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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma manhã a apanhar beatas na Praia da Figueirinha

A manhã estava agradável, sem o insuportável calor que se tem feito sentir e, a despeito do muito que tinha para fazer, decidi aceitar o convite de minha mulher para dar uma volta pela magnífica Serra da Arrábida.
Ainda não eram 10,00 horas e já contávamos cerca de meia centena de autocarros e muitas carrinhas de transporte de crianças que estacionavam entre o Parque de Campismo do Outão e a Figueirinha. Deu para reparar que outras tantas, ou mais, chegariam àquela praia durante a manhã.
Calmamente, sem qualquer tipo de confusão estacionei a minha viatura no parque de estacionamento e fui esticar as pernas. Foi então que reparei numa pequena equipa de voluntários que de xalavar na mão, ou de luvas calçadas, andava pelo areal a apanhar pontas de cigarros.
Sem qualquer protocolo, juntamo-nos à equipa e lá andamos durante cerca de hora e meia percorrendo o areal a apanhar “beatas”, pensando eu que esta boa ação seria para o deve e haver nas contas que teria de prestar por nos anos em que fui fumador ter algumas vezes deitado para o chão as pontas dos cigarros.
A praia continuava a encher, os autocarros não paravam de chegar e no final da manhã eram na ordem dos milhares as crianças com os seus coloridos chapéus ou as suas diferentes camisolas já enchiam aquele espaço.
A organização das diversas escolas e ATLs que demandam aquela praia de bandeira azul é verdadeiramente notável, não só pelas cores que as distingue como pela forma como os grupos dispõem as toalhas e mochilas no areal e até como outros, com improvisadas bandeiras, sinalizam as suas “tropas”.
A Praia da Figueirinha é um espanto, nestes dias de Verão, durante a semana é a alegria e a organização com a criançada, sem confusões nem engarrafamentos, aos fins de semana a coisa pia de outra maneira com os crescidos a fazerem das suas e por vezes a roçar o caos.
Por isso, prefiro sempre que possa juntar-me às crianças e usufruir da sua genuína e contagiante alegria, tal como o seu patente voluntarismo do que a certos grupos de adultos que só geram confusão em boa parte devido ao seu tremendo e estupido egoísmo.
Rui Canas Gaspar
2017-julho-05

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Praia da Figueirinha é uma autêntica arca do tesouro

São nove horas da manhã, a temperatura está agradável devendo subir durante o dia acima dos trinta graus. No mar ainda é visível alguma neblina matinal o que ajuda o ambiente a não estar desagradavelmente quente.

Olhando para o amplo areal podemos constatar que por ali operou uma potente máquina de modo a deixá-lo completamente limpo. Uma brigada de trabalhadores completam a tarefa de limpeza levando os  sacões dispersos pela praia com o lixo e colocando novos para fazer a recolha diária.

Logo à entrada do areal ainda podemos constatar a existência de um suporte com dezenas de cinzeiros. Os fumadores conscientes poderão levar um deles para junto de si e ali recolher a cinza e a ponta do cigarro de forma a que não sirva de elemento poluidor ao areal.

Uma longa fila de autocarros e carrinhas das mais diversas escolas e colégios da região de Setúbal alinham-se e vão desembarcando ordeiramente milhares de crianças enquadradas por diligentes professoras, monitoras e auxiliares.

Quase todas estas crianças transportam a sua própria mochila com o lanche e trazem na cabecinha um colorido chapéu que ajuda a diferenciar e a ser mais fácil de identificar o grupo a que pertencem.

A Guarda Nacional Republicana, esta nesta quarta-feira a operar em duas frentes, por um lado na organização do trânsito, por outro encontra-se também a fiscalizar as condições de segurança dos autocarros que estão a fazer o transporte das crianças.

Na Praia da Figueirinha, em pleno Parque Natural da Arrábida, podemos ver arvorada a bandeira azul, símbolo da excelência deste espaço que diariamente recebe nesta época do ano o que qualquer país tem de melhor, as suas crianças.

Este é o nosso maior tesouro e dá gosto podermos observar aqui, discretamente, como as crianças são bem tratadas por aquelas profissionais e voluntárias que as acompanham proporcionando-lhes uma manhã de sol e mar, outra das grandes riquezas de Portugal.

Sem dúvida que este é o investimento prioritário que se deveria fazer no nosso país, o investimento nas famílias, de forma a que pudéssemos proporcionar-lhes os meios para se desenvolverem harmoniosamente e com a necessária qualidade de vida.

Não deixa de ser emocionante verificar ali, na Praia da Figueirinha, a alegria daquelas milhares de crianças, como não deixa de ser preocupante sabermos que Portugal que há alguns anos foi considerada a reserva demográfica da Europa está a ficar um país envelhecido porque os seus governantes tem descurado o efetivo apoio às famílias, a célula base de qualquer sociedade.

Por esse facto o consequente deficit de nascimentos, empobreceu esta que é a mais antiga nação europeia, cuja riqueza não está nos euros que tem, nas autoestradas que dispõe ou em outro qualquer indicador económico mas sim nas suas crianças e naturalmente nas suas famílias.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-15

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