias diferentes mas com a mesma preocupação de seriedade. Já estou a preparar o próximo livro que vem no desencadear destes dois últimos e que acrescentará mais umas dezenas de histórias sobre a nossa terra”, esclarece que a convicção de quem sabe que este é um projeto que quer cumprir intemporalmente.

Sobre a sua forma de escrever diz que “é variada mas sinto-me, particularmente, inclinado a escrever sobre Setúbal, que é a minha terra e onde está toda a minha origem familiar e pelo conhecimento que tenho das coisas, das gentes e dos lugares. Procuro fazer um trabalho sério, digno e de qualidade.

Mas como é que o escritor define a sua terra, esta Setúbal que o viu nascer e da qual é um eterno apaixonado? Rui Canas Gaspar, não esconde a convicção de que “Setúbal é um diamante por lapidar. Por aqui temos quase de tudo, o que faz com que nos apeteça viver por cá. Temos uma zona industrial com características de desenvolvimento mundial, uma baía que é uma das mais belas do mundo e um enquadramento paisagístico maravilhoso.

No entanto penso que a cidade esteve de certa forma votada ao abandono mas hoje nota-se que voltou a existir uma preocupação em recuperar valores patrimoniais o que só a valoriza”, justifica.

Sobre os seus livros o autor acredita que “são únicos em termos de temática que apresentam, com uma linguagem muito acessível, com histórias interessantes e verídicas, o que ajuda na investigação da contemporaneidade da cidade e da própria região”.

Rui Canas Gaspar conta, nesta altura, com 9 livros editados. Prepara o seu décimo livro para dentro em breve. É o seu próprio editor tendo lançado a marca “Livros do Rui”.


2015-dezembro-08

terça-feira, 20 de outubro de 2015

“Histórias, Coisas e Gentes de Setúbal”

Vamos todos assistir ao nascimento?

Já imaginaram um grupo de trabalhadores a abrir uma vala e um deles bater com a picareta numa antiga ânfora romana e de lá jorrarem milhares de moedas romanas?

Sabiam que tivemos em Setúbal uma fábrica que processava de forma industrial a carne, os ossos e o óleo desses gigantes dos mares, as baleias?

Sabem como se começou a disseminar pela cidade a moda do peixe assado?

Conhecem o romance do “Romeu e Julieta” luso/francês?

E a história da Ermida do Anjo da Guarda?

O belo palácio da Várzea de Setúbal está quase a desaparecer, mas aqui vamos ficar a conhecer a sua longa história, estou a falar do Palácio dos Ciprestes.

Se não conhecem o Palácio dos Ciprestes certamente conhecerão, pelo menos por fora, o da Comenda. Aqui ficará a saber toda a sua história, do nascimento à morte lenta.

Se não chegaram a entrar no balneário Dr. Paula Borba para tomar uma banhoca, não sabem o que perderam, querem saber porquê?

E que dizer das touradas em Setúbal, realizadas na Praça do Bocage, no Bonfim, no convento de S. João ou na praça de touros que os republicanos se esqueceram de retirar a designação de D. Carlos?

Sabiam que muitos dos monumentos setubalenses já mudaram de poiso por mais do que uma vez? Uma autêntica dança que vão gostar de conhecer.

“Almeida bruxo”, “Kinito”, “Kali”, “Ervilha”, “Salmonete”, “Zé maluco”, “Finuras” são personagens que conviveram com muitos dos atuais setubalenses e que fazem parte do nosso imaginário e do nosso património.

Não gostarão de saber mais sobre o Coral Luísa Todi, o Clube de Ténis de Setúbal e o São Domingos Futebol Clube? Olhem que é bem interessante a história destas coletividades.

Mas, há mais, muito mais, são cerca de quatro dezenas de textos desenvolvidos ao longo de 200 páginas que me deu particular prazer em pesquisar e escrever, pensando no prazer que os meus amigos terão ao ler e no legado que podemos deixar aos nossos vindouros.

Por tudo isto, gostaria que todos os meus amigos e amigos dos meus amigos se juntassem a bordo do barco EVORA, no sábado dia 7 de novembro deste ano de 2015, pelas 17,30 para participarem comigo no nascimento do “Histórias, Coisas e Gentes de Setúbal” um bebé que terá como parteiros a nossa amiga Paula Borrego e o amigo António Cunha Bento dois bons e bem conhecidos setubalenses.

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-20

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sábado, 18 de abril de 2015

Há 67 anos uma grávida de 9 meses numa tarde foi a Palmela a pé e voltou encharcada

Naquele domingo, dia 18 de abril de 1948, celebravam-se as festas pascais um pouco por todo o país e pelas ruas de Palmela após o almoço saía a procissão, na qual se incorporava bastante povo e muitas outras pessoas aglomeravam-se ao longo das estreitas e íngremes ruelas para assistir ao cortejo religioso.

Nove meses antes, em 27 de julho de 1947, a jovem e prendada Benilde, que tinha aprendido a costurar na Casa dos Pescadores, casara com o Francisco, um jovem e rijo pescador. Eles tinham nascido no bairro de Troino e ali ficariam a residir agora depois de casados pelo pároco da Igreja de Nossa Senhora da Anunciada.

A elegante Benilde estava agora com uma barriga bem avantajada, no seu ventre, ainda sem saber se era rapaz ou rapariga, já se mexia, e remexia o seu primeiro rebento, mas esse facto não a demoveu de querer ir ver a festa a Palmela.

O jovem casal convidou uma amiga lá da sua rua, que acabou por declinar o convite, pelo que o Francisco e a Benilde puseram pernas ao caminho e lá foram os dois para Palmela, subindo a encosta pelo tortuoso atalho que mais tarde ficaria conhecido por estrada da cobra.

Chegaram ao alto da vila a tempo de assistir à procissão e, depois da mesma passar trataram de retornar a casa calcorreando os 8 quilómetros que distam estas localidades uma da outra.

À entrada de Setúbal, no Rio da Figueira, o céu que se apresentava carregado resolveu abrir as comportas e uma chuvada tão forte desabou sobre o casal, que nem o facto de se terem recolhido na ombreira da taberna do “Ás de Paus” (porque era feio as senhoras entrarem naquelas casas…) os salvou de ficarem encharcados até aos ossos.

Poucos minutos faltavam para chegar à Rua das Oliveiras e logo que a chuva deu tréguas percorreram o restante caminho até ao conforto da sua pequena casa.

Na segunda-feira, bem cedo, o Francisco ainda não tinha saído para o mar, quando a Benilde lhe pediu que fosse chamar a parteira porque pressentia que estava prestes a dar à luz.

Apressado e atarantado o rapaz foi falar com um familiar que morava na porta ao lado e lá foram ambos chamar D. Esguita, a parteira que assistia naqueles tempos  à maioria dos partos em Troino e arredores.

Mal a parteira chegou, mandou aquecer no fogareiro uma panela de água, para lavar aquele ou aquela que estava prestes a pôr a cabeça de fora para ver o que se passava neste mundo. Minutos depois, foi o tempo da água aquecer, e um rapaz, curioso, espreitava para ver a luz do dia naquele distante 19 de abril de 1948.

Na véspera, bem embalado no ventre de sua mãe, tinha calcorreado cerca de duas dezenas de quilómetros a pé, serra abaixo, serra acima e agora, cá fora, preparava-se para outra longa jornada pela vida fora.

O meu pai contou-me esta bela história e, depois de o escutar e meditar, conclui que tenho a quem sair, andarilho e curioso, como a minha falecida mãe!…

Rui Canas Gaspar
2015-abril-18

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sentir a Arrábida na Avenida Luísa Todi

A cidade de Setúbal é comparada a uma bela pintura que foi cuidadosamente emoldurada pelo azul do seu Rio Sado e pelo verde da Serra da Arrábida.

Naturalmente a cidade sofre a influência da serra, com a qual confina e, por isso mesmo, é natural que, de quando em vez, os seus habitantes desçam à urbe para visitar quem cá reside.

Daí que das cobras rateiras, às raposas, passando pelos javalis estes nossos vizinhos já tenham sido avistados passeando pelas ruas e avenidas sadinas.

Mas, a cidade não recebe apenas a visita da fauna, também a flora da Arrábida está presente um pouco por todo o lado e foi assim que no passado mês de outubro, ao deslocar-me ao cemitério para me despedir de um velho amigo reparei que naquele local existiam bons medronhos já vermelhos, pelo que me deliciei com os saborosos frutos selvagens da nossa Arrábida.

Hoje, ao passar pela Avenida Luísa Todi, onde de entre variadas plantas podemos encontrar os bonitos folhados da Arrábida e amplas moitas de bem cheiroso alecrim reparei nuns arbustos com bagas azul-escuro e outros de bagas brancas.

Retirei uma baga e provei, comprovando aquilo que pensava, trata-se de martunhos, aquelas bagas silvestres com que os frades arrábidos fabricavam o delicioso licor, que a “Vida & Fortuna”, da Quinta do Anjo, diz ter a fórmula secreta para fabricar o “Arrábidine” o típico licor da Arrábida.

Avancei pela avenida e entrei na galeria do antigo Quartel do Onze, onde uma exposição de pintura mostra um pouco de 50 anos de trabalho daquele que é o pintor de Setúbal, Rogério Chora.

Depois de apreciar os trabalhos deste artista dei dois dedos de conversa com ele e depois aproveitamos para registar o encontro com uma foto junto a belos quadros da Arrábida.

Acabei a manhã, com cheiros, gostos e vistas da Arrábida mesmo sem sair da baixa da cidade.

Que maravilha, poder sentir a Arrábida andando apenas pela Avenida Luísa Todi!...

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-10

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014


SETÚBAL - Gente do Rio Homens do Mar

Está para breve a entrada no prelo do meu mais recente trabalho literário. Trata-se do livro “SETÚBAL – Gente do Rio, Homens do Mar”.


Um livro que nos conta de forma simples, clara, porém   rigorosa, algumas  histórias de uma das mais belas regiões de Portugal, focando  a vida das gentes setubalenses, das suas centenárias coletividades desportivas e recreativas, das suas tradições e dos seus usos e costumes.

São histórias do passado setubalense longínquo e recente, temas do presente e uma perspetiva do futuro para esta terra de laboriosa gente, desde sempre ligada ao rio e ao mar.

Mais de duas centenas de páginas compilam meia centena de textos temáticos ilustrados por dezenas de fotos do próprio autor. 

Um livro indispensável para quem gosta de Setúbal e quer saber mais sobre esta maravilhosa terra.

Em breve será feita a apresentação pública deste trabalho para todos os meus leitores e amigos.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-08
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